Hunters Love - O Assassino E A Agente
3 Parte Três
Notas iniciais
Parei de passar meus sentimentos negativos ao mundo ¬¬
- Thalia, abaixa! – Nico gritou.
Ele saiu correndo pela casa, destrancando as gavetas e pegando armas e munições. Os dois saíram pelos fundos e correram desvairados pelas ruas que já estavam desertas.
- Eu disse pra desligar aquela merda!
- Não imaginei que meu irmão fosse me trair. Mas por que eu ainda estou com você?!
- Não vai embora, por favor. Agora eu quero participar, faz tempo que não tenho diversão.
Ele viu o helicóptero aproximando de onde estavam e preparou a bazuca, quando o veículo entrou na mira ele atirou. O helicóptero explodiu e caiu em chamas enquanto ele ria. Dividiu as armas com a mulher e discou para a irmã.
- Hazel, novidades?
- Nada de mais, você só fez uma bagunça enorme.
- Puxa pra mim uma ficha.
- Quem?
Ele olhou para Thalia e apontou a moto, em libras falou para ela seguir para a casa dela. Colocaram o capacete e partiram, ela pilotava.
- Thalia Grace, Hazel. Me liga mais tarde.
Não tardou a chegarem a Manhattan e perceberem que o prédio onde Thalia morava estava cercado e monitorado. Ela girou a moto no meio da avenida para fugir, mas isso chamou a atenção da polícia que partiu atrás deles.
- Precisamos de um esconderijo. – ela disse.
- Precisamos sumir, mas minha rota de fuga é em Louisiana, é muito longe.
- Dane-se.
- Vai levar um dia inteiro, maluca!
- Alguma ideia melhor?
- Escolhe, Ohio ou New Hampshare?
- New Hampshare.
- Então vai, te indico o lugar quando chegarmos.
Thalia invadiu um canteiro qualquer, um lugar onde o carro da polícia não poderia passar. Em poucos minutos despistou todo mundo e sumiu pelas avenidas a caminho de New Hampshare.
.:x:.
Hazel estava olhando a ficha de Thalia Grace há algum tempo, mas era muita informação, a mulher era quase uma heroína do país! Ligou rapidamente para o irmão e quase entrou em agonia enquanto ele não respondia.
- Sorella.
- Thalia Grace, ex-agente da Divisão Internacional de Serial Killers, prendeu os maiores casos do país e ajudou em inúmeros fora daqui. Desapareceu há dois anos, seu último caso foi o Zeus, um serial que eletrocutava as vítimas, ele era o pai dela.
- Zeus? O que eu...?
- Esse mesmo, como você ficou sabendo dela, Nico?
- Eu... bom, digamos que-
- Espera, tem uns agentes estranhos aqui, depois falo com você. – ela desligou o telefone e encarou o par de agentes, um loiro e uma ruiva.
- Eu sou a agente Rachel Dare e este é Luke Catellan, nós somos da DISK, Divisão Internacional de Serial Killers. Estamos aqui para falar sobre o seu irmão, Nico Di Angelo. Ele foi visto essa manhã. Você poderia vir conosco por um momento?
Hazel olhou de relance para o chefe, só ele poderia ajudar, mas ele estava ocupado com o taxista desesperado por alguém que pudesse pagar seu prejuízo.
- Tudo bem, mas eu não posso demorar, caso contrário, terei problemas com meu chefe.
- Não vamos demorar. – Rachel completou sorrindo.
.:x:.
Jason Grace não tinha gostado da mentira da namorada. Principalmente porque envolvia sua irmã.
- Você disse que precisava de mim para encontrá-la, Reyna. Não para matá-la.
- Precisava encontrar para matar, Jason. Thalia já deu provas o suficiente de que não vai se render, a levaríamos para a cadeia, no máximo, mas ela não aceita.
- Minha irmã não cometeu nenhum crime.
- Ela deixou Zeus fugir.
