Hurt
16 Magdeburgo
Notas iniciais
Muito o brigado messsmmmo!Não fazia ideia de poderia ser tão gratificante postar aqui!
Bj
Até amanha...
Enjoy
Georg fitava-me descer puxando a última mala pela mão, na pequena escadaria, em frente ao meu prédio. Meu antigo prédio agora...Todo o resto do que eu havia planejado levar para Magdeburgo, já havia sido despachado por ele no dia anterior.
Os olhos estavam tristes, magoados... Um lindo par de olhos verdes contemplando-me com uma boa dose de pena. Era como se ele não estivesse realmente acreditando que estava me vendo passar por aquela porta , era como se estivesse decidindo-se internamente entre falar alguma coisa ou permanecer calado. Por fim pronunciou as primeiras palavras naquela manhã, em um tom quase inaudível.
-Nem sei o que dizer...
-Apenas diga “Karina eu te ajudo com a mala”... -Respondi mal-humorada tentando não deixar-me levar pelo momento depressivo. Estúpida! Odiava-me naquele momento. Odiava mais ainda estar tão deprimida a ponto de deixar minha falta de humor respingar inclusive em Georg.
Fechei os olhos levando os dedos às têmporas, massageando-as como se o movimento fizessem os pensamentos fluírem mais facilmente dentro da minha cabeça exausta e confusa. Quando os abri novamente Georg ainda me olhava carinhosamente, eu ainda podia ver pena em seus olhos por mais que ele tentasse disfarçar com um sorrisinho terno.
-Eu sinto muito... Deixei seu abraço me confortar naquela hora. Poderia ter raiva ou agir mal com qualquer um, menos com Georg.
No fundo eu esperava pelo momento de vê-lo surtar dizendo que não poderia continuar com aquilo. Chegaria uma hora em que ele se sentiria dividido entre mim e Gustav e eu nunca iria querer isso. Confiava em Georg, mas jamais exigiria dele que traísse a confiança do amigo.
Se ele quisesse partir poderia fazê-lo, quando bem entendesse. Ele precisava saber disso.
-Não precisa fazer isso se não quiser... Você já fez tanto por mim e eu o amo por isso.
-Eu não vou a lugar algum, estou aqui com você. Eu sei que vai dar tudo certo.
As palavras dele tinham o poder de me acalmar. Nos últimos dez dias tudo o que ele fazia era por mim... Como disse que faria...
Georg tratou da venda do apartamento levando-me somente os papeis para que eu assinasse e transferindo o dinheiro da venda para minha conta. Por si meu apartamento já valia uma pequena fortuna e ele conseguiu, não sei como e tão rápido, um comprador que estava disposto a pagar praticamente o dobro.
Levei a mão ao seu rosto e sorri o mais carinhosamente que pude.
-Obrigado Georg... Ele respirou fundo e abriu a porta do carro.
-Vamos então...
-Eu preciso parar em um lugar antes... -Falei entrando no carro.
Rain falls
It don't Touch the ground
I can Recall
An empty house
You say I'm fixed
But I still feel broken..
. Broken Lightson
Lights off Nothing works
I'm cool I'm great
I'm a jerk
I feed myself lies
With words left unspoken
Gonna beOk
Gonna be Ok
One day One day
Estar diante da porta de Gustav foi uma prova de fogo para meus nervos.
Levei a chave que possuía à fechadura e entrei calmamente ,enquanto Georg espera-me no carro. Tentei afastar as memórias para não terminar chorando novamente.
Dei passos lentos até a bateria. Olhei o anel em meu dedo por um momento antes de tira-lo do dedo e depositar-lhe novamente onde eu encontrei. Não poderia ficar com ele... Não depois de abrir mão do significado que ele tinha
.Ao dirigir-me novamente em direção à porta passei por uma mesinha que continha um porta retratos com uma fotografia nossa. Olhei ternamente a foto e lembrei-me exatamente da hora em que a foto foi tirada por ele mesmo. Estávamos nos beijando e estávamos felizes. Peguei o porta- retratos e continuei andando levando-o comigo. Fechei a porta e passei a chave por debaixo dela, dirigindo-me novamente para o carro.
