Hurt
13 Nova Iorque
Notas iniciais
Então se tiver alguma discordância em relação a isso,façam de conta que não viram!
Bjos
Realmente ter o exame positivo em minhas mãos não me causou surpresa alguma. No dia seguinte viajaria quilômetros para partilhar com meu noivo aquela novidade.
Pedi a Georg que não falasse nada a Gustav sobre minha ida a nova Iorque. Falei no meu emprego que houve um grande contratempo e que me ausentaria das minhas funções por cinco dias. Anna sabia muito bem do que se tratava, para ela não havia nada a esconder. Se não fosse por Anna ainda estaria pensando em qual mal poderia ter me atingido sem sequer suspeitar de gravidez.
Embarquei para Nova Iorque em um dos primeiros voos da manhã. Embora não tenha dormido quase nada na noite anterior não conseguia pensar em cansaço. As horas que passaria naquele avião seriam preciosas para que meus pensamentos se organizassem.
A certa altura, vencida pelas horas em claro, adormeci sem ao menos perceber .Um daqueles momentos onde o sono se faz tão forte ,que você acaba sem saber se está dormindo ou ainda refletindo. Podia ver Gustav diante de mim. Seus olhos ardiam em fúria enquanto olhava para mim e dizia “Eu não quero mais você.”
Finalmente abri meus olhos marejados, tamanha era a realidade daquele pesadelo. Aqueles deveriam ser os famosos hormônios conflitando dentro de mim. Gustav jamais diria nada assim. Dei por conta de meus dedos dormentes espremendo a guarda da poltrona e de que finalmente havíamos pousado.
Já tinha acertado com Georg que ele viria me buscar no aeroporto. Foram mais de sete horas de viagem, quase nem sentia minhas pernas ao cambalear, novamente enjoada, para fora do avião.
Georg esperava por mim com um sorriso enorme nos lábios. Veio em minha direção divertindo-se balançando a cabeça negativamente, como se não estivesse realmente certo de que eu estava ali .Senti meu coração enternecer ao vê-lo. Realmente era bom ter alguém naquele momento.
Ele abraçou forte, levantando-me brevemente do chão.
-Georg...-Suspirei, por fim grata por aquele momento.
-Sua maluca! Vai ter que ensina-lo a me chamar de “Tio Georg”.
-Ele ou ela ...-Respondi sorrindo.
-Bom é melhor que seja um menino para não termos problemas. As mulheres de hoje em dia engravidam antes mesmo de estarem casadas. -Ele disse pegando minha mala enquanto eu lhe dava um falso tapa no braço.
Estava realmente feliz por vê-lo e aquele era o primeiro encontro da noite.
Entramos no carro que nos levaria até o hotel conversando carinhosamente. O tipo de conversa que só teria com Georg.
-Já esteve em Nova Iorque?-Ele indagou.
Lembrando-me da ocasião, suspirei ao responder. Foi a muito tempo e com outra pessoa.
-Uma vez...-Respondi sem dar maiores detalhes.
Georg me conhecia como ninguém. Nem mesmo o próprio Gustav tinha esta intuição sobre mim. Poderia facilmente mentir para ele se assim eu quisesse, mas já mais poderia esconder alguma coisa de Georg.
Sabendo muito bem disso ele olhou em meus olhos ao perguntar ,como um adulto que tenta tirar uma informação qualquer de uma criança.
-Conta pra mim...Você está apavorada não é mesmo?
-Está tão evidente assim?
Ele deu de ombros como se fosse uma pergunta banal.
-Pra mim está!...Você sabe que não existe um motivo para isso, ele te ama...Até te pediu em casamento!-Um sorriso torto nasceu em seus lábios.
-Eu sei...Mas uma coisa é planejar outra é acontecer. Você tem que concordar... Não é um bom momento...A carreira de vocês é uma coisa muito importante agora...-Disse por fim abaixando o olhar- E se ele achar que agora possamos ser um peso?
-Isso não vai acontecer... Eu estou aqui e prometo que vou estar sempre ao seu lado. Vai ficar tudo bem.
Naquele momento as palavras de Georg fizeram muito sentido para mim. Gustav não era nem de perto o tipo de homem que abandonaria uma mulher grávida, qualquer que fosse o motivo. De repente senti raiva de mim mesma por estar falando do homem que eu amava daquela maneira, como se não confiasse nele. Como se não o conhecesse.
No one knows how you feel
No one there would like to see
The day was dark and full of pain
You write help with your own blood
'Cause hope is all you've got
You open up your eyes but nothing's changed
I don't want to cause you trouble
Don't want to stay too long
I just came here to say to you
Chegamos a um grande hotel no centro da cidade. Meu coração por fim começava a bater descompassadamente.
Ainda estávamos no saguão quando a enorme porta abriu-se novamente a alguns metros,diante de nós.
Parecia que era irresistível olhar em direção da porta, parecia que meu coração sabia que ele estaria ali.
Turn around I am here
If you want it's me you'll see
Doesn't count Far or near,
I can hold you when you reach for me
Aos poucos ele parou de falar automaticamente com quem estava ao seu lado quando me viu. No seu rosto um misto de felicidade e incredulidade.
Era ele, meu Gustav .Meu homem com rosto de menino. De boné e camiseta, com lentes de contato ao invés dos óculos como era de costume quando não estava em casa.
Os mais de trinta dias que nos separaram não pareciam ser nada diante daquele momento, onde novamente eu olhava em seus olhos.Com passadas largas ele aproximou-se rapidamente de mim , parando diante dos meus olhos. Suas mãos mornas foram direto em meu rosto, como se quisesse se certificarem da minha presença.
Lentamente seus lábios macios tomaram os meus. O apertei mais e mais em meu abraço, intensificando o beijo.
Fiquei levemente envergonhada com a forma que saímos de perto das pessoas que nos observavam. Gustav me pegou pela mão guiando-me diretamente para o elevador.
Assim que entramos no espaço novamente sua boca era urgente na minha.
-Como? Porque não me avisou? -Ele perguntou a boca agora pressionando o meu pescoço.
Minha voz saia aos sussurros.
-Eu precisava vir... Eu preciso...
Novamente seus lábios eram meus. Parecia que não havia nada a ser dito. Nem percebi em que andar descemos quando tropeçamos para fora do elevador.
Ele me conduzia pelo largo corredor totalmente vazio. As mãos fortemente enterradas em meus cabelos, me pressionando entre ele e as paredes. Paramos em uma das portas enquanto ele usava a chave que a abriria ,seus olhos eram maliciosos nos meus.
Eu sequer tinha folego para falar algo, apenas retribuía suas carícias enquanto entravamos no grande quarto.
Não entendi ao certo como minhas roupas pararam tão rapidamente no chão. Logo eu já estava tombada na enorme cama sentindo ele em mim.
Então tudo se tornou muito claro...Eu estava novamente com ele .Volta e meia o real motivo de eu estar ali vinha a minha mente, mas sumia logo em seguida. Amanhã seria um novo dia com espaço para conversas e explicações.
Naquela noite só teríamos o fato de que ele era meu assim como eu era dele.
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