Notas iniciais
OOOOOOOI, então, foi mal o cocô de história que saiu, não sou criativa e tal.
Lembrando, pra quem gosta de sobrenatural, suponha que haja só os personagens que estão ai porque eu peguei apenas alguns dos elementos chaves da série, espero que gostem ^^

Texas, 20 de novembro

POV Valary

Me vê mais uma dose de absinto – Disse eu para o barman

Eu estava realmente fodida... Tinha quase 21 anos, e não sabia mais o que fazer da vida. Meus pais haviam morrido faz mais de dois anos e desde então, eu era empregada de lanchonete para conseguir me alimentar. Mas tudo havia piorado... O dinheiro que eu ganhava eu gastava em bebidas e drogas, era o único meio de me esquecer completamente da desgraça que minha vida era. Tinha 1,65 de altura, 46 kg. Sim, eu era bastante magra, e se continuasse com aquilo por muito tempo eu morria. Via-me como uma Nancy Spungen do mundo moderno, pretendia morrer cedo , porém viver como bem entendesse. Apenas precisava de meu Sid Vicious.

Bebi aquilo como se fosse água, estava bêbada, sem uma moeda na porra do bolso e com um pacote de cocaína, sim, estava na minha cabeça provocar uma overdose intencional naquele dia. Quem liga? Eu era maior de idade, órfã e ninguém se importava comigo, podia fazer o que bem entendesse da vida. Levantei daquele balcão caindo de bêbada, e fui pra fora do bar injetar aquela merda nas pra acabar com aquilo mais rápido. Aquela rua estava deserta, não era pra menos, 01h26min da manhã de acordo com o relógio na rua. Era um bom sinal, assim eu ao menos poderia acabar com aquela merda de vida mortal em paz. Foi difícil evitar uma lagrima rolar de meu rosto, por um instante lembrei-me de minha mãe, como ela era linda... Mesmos olhos azuis e cabelos castanhos que eu havia puxado dela. Eu queria evitar lembrar daquilo, a morte dela logo viria em minha mente, segundo meu pai, a coisa mais estranha do mundo. Abri novamente os olhos, não poderia ficar presa naquelas lembranças. Meus objetivos? Já havia desistido deles. Resumindo: Não havia mais razão pra continuar vivendo Abri minha mochila velha e surrada e de lá tirei uma seringa. Não fazia idéia de como usar aquilo, mas foda-se, eu ia morrer de todo jeito. Peguei o resto de absinto que sobrava naquele copo e misturei com cocaína. Encarei a seringa por alguns segundos, minha visão já estava prejudicada pela quantidade de bebida. Novamente uma lágrima caiu de meu rosto, fechei os olhos e injetei. Aquilo queimava, mas não era nada comparado com o que eu passava em vida. Minha respiração ficava cada vez mais lenta e ofegante, era uma maldita noite de verão, deserta, nenhum corpo vivo passava naquela rua. Minha respiração diminuía e meu corpo relaxava cada vez mais. Pude ver uma luz, cobri meus olhos com as mãos e quando me dei conta, estava em pé. Fui caminhando através daquele lugar desconhecido e de repente aquela luz sumiu*. Senti alguém me balançando, abri lentamente os olhos e pude ver um par de olhos, e que olhos, os olhos mais verdes que poderiam ter sido criados. Desmaiei novamente, e pude sentir braços fortes me pegando no colo antes de aprofundar meu desmaio.

POV Dean

_ Desliga isso, Dean

_ O que você disse Sammy? – Disse eu aumentando o volume do rádio e cantando junto. Cara, eu nunca entendi o porquê do Sam não gostar de Metallica

_ Desliga mesmo, Dean, eu quero dormir, olha a hora

_ Para com a boiolagem, Sammy

_ Não fode, é SAM

_ Pelo contrário, maninho, vou foder muito ainda – disse arqueando as sobrancelhas

_ Dá pra pensar um pouco com a cabeça de cima?

