How Do You Say I Love You?
4 Mahina Beach
Notas iniciais
Peter, Peter Hernandez."
O meu quarto era grande, as paredes marfim. Uma cama grande ladeada por uma penteadeira e um criado mudo. O guarda roupa a esquerda. À direita a parede toda de vidro com uma porta saindo na varanda. Duas espreguiçadeiras brancas, padrão do hotel como pude perceber. Havia também uma mesa com duas cadeiras brancas. A vista para a praia e parte da cidade. O banheiro também não deixou a desejar, com uma banheira, hidro. O ambiente claro e elegante me agradou.
– Quer ajuda para desfazer as malas? – Perguntou-me Nina quando terminei de conhecer o local.
– Com certeza! – Disse aliviada.
Arrumei minhas roupas no armário com a ajuda de Nina. Durante a tarefa não falamos muito. A não ser pelos comentários e perguntas, elogios que ela fizera de meu estilo. Quando faltava apenas uma mala a ser desfeita, Nina me dispensou.
– Vá tomar um banho amiga, descanse um pouco. Deixa que eu termine de arrumar aqui.
– Tudo bem – Aceitei, pois realmente eu precisava descansar por uns minutos.
Fui até a varanda, debrucei-me sobre o parapeito e fiquei boquiaberta com o que vi. A paisagem enchendo meus olhos. O alaranjado dançante das nuvens com a brisa, o sol escondendo-se preguiçoso. O Oceano Pacífico imenso, elegante e imponente. A praia ainda cheia e ao longe a vegetação tropical, coqueiros e palmeiras. Carros parecendo tão pequenos, as luzes da cidade começando a se acender. O crepúsculo mais lindo que eu já vira.
Enquanto tomava banho percebi o quanto ainda estava incrédula, eu não poderia ficar nem uma hora sequer descansando. O desejo de aproveitar o máximo possível de minhas férias queimava em meu peito, e inspirada nessa euforia, decidi sair, ir até a praia. Á noite a brisa que vem do mar é extremamente prazerosa.
– Nina! Vamos sair hoje! – Gritei do banheiro enquanto enrolava a toalha nos cabelos.
– Ótima ideia, que ir aonde?
– Aan, à praia. – Respondi entrando no quarto.
– Ah, ótimo! Bane está trabalhando provisoriamente no quiosque do pai dele, aqui na praia ‘Mahina’. Ele encerra o expediente ás 180h40min. Podemos ir lá encontrar com ele e os nossos amigos, nós costumamos ficar na praia até tarde e depois podemos ir pra casa de praia do Bane curtir um pouco.
– Han? De quem você está falando? Quem é Bane? E o Joseph? – Perguntei confusa pela repentina mudança de personagem.
– Iii, por favor, não me fale desse cara! – Disse com desprezo.
– O que aconteceu?
– Bom… primeiro ele não era tão fofo assim. No dia seguinte em que saímos ao luau lembra? – Fiz que sim – Então, ele me deu um bolo, duas vezes seguidas. – suspiro — Nós brigamos, ainda estou chateada, mas não me importo. E eu também já estava afim do Bane há um tempão. – Ela deu de ombros.
– Ah…
Sem saber oque dizer, apenas assenti. Não sou lá exper em relacionamentos. Após algumas paixonites na adolescência mal sucedidas, até hoje não me apaixonei de verdade por ninguém. Simplesmente nunca aconteceu. Mal me lembro de meu ultimo relacionamento. Meu foco está sempre no trabalho. Ás vezes me pergunto se não perdi nada deixando de ir as baladas, festas como qualquer jovem normal. Porém sei que se não tivesse me sacrificado, não seria independente, muito bem financeiramente e não estaria no Hawai’i.
A praia ‘Mahina’ é a praia onde se localiza o hotel Aston Waikiki, para chegar lá basta atravessar a rua.
– Bane! — Disse Nina empolgada.
Esperei na orla enquanto ela se debruçava no balcão do quiosque e lhe dava um beijo. Nina falou algo e ele acenou para mim, acenei de volta sorrindo.
– Bane já fechou o caixa. Irá em casa se arrumar e nos encontra aqui na praia. Vamos dar uma volta enquanto isso! – Informou-me ao voltar.
Eu vestia shorts jeans claros “rasgados”, camisetão de tecido fino aloha branco com estampa aquarela que comprei na feira e sandálias. Cabelos soltos e minha make habitual; rímel+blush.
Nós caminhamos de ponta a ponta da praia. Ela me contara como conheceu Bane, e o quanto ele era atencioso, seu pai é um empresário importante em Honolulu.
Na volta vi um grupo de amigos sentados em roda na areia. Ao nos aproximarmos o reconheci de imediato. O homem que conversava gesticulando e sorrindo.
Peter, Peter Hernandez.
Nina continuava seu relato, mas eu já não ouvia nada. Observei-o até que ao se virar ele encontrou meu olhar. Seu sorriso aumentou, ele deu uma piscadela para mim.
– O Bane está vindo! – Anunciou Nina com uma cotovelada em minha costela.
– Au! Estou vendo! – Gemi.
Bane vinha a passos largos em nossa direção, fomos ao seu encontro, deixando o grupo de amigos para trás. Nina me apresentou aos seus amigos; Mary, Josh, Silvia e John. Passamos horas conversando sentados na areia. Diverti-me muito, os havaianos são muito receptivos, alegres e atenciosos. Por alguns momentos paramos de tagarelar e observamos a noite. Repentinamente senti uma necessidade enorme de ficar só, um momento para mim.
– Nina vou dar uma volta. – Disse levantando-me.
– Ah, ok! Se voltar e não nos encontrar, estaremos na casa do Bane. Vai pra lá! Vamos dar uma festinha!
– Hmm, festa! Ok, é aquela casa? Apontei para uma varanda emadeirada á uns 10 metros a frente.
– É, sim!
– Tá, não demoro. Até logo! – Disse sorrindo e já me afastando.
Lembrei-me das inúmeras noites em que passei meditando nas praias do Rio de Janeiro, em minha varanda. Eu costumava me perder em devaneios, sonhando com um lugar desses. E aqui estava eu. No Hawai’i.
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