Hurt

21 Sublime


Notas iniciais
*Não quero ser repetitiva,mas escutar musica me faz pensar melhor.Nonamente "My Immortal".
*Muito,mas muito obrigado pelos reviews!Estou sem palavras.
*Espero que chorem baldes lendo isso!

Os meses que faltavam até o nascimento do bebê não demoraram a passar. No ultimo mês ficou certo que Mandy ,a meu pedido e de Georg, ficaria na casa comigo noite e dia até que chegasse o momento.

Nos últimos dias já sentia como era árdua a tarefa de carregar uma barriga de nove meses. Era uma questão de dias, não mais de meses.

-Boa noite Mandy... -Me despedi dela realmente cansada.

-Boa noite Karina, se precisar de mim, me chame.

Deitei na cama completamente exausta e facilmente adormeci.

Não podia acreditar que estava tocando em seu rosto...Podia sentir em minhas mãos a maciez da pele. Quando toquei os lábios com os dedos ele fechou os olhos e me puxou para si, beijando-me delicadamente.Anciava por aquilo de uma forma tão grande que chegava a sentir dor... No fundo do meu subconsciente eu sabia que era um sonho, mas era tão verdadeiramente real.

Meus olhos marejaram.

-Gustav, não me deixe... -Pedi a ele sentindo seu abraço firme.

-Eu quero que seja muito corajosa, por nós, por nossa filha... Eu estou aqui, sempre aqui. Eu te amo Karina...

Podia vê-lo afastando-se ficando cada vez mais e mais longe enquanto eu chorava e estendeia a mão para ele.

-Fica comigo... -Supliquei a ele, mas já era muito tarde, ele havia sumido.

Meus olhos abriram-se e as lágrimas que formavam uma cortina, rolaram a vontade por meu rosto.Levei uma das mãos afastando-as, ofegante demais até para respirar direito

-Eu podia senti-lo..._Dizia a mim mesma em voz alta, tentando convencer a mim própria que aquilo não passava de um sonho, fruto de minha cabeça perturbada pela ausência dele... -Gustav...

Pousei novamente a mão na cama, sentindo a humidade que vinha dela. Examinei ao meu redor atônita e constatei que na verdade, a humidade provinha de mim, minha bolsa havia estourado.

-Mandyyy...-Gritei em voz alta esperando que ela me ouvisse.

Mandy entrou em meu quarto em um átimo, vendo em meu rosto que havia chegado a hora.

Tentando manter a maior calma possível, tirou o telefone do bolso e ligou para o Doutor Hanz ,avisando que em ,no máximo meia hora, estaríamos na clinica.

-Vai ficar tudo bem... -Mandy me dizia sorridente ao me ajudar, acomodando-me no banco de trás do carro.

De fato, não levamos mais de meia hora para chegarmos à clinica onde o simpático doutor Hanz nos espera. A esta altura já sentia fortes dores sinalizando que o bebê estava próximo de chegar.

-Chegou o grande dia minha querida... Vai ter que ser muito corajosa, por vocês dois...

As palavras do doutor ecoaram em minha cabeça fazendo-me lembrar do sonho, onde Gustav me encorajava... De alguma forma ele estava ali, constantemente em meus pensamentos.

Um gemido agudo escapou involuntariamente por minha garganta. Enquanto uma enfermeira acomodava-me em uma cadeira de rodas, podia ver Mandy novamente ao telefone. Ouvi-a pronunciando o nome de Georg enquanto a cadeira era empurrada clinica adentro.

Por fim as dores e aquele ambiente trouxeram-me o nervosismo. Podia sentir tremores passando por meu corpo enquanto era preparada para o parto.

Quando as dores tornaram-se demasiadas insuportáveis, em um ultimo exame Doutor Hanz avisou-me...

-Está na hora querida, vamos conhecer este bebezinho.

A enfermeira, uma moça de traços delicados, segurava gentilmente minha mão incentivando-me a empurrar. Eu apenas obedecia. Quando já estava exausta pude então sentir o alívio de ter meu bebê passando de mim para fora. Seu choro agudo agora dominava o ambiente hostil, tornando-o mais terno. Lágrimas mornas rolavam em meu rosto.

-É um menino minha querida! Lindo e saudável... Aqui está ele.

Gentilmente o doutor acomodou aquele pequeno ser em meu peito e pela primeira vez pude tocar seu rosto .Os olhos eram abertos até demais para um recém nascido e ele imediatamente sessou o choro ao sentir-me segurando-o.

