Hurt
11 Aeroporto
Notas iniciais
Demorei para embaralhar este capítulo aqui na minha cabecinha...Espero que vocês sintam lendo o mesmo friozinho na barriga que eu senti ao escrever.
Ammmmooo vocês.
Obs:Duvido que o Gusti ouça muito Michael Buble
mas eu não conseguia pensar em outra musica ao escrever este capítulo.
Os primeiros quinze dias passaram em um átimo. Gustav se revezava entre ensaios e as mais variadas formas de me alegrar, alguns dias cozinhava para nós em outros me surpreendia com lindos buquês de rosas vermelhas. Como se precisasse de tudo isso ,o simples fato de estarmos sob mesmo teto já fazia de mim a mulher mais feliz.
Georg frequentemente nos visitava, mas partia logo em seguida. “Estou sobrando” era a frase que mais usava. Por vezes choramingava em meu ombro, reclamando do cansaço.
Eu amava Georg. Não da mesma forma que amava Gustav, era diferente. Quando Georg estava por perto era como se eu pudesse pensar em voz alta, sentia como se o conhecesse desde a vida inteira, e ele a mim. Gostar de Georg era como gostar de uma parte de mim mesma. Era como se ele fosse uma parte de mim mesma.
Volta e meia o pânico de ver os dias passando tomava conta de mim .Não havia sequer um dia em que meu coração não doesse. Cada dia feliz que eu passava junto de Gustav, era um dia mais próximo da viagem.
Toda vez que o temor por fim me dominava eu corria para ele, abraçava com força e ele correspondia mesmo sem saber o porquê. Ou talvez soubesse.
Mesmo assim, nunca me queixava a ele, queria que ele fosse tranquilamente, concentrado em seu trabalho Ataques de pânico da minha parte não colaborariam muito para isso.
A semana que antecedia a viagem não demorou em chegar. Bruno foi enviado para Magdeburgo, ficaria com os pais de Gustav Já que em duas semanas eu finalmente começaria em meu emprego. A sensação que pairava pela casa era de que tivemos bons meses de férias ,que haviam chegado ao fim.
Acordei durante a madrugada com o barulho que vinha da sala. Ao abrir os olhos logo dei por falta de Gustav na cama. Embora o som produzido pela bateria fosse “discreto”, na medida do possível, logo identifiquei do que se tratava, ele estava tocando.
Vesti um robe e desci vagarosamente pelos degraus .Apenas o clarão proporcionado pela própria noite iluminava tudo.
Nos pés da escada parei para observa-lo. Ele estava de costas acomodado na bateria, vestindo apenas uma calça, a mesma que caíra ao lado da cama horas antes. A tatuagem de asas parecia movimentar-se acompanhando o movimento dos braços. Ele deveria estar ali a um bom tempo pois gotas de suor começavam a formar-se em seu corpo.
Não me admirava eu não ter acordado antes, demorava muito a dormir nas ultimas noites e ,quando finalmente conseguia, acordava somente no dia seguinte.
Aproximei-me enterrando os dedos em seu cabelo. Imediatamente ele parou olhando em minha direção.
-Como consegue tocar praticamente no escuro?
Ele sorriu para mim meio sem folego.
-É meio instintivo eu acho... Desculpa por ter acordado você.
-Vai é acordar os vizinhos se continuar se empolgando. Deveria estar descansando. Amanhã é o grande dia, você sai cedo...
Por uma questão de fuso horário e privacidade, Gustav e Georg pegariam um dos primeiros voos do dia para Los Angeles na manhã seguinte.
Ainda sem levantar-se do banco ele me abraçou forte pela cintura me puxando para ele, encostando seu rosto junto a mim. Então ficou muito fácil entender porque ele estava tão agitado.
-Eu tentei ser mais forte Karina, mas isso está me matando... Promete-me que vai esperar por mim. Que vai ter paciência, confiar em mim. Promete? Eu não quero perder você. Nem era pra eu estar sentindo isso, afinal são alguns meses, mas é que...-ele fez uma pausa parecendo relutar contra o próprio pensamento -eu tive uma sensação tão ruim...Um medo de repente.
Tive que respirar muito fundo apertando os olhos cerrados, reprimindo a ardência que sentia neles para evitar que as lágrimas se formassem. Tentei ser muito firme ao falar.
