Notas iniciais
Perdoem-me pela demora. Espero que gostem, mandem comentários.

O silencio do quarto foi rompido pelo toque do interfone. Pousei o rímel na pia de mármore do banheiro e fui apressada atende-lo.

- Alô?

- Senhorita Jasmin? É da recepção, tem visita para a senhorita…

- Pode deixar subir. – Interrompi-o.

- Sim. — Desligou. Devolvi o fone ao gancho, de volta a frente do espelho passei a quarta camada de rímel para terminar a maquiagem, composta por blush pêssego, iluminador nas pálpebras superiores e batom rosa queimado. Meus cabelos ruivos em um coque folgado, alguns cachos caindo na nuca elegantemente. O vestido azul-marinho caiu perfeitamente, como presumi. Os tons de azul-marinho é uma de minhas cores favoritas.

Em poucos minutos ouvi a batida na porta, meu coração acelerou, respirei fundo, peguei a bolsa e fui atender a porta. Ah, ele chegou! Ao abri-la fiquei encantada com oque vi. Parado na soleira vestido de calça social preta, blusa social rosa claro com as mangas dobradas até os cotovelos. Os dois últimos botões abertos dando um vislumbre de seu peito moreno, uma fina corrente de ouro pendendo de seu pescoço. Peter me sorria, com uma mão no bolço da calça e outra escondida atrás das costas. Seus cabelos escovados penteados em um topete protuberante, completamente sexy! Que homem gostoso!

- Boa noite. Sua voz ressonante soou doce e cruelmente sedutora.

- Boa noite. Sorri sedutora também, tentando por tudo não derreter.

- Para você. Peter estendeu sua mão oferecendo-me uma rosa vermelha. O porquê de sua mão escondida às costas. Que gentil! Incrédula e encantada peguei a rosa e cheirei-a de leve, sorrindo, fitando-o nos olhos.

- Mahalo. Agradeci. Sorrindo, ele estendeu-me o braço, segurei-o e seguimos para fora do hotel.

- Você é linda. Está deslumbrante. Peter disse baixinho quando abriu a porta do seu sedã negro segurando minha mão enquanto eu descia do carro. Olhei em seu rosto, trocamos um sorriso doce.

Aguardei uns segundos enquanto Peter entregava as chaves ao manobrista, olhei ao redor, o local muito bem iluminado tinha a entrada com uma escadaria de mármore âmbar, as portas de vidro com molduras de madeira. No enorme jardim ladeando a entrada, pontos iluminados com luzes verdes realçando a grama. Um enorme “Kanaloa” em fonte elegante brilhava acima da fachada do prédio.

De braços dados nos dirigimos a nossa mesa, em um ambiente mais reservado no salão elegante. Peter me fez sugestões de pratos, trocamos preferencias por vinhos, conversamos sobre livros; os inúmeros que eu já li e os musicais que ele conhecia muito bem. “Eu não penso em outra coisa quando me perguntam qual é o meu sonho. Estar com quem amo, a beira-mar, ouvindo as ondas, assistindo ao pôr-do-sol. O simples para mim é perfeito.” Respondi quando Peter mencionou a minha paixão pelo hawaii, enquanto conversamos sobre nossos sonhos. Peter, por sua vez disse: “ Eu só quero cantar, sai por ai fazendo minha música e me divertindo com meus amigos que fazem parte dessa jornada.” Ah, como eu viajei nos movimentos de seus lábios ao falar, e como ele me fitou durante toda a noite, parecia poder ver através de mim. Fora uma noite num todo muito agradável, divertida.

O sedã negro estacionou a poucos metros da frente do Aston Waikiki Beach Hotel, na penumbra. Peter desceu do carro, deu a volta pela frente e abriu a porta para mim. Segurando sua mão, subi o degrau da calçada, de pé ao seu lado. Ele encostou-se de costas no carro, virei-me agora de frente para ele me perguntando oque era aquela sensação gostosa de borboletas no estomago que eu estava sentindo. Deixei minha mão deslizar da sua e segurei a bolsa carteira com ambas as mãos.

- Obrigada pela noite de hoje. Sua companhia é maravilhosa. Pude ver seus dentes faiscarem em um sorriso á meia-luz.

- Eu que agradeço, você é muito gentil. Sorri querendo dizer mais, não sabia oque, mas eu queria fazer algo mais.

Peter fitou-me daquele jeito novamente, como se visse através de mim. Enrubesci e sorri sentindo-me agora boba. Por que ele faz isso? É intencional! Esse olhar!

- Aloha ahiahi… ( Boa noite) Eu disse sem saber mais oque dizer, dando um passo a frente. Senti o toque quente e macio de sua mão na minha, segurando-a, impedindo-me de ir embora repentinamente. Olhei em seus olhos, a respiração um pouco mais rápida agora. Peter desencostou-se do carro dando um passo a frente, sustentando meu olhar. Dei mais um passo, agora muito perto, a respiração muito mais rápida agora. Com a mão livre Peter acariciou minha bochecha, não pude evitar fechar os olhos sentindo o seu toque. Ele mirou meus lábios, olhando-os com desejo, segurou meu queixo aproximando-se cruelmente devagar… Seus lábios quentes e húmidos colaram nos meus, suavemente, sem pressa deslizaram em uma dança elegante. De repente tudo ao nosso redor deixou de existir, o chão sumiu sob meus pés. Sem pressa nos beijamos intensa e longamente, quando nossos lábios por fim se separaram, se demoraram a reorganizarem-se, os meus pensamentos, a noção do tempo e espaço. Abri os olhos lentamente, e o vi sorrir, suas covinhas nas bochechas. Olhando-me nos olhos ele sussurrou:

- Aloha ahiahi.

Incapaz de dizer qualquer coisa sorri bobamente, ainda mole. Dei uma leve apertadela em sua mão, soltei-a, dei um passo atrás e virei-me em direção a entrada do hotel.

Notas finais
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