_ E você pense um pouco com a cabeça de baixo, iria se tornar 30 vezes menos mané

Vi Sam fazer umas caretas pelo retrovisor e continuei dirigindo ao som de Sad But True

_ I’m you dream, make you real, I’m your eyes when you must steel, I’m your pain when you can’t feel, you know it’s sad but true

_ Para com isso Dean, que merda…

_ Ta bom, vou deixar a Bela Adormecida aí no banco dormindo esperando o príncipe encantado e vou ali beber umas, manézão.

Ok, eu sei que não seria a coisa mais inteligente a fazer, parar em um bar no meio de uma rua completamente deserta no fim de Houston mais de 01h00min da manhã, mas seria o único jeito do Sam dormir e parar de me encher o saco.

Estacionei o impala em um lugar qualquer, uns 5 metros à frente do bar. Andando um metro à frente deu pra ver uma coisa caída no chão, parecia... Uma mulher! Corri até ela e a vi desacordada, com uma seringa e um copo caído no chão, drogas na certa. Encostei-me nela, estava muito quente, porém seu corpo ainda pulsava. Comecei a balançá-la, ela abriu levemente os olhos e murmurou algumas coisas sem o mínimo sentido, desfalecendo novamente. Peguei a garota no colo, coloquei sua mochila nas costas e a levei para o Impala.

_ Sam, Sam, acorda

_ O que foi Dea... QUEM É ESSA GAROTA?

_ Põe ela aí, depois eu te explico

Pude ver Sam ajeitando a garota no banco, enquanto me perguntava confuso o que havia acontecido. Eu apenas dirigia rapidamente o carro, até poder chegar em um hotel, pousada ou algo parecido.

_ Dean, dá pra me explicar o que aconteceu

_ Cala a boca, Sam – disse eu irritado – vamos chegar em um hotel qualquer e eu tento te explicar

_ É muito bom você me explicar logo, porque ela ta acordando...

Dei uma freada brusca do carro, fazendo-o sacudir e derrapar até chegar a um acostamento de terra que havia ali por perto. Abri o carro, tirei Sam de lá, que saiu aos berros comigo. Coloquei a garota delicadamente encostada na janela do carro e ela lentamente ia abrindo os olhos, olhos azuis, incríveis, tão azuis, tão profundos, nunca haviam visto um tom igual.

_ Eu morri? – disse ela, vagarosamente

_ Não, você não morreu, por muito pouco, aliás...

_ Hmmmmm... – murmurou ela se recostando no banco do carro, completamente tonta

Sam voltou pra dentro do carro encarando a garota estranhamente e ao mesmo tempo com curiosidade o tempo todo. Depois de uns 20 minutos consegui chegar a uma pousada. Peguei a garota no colo novamente e depois fui à portaria.

_ Um quarto para três, por favor, mocinha

_ Desculpe, garoto, os quartos pra três estão todos alugados

_ Que merda, o que tem aí então?

_ Olha a educação, rapaz, temos apenas dois quartos de casal, essa época de feriado lota qualquer merda por aí

_ Ta né, pode ser

Paguei o suficiente para uma semana na pousada, o dinheiro do poker em Las Vegas semana passada foi bem útil. Voltei pra fora pra falar com Sam

_ Alguém vai ter que dormir com ela

_ Direto ao assunto, Dean, eu sei que você quer isso, comporte-se

Bem estranha essa atitude de Sam de me deixar sozinho com uma garota em um quarto assim de boa. Porém, quem sou eu pra discordar de meu irmão cabeça? Mas eu sei, jamais tentaria algo com aquela garota á força, não sei, aquelas orbes azuis mexeram profundamente com o coração galinha de Dean Winchester. Subi com ela para o quarto e a pus na cama enquanto olhava sua enorme mochila. Havia bastante roupas, alguns documentos, uma caixa com algumas coisas e um caderno grosso e velho, resolvi não ler, vai que era importante pra ela. Peguei sua identidade e comecei a ler:

Valary Katherine Baker

Data de Nascimento: 28 de dezembro de 1991

Ontario, Canada

Uma garota com quase 21 anos e tentando acabar com a própria vida, muito estranho. Guardei seus documentos antes que acordasse, e não demorou muito, olhei pra ela e senti aqueles olhos azuis perfeitos me encarando.

