Hurt
15 Decisão
Notas iniciais
Ouvi My Immortal do Evanescence do inicio ao fim do capítulo!
Mais uma vez doeuu,mas vai valer a pena!
Enjoy...
A viagem de volta à Alemanha parecia ter durado o dobro de horas. Ainda em Nova Iorque esperei quase o dia inteiro por um voo de volta a minha casa. A última vez que dormira de fato havia sido nos braços de Gustav. A lembrança me causava torpor.
Mal fiquei frente a frente com a soleira da porta do meu apartamento e já ocorria um conflito interno em mim. Minha cabeça mantinha o foco na ideia de que o que estava acontecendo seria, no fim, o melhor para todos. Meu coração mandando impulsos para que eu virasse dali mesmo e o procurasse, pedindo desculpas, contando-lhe a verdade.
Abri a porta do apartamento como quem se entrega a forca. Passei vagarosamente os olhos por ele sem ainda ter movido um passo para adentra-lo ,de certa forma não tinha coragem.
I'm so tired of being here
Suppressed by all my childish fears
And if you have to leave
I wish that you would just leave
'Cause your presence still lingers here
And it won't leave me alone
Dei um passo em direção da sala, livrei-me da mala e da bolsa instalada em meus ombros, deixando tudo cair ali mesmo. Novamente torpor.
These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase
Movimentei-me de forma que pudesse fechar a porta atrás de mim, foram passos mecânicos e sem animo algum. Fui retrocedendo até sentir a porta fria em minhas costas.
Serrei os olhos com força, mas isso não impediu que eu visse imagens de nós dois ali dentro.
When you cried I'd wipe away all of your tears
When you'd scream I'd fight away all of your fears
And I held your hand through all of these years
But you still have all of me
Deixei-me vencer pela vontade de tombar ali mesmo, permitindo que minhas costas deslizassem pela porta, levando-me rumo ao chão. Tentar não chorar por um motivo ou outro seria pura estupidez. As lágrimas rolaram sem pudor algum por meu rosto. Eram mais do que lágrimas eu tinha que por pra fora. Era como se chorar o máximo que eu pudesse, não surtisse efeito algum naquela dor. Era como ter vontade de gritar, mas não possuir voz alguma para que alguém ouvisse. Meu coração não estava mais no peito. Pulsava dolorosamente na jugular. Minha cabeça fazia questão de lembra-lo sorrindo para mim, tão doce....Seus olhos nos meus.
You used to captivate me
By your resonating light
Now I'm bound by the life you've left behind
Your face it haunts my once pleasant dreams
Your voice it chased away all the sanity in me
-Gustav... -Suspirei por fim, expulsando o nó da garganta.
Chorando compulsivamente permiti que meu corpo tombasse para o lado, fazendo com que o rosto fosse de encontro ao piso de madeira. Abracei minhas próprias pernas e fechei os olhos ainda vendo a imagem dele.
I've tried so hard to tell myself that you're gone
But though you're still with me
I've been alone all along
Abri os olhos lentamente acostumando-os com a iluminação, ou falta dela. Parecia que estava anoitecendo. Ter adormecido daquela forma no chão não ajudou em nada para que meu corpo relaxasse. Apoiei-me nas mãos tentando levantar. Podia sentir o inchaço em meu rosto, foram muitas horas de lágrimas. Percorri a sala em direção à janela, realmente estava anoitecendo. Sentia-me fria, precisava tomar um banho quente. Certamente aquilo não faria bem ao bebê, precisava cuidar de mim para poder cuidar dele.
Demorei no banho o máximo de tempo que pude. Vesti um pijama confortável e era como se tivesse se acabado tudo o que fazer. Poderia ter dormido mais e mais, se isso significasse esquecer. Apesar de não ter comido nada, não conseguia sentir fome. Mesmo assim decidi preparar algo, ”pelo bebê” ordenei a mim mesma.
Sentei-me na cama empurrando o sanduiche para dentro, comer aquilo de tamanha má vontade provavelmente me faria mais mal do que bem. Empurrei o prato com o lanche para o lado. Apenas não comeria naquela noite.
Da cama observava tudo analiticamente. O quarto parecia ter o perfume dele ou era minha sanidade sendo posta em prova?
De um jeito ou de outro não poderia ficar ali... Fiz o percurso inteiro da viagem com a ideia fixa de que deveria mudar-me dali. Não poderia ficar ali enquanto minha barriga crescia e nem depois do meu filho nascer.
Não poderia terminar com Gustav e continuar ali .Como seria se um dia ele me procurasse e me encontrasse com a barriga enorme ou com uma criança nos braços? Teríamos sofrido em vão então. Eu queria que ele seguisse com a vida dele e frequentar o mesmo supermercado teria um efeito contrário. Se fosse apenas eu... Mas havia uma gravidez a ser omitida.
