Hold me Down

4 Capítulo 3 – Baby steps


Capítulo 3 – Baby steps

— Como é que você e o idiota sempre encontram uma garota bonita em cada cidade que passamos? – Elle olhou para Sam.

Eles estavam na estrada, sendo seguidos por Dean. Os três estavam caçando juntos há sido semanas e seu relacionamento com Dean não havia demorado. Era costumeiro que Sam viajasse em ambos os carros, deslocando-se entre um e outro em cada parada que eles faziam, e ele estava realmente irritado com a briga entre os dois.

— O que eu posso dizer, garotas gostam de perigo, e nós cheiramos a perigo. – Ele riu. – E você? Nenhum cara para relaxar?

— Caras só trazem problemas, Sam. – Ela sorriu para a estrada.

Sam demorou um minuto inteiro para processar.

— Você gosta de garotas? — Ele a olhou, surpreso.

Os olhos dela se arregalaram.

— Não. – Ela riu, lançando seu cabelo liso escuro por cima do ombro. – Não, Sam. Eu gosto de caras. Mas você conhece o nosso estilo de vida, não podemos nos ligar a alguém.

Ela suspirou antes de continuar falando.

— Quando caçadores pensam sobre relacionamentos, só temos duas opções. Esteja com um Caçador ou não esteja com ninguém, e eu gosto de ser solteira. Tenho 23 anos, sabe?

Ele não respondeu e ela ligou o rádio.

Não havia notícias sobre John. A única coisa que eles sabiam era que ele não estava morto. Pelo menos, nenhum cadáver foi identificado como John Winchester ou tinha sua descrição.

Quando o carro de Dean se aproximou deles, ela tentou ignorá-lo enquanto os dois irmãos gritavam um contra o outro.

— Acelere. – Sam finalmente disse a ela. – Estamos chegando perto.

* * * * *

Era estranho estar em Lawrence.

Realmente, muito estranho.

Ela nunca havia pisado naquela cidade, nem mesmo havia visto as fotos da família Winchester.

O lugar era bonito, e também muito desconfortável para Dean.

— Entre. – A mulher abriu a porta antes que ela percebesse. – E você é...

Elle parou por um segundo, olhando para os dois irmãos.

— Ela é minha namorada. – Sam mentiu, por fim. – Vem, amor. Vou te mostrar o meu quarto se a nova proprietária permitir, é claro.

— Podemos consertar algumas coisas pra ela. – Ela murmurou para ele. – Vazamento pia e coisas do tipo... Se precisarmos voltar.

Sam confirmou levemente e eles voltaram ao silêncio.

— Você já voltou à sua casa antiga? – Sam indagou, virando-se para ela. – Já entrou lá e olhou para o seu quarto, pra lareira... Já imaginou a razão de ter partido?

Ela negou com a cabeça.

Eles não sabiam sobre seu passado e sua família. Até mesmo John sabia apenas o bastante sobre seu pai. Ela mesma havia descoberto muitas coisas apenas nos diários velhos que ele havia deixado para ela.

— A minha família até tem uma casa... Bem, eu tenho. – Ela desviou o olhar. – Meu avô a construiu quando veio da China e repassou para o meu pai quando morreu, e meu pai a passou para mim.

Ele olhou para ela, vendo como isso era pessoal.

— A coisa mais engraçada é que eu nunca morei lá. Antes de meu pai morrer, nós apenas viajávamos por aí, com ele ensinando-me como matar as coisas contra quais nós lutamos. Minha casa era meu carro e ele era minha única família.

Sam hesitou.

— Elle... O que aconteceu com sua mãe?

Ela lhe deu um sorriso amargo.

— Ela foi embora quando eu era um bebê. – Ela abriu a própria carteira e lhe mostrou uma foto. Na imagem, uma mulher loira segurava um bebê pequena. – Essa é ela, e essa sou eu.

— Você procurou por ela?

Elle negou com a cabeça, seu cabelo preto movendo-se suavemente no processo.

— Eu não quero. – Ela o olhou, tentando evitar o choro. – Ela largou o meu pai, Sam. Nem mesmo pensou em continuar em contato ou saber sobre mim.

— Mas ela é sua família.

Elle riu, usando o polegar para secar uma lágrima teimosa.

— Você é minha família, Sam. Você, John... – Ela hesitou. – Até mesmo Dean pode ser minha família. Mas essa mulher... Ela não pode ser minha família.

Ele não disse mais nada.

Quando eles visitaram aquela vidente estranha, as coisas foram fofas e esquisitas ao meu tempo.

A mulher de pele negra de voz doce e suave sorriu para ela depois de chamar os três.

— Venham, Sam e Dean. Você também, Elle.

Ela conhecia os dois meninos, e não pode evitar elogiá-los.

— E você, menina. — Ela segurou sua mão. – Vocês dois precisam conversar. Você não quer perdê-la, Dean. Você nunca encontrará alguém como essa garota. Nunca.

Ela corou, sem saber exatamente o que significava.

Eles se sentaram no sofá e ela apenas assistiu, deixando os rapazes fazerem as perguntas.

