Hold me Down
2 Capítulo 1 – Bloody Mary
Capítulo 1 – Bloody Mary
Elle mudou o peso do corpo de uma perna para a outra. Ela não via os Winchester há mais de dois anos, e eles podiam ter mudado completamente nos últimos anos.
— Tenha uma boa estadia, senhorita Flowes. – A mulher entregou a falsa identidade de volta à caçadora.
Gabrielle Flowers. Esse era o nome que ela estava usando naquela cidade e para se registrar no motel, ficando no quarto em frente ao dos Winchester.
Ela vasculhou o estacionamento local com os olhos, notando como o Impala não estava ali e ligando para Sam. Ela mal podia esperar para vê-lo, se ele parecia mais velho ou como seu cabelo estava. Desde que eles eram crianças ela amava brincar com seu cabelo.
— Hey, Sam. – Ela olhou para os dois lados antes de atravessar a rua. – Onde vocês estão?
— Tem um lugar ao norte a menos de cinco minutos do hotel. Quer alguma coisa?
— Hambúrgueres e fritas. – Ela sorriu. – E nem pense em encostar no meu prato. Estou aí em dez minutos.
Quando ela chegou, foi difícil achar os garotos. Depois de olhar em volta sem muito sucesso, a morena se inclinou no balcão e sorriu para o primeiro cara se parou para olhá-la.
— Ei, você viu dois caras por aí? Um deles é bem, bem alto e o outro tem olhos verdes. – Ela indagou. – Os dois são brancos, provavelmente estão...
— Elle? – O chamado a interrompeu.
A mulher se virou rapidamente, vendo Sam caminhar em sua direção antes de pular para abraçá-lo. Ele logo a segurou pela cintura, notando o quão pequena ela parecia ao seu lao.
— Olhe só pra você. – Ela sorriu. – Você continua enorme e tão fofo ao mesmo tempo.
Ele estava surpreso.
Enquanto eles cresciam, Elle era quase um menino, vestido as roupas que não cabiam mais nele e Dean na maior parte do tempo e cortando o cabelo quase da mesma forma que Sam. Sua figura feminina vivia escondida e eles nunca haviam lhe visto como uma garota, falando besteira ao seu lado ao lado dela e com ela, além de iniciarem competições nojentas de quem tinha o pum mais fedido ou o arroto mais alto. Qualquer outra garota provavelmente ficaria enojada, mas não Elle.
Depois que a garota fez 17 anos, Sam notou algumas mudanças. Primeiro, ela havia parado de cortar o cabelo, e então começado a cheirar como uma garota. Dean até mesmo encontrou um desodorante feminino enquanto ela arrumava a mochila num dia, e a provocou por meses por isso. Quanto mais feminina ela se tornava, mais ele a provocava, até seu aniversário de 20 anos.
Naquela noite ele havia lhe trazido um presente grande, enrolado em papel prateado. Quando ela o abriu, até mesmo John soube que Dean havia passado dos limites.
Debaixo do papel chamativo, havia uma caixa de absorventes.
“A maior que eu encontrei” Ele havia dito.
A vontade de socá-lo estava óbvia no rosto de Elle. Sua amizade com Dean nunca havia sido a mesma desde então.
Hoje em dia, eles mal se falavam.
— Você está linda. – Sam exclamou.
E ela estava. Ele mal podia compará-la com a menina-macho que havia crescido ao seu lado. De uma forma particular, seu corpo era magro e levemente torneado pelas caçadas, e sua curvas eram suaves e delicadas.
— E como você está? – Ela tocou seu braço carinhosamente. – Eu sinto muito pela sua namorada.
— Eu vou ficar bem. Vamos encontrar o que matou ela. – Ele lhe olhou enquanto eles caminhavam em direção à mesa. – Mas primeiro temos que encontrar o papai.
Dean ergueu o rosto para observá-la se sentar. Elle estava definitivamente mudada. A última vez que eles havia se visto, ela basicamente usava enormes sweaters ou jeans folgados com camisetas maiores que seu corpo. Num jeans skinny, botas e uma jaqueta de couro, ela era uma visão dos céus.
O coração dele acelerou levemente. Ela estava ainda mais bonita.
— Ei idiