Hurt
8 Conversa franca
Notas iniciais
"Não importa em quanto tempo o amor acontece e sim
o tempo que ele permanece"J_M
Parecíamos duas crianças sentadas no tapete fofo da minha sala. Gustav estava com as costas apoiadas no sofá e eu estava sentada entre suas pernas com a cabeça encostada em seu peito. Poderia ficar ali horas e horas, sentindo o movimento de seu peito ao respirar, enquanto ele brincava distraído com uma mecha do meu cabelo.
Eu ficava deslumbrada nestes momentos com ele. O simples fato de estarmos ali fazia nascer um a formigação em meu estômago assim como no primeiro dia, embora fizesse dois meses que estávamos juntos. Ele levou a mecha que tinha em seus dedos ao rosto.
-Eu adoro o perfume do seu cabelo... Adoro cada parte de você.
Sua mão pousou em meu rosto, levantando-o para que eu pudesse encara-lo.
-Eu amo você.
Era a primeira vez que ele dizia que me amava. O som das palavras me fez flutuar, os olhos ternos nos meus enquanto ele as falava.
Aquilo me pegou de surpresa. Em meu peito nasceu um ardor que crescia mais e mais, transformando-se em uma queimação intensa, um misto de pura felicidade e satisfação, que só se acalmou quando por fim ele teve de mim a resposta que seus olhos queriam.
-Eu também amo você Gustav... Amo muito.
Ele abriu o sorriso largo que eu mais gostava. Um sorriso que só aparecia quando ele estava realmente muito feliz e eu estava tão feliz quanto ele.
Nos beijamos longamente. Um beijo doce, sutil e irremediavelmente apaixonado.
-Amanhã quero leva-la a um lugar...-ele era cauteloso enquanto falava-Quero que conheça meus amigos, os garotos da banda. Quero que eles conheçam a minha namorada.
Senti uma pontada de receio. Sabia que o deixaria desapontado se me recusasse. Esta não era minha intenção.
-Assim, tão de repente? Gustav deu de ombros ainda me envolvendo em seu abraço.
-É natural... Eu e eles passamos muito tempo juntos. São parte da minha família, que por sinal você ainda não conheceu porque estão em Magdeburgo. Mas isso é uma questão de tempo... Então, você vai? Quer conhece-los?
Tentei me recompor para que minha voz não denunciasse o nervosismo que havia em mim.
-Claro!
Minha certeza não era tão firme como minha resposta. Gustav e eu passávamos a maior parte do tempo juntos em casa, na minha ou na dele. O fato de não sairmos muito me impediu de vê-lo juntos de seus fãs. Conhecer a banda era a dose de realidade que eu temia: Meu namorado é um “Rock star”, que mais dia, ou menos dia, sairia em turnê.
Parte de mim sentia ciúmes e um puro temor: Um dia em cada lugar, tantas mulheres diferentes... Depois, será que um relacionamento que mal acabara de começar, iria resistir de cara ha alguns meses de separação? Outra parte, que se tratando de Gustav eu não usava muito, aquela racional, me dizia que ele realmente precisava ir pois era o seu grande sonho se tornando realidade.
Era incrível! Em tão pouco tempo de namoro e ele me conhecia tão bem, parecia poder ouvir o que eu estava pensando. Ele soltou um suspiro pesaroso e novamente me fez encara-lo.
-Eu sei que você tem suas dúvidas, seus medos...Acredite ,eu também tenho.
Fiquei um pouco surpresa, não era claro para ele que eu estava totalmente apaixonada? Resignei-me somente a ouvi-lo.
-Eu penso em nós o tempo inteiro. O fato de a turnê estar próxima tem me feito pensar mais ainda! Pensar no futuro, no nosso futuro. Eu quero você !Eu vou sempre querer você. Quero casar ter filhos...
Eu olhei para ele quase com espanto. Mas saber o modo que ele pensava logo me enterneceu.
-Filhos? Ele afundou seu rosto em meus cabelos, envergonhado, como quem havia falado demais.
Afaguei seu cabelo incentivando-o. Então ele continuou:
-Sempre pensei que se tivesse um menino, o chamaria de Klaus.
-Klaus? Por quê?
-Na verdade é meu segundo nome, não é muito usado, mas eu gosto...
-Gustav Klaus...
-Wolfgang Schäfer-Ele concluiu.
-Eu gosto!
Conversar durante horas a fio era uma coisa natural entre nós. Já passava da meia noite quando ele decidiu que naquela noite, ao contrario de muitas outras dormiria em casa e não comigo ,pois Bruno precisava dele.
Antes de sair mais uma vez ele disse que me amava. Então ele se foi e na manhã seguinte viria me buscar para o nosso compromisso.
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