Hunter

27 Forget the past


Notas iniciais
Oi oi oi
Então, queria pedir desculpa pela demora e tal, porque PORRA, minha inspiração vai pra casa do caralho quando eu to mal, disso eu já sabia, mas quando eu tô feliz demais ela vai pra casa do caralho no inferno '-'
É, eu to feliz demais demais demais. Alguns de vocês me tem no facebook, twitter, ou o caralho a quatro e devem saber perfeitamente por que, então porraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, nunca estive tão felizona, mas enfim né, minha viadagem a parte, esse cap ficou ENORME pra compensar vocês minha demora, e eu gostei bastante de escrever essa treta toda, he, então, go go, boa leitura

POV Sam

_ Vou levar todo o mundo pra arrumar a casa e vou passar a noite com Valary. E só pra constar, isso ainda não acabou. – Disse estressado. Como ele pode fazer isso? Tudo bem, tudo bem, Valary não iria acordar e nós seríamos perseguidos a vida inteira, mas daríamos um jeito nisso todos juntos, sem precisar sacrificar a vida de ninguém.

Fui até o hospital e chamei todos para ir para casa, Valary iria ter alta amanhã de manhã e eu iria passar a noite com ela. De um lado eu estava feliz porque tudo isso acabou, mas de outro eu estava atormentado, pensando em um jeito de reverter a burrice de Dean e vingar a morte da nossa mãe de uma vez só.

Deixei todos em casa, evitando trocar qualquer olhar com Dean e voltei para o hospital. Era quase meia noite, se não me engano. Abri a porta e Valary estava virada pro outro canto.

_ Dormiu? – Perguntei baixo.

_ E eu consigo?

_ Passou 11 meses dormindo né, nunca mais vai dormir de novo.

_ Nós dois sabemos que a causa da minha insônia não se chama coma.

_ Valary, Valary... – Me aproximei dela e sentei em um banco. – Olha, eu sei que você ainda deve estar guardando mágoa e não tiro sua razão, mas você precisa perdoar ele.

_ Me dá um motivo, um motivo sequer. – Eu não poderia falar “O” motivo, mais cedo ou mais tarde ela iria descobrir, então que seja mais tarde.

_ Ele deixou o orgulho de lado e arrancou da Califórnia só pra ficar aqui com você, mesmo sabendo que você poderia não acordar.

_ Mas acordei. Então ele perdeu o tempo dele.

_ Valary, para com isso. Tá na cara que você ainda ama ele, ele te ama, então pra que continuar com isso?

_ Eu sei que eu não tenho muita moral pra falar de traição mas ainda dói, Sam, e não vai parar de doer tão cedo.

_ Você prefere culpar ele pelo resto da vida do que perdoá-lo de uma vez e ser feliz? Desculpa irmãzinha, mas eu não consigo entender a lógica disso.

Ela me olhou e abaixou a cabeça. Eu tinha que fazer esses dois ficarem juntos. E se eu não conseguisse livrar Dean do pacto? Esse pouco de tempo que sobrava eles iam ter que parar com essa viadagem e fazer as pazes. Comecei a me arrepender do que eu disse quando Valary começou a chorar. Eu não conseguia vê-la mal, e bom, ela sabe disso.

_ Eu o amo, Sam. Amo muito, que porra, nem disfarçar isso eu consigo. – Acho que finalmente cheguei onde eu queria.

_ Não tem nada de errado disso, meu amor. – Beijei sua testa. – Você só precisa admitir isso. Primeiro para você, depois para ele.

_ Eu não sei mais o que fazer. Ao mesmo tempo que eu quero ele, me vem a cabeça a virada do ano passado e... Eu perco meu chão, Sam.

_ Olha, se você não deixar esse orgulho de lado quem vai sair perdendo é você.

_ Faz um favor pra mim?

_ Faço.

_ Me deixa sozinha, eu preciso pensar, tentar reorganizar minha vida, sabe?

_ Claro, se precisar me chama.

_ Sam.

_ O que?

_ Eu quero voltar pra Califórnia.

