Notas iniciais
Hey girl! :D Estou muito feliz por ter recebido tantos reviews! Muito obrigada! Estou mais inspirada ainda a escrver a fic, cada vez mais lover pra compartilhar com vcs! Demorei um poquinho mas aqui está; Cap 18: Lembranças! Espero sua opnião! Grande beijo! Boa leitura!


No dia seguinte a primeira coisa que eu fiz após acordar foi me debruçar no peitoril da sacada. Não fora necessário esquadrinhar o quarteirão, logo o vi sentado a uma mesa de praça de outro lado rua, seus óculos Wayfarer brilhavam á luz do sol.

Como um tambor frenético senti meu coração bombear. Sorrindo bobamente fui tomar a ducha matinal. Meu espirito se encontrava em um estado tão leve e distraído que quando me dei conta já estava atravessando a entrada do hotel.

- Aloha Jasmin! — disse uma Ashley sorridente.

- Hey garota!– respondi em português.

Desci a escadaria e fui em direção à mesa do outro lado da rua. Com certeza o sol refulgia dourado mesmo sendo de manhã cedo, o céu devia estar limpo de um azul sereno, provavelmente a praia Mahina a minha frente estava agora exibindo toda sua beleza tropical. Mas nada registrei ou percebi, meus olhos estavam hipnotizados por aquele homem sentado na mesa da calçada praiana.

Aproximei-me silenciosamente, Bruno parecia distraído, olhava em direção ás águas do mar azul-piscina. Suas pernas cruzadas esticadas embaixo da mesa, em suas mãos algo que me pareceu um isqueiro. Dobrei os joelhos para ficar da mesma altura, a leve brisa que soprava fez um cacho de meu cabelo roçar em sua nuca, por trás dei um beijinho em seu pescoço. Senti-o estremecer de leve.

- Hey meu amor. Disse surpreso, com um sorriso, tomou-me pela cintura e sentou-me em seu colo. Antes mesmo de eu proferir uma palavra fui tomada pelo doce de seus lábios.

“Hmm” gemeu ele baixinho, nosso beijo torou-se risonho, senti cócegas, como se seus lábios emitissem correntes elétricas. Com seu rosto entre minhas mãos, fitei-o derretida com tanta beleza e doçura, colei meus lábios nos seus brevemente. Bruno sorriu pegando uma mecha de meu cabelo, entrelaçando o dedo no caracol de meu cacho.

- Você é linda. Seu olhar me atravessou, seu poder era hipnotizante. Sorri modesta e beijei-o, não saberia como responder melhor. Vários minutos se passaram e ficamos abraçados nos beijando e acariciando.

Até meu estomago me entregar. – Está com fome querida? Ele se levantou, transferindo-me de seu colo para o chão, pegou em minha mão e caminhamos pela calçada. Meu coração palpitava de uma forma desconcertante, ainda não me acostumara com a ideia de andar de mãos dadas com alguém. Muito menos com Bruno, o Bruno Mars!

- Ual! Exclamei fascinada. Um surfista acabara de manobrar extraordinariamente em uma onda.

Bruno sorriu –gosta de esportes?

- Aquáticos e radicais! – respondi animada.

- Hm, ótimo! –seu tom era enigmático e ele deu aquele sorriso sapeca.

- Rá, oque você tá aprontando Bru? – disse desconfiada semicerrando os olhos.

- Ãh, surpresa. – ele sorriu. Ah! Precisava ser tão fofo? Suas covinhas tão meigas e convincentes? Assenti sem protestar.

- Sabe, quando eu era menor costumava surfar.

- Hm, — ele sorriu — tem muita coisa ainda sobre você que eu não sei não é?

Fiz que sim, com uma expressão de “não há nada de extraordinário pra saber”.

- Quem te ensinou? – ele incentivou.

- Meu pai –sorri orgulhosa – ele é do tipo coroa ativo. — Bruno riu.

- De onde são seus pais? Brasileiros como você?

- Sim, são. Meu pai é descendente de alemãs, minha mãe tem raiz brasileira.

Bruno parou ao lado de um Sedã preto, abriu a porta para mim. Eu ergui as sobrancelhas. – Oque houve com o vermelho?

- Er, esse é mais discreto.

- Ah, ahan. –eu ri. O carro podia ser preto, mas não há nada de discreto em uma Ferrari preta e reluzente.