- Ela não conseguiu prendê-lo, e ele morreu de qualquer jeito! Isso é coisa sua, você sempre quis tomar o lugar dela, se bobear você quer mesmo é o Luke e não eu.
- Para, Jason! A Thalia virou ameaça, a agencia inteira quer derrubar ela, até o Luke!
- O que?
- Não foi só o Zeus.
- Como assim, Reyna?
- Vem pra cá, eu vou te contar tudo.
.:x:.
Levaram pouco mais de cinco horas para chegarem a New Hampshare, mais precisamente NH Shopping Center. Sentiam calor, fome e queriam se jogar na cama o mais rápido possível, mas a casa de ambos estava interditada.
- Você nos trouxe para um shopping, não tinha um lugar com mais gente, não? – perguntou irônica.
- Relaxa, eu vim aqui por algum motivo. Primeiro, eu to com fome, vamos parar um pouco.
Ele simplesmente saiu andando, sabendo que ela iria atrás. Mesmo que não quisessem, já estavam juntos naquela missão. Mas que missão, mesmo? Exato, nenhum dos dois entendia completamente a história toda, mas acabaram se envolvendo exageradamente na vida do outro.
- Tudo bem, Thalia Grace, pode começar me contando o porque de você constar como desaparecida se está aqui bem na minha frente. – perguntou enquanto sentava.
- Os senhores vão fazer o pedido agora? – o garçom perguntou.
- Salmão, querida, o que você quer?
- Lagosta.
- Vão beber o que?
- O vinho mais caro que tiver, meu marido vai adorar ter saído comigo.
- Sim, senhora. – ele se retirou.
- É sério, pode começar.
- Como descobriu?
- Eu tenho contatos na polícia.
- Se eu te contar você vai me contar algo interessante também?
- Claro, amor.
Ela riu, até que o assassino mais comentado do mundo era alguém interessante.
- Eu odiava os filmes de serial killers, na maioria das vezes eles fugiam e se davam bem no fim, então eu juntei uns amigos de diferentes áreas da polícia e fundei a DISK.
- E quanto a você fugir e ser procurada por seus antigos amigos?
Ela hesitou, olhou para o chão e ficou assim alguns instantes. Nico decidiu que não era o melhor momento, checou o celular pra saber se não tinha nenhuma chamada perdida de Hazel. Nada. Resolveu deixar, provavelmente a irmã estava enrolada com o chefe e os estragos que o próprio causara de manhã.
Ficaram no silêncio até o garçom chegar, simplesmente acompanhando o movimento das pessoas no shopping. Não tinham porque perturbar o silencio um do outro. Nico agradeceu quando o garçom pôs os pratos e deu a primeira garfada seguido de Thalia.
- Meu último caso foi o serial killer conhecido como Zeus. – ele a encarou incentivando. – Ele era só mais um psicopata que matava pessoas, ele gostava de eletrocutá-las para o assassinato.
- Mas...?
- Mas, ele era um psicopata que tinha um passado, um passado com uma mulher chamada Mary Grace. Foi um momento em que ele estava bem, eles quase casaram.
- Você sabia?
Ela balançou a cabeça em negativa.
- Eu descobri quando já estávamos caçando-o. Na verdade, estávamos quase o capturando. – ela deu um gole no refinado vinho branco – Eu descobri, mas decidi não contar ao Jason. E pior, decidi que iria matá-lo, pela solidão que ele tinha causado a minha mãe e consequentemente a Jason e eu.
O celular de Nico vibrou, mas ele não atendeu, estava no silencioso e ele queria ouvir o fim do relato de Thalia.
- Quando eu o peguei estávamos sozinhos num galpão abandonado, ele pedia perdão, sabia quem eu era, eu apontava uma arma pra cabeça dele. Cometi um erro, comecei a chorar. Disse para que ele fosse embora, e ele foi. A divisão inteira foi atrás, mas não iriam pegá-lo, nunca.
- Não iriam? Como foi pego?