POV Valary

Abri os olhos e olhei ao redor, eu realmente não fazia a menor idéia de onde eu estava, apenas pude identificar o rapaz de olhos verdes que me tirou daquele bar, que abriu um sorriso nem um pouco ameaçador quando me viu, me tranquilizando um pouco.

_ Você acordou!

_ É, eu acordei, onde estou?

_ Depois que te tirei daquele bar toda drogada te trouxe para uma pousada. Como se sente? – disse ele sentando-se na cama

_ Tirando a puta dor de cabeça eu estou bem

_ Dean Winchester, prazer, Valary não é?

_ Andou fuçando minhas coisas?

Ele deu um sorriso moleque e não consegui ficar brava com ele

_ Não é melhor você ir tomar um banho não? – Tava muito na cara o tipo de “I’m sexy and I know it” daquele cara, e caralho, pior que ele era um convencido com toda razão

_ Não, não to afim, então Dean, valeu mesmo por me salvar, to indo, passe bem

_ Você não vai embora não, mocinha – disse ele se colocando na frente da porta

_ Vou sim

_ Não vai não. Você quase morreu de overdose, eu te salvei e não vou te deixar ir de novo

Eu achei a coisa mais fofa do mundo, quem diria uma pessoa se preocupar comigo, mas ao mesmo tempo aquele jeito mandão dele me irritava

_ Era essa a intenção, morrer de overdose e acabar com essa merda de vida rápido, anda, sai da minha frente porra!

_ Epa, epa, epa, então você estava tentando se suicidar?

_ É claro, idiota, que pessoa injetaria cocaína com absinto nas próprias veias sem a intenção de se matar?

_ Você era bem menos ranzinza desmaiada

_ Foda-se, agora sai da minha frente, Dean – disse começando a esmurrar seu peito, fazendo ele me pegar no colo e praticamente me imobilizar

_ ME SOLTA, ME DEIXA IR, VOCÊ NÃO MANDA EM MIM, NÃO É NADA MEU, EU NEM O CONHEÇO, ME SOLTA DEAN!

Ele me colocou na cama, segurando meus punhos e vidrando o olhar no meu

_ Escuta, Valary, eu não vou deixar você voltar para a rua, se você tiver alguém te esperando em casa, eu te levo até lá, caso contrário não

_ Não tenho casa...

_ Então você mora aonde?

_ Na verdade nem eu sei, meus pais morreram, comecei a trabalhar numa lanchonete de quinta pra me manter, o que eu ganhava comecei a gastar com drogas, fiquei sem dinheiro pra nada – parei pra enxugar uma lágrima nesse ponto – fui despejada da minha casa, não tenho amigos nem parentes no Texas, porque como você já deve saber eu sou do Canada, então comecei a viver como uma cigana, apenas com essa bolsa e o que me sobra de dinheiro e hoje resolvi me suicidar pra acabar com essa merda e você me atrapalhou. Fim

Comecei a chorar naquela hora. Não sei se foi a atitude mais inteligente me abrir com um cara que eu mal conhecia, mas eu sentia segurança nele. Minha vida estava tão sem sentido, fazia um bom tempo que eu não vivia, apenas sobrevivia e de uma hora pra outra aparece um cara do nada e me salva. Dean pareceu ler meus pensamentos e me abraçou forte, me dando o conforto de que eu precisava naquele momento.

_ Mais um motivo pra você ficar com a gente

_ A gente?

_ Tenho um irmão, Sam, ele é meio mala, mas você vai gostar dele, ou não

Ri. Sua ironia me encantava, falo sério.

_ Começando de novo, sem ser ranzinza dessa vez. Não é melhor você ir tomar um banho não?

_ Preguiça

_ Anda, menina – disse ele me soltando e rindo. Vou comprar umas coisas pra comer, se você fugir eu te procuro e juro que tenho dó de você se eu te achar.

_ Você não vai me achar, sou a mais procurada por essas bandas e até hoje nunca me acharam.

_ Sou Dean Winchester baby, já achei coisas que se eu te contar você não acredita. Quando eu voltar eu espero que esteja de banho tomado

_ Ta bom, mãe.

