Hope Of A Vampire
3 A verdade
Notas iniciais
Acordei com a luz do Sol no meu rosto. Eu odeio Sol. Sempre quente demais.
Só pra conferir de que eu estava realmente acordada olhei a cama a o lado para verificar de que Luther estava ali. Fiquei aliviada ao ver ele espalhado pela cama, que era um pouco pequena para ele. Ele estava dormindo tão bem, como um anjinho. Seu cabelo castanho cacheado estava todo bagunçado, eu sempre dizia que ele parecia aqueles anjos de filme, só por causa do cabelo. Ele dizia que eu vejo filme demais.
Eu devia muito a ele. Foi ele quem me salvou de ser uma vitima do vampiro que matou minha família e que passou a cuidar de mim desde então.
Ele era como um irmão pra mim e aposto que ele pensa igual a mim, embora, algumas vezes, ele me olha de um jeito diferente, mas então, do mesmo jeito que os olhares estranhos aparecem, eles somem.
Fiquei olhando para ele por mais alguns segundos, pensando se devia acordá-lo ou não. Ele estava dormindo tão bem que dava até dó.
Sai correndo da cama e pulei em cima dele pra acordá-lo.
–Acorda!!!!-gritei.
Ele levantou da cama num salto pelo susto e acabou me derrubando no chão.
–O que aconteceu??-ele perguntou desesperado olhando para os lados procurando algum perigo.
Então ele me viu no chão e começou a rir.
–Bem feito, quem manda me acordar. -falou e me mostrou a língua.
Mostrei minha língua pra ele também, parecíamos duas crianças fazendo birra.
–Chato. Vai se arrumar temos que falar com a Meg. Ela descobriu alguma pista sobre a minha mãe. -falei.
–E do meu pai? Alguma noticia? –perguntou.
Seu rosto se encheu com tanta esperança que me cortou o coração responder.
–Não. Nenhuma noticia. –respondi com uma voz sem emoção.
Ele não falou mais nada. Ficou parado olhando para a cama.
Ele havia me contado que morava com seu pai desde seus oito anos, sua mãe tinha os abandonado quando ele era pequeno. Desde então ele tem vivido com seu pai, até que um dia, do mesmo jeito que tinha acontecido com minha família, um vampiro entrou na casa deles e levou seu pai, ele tinha saído pra uma festa e quando chegou viu seu pai sendo arrastado pra fora de casa, inconsciente. Luther acredita que ele ainda está vivo, mas não como um humano.
Então ele começou a caçar seu pai, em um dia de caça ele pegou o rastro de um vampiro perto de casa, mas ele não conseguiu chegar cedo o suficiente para salvar minha família.
Eu resolvi ficar com ele e também procurar minha mãe. Desde então estamos atrás de nossos pais.
Depois de um tempo em silêncio ele olhou pra mim e fez uma cara de bobão total, mas que tinha recuperado sua esperança.
–Bom, ele não vai se esconder para sempre não é? –falou.
Eu simplesmente concordei com a cabeça e fui me arrumar no banheiro.
Fiquei me olhando no espelho por um tempo, procurando algo que lembrasse minha mãe, mas não achei nada. Eu não tinha nada a ver com ela, pelo menos não fisicamente. Embora eu fosse mais parecida com meu pai, olhos e cabelos castanhos, um nariz um pouco maior que o normal, infelizmente, eu tenho uma personalidade parecida com a da minha mãe.
Se alguém ficar um tempo reparando em seus gestos, poderia facilmente reconhecê-los nos meus.
–Anda logo, eu também tenho que usar o banheiro!-Luti gritou do quarto.
–Já to saindo!-gritei de volta.
Vesti-me rapidamente e sai do banheiro pra ele usar.
Aproveitei o momento para ligar pra Meg. Peguei meu celular para dizer que estávamos indo falar com ela.
–Alô, Meg?-saudei.
–Sim, quem tá falando?-perguntou.
–É a Charlize, você me disse que tinha noticias da minha mãe. -falei.
–Claro,claro. Vamos marcar um lugar para nos encontrar. Eu tenho que te explicar umas coisas. -falou com um tom preocupado.
–O que aconteceu?-perguntei, começando a me preocupar também.
–Quando nos encontrarmos eu te explico. Pode ser naquela lanchonete perto de casa?-perguntou.
–Pode sim. Vemos-nos lá. Até mais. -respondi.
–Até. -despediu-se.
Fechei o celular e fui esperar na sala o Luti terminar de se arrumar.
–Eu to pronto, vamos?-perguntou.