- Alguém explodiu seu carro, acho que Reyna tinha planejado isso, como uma segunda opção. Ela expediu o meu processo e mandato de prisão e eu fugi. Ela assumiu o comando e começou a namorar meu irmão. Apesar de tudo, ele nunca soube onde eu estava, mas tinha meu número, provavelmente foi assim que ela nos localizou na sua casa.
Nico bateu a mão na testa.
- O que foi? – ela perguntou.
- Minha casa! Tudo o que pertence à Hades está lá, toda minha vida e a anterior a minha. Até o que é meu mesmo. Minha cara vai estar estampada no jornal de amanhã, a Hazel vai comer meu fígado.
Pegou o celular pra saber o que tinha acontecido. Mensagem de número desconhecido: Você perdeu, Hades. Respirou fundo e voltou a comer, como se nada tivesse acontecido. Frio como somente alguém que realmente era um mercenário de assassinatos poderia ser, mas Thalia ainda tinha dúvidas.
- Você realmente é Hades? – ela cochichou.
- O Alaska é território estadunidense? Pergunta óbvia, você já ouviu falar de alguém que não fosse da polícia e conseguisse fazer o que fiz? Hades é único, e eu o sou.
- Se Hades é único, como os casos começaram antes de você nascer?
Ele a olhou irritado.
- Termine de comer, Grace.
Nico passou a ignorá-la, mas, assim como ele fizera antes, Thalia resolveu respeitar seu silêncio. Talvez fosse estrelismo, mas talvez fosse um assunto delicado.
Ambos permaneceram com a frieza até terminarem. Pediram a conta e saíram, de mãos dadas para se misturarem, mesmo que estivessem sujos de terra pela viagem, usando roupas atípicas para um shopping e que ele carregasse uma mochila surrada.
O que ele estranhou foi que a mão de Thalia, apesar de ser a mão de uma agente, não tinha calos, era lisa e quente. Ela andava alheia a tudo, sem saber para onde o assassino a levava, melhor assim, pois Nico não tirava os olhos dela.
- Não se esqueça, eu sou Nikos e você é Thessora, somos casados e gregos, turistas. Nosso sobrenome é Ángelos.
- Sem problemas, querido, não comigo. Eu falo grego, me preocupo com sua perceptível mania de enrolar o inglês com italiano.
- Eu faço isso?
- Fez inúmeras vezes, só não entendi o “sorella”.
- Significa irmãzinha. E dane-se o resto, vou me controlar.
- Não acha melhor sermos italianos?
- Você fala italiano?
- Sim.
Ele sorriu admirado.
- Então tá bom. Eu sou Pietro e você é Bianca, sobrenome Nascosto¹.
- Escondidos¹?
- Eu não sou criativo, melhor deixar assim.
- Como pagou a conta, no nome de Nico Di Angelo? Reyna deve estar monitorando tudo com seu nome.
- Paguei com o outro cartão, Nikos Ángelos. Sou prevenido, tenho cinco documentos, americano, italiano, grego, espanhol e brasileiro.
- Fala alguma das línguas?
- Inglês e italiano, arrisco um espanhol, mas mistura muito com o italiano, acabo não falando nada com nada.
Thalia riu, Nico poderia ser um assassino, mas era uma ótima companhia.
- Chegamos. – ele parou em frente a uma loja de artigos chineses.
- Vamos comprar fogos?
- Vamos pedir guarita.
- Numa loja chinesa?
- Na loja dos Zhang.
Nico entrou fazendo uma suave mesura a mulher no balcão.
- Como vai, Lady Zhang?
A velha senhora torceu o nariz para o visitante.
- Fai, o príncipe do Submundo está aqui. – gritou para o homem no fundo da loja ignorando a presença de Nico e Thalia.
O homem era alto e corpulento, mas parecia um urso gigante de pelúcia com o rosto de um adolescente.
- Frank, essa é Thalia Grace. – Nico apresentou.
Thalia estranhou que Nico tivesse dito seu nome verdadeiro e ele entendeu o olhar de confusão dela.
