Hurt

17 Mandy...Coisas do destino.


Notas iniciais
Não poderia deixar a Karina sozinha no mundo!Dei a ela uma amiga.
Enjoy!

Quase não podia acreditar quando me olhava cuidadosamente no espelho e via uma saliente barriga de seis meses. Podia senti-lo mexendo dentro de mim e afagava a barriga involuntariamente quando acontecia.

Naquela tarde teria uma consulta com meu médico. Almocei com um apetite voraz, tomei um banho e saí.

Dirigia calmamente pela estrada que me levaria até o centro da cidade. Adorava o centro embora fosse até ele somente quando necessário. O percurso não era tão longo, mas me levava à exaustão.

Estacionei a alguns metros do consultório, gostaria de andar até lá e aproveitar a caminhada.

Entrei sendo tomada de imediato pela sensação gostosa do ar mais morno. O vento de outono da rua deixara-me com frio. A secretária da recepção cumprimentou-me animadamente e conduziu-me ao consultório.

O senhor de meia idade esperava sentado, o mesmo sorriso simpático no rosto.

-Karina! Como está hoje...

-Olá Doutor Hanz...Estou ótima.

As consultas com o adorável senhor sempre faziam com que eu me sentisse bem. Ficava feliz com os detalhes que ele me dava sobre o bebê, parecia um vovozinho falando sobre um novo neto.

-Agora vamos ver como está esse bebezinho... -Gentilmente depositou o gel melado e úmido sobre minha enorme barriga... -Ali está! Não está mais curiosa hoje? Ainda não quer saber o sexo do bebê?

Tinha combinado comigo mesma que ficaria sabendo apenas no dia do parto. Fiz o enxoval do bebê em cores neutras, serviriam tanto para um menino quanto para uma menina.

O danado do doutor sempre me tentava, “dizendo que o parto surpresa”, como ele chamava ,era uma coisa antiquada demais. Mesmo assim continuava firme na minha decisão.

-Prefiro esperar até o dia doutor... -Meu olhar fixo no monitor onde podia ver a pequena silhueta do meu bebê.

-O pai não está curioso... -Observou o doutor.

Ele nunca me perguntava mais do que deveria saber. Provavelmente já tinha percebido que éramos só eu e o bebê. Mesmo assim cometia pequenos deslizes como este. Deveria ser normal para ele atender aos casais em casos como o meu.

Somente sorri timidamente o que deixou o um tanto corado e envergonhado.

Assim que saí do consultório entrei no supermercado, aproveitaria a visita na cidade e faria as compras de casa.

Já fazia certo tempo que eu percorria os corredores, no carrinho estava tudo o que eu precisava.

Embora já empurrasse o pesado carrinho de compras desanimadamente, decidi ir ao ultimo departamento, onde estavam os livros e dvd’s. Gostaria de um daqueles livros onde haviam muitos nomes para bebê e seus significados. Depois de encontrar o tal livro comecei a andar para fora do setor. Estava passando por uma parede com os mais diversos cd’s e dvd’s .O que me chamou a atenção foi o enorme banner do Tokio Hotel na parede, logo abaixo dele os cd’s da banda.

Parei diante deles como uma boba e observei... Meus dedos correram para o rosto de Gustav na capa do cd acariciando o acrílico gelado.

-Você também é fã deles?... -A voz animada me tirou de meus devaneios.

Pisquei um momento absorvendo a pergunta.

-É acho que sim... -Disse quase num suspiro colocando o cd no carrinho.

-Nossa eu adoro esta banda...-A garota continuava animada .-Meu nome é Mandy!

Analisei a garota por um breve momento, não deveria ter mais de dezoito anos. As atitudes eram extrovertidas e animadas. Sorri largamente retribuindo a atenção que ela tinha sobre mim.

-Oi Mandy, me chamo Karina.

A garota olhou para mim demorando- se na barriga.

-Parece que você já esta carregando peso o suficiente, o seu marido está por aqui?-ela procurava em volta com o olhar-.

Parece que hoje era um bom dia para perguntarem pelo meu marido, o pai do bebê. Meio sem graça acenei com a cabeça negativamente. A garota continuava animada.

-Isso parece pesado! Toma-Passou para mim alguns itens que levaria e passou a empurrar o meu carrinho de compras-Está indo para os caixas?

-Sim...-Respondi um pouco encantada.

Mandy acompanhou-me até a saída onde eu pagaria pelas compras. Depois que o funcionário do mercado acomodou as sacolas novamente no carrinho, ela prontamente apressou-se em empurra-lo novamente rumo ao estacionamento.

-Não precisa fazer isso, outra pessoa pode me ajudar... -Disse a ela sentindo que estava abusando da gentileza de Mandy.

-Tudo bem – Disse ela-Eu tenho irmãos, minha mãe disse que até o oxigênio é um fardo pesado quando se está grávida! Estou gostando de poder ajudar você!

A atitude gentil da menina tocou-me de uma forma anormal, senti um afeto imediato por ela. Conhecer as pessoas certas no supermercado parecia ser meu dom, primeiro o homem da minha vida agora aquela menina adorável. Sorri para ela com a lembrança que agora parecia mais distante .Repeli a tristeza em mim.

-Então Mandy ,fora ajudar as gravidas por ai, o que mais você faz?-Perguntei iniciando uma nova conversa com ela.

-Ah eu sou estudante! Faço faculdade de comunicação à noite. Antes eu trabalhava para contribuir nos estudos, mas agora nada. -Eu era babá, mas meu garotou pra escola!

Ela parecia orgulhosa do fato! Olhando para Mandy, camisa colorida e um jeans, o olhar meio travesso, diria que ela não entregariam à ela sequer os cuidados de poodle. Mas a forma como se referia ao menino que cuidava anteriormente não me deixava duvidas, ela realmente gostava de crianças! A errática Mandy e seu dom com crianças. Esse deveria ser meu tão falado instinto maternal fazendo um bom juízo da menina sorridente em minha frente. Pensei em como seria bom ter alguém com tamanha empolgação perto de mim, nunca havia ficado tão sozinha na vida.

-Mandy... -comecei com cautela... –Eu não vejo a hora de terminar de arrumar o quarto do bebê, você entende, eu não estou em condições de empurrar os móveis. — Ela pareceu achar graça da forma como apontei para minha enorme barriga, como se fosse algo imperceptível... -Geor...Um amigo meu faria isso por mim, mas ele só vem daqui à alguns meses, então...-Abaixei o olhar ressentido...-Poderia conhecer você melhor, vou precisar mesmo de uma babá daqui a um tempo. Você me ajudaria? Pago por hora!

A menina me olhava com uma enorme interrogação no rosto, se me perguntassem novamente pelo pai do bebê eu provavelmente surtaria. Então Mandy assentiu mais sorridente ainda.

Passei meu endereço a ela.No outro dia ela estaria em minha casa. Entrei no carro me despedindo dela.

-Até amanha Mandy!

Ela parecia refletir concordando consigo mesma.

-Não é incrível!-Começou como se tivesse acabado de descobrir algo muito importante... -Hoje eu entrei no supermercado para comprar um chocolate, sabe como é meu namorado acabou comigo... Então eu conheço você, uma pessoa legal e de cara arrumo um emprego ,mesmo que temporário...Não é estranho? Sinto-me feliz...

Eu sabia exatamente do que ela estava falando, suspirei sentindo o nó familiar na garganta.

-Nunca se sabe quem a gente pode conhecer por aí Mandy...São coisas do destino.

Notas finais
Ta meio curto eu sei,mas ...