-Eu vou estar bem aqui quando você voltar. Não vou a lugar nenhum... Melhor! Talvez vá a algum show por ai e te faça uma surpresa. Vai ser por pouco tempo.
Apertei mais forte seu rosto contra mim acariciando seus cabelos fazendo o possível para confortar a mim mesma com minhas próprias palavras.
Another summer day
Has come and gone away
In Paris and Rome
But I wanna go home
Acordamos cedo no dia seguinte. Passaríamos na casa de Georg ,eu iria com eles até o aeroporto. Georg dirigia enquanto Gustav e eu aproveitávamos os últimos momentos sentados no banco de trás. Quando o silêncio era demasiado insuportável, Georg falava qualquer coisa a fim de nos distrair.
Maybe surrounded by
A million people I
Still feel all alone
I just wanna go home
Oh,I miss you, you know
O aeroporto estava tranquilo, era um dia de semana. Tudo que eu não queria era desperdiçar tempo em meio a um batalhão de pessoas tentando embarcar.
Finalmente foi feita a chamada para o voo deles. Nos levantamos de onde estávamos. O meu rosto ardia como febre, as mãos gélidas e formigando. Ali naquele momento não pude evitar e deixei as lágrimas molharem meu rosto.
Fitei Georg por um momento. Ele me puxou para si abraçando-me fortemente.
And I've been keeping all the letters that I wrote to you
In each one a line or two
"I'm fine baby, how are you?"
Well I would send them but I know that it's just not enough
My words were cold and flat
And you deserve more than that
-Se não cuidar dele por mim arranco seus cabelos...
-Pode deixar sua maluca !Liga pra mim viu...Até mais.
-Até...
Georg depositou um beijo em minha testa e se afastou nos deixando a sós.
Procurei seus olhos .Estavam vermelhos .Eu conhecia a sensação de segurar as lágrimas.
Another airplane
Another sunny place
I'm lucky I know
But I wanna go home
Mmmm,I've got to go home
Let me go home
I'm just too far
From where you are
I wanna come home
Sem se preocupar com quem estava a nossa volta ou pronunciar sequer uma palavra ele me beijou apaixonadamente. Um tão beijo urgente, tão necessário que por um minuto me fez perder o folego.
Ao fazerem a ultima chamada para o voo, seus lábios se desvencilharam dos meus.
And I feel just like I'm living someone else's life
It's like I just stepped outside
When everything was going right
And I know just why you could not
Come along with me
Cause this was not your dream
But you always believed in me
Seu olhar suave sustentava o meu ao perguntar.
-Você me ama?
-Tanto que até doi.. .-respondi, as lágrimas por fim se terminando.
-Então eu quero que faça uma coisa pra mim...Eu esqueci uma coisa muito importante pra mim em casa. Deixei sobre a bateria...Você pode pegar pra mim?
-Claro...
-Tudo bem...Eu te amo Karina.
-Eu também te amo Gustav.
Ele se virou rapidamente e se foi ... MInha vontade de sorrir com ele.
Another winter day has come
and gone away
And in Paris and Rome
And I wanna go home
Let me go home
And I'm surrounded by
A million people
I Still feel alone
Oh, let me go home
Oh, I miss you, you know
Dirigi sem pressa de volta a casa dele. O desanimo tomou conta de mim.
O que poderia ter esquecidos de tão importante?
Abri a porta com a chave que eu possuía. Entrei na sala silenciosa e vazia. A dias atrás seria possível nos encontrar fazendo amor em qualquer parte daquela sala, e agora era só eu.
Caminhei até a bateria tentando visualizar o que ele tinha esquecido.
O que eu vi sobre ela era uma caixinha vermelha e um envelope.
Abri para ler o papel escrito a mão.
“ Trinta dias parecem muito pouco quando comparados a uma vida inteira, e eu quero muito mais do que isso.
O seu coração eu já tenho.
Este anel é o símbolo do que eu mais quero no mundo.
Karina ,casa comigo?”
Lentamente, atônita, abri a caixinha de veludo. Dentro contemplei com o coração acelerado a joia acomodada ali ,meu anel de noivado.
Let me go home
I've had my run
Baby, I'm done
I gotta go home
Let me go home
It will all be alright
I'll be home tonight
I'm coming back home
Notas finais
Comentem muiiittooo
Me digam o que acharam!
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