How Do You Say I Love You?
11 Oahu, part 1
Notas iniciais
“Cause even the stars they burn!
Some even fall to the earth! …” Levei as mãos ao rosto desci pelos cabelos molhados, fechei o registro do chuveiro. “We’ve got a lot to learn!” Cantando a plenos pulmões “I Won’t Give Up, Jason Mraz” .
Penteei o cabelo deixando-o secar naturalmente, solto, caindo sobre meu vestido de alças e tecido fino branco com estampas de rosas vermelhas vintage.
- Aloha kakahiaka!
- Serviço de quarto?
- Sim, pois não?
Tomei meu café da manhã na sacada, comtemplando o oceano pacífico de um azul-piscina dançar com os ventos matinais. Banhava-me a dourada luz do sol, ainda tímido ás 8h30min am. Inspirei o ar quente aproximando-me do parapeito, debrucei-me. Olhei ao longe, ao sul montanhas tropicais, sombras verdes nos bastidores comtemplando imponente a cidade abaixo. Do alto vi as ruas, avenidas e mais distante estradas longas serpenteadas por palmeiras. Cruzamentos, dando na rua em frente ao Aston Waikiki Beach Hotel, segui pela calçada… (!)
Um Hyundai Gênesis vermelho-vivo estacionado do outro lado da rua!
Meu coração capotou em minha caixa torácica. Comecei a varrer a rua com o olhar procurando por ele. Percebi que minhas mãos seguravam com mais força que o necessário as barras de ferro. Não havia ninguém encostado no carro. Nem próximo. Debrucei-me um pouco mais, tentando enxergar a escadaria do hotel. Nada. Turistas iam e viam, usando camisas aloha e chapéus de variados estilos. Mas eu o reconheceria. Recuei um pouco o peso do corpo e olhei de novo para o carro vermelho. Aos poucos o vidro fumê desceu, a janela se abriu. Peter olhava para cima, para mim. Ele tirou os óculos e sorriu. Meu coração bateu mais forte. Mesmo dali de cima tinha esse efeito sobre mim. Fiquei tonta e dei um passo atrás, temendo despencar lá embaixo. Fitamo-nos alguns segundos. Sorri e sai dali, peguei minha bolça e desci.
A porta do Gênesis abriu, Peter encostou lateral do carro esperando minha aproximação, eu descia a escadaria de pedras do hotel.
- Hey, Peter! Aloha kakahiaka!
Ele sorriu, seus olhos meia-lua.
- Hmm, fala isso de novo? Pegou em minhas mãos, nossos corpos levemente encostados.
- Aloha kakahiaka? Ele mirou em meus lábios enquanto eu repetia.
- Mas… Que… Coisa… Deliciosa… Disse entre selinhos.
Meu coração sentiu cócegas.
Peter segurou minha mão e acompanhou-me á porta do passageiro. Pôs-me contra o carro e disse: “Me promete uma coisa?” Seu olhar era calmo e profundo. “Sim, oque?” Disse curiosa. “Nunca mais se debruce daquele jeito em cima de uma sacada de 60 metros de altura.” Ergui as sobrancelhas e sorri envergonhada. “Nem é tão alto assim.” Dei de ombros. Ele apertou os olhos em fendas, um sorriso torto nos lábios. “Tá, prometo.” “ Melhor assim.” Ele abriu seu sorriso perfeito. Abriu a porta para mim, entrei e observei-o dar a volta pela frente.
Peter ligou o carro e fez a curva na esquina, percorremos a estrada no litoral. A praia passando por nós em alta velocidade.
- Quais praias você já conheceu?
- Ah Peter,! agora você me pegou. – Ele olhava de relance para mim e para a estrada — Kane, Ala Moana, Mahina… Aquela perto do Mau Umae Nature Park…
- Você realmente precisa de um guia. Um sorriso leve esticou seus lábios.