Era muito pessoal. Ela não era uma Winchester, e só Deus sabia como Dean estava desconfortável com ela ali.

Naquele momento, ela não queria que ele ficasse mais incomodado.

Talvez mais tarde.

Ela sabia sobre o incêndio, John havia lhe contado anos atrás. Era triste que Mary tivesse morrido daquela forma.

— Vamos. Dean se pôs de pé. — Vamos ver a casa. Missouri, você vai com... — Ele olhou para Elle. – Com ela.

Ela assentiu, não querendo perturbá-lo, mas ainda se sentindo um pouco estranha ao lado da vidente

Dean não a queria lá. Aquele não era o caso dela.

Ela não era uma Winchester.

— Sim você é. – A mulher disse, fazendo-a respirar profundamente. — Esses meninos ... eles te amam, querida. Você e Sam são provavelmente as duas únicas coisas que mantêm Dean firme hoje. Sem vocês dois, ele estaria destruído.

— Não sou uma Winchester. – Ela sussurrou. – Sou uma Lee.

— Seu sobrenome não importa para eles. Você é a família para este meninos, e este meninos são família para você. Há amor entre você, Elle.

Ela não respondeu, e ninguém disse nada até chegarem à casa. Sam e Dean bateram na porta com Missouri. Ela apenas esperou até que eles pudessem entrar. Enquanto os três subiam, ela estava com Jenny.

— O que vocês são? — A mulher loira olhou para ela.

A mulher meio-chinesa olhou para o menino, procurando por palavras.

— Somos caçadores. — Ela finalmente disse, sorrindo para o garotinho. — Fazemos os monstros irem embora.

— Você, seu namorado, o irmão dele...

— Ele não é o meu namorado. Desculpe por essa mentira. – Ela corou.

Jenny assentiu.

— Vocês...

— Vamos proteger a sua família, não se preocupe.

Quando os rapaz desceram, ela esperou por uma resposta.

— Vamos, Elle. – Sam lhe olhou. – Vamos matar um poltergeist.

E eles limparam o lugar. Limparam tão limpo que ela e Sam quase morreram quando ele foi atacado e ela tentou ajudar.

Mas quando ela estava dormindo no banco de trás do Impala com os meninos assistindo a casa e a voz de Dean a acordou, ela sabia que algo estava realmente errado.

— Pegue o bebé. – Sam disse a ela. – Vou pegar a garota.

E ela correu. Deus, ela correu como se fosse a mãe das crianças, e quando Sam foi arrastado para dentro, ela pegou tantas armas que a menina estava com medo de olhar em sua direção.

Sam era sua família.

— Eu posso fazer isso, Elle. – Dean passou por ela. – Proteja a Nenny.

After all, we’re only human
(Afinal, somos apenas humanos)

— De jeito nenhum. – Ela olhou para ele. — Sam é minha família, e ninguém brinca com minha família.

Ele não disse nada depois disso, e foi ela quem quebrou a porta de madeira e apontou uma arma para a figura de fogo.

— Não. — Sam gritou. — Não faça isso.

E era Mary.

E Mary reconheceu eles. Bem, ela reconheceu os meninos.

E, o que quer que fosse aquilo, tinha ido embora.

Suas pernas pareciam gelatina, e se não fosse por Dean ela cairia de joelhos.

— Demais para um dia só, hein? — Ele sussurrou.

Always fighting one more feeling
(Sempre lutando contra um sentimento)

Era como se nada tivesse mudado.

— Vamos sair daqui, cheirosa. Você é mais sensível que nós dois. — Ele apontou para Sam. — Vamos. Você precisa de ar. Todos nós precisamos.

Naquela manhã, quando Sam estava conversando com Missouri, ele se aproximou dela novamente.

— Então. — Ela cruzou os braços. — Estamos bem?

— Me desculpe. – Ele finalmente disse. – Ela está certa. Eu... Eu sinto muito.

— E isso é tudo que eu vou ter de você.

Ele acenou com a cabeça e os dois se inclinaram contra o Camaro vermelho.

Hurt instead of healing
(Nos machucando ao invés de curar)

— Vocês são a única família que me resta. – Ela finalmente disse, sem olhar para ele. – Eu não posso perder vocês.

— Vou tentar não brigar com você sem motivo de novo.

Eles não abraçaram. Eles não se tocam.

Dean estava machucado. Ela tinha partido, o tinha abandonado dois anos antes.

Ele não estava pronto para esquecer. Não ainda.

— Então. – Sam olhou para ela enquanto Dean estava em seu próprio carro. – Vocês são amigos de novo?

Ela deu um pequeno sorriso.

— Estamos dando passos pequenos, Sam. – Ela finalmente disse. – Camaro ou Impala?

— Impala. – Ele sorriu.

Ela retribuiu e abriu a porta do carro vermelho.

— Te vejo na próxima parada.

Is there any other reason
(Existe alguma rasão)
Why we stay instead of leaving?
(Para ficamos ao invés de partir)

Notas finais
Muitos beijos e feliz ano novo.