How Do You Say I Love You?
40 Incoerente
Notas iniciais
Foi muito divertido escrever o Santiago, mas ele é uma pessoa muito sificil de lhe dar! Ohh, e como é! 'o'
Espero que compreendam minha demora, semana de provas, e mais uma vez obrigada por lerem. MANDEM REVIEWS?
muitos honis :****
Boa leitura!
- Aloha! – Presley levantou-se da mesa alegremente.
-Aloha! – eu ri, fizemos o Hang Loose brincalhonas.
-Não me diga que vocês já se apresentaram... – falei ao abraçar D. Berny.
-Já, há pouco – ela sorriu – Depois do grupo Auinala cantaremos mais quatro musicas.
Sentamo-nos a mesa, Peter ao meu lado, Jaime, Presley, Tiahiti, Tiara, seus filhos e maridos, Erick e família, Pete o pai de Peter, estavam todos ali; a poucos metros do palco onde um grupo de rapazes equilibravam tochas acesas no queixo e três moças surgiam usando coroas de flores, top de coco e saias de ráfia fazendo movimentos e gestos complexos e sincronizados. Ao fundo um senhor de mais idade entoava uma cantiga em havaiano, em suas mãos e o ukelele de cordas beliscadas.
Eu já ouvira música havaiana – e muito – na própria língua nativa, mas havia algo mais nos movimentos dos lábios ou na rapidez com que ele cantava que me chamou a atenção. Cruzei as pernas e com o queixo apoiado na mão observei atentamente a dança hula.
-Eles estão dançando Hula Ku’i ? — arrisquei perguntar a Tiara que estava a minha direita.
Ela sorriu com as sobrancelhas erguidas – Oh, é!
-Eu não falei que ela é surpreendente¿ É provável que saiba bem mais do que eu – disse Peter.
-E sabe mesmo – riu Dona Berny – ela tocou no Hibisco que estava presa atrás de sua orelha, estendeu a mão ao ramo que enfeitava a mesa pegou uma e ofereceu-a a Peter – Jasmin conhece o Espirito Aloha – sorriu. Bruno pegou a flor, virando para mim, sorriu ao colocar um cacho de meu cabelo apara trás e prender atrás de minha orelha o Hibisco cor-de-rosa e azul céu. Sorri corando, todos na mesa olhavam para nós.
-O Hula Ku’i é uma mesclagem da dança ancestral com a moderna, adaptada para apresentações turísticas – comentou Berny – sorri contente em não ser mais o centro das atenções, mas então ela disse; Você sabe dançar?
Olhei para Bruno e dele para ela – Não, talvez reggae, mas hula em si, não.
Ela sorriu, mas foi quem Bruno falou – Eu prometi ensina-la – sorriu.
Todos riram – Você dançando hula? — falou Erick incrédulo.
Peter gargalhou.
E a música, o ambiente era tão alegre, gostoso, relaxante; divertimo-nos conversando por muitas danças e grupos que reversavam no palco.
Quando a The Love Notes foi anunciada houve aplausos; Berny e a maior parte da família, inclusive Harry – o primo que conheci no primeiro show de Bruno – e o tio John subiram ao palco. A melodiosa canção foi entoada inicialmente pela voz de Berny , os back vocals eram as irmãs de Bruno que balançavam o corpo em uma dança harmônica e ondulante com os braços e quadris, Harry balançava um chocalho feito de madeira crua, Tio John tocava um instrumento que me era desconhecido.
-Dança comigo¿ — Peter inclinou-se para mim na mesa, sorrindo daquele jeito – as covinhas.
Olhei em volta; praticamente todo mundo já estava dançando, menos de uma dúzia estavam sentados e mesmo assim batiam palmas e se mexiam nas cadeiras. Sorri, Peter estendeu sua mão, segurei-a – reparei no colar de flores vermelhas que ele usava, de alguma forma o contraste com a pele me excitou. Tudo nele me causava esse efeito e lembrei que quando chegamos à mesa tive de me controlar, muito, para não fazer coisas ali mesmo quando ele pegou a lei que jazia no encosto da cadeira, afastou meus cabelos para trás e colocou-o sobre meus ombros, seus dedos roçaram de leve em minha pele. Eu mordera o lábio inferior pelo súbito nervosismo.