- Relaxa, os Zhang são aliados.
- Prazer em conhecê-la, senhorita Grace, sou Frank Zhang, o dono da loja.
- Dono nada, Fai, você é neto da dona, a dona sou eu! – a velha gritou.
Frank sorriu meio sem graça.
- Tudo bem, Nico, o que o traz aqui?
- Problemas, me envolvi com essa louca e agora estou sendo perseguido também.
- Nada interessante, é melhor vocês descerem. – Frank começou a andar indicando o caminho, mas parou em frente a porta da escada. – Celulares não funcionam lá em baixo, tudo bem?
Thalia deu de ombros, não pretendia atender mais o celular mesmo.
- Por isso eu tenho o comunicador, Frank. – Nico respondeu.
Os amigos riram e desceram seguidos da mulher, a avó de Frank ficou na loja.
- E então, algum fato relevante para estarem aqui?
- Preciso achar alguém.
- Então você tem um plano, Nico? – Thalia perguntou.
- Sim, vou dar a sua agência alguém que eles querem, pra você aparecer capturando-o como heroína, você voltando à DISK minha barra fica limpa.
- Não me parece tão simples. – ela disse.
Frank estava mais afastado no subsolo organizando os equipamentos de localização, equipamentos que mexia desde os treze anos quando Hades apareceu a primeira vez e ordenou que Frank o ajudasse já que sua avó estava doente. Nunca mais Frank falhou em utilizar os equipamentos, nem com Hades nem com Nico.
- Ora, e por que não?
- Como vai descobrir alguém que eles estavam perseguindo?
- Eu tenho espiões dentro de qualquer organização que tenha a possibilidade de um dia me caçar.
- Não acredito que você tem alguém dentro da Divisão Internacional de Serial Killers, Nico Di Angelo, eu mesma montei essa organização com pessoas de confiança.
- Mas você não mais a controla. Eu tenho um espião há dois anos, não foi há dois anos que você abandonou a agencia?
Ela concordou a contragosto. Muito contragosto na verdade, não lhe agradava nem um pouco que o maior assassino mercenário do mundo fosse mais inteligente que ela. Porém era completamente justificável levando em consideração o fato de que ele provavelmente nascera em meio ao perigo.
O comunicador de Nico vibrou e ele colocou o fone no ouvido.
- Hazel Levesque, na escuta? Aqui é Pietro Nascosto.
- Nem adianta tentar disfarçar, Nico Di Angelo, você está invisível para a DISK – era Reyna.
- Quem é?
- Reyna, nós capturamos sua irmã.
Ele bateu a mão com força na mesa. Thalia recuou um passo.
- Não tente me localizar, senão eu explodo o lugar inteiro.
- Então você não está isolado.
- Não vai me pegar assim, garota. Eu sempre estou misturado, nunca fico num lugar isolado, se estivesse usando direito o que tem nas mãos...
- Ah, claro, se refere ao seu caderno? No mínimo interessante, vamos examiná-lo e enviá-lo ao jornal, vai sair na primeira edição de amanhã. O New York Today vai adorar saber a verdadeira identidade de Hades.
- O que você quer?
- Thalia Grace.
- E eu?
- Você não é importante, garoto, você fica pra divisão de homicídios.
- Pra que ligou?
- Pra avisar que já localizei você em Ohio e que se não nos entregar Thalia vamos matar sua irmã.
Desligou.
- Era Reyna? – ele acentiu. – O que ela queria?
- Você, mas ela nos localizou em Ohio, acho que Minos está me ajudando.
- Por que você bateu na mesa?
- Porque minha irmã Hazel foi pega.
Frank até então tinha fingido que não scutava nada, mas a notícia relacionada a Hazel, sua paixão desde a infância, efinitivamente não poderia ser ignorada. O Zhang engatilhou uma arma e olhou ara Nico.
- Vou ajudar a resgatá-la.
Notas finais
Ok, até a próxima sexta.
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