Hurt
9 Georg
Notas iniciais
"Encontrar uma amizade verdadeira pode ser tão precioso quanto encontrar o verdadeiro amor."J_M
Acordei um pouco cedo demais naquela manhã.
Logo que levantei coloquei a cafeteira para funcionar e tratei de tomar um bom banho.
Depois de secar os cabelos pensei em o que vestir. Optei por um vestidinho simples que nunca havia usado. Nos pés coloquei sandálias não muito altas e deixei meus cabelos soltos que era como mais gostava de usa-los.
Sentei para uma xícara de café. Em geral o primeiro café do dia sempre me deixava mais feliz e naturalmente mais tranquila.
Não demorou muito e a campainha tocou. Ainda com a xícara na mão abri a porta e lá estava ele.
Gustav passou os olhos por mim de uma forma que me fez sentir-me totalmente despida.
-Mudei de ideia, você está muito linda para sairmos de casa... É melhor ficarmos por aqui mesmo.
-Bobo! Então ele segurou meu rosto e tomou meus lábios para um longo beijo. Tão longo que cheguei a pensar que ele falara sério em ficarmos.
-Vamos?-A voz dele era quase um sussurro.
-Vamos. — Respondi. No caminho ele me explicou que iríamos até o escritório da banda que ficava a algumas quadras dali. Hoje teriam uma reunião mais definitiva sobre a turnê.
Ele parou o carro em frente a um prédio em uma rua movimentada. Meu amor abriu a porta para mim e adentramos pegando o elevador que nos levaria ao quarto andar.
Caminhamos em direção a uma das salas vagarosamente. Gustav segurava o tempo inteiro em minha mão, que a esta altura, já estava fria devido ao nervosismo. Meu rosto devia denunciar meu pânico, então beijando meu rosto ele sussurrou:
-Calma amor.
Aquele simples gesto trouxe para mim toda a segurança que eu precisava. Apertei o enlace dos meus dedos aos dele e caminhava agora com mais tranquilidade. O sorriso que lancei a ele certamente agora era mais sereno.
Passamos pela antessala que nos levaria ao um amplo cômodo. Logo na entrada vi os gêmeos que conversavam animadamente apoiados em um sofá. Mais adiante havia outro rapaz sentado, distraído em um computador.
Assim que nos viram vieram logo todos em nossa direção. Estranhei um pouco quando me saudaram em inglês.
Gustav se preparava para dizer alguma coisa quando foi interrompido pelo gêmeo mais baixo.
-Cara! Se você não falasse que ela era brasileira eu nem ia imaginar. Fiquei sabendo que elas andam quase nuas e esta está vestida até demais.
Aquele comentário soou como um bofete em meu rosto. A resposta saiu da minha boca quase sem pensar.
-Parece que você sabe tudo sobre a minha cultura.Eu acho que deveria perguntar logo de cara se você é nazista ou alguma coisa assim...Sabe como é, baseada no que eu sei da sua...
Caprichei tudo que pude com o meu sotaque para que o atrevido visse que eu falava e entendia alemão muito bem.
Gustav tinha no rosto uma expressão de quem iria explodir quando começou a falar.
-Esta é a Karina... Eu ia dizer que vocês podem relaxar, porque ela fala alemão Tom.
Seu olhar era direto para Tom quando ele falava a ultima frase. Como se tivesse insultado ao Gustav e não a mim, Tom dirigiu-se a ele com a voz meio atrapalhada.
-Eu não fazia ideia... Você não disse...
Como se quisesse definitivamente calar o irmão, o gêmeo mais alto estendeu-me a mão falando com a voz em tom mais alto que o normal.
-Oi, meu nome é Bill Kaulitz e este é Georg.
Apertei a mão de Bill e retribui o pequeno aceno de Georg com um sorriso tímido.
O ar daquela sala parecia pesar uma tonelada. Aqueles trinta segundos de total silencio pareiam não ter fim, mas foram quebrados por mim.
-Gustav, se você não se importa eu gostaria de descer, tomar um café.
-Tem certeza? Eu posso...
-Eu espero por você lá embaixo! Não quero te atrapalhar. Eu preciso ir.
Meus olhos automaticamente encontraram os de Tom quando eu disse a ultima frase.
Eu realmente precisava sair dali. Virei-me de costas e cheguei a porta com passos largos. Desci com o elevador que já estava parado no andar.
Ao abrir a porta da saída ,por um momento , deixei a rajada de brisa tomar minhas narinas .Eu me sentia sufocada.
Minha vontade era de ir embora mas ao invés disso atravessei a rua e entrei na cafeteria que havia ali. Gustav não merecia que eu fosse ,sentei pesadamente na cadeira.