Quanto mais eu o tinha mais eu o queria.
Nota:
As leis ou colares aloha
são oferecidos ao convidado na recepção
ou o aguarda em seu devido lugar.
Fomos para o meio do fluxo de pessoas, eu parei de frente para ele.
-Hã... Você sabe dançar né¿ — falei.
Ele sorriu torto – apenas acompanhe-me – puxou-me contra si pela cintura, segurando meu corpo colado no dele.
-É só soltar a cintura – sussurrou ao meu ouvido – não que você tenha alguma dificuldade com isso...
Eu sorri contra seu ombro – assim¿ — fiz um movimento levemente circular com o quadril, a mão dele deslizou só um pouco de minha cintura para baixo.
-Isso... Soprou em meu pescoço e passou de leve a ponta da língua.
-Hula é uma dança á natureza... Não como salsa ao sexo...
-E o sexo não é um dos princípios da natureza? — o mais interessante eu diria... — A mão dele deslizou pelas minhas costas de baixou para cima, contornando a alça fina de meu vestido.
-Hã... Perdi o raciocínio e o ar.
Peter deu um risinho baixo.
-É como dançar reggae – disse ele – como dançar qualquer outra dança. Se deixe levar, sinta a música, solte-se. Você vai aprender rápido.
Ele afastou-se de mim um pouco e começou a mover-se devagar de um lado para outro, mexendo os ombros e a cabeça no ritmo da música – sorri, erguendo os braços ondulei o quadril em movimentos delicados, aos poucos me envolvi com a melodia; os passos de dois para a esquerda, dois para a direita; uma para frente ao mesmo tempo em que se desenha uma onda no ar com os movimentos dos braços a frente do corpo.
Não fora difícil como eu imaginara. Como disse Peter, era como qualquer dança, bastava sentir a música e se deixar levar – imitar os passos das pessoas ao redor também ajuda. Peter segurava em minhas mãos, nossos braços estavam erguidos enquanto dançávamos a quarta ou quinta música, era difícil saber porque começavam uma após a outra, a melodia era envolvente, o som do ukelele sempre presente.
Eu não sabia se acreditava que estava ali, era um sonho literalmente!
Uma viagem ao Hawai’i’ sempre fora meu maior objetivo, me apaixonar definitivamente não, não fazia parte do plano. Completamente encantada, apaixonada eu estava por aquele homem a minha frente. Todos os momentos vividos até ali, especialmente nossa primeira noite juntos, eu sabia estavam marcadas no amago de minha alma. Não importava oque aconteceria depois.
Eu estava me arriscando, apostando alto sem garantias. Dei de ombros, eu já havia decidido, me entregado e já era tarde demais para voltar a trás. Oque quer que acontecesse tinha de valer a pena.
Peter me prendeu contra si e me beijou.
Tudo calou.
Não havia pensamentos, música nem pessoas.
Quando abri os olhos percebi que não estávamos mais no meio da movimentação e sim na lateral do palco entre as folhagens decorativas e tocheiros. Sorrindo sacana puxei-o pelo braço e arrastei-o para trás das cortinas de folhas de bananeira que havia ali.
-Rá – arfou ele me pondo contra a parede e imediatamente suas mãos invadiram por baixo de meu vestido me apertando as coxas. Fazia-me sentir tanto prazer quanto cócegas, eu ria excitada, divertida. Pessoas passavam dou outro lado da tapagem. Levei minhas mãos a nuca de Peter que explorava agora meu pescoço, estava tão quente; eu, nós suávamos tanto nem a brisa que vinha do oceano amenizaram o calor. Como se insana eu fosse minhas mãos entraram na bermuda dele, segurei sua carrot com vigor, ele beijou-me mais avidamente e eu fazia movimentos constantes com a mão – não podendo mais conduzir o beijo Bruno afastou-se um pouco seu rosto e franzindo a testa permitiu que eu o acariciasse...
