Hunter

25 In the end I gave my life for you


Notas iniciais
Oi oi oi
To postando rápido para compensar o tempo que eu fiquei longe daqui e também que semana que vem é so prova então é provavel que eu so entre aqui pra responder os reviews.
Enfim, apesar do tamanho eu amei escrever esse capitulo e o próximo acho que vai ser ainda melhor, porque Val e Dean vão parar de viadagem o Se não sair hoje de madrugada sai amanhã pela tarde, então já vou avisando que a partir de segunda NÃO NANAÃOOOO vai ter fic, e se tiver o ep vai ser pequeno mesmo :3

POV Dean

11 meses depois...

Huntington Beach, 20 de Dezembro

~Dê play na música Here Without You e continue lendo: http://www.youtube.com/watch?v=NqjfvD-qbmw ~

_ Dean, meu amor, eu já estou pronta. – Monica me abraçava por trás e beijava meu pescoço. Será que essa mulher não sabia o significado de sexo sem compromisso?

_ Monica, não.

_ Mas você disso que...

_ Monica, vai embora daqui, entendeu bem? – Olhei firmemente nos olhos azuis acinzentados, que me lembravam os de uma pessoa que eu conhecia e não via há muito tempo. Ela pegou o sobretudo e os saltos e saiu de lá aos prantos. Pude vê-la ainda correndo quando cheguei na varanda. Ótimo, a hora perfeita para mergulhar em meus pensamentos. Acendi meu último Marlboro Red e traguei profundamente, retendo a fumaça em meus pulmões logo em seguida. A brisa fria de Huntington Beach se misturava com a fumaça que saia da minha boca, me trazendo lembranças de mais ou menos um ano atrás. Mais ou menos não, exatamente um ano. Ah, Valary... Como uma vida pode mudar em apenas um ano, não é mesmo? Em apenas um ano eu me sentia dez mais velho. Havia desistido da vida de caçador, deixara Bobby no meu lugar com o trailer e agora seguia uma vida quase normal em Huntington Beach. Quase normal, pra ser mais exato triste e melancólica. Eu havia abandonado meu irmão, que agora nem eu mesmo sabia onde estava, e o amor da minha vida, a única coisa que eu fui capaz de amar em toda a minha vida. Na falta dos dois eu devo ter ficado com, não sei, talvez metade da cidade. Porém nenhuma substituía nem... Nem um milésimo de pelo menos um dos dois. Resumindo, eu era um orgulhoso ferrado.

Bebi mais um gole do meu café e traguei meu cigarro mais uma vez. Era só mais uma noite sem dormir que não fariam a mínima diferença. Me levantei do chão encardido e caminhei para o antigo quarto de Valary. A camiseta do Metallica que ela havia esquecido ainda continuava lá, em cima de sua cama. Me deitei lá e fechei os olhos, se eu me concentrasse ainda podia sentir seu cheiro, o toque de sua pele, seu beijo... Lembranças vieram a minha mente, desde o dia em que a conheci até o dia que ela foi embora. Como eu fui idiota, como eu pude trocar o amor da minha vida por um petisco, se eu pudesse voltar a um ano atrás eu faria tudo de novo, só para tê-la comigo de volta. Mas talvez fosse melhor assim, talvez fossem evitadas muitas brigas, discussões e mais traições, não é segredo para ninguém que ela e Sam eram muito mais que amigos. Claro, era melhor assim, e eu tinha que aceitar isso.

_ Mas e se não for melhor assim? – Uma voz conhecida soou atrás de mim. Olhei para trás e não havia nada lá. Será que eu havia tomado café demais? – Sim, você tomou café demais, meu filho. – Mas o que? Meu filho?

_ Pai?

_ Olá, Dean. – Pude ver sua figura se formando em minha frente. O mesmo sorriso amigável. Eu quase morri de alegria ao vê-lo novamente.

_ Oi pai. – Pela primeira vez em algum tempo um sorriso sincero brotou de meus lábios.

_ Dean, eu estou decepcionado com você. – Seu semblante passou de amigável a sério. – Você prometeu cuidar do Sam independente do que fosse. E da Valary... Dean, você deixou sua única família e o amor da sua vida escaparem de suas mãos como se fossem sangue. Esse não é o Dean que eu criei.