O fato de termos parado inúmeras vezes durante a viagem, devido aos meus enjoos, não atrapalhou para que chegássemos brevemente a Magdeburgo. O percurso não durou mais de quatro horas.
Já no caminho que me levaria a nova casa, eu olhava curiosa pela janela do carro. Era uma cidade incrível. Nada grande comparado à outras, mas extremamente aconchegante.
Realmente a casa ficava bem afastada do centro, eram quase nos limites da cidade e era lindo.
Saí do carro observando o imóvel que mais fazia lembrar uma adorável casa de campo. Um pouco grande demais para uma única pessoa, mas perfeita para uma família ou uma mãe-solteira e um bebê. Cruzamos o gramado extremamente verde e subimos alguns poucos degraus que nos levaram a uma ampla varanda.
Paramos na soleira da porta e Georg retirou do bolso uma chave, abrindo-a para nós.
O interior da casa era ainda mais encantador do que a vista de fora. Nos pés da escada, que levava aos s cômodos superiores, estavam as caixas com meus objetos pessoais.
Fitava cada detalhe admirada. Parte do dinheiro da venda do meu apartamento seria para pagar a nova casa, a outra seria para manter a mim e ao bebê até que eu pudesse trabalhar o que poderia levar o tempo que eu precisasse já que o apartamento foi muito bem pago e eu ainda tinha muito guardado.
Ainda olhando em volta me dirigi a Georg que até então só me observava, estudando minha reação.
-Nem sei o que dizer... É linda, como você conseguiu?... -Meus olhos pararam em seu rosto, estranhamente ruborizado, de uma forma como eu nunca tinha visto antes... -Porque a puseram a venda?
Minha pergunta tomou um tom interrogatório e Georg ficou sem saída a não ser responder. Georg suspirou fundo como se isso o desse a ele mais coragem enquanto meus olhos se estreitavam diante da sua falta de jeito.
-Não puseram... Esta casa é minha!-Falou por fim.
-E porque você a venderia?-Eu ainda não intendia o que aquilo significava afinal.
-Não quero o dinheiro Karina... Eu quero que fique aqui e o use o valor da compra para você e o bebê. Quanto mais vocês tiverem, mais tarde vai ter que voltar a trabalhar.
Eu não conseguia proferir nenhuma palavra apenas o encarava boquiaberta.
-Eu a comprei pra quando... Eu me “aposentasse “.-Ele agora parecia sem graça com a pequena confissão...-E como isso vai demorar não tem porque ela ficar vazia. Além do mais você vão ficar mais perto de mim por isso insisti para que viesse pra cá .Não podia arriscar que decidisse voltar para o Brasil...E para que gastar o dinheiro se ela está disponível? Monstrinho! Como ousava se preocupar comigo daquela maneira? Quando articulou tudo isso sem que eu percebesse?
Minha vontade era de lhe arrancar os cabelos... Mas ao invés disso o abracei com a maior força que pude. Não contive umas poucas lágrimas emocionadas.
-Obrigada... -Sussurrei em seu ouvido-Você não existe Georg Listing.
-Se você me fizer chorar deixo de ser seu amigo... -Ele sussurrou ao meu.
Naquela noite preparei o primeiro jantar em meu novo lar Fiz o macarrão favorito de Georg em forma de agradecimento. Nada que se compare a emprestar uma casa, mas eu precisava que ele soubesse o quanto era grata.
Como se já não tivesse feito tudo que pudera por mim, Georg partiu somente no outro dia, depois de certificar-se de que eu tinha tudo o que precisava e que estava tudo em seu devido lugar.
Eles estariam na Europa dando continuidade à turnê... Tão perto e tão longe ao mesmo tempo.
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