Eu me virei pra olhar pra ele e acho que fiz cara de bobona.
Eu sei que ele é como um irmão pra mim, mas ele tava completamente lindo.Pelo jeito ele tinha tomado banho,não não, ele mergulhou na privada ¬¬’, seu cabelo tava todo molhado e bagunçado, mas de um jeito completamente sexy. Para tudo, sexy? O que eu to falando, ele é meu amigo!
Balancei minha cabeça pra apagar os pensamentos do mal.
–Eu sei que sou lindo, não precisa babar. — falou.
–Você é idiota, isso sim! –respondi e abaixei a cabeça pra ele não me ver corando.
–Oh meu Deus! Você tá vermelha! –falou quase gritando de surpresa.
–Idiota! Vamos logo, a Meg tá esperando a gente. -falei e fui pegar minha bolsa.
Saímos do hotel e fomos em direção a lanchonete que combinamos de encontrar a Meg. O caminho todo fomos em silêncio. O que me deixou muito grata, eu não queria falar nada sobre o que aconteceu de manhã.
Enquanto íamos em direção a lanchonete, fiquei com a cabeça encostada no vidro da janela do carro.Tentava me lembrar do que havia sonhado, mas toda vez que eu pensava nisso, ficava com uma dor de cabeça horrível. Acho que não é pra mim lembrar mesmo.
O dia estava meio nublado, mas parecia que não ia chover hoje.
Chegamos na lanchonete e já na entrada vimos a Meg.Ela estava sentada em uma mesa bem no fundo do estabelecimento, junto de seu notebook.
A Meg é uma pessoa muito interessante, extremamente animada, às vezes, até demais. Ela é loira, seu cabelo é curto, meio repicado. Tem os olhos de um preto super escuro, é incrivelmente pequena e veste umas roupas bem estranhas. Hoje ela estava com um vestido Pink de manga comprida, meia calça listrada. Nos pés estava usando um coturno preto. Apesar de que eu nunca usaria aquelas roupas, combinam com ela.
–Oi, gente!-falou animada.
–Oi. -respondemos eu e Luther juntos.
–Senta, eu preciso te contar uma coisa. -continuo falando com sua vozinha fina. Embora dessa vez tenha parecido preocupada.
Sentamos na mesa, pedimos alguma coisa pra comer e esperamos ela falar.
–Bom, eu tenho uma noticia boa e uma ruim para dar. Qual vocês querem ouvir primeiro? — Meg perguntou.
Luther e eu nos olhamos e respondemos novamente juntos.
–A boa primeiro.
–Eu encontrei sua mãe em uma cidade não muito longe daqui. -falou animada.
–Sério? –perguntei meio abobada com a noticia, essa na era uma noticia boa, era uma ótima, perfeita.
Ela concordou com a cabeça.
–E a ruim?-Luther perguntou.
Meg não respondeu de primeira, ela olhou para suas mãos, que não paravam de mexer.
–Bom, ela não é mais sua mãe. Não exatamente.
A verdade me atingiu sem piedade. Eu já temia que isso iria acontecer. Ela se tornara um monstro, o mesmo monstro que matou o resto da minha família. Imagens do sorriso do meu pai e das implicâncias de minha irmã passaram por minha mente, me fazendo sentir uma raiva inacreditável enquanto as lindas imagens se tornavam corpos inertes dentro de caixões.
Ela realmente não era mais minha mãe, não mais.
–Não chore. Vai dar tudo certo. -Luther falou enquanto limpava uma lágrima em minha bochecha.
Concentrei-me um minuto para conseguir me acalmar. Quando finalmente me sentia mais calma peguei as pequeninas mãos de Meg entre as minhas.
–Obrigada, por você ter encontrado-a. Por ter feito isso pra mim. -agradeci.
–Vamos?-perguntei para Luti. Ele concordou e nos levantamos para ir embora, mas antes Meg segurou minha mão e me olhou com seus grandes olhos cheios de preocupação.
–Você vai ficar bem?-perguntou.
–Sinceramente, eu não sei. -respondi e fui embora.
Como minha vida poderia mudar em apenas um minuto. Só o fato de nunca mais ver minha mãe já acabava comigo, mas isso era ainda pior, ela era um deles agora, não havia mais nenhum motivo para eu ir atrás dela. Definitivamente eu havia perdido toda minha família agora.
Se eu não tinha mais o desejo de encontrá-la, o que eu iria fazer de agora em diante?
Quando dizem que a verdade dói, mas tem que ser dita, eles tem razão. E essa verdade dói demais.
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