Levei as duas mãos aos cabelos enterrando o rosto entre os joelhos. Pensar doía...
Precisava ligar para Georg. Peguei o telefone e disquei o numero. Sequer chamou duas vezes e ele atendeu. Eu nem ao menos disse alô e a voz truculenta do outro lado da linha começou.
-Graças a Deus! Onde você estava? O voo que você pegou chegou há horas...
-Está tudo bem Georg... È que a chegada foi difícil...
-Você disse que ligaria assim que chegasse... Achei que pudesse ter acontecido alguma coisa... -Parecia mesmo enfurecido e preocupado... –Quase me mata de susto!
Eu merecia aquilo, deveria ter me preocupado em ligar antes. Tentei acalma-lo e por fim consegui.
Minha voz saiu um pouco chorosa, denunciando que nem tudo estava bem, quando perguntei por ele.
-Georg... Ele disse alguma coisa... Está bem?
Ouvi um suspiro do outro lado da linha...
-Ele não saiu do quarto desde que você se foi... – significavam vinte e quatro horas, pensei comigo mesma... –Eu liguei para o celular dele. Ele quer ficar só por um momento, pensando. Se tivéssemos algum show provavelmente seria adiado.
-Georg, eu preciso que saiba de uma coisa... Colocarei o apartamento a venda e sairei de Hamburgo.
-Está indo longe demais, não acha? Talvez tudo se resolva ainda...
-Não tem como-Interrompi antes que ele pudesse sequer tentar me persuadir... -Eu sei que você já faz muito em me apoiar Georg... Mas tente me compreender também. E se ele se precipitasse ao saber da gravidez e tomasse uma decisão errada. Você viu aquela discussão que pelo jeito não foi a única. E se ele acordasse ao meu lado um dia, com um filho para criar, e se sentisse arrependido? Você o conhece... Um filho mudaria tudo, ele se sentiria preso a mim e acabaria desistindo da banda. Acabaria infeliz.
-Ele já está infeliz Karina!
-Mas vai passar!
-Você não tem pretensão de contar... Nunca?-Aquilo fez um arrepio percorrer minha espinha, não sabia ao certo o que responder.
-Por hora vou sair de Hamburgo .-Disse pondo fim a seus questionamentos que estavam me deixando nervosa.
Um novo suspiro derrotado do outro lado da linha e uma pequena pausa.
-Tudo bem... Mas você terá que fazer uma única coisa por mim, se quiser que eu a ajude... Mude para Magdeburgo!
Não entendi nada! Magdeburgo era a cidade natal deles, queria afastar-me não facilitar um encontro. Tentei achar uma lógica naquilo.
-Mas...
Georg não deixou espaço para questionamentos.
-Gustav vai até lá uma vez por ano, quando vai... Existem casas mais afastadas da cidade...Olha daqui a três dias faremos uma parada de quinze, antes dos shows na Europa. Eu juro que estarei ai, cuidarei de tudo, até vendo o apartamento para você... Mas, por favor, espere até que eu chegue para leva-la à Magdeburgo !Eu posso ajuda-la melhor se for pra lá.
Uma parada de quinze dias... Se eu tivesse esperado mais um pouco, teria contado com calma, aquilo tudo não estaria acontecendo. Mas estava.
Georg era a única pessoa que eu tinha para apoiar a mim e ao meu filho. Se o perdesse ficaria totalmente só...
-Está bem Georg, vou morar em Magdeburgo!
Como havia dito que faria, Georg bateu em minha porta cinco dias após aquele telefonema.
Não pude conter o choro manhoso ao abraça-lo enquanto ele beijava o topo de minha cabeça e afagava meus cabelos.
Ele disse que poderia vender meu apartamento semi-mobiliado se eu assim quisesse. Explicou-me que já tinha em vista uma casa afastada do centro da cidade em Magdeburgo, onde já havia mobília, fez uma graça para mim dizendo que faltariam apenas os móveis do bebê.
Não podia acreditar em como ele pensava em tudo. Falava somente do que eu propunha falar e tentava ao máximo alegrar-me. Sim... Mesmo com o coração miudinho no peito aquele jeito moleque de Georg me fazia sorrir.
Estávamos guardando minhas roupas e objetos pessoais quando a vontade de saber como estava Gustav se sobressaiu .A imagem dele vinha do nada, mesmo quando eu não queria ,ou tentava não querer .Vinha mesmo sem eu perceber.
O bobo fazia gracejos com uma peça intima minha nas mãos quando me ouviu perguntar.
-Como ele está?
O cenho de Georg franziu depois relaxou quase imediatamente.
-Está tentando eu acho... No dia que finalmente saiu do quarto passou doze horas na bateria! Disse que vai se concentrar nisso o máximo que puder.
Puxei o sutiã que ele rodopiava nas mãos e ele entendeu meu silêncio.
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