Esperaria por ele. A grande vidraça da cafeteria permitiria que ele me visse com facilidade.
Segurei minha cabeça que latejava nas mãos e fechei os olhos. Um pouco para impedir as lagrimas de se formarem, outro para afastar a cena da minha cabeça.
-Porcaria!-Falei comigo mesma.
-Eu não entendo muito português, mas acho que isso não é bom.
Estava tão perdida dentro de mim mesma que nem o vi se aproximando. Georg estava parado em minha frente. Os braços cruzados em volta do próprio tórax e um sorriso leve nos lábios.
-Posso?-Ele perguntou voltando o rosto para a cadeira a minha frente.
Eu não sabia ao certo o que responder, afinal, que diabos ele estava fazendo ali?
Acho que ele pode ver em minha expressão que havia a chance de ouvir um sonoro não e tratou de sentar-se rapidamente mesmo sem ter de mim uma resposta.
-Tom fala muitas vezes sem pensar... Ele está muito envergonhado.
Então ele estava ali para defender o outo. Isso eu não ia aturar.
Olhei diretamente nos olhos dele para falar inclinando-me um pouco para frente.
-Eu vim por que ele me pediu. Não quer dizer que eu espere por uma aprovação, de nenhum de vocês.
Como um prisioneiro que se rende Georg põe as duas palmas para cima ao falar.
-Hey, calma eu vim em paz...
O gesto dele fez a tensão de meus ombros desmoronar. Soltei um suspiro forte.
-Desculpe. Vim conhecer os amigos do meu namorado e aqui estou eu-soltei os braços pesados no colo-numa cafeteria totalmente na defensiva.
Ele riu suavemente da minha confissão.
-Sabia que ele é meu melhor amigo?
Em minhas longas conversas com Gustav, Georg era uma constante. Ele sempre se referia a ele com muito carinho e cumplicidade.
Era difícil encontrar alguma semelhança entre os dois.Gustav era extremamente tímido enquanto Georg tinha na feição um ar sensual, do tipo conquistador irremediável. Na verdade era muito bonito, os cabelos longos estavam amarrados deixando o semblante perfeito em evidência.
Havia uma coisa que eu percebia com facilidade, os olhos verdes de Georg tinham a mesma doçura dos castanhos de Gustav.Ele parecia uma boa pessoa.
-Ele fala bastante sobre você.
-Ele fala muito sobre você também. Agora fica fácil ver porque ele está tão interessado, você é muito bonita.
O gole que eu dei no café que a atendente acabara de servir desceu quadrado. Olhei para ele que sorria divertindo-se.
-Foi um elogio, não uma cantada!
Era difícil não acreditar nele, parecia extremamente sincero então somente agradeci ao elogio. Desta vez foi Georg que inclinou-se de modo que seu peito encostasse na mesa.
-Olha ,eu sei que foi meio...estranho ...lá em cima. O Gustav está uma pilha e eu disse que só sairia daqui quando causasse uma boa impressão.
-Não tem porque, você não me fez nada.
Meu semblante tornou-se pesado novamente.
-Tom não acredita em amor nem nada dessas coisas, mas vai acabar intendendo.
-Diz isto pelas experiências anteriores?.-Eu disse com um sarcasmo evidente dando mais um gole no café.
Um sorriso torto nasceu em seus lábios.
-Gustav nunca nos apresentou ninguém. Já teve outros namoricos é claro, mas nada que fluísse a este ponto. Nada tão sério.
Aquilo me pegou desprevenida. Somente o observei enquanto ele prosseguia.
-Pela sua cara devo dizer que o entusiasmo vem dos dois lados!É bom ver que ambos estão apaixonados.
-É...estamos sim.
Nunca ouve “nada tão sério”. Aquilo rodopiou um instante na minha cabeça e me fez sorrir.
Neste momento a porta se abria atrás de Georg. Gustav aproximou-se de nossa mesa. Um rosto perfeito cheio de receio ,e pelo visto surpreso.
Dei o melhor sorriso que pude transmitindo a ele segurança. Realmente estava tudo bem.
-Não morre mais! Estávamos falando de você.
Georg mantinha um sorriso travesso enquanto falava. Olhava para mim como um confidente que esperava segredo.
Nos despedimos de Georg e saímos da cafeteria.
Enquanto estávamos na calçada podia ver em Gustav uma expressão incomoda, como alguém com um espinho enfiado no pé. Não demorou que ele começasse a falar.
-Me desculpa por aquilo...
Eu não poderia permitir que ele se desculpasse por nada.Nada se comparava com o que Georg havia dito.Isso sim importava. Com a expressão mais séria do mundo o surpreendi com um beijo apaixonado e logo após com um-Eu te amo-sussurrado em seu ouvido.
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