_ Pai, eles que escolheram assim, a culpa não é minha. E quer saber? Acho que foi melhor assim. Era pra ser assim e foi.

_ Você não sabe o que poderia ter acontecido se você tivesse feito ambos ficarem ao seu lado em vez de bancar o durão e deixa-los ir embora.

_ Eu não os deixei ir embora. E quer saber? Você é so um fruto do tanto de café que eu tomei, você não é real.

_ Não mesmo? – Aquilo que alguns chamavam de alucinação, pai ou seja lá o que for me deu uma bofetada na cabeça. E aquilo foi real demais pro meu gosto.

_ Ai! Doeu!

_ Foi pra doer mesmo. E vai doer ainda mais se você não deixar esse orgulho de lado, e a dor vai ser bem pior. – Ele se levantou e começou a sumir aos poucos. – A única pessoa capaz de saber se foi melhor ou não é você mesmo, meu filho. Pense nisso ou vai acabar perdendo de vez as pessoas que mais ama.

_ Pai? – Olhei para todos os lados, ele havia sumido. E não é mesmo que aquele espírito tinha razão? Eu tinha o papel e caneta pra escrever meu destino, não havia como apagar o que já estava escrito, porém eu poderia usar isso ao meu favor e criar um novo começo, porém pulando a parte do orgulho. E é exatamente isso o que eu vou fazer.

Catei meu celular que estava no fundo de não sei onde e procurei o número de Sam, ainda estava lá. Ok, eu já tinha tudo em mão, só me faltava a coragem.

“Ora para de ser idiota! Eles te amam, enfia esse orgulho no seu...”

Realmente, essa voz está certa. É agora ou nunca, Dean. Só espero que ele não tenha mudado de número.

_ Alô? – Um alívio percorreu todo o meu corpo ao ouvir sua voz. Como eu sentia falta dele.

_ Oi, Sam.

_ Dean?

_ É, sou eu. Te acordei?

_ Não, não. Estou acostumado a ficar acordado até essa hora.

_ Eu também, irmão. – Um silêncio constrangedor percorreu a linha. Nada de orgulho, nada de orgulho. – Olha, eu sei que não é o melhor jeito de fazer isso mas... Olha, eu não sei o que dizer direito, eu dou péssimo nisso. Ok, vamos lá. Eu fui um idiota. Não, idiota não, egoísta, um imbecil orgulhoso. Eu já devia ter feito isso há muito tempo, eu sei mas... Só agora eu percebi que essa merda de orgulho não me leva a nada, eu não consigo ficar sem você e Valary. Tem alguma chance de você me perdoar e a gente voltar a ser o que era antes independente de onde você esteja?

_ Eu te perdoo, meu irmão. Mas... – Senti certo medo em sua voz.

_ Pode falar.

_ Olha, eu te falo. Mas você jura que não vai enlouquecer e tentar vir atrás de mim?

_ Não garanto nada...

_ Dean. Você precisa me jurar que não vai fazer isso agora, nesse momento, porque realmente é muito sério.

_ Ok, eu juro.

Ele deu um longo suspiro e começou a falar.

_ Olha, naquele dia que eu fui embora eu... Tive uma visão. Valary não estava bem. E... Eu meio que sabia onde ela estava e fui atrás dela.

_ VOCÊ O QUE?!

_ Calma, me deixa terminar. Depois você pode encher a minha cara de porrada porque eu devia ter te contado antes. Continuando, ela veio morar com esse tal de Evan e reencontrou a Amy, que fugiu do inferno e está atrás daquele desgraçado. Enfim, a Amy protegeu ela dos demônios mas não das pessoas. Ela quase foi estuprada, matou o homem em legítima defesa e... Fugiu de casa pra tentar se esconder e não levar a culpa. Então um homem qualquer deu drogas para ela. Drogas demais, até pra quem tem o organismo acostumado com esse tipo de substância. Ela está em coma faz 11 meses e não há nada que os médicos possam fazer.

Sabe quando o seu mundo inteiro para de girar? Quando você quer gritar mas sua voz simplesmente não sai? Quando você sente que não tem força o suficiente nem pra ficar em pé, ou ao menos respirar? Era assim que eu me sentia. Senti meu coração parar de bater por uns cinco, seis segundos e me recompus.

