How Do You Say I Love You?
3 Hey, Peter!
Notas iniciais
Entrei e vi que se tratava de um bar, seu interior requintado semelhante a uma boate. Sentei-me no banco do balcão, pedi uma bebida ao garçom. Um coquetel muito bem decorado ele me trouxera.
A direita um homem me chamou a atenção. Ele conversava animadamente ao celular, já estava no balcão quando cheguei. Usava óculos com armações grandes, muito grandes. Pele morena e cavanhaque desenhando seu queixo.
Meu celular vibrou em meu bolço “Aproveite como se n houvesse amanha” Julia me enviara por sms. Sorri e respondi: “:D Já cheguei, mal posso acreditar!!” Enviei e joguei o celular na bolsa.
Ergui meu olhar, em direção à porta de vidro fumê do bar. Bem a tempo de ver um homem de óculos wayfarer dar uma ultima tragada em seu cigarro, e arremessá-lo com as pontas dos dedos. Meus olhos se encheram de cobiça, devo admitir. Sua pele morena era muito atraente. Vestia camisa xadrez em tons de verde, bermuda bege e sandálias. Usava um chapéu marrom, decorado com uma pequena pena de duas cores na lateral esquerda. Dirigiu-se ao homem de óculos com armações grandes, que percebeu que eu os observava e me deu um sorriso enorme e simpático. O rapaz recém-chegado se virou para trás e também sorriu. Eu retribui seu cumprimento.
– Por favor, me traga mais um desse? – Pedi mais um coquetel ao barman, de repente desconcertada. Que sorriso lindo!
Ao fundo tocava “ Blue Sued Shoes” do Elvis Presley, cantarolei baixinho, tamborilando meus dedos no mármore negro do balcão. Fitei um quadro a minha frente, uma pintura do Vulcão Kilauea. Poucos minutos depois o barman voltara com meu coquetel.
– Mahalo! – agradeci.
Tento não olhar, mas não resisto e dou uma espiada no par de amigos conversando. O cara de óculos fala algo mais seriamente e o de xadrez assentiu pousando o copo uísque no balcão. Dando um soco no ombro do amigo o cara de óculos se retira, não antes de receber outro soco brincalhão. Recompôs-se e voltando ao seu copo, o rapaz que permanecera no balcão parecia fitar-me. Sustentei seu olhar, mesmo sem ter certeza se ele me encarava, pelo reflexo dos óculos escuros era difícil discernir o foco de seus olhos. Até que ele se levanta e vem em minha direção. Seu andar é juvenil e charmoso. Percebi que ele tinha algumas tatuagens em ambos os braços. Ao parar ao meu lado tira os óculos, põe no bolso da camisa. Sorri timidamente revelando covinhas.
– Posso me sentar? – faz um meneio com a cabeça para o banco ao meu lado.
– Por favor, à vontade. – Respondo desajeitada e surpresa. Ele sorri novamente. Sentou-se no banco alto e pousou seus cotovelos no balcão.
– Pensei em te fazer companhia enquanto quem você espera não chega. Só espero não causar problemas ao casal.
A que casal ele se refere?
– Ah, não, estou esperando minha amiga. – Ele sorriu visivelmente satisfeito. Dei uma golada no coquetel corando.
– Posso lhe pagar uma bebida?
– Este é o segundo que bebo, — ergui minimamente a taça em minha mão. – Mas aceito. – Sorri – É viciante.
– Então espere até experimentar o “Tropic”, é o melhor! Fez sinal para o barman e pediu dois “Tropic”. Olhando para o panfleto dos pontos turísticos havaianos encima de minha bolsa, perguntou.
– hmm, uma turista? De onde você vem?
– É, Brasil, sou brasileira… – sorri.
– Ninguém diria, seu inglês é muito bom.
– Mahalo!
– Aloha! – rimos brevemente.
– E você? De onde vem?
– Sou havaiano! – Declarou com a mão direita sobre o coração. Eu ri do jeito que ele o fez.
– Com licença. – Desta vez era o garçom com nossos coquetéis.
A taça grande e cumprida estava cheia até a metade com uma bebida alaranjada, em sua borda um canudo guarda-chuva.
– Mahalo – agradeci.
Beberiquei o coquetel, depois dei uma longa golada, ao constatar que ele estava certo. O tropic tinha um gosto indefinido, entre laranja, tangerina ou acerola.
– Hmmm, que fruta é essa?
– É uma combinação de frutas cítricas e um pouco de rum. – Deu uma golada em sua taça – Dizem que é afrodisíaco. – Deu de ombros. Sorriu e deu mais uma golada.
'Presunçoso.' Pensei repirmindo uma risada.
– É delicioso! – Eu disse com sinceridade.
Ao fundo a música mudou para “ Billionare”, Bruno Mars. Tive um leve sobressalto ao reconhecer a música.
– Gosta dessa música?
– Ah, sim! Esse cantor — o do refrão, gosto de como ele faz sua música. Original, não segue tendências.
Ele sorriu com ar de quem sabia mais e não o disse.
– Você mora aqui? Este hotel geralmente é turístico…
– Vim a trabalho, e aproveito para visitar minha família. Eu moro em Los Angeles.
– Ah, Califórnia! Aquele lugar me encanta, um dia pretendo ir lá.
– Sem dúvida, lá tem muitas praias maravilhosas também. Está aqui há quanto tempo?
– Acabei de me hospedar.
– E pretende permanecer até quando?
Pensei rapidamente, não tinha um tempo estipulado.
– Por mim eu me mudaria para cá, mas tenho meu trabalho no Brasil. Não posso me afastar por tempo demais.
– Entendo, comigo acontece o mesmo. – ele deu um sorriso torto — Já ouviu falar no restaurante “ Kanaloa” ? ( Kanaloa – deus dos oceanos e dos ventos)
– Não… – disse insegura. Trocamos um sorriso. Suspeitei que em seguida viria um convite.
– Aceita conhece-lo comigo? – Posso ser um ótimo guia turístico. Um sorriso sugestivo se alargou em sua face.
Minha intuição raramente falha.
– Hmm, proposta tentadora. Estou precisando mesmo de um guia turístico.
– Isso é um sim?
– Não… – me apressei a concluir a frase ao ver sua expressão se converter de expectativa à confusa. – Não posso aceitar o convite de um homem do qual não sei o nome. – conclui.
Ele riu. Em um salto se levantou do banco.
– Desculpe, meu nome é Peter, Peter Hernandez. – Falou pegando em minha mão e beijando-a. – Ao seu dispor. – Disse em tom de brincadeira e deu uma piscadela.
Eu ri. – Você é sempre assim brincalhão?
– Na maior parte do tempo. – Respondeu-me com uma risada.
– Prazer Peter, meu nome é Jasmin Duarte. – Sorri.
Mal percebi o tempo passar, continuamos conversando até meu celular tocar.
– Desculpe, preciso atender. Com licença. — Me levantei e afastei-me alguns passos.
– Alo?
– Amiga, já estou no hotel e você?
– Hey Nina! Eu também, no bar perto da Área de Lazer.
– Estou indo aí. – Desligou.
Voltei ao balcão. – Minha amiga finalmente chegou. – Disse ao guardar o celular de volta a bolsa.
– Então está entregue. Vou deixa-las à vontade. Disse sorrindo, repentinamente parecia um pouco apressado. Deixou uma nota de cinquenta U$ encima do mármore e se levantou. Também me pus de pé.
– Nos vemos por aqui? – perguntou.
– Eu espero que sim.
Peter se aproximou e beijou-me a face.
– Eu também. – Sussurrou.
E se foi. Observei-o até sumir de vista atrás dos coqueiros do jardim. Nina abriu a porta com o quadril, suas mãos estavam ocupadas por bolsas de compras. Fui ao seu encontro oferecer alguma ajuda.
– Oloha querida! Desculpe, a fiz esperar demais?
– Não. Não se preocupe. – Tranquilizei-a.
– Por que não subiu ao quarto?
– Não sei, estava agitada demais para ficar no quarto. Resolvi beber um pouco.
– Ah, ok. Vamos subir!
Dividimos as bolsas e subimos no elevador até o vigésimo terceiro andar.
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