De repente o movimento ao redor aumentou, vozes e risos muito próximos passaram ao lado diminuindo nossa privacidade. Recompomo-nos, ainda tontos.
Peter limpou a garganta – por aqui – e saímos pela esquerda, contornando atrás do palco, afastando-nos em direção ao mar. Não sabia para onde íamos ou oque faríamos, quando Nina nos fez desviar de curso nos chamando com um aceno impossível de ignorar, pois ela e Ever levantaram os braços, balançando-os no ar como hélices de um helicóptero,.
Bruno riu – Elas foram feitas uma para outra.
Eu dei uma risada gostosamente.
-Oooi! – eu disse ao pessoal, surpresa e satisfeita por ver todos ali; Mary, Silvia, Josh, John, Bane, Ryan, Phill, todos jogados nas esteiras de vime cobertas de almofadas coloridas. Houve um coro de cumprimentos risos.
Eu estava sentada de pernas cruzadas como índio abraçando uma almofada, entre Nina e Ever.
-Lá é bom pra praticar parapente – disse Ryan sobre apedra Makahihi o’e, um enorme relevo rochoso na costa leste de Waikiki.
-Cara, da pra ver a cidade toda, no dia do festival de lanternas você vê o céu ao contrario – comentou Bane fascinado.
Houve um murmúrio de concordância de todos.
-É, as lanternas por todo o mar escuro... – Nina suspirou – Você vai amar, Myn, precisa saltar de lá um dia.
Eu sorri; abia que minha expressão estava radiante com aquela conversa tão havaiana, pular de pedras, penhascos – Ah, e você não acha que já estou fazendo planos de ir lá¿ — eles riam – Claro! Depois de ter ido à Mauna Kea, acho que não quero outra coisa.
Então Bruno e eu pomo-nos a narrar o dia em que fomos á Oahu pela primeira vez e saltamos do penhsco escarpo.
Os rapazes se envolveram em uma conversa em que nós, mulheres não nos interessamos nenhum pouco. Sentadas á vontade conversamos sobre livros, lojas, assuntos banais e descontraídos. Eu estava sentada de pernas cruzadas para cima da esteira, abraçando uma almofada, virada para o mar. Nina a minha frente, com os lábios no canudo de seu coquetel ela disse;
-Myn, não olha agora, mas aquele cara não tira os olhos de você – mal ela falou e eu logo me virei.
-Eu falei pra não olhar!! Dona discrição!! Ela riu meio exasperada.
-Ar! – eu dei uma risada breve.
Percebi que Ever também procurava pelo cara.
-Hã... Quem? — eu disse procurando entre as pessoas.
-Ali, fotografando o arranjo de frutas – ela riu.
-Ah! – Santiago! Pensei, e logo eu o vi, estava mesmo fotografando o arranjo de frutas. Ele virou-se, seus olhos encontraram os meus, ele deu um enorme sorriso e mirou a câmera em minha direção – pisquei cega pelo flash. Santiago sorriu torto e se virou.
Virei-me furiosa.
-Que foi? — falou Nina.
Mary e Silvia que conversavam agora pararam curiosas, Ever ainda atenta.
-Que insuportável! – soltei.
-Você o conhece? — indagou Ever.
-Hã... Mais ou menos. Só de vista. Nina vamos pegar uma bebida¿ — propus subitamente.
-Hã... Er... – Gaguejou, eu a fuzilei com um olhar que dizia “Levante essa bunda e vem comigo!!” – Vamos... ela pôs-se rapidamente de pé.
-Que foi mulher? — segurando pelo seu braço levei-a até a mesa onde estava posto as bebibas.
-É meio complicado – eu disse com preguiça de explicar, olhando por cima das cabeças, procurando pelo fotografo.