_ Nós vamos. Essa semana mesmo. – Disse sorrindo.

Fechei a porta e a deixei sozinha. Iria ser bom ela pensar um pouco, seja lá no que for. Para falar a verdade eu também precisava pensar. Numa coisa muito mais importante do que fazer os dois voltarem, pois querendo ou não esses dois tem uma ligação que vai uni-los de um jeito ou de outro, mais cedo ou mais tarde. Agora eu precisava pensar como livrar Dean daquilo, e não adiantava ele falar que não, ou tentar me impedir. Ninguém ia morrer mais por causa daquele desgraçado. Ninguém.

Saí do hospital e fui em um barzinho quase à frente comprar um cigarros. Sim, eu também. Acho que todo o mundo começou a fumar depois dessa reviravolta. Todos o dias eu saia escondido do hospital e ia fumar em uma praça perto dali com uma vista linda para toda a cidade, segundo Evan foi lá que ele achou Valary drogada, então aquilo me trazia uma paz, talvez tão contraditório que se tornava pacífico. Não fazia sentido, mas era como eu me sentia. Acendi um dos mais fortes que eu tinha e traguei enquanto observava toda a Paris coberta por uma enorme nuvem branca, fria. Eu iria sentir falta daquilo, por incrível que pareça. Mas breve tudo iria ficar melhor.

POV Valary

Paris, 21 de Dezembro

~Dê play em Wish You Were Here e continue lendo: http://www.youtube.com/watch?v=DPL_SV3n7IU ~

Aproveitei aquele momento sozinha para por para for a tudo que eu sentia. Eu o amava e sempre vou amar, isso não é segredo pra ninguém. Mas uma parte de mim, a parte masoquista que eu tanto odiava, ainda guardava mágoa e jogava a culpa pra cima dele. Argh, como eu queria que aquilo tudo só desaparecesse, ou ao menos eu conseguisse conviver bem com aquilo. O que eu precisava era voltar para Huntington Beach e voltar com minha vida, com certeza não iria ser igual, mas eu podia fazer dela melhor ao lado dele. Que porra, por que tudo tem que ser tão confuso?

Com muito esforço me sentei na cama, meus músculos ainda doíam, mas pelo menos eu me sentia muito melhor. Levantei da cama, ainda me sentindo um traste, e me sentei em uma poltrona, que havia algumas malas e bolsas junto, inclusive a minha. Abri e encontrei algumas coisas la dentro. Documentos, alguns dólares, roupas velhas e... É, achei o que eu queria (ou não) encontrar, uma foto minha com Dean, inclusive nesse dia que ele me pediu em casamento e tudo começou.

“Faz cerca de um mês, um homem encontrou uma garota. Essa garota era, e até hoje ainda é, chata, ranzinza, a cada 20 palavras que fala 21 são ofensivas. Era dona de um par de olhos azuis acinzentados que fazia qualquer um perder o chão, um corpo de estontear e lábios grossos e carnudos. Esse homem se encantou pelo jeito dela, talves fosse um masoquista que tinha prazer em ouvir os xingamentos delas, mas eu acho que ele a amava. E essa garota conseguiu o inantingível: ela o mudou. Mudou seu jeito de olhar para a bunda da primeira que passasse, mudou sua falta de paciência, arrancou todo o ódio do seu coração e hoje ele pode dizer que é feliz. Mas ele é feliz porque a ama, e recebeu todas as mudanças que ela o proporcionou de braços abertos. E hoje ele não consegue mais passar um dia sem levar os tapas e beijos dela, sem arrancar um sorriso dela, sem sentir o cheiro dela, enfim. Não consegue sequer respirar sem ela. E hoje essa garota completa 21 anos, e esse cara quer lhe fazer um pedido. Valary Katherine Baker, Val, Katherine, minha Valary. Quer se casar comigo?”

Um sorriso bobo brotou de minha face ao lembrar daquilo, mas logo sumiu quando me veio a cabeça como tudo poderia ter sido diferente. E se eu não fosse tão impulsiva e ciumenta? Talvez hoje eu estava lá, feliz com ele. Mas como sempre eu fiz o imenso favor de estragar tudo.

