Mais um, talvez o último, caso encerrado na NYPD. Ela já tinha as respostas às perguntas que surgiram após o convite para trabalhar no FBI.

Ligou para Castle:

– Castle.

–Sou eu

–Nós precisamos conversar.

– É precisamos.

Encontraríamos-nos no mesmo balanço em que conversamos quando retornei à policia há cerca de dois anos. Há um ano, quando estava naquele lugar decidi ir a casa dele, e iniciamos nosso relacionamento.

Ele parecia chateado ao telefone. Evitou contato desde que descobriu minha entrevista em Washington. Nossa conversa não será nada fácil... a única pergunta que permanecia sem resposta era: “How many years of your own life are you gonna sacrifice for someone else’s future?”

–Sinto muito. Eu não deveria ter guardado segredos.

–É quem você é. Você não deixa as pessoas se aproximarem. Eu tive que arranhar e rasgar por cada centímetro.

Ele estava certo, é quem eu sou.

–Castle...

–Por favor, deixe-me terminar.

–Tenho pensando muito sobre nós.

–Sobre nossa relação, o que temos.

–Para onde estamos indo.

–Decidi que quero mais.

–Nós dois merecemos mais.

–Concordo.

E eu estava certa, ele vai terminar. Eu só preciso respirar, não vou chorar.

–Então, o que quer que aconteça...qualquer que seja a sua decisão...Katherine Houghton Beckett...quer se casar comigo?


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Alguns anos antes...



Faltava apenas um capitulo para terminar o último livro da minha série favorita nos últimos anos. Já sabia que Derrick Storm morreria, mas não deixaria de ler o último livro só porque Lanie, em um momento de perversidade, quis estragar o final para mim.


Não dá para negar que fiquei com raiva do autor da série. Quem Richard Castle pensa que é para estragar o final do MEU livro, e matar meu personagem favorito! Tudo bem, ele é o criador do personagem, mas em qualquer tipo de série os personagens deixam pertencer só ao seu criador, pertencem um pouco também ao impotente público também. Ele devia ter pensado nisto! Quem vai ler seu próximo livro depois de uma decepção dessas?


Eu lerei! Não consigo me manter longe dos livros do Castle.



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Algumas horas após ler novamente o primeiro livro de Derrick Storm, recebi uma ligação informando a existência de um novo assassinato.



O crime aconteceu no apartamento de Allison Tisdale, 24 anos, assistente social. A vitima foi morta por dois tiros no peito, teve o corpo coberto por pétalas de rosa e dois girassóis posicionados nos olhos. Incrível Lanie não ter percebido que a cena do crime copiava, quase com perfeição a de ‘Flowers for Your Grave’. Talvez ela não tenha lido este livro.


O próximo passo na investigação é entrar em contato com o escritor Richard Castle. Vou me controlar, não surtarei como as fãs! Pode ser uma oportunidade para torturá-lo pelo final feliz de Derrick Storm.

Este rápido pensamento logo foi substituído pelo da profissional que respeitava a memória dos mortos. Devido à perda da mãe em um crime ainda não solucionado, e em sua percepção NUNCA arquivado, ela podia se colocar no lugar dos familiares e, muitas vezes, no da própria vitima. E certamente não comprometeria a memória de Allison Tisdale por conta de um livro com um final péssimo.



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Teve uma noite/dia longo. Interrogou Richard Castle. Uma experiência no mínimo interessante. Tentei esconder que era fã, sem sucesso. A cada duas frases dele, uma tinha um significado dúbio ou um elogio — alias, foi pura força de vontade o que a fez manter os olhos abertos sem piscar nem desviar a cabeça quando ele elogiou seus olhos; a pior parte é que tinha gostado disto. Beckett controle-se! Ele já desfilou com mais da metade das mulheres de NY. Você é, provavelmente, apenas a mais nova candidata à namorada relâmpago de Rick Castle. Além disso, ele pedir fotos da cena do crime para mostra no jogo com os amigos, INACEITÁVEL!



O interrogatório de Castle não ajudou. Ele provavelmente não era o culpado. A única coisa positiva do interrogatório foi conseguir acesso às correspondências dos fãs para o autor. Descobriu um outro assassinato inspirado nos livros de Castle. Como até agora a única ligação entre os dois crimes eram os livros, possivelmente investigar os fãs traria alguma resposta.



Sem dúvida, o pior acontecimento do dia era saber que seria obrigada a trabalhar com castle como consultor do caso. E suportar toda aquela coisa da ‘importância da estória/história’ ! Este fato adicionou mais um problema à sua vida (nada muito importante, mas só ajuda a ampliar a implicância com o escritor): se não podia ler seus livros, como relaxar quando chegava em casa?

Encontraram a carta de um suspeito. E Castle, mais uma vez Castle, furou a fila para encontrar uma correspondência para as digitais. Foi chamada a mais uma cena de crime, cometido pelo mesmo assassino dos anteriores. Ele consegue o inacreditável, ser ainda mais irritante do que nos outros momentos. Simplesmente irritante quando estava na cena do crime e durante a captura do suspeito. (não sei por que ainda o classifico como suspeito)

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“You have no idea!” OMG, ela realmente tinha falado aquilo para ele?!



Rick Castle ajudou a resolver o caso de Allison Tisdale, tinha que admitir (apenas para si mesma é claro). O problema de Castle é caminhar por linhas irritantes , pelo menos para ela, enquanto tenta solucionar o crime. Agora teria que aturar a presença dele no trabalho por algum tempo, esperava que fosse o mínimo possível. Pelo menos seria agradável olhar para ele todos os dias, impossível negar... Ele é bonito.


“You have no idea!”, adormeceu com esta frase na cabeça, mal sabia ela, que esta seria a frase definidora da sua vida pelos próximos quatro anos.