-Agora mesmo que eu quero saber! Você ficou irritada ao vê-lo... Que está acontecendo? — insistiu.
Parei atrás de um dos coqueiros próximo á mesa.
-Nina, esse cara, não é a primeira vez que o vejo – ela ergueu as sobrancelhas – Parece me seguir... Argh... – olhei em volta.
-Quê? Você tá me dizendo que ele é um tarado psicopata e tá te seguindo? Ainda bem que você é psicologopata... E assim que se fala? — franziu a testa.
Eu ri – É isso que eu quero saber! Qual é a dele, oque ele quer... Ele me parou na rua, na primeira vez em que o vi. Foi... Atrevido. Acho que é fotografo da Vogue sei lá.
-Atrevido? Ele é lindo! Percebeu isso?
-Ah... Dei de ombros.
Por que ele parecia estar nos lugares em que eu estava¿ Eu estava muito intrigada, aliás, não sentira outra coisa a não ser isso desde a primeira vez em que tivera contato com ele. Sempre tão presunçoso e enigmático. Parecia saber o suficiente de mim para me intrigar, não revelava nada de si o suficiente para me irritar.
Tudo bem ele se interessar por mim, até ai normal, mas ele não era normal. O sorriso debochado, o tom de voz em duplo sentido e contraditoriamente sempre tão direto. Santiago falava como se me conhecesse, sempre com reticencias. E o seu ar irritante de superioridade! Tão pouco eu sabia dele já sentia tal aversão.
No entanto sentia-me curiosa, ia botá-lo contra a parede e perguntar oque ele queria, quem era. Arh, eu não devia estar indo atrás dele. Paparazzi era algo normal na vida de celebridades, mas eu não ia deixar-lo enfiar o nariz dele na minha vida com Peter. Ia exigir que nos deixasse em paz. E aquele papo de que eu ia mudar de ideia? Oque ele faria para isso acontecer? Lembrei-me de quando ele me ajudou a sair do tumulto no show do Bruno – devo admitir que se Santiago não tivesse aparecido talvez não me sobracem mais cabelos. Mas oque ele estava fazendo lá? E no meio da multidão, como ele apareceu lá exatamente naquele momento?
-Ali! – exclamei. Santiago estava comendo uvas despreocupadamente, uma a uma direto do cacho sobre a mesa.
-Fica aqui – eu disse a Nina.
-Mas se ele tentar te agarrar? Te sequestrar? Eu vou pra te proteger! – Disse com veemência.
Eu ri impaciente – Se ele tentar alguma coisa eu grito e você corre pra chamar Peter – virei as costas indo em direção ao fotografo.
Parei ao seu lado, ele fingiu não perceber, continuou pegando uma uva de cada vez e levando á boca.
Eu de repente não sabia oque falar, então comecei a catar umas frutas e arrumar na taça – a qual era a casca de um coco partia ao meio. Ele não falou nada.
Respirei fundo tentando controlara irritação.
-Oque você tá fazendo aqui? — soltei rispidamente.
Santiago virou o rosto lentamente. Eu não lhe devo satisfações – disse em português.
Não era porque ele supunha que eu era brasileira que ele ia falar comigo em português.
-Eu falei com você em inglês, responda em inglês – falei.
Santiago apenas olhou para mim e deu um passo para a esquerda, se aproximando de mim – Dá licença – disse ainda em português, fingi não ouvir.
-Então me faça a gentileza de pegar um espeto desse ai com morangos – sorriu torto olhando pela primeira vez diretamente em meus olhos.
-Hã... Eu me afastei para trás dando-lhe espeço.
-Obrigado – Seu sotaque soou carregado, puxando o som da garganta no ‘r’.
-Oque você quer? — perguntou.
-Oque você quer? Eu devolvi irritada, afinal era ele quem estava me... Seguindo.
-Oque você quiser me dar eu aceito com prazer. Oque acha de um beijo? Ele fitou-me, sorria divertido, sugestivo.
