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1 Prólogo.
Existem pequenos momentos em sua vida, poucas coisas que te fazem se sentir realmente feliz e finalmente livre. São pequenas situações raras de completa felicidade e euforia, capazes de representar e transparecer quem nós somos de verdade.
Como quando você tem quinze anos e acredita — devo acrescentar, fielmente — que encontrou seu primeiro e único amor. Por algum tempo, a sensação de que será eterno não deixa seu coração, lhe proporcionando um sentimento tão extremo que é capaz de fazê-lo se sentir nas nuvens. Mas vale lembra-lo de que, quanto mais alto você se encontra, maior será a sua queda.
E mais dolorosa.
Você promete a si mesmo que vai superar, que ela não era seu verdadeiro amor e que nunca mais vai se apaixonar. Mas isso não afasta as lágrimas e muito menos preenche o vazio.
Três anos depois, você mal se lembra dela e então repete todo o ciclo novamente, jurando a si mesmo que dessa vez vai ser diferente. Mas não é.
Talvez, pelo simples fato de que você esteve procurando por algo que sempre esteve ali, embaixo de seus olhos.
Mas não é a hora certa de falar sobre ela ou talvez, você simplesmente esteja adiando, porque não consegue nem ao menos pensar em seu nome ou no timbre doce de sua voz sem sentir um aperto intenso em seu peito.
Retardar o inevitável, é algo que você faz com muita maestria.
Seguindo com o breve momento de reflexão. No auge de seus dezoito anos, estagnado no meio do caminho entre a não tão distante adolescência e o universo completamente novo da vida adulta, você realmente crê que tem o mundo em suas mãos, mas fazer parte do time de futebol e namorar uma líder de torcida não faz de você o cara mais fodão da cidade, nem do estado e muito menos do mundo.
Passar pelo colégio, coisa que lhe parecia um grande sacrifício, não vai ser a tarefa mais árdua da sua vida. Entrar em uma boa faculdade também não.
É quando vem mais uma maré dos tais momentos. A despedida. A simples menção dessa palavra, depois de tantos anos, ainda me causa uma dor tremenda, com a qual ainda não fui capaz de aprender a lidar. Esse é um dos poucos momentos marcantes de sua vida que te fazem se sentir vazio, como se tudo o que você fosse capaz de nutrir é, a simples e certeira, tristeza.
Esse é o preço da liberdade, você dizia a si mesmo, quase como um mantra que nunca poderá se esquecer.
Você parte, prometendo a si mesmo que vai se esforçar para seguir em frente, que não é uma despedida. Mas depois de tantos anos, você se contenta com a crua e nua verdade: era um adeus.
Nesse meio tempo, você conhece a garota certa — certa para qualquer cara no mundo, mas não para você. Entretanto, o fato de estar constantemente dizendo "adeus" para as pessoas que entram em sua vida, lhe fazem aceitar que talvez seja hora de pedir que alguém fique.
Quando listei os momentos significantes da minha trajetória, cogitei a ideia de colocar somente os que me fizeram sentir feliz, mas não seria uma história totalmente verídica se eu o fizesse. Quando você se senta e para para pensar nos momentos mais importantes que já viveu, deve relembrar todos eles. Até os mais dolorosos.
E então, a conclusão é que se deve escrever os que lhe fizeram sentir-se vivo. Desde os momentos de uma completa felicidade até os que lhe rasgaram o peito. No meio de todos eles, os ligando como uma linha tênue, existe a pessoa que os viveu com você. A ideia de deixá-la de fora de todas essas lembranças parecem-me um tanto quanto absurda agora.
Talvez por egoísmo ou pelo simples fato de que não exista um único momento de puro e total êxtase, que ela não estivesse ao meu lado.
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