Hurt

22 Muito tempo depois


Notas iniciais
Aqui temos o ponto de vista da Mandy,depois da Karina...
Quando vi aquele filme chamado "Querido jhon"o que mais me emocionou na história foi o tempo que eles levaram para ficarem juntos...É mais ou menos isso que eu quero com a minha fic,que tudo corra mal mas acabe bem no final.
Enjoy

Mandy

É incrível como o tempo pode tornar-se inexorável, quando deixamos de lutar contra e nos deixamos levar por ele.

Quando Klaus completou um ano de idade, Karina decidiu que havia chegado a hora de encontrar um emprego. Pensamos que iria ser difícil encontrar algo que se encaixasse no seu perfil, mãe solteira com pouca disponibilidade de horário. A procura durou alguns meses. Depois de um tempo com o currículo que ela possuía e, com uma indicação de Georg que somente eu sabia que ele fizera, parecia que Karina finalmente encontrara o emprego perfeito.

Uma grande agencia de publicidade em Leipzig a contratou para a equipe de Planejamento, não opondo-se que parte do trabalho fosse feito em casa .Então ,montamos uma espécie de escritório improvisado em um dos cômodos da casa e duas vezes durante o mês ,ela dirigia para Leipzig e apresentava o que havia feito.

Muitas vezes Klaus e eu fazíamos companhia durante a viagem que não durava mais do que duas horas.

Durante muitas horas Karina trabalhava absorta entre papeis e telefonemas, enquanto Klaus era assistido por mim. No inicio estabelecemos um cabo de guerra... Ela insistia para que eu recebesse pagamento pelos cuidados com o menino quando ela não podia ficar com ele. Neguei-me fervorosamente. Gostaria de cuidar de Klaus na condição de madrinha, o que eu fazia com a maior alegria, não como babá.

Contudo não queria comprometer-me com outro emprego para poder ficar com eles, então quando ela disse que o dinheiro poderia me ajudar com os estudos, acabei cedendo.

Recebia para cuidar o menino que mais parecia um anjo. Klaus era o centro de todas as atenções. Fazia comigo, com Georg e com a mãe o que bem entendia, bastava que ele estendesse os pequenos bracinhos gorduchinhos para nos ter em suas mãos.

Georg e eu estabelecemos um relacionamento que deixava ambos satisfeitos. Não assumimos nada oficialmente, o que não impedia que passássemos todas as noites possíveis juntos. Estávamos apaixonados mas conseguíamos priorizar bem as coisas .Depois, apesar de visitar-nos sempre que podia ,ele vivia em um mundo e eu em outro totalmente diferente. Não queria que um relacionamento a distância tirasse o foco que eu tinha nos estudos e meu compromisso com Klaus. No fundo eu podia sentir que ele também pensava assim, então estávamos felizes do jeito que estávamos mais para amantes do que namorados por assim dizer.

O nome de Gustav praticamente nunca era citado por mim ou Georg. Karina, embora muitas vezes eu a tenha visto em seções de autoflagelo, procurando por ele na internet, agora falava nele com mais resignação. Muitas vezes a encontrávamos perdida em pensamentos. O fato era que o amor que ela sentia por Gustav não morreu, sequer adormeceu ou diminuiu. Estava ali com ela o tempo inteiro. A prova disso era que ,apesar dos homens a desejarem, sempre recebiam um não como resposta.

Com o passar dos anos a curiosidade de Klaus em relação à composição familiar acabou ficando mais aguçada. No principio ele não entendia ao certo porque, nos livros e na televisão, a família tradicional era composta pelo pai, a mãe e o filho, talvez irmãos, e na dele havia apenas a mãe, tio Georg e tia Mandy..Karina sempre esclareceu a ele que, apesar Georg ser a única presença masculina que ele conhecia, o pai se chamava Gustav e que se ele não estavam juntos naquele momento nada tinha a ver com ele.

O menino assemelhava-se ao pai mais e mais apesar de ter muitos traços delicados da mãe. A semelhança ficou mais evidente quando aos três anos ele passou a usar óculos de grau. O médico disse que um problema de visão em tão tenra idade só poderia ser hereditário.