Eu não sei o que ele quis dizer com “já achei coisas que se eu te contar você não acredita”, mas foda-se, eu não ia fugir. Podia ser drogada, suicida, mendiga, sem teto, louca, mas não era burra. Aquele cara se demonstrou se preocupar comigo, pela primeira vez em anos alguém se preocupou com Valary Baker, e eu não ia deixar aquilo em branco...

Fui tomar um banho, peguei um short e uma regata que estavam na minha mochila e liguei a banheira, era uma suíte bem simples, mas ao mesmo tempo extremamente confortável. Olhei-me no espelho, estava um lixo humano: boca seca, cabelo embaraçado, meu rosto estava pálido e meus olhos sem uma sombra de brilho. Que merda de vida, não? Dei um suspiro fundo, ainda quente e completamente atordoada entrei na água gelada. Apesar de estar de madrugada, o calor de Houston era insuportável para tomar banho quente. A banheira era espaçosa, o que me deixou bastante relaxada lá dentro. Havia alguns xampus e sabonetes, o que era bom, pois eu não fazia idéia da ultima vez que eu lavei aquela porcaria de cabelo, que mais parecia um peso a mais, como se eu já não tivesse problemas o suficiente. Comecei a entrar em devaneios delirantes, o efeito daquela droga que eu usei mais cedo ainda não havia acabado. De repente vi uma fumaça negra ao meu redor, meus olhos procuravam desesperadamente um ponto fixo que me daria segurança. Não aguentando mais aquelas visões medonhas, mergulhei profundamente na banheira, e lá fiquei me remexendo igual um peixe fora d’água. Saí dali depois de uns 2 minutos, só quando meus pulmões clamavam desesperadamente por ar.

_ Não mais, Val – disse para mim mesma

Saí daquela banheira, evitando pensar em qualquer coisa. Olhei-me no espelho novamente, de certa forma aquela água gelada havia me ajudado, estava mais desperta, meu cabelo não estava mais aquele traste todo, resumindo, eu apenas precisava de um bom banho. Retirei aquele resto de maquiagem preta de meus olhos (sim, eu usava pra disfarçar as noites mal dormidas e as pupilas dilatadas quando usava drogas) e penteei meus cabelos. Andei pelo banheiro afora procurando minhas roupas, merda, eu havia esquecido em cima da cama. Enrolei-me na toalha e fui para o quarto me trocar, quando ouço passos e a porta abrindo. Era a pessoa mais desapropriada da face da terra naquele momento

_ Val, eu trouxe café e uns wa... Nossa!

Era Dean, exclamando com a cara de safado mais canalha do mundo

_ DEAN, FILHO DE UMA PUTA SAI DAQUI, PORRA, APRENDE A BATER NA PORTA ANTES, SEU IDIOTA – disse eu o esmurrando com toda a minha força

_ Tá bom, Val, desculpa, eu vou bater da próxima, MAS PARA DE ME BATER, TA ME MACHUCANDO, PARA VALARY – disse ele gritando e rindo da minha vergonha, desgraçado

Coloquei ele pra fora na base da porrada e tranquei a porta, podendo ainda ouvir a risada dele ecoando do corredor, grande filho da puta.