Já estava no quarto acomodada em uma grande cama hospitalar, sorri ao ver a enfermeira aproximando-se com meu pequenino. Ele havia sido levado a uma outra sala para ter os primeiros cuidados de um pediatra.

Delicadamente a enfermeira, a mesma que havia me auxiliado durante o parto, acomodou o pacotinho em meus braços. Mais parecia isso mesmo, um pacotinho envolto entre mantas.

Meu coração latejava fortemente no peito.

-Posso pedir ao pai que entre querida?...-Meu olhar pousou um pouco triste na moça diante da pergunta.

-Chame por Mandy... Ela pode entrar assim que quiser... -Disse a moça que apenas concordou e retirou-se.

Olhei demoradamente para o rosto de meu filho. Um filho... Ao contrario do que Gustav dissera em meu sonho, do que Georg gostaria e até mesmo eu almejava, eu dei a luz a um menino. Meu filho e de Gustav.

Pouco tinha pensado na possibilidade de ter um menino de tão convicta que estava de que era uma menina. Colocaria o nome de Nasha que significava companheira... Havia lido naquele livro.Toquei seu pequenino rosto com a ponta dos dedos... Como era parecido com o pai, o mesmo formato do rosto, as mesmas feições...

“Sempre pensei que se tivesse um menino, o chamaria de Klaus”...

A lembrança daquelas palavras, ditas por Gustav em um momento onde estávamos tão felizes, não deixou sequer uma dúvida. Novamente meus olhos estavam marejados quando me dirigi ao pequenino ser, profundamente adormecido...

-Eu sou sua mamãe Klaus... -E o trouxe mais perto do meu peito, permitindo que as lágrimas rolassem.

Mandy entrou no quarto encontrando-me desconsolada. Fitou-me tombando a cabeça para o lado, postando-se a chorar também. Aproximou-se de mim e do meu pequeno Klaus afagando meus cabelos.

-Felicidade minha amiga... Sinta felicidade... -Mandy enxugava minhas lágrimas embora não pudesse conter as próprias... -Georg chegará em dois dias...Não está em Hamburgo.

Entrar na minha casa com meu bebê nos braços e acompanhada de Mandy foi a coisa mais emocionante daquele dia. Como meu parto foi natural e sem complicações, minha estadia na clinica foi mínima. Acomodei o pequenino adormecido em seu berço, pensando em descansar um pouco também. Adormeci pesadamente na cama extra que havia no quarto enquanto Mandy Zelava por nosso sono.

No dia seguinte havia acabado de amamentar Klaus quando Georg entra pela sala com um enorme buque de flores nas mãos.

Podia jurar que haviam lagrimas formando-se em seus olhos verdes enquanto ele falava.

-Não acredito que perdi isso... -Aos poucos se aproximando de nós depois de abraçar Mandy carinhosamente ...-Posso?...Perguntou ele referindo-se ao lugar vago ao meu lado.

Apenas assenti tentando segurar as lágrimas. Teria que começar a me controlar a partir de agora,Klaus não merecia uma mãe chorona incapaz de controlar as próprias emoções.

Georg passou o buquê gigantesco para Mandy, depois se sentou ao meu lado. Depositou um beijo doce em meu rosto e observou o bebê demoradamente.

-Gostaria de estar aqui quando você chegasse em casa...Mas estávamos do outro lado da Alemanha...-Começou um tanto pesaroso.

-Está tudo bem, o que importa é que esta aqui agora... Quer segura-lo?

Georg ainda pensava no que responder, quando inclinei-me em sua direção acomodando o bebê em seus braços. Ele sorria deliciado diante do menino, como se contemplasse um pequeno Deus.

-Ele é a cara do pai Karina... -Dirigiu-se a mim tendo como resposta um meio sorriso, que era o máximo que eu conseguiria naquele momento sem chorar... -Como vai chama-lo?

-Ele se chama Klaus...

Georg reconheceu imediatamente de onde provinha o nome... ”Como o pai” disse por fim, ainda venerando o pequeno rosto.

Desta vez a visita de Georg duraria mais. Naquela mesma semana Klaus foi batizado, tendo Georg e Mandy como padrinhos, na igreja da cidade.

Notas finais
*O nome de menina Nasha realmente existe,porem dei a ele o significado que mais combinava segundo a numerologia,personalidade do nome etc...

Sem tortura pleasee!