Eu uni as sobrancelhas e joguei a casca de coco encima da mesa – Por que você sempre está onde estou? Quem é você¿ Eu não me esqueci do que você disse naquele dia... Foi uma ameaça? Você fica tirando fotos minhas sem permissão – fiz uma careta – Você...
Fui interrompida por sua risadinha sarcástica e divertida – Que é? — gritei.
-Acabou o discurso acusatório?
Eu funguei. Impossível! Impossível!
Ele recostou-se com o quadril na mesa mordiscando os morangos no espeto, estendeu a câmera e ficou olhando as fotografias tiradas – Você me fascina – disse e virou a câmera para que eu pudesse conferir a foto que ele tirara de mim; eu estava de costas, apenas com o rosto virado para trás, os cachos caídos no rosto, expressão séria.
Eu definitivamente estava sem fala – quantas fotos ele teria de mim? Como podia ele me importunar com tanta eficácia? Soltei um pesado suspiro.
-Está vermelha tanto quanto seu cabelo, relaxe. Aceita uma bebida? — Estendeu o braço e pegou um coquetel servido no abacaxi e ofereceu-me.
-Oque faz aqui? — repeti em inglês, eu não ia dar o braço a torcer – Está me seguindo¿ Você quer fazer de mim e de Bruno um jogo! Se você quer fotos nossas você já deve tê-las! Por que não divulga logo!? Acusei-o.
Santiago deu um gole na bebida sem tirar os olhos de mim, o sorriso mesmo sorriso nos lábios.
-Fico satisfeito em saber que você se sente ameaçada por mim. Mas não é essa a minha intenção – pousou o abacaxi na mesa. Pareceu refletir, passados alguns segundos, disse;
-Destino... – seu tom era sério.
Eu que o fuzilava com os olhos durante todo o tempo, respirei fundo com os lábios comprimidos eu só sentia vontade de socar a cara dele.
-Destino¿ Do que você está falando¿ — disse eu confusa e aborrecida — Quer flagrar Bruno! Mas fica nessa, eu só queria entender qual é a sua! Você deixou bem claro que está afim de mim...Você disse isso e disse que eu ia mudar de ideia...
-E você não parou de pensar nisso – me interrompeu e sorriu satisfeito.
Mordi a língua por ter dado essa impressão, a qual era errada, muito errada.
-Eu só quero que nos deixe em paz – eu disse lentamente como se falasse com um doente mental.
-Escute – Santiago aproximou-se rapidamente, a centímetros de mim – Como vejo você lembra bem do que eu lhe disse há uma semana. Então me diga; Oque eu lhe disse a respeito de você e... Dele?
Eu juntei mais ainda as sobrancelhas, não queria fazer oque ele dizia, mas inevitavelmente me vieram á lembrança as suas palavras. Ele me encarava com a expressão séria, enigmática.
-Não quer falar agora? Tudo bem, farei melhor, quer saber quem sou? Talvez isso terá de esperar, mas te darei alguns detalhes; contratado para fotografar celebridades da atualidade no Hawai’i; Bruno Mars e suposto amoro com modelo; vi você saindo do Aston onde ele estava hospedado, desejei-a. Dias depois eu a vi com ele; desejei-a mais ainda – Santiago disse com os olhos semicerrados a expressão com o ar de arrogância e talvez... Desvairada? Arregalei os olhos, mas me recompus rapidamente erguendo o queixo.
-Sim... – ele assentiu mexendo minimamente a cabeça – Oque eu quero? Eu já lhe disse; você. Não vou fotografa-la com ele, expor como namorada dele. Isso não me traria lucro – deu de ombros.
-Você é louco? Aarh! Você é louco! – exclamei – Insuportável! Acha que pode, sabe tudo sobre mim! Ah, você é sim um psicopata...! – Calei-me, pois senti seus lábios tocarem o meu queixo. Imediatamente cerrei o punho e levei-o ao seu rosto com toda a força e raiva de que dispunha, Santiago segurou-o com firmeza. Mordi a lábio inferior com força. Olhei rapidamente envolta, as pessoas estavam dispersas na dança que mal nos notavam, além de estarmos entre os arranjos de folhas selvagens que mediam pouco mais que minha altura. Procurei por Nina, não a vi. Será que fora chamar por Bruno¿ Ah, onde estaria Peter?
Ainda segurando em meu punho fechado Santiago sorriu – Gosto de você brava. Fica mais encantadora.
Era tão difícil não se irritar, não enlouquecer. Impossível entrar no jogo dele, pois este mudava de um segundo para outro. Ora ele pedia paz e parecia não se importar, ora era um caçador, ambicioso, completamente incoerente. Eu o fitava, respirando pesadamente.
-Oh, Jasmin... Você deve ter algum feitiço, me encantou a primeira vista senti-me irresistivelmente atraído – enquanto ele falava tão próximo senti seu perfume. Uma mistura de fumo e algo próximo á madeira, era bom. Senti-me subitamente tonta; ah, como eu estava irritada, confusa, contrariada, intrigada, curiosa! Por que ele parecia tanto com os vilões dos filmes clássicos? Balancei a cabeça, por esse pensamento infantil, idiota – muito atraído – seus olhos percorreram por meu rosto – além de ser linda é voraz, brava – sorriu – sua personalidade é o que me prendeu.
Suspirei pesadamente e arranquei meu pulso de sua mão de aço, apesar da força ele não me machucou. Ele sorriu novamente.
-Eu maior erro foi ter me tratado tão mal, desde a primeira vez, não devia ter gritado, não devia ter sido tão selvagem... Isso foi decisivo para eu seguir em frente.
-Você não me conhece – falei silaba por silaba com impetuosidade.
-Foi oque eu lhe disse, você não me conhece. Ainda. Você vai mudar de ideia – disse convicto.
-Quem te garante isso? — ergui uma sobrancelha em desafio.
-Esta será a última vez que você me verá aqui no Hawai’i – seu tom era de confidencia – uni as sobrancelhas, imaginei se já não estavam coladas definitivamente.
-Fico satisfeita com isso – disse.
Santiago sorriu – Satisfeita? Sim, você vai mudar de ideia – repetiu.
-Cale a boca! Pare de repetir isso! – gritei – Você não pode saber nada de mim! Você não pode ter certeza de nada sobre mim!
Ele baixou os olhos e ergueu-os mirando-os nos meus – Destino – repetiu com simplicidade.
-Quero você – falou.
-Está fazendo isso errado – eu disse estupidamente. Mordi a língua com força, de novo eu dei a entender o que dizia de forma contraria. Não era um incentivo a tentar fazer certo. Antes que eu pudesse me corrigir ele falou.
-Eu sei – franziu o cenho e seus olhos perderam o foco por um instante – Não tenha medo de mim Jasmin – e então piscou parecendo voltar ao presente de pensamentos distantes — Só precisa entender uma coisa; eu não posso abrir mão desse desafio.
Então era isso.
Um desafio.
Uma conquista.
-Até breve – tocou os dedos em minha bochecha roçando de leve em meu cabelo. Afastei-me bruscamente.
-Você é louco – eu falei com aversão.
-Também sei disso – sorriu torto – Perdoe-me por aborrecê-la; isso me diverte. Você fica sexy. – Oque aquele cara estava falando?! –Acredite, não sou tão péssimo, posso ser pior. Seus olhos de vidro verde pareceram faiscar. E dizendo isso com um sorriso safado virou-se, seu andar era irritantemente confiante. Fulminei-o com os olhos até ele sumir de vista entre as pessoas.
-Arh! Sai dali arrastando metade das plantas comigo, dei um puxão em uma das folhas e todo o arranjo caiu ao chão. Não parei para olhar, peguei duas taças de coquetel alcoólico na mesa e bebi de um gole. Ah, eu estava irritada, furiosa, realmente raivosa! Que estupido! Que conversa toda foi aquela¿ Eu não ia leva-lo á serio! Ele estava curtindo com a minha cara. Se divertindo a minhas custas. Um fotografo barato! É Vogue ou Paparazzi!!!¿ É ridículo! Um tarado maluco, tinha problemas psicossomáticos, esquizofrenia crônica!