_ A propósito, belas pernas em Val

_ Cala a boca, Winchester, cala a boca antes que eu te espanque friamente

Mesmo sabendo de ter que aguentar o olhar malicioso de Dean o resto da vida, eu estava quente e com calor, claro, tanta cidade fria por aí e eu tenho que escolher logo Houston que e um rascunho do inferno, então coloquei a roupa que havia planejado, um short jeans e minha regata velha do AC/DC. Fui até minha mochila e peguei um marlboro red de dentro de uma caixa, eu sei, estava pedindo pra morrer de overdose. Acendi, dei uma tragada funda e fui até a janela olhar pra lua. Eu adorava aquilo, sempre quando eu ficava com insônia eu chamava minha mãe, ela me pegava no colo e me sentava na janela, e ficava me contando histórias de bruxas que voavam pela lua em busca de novos ingredientes para suas poções mágicas, e lá ficávamos até eu reclamar de sono. E desde que ela morreu eu olho pra lua todos os dias, ficando na esperança de poder me comunicar com ela, idiota, parecia uma criança inocente de cinco anos. Cara, como eu era feliz naquela época... Ela sempre tão linda, tentando me educar e me mostrar o que a vida tinha de melhor para no final eu me tornar essa drogada irresponsável que não tem onde cair morta. Por que ela tinha que morrer? Apenas os bons se vão, a vida nunca foi justa comigo após isso, meu pai morreu, eu me viciei em drogas, fui despejada da minha casa, tentei me matar e agora estou vivendo com um cara e o irmão dele, que eu nem sequer conheço, e se forem traficantes de pessoas? Assassinos seriais? Psicopatas? Estupradores? Mafiosos? Podiam ser qualquer coisa, na verdade eu nem ligava, já estava fodida e pedindo pra morrer de qualquer jeito.

_ Hey, acho que já deu tempo suficiente pra mocinha trocar de roupa não?

Caralho me esqueci completamente que tinha deixado Dean preso lá fora. Foi até bem feito pra esse tarado aprender a não ficar olhando pra onde não deve. O que tem demais nas minhas pernas cacete? Dei mais uma tragada no cigarro, destranquei a porta e abri uma beirada

_ Olha aqui, seu tarado filho de uma bela puta, eu estou morrendo de calor e quente então...

_ Tá quente, uaaaau

_ Cala a boca, desgraça. Eu estou com calor e quente por causa daquela merda então eu estou com short, e se você ficar olhando pra onde não deve eu juro que eu te arrebento

_ Tá, ta, vou ser bonzinho Katherine

Só sabia o quanto ele ficava sexy com esse tom irônico. Ok, Valary, se segure

_ AC/DC é? – disse ele tirando o cigarro de minha boca, tragando e botando de volta

_ Não, Dean, Justin Bieber

_ Tá bom estressadinha, achei que ia gostar de achar alguém que curta também

_ Sério, você curte?

_ Curto, mas já que você gosta de Justin Bieber não é...

_ Que gracinha, Dean, o que você trouxe pra comer?

_ Trouxe waffles e café

_ Os waffles são seus, agora me passe o café

_ Mas era o que eu mais queria...

_ Você me salvou agora vai ter que me mimar, sorte sua de eu não estar pedindo pra você me abanar com esse calor do inferno

_ Você é folgada demais para seu tamanho, Katherine...

_ Foda-se, agora me dê esse café.

Senti ele me fuzilando com o olhar enquanto me entregava a garrafa.

_ Não fique triste, fica com meu cigarro e estamos quites

_ Eu não fumo

_ Fuma sim – disse eu enfiando o marlboro na boca dele

_ Sorte sua que eu tenho uma queda por você, se não já tinha te posto pra fora, aliás, nem tinha te salvado

Senti minhas faces corando intensamente. Dean Winchester com uma queda por mim? Bah, ele tinha esse jeito canalha, devia ter a mesma queda pelo resto do mundo.

_ Calor do caralho – disse ele tirando sua camisa. Corei umas vinte vezes mais, puta merda, que homem perfeito

_ Caso não tenha percebido tem uma garota nesse ambiente, porra

_ Vai me dizer que nunca viu um homem sem camisa, Val, deve ser ficha pra você – disse sorrindo maliciosamente

_ Idiota

Comecei a sentir sono, aquele dia fora um tanto quanto cansativo pra mim. Estava começando a esfriar. Deitei na cama e me enrolei na coberta fina. Senti Dean se aproximando.

_ O que está fazendo aqui?

_ Caso não tenha percebido tem apenas uma cama

_ Eu não vou dormir com você, tarado desse jeito

_ Ou você dorme comigo ou vai dormir no chão. E eu já disse, não vou fazer nada com você, garota

_ Olha lá

_ Você não faz meu tipo, Katherine, é apenas uma queda – disse sussurrando em meu ouvido, me fazendo arrepiar.

