Hope
39 Odeio te amar.
Notas iniciais
Só tinha eles dois naquele lugar, seus olhos se recusavam a enxergar qualquer outra pessoa. Suas respirações afoitas era o único som presente em seus ouvidos, por mais barulhento que fosse aquele club. Seus olhares...esses não se desgrudavam, estava tudo muito bem explícito.
Eu sinto muito! Por favor, me perdoa?
Era o que aquelas bolas de gude verde diziam.
Eu já te perdoei... só não estou pronto pra me entregar, outra vez.
Foi a resposta dos olhos âmbar do mais novo.
Palavras não eram proferidas, Stiles não se sentia confiante o suficiente para dizer qualquer coisa que fosse, tinha medo de afirmar algo que se arrependeria mais tarde. As batidas de seu coração aumentava, consideravelmente, a cada segundo e como sintoma, sentiu as pernas se tornarem bambas e suas mãos criarem vida própria, fazendo-as se moverem descontrolavelmente. A possibilidade de estar tendo um ataque de pânico veio a sua mente, mas sabia que não era isso, seus ataques não costumam ser tão intensos.
Parecia que seu estupor estava durando há horas, no entanto, se passara somente um minuto, até que Isaac o trouxe de volta à realidade.
– Stiles, não vai dizer nada? Derek espera a sua resposta.- Disse o loirinho, com os olhos fixos no amigo, que permanecia no palco com o bouquet de flores nas mãos.
Como Stiles não demonstrou vontade ou, na verdade, condições de se mover, Derek foi até ele. O caminho estava livre, não demorou mais que 10 segundos para o moreno ficar frente a frente ao ex-namorado.
– Gostaria de dizer que sei perfeitamente como estás se sentindo, mas seria apenas mais uma mentira minha. Por isso, prefiro dizer que não importa o quão destruído está seu coração nesse momento, farei de tudo para cura-lo e te fazer sentir o amor que somente eu posso lhe dar. — Sua fala e mirar não vacilaram por um centésimo de segundo sequer, provando que dissera a mais pura verdade, o que dificultou, ainda mais, a decisão de Stiles. O entregou o ramalhete e esperou por alguma reação.
– D-Derek...Se não for um incomodo, gostaria de conversar a sós contigo.- Pediu com olhar suplicante. Assentindo, Hale segurou seu braço e o levou para o camarim onde havia se arrumado, deixando os demais aborrecidos por não saberem a resposta, principalmente dois pares de olhos curiosos que os observava atentamente.
Assim que porta fora fechada, Stiles desmoronou nos braços musculosos do moreno, balbuciando palavras desconexas em seu ombro. Derek nada entendia, apenas o abraçava de volta, fazendo carícias em suas costas, o acalmando.
Aos poucos, Stiles se afastou de seus braços e levou sua mão direita ao queixo do maior, trazendo sua boca de encontro ao dele, empeçando um beijo casto. Não teve língua, mas era cálido, fora apenas um encostar de lábios. Um beijo de... despedida?
– Só Deus sabe o quanto eu te amo, Derek. E é pra ele que peço forças nesse instante, para conseguir...Pra conseguir usar as palavras certas e não fazer nada de errado.
O homem de pele morena já sabia o que viria a seguir, sentia-se um inútil, pois não tinha nada que ele poderia fazer. Stiles se agarrou ao amarrado de flores, buscando o apoio que já não encontrava no homem à sua frente. Queria dizer tudo rapidamente, como quem retira um Band–aid, acreditando que assim doeria menos.
– É claro que eu te perdoo, não tem como eu te negar meu perdão. Mas não pense que é somente pela surpresa que me fizeste, mas sim por enxergar a verdade em cada palavra que saiu de sua boca. Mas, também, não vá pensar que não gostei da surpresa, porque eu amei. Sério, Derek, nunca passou na minha cabeça que teria coragem de fazer tal declaração em público. Foi a coisa mais linda que meus olhos tiveram a honra de presenciar, eu adorei!
Um riso nervoso escapou de seus lábios, roubando a atenção do lobo para os mesmos, eles estavam tão próximos, mas, ao mesmo, tempo tão distantes. Se pudesse, pegaria o menino em seus braços e o levaria para seu apartamento, nesse exato momento, o deitaria em sua cama e o marcaria. O ser que habita dentro de si, não aguentava mais esperar para mostrar ao mundo a quem o Stilinski pertence e somente pertencerá, mas sua parte humana já não tinha tanta certeza disso.
– O amor e a confiança são vias de mão dupla, Derek. Todos nós queremos e almejamos, assim como quando quebramos algo, nem sempre conseguimos consertar...E é nessa situação que nos encontramos, não dá pra consertamos o que se quebrou em mil pedaços. -Fez uma pausa, repensando no que iria dizer, buscando encontrar uma declaração melhor. Se encontrava a beira de um abismo e não fazia ideia de como poderia sair de lá, lembrou da bendita mensagem e sentiu a raiva inundar seu interior. – Droga, Derek!- Explodiu em lágrimas, socando o peitoral do outro, que não sentia nem cócegas com a "agressão" – Por quê não foi sincero comigo desdo princípio? Eu teria te ajudado. Sabes disso, não sabe?
Derek negou com a cabeça, com os lábios ligeiramente abertos, embasbacado com a afirmação do menor.
– Eu não sei como, mas eu teria. Seria incapaz de deixa-lo perder toda a sua fortuna, sei o quanto ela é preciosa pra você... Dinheiro...Todos amam o dinheiro, todo mundo deseja ter bilhões e bilhões, mesmo sabendo que não viverá o bastante para gasta-lo. Eu não estou te julgando, até porque, essa herança é sua por direito. Eu só tenho uma pergunta, será que posso faze-la?
– Sim!- Respondeu firme, sem mostrar indícios de choro.
– De inicio, quando só queria me usar para ter seu filho, o quê pretendias fazer com o bebê depois que ele nascesse? Você chegou a pensar na vida que eu traria ao mundo e que esse ser seria seu filho ou filha? Parou pra pensar que não estava usando somente a mim, como também o feto, para conseguir seu precioso dinheiro? Será que não pensou no quanto eu me sentiria usado quando descobrisse? Pois sim, claro. Se sua intenção era apenas uma criança, não tenho dúvidas que a primeira coisas que faria, após eu lhe contar sobre minha gravidez, seria me dar um chute na bunda E ME MANDAR PRO INFERNO!- Se alterou. Desejava fazer apenas uma pergunta, mas depois que fez a primeira, não conseguiu segurar as outras.
Derek se encontrava incrédulo, não com a exaltação do menor, mas com verdades que o mesmo dissera. Ele nunca pensou na criança que viria ao mundo, no bebê que teria seus genes e sangue, no pequeno inocente que nasceria somente para seu bel prazer.
– Poderia ama-la? Cuidar dela, protege-la de tudo e de todos?...Você queria ser papai?- Perguntou por fim. Essa era única pergunta que queria ter feito, mas as coisas não saíram como tinha, momentaneamente, planejado.
Derek respirava com dificuldade. Uma dor, quase que insuportável, se iniciou no alto das costas. Não sabia como responder a nenhuma das perguntas, pois nunca constatou a possibilidade de um dia ter que responder-las.
– Não precisa responder, Derek. Seu silêncio foi mais que suficiente, além...
– Não, Stiles...Eu nunca pensei em ser pai. — Interrompeu o divagar do Stilinski, colocando uma expressão de tristeza no rosto do menino. Uma coisa era ele mesmo concluir que o Derek não queria um filho, ouvir o outro afirmar isso é algo totalmente diferente e devastador. – Por mais que eu tentasse, não conseguiria me ver cuidado de uma criança...Não nasci para ter uma família, não tenho um bom exemplo para me inspirar. Cresci em um lar onde se acreditava que o dinheiro é a solução de tudo e agora vejo que não é verdade, que a vida não é assim. Então, pra não criar uma cópia minha, prefiro não ter filho algum.
– E você acha que criaria sozinho? Eu estaria ao seu lado, Derek. Te ajudaria e lhe daria forças e você faria o mesmo por mim, porque é assim que uma família age, em conjunto. Jamais permitiria que você transformasse meu bebê naquela pessoa insuportável que costumavas ser, nunca mesmo. Além do mais, eu tenho um ótimo exemplo pra você copiar, Peter. Pois é, ele mesmo. Nós podemos ter nos estranhado há algumas semanas, mas ele é uma pessoa maravilhosa e tenho certeza que ele seria um ótimo, ouviu bem? ÓTIMO pai.
Stiles não tinha notado que tinha colocado o braço, protetoramente, na barriga; Ele não notou, mas Derek sim.
– É o fim, não é? Nós nunca mais ficaremos juntos e você nunca vai me perdoar totalmente. — Retornou ao outro assunto, tentando ao máximo não olhar para a mão protetora do menor.
– Eu já te perdoei, Derek. Do fundo do meu coração. Mas eu não me sinto pronto pra mergulhar, mais uma vez, nesse relacionamento, por enquanto não. Gostaria que virássemos amigos e, aos poucos, quem sabe, retornássemos para onde paramos. A noite de ontem, esse é a última lembrança que quero ter de nós dois juntos...Quero esquecer as brigas e discussões, relembrar somente dos momentos bons que tivemos ao lado do outro...Dos nossos beijos, carícias e noite de amor...São as únicas coisas que me interessam guardar na memória.
Acabou, não havia mais nada para ser dito. Antes de ir embora, deu beijo na bochecha do mais velho e marchou para a saída da sala, sentindo um estranha dor na boca do estômago.
– Sei que as coisas nunca voltaram a ser como antes, você não me pertence mais... Odeio te amar! — Ouviu Derek afirmar, atrás de si. E logo flashes momentâneos invadiram a mente do rapaz.
" Derek...mais rápido, mais forte, mais fundo...Eu quero gozar!"
"Stiles, Stiles o quê você está fazendo comigo?"
"Eu...eu não sei do que estás falando."
"Você está me marcando! Não está na hora, você não está pronto para isso."
"Inti minjiera u i am tiegħek, xejn ma jista 'jifirduna."
– Você é meu e eu sou seu, nada pode nos separar.- Traduziu pra si mesmo, vendo tudo ficar escuro aos seus olhos, em seguida.
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– STILES!
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