Ele vai embora. Não vou leva-lo á sério. É muita petulância!
-Myn! Oque houve? — Nina surgiu não sei da onde.
-O que houve com o “eu te protejo”? — perguntei com sarcasmo.
-Ah, desculpa! Você não sabe oque aconteceu. O pessoal me arrastou pra tirar fotos, não consegui desviar... Er... Está tudo bem? — disse repentinamente cautelosa enquanto acompanhava meu andar pela lateral do lual – eu não tinha noção pra onde estava indo, só queria andar. Não respondi e continuei andando até uma rocha na areia bem distante da festa, sentei ali.
Narrei rápida e resumidamente a Nina minha conversa com Santiago. Quando terminei ela tinha a expressão exasperada; vi nela o meu reflexo.
-Entende agora?- suspirei.
-Oh, eu não sei nem oque falar. Você vai contar isso pra Bruno? Aliás... Ele... – Nina não concluiu a frase reparei no seu maxilar contraído.
-Que foi?
-Bruno estava com o pessoal que queria tirar fotos – disse.
-Hã... Ergui as sobrancelhas não entendendo o comentário e voltei a xingar o fotografo mentalmente.
-Acho que ele viu você com o cara – soltou ela.
-Quê?! Nina! Meu coração batia muito rápido em minhas têmporas.
-Ai, não brigue comigo! Nós demoramos, eles vieram nos procurar, eu disse a ele quando perguntou que você tinha ido ao banheiro. Ele ficou um pouco, uma hora pareceu olhar em voltar e não gostar do que via, ficou mais sério e logo saiu dizendo que ia pegar uma bebida... – Nina falava enrolada, rapidamente, escolhendo as palavras.
E se Bruno tivesse visto? E se tivesse visto no momento errado? Não! Peter devia saber que eu era dele! Há poucas horas confirmamos isso mais uma vez. Peter me cativara, Peter, só ele!
-Onde ele está? Pus-me de pé num salto.
-Não sei... e ouvi os passos dela novamente atrás de mim.
BRUNO;
Ever levantou-se e começou a convocar todos para tirar fotos, foi quando dei por falta de Jasmin, Nina também não estava ali.
-Foram buscar bebida – disse Mary.
Então todos concordamos em ir ao encontro delas, segundo Ever assim poderíamos fotografar no cenário do luau, próximo ao palco, coisas assim.
-Quando você volta a LA? — Perguntou Bane.
-Em breve – respondi meio hesitante – Vamos marcar isso pra ontem!
Josh, John, Bane, Ryan, Phil e eu estávamos pondo em pauta as praias com as melhores ondas, sugeri a North Shore, em Oahu.
Havia grande movimento e passávamos com dificuldade por entre as pessoas dançantes. Avistamos Nina a leste da praia, recostada em um dos coqueiros.
-Hey, Nina! Nós a rodeamos com algazarra.
-Cadê a Jas? — perguntei.
-Vamos tirar umas fotos! Ever disse com sua voz aguda ando pulinhos empolgados. Houve risos.
-Hã, Myn foi ao banheiro. Já vem já – respondeu-me Nina.
-Ah! Enquanto ela não volta vamos tirara algumas! – Silvia me puxou pelo braço prendendo-me ao abraço coletivo. Nina também foi arrastada.
Phil, Ryan, Bane e eu tratamos de estragar muitas fotos pondo chifres ou fazendo caretas; Ever ria, mas nos fazia repetir a pose até ficar satisfeita.
Acendi um cigarro e ficamos ali em roda de conversa, dançando. Jasmin estava demorando, olhei em volta; avistei ao longe uma fileira de banheiros químicos. Tentei participar da conversa, mas e se Jas tivesse se perdido ou passando mal¿ Eu ia procura-la, eu não estava me divertindo tanto sem ela.