_ Como você levantou daí? Está bem melhor pelo visto. – O médico entrou sorridente no meu quarto.

_ Fisicamente sim.

_ Só fisicamente? Tem alguma coisa te incomodando, mocinha?

_ Se fosse só uma... – Ri sem humor algum.

_ É aquele rapaz de olho verdes, não é?

_ Olhos, olhos. Por que sempre os olhos?

_ Desculpa, é que os olhos dele são bonitos.

_ É, esse é o problema.

_ Os seus também são. Dariam um belo casal.

_ É claro que daríamos, se a idiota não fizesse o favor de estragar tudo. – Disse jogando seja lá o que eu tinha em mãos na parede do quarto.

_ Calma. Olha, eu não sei o que aconteceu, mas pelo que eu sei de você é muito teimosa, orgulhosa e sempre faz as coisas do seu jeito. Será que esse é o problema, Valary? Porque ele veio da Califórnia pra te ver, mesmo sabendo que você não podia acordar. Então ele já deixou o orgulho de lado, só falta você.

_ Mas ele... – Fui interrompida pelo toque do celular dele, que foi atendido logo em seguida. Pelo eu semblante coisa boa não era.

_ Desculpa, um homem baleado de entrada no hospital. Mas pensa no que eu te falei, minha querida, não vai estragar sua vida por causa de um orgulho bobo.

No fundo ele tinha razão. Sam também tinha razão. Não fazia sentido ficar culpando ele pro resto da vida por causa do meu orgulho idiota ao invés de ser feliz. Quando o sol nascer eu vou tentar falar com ele como adulta, porque sofrer assim não faz mais sentido. É ele, e sempre vai ser ele eu querendo ou não.

...

_Valary, acorda, é hoje. – Sam me balançava animadamente. Eu não me lembrava de ter dormindo, mas o que?

_ É hoje o que? – Perguntei confusa.

_ Alta, Valary. Alta. Vai tomar um banho e trocar de roupa porque eu tenho dó do seu fígado hoje.

_ Opa! – Levantei da cama em um pulo.

_ Vai com calma, mocinha. Você já teve problemas demais com isso, não acha? – Perguntou o médico, sempre simpático.

_ Pode deixar, doutor, responsa. – Disse o abraçando.

_ Cuidado, Valary, e se passar mal de novo estou aqui.

_ Ok, e não vou passar mal, só entrar em coma alcoólico. – Disse rindo.

_ Nem brinca com isso menina, vai lá tomar banho, vai.

~Dê play em Back In Black e continue lendo: http://www.youtube.com/watch?v=BwNCm_hQVnU ~

Saí saltitando igual uma garotinha de cinco anos para o banheiro. Eu nunca estava tão animada em minha vida, pela primeira vez eu tinha a oportunidade de começar do zero, sem nada pra me atrapalhar. Fiquei uns 10 minutos naquele chuveiro, cantando uma música do AC/DC qualquer. Saí de lá e me olhei no espelho, estava MUITO mais magra, se aqueles filhos da puta não tiverem me dado comida direito eu juro que os mato. Mas por outro lado meu cabelo estava enorme, eu sempre quis uma cabelo daquele tamanho, e meus olhos estavam mais azuis. Estava quase a ponto de me sentir a mulher mais linda das redondezas.

_ Cause I’m back, yes I’m back, Well I’m back, yes I’m baaaack, baaaack, well I’m back in black, yes I’m back in black. – Eu cantarolava mais animada do que nunca. Sentia como se tivesse nascido de novo, uma das melhores sensações que eu já tive na vida.

_ Tô pronta povo, espero que meu fígado também esteja. – Disse jogando os cabelos e arqueando a sobrancelha, uma das minha técnicas furadas de sedução.

_ Seu fígado nada que hoje é tudo nosso, vão bora. – Disse Sam me pegando no colo com a mesma delicadeza de sempre.