Aquele cara mexia comigo, mexia de um jeito bom e ruim, bagunçava minha cabeça por inteiro. Era confuso e... Não sei explicar o que ele me provocava, mas eu bem que gostava. Fechei os olhos e não demorei a dormir... Cara, fazia tempo que eu não dormia em uma cama, era apenas minha mochila como travesseiro e a calçada fria como colchão. Acho que finalmente as coisas iam começar a dar certo na minha vida, depois de um bom tempo...

POV Dean

Foi inevitável olhar para seu corpo enrolado naquela toalha, ela era bem magrela, mas ela era uma máquina veloz, ela mantinha o motor limpo, ela era a melhor mulher que eu já conheci, ela tinha os olhos invisíveis, não me contava nenhuma mentira, me deslumbrava com aquelas coxas americanas**, um corpo com curvas finas e fantásticas, olhos tão azuis quanto o mar, cabelos ondulados e tão castanhos quanto madeira maciça, pele tão pálida quanto a lua, era tão linda, aquele jeito ranzinza e irônico me encantava...

“Ora porra, Dean, olha o que você está pensando. Você sabe que consegue provocá-la, ela está apenas se fazendo de difícil, mas logo você a terá de quatro por você, e assim será sucessivamente. Você é Dean Winchester, você não se apaixona. Então pare de bobagem, porra.”

Tentava não pensar em Valary, mas era bem difícil, sua face me assombrava, eu estava fodido... Precisava de uma cerveja. Levantei da cama, ela dormia, bom sinal. Fui até o impala e peguei uma garrafa. Puta que pariu, que frio de uma hora pra outra. Encostei-me no carro e bebi uns dois, três goles. Olhei para o lado, via uma fumaça preta no ar; meus olhos se arregalavam, eu sabia que não era bom. Cheguei mais perto da fumaça, uns dois ou três passos e ela desapareceu. Se essa coisa fizer alguma coisa contra Sam ou Valary ele está fodido. Me virei e dei um pulo pra trás quando deparei com aquele par de olhos brancos me encarando

_ Você não devia sair essa hora da madrugada, Dean

Olhei para o relógio, 03h08min*** da manhã. Merda...

_ O quê você quer Lilith?

_ Vejo que você tem uma nova namorada...

_ Fica longe dela, tá entendendo

_ Essa garota e tão amaldiçoada quanto Sam

_ CALA A BOCA, MALDITA!

_ Jessica morreu porque cruzou com o caminho do seu irmão. Não cruze o caminho dela, Dean – seu hálito quente em meu ouvido me incomodava

_ Vai pro inferno

_ Eu vou, Dean, Sam também vai, Valary também, no fim, todos nós vamos

Eu não suportava as ameaças dela. A joguei contra a parede

_ Escuta aqui sua vadia, se você tentar alguma gracinha contra qualquer um dos dois, a ultima bala vai parar bem no meio da sua cabeça entendeu?

_ Eu não vou fazer nada, Dean, apenas te digo: cuidado com quem você salva de um barzinho de quinta

Ela saiu de dentro do corpo da moça, que caiu desmaiada, desaparecendo em seguida. Vadia! Se aquela filha da mãe tentar qualquer coisa contra Sam ou Val eu juro que eu a matava. Eu apenas não entendi o quê ela quis dizer com “cuidado com quem você salva de um barzinho de quinta”. Chantagem para conseguir a Colt? Ou Val tinha mesmo uma ligação com Sam? Ah, vadia, maldita habilidade de ler mentes. Voltei para o quarto pisando fundo, Val ainda estava dormindo, porém sem cobertas e tremendo de frio. Lilith, você me paga! Seja lá quando for, você me paga, vadia. Cobri Val novamente e a aninhei em meus braços, fazendo-a voltar a seu sono pacífico

_ Essa vadia não vai te machucar pequena, eu prometo.

Notas finais
* Valary morreu, Dean conseguiu recussitá-la misteriosamente, tam tam taaam
**You Shook Me All Night Long - AC/DC
***A partir de 3h da manhã as atividades de espíritos começam a ser mais fortes, pq e a hora contraria a morte de Jesus e tal, fiquei pesquisando sobre isso...
Espero que tenham gostado