_ Dean, você está bem?

_ Estou. Sam, escuta bem, eu estou indo para aí amanhã de manhã, ok?

_ Mas você nem sabe onde eu estou, calma.

_ Onde você está, caralho? – Perguntei impaciente.

_ Paris. Não vai fazer nenhuma bobagem, Dean.

_ Não, acho que agora eu vou tomar vergonha nessa cara. Amanhã eu te ligo, tchau.

_ Tchau, irmão. Cuidado.

Desliguei o celular e gritei. Não me importava com vizinhos, com nada. Eu apenas pus tudo aquilo pra fora. Uma mistura de tristeza, raiva, culpa... Sim, culpa. Eu podia ter feito-a ficar. Eu podia ter pegado-a pelo braço naquele dia e dito que eu agi por impulso, por ciúme. Podia gritar pra Deus e o mundo que eu a amava. Mais do que achava que podia amar alguém. E ainda amava, ainda daria tudo por ela. Não me importava se não ia adiantar nada, eu ia até lá e ia dizer para ela que eu a amava, nem que seja pela última vez. E todos sabia que podia sim ser a última vez.

Peguei o resto de dinheiro que me sobrava que eu ainda não tinha gastado com putas e jogos de azar, que era até uma boa quantia, coloquei minhas roupas em uma mala e fui tomar um banho. Não duvidaria que fosse o banho mais demorado da minha vida, fiquei lá por um tempo deixando as lágrimas caírem junto com a água e pensando em um modo de reconstruir minha vida. Agora eu precisei passar por muita coisa pra entender que eu não posso viver sem nenhum do dois. Eu os amava muito, mais do que a mim mesmo e não ia deixa-los escapar de novo.

Fui até a varanda e abri mais uma caixa de cigarros para esperar a noite passar. Seria uma longa noite fria, não era muito comum frio na Califórnia, mas acho que desde que Valary e Sam se foram eu comecei a sentir um frio constante, mesmo com aquele sol de torrar os miolos. As vezes o único sol que você precisa são as pessoas que você ama ao seu lado. Traguei pela última vez meu cigarro e o joguei pela janela. Quem diria, eu fumando. Acho que agora eu sei porque Valary fumava tanto, aquilo era uma terapia, ou melhor, uma saída pra tudo. O que eu via nela agora eu vejo naquela caixa de cigarros.

A noite passou tão rápido que eu nem me dei conta, pra minha sorte. Quando percebi os primeiros raios de sol surgirem no céu nublado da Califórnia eu já comecei a pegar minhas coisas, inclusive a Colt, vai que alguma coisa tenta alguma gracinha.

_ É agora, vamos tentar consertar o erro.

~Dê play na música Misunderstood e continue lendo: http://www.youtube.com/watch?v=G--AC2S0NXY ~

Deixei um bilhete para Bobby caso ele voltasse e tranquei a casa. Disse adeus a meu Impala, não diria um adeus, diria um tchau, pois eu vou trazer esses dois de volta nem que seja na base da porrada. E vamos continuar tudo de onde paramos. Eu e Valary, Sam e Amy. Até que um dia eu mato aquele desgraçado e vingo tudo que nós passamos.

Paguei um táxi até o Aeroporto de Huntington Beach e comprei minha passagem para Paris, que decolava às 8:00. Ainda eram 6:35, eu tinha um tempo antes de rever, ou dar adeus de vez a tudo que eu amava. O bom De Huntington Beach era que tinha praia onde quer que fosse. Atravesei a rua e caminhei um pouco. Logo pude sentir o cheiro que eu tanto amava de água salgada. Aquele cheiro me lembrava Valary, como se isso fosse alguma novidade porque qualquer coisa naquela maldita cidade me lembrava o tempo em que passamos juntos. Deitei ali e deixei que a areia fina sujasse meu corpo, quem sabe levasse embora todos aquela culpa.

“Você chorou, eu morri. Deveria ter calado minha boca, as coisas deram errado. As palavras escorregaram de minha língua, elas soavam estúpidas, se esse velho coração pudesse falar diria que você é a única.”

Eu deveria ter dirigido a noite toda, ter ultrapassado todos os sinais, eu fui mal entendido”

“E você e eu, apenas pense nisso...”

