Notas iniciais
Resolvi continuar a postar até onde eu escrevi, e isso dá mais uns três capitulo além desse. Bom, espero que gostem ^^

Eu estava em uma rua muito escura. Somente dois postes de luz continuavam acesos. Continuei caminhando, ignorando meu sexto sentido me dizendo para sair correndo o mais rápido possível de lá.

O céu estava sem estrelas, mas com nuvens carregadas, logo iria começar a chover.

Como se eu tivesse visto o futuro, começou a chover.

–Ah, que ótimo. -reclamei.

Não era uma chuva gostosa, aquelas em que você olha pra cima e abre a boca para sentir o gosto das gotas d’água. Não. Era uma chuva gelada, cortante como agulhas furando seu corpo. E eu, vestida com uma saia acima dos joelhos e uma blusa de alcinhas não ajudava nada.

Comecei a andar mais rápido em direção ao hotel em que estávamos, mas a chuva já estava piorando e eu não conseguia enxergar direito.

Foi então que eu vi uma imagem distorcida de uma pessoa bem lá no final da rua. Um pouco antes de chegar ao hotel. Alguém que parecia não se importar com o frio, ou as gotas dolorosas da chuva. Ela estava parada, somente ficava olhando para frente. Como se estivesse esperando algo ou alguém.

O hotel ainda estava um pouco longe e eu teria que passar por aquela pessoa. Isso realmente não parecia uma boa idéia.

Peguei o celular para ligar pro Luther vir me acompanhar, mas desisti. Se eu conseguia enfrentar vampiros quase todos os dias, esse alguém não seria problema. E outra, como sempre eu andava armada, carregando um punhal dentro da minha bota totalmente linda, eu conseguiria me defender.

Eu já estava perto o bastante para conseguir ver que era uma mulher. Os cabelos eram de um vermelho brilhante, que combinava perfeitamente com os cachos que desciam por seus ombros chegando ao meio das costas. Ela era um pouco pálida e seus olhos verdes faiscavam na noite escura, causando uma sensação de medo. Suas roupas estavam totalmente secas, por causa do guarda-chuva que segurava acima de sua cabeça. Pelo menos ela era esperta e havia se preparado para o tempo de chuva.

Ela me lembrava muito alguém que eu conhecia.

Fui me aproximando cada vez mais e pude reconhece — lá.

–Mãe!?-perguntei.

Então ela me mostrou o mais lindo sorriso que eu havia visto na vida. Mas o que esse sorriso denunciava era presas totalmente afiadas e brilhantes, que pareciam me atrair para perto delas.

Então eu acordei.

Fiquei sentada na cama por um tempo,pensando na minha mãe.Fazia tanto tempo que eu não a via.Eu sentia tanta falta dela.

Eu ainda me lembro perfeitamente do dia em que nos separamos e minha merda de vida começou.

“TICA, TAC,TIC, TAC.

Era só o que eu ouvia,deitada na minha cama.Já eram duas horas da manhã e eu ainda não tinha conseguido dormir.

TIC ,TAC ,TIC, TAC.

Alguma coisa estava me incomodando,era tipo uma sensação de que algo ruim iria acontecer.

Levantei da cama e fui até a cozinha pegar alguma coisa pra comer.Abri a geladeira e fiquei parada,igual uma completa idiota,olhando a luzinha acender e apagar.Eu sempre dizia a mim mesma que um dia iria parar no hospício de tão louca que eu sou.

Peguei um copo de água e me encostei na pia da cozinha enquanto tomava o liquido do copo.

Então eu ouvi um barulho no quarto da minha irmã.

Primeiro eu fiquei paralisada.Igual naqueles filmes em que estão te perseguindo e você para e fica esperando a morte chegar,e torce para não ser dolorosa.Credo!!Péssima comparação.

Morte.Essa palavra me dá arrepios na espinha só de pensar.

Depois de alguns segundos paralisada, peguei uma faca que eu achei na gaveta e fui até o quarto da Anne,minha irmã, ver o que estava acontecendo.