_ Tchau aí, tio doutor, se eu entrar em coma alcoolico eu juro que te procuro. – Disse eu me despedindo do médico, que balançou a cabeça e sorriu logo em seguida.

_ Ê, Valary, dessa vez você se superou. – Disse Sam colocando as coisas no taxi.

_ Eu quase encontrei a morte que eu estava procurando faz muito tempo.

_ Nem brinca com isso, agora enfia nesse taxi que tá todo mundo te esperando e você e o outro lá tem muita coisa pra se acertar.

_ Sam, é ele e sempre vai ser. Eu vou falar com ele hoje. – Disse transparecendo firmeza, mas acho que nem eu mesma tinha absoluta certeza disso.

_ Até que enfim, não aguentava mais essa viadagem de vocês dois. Vamos? – Disse sorrindo e entrando no taxi.

Finalmente chegamos. Amy esperava Sam na porta, que o recebeu com um beijo assim que o viu.

_ Ah, que dia lindo, não é gente? – Perguntei quando percebi que estavam se exaltando demais.

_ Daqui a pouco chega sua vez, irmãzinha. Vamos entrar? – O que ele quis dizer com isso?

Descarreguei minhas malas e as joguei em qualquer canto. Pelo jeito eles exageraram um pouco. Gente corria por todo o lado, creio que havia até um DJ. Pude reconhecer um bom e velho Metallica em altura razoável. Mais pessoas correndo, umas estavam em escadas pendurando luzes no teto, tinha até um globo de luz colorido enorme.

_ Porra, vocês exageraram um pouco, não acha não?

_ Valary, foi quase um ano sem você pra infernizar nossa vida. – Disse Sam tomando um copo de qualquer coisa. – Não acha que já está na hora de sair do jejum não?

_ Jejum de mim? Ok, vocês me amam. Mas se é inferno que vocês querem é inferno que vai ter, meus amores. – Disse tomando a bebida de Sam

...

Sete horas depois finalmente tudo ficou pronto. A casa de Evan virou, literalmente, uma boate, cheia de luzes, cores, bebidas... Aqueles filhos da mãe que eu tanto amava tinham até contratado um DJ e Garçons! Começaram a chegar pessoas, umas Evan já havia me falado sobre e outras não. Tentei parecer o mais simpática possível e cumprimentei todos. Fui pegar mais uma bebida quando alguém me puxou para um canto. Felizmente, ou infelizmente, não era quem eu esperava.

_ Valary, você vai continuar na festa assim? – Amy me olhava da cabeça aos pés e fez uma cara de reprovação ao reparar em meus shorts surrados.

_ Sim, qual o problema? – Perguntei dando de ombros.

_ Ah, não vai não. Hoje você vai deixar eu te arrumar e sem reclamar.

_ Não, Amy...

_ Valary, olha pra você. Você é linda, imagina um pretão nesses olhos azuis e um vestido nesse corpinho, nota 10.

_ Você não vai fazer isso não, desculpa aí.

_ Por favor. – Ela fez biquinho e cara de choro, meu Deus, ela é tão fofa. Eu podia usar meu poder de hipnose pra fazê-la desistir, mas puta que pariu, que fofura.

_ Vou me arrepender disso mais tarde.

Ela fez umas dancinhas da vitória estranhas que me fez arrepender mais cedo do que eu pensava e subiu comigo para o meu quarto. Me sentei na cama, que ainda tinha meu velho cheiro de cigarros e John dormindo.

_ JOHN? MEU AMOR, O SAM NÃO TE MATOU, QUE SAUDADE DE VOCÊ! – Disse o pegando no colo e o beijando até ele reclamar com um miado estridente.

_ Para de esmagar o gato, Valary. Vamos ver o que você tem aqui. – Disse fuçando minhas malas. – Mas que porra, você só tem camisa de banda e short surrado aqui?

_ Na verdade eu tenho um vestido e um par de saltos que... – Parei de falar ao perceber que tinha cutucado minha própria ferida. Aquelas roupas foram a que Dean tinha me dado no dia que eu fui embora.