- Hm, ok guia. Aonde vai me levar hoje?
Ele virou para mim ainda sorrindo levemente, uma carinha sapeca. — Surpresa. Disse apenas, em tom enigmático. E virou para frente.
- Ah surpresa? – Disse decepcionada.
- Hum rum.
- É uma praia?
- Hm, não vou contar.
-Nem uma pistazinha? — Insisti.
- Nem uma pistazinha. – Ele deu uma risadinha. Com certeza estava se divertindo com aquilo.
- Ok, vou ficar ansiosa a viajem toda.
- Não vai, não. Hoje você tem que se divertir. Vamos ouvir uma música? Ele esticou o braço e ligou o som no painel.
“Now all my super ladies
I got my baby, if you got your baby, baby
Move your body, move your body
Dance for your papi
Rock your body, rock your body,
Dance for your papi
Put your hands up in the air
Dance for your man if you care
Put your hands up in the air, air, air, ohohohohoh!”
Entreolhamo-nos, ele sorriu, não pude resistir, retribuindo seu sorriso comecei a cantar. Mal ouvindo minha própria voz. Percorremos estradas serpenteadas por palmeiras imensas, o sol mais forte, fulgia no céu azul perfeito. Peter tamborilava no volante sorrindo e cantando baixinho, eu só via o movimentos de seus lábios.
Passado uns 25 minutos eu abaixei um pouco o volume do som, deixando como fundo sonoro. Peguei encima do painel uma fotografia com aspecto antigo e desgastado que me chamou a atenção. Uma criança caracterizada de Elvis Presley com microfone na mão, em uma pose estranha, provavelmente dançando. Os olhos meia-lua, puxadinhos. O topete e a cor da pele… Sorri admirando a foto em minhas mãos.
- Quantos anos você tinha aqui?
- Você achou isso ai é? – Ele sorriu — Seis anos. Eu costumava fazer covers do Elvis na infância.
- Ah, muito fofo Peter. Que bochechões.
- Haha, obrigado!
- Então desde pequeno você canta…
- É, minha família toda trabalha com música. Quando o lance do Elvis acabou eu passei a cantar em hotéis daqui com minha família.
- Eu gostaria de assistir um show seu. – Sorri.
Peter retribuiu o sorriso, lábios fechados, as covinhas fofas nas bochechas, aquele ar de menino outra vez. Porém com certo ar evasivo, ele desviou o olhar para a estrada, e depois voltou a olhar para mim com a expressão de insegurança. O que não entendi. Então ele disse: — Você verá.
Sorri e voltei a mirar a fotografia, pousei as mãos no colo e observei a estrada passar por nós. O litoral por todos os lados, vegetação tropical. Uma placa verde escuro com letras brancas anunciando “Welcome to Oahu” fez-me pular no banco, bati a cabeça com tudo no teto do carro.
- Au! – Gemi subitamente tonta.
- Oque foi? Você tá bem? – Seu tom era urgente.
Massageando o cocuruto soltei uma risada.
- Oque foi? – Percebi o quanto gostava de como ele pergunta isso.
- Vamos a Oahu? – Meus olhos cintilavam de animação. Peter deu um risinho e fez que sim.
- Peter! – Eu estava maravilhada.
Oahu ou O’ahu em havaiano é uma das ilhas do arquipélago do Hawaii. A ilha é totalmente ocupada pelo condado de Honolulu, onde se localiza a capital e maior cidade do Hawaii, que fica ao sul da ilha. A região é conhecida como North Shore, onde se encontra as principais praias do arquipélago, entre elas a praia Pipeline e a Baía de Waimea, dois dos pontos mais procurados pelos amantes do surf para viverem fortes emoções.
- Sabia que ia gostar. Ele deu seu sorriso torto perfeito.
Seguimos mais alguns quilômetros antes de entrar em uma trilha. Peter estacionou em frente a um resort “Paradise Oahu”.
…
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