Notas iniciais
"O comportamento incomumente cavalheiro com que ele se portou... Esse Peter é de outro mundo! "

Em meus sonhos uma voz conhecida envolveu o ambiente difuso de meu sono, de repente abri os olhos e uma claridade ofuscante cegou-me por instantes. Acordei com o som tocando ao que parecia no ultimo volume, alguma música do Elvis Presley. Confusa, levantei, fui de encontro à varanda, o som vinha de lá. Eu vestia apenas uma camisola preta de tecido leve.

- Nina? – Cocei a cabeça, entrelaçando meus dedos nos cachos embaraçados. – Nina! Hey! O que tá fazendo aqui? – Quase gritei, pois além da música, ela cantava e dançava distraída na sacada da minha suíte. Como ela entrou aqui?

- Ool! Aloha kakahiaka! (Bom dia) Ela girou nos calcanhares virando de frente para mim, abaixou o volume do rádio portátil que jazia encima de uma das cadeiras de jardim. A mesa posta, jarra de suco alaranjado, frutas, torradas e geleias.

- Aloha… Mas como é que você entrou? Me assustou sua maluca! Nina estendeu as mãos em sinal de paz e balançou os ombros. Eu ri, era difícil ficar de mau humor ao lado dela.

- Tenho minhas táticas. Ok, haha! Você deixou a porta aberta. – Arregalei os olhos. – Bati, você não atendeu, ai quando eu tava indo embora reparei no meu cadarço desamarrado, enfiei ele dentro do tênis, apoiando na maçaneta. Que estava aberta…

- Entendi! Eu disse rindo, meu estomago roncando. – Nossa! Que café da manhã caprichado! Mahalo! – Peguei uma torrada e enfiei na boca de uma só vez.

A luz que me cegara vinha da claridade do sol. Que hoje, estava ofuscante, fúlgido no céu perfeitamente azul. A temperatura alta, pedindo uma praia. Mesmo de cima da sacada do hotel, no vigésimo terceiro andar era possível ouvir o burburinho de vozes, músicas e o som do tráfego lá embaixo, sem falar no som do mar tão próximo que eu podia sentir o cheiro da água salgada. Um dia alegre, lindo, perfeito. Que combinava impecavelmente com o meu humor. Sorri sentindo-me leve, observando a cidade de Waikiki. Recordando…

- Hmm, a noite foi boa! – Nina riu enquanto me servia um copo de suco.

- Ah, é! – Girei na cadeira, ela estava sentada, me olhando com um sorriso esperando uma narração da noite anterior. – Maravilhosa. Sorri, repondo meus pensamentos no presente.

- Aonde ele te levou? – Indagou debruçando-se sobre a mesa com interesse.

- Fomos ao Kanaloa. – Um cole no suco. – Oque é isso? Tossi.

- Suco de morango com laranja.

- Nina, isso tem álcool.

- Ah! Desculpe, esse é o meu. Esse é o seu. – Destrocou os copos.

- Nossa… – Bebi meu suco, que por sinal tinha o sabor muito gostoso apesar da impensável combinação. – Então eu sorri. – Bom, o jantar foi maravilhoso, amiga ele é tão agradável. E o jeito que ele fala, olhando sempre nos olhos de um jeito tão… os lábios dele, aah! Soltei uma gargalhada. Nina riu de mim.

- Cara, pra quem não queria ficar ‘muito empolgada’. E parece que não é a única. Um jantar no Kanaloa não é pra qualquer um não. Ele deve ser muito chique né amiga? Como que ele é?

- É o restaurante é bem requintado. Hm. – Pensei em como descrevê-lo. – Ele tem a pele morena, como a sua, os olhos meia-lua, castanhos. Um pouco mais baixo que eu.

- Mais baixo que você? Você não é muito alta amiga.

Apertei os olhos em fendas e uni as sobrancelhas. – Ele é lindo, aquelas costas largas, o sorriso, as covinhas, a voz dele Nina, cara! Ele me deixa louca amiga!

Nina ouviu empolgada sobre a rosa, a gentileza incomum, o beijo.

- Ah, por isso que você tá toda derretida. O cara é um Don Juan. Haha!

- Eu não estou toda derretida! – Esganicei. Nina lançou-me um olhar cético.

Pensando bem, me encantaram muito as atitudes dele em nosso encontro. Deveria ser normal, mas o comportamento incomumente cavalheiro com que ele se portou é típico apenas aos antigos, não aos homens de hoje. Abrir a porta, auxiliar a descer do carro, de escadas. Oferecer uma rosa, do jeito que ele ofereceu. Esse Peter é de outro mundo! E seu sorriso com covinhas que me faz derreter, seus olhos tão profundos. Passaram-se segundos enquanto eu refletia.

- E quando vai ser o próximo encontro? Despertou-me Nina de meus devaneios.

- Espero que logo, trocamos contato. Vamos ver se ele vai me ligar.

- Por que você não liga?

Será?

Levei a unha do indicador à boca, as sobrancelhas erguidas.

- Você acha que eu devo ligar? Não quero pressionar…

- Por que não? Você gostou não foi? Eu ligaria.

Bateu-me um nervoso, falar com ele depois daquele beijo, eu mal consegui me despedir na hora.

Será que eu ligo?

Continua*

Notas finais
Mandem comentários, pleas! Visite-me no blog onde escrevo a fic : http://bruno-iwroteourstory.tumblr.com/
Grande Honi.