...

_ Ei, rapaz! – Um velho pescador me cutucava. Pela primeira vez em algum tempo consegui tirar um cochilo decente.

_ Oi?

_ Já são 7:30, anda rápido se você quer recuperar a garota.

_ Pera, como você sabe disso? – Perguntei pasmo.

_ Isso não importa, vai lá e corre atrás do que é seu, garoto.

Levantei as pressas e saí correndo até o aeroporto. Já tinha deixado minhas malas no porta-bagagem então estava tudo tranquilo até agora. Apresentei minha passagem para a aeromoça e sentei no terceiro banco, ao lado de uma loira estranha. Apoiei minha cabeça no encosto e tentei não pensar em nada, pois já estava começando a suar frio. Aviões me dão... Digamos que eu não sou dos maiores fãs, sim, é apenas isso…

_ Você já é um homem feito, Dean. Há muita coisa pior para ter medo do que aviões. – Pronunciou a loira ao lado. Olhei para ela, ah, só o que me faltava.

_ Olha quem está por aqui, não sabia que vadia andavam de avião. – Lilith. Mais uma vez essa vadia do inferno, literalmente.

_ Pois andam. E podem acabar de vez com a vida de uma vadiazinha em coma. – Não me aguentei e a peguei pelo pescoço.

_ Se você encostar um dedo nela...

_ Dean, eu não vou fazer nada com ela. O que era pra ser já foi feito, e dessa vez não é culpa minha de ela ser uma viciada de bosta que vai apodrecer no inferno. – Ela sorria sarcástica, Aaaargh, como eu queria socar aquela cara de vadia.

_ Como assim?

_ Mas esses mortais são burros, puta que pariu. Vou ser bem clara com você, a Valary usou drogas DEMAIS e não há nada que você possa fazer por ela, nada. A vida dela está dependendo daqueles aparelhos e acho bom alguém desligar aquilo logo antes que ela vire um espírito rebelde e realmente apodreça no inferno junto conosco. – Acho que uma facada no estômago teria doido um pouco menos.

_ Eu não acredito em você.

_ É a verdade, Dean, e quanto mais cedo você desligar mais rápido a dor dela vai passar. – Ela deu um ultimo sorrisinho sarcástico e deixou o corpo da garota, que era completamente normal. Ok, agora meu medo de aviões passou, porque realmente naquele momento eu tinha coisa muito pior para ter medo. Aquela coisa lê mentes, manipula a pessoa, trai, mente. Mas e se fosse verdade? E se o espirito dela estivesse sofrendo só na espera que os aparelhos fossem desligados? Ah puta que pariu. E aquilo era culpa minha, se eu não fosse um idiota ciumento quem sabe hoje ela era minha, só minha? Minha mulher. E quem sabe também nós todos juntos pudéssemos ter derrotado aqueles desgraçados? Argh, que merda, como eu me odiava naquele momento. Eu não podia voltar ao passado, aliás, eu não podia fazer mais nada agora.

Ou poderia?

Seria uma total loucura e fraqueza, mas se eu tivesse que pagar esse preço pra ter a minha Valary de volta, nem que seja sem mim, era exatamente isso que eu iria fazer. Eu a amava demais, e não estava brincando quando disse que daria meu coração e minha vida por ela.

Depois de algumas horas com minha mente me torturando, cheguei a Paris. Sim, era tão bonita quanto nas fotos e filmes, talvez até mais. E ficava ainda mais perfeita com aquele clima de fim de tarde com o sol se pondo. Realmente, seria uma viagem linda se eu não estivesse preocupado com tanta coisa. Desembarquei em um aeroporto qualquer e liguei para Sam

_ Fala, Dean.

_ Cheguei. Pode me passar o endereço?

_ Claro. Mas não quer esperar para deixar suas coisas em casa primeiro não?

_ Não. Pode ir falando. Eu já esperei quase um ano, não acha que isso já é tempo demais não?

_ Ok.

Ele me passou o endereço via mensagem e eu peguei o primeiro taxi que achei. A cada segundo que passava eu suava ainda mais frio. E se ela realmente não acordasse? Acendi um cigarro para aliviar um pouco a tensão, apoiei minha cabeça no encosto e tentei relaxar, nem que seja por um segundo.

_ Chegamos. – O motorista parou em frente a um hospital qualquer.

_ Obrigado. – Paguei-o e descarreguei minha mala. E lá estava eu de novo indo salvar a vida de Valary pela milésima vez. Isso me dava um prazer estranho, e ao mesmo tempo medo de que eu não pudesse mais salvar a vida dela.

_ Dean. – Sam apareceu na porta do hospital com os olhos vermelhos e cheios de olheiras, que tentava disfarçar com um sorriso morto no rosto.

_ Sammy, venha cá. – Aproveitei aqueles vinte segundos de coragem que não sei de onde eu tirei e o abracei. – Senti sua falta. – Ok, aquilo foi meio gay, mas eu não iria perder mais ninguém por causa de orgulho, não mesmo.

_ Eu também. Só não me chama de Sammy.

_ Desculpe. Então, eu... Posso vê-la? – Cutuquei minha própria ferida ao tocar no assunto que eu tanto temia.

_ Você não vai gostar muito do que vai ver.

_ Eu sei, estou preparado pra isso desde que você me ligou.

Ele deu um meio sorriso e pediu para uma enfermeira qualquer tratar das minhas malas. Aquelas malas eram o que menos me importavam naquele momento. O caminho até aquele quarto foi frio, ambos evitando tocar no assunto que temiam. Até que chegamos no quarto. Um frio percorreu toda a minha espinha.

_ Olha, Amy e Evan saíram. Quando eles voltarem eu vou mantê-los longe daqui, e vê se não soca a cara daquele Evan, pois ele tá pedindo demais umas porradas. Vou deixar vocês dois sozinhos. Qualquer coisa é só apertar um botão na cama dela que vem um médico correndo. – Em seguida Sam abriu a porta pra mim evitando me olhar nos olhos. Nós dois sabíamos o que me aguardava.

~Dê play na música All These Things I Hate e continue lendo: http://www.youtube.com/watch?v=GUbs9HhqxiQ ~

Entrei e em seguida fechei a porta. Ela estava lá, mórbida. Me aproximei dela, não havia mudado nada. A mesma palidez, os mesmos cabelos negros, um pouco maiores. Eu só queria poder ver se seus olhos ainda continuavam azuis e sua voz continuava a mesma de minha lembrança. Puxei um banco e me sentei do lado dela. Sua respiração estava quase parando, tudo naqueles aparelhos. Ah, que droga. Como eu queria poder voltar há exatamente um ano atrás e fazer tudo de novo.

_ Oi, quanto tempo não é? Bom, faz quase um ano que você tá assim pelo que eu sei e... Eu acho bom você acordar logo por que... Eu cansei de ficar aqui sozinho. Você não faz ideia de quanto eu sinto falta da sua voz, do seu cheiro... – Eu peguei em sua mão fria e deixei um acumulo de sentimentos de alguns meses saírem pelos meus olhos. – Você me fez perceber que esse orgulho não vai levar a nada, eu não consigo ficar sem você, Valary, por favor me perdoa por tudo. – Olhei pra cara dela esperando uma resposta, mas é claro que eu não tive nenhuma. Ela continuava em seu sono profundo, eu preferia chamar assim. –Já pensou que legal se eu continuasse pegando na sua mão e você acordasse agora, igual nos filmes? Me disseram que isso é impossível, mas eles não te conhecem, Valary, você se encaixa no padrão do contrário, você faz tudo errado, já pensou se a gente pudesse esfregar na cara de todo o mundo que estavam errados? – Eu beijei a sua mão, umas cinco vezes seguidas. – Por favor, Valary, para de ser a Valary, por favor, acorda, você está me deixando aqui falando sozinho, você me fez arrancar da Califórnia para vir atrás de você, me perdoa por tudo, eu te amo, por favor, acorda...

Naquela altura do campeonato eu estava me desabando de chorar. Por que logo ela? Eu sei que todos já me falaram que ela não ia acordar, mas eu não conseguia acreditar, eu tinha esperanças ainda. Ela vai acordar.

_ Falando sozinho, meu jovem? – Um médico aparecera na porta do quarto e entrara, me recebendo com um sorriso que de certa forma me confortou um pouco.

_ Ela não vai mesmo acordar? Não tem nenhuma chance?

_ Não. – Ele disse com a cabeça baixa. – Não há nada mais que ninguém possa fazer, ela ingeriu drogas demais, meu jovem. Eu recomendo que você autorize que desligue os aparelhos, só assim ela vai poder descansar em paz.

_ Agora não, eu preciso de um último momento com ela.

_ Ok, vou respeitar seu momento, se precisar você sabe o que fazer.

_ Obrigado.

Ainda tem uma coisa que eu possa fazer. Já disse isso e digo de novo. Eu dou meu coração e minha vida por ela. Levantei e dei um selinho em seus lábios.

_ Eu não vou deixar você ir. Não agora.

Com mais ódio do que nunca, saí daquele quarto e fui escondido para o fundo do hospital. (Nota: Essa parte foi baseada no episódio que John fez um pacto pra salvar a vida do Dean e no episodio que o Dean vende sua alma para salvar o Sam, é eu misturei um pouco dos dois porque eu sou idiota). Depois de ter certeza absoluta que eu estava sozinho e que ninguém havia me seguido, peguei um canivete do meu bolso e fiz um corte profundo na minha mão. Não havia velas nem nada por lá, mas sangue e algumas palavras em latim já eram o suficiente, porque do jeito que eu já estava sendo perseguido...

_ Veniat super nunc tu bastardus.

Senti um cheiro de enxofre. Ótimo, ele estava perto.

_ Com licença rapaz, você não está autorizado a vir nessa parte do hospital. – Um funcionário acabara de entrar lá. Funcionário, sei.

_ Para de gracinha, Azazel.

Ele deu um sorriso e revelou suas faces demoníacas, ou melhor, seus olhos.

_ Menino esperto. Gostei disso. O que você quer?

_ Você sabe muito bem o que eu quero, já que é tão esperto.

_ Agora você chegou onde eu queria. Eu posso fazer sua vadia voltar a vida e ter muitos anos de felicidade, mas você sabe que isso vai ter um alto preço a pagar, sabe... A alma dela vale ouro para nós.

_ O que você quer em troca? A Colt? Se for isso leva embora.

_ Sua arma idiota não seria tão útil nessa altura do campeonato, mas se você trocar o R pelo L quem sabe o negócio não fica interessante?

_ Me dá um mês de vida ao lado dela apenas. Depois você me leva pro inferno pro resto da eternidade, contanto que você deixe ela, Sam e quem eles escolherem passar a eternidade em paz pelo resto da vida. Feito?

_ Winchesters e seus pactos. Seu acordo realmente é muito interessante, Dean. Agora você falou a minha língua.

_ Cala a boca e me responde. Feito ou não?

_ Feito. Mas se você tentar alguma gracinha vão todos apodrecer no inferno junto comigo.

_ Ótimo, você conseguiu o que queria, parabéns.

_ Foi um prazer fazer negócio com você, Dean. – Assim que disse isso ele saiu do corpo do homem, que caiu desmaiado logo em seguida. Eu estava ciente do preço que eu paguei, mas se fosse pra escolher entre mim e as duas pessoas que mais amo no mundo eu escolho a mim. Minha alma é impura, eu mereço isso mais que qualquer um dos dois.

Rasguei um pedaço da minha camisa e enrolei na mão para aparar o sangue. Saí daquele lugar sem nenhum arrependimento e fui até o quarto de Valary. Ela ainda dormia serena e o banquinho estava no mesmo lugar que eu o deixei. Sentei lá e voltei a segurar sua mão.

_ Vai, Valary, por favor, você já me tirou tudo, não vai embora também. Me deixa te sentir pela última vez, por favor, por favor. – Continuei segurando firmemente em sua mão. Cinco minutos depois senti seu polegar apertar levemente minha mão, de tão leve parecia que eu estava tocando em algodão. Será que eu estava delirando? Ou o pacto deu mesmo certo?

_ Dean?

Notas finais
Ah, avisando também que a batalha final está próxima, e consequentemente o fim também está a caminho, maaas depoi da batalha final ainda vai ter umas coisas pra rolar, depois eu vou tirar umas férias indeterminadas e começar a escrever uma fanfic sobre o Avenged Sevenfold no anime spirit