_ Que o quê?

_ Nada. – Disse tentando me recompor e dando o sorriso mais forçado que alguém já deu. – Na verdade ele está velho demais, vamos pro seu quarto, você não tem nada pra me emprestar?

_ Na verdade eu tenho um vestido que iria ficar perfeito em você. Vem comigo.

Acompanhei ela até eu quarto, que logo começou a revirar todo seu guarda roupa. Ela era tão engraçada, Sam era um sortudo filho da puta.

_ Achei! – Disse ela por fim tirando um vestido do armário e me mostrando.

(Vestido: http://i00.i.aliimg.com/wsphoto/v1/511168260_1/Freeshipping-red-black-green-purple-corset-skirt-outfit-lace-detachable-adjustable-ribbon-evening-dress-party-dress.jpg )

_ É bonito, gostei. – Disse colocando o vestido na minha frente.

_ Vou arranjar um sapato para isso. – Ela revirou o armário mais uma vez. Reprimi um riso.

_ Esse aqui!

(Sapato: http://2.bp.blogspot.com/-NwEaGlyWr5M/T06S6Mr1fgI/AAAAAAAAABc/sY0ZDmophEs/s1600/abe3.jpg )

_ Ah, mas salto?

_ Cala a boca e troca. Você é linda, mulher, usa isso a seu favor, vai, vai!

Com cara azeda me troquei, eu não me sentia muito confortável com aquele salto, mas quando me olhei no espelho confesso que gostei muito do que vi e isso já foi o suficiente para me convencer.

_ É, Amy, dessa vez você venceu.

_ Há! Eu sempre venço. – Disse convencida. – Agora senta aí que eu vou dar um jeito nessa sua cara de fantasma.

Mal terminou a frase e lá estava ela com trezentos e cinquenta bolsas de maquiagem na mão.

_ Como eu disse, um pretão vai ficar perfeito com seus olhos.

_ Amy...

_ Cala a boca e me deixa fazer.

Torci a cara e lá estava ela passando umas coisas que eu nem sabia que existia no meu rosto. Parecia massa corrida. Depois fiz uma força pra não tossir com aquela quantidade de pó e nem chorar quando ela praticamente enfiou um lápis no meu olho. Depois de 10 minutos de puro sofrimento, quer dizer, de produção, ela soltou meus cabelos e me deu um espelho.

_ E aí?

_ CARALHO! – Quase caí pra tras quando me vi. Eu costumava passar um lápis preto bem forte no meu olho sempre, mas nossa, ela fez um milagre. Eu não estava mais parecendo um fantasma, meu rosto ganhou vida. Agora eu poderia gritar pro mundo que eu estava me sentindo linda.

_ Arrasei, não é? Pode falar que eu deixo.

_ Tá, não estraga.

_ Você tá linda Val, aposto que o Dean vai arrancar as bolas uma por uma ao ver o que ele tá perdendo.

_ Amy!

_ Tá, tá, foi mal. Agora desce e arrasa.

Ri e desci as escadas, havia bem mais gente que quando eu cheguei e a música tocava animada. (Música: http://www.youtube.com/watch?v=vdvHsMqI6o0 ) Sam estava dançando em um canto qualquer, com certeza bebeu. Parou com o mico e veio até mim quando me viu.

_ Nossa senhora, Valary, que isso. Tá se amando?

_ É, e isso faz um bem danado. Disse pegando uma taça de vodka.

_ Você também está linda demais. – Disse puxando Amy pela cintura e a beijando. Como sempre eu ia ficar de vela, que lindo. Fui para mais perto do DJ ouvir a música, que por sinal era muito boa.

_ Everything is paid for tonight while at the party of the dead dancing in their graves. The drinks here are free so relax, enjoy the sight of all the dead dancing in their graves. –Estava no volume máximo, e todos dançavam animadamente, então por que não?

Ok, eu não fazia a mínima idéia de como fazer aquilo, então simplesmente me deixei levar pela música e pela vodka em minhas mãos, quando me senti desconfortável por perceber que um par de olhos verdes me observava.

Cada movimento que eu fazia, cada olhar, cada toque, ele acompanhava sedento com seus olhos, que brilhavam como duas esmeraldas. Meu desconforto aumentou e eu parei de dançar, indo até o banheiro. Eu não sei o que ele fazia, já que quem tinha o poder de hipnose era eu, mas eu me sentia extremamente desconfortável quando ele me encarava daquele jeito. Será que eu estava ficando louca?

Bah, vamos lá, Valary. Você precisa é de respirar um pouco de ar puro. Arrumei meu cabelo, fechei os olhos e respirei fundo. Me senti um pouco mais calma e saí daquele cubículo que alguns chamavam de banheiro e saí pela porta dos fundos até o jardim, ah, como eu precisava daquilo.

Senti um calafrio e por um momento senti falta do aquecedor dentro daquela casa. Mas tudo bem, o frio me ajudava a relaxar. Sentei-me em um toco de arvore ali perto e comecei a observar aquele pequeno jardim que me cercava. Aquele cheiro de flor à meia noite, por mais durona que eu seja, confesso que me fazia um bem danado.

_ Valary! – Essa não. Me virei e ele estava lá. Sim, ele.

_ Dean, olá, como vai? Bem? Ah que ótimo, eu já estava de saída. – Disse sorrindo

amarela e saindo, ou melhor, tentando sair dali.

_ Não. – Disse ele me pegando pelo braço. – Você não vai mais fugir de mim. A gente precisa conversar como dois adultos.

_ Outra hora, Dean, combinei com Amy de...

_ Um ano, Valary. Não foi um dia, uma semana, um mês... Foi um ano! Você não acha que isso é tempo o suficiente não?

_ Tudo bem. – Respirei fundo. Uma hora isso ia acontecer mesmo, então é melhor que aconteça de uma vez. – Vai, fala.

_ Eu te amo, moça. Eu preparei horas de discurso enquanto você estava naquela cama, mas agora é a única coisa que me veio a cabeça.

_ Você...

_ Não interessa o passado, Valary. – Disse ele parecendo ler meus pensamentos – Eu errei, eu sei disso. Mas por favor, é a única coisa que te peço. Não sei você, mas eu quero tentar de novo, realmente. Por favor. – Disse pegando em minhas mãos.

_ Dean, por mais que eu te ame, por mais que eu te queira, e acredite, eu quero, eu não sei se vou conseguir perdoar isso.

_ Todos cometem erros, Valary. Todos. – Disse passando seu semblante para sério.

_ Como assim?

_ Como assim? Não se faça de idiota, você acha que eu não sei de você e Sam? E eu

estou disposto a te perdoar por isso.

_ Me perdoar? Eu estava bêbada Dean, ele também. – Eu sei que álcool não podia justificar, mas a última coisa que eu queria agora era sair como culpada na história.

_ E desde quando álcool justifica alguma coisa? Para de se fazer de santa, para. Você não é. Ninguém aqui é, todos cometem erros. E eu te amo porra, te amo pra caralho, a única coisa que eu te peço é pra esquecer isso e recomeçar do zero.

_ Me ama? Tem certeza? Dean, eu sei que eu não sou nem um pouco santa, mas eu bebi. Ok, não é desculpa, mas até aí seu ciúme idiota também não é, muito pelo contrario. Então por que você não vai iludir a pu...

_ Tem certeza que não, Valary. – Nesse momento estavam todos alterados e não duvido nada que nosso gritos possam ser ouvidos da festa. – Eu arranquei daquela cidade do inferno pra te ver quando soube, mesmo sabendo que você não poderia acordar.

_ Se você fosse tão esperto assim não teria me deixado ir embora e nada disso teria acontecido.

_ Cala a boca que eu ainda não terminei. Eu cheguei lá e fiquei lá conversando com você igual um IDIOTA, mesmo sabendo que você não poderia me ouvir. E se não fosse por mim você estava lá até agora.

_ Uh, desculpa, me esqueci que sua presença faz as pessoas reviverem, não é, Senhor Bonzão?

_ PRESTA ATENÇÃO EM MIM! – Disse derrubando um vaso que estava lá perto. Confesso que cheguei a sentir medo. – Eu fiquei lá, sozinho, Valary. — A cada passo que ele dava pra frente eu dava pra trás, até que ele conseguiu me encurralar em uma parede. – Eu sabia perfeitamente que você não podia acordar, ouvi isso dos médicos. E O QUE EU FIZ? – Disse dando um soco na parede do meu lado. – Eu vendi a minha alma, Valary. Vendi a minha alma em troca da sua paz eterna. E POR QUE EU FIZ ISSO? Ah, porque eu sou um idiota, que só quer te iludir. – Confesso que uma facada teria doído menos.

_ Você não fez isso... – Senti meus olhos marejarem.

_ Sim, eu fiz. E agora eu tento conversar com você como um adulto pra ver se podemos ficar em paz pelo menos pelo resto de tempo que eu tenho, e a única coisa que você sabe fazer é ficar batendo na mesma tecla. As pessoas erram, Valary. Erram, se arrependem e mudam. Mas se você não é capaz de reconhecer isso, eu lamento por você. Eu tenho pena de você, Valary. PENA.

_ Parou! – Amy e Sam chegaram, provavelmente atraídos pelos gritos. afastando Dean de mim.

_ O que aconteceu aqui? – Quis saber Sam ao ver minha cara amedrontada.

_ Nada, Sam. Nada mesmo. – Dean respondeu ríspido e saiu. Provavelmente não volta hoje. Senti meus joelhos ficarem bambos e caí aos prantos no chão frio.

_ O que aconteceu, meu amor? – Amy se abaixou do meu lado e me abraçou. Aquilo quase chegou perto de me confortar.

_ Sam.. É verdade? – Olhei em seus olhos temendo o que viria a seguir.

_ É verdade, Valary. – Respondeu cabisbaixo.

_ NÃO! – Se eu estava chorando antes, foi agora mesmo que eu desabei. – Eu sou uma idiota, ele devia ter me deixado ir! PORRAAAAAAAA!

_ Calma, Valary, vamos lá pra dentro, descanse, minha querida. Sam, me ajuda aqui.

_ Senti um par de braços fortes me carregando e me levando pra um lugar qualquer. Em seguida senti algo macio em baixo de mim. Estava na minha cama, com certeza.

_ Você quer que eu fique aqui? – Amy acariciava meus cabelos, levando embora um pouco da minha dor.

_ Não, acho que preciso ficar um pouco sozinha.

_ Tudo bem, se precisar...

_ Eu sei.

_ Tudo bem. E só pra avisar, nós voltamos para a Califórnia amanhã. Você vem com a gente?

_ Vou.

_ Então está bem. – Ouvi passos até a porta e em seguida ela se fechando. Agora sim eu podia ficar lá pensando no quanto eu sou idiota, o quando eu precisava morrer. Arrrrrgh, que merda, por que tudo tinha que ser assim? E a porra da culpa é toda minha.

_ Miau! – Senti uma lambidinha na minha orelha esquerda depois um miado. John.

_ Oi, menino. – Disse afagando sua cabecinha de leve. – A mamãe não ta muito bem agora, você vai ficar sem mamãe porque ela vai se matar. Sua mamãe é uma idiota. – Ele se deitou do meu lado e eu fiquei lá afagando seu pelo macio pensando em um modo de consertar as coisas, mesmo sabendo que nada iria ser como antes. Eu ia ficar o resto de tempo que lhe restava com ele, pelo que eu conheço Sam ele já deve estar pensando em algo, mas caso não desse certo (e se desse também) eu ia ficar o resto da minha vida ao lado dele. Sempre. Porque eu já falei isso umas vinte vezes, e se precisar repito mais vinte todos os dias.

É ele. E sempre vai ser ele.

Notas finais
Nem vou pedir reviews dessa vez porque eu sei que eu demorei, [indireta] mas se quiserem fazer esse imenso favor né [/indireta]