A personalidade de Klaus mudava aos nossos olhos. O fato de sua convivência ser basicamente com adultos fazia dele um menino esperto e perspicaz. Um pequeno adulto em corpo de criança, por vezes dizia com sua voz infantil e atrapalhada “tudo bem se o pai dele não estivesse ali naquele momento, um dia ele estaria”.

Podia ver no rosto de Georg as ideias borbulhando em sua cabeça quando ele era o alvo do menino para tais observações. Naquela altura, Georg achava que o real motivo de Karina esconder Klaus havia se perdido, já não era mais o medo de atrapalhar a vida de Gustav que separava pai e filho, era o medo que ela tinha de não ser perdoada por isso. Apenas as fotos que ele ainda levava de Gustav não eram mais o suficiente, nem mesmo para o próprio Georg.

Karina

-Boa noite meu amor, durma bem... -Beijei as bochechas rosadas de Klaus enquanto ele aninhava-se na cama quase adormecido.

Georg havia chego naquela tarde e os dois brincaram até a exaustão.

-Boa noite mãe...

Afaguei os cabelos loiros e macios sorrindo feito uma boba para aquele pequeno ser... O “homenzinho de quatro anos” como dizia Mandy .Deveria agradecer mais a Deus por aquela criança tão especial ser minha.

Desci as escadas pesadamente. A noite estava quente, quase abafada demais.

Quando cheguei à sala encontrei Georg e Mandy despedindo-se com um beijo apaixonado. Em poucos meses ela estaria formada ,talvez isso os impulsionasse a assumir de uma vez que queriam ficar juntos.

-Não vai ficar?...-Perguntei a ela vendo que se preparava para sair. Quando Georg vinha eles dormiam no mesmo quarto...Mandy sempre acordava mais cedo nestes dias e saia do quarto pé por pé ,não gostaria de explicar a Klaus porque eles dormiam juntos.

-Não, amanhã eu tenho uma prova muito cedo! Ainda bem que está acabando... -Mandy revirava os olhos realmente sentindo em ter que ir... -Amanhã Georg e eu gostaríamos de levar Klaus para passear a tarde e dormir na minha casa para não voltarmos à noite... Tudo bem para você?

Ficar uma noite sem meu menino não me agradava muito, mas me surpreendia como Mandy ainda conseguia pensar na diversão de Klaus quando tinha uma folga, e não na dela própria. Não podia negar isso a ela.

-Claro! Tudo bem... -Concordei imediatamente. Klaus não cabia em si quando Mandy levava-o para passear.

Então Mandy se foi despedindo-se de mim com um abraço e de Georg com mais um beijo.

Joguei-me no sofá, exausta, ao lado de Georg que comia pipocas e assistia tv.

Recostei-me no sofá com e deixei que meu pensamento encontrasse uma pessoa. Era tão estranho! Sentia um vazio naquele momento, falta de alguma coisa, mas nada especificamente... Era como se alguma coisa muito importante tivesse acontecido, ou iria acontecer. Havia noites, como aquela, onde eu sentia mais a falta de Gustav. Era como se eu pudesse sentir que ele também pensava em mim. Que ridículo! Nunca me atrevi a perguntar a Georg, temendo a resposta, se ele havia encontrado alguém. O mais certo era pensar que sim... Ele era especial demais para ficar sozinho por tanto tempo...

Quando meu olhar voltou-se novamente para Georg ele somente observava-me, no rosto um ar divertido e sarcástico.

Enfiei a mão no pote de pipocas pegando algumas.

-O que foi?...-Perguntei a ele sorrindo também embora nem soubesse o porquê.

-Nada... Só estava te olhando, poderia apostar uma grana em como eu sei em quem estava pensando.

Não podia sequer negar.

-Essas noites são confusas pra mim... Sinto mais falta ainda... -Eu mesmo tentava formular a frase para que fizesse algum sentido.

-Se você estiver falando de sexo, posso quebrar seu galho. Mas não conte para Mandy!

Neste momento joguei uma pipoca que acertou em cheio sua testa.

-Ai!...-reclamou Georg... -Só estou sendo prestativo!

Ri por alguns instantes daquele bobo... Depois nos postamos em pé e fomos dormir, comigo sempre a sensação diferente no peito.

Notas finais
Reviews nem que seja pra ralhar comigo!