- Fale-me mais sobre você, querida. — prosseguiu ele enquanto girava a chave na ignição e com um suave solavanco a Ferrari deu a partida serenamente.

- Ãh... Minha infância foi bem simples. Após se casarem meus pais se mudaram pro Rio. Meu pai pediu transferência para uma filial da empresa onde trabalhava na área administrativa. Mas ele trabalhou no escritório apenas por uns anos. Ele sempre dizia; “um pássaro não foi criado ara viver em gaiola”. Papai sempre gostou da vida livre – sorri – acho que herdei isso dele. Sendo assim passei a maior parte da minha vida em praias, viajando... Com mamãe, papai e o vovô, pai do meu pai.

“O vovô era dono de um quiosque fino em Copacabana, papai alugou e com um tempo comprou um comercio do outro lado da rua pra mamãe trabalhar enquanto ele ainda trabalhava como gerente administrativo na empresa. Lembro de reversar entre a loja da mamãe e o quiosque do vovô, eu atravessava aquela avenida inúmeras vezes por dia, as lembranças do sol sempre escaldante e o murmurejar do mar ainda é claro em minha mente.

“Todo dia depois da escola eu ia direto pra loja ajudar a mamãe, seu jeito doce e alegre tornavam as tarefas uma diversão. Nós duas arrumávamos as prateleiras cantando as músicas do Bob Marley, Michael Jackson, Legião Urbana. – eu ri, Bruno olhou para mim com um ar meigo – Nós dançávamos feito loucas as músicas que mais gostamos, e quando aparecia um cliente e nos pegavam no flagra eu corria pra trás do balcão vermelha feito um pimentão. – Bruno riu e assentiu, ouvindo-me com tal interesse que me surpreendeu – ou talvez não tenha me surpreendido tanto, Bruno era encantador, gentil, disso eu já sabia.

“As tardes eram do vovô... Sempre quando eu chegava para vê-lo ele tinha uma faca e um pedaço de madeira nas mãos, sempre sentado no banco de madeira entalhando mais alguma escultura pra mim. – minha voz soou um levemente tremula, após uma curta pausa prossegui — Eu sei que ele percebia minha aproximação, mas todas as vezes me parecia surpreso e maravilhado... Como se minha visita não fosse esperada. Isso mantinha o encanto... – meus olhos de repente começaram a arder, desviei o olhar para a janela — ah, ele adorava me contar suas histórias e eu adorava ouvi-las, era surfista o vovô. Ele me ensinou a entalhar pingentes, porta retratos... passávamos todo o final de tarde sentados naquele banco, meus pais na maioria nos acompanhava. Cantando, contando histórias, e o sol mudava de amarelo claro para o rubi do poente... e... – meu olhos ficaram úmidos, parei de falar antes que elas me entregassem.

Poucos minutos depois Bruno estacionou a Ferrari.

- Ah, que lugar pitoresco! – eu disse encantada, já tendo me recuperado das lembranças e saudades.

- É, eu adoro vir aqui! – Bruno pegou em minha mão e atravessamos a pista indo em direção à entrada do café. O prédio de arquitetura antiga lembrava a decoração renascentista com uma mescla da indiana, seu telhado tinha as pontas dobradas como os templos chineses, azulejos e pintura de cores quentes se misturavam a colunas de madeira escura. Uma mistura excêntrica de decoração, porém com um charme aconchegante.

- Bruno? Por que todos os lugares em que vamos parece estranhamente vazios? – franzi a testa ao entrar no ressinto elegante, um salão com piso assoalho, repleto de mesas vazias.

- Ãh... Digamos que eu, bem, pedi para que reservasse algumas horas para nós.

Ergui as sobrancelhas– você pode fazer isso?

Bruno sorriu –sempre vim aqui, e quando se torna famoso certas coisas ficam mais fáceis.

- Ah...

Sentamos a uma mesa próxima a janela de onde era possível ver ao longe uma vila modesta e colorida, além dela; o horizonte. Olhei o movimento de pessoas, as crianças brincando livres nas calçadas. Perdi em pensamentos sobre minha infância, há anos eu não me lembrava daqueles tempos. Das coisas que eu costumava fazer, sempre fora tão livre, mas ultimamente...

- Sente saudades? – a voz de Bruno despertou-me, pisquei e virei-me para ele.

- Oh, desculpe... Eu estava... pensando. Perguntou se sinto saudades?