Quando cheguei estava tudo muito quieto. Anne estava deitada na sua cama,imóvel,dormindo como um anjo,em paz.Aliás,ela estava quieta demais,minha irmã não costuma ser tão imóvel assim.Ela se mexe a noite inteira ,não para quieta um segundo só.

Me aproximei de seu rosto e pude ver que ele estava pálido pra caramba.Coloquei minha mão em seu peito e percebi que ele não estava se mexendo.Comecei a entrar em pânico.Subi minhas mãos para seu pescoço para verificar a pulsação e então eu vi,as marcas de dentes em seu pescoço.

Levantei rapidamente e fui em direção a porta,olhei novamente pra seu rosto e não consegui derramar nenhuma lágrima ao ver seu corpo sem vida em sua cama.Eu simplesmente não tinha forças para chorar.

Saí do quarto e fui acordar meus pais e contar o que havia acontecido,mas quando cheguei no quarto deles eu paralisei novamente.

Perto da janela, havia uma pessoa segurando minha mãe em seus braços e com a boca em seu pescoço.Seus olhos faiscavam de vermelho quando a luz da lua passava pela janela.

Meu pai estava deitado no chão, exatamente como minha irmã, sem vida,só um corpo.

Apesar de achar que tudo estava perdido eu ainda conseguia ver minha mãe se mexendo nos braços da tal criatura que a estava matando.

Sentindo-me totalmente inútil, eu cai no chão e apertei mais fortemente a faca que ainda estava em minhas mãos ,mas que pelo jeito de nada serviriam.

Foi então que alguém entra pela porta do quarto tirando minha atenção de minha mãe e o monstro.

Era um garoto que deveria ter pelo menos uns dezoito anos, ele estava com um arco e flecha na mão e começou a atirar no monstro, que apesar de ter sido acertado com uma flecha na cabeça e uma no braço, somente tirou seus dentes do pescoço da minha mãe e olhou para a direção de onde as flechas estavam saindo,então segurou mais firmemente a mulher em seus braços e pulou a janela,saindo da minha vista.

Como se uma lâmpada tivesse sido acesa em minha mente, como naqueles desenhos animados em que quando se tem uma idéia aparece uma lâmpada acesa em cima da cabeça, eu me toquei de que minha irmã e meu pai haviam morrido. E minha mãe estaria sabe se lá onde nesse momento.

Então eu chorei. Chorei por meu pai, minha irmã, minha mãe, por eu não ter feito nada para ajudar.

Senti braços fortes e quentes me abraçando, mas como se fosse um robô fiquei parada, como se aquilo não significasse nada.

–Vai ficar tudo bem-uma voz masculina me dizia.

Embora eu não acreditasse muito.”

Balancei minha cabeça como se fossem apagar as memórias ruins. Levantei-me da cama e fui pegar um copo de água.

Novamente, quando abri a geladeira fiquei olhando a luzinha acender e apagar. O meu caso é sério, eu preciso ser internada.

O relógio ficava fazendo aquele barulho irritante.

TIC, TAC, TIC, TAC.

Encostei-me na beirada da pia e tomei minha água.

Então eu ouvi um barulho no quarto. Paralisei novamente. Não porque eu não sabia o que fazer, mas porque aquilo já havia acontecido e eu não estava com vontade de ver um flashback.

Exatamente como aconteceu naquele dia, eu peguei a faca que estava em cima do balcão e fui ver o que estava havendo.

Quando cheguei ao quarto eu já estava chorando litros, literalmente. Minha irmã estava deitada na cama daquele jeito imóvel, igual da ultima vez.

–Não! De novo não!-gritei para o nada.

Acorda. Acorda.

Essas palavras ficavam passando pela minha mente.

–Liz, acorda. -uma voz me disse.

Então o quarto da minha irmã sumiu e eu vi uma cara enorme na minha frente.

–Ahhhhhhhhhhhh!-gritei de susto.

–Calma, sou eu. Luther. Tudo bem?-ele perguntou.

–Eu to bem. Foi só um pesadelo. -falei e então voltei a dormir.

Dessa vez, sem pesadelos.

Notas finais
Não esqueçam de deixar reviews ^^