Notas iniciais
" Sua estrela É igual a minha. Ele disse Pus minha mão por baixo da sua, aproximando as pedras para analisa-las melhor. Senti o toque de sua pele, sua mão máscula, dedos grossos e veias sobressaltadas..."

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Já havia percorrido uma grande distância de onde partira. Pulei e dei um gritinho risonho ao sentir repentinamente a água do mar molhar-me os pés. Sorrindo distraidamente, eu caminhava, observando e absorvendo aquele lugar. Tão dentro de mim mesma, não havia percebido que sentado na areia a alguns passos a frente alguém me observava.

Continuei andando. A sombra tomou forma. Sorri ao reconhecer o rosto que me sorria.

– Aloha! – Saudou-me. Com uma mão na aba de seu chapéu bege fez uma reverencia.

– Aloha! – Respondi agora a sua frente.

Ele se levantou, usava uma camisa de botões azul céu, bermuda em um tom de creme.

– Como estão as suas férias até agora?

– Magnificas! Só de estar aqui! Eu realmente amo esse lugar. – Olhei admirada a minha volta.

– É a primeira vez que vem?

– É sim.

Apontando para o longe me perguntou;

– Quer dar uma volta?

Sorri e fiz que sim. Caminhamos lado a lado em silencio por alguns instantes.

– Olha! – Peter apontou para o céu, mostrando-me fogos de artificio na cor vermelha. – Parece que há alguém se casando.

– É tradição soltar fogos em casamentos?

– Sim, principalmente os vermelhos. Oóh! – Apontou novamente.

Era lindo! Uma cascata de fagulhas vermelhas. Observei encantada.

– Lindo! – Sussurrei.

Quando voltei meu rosto para baixo encontrei seu olhar em mim. Enrubesci e fitei meus pés.

– Onde estão seus amigos? – Perguntei.

– Foram embora, temos que trabalhar amanhã. Eu é que fiquei aqui, porque queria te ver.

Fiquei sem palavras. Entreolhamo-nos, ele sorria.

– Fico feliz revê-lo também!

Mais alguns passos…

– Então, vocês trabalham juntos? Você faz oque?

– Sim, temos uma parceria, Philip, Ari e eu. Trabalhamos com música. Cantamos, compomos, produzimos… essas coisas.

– Ual, e que gênero vocês fazem?

– Aanh, indefinido. Eu acho que música deve ser algo livre, para você apenas ouvir e se divertir. É oque eu sinto.

– Gostei. – Sorri. – Definir é como limitar. Eu sempre pensei em música como sentimento, e os sentimentos são livres.

– Exatamente! Sentimento, o que importa é se divertir, sentir a música. E você, me fale sobre você.

– Eu moro no Rio de Janeiro, sou psicóloga… – interrompi minha frase porque me perdi em seus movimentos ao tirar a camisa e ficar apenas de camiseta branca. Seus braços muito fortes e grossos, as tatuagens a mostra. Ai meu Deus!

Sentamos, e momentos depois, estávamos deitados na areia, conversamos, fazendo perguntas banais e contando coisas. Ele fizera-me rir por várias vezes. Senti-me a vontade em sua alegre companhia. Sem forçar sorrisos, sem constrangimento quando se fez silencio por uns instantes.

“Cereal com ketchup e maionese!? Argh! Hahaha” “Sério! É gostoso!” – Defendeu ele gargalhando.

Quando nossas pernas começaram a ficar dormentes nos pomos a caminhar pela areia novamente.

– Hey, olhe que linda! – Me agachei e peguei uma pedra pequena verde-água, uma onda a trouxera rolando até meus pés.

Peter chegou mais perto para ver a pedrinha em meio a grãos de areia na palma de minha mão. E sorriu ao dizer; “Ual, essa é transparente! Não é fácil achar, é como encontrar um trevo de quatro folhas!” “É? Então estou com sorte!” “Olhe esta!” Ele se abaixou e pegou uma coisinha mínima com a ponta dos dedos. “Um coração!” eu disse. A pedrinha era de um vermelho leitoso manchado de rajadas marrons. “Tome, tive uma ideia… venha, mais a frente ha mais delas. O que acha de fazermos um colar de pedras?” Demos alguns passos e,“ Que lindo!” A nossa frente um tapete de pedras coloridas, conchas de todas as formas e tamanhos. “Eu vou pegar as pedras mais lindas que você.” alertei-o. “ É um desafio?” “ Pode ser.” Balancei os ombros. Peter agachou e catou duas pedrinhas azul turquesa. “gosta de azul?” “pega aquela” “essa?” “não, a vermelha” “Ou,! Eu ia pegar essa” …

– Vamos ver oque conseguimos – eu disse enquanto corríamos para a parte seca da areia, a respiração ofegante, suados e gargalhando. Despejei minhas pedrinhas na areia, e ele fez o mesmo, com cuidado para não perde-las em meio aos grãos finos, ali contamos e nos gabamos de nosso achado.

– Sua estrela… É igual a minha. Ele disse – Pus minha mão por baixo da sua, aproximando as pedras para analisa-las melhor. Senti o toque de sua pele, sua mão máscula, dedos grossos e veias sobressaltadas. Isso me excitou. Minha mão se demorou sob a dele, sem perceber apertei-a de leve em reflexo de meus pensamentos maliciosos. Ele fitava a palma de sua mão, e quando sentiu meu impulso, ergueu seu olhar para meu rosto. Fitei seus olhos castanhos e profundos, um sorriso meigo de lábios fechados se formou em seu rosto, covinhas nos cantos das bochechas. Seus lábios avermelhados levemente molhados, “que vontade de… calma,respire, respire fundo” Aconselhei-me mentalmente. Senti necessidade de falar algo, pois percebi ele se aproximar, seu olhar convidativo me desorientando e eu quis beijá-lo, quis loucamente. Com um pequeno esforço consegui recuperar a voz.

– Como é que vamos fazer o colar? … – Minha voz soou baixa e melosa.

Ele sorriu e começou a fazer fileiras com as pedras, a estrela no centro.

– Bom, eu não sei fazer. Mas conheço um cara aqui na praia que sabe. Ele deve estar por aqui ainda. Vamos procurar?

Andamos alguns metros até uma barraca de bambu e palha de bananeira, uma lojinha de artesanato. O Zig, um homem com dreds nos cabelos garantiu que em dois dias os colares estariam prontos, combinamos de passar lá para busca-los, Peter pediu para fazer o mais parecido possível, usando as estrelas como pingente.


Yasmine Hernandez*