- É, no carro falando sobre sua família, você se emocionou.

Sorri levemente – sim, sinto saudades. Nos últimos anos eu tenho tido pouco tempo para ver minha família. Sabe quando você se perde sem perceber, e quando vê já está longe demais dos caminhos em que pretendia seguir? – franzi o cenho, fitando minhas mãos sobre a mesa de madeira com tampo de vidro.

- Compreendo. Quer falar sobre isso? – ele pegou em minha mão, e pôs-se a acaricia-la. Ergui a cabeça, seu olhar carinhoso confortou-me de uma maneira que eu não saberia quantificar.

- Papai após instabilizar nosso comercio saiu da empresa. Mamãe continuou na primeira loja, mas agora como donos de uma rede de supermercados era necessário que ela ajudasse o papai na gerencia. Mas mesmo com os dois trabalhando nós; meus pais, vovô e eu todos os dias de manhã assistíamos o sol nascer na praia. Eu não me importava em acordar mais cedo que o necessário para não me atrasar pra escola. Era um ritual, quase sagrado para nós, sempre o fizemos e era mágico, sereno. Caminhamos descalços todos de mãos dadas na areia molhada todas as manhãs durante muitos anos. E nos fins de tarde assistíamos o por do sol, papai e mamãe ia de encontro a mim e o vovô na praia. Sempre havia uma escultura nova para mostrar ou uma música para cantar. – um sentimento indescritível fez meu coração pulsar mais forte.

“E, eu... sempre tive o apoio de minha família. Após me formar em psicologia, eu trabalhava 25 horas por dia, chegava muito tarde em casa, meus pais incrivelmente estavam acordados a maioria das vezes, esperando por mim. Eu tinha 22 anos quando comprei meu apartamento, e fui morar sozinha. Ficou mais difícil ainda de vê-los, uma ou duas vezes por mês eu ia no quiosque do vovô, que agora ensinava surf aos meninos da praia. Meus pais passavam por lá e caminhávamos pela praia como nos velhos tempos. Eu sempre me sentia mal por isso. Nunca quis ser uma adulta que viveria para o trabalho e esqueceria da família. Mas eu tive que me sacrificar...

“Aos 25 anos inaugurei minha clinica; mais trabalho, menos tempo. Com o tempo me habituei... e minha vida se tornou só o trabalho. Sinto falta de nossas manhãs e tardes juntos... Sinto falta de surfar com o papai e o vovô... do abraço... eu... – minha voz embargou e não conclui a frase.

Senti o toque da mão de Bruno na minha, firme em um “estou aqui” mudo. Então enxugando as lagrimas com a mão livre olhei em seu rosto. -Este pingente – ele apontou para o pingente de madeira entalhada em formado de águia pendurado em um cordão de linha marrom, fiz que sim.

- O ultimo que ele me deu... Bruno sustentou meu olhar, envolveu-me em seus braços. Ele sabia como me entender com um olhar, me consolar com um abraço e dizer milhões de palavras com apenas um beijo. Ele sabia que gestos valem mais palavras ditas, ele sabia... Sim ele sabia. Como ninguém.

A garçonete serviu-nos com uma farta taça de salada de frutas, eu me sentia mais leve, ter desabafado essa questão que me apertava o coração por tanto tempo me fez um bem imenso. Bruno agora ria de mim por rir da garçonete atrapalhada.

Assim que entrou no salão ela soltou um grito de perfurar os tímpanos, ao ver quem era o cliente. Derrubando a bandeja com os copos de suco no chão com um estardalhaço.

- Estou ao seu dispor... er, precisar... chama... com licença.- gaguejou a moça com as bochechas coradas e expressão aterrorizada, afastou-se marchando de nossa mesa.

- Bruno, isso é maldade... haha – eu tentava inutilmente reprimir as gargalhadas.

- O que eu fiz? – ele disse rindo.

- Não se faça de sonso, você não viu? – eu ainda ria, tentando não engasgar com o suco de laranja. Bruno ergueu as sobrancelhas com cara de interrogação.

- Deviam tê-la avisado que você viria aqui.

- Não sei o porquê de tanto nervosismo, eu tenho pouco mais de um metro e meio. – ele riu dando de ombros.

- Ah, Bruno...– eu ri.

-Você ainda não me contou sobre as aulas de surf... Você é boa?