-Vou pegar uma bebida – eu disse sem muita criatividade para uma desculpa melhor.
Engolfei-me novamente na multidão. Esta noite o luau estava muito cheio, todas as pessoas estavam juntas dançando, naquele momento tocava Elvis de maneira que levei alguns pontapés nas canelas e cotoveladas nas costelas. Procurei Jasmin por entre as pessoas, mas meu foco estava na extremidade sul da praia, se ela estivesse passando mal não estaria na aglomeração e sim ao ar livre.
Eu avistei de relance os cabelos de fogo dela próximo a uma das mesas, mudei de curso, indo ao seu encontro. Parei de súbito quando vi que não estava só.
Um grupo de pessoas passou por mim arrastando-me para trás, ouvi vozes alegres e com um impulso me esforcei contra a maioria que me desviava de onde eu queria ir. Não via mais Jasmin, mas o homem de camisa verde caminhava afastando-se da festa. Com outro impulso consegui avançar, esbarrei em algumas pessoas sem me importar quem eram ou com escândalos se saísse em revistas ou tabloides. Aquele homem estava com a minha Jas. Jasmin era uma mulher linda, atraente, encantadora e como era. Era também esperado que outros homens se aproximassem dela. Mas pensar nesse fato não amenizou a minha raiva, a vontade de esmurrar a cara daquele que estava com ela.
Talvez tivesse sido melhor que eu o tivesse perdido de vista, quando sai da festa ele já atravessara a rua e sumira na noite. Oque Jas pensaria se eu desse uns socos num cara com quem só estava conversando¿ Só conversando – pensei. Respirei fundo tentando esquecer aquele furor insano, não tive muito sucesso.
Eu preocupado e sua demora foi por estar conversando...
Contornei por fora do ambiente festivo e acendendo um cigarro sentei-me num tronco de arvore seca próximo ao mar. Observando as pessoas ao longe.
Não ia procura-la antes de me acalmar.
Aproximadamente dez minutos e quatro cigarros depois, vi Jasmin aparecer de trás das arquibancadas do palco, franzi a testa e observei-a andar apressada com Nina em seus calcanhares. Ela parou repentinamente como se levado um susto.
Levei o cigarro á boca dando um forte trago.
JASMIN;
Meu coração parou com um gelo e voltou a bater enlouquecidamente ressoando em minha cabeça.
O stress com Santiago, isso já não me perturbava comparado ao medo de Peter sentir-se traído por mim, de perdê-lo.
Depois de ter ido e vindo pelo espaço do luau, desde a recepção ao palco eu o avistei sentado ao longe. Reconheci a sombra de seu chapéu Fedora e a ponta do cigarro aceso, o contorno de seu corpo na pose tensa que me causou o gelo no peito.
- Nina, ele está ali – e disse com a voz contida, aparentemente calma.
Paramos nosso andar – Você vai contar a ele? Oque você vai falar? — indagou ela.
-Eu não sei – respondi com um olhar para ele – Deixe comigo agora – voltei meu olhar para Nina.
Ela sorriu duramente e assentiu com a cabeça, esperei até que sumisse entre as pessoas.
Eu não esperava que meu primeiro luau com Peter fosse assim. Respirei fundo e fui em direção a ele. Como nunca a areia parecia ser difícil de ser pisada. Enchi-me de coragem e esforcei-me para dar passos firmes. Durante todo o percurso Peter manteve seu olhar na altura do meu sem desviar um segundo se quer. Ele continuava com o braço cruzado no peito, outro dobrado levando o cigarro à boca.
Parei a sua frente.
Meus cabelos esvoaçaram levados pelo vento.
Ele não disse nada. Eu não sabia por onde começar...
*Continua!!!
( Perdoem-me pela demora, além de escrever tenho de estudar e cumprir outras responsabilidades, mas sempre ando com o caderno onde escrevo a história. Obrigada por lerem! Eai? Oque será agora?? REVIEWS PLEAS!?)
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