Hunter
20 With Or Without You
Notas iniciais
Paris, 29 de Dezembro
14:30
POV Valary
Chegamos a França e eu só não dormi durante o voo porque os meus pensamentos não deixaram. O lugar era realmente lindo, se a porra da minha cabeça não tivesse ficado na Califórnia seria a melhor viagem da minha vida. Ainda estava machucada pela traição de Dean, mas quer saber? Não vou esperar por ele, não quero saber notícias dele, não quero ver ele... O que importa agora é o que vai acontecer daqui pra frente. E também não quero saber de mais ninguém. Sem amor, sem sofrimento. Agora eu vou realmente aproveitar aquela droga de vida que eu desperdicei durante 20 anos. Só vou me preocupar com a Valary e comigo. Amor próprio é tudo.
_Chegamos, Valary. – Evan me despertou novamente dos meus pensamentos masoquistas quando o taxi parou em frente a uma casa. Nada demais nem nada de menos, dois andares e uma varanda, não era grande, mas no momento se me colocassem para morar dentro do bueiro eu ficaria dentro do bueiro. Evan pagou o taxista e me ajudou a descarregar as coisas.
_ Não é muito, mas é o que dá antes de eu conseguir um emprego. A única coisa boa que meus pais me deixaram foi isso.
_ Está perfeita, Evan. Eu nunca me acostumei com luxo então para mim qualquer lugar está ótimo.
_ Sua voz está mais firme. Está mais feliz? – Percebi um certo brilho em seus olhos quando ele disse isso.
_ Acredite, eu não poderia estar melhor. – Disse abrindo um sorriso. E de fato, eu não poderia mesmo, porque naquele momento eu acabara de conhecer o amor da minha vida: eu mesma.
~Dê play na música Vermilion part 2 e continue lendo: http://www.youtube.com/watch?v=uqiTHFDAoW0 ~
POV Dean
Acordei naquela manhã me sentindo... Não sei como estava me sentindo. Era como se alguém arrancasse uma coisa que já faz parte de mim e levasse embora, e não era uma parte qualquer, era uma parte que eu precisasse muito. Me levantei, apesar de que minha vontade fosse entrar em estado de putrefação naquela cama. Eu sentia como se não merecesse viver. E de fato, eu não merecia. Eu não podia pensar nela, não podia deixar aquilo crescer dentro de mim. Meus olhos haviam perdido o brilho, pelo contrário, estavam inchados de tanto chorar. Eu não gostava de ser o Dean vulnerável, eu gostava de ser só o Dean. E aquela menina de olhos azuis acinzentados me permitiu ser o Dean que eu não gostava. E isso não era nem um pouco bom.
_ E aí cara? – Sam chegou de repente na porta, me encarando como se estivesse com medo de eu voar na cara dele e arrebentá-lo em mil pedaços.
_ Oi... – Respondi sem humor algum.
_ Como você está? – Disse se aproximando, dessa vez ele não me demonstrava mais medo, mas eu sentia que se caísse naquela hora ele estaria lá para me levantar.
_ Bem, eu acho. – Depois daquilo o silêncio tomou conta daquele quarto vazio.
_ Ela deixou o diário.
_ O quê? Ela não vai caçar mais? E se aquele demônio vier atrás dela? – Naquela hora eu me desesperei, pois essa possibilidade era grande.
_ Não vai não.
_ Como tem tanta certeza disso?
_ Valary já é bem grandinha para se cuidar. E mesmo se fosse uma criança de cinco anos, nós vamos pegá-lo antes.
_ O quê?
_ Pronto pra ser o velho Dean Winchester que eu sempre conheci? – Disse abrindo um sorriso e estendendo a mão.
~dê play na música Ramble On e continue lendo http://www.youtube.com/watch?v=a3HemKGDavw ~
Na verdade, o que eu tinha a perder? Eu nunca carregava culpa por muito tempo, eu era o Dean Winchester. Por mais que eu a amasse mais do que cabia em meu peito, ela fez sua escolha. Ainda estava machucado por isso, mas quer saber? Não vou esperar por ela, não quero saber notícias dela, não quero ver ela... O que importa agora é o que vai acontecer daqui pra frente. E também não quero saber de mais ninguém. Sem amor, sem sofrimento. Agora eu vou realmente aproveitar aquela droga de vida que eu mesmo condenei a caçar demônios com meu irmão mais novo, salvar pessoas, caçar coisas, o negócio da família. Só vou me preocupar com Sam e comigo e vou continuar minha jornada para matar aquele desgraçado.
_ Estou pronto, Bela Adormecida. – Respondi sorrindo.
Com mais ânimo do que nunca, entrei naquele Impala e coloquei um CD que eu não lembrava muito bem a banda, mas Sam odiava. Agora o que me resta é seguir com a minha vida e esquecer que um dia uma garota de olhos azuis fez parte dela.
Entrei na estrada com Sam, que estava ao meu lado, no banco de carona reclamando da música e segurando um jornal, procurando um possível caso sobrenatural por qualquer lugar da Califórnia.
_ Dean, presta atenção: “Homem desaparecido é encontrado sem cabeça na madrugada deste domingo. Taylor Westwood, de 42 anos, desaparecido há uma semana foi encontrado morto às 01:45 desde domingo por um fazendeiro local. O corpo estava separado da cabeça e não há sinais de pegadas no local. A polícia está investigando os fatos e disse que não iria desistir enquanto não encontrasse o culpado”- disse Sam, dando ênfase na parte “não há sinais de pegadas”.
– Então, demônio, vampiro, lobisomem, fada do dente punk...
– Dean!
– Tá bom, ta bom. Onde fica? — Perguntei
– Holywood, parece que o cara era maquiador de celebridades ou algo assim. — disse Sam.
– Ele era gay?
– Dean...
– Até agora eu nunca vi um maquiador de estrelas hetero.
_ Para de reclamar por um segundo?
_ Ah, você sabe que eu não dormi direito e são 8:30 da manhã! Vai levar uns 90 anos pra ir de Huntington Beach a Holywood e...
_ Quer que eu dirija?
_ Ninguém encosta no meu amor, entendeu bem?
_ Eu mereço...
Dei um sorriso de canto. A viagem seria longa, era bom eu voltar a dirigir, ter uma vida cigana de novo. Pelo menos assim eu evitava decepções. Era assim antes de Valary aparecer na nossa vida e vai continuar sendo assim. Liguei para Bobby pedindo para ele arrumar o trailler e avisando que saímos e continuei seguindo estrada. Acabei de encontrar meu caminho e vou continuar seguindo-no. Com ou sem Valary.
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