- Aha! Se sou boa? Claro que sou! Aos fins de semana, meu pai, o vovô e eu íamos ás praias mais belas do Brasil. Aprendi rápido e logo me tornei tão boa quanto o vovô que já participou de campeonatos aqui no Hawai’i.

- Sério? Ele já surfou aqui? – Bruno parecia encantado.

- É... eu disse que ele era “o surfista”.

- Cara! – ele sorriu – ah, eu sou uma vergonha, não sei nada de surf.

- Aha, eu te ensino. – pisquei para ele.

- Promessa? –ele estendeu sua mão.

- Promessa. –apertei sua mão, selando o contrato.

- Me fale sobre você Bruno?

- O que quer saber?

- Oque quiser me contar... – ergui as sobrancelhas.

Bruno sorriu– Ãh, eu fui uma criança gordinha, por isso meu pai me apelidou de Bruno, em homenagem ao lutador Bruno Sammartino que era um cara fortão, haha como eu te disse; o Mars veio na adolescência, dizem que eu sou de outro mundo.

Eu ri, encantada ouvindo o relato de Bruno Mars sobre sua vida, inclinei-me sobre a mesa, fitando-o atenta. Eu sou louca pelas músicas dele, uma fã! Como é que eu vim para aqui??

- Meu pai Pete Hernandez tem nacionalidade porto-riquenha, minha mão Bernadette Hernandez é filipina. Eles se conheceram durante um concerto onde minha mão era dançarina de hula e meu pai fazia parte da banda tocando percussão. Daí vem minha natureza na musica, minha mãe cantava também e mesu pais passaram a se apresentar juntos. Meu tio era um imitador do Elvis, me levava em suas apresentações, eu me divertia muito pelo que lembro, tinha apenas 3 anos...

“ Quando eu tinha 4 anos comecei a me apresentar com a banda da minha família, fiquei conhecido por fazer cover do Elvis. Aha “Bruno, Bruno, Bruno” as meninas gritavam, lembro de ter inveja do Elvis, quis ser como ele, as menias enlouquecendo por mim.... –ele riu.

“Ao passar dos anos quando o lance do Elvis acabou eu cantei em hotéis pelo Hawai’i... Quando terminei os estudos fui pra Los Angeles, meu irmão morava lá. Quis tentar sorte, não sabia oque fazer como fazer, cheguei lá completamente perdido. Mas eu tinha um sonho; queria fazer minha música. Eu era muito ingênuo para dizer a verdade, não sabia como funcionavam as coisas. Não fui com a intenção de me tornar uma celebridade, ser famoso.

“ Em 2004, assinei um contrato com a Motown Records, que não deu em nada. – ele sorriu imerso em lembranças – Mas lá eu conheci o Phil, que é compositor e produtor e trabalhava na editora. Phill, Ari e eu começamos a escrever músicas juntos e formamos uma equipe de produção ; ‘The Smeezingtons’ . Dois anos depois o Phill me apresentou ao meu futuro gerente na editora Atlantic Records, minha querida, não sei te explicar o quanto fiquei nervoso, mas depois de me ouvir tocar duas músicas no violão o cara me contratou imediatamente. Porém não foi tão fácil, demorou três anos amis ou menos para eu finalmente assinar com a gravadora.

“Nós produzimos e compomos musicas para os cantores da gravadora, que foram todas um sucesso nas paradas. Eu tinha uma objetivo, que era a carreira solo, mas aceitei compor e produzir para outros tanto para me aperfeiçoar quanto para descobrir oque eu realmente queria fazer.

Foram anos difíceis, mas aprendi muito, amadureci. Então finalmente em 2010 lancei meu primeiro álbum. E devo ser sincero, até hoje não me dei muita conta da proporção disso tudo. Pra um cara que estava sem dinheiro, isso tudo ainda é assustador... – ele deu seu sorriso torto erguendo as sobrancelhas.

Eu sorri admirada– Peter, é incrível ouvir isso de você. Eu nunca imaginei estar aqui, com você...– suspirei. Bruno sorriu – Você que é incrível menina.

- Então, aonde vamos agora? – questionei ao descer a escada de entrada do café entrelaçada pela cintura por Bruno.

- Para o mar –ele sorriu.

- Ah, essa resposta esclarece toda a minha curiosidade. – ironizei. Bru riu. Abraçadoscaminhamos até o carro.

*Continua!!

LoveStory por Yasmine Hernandez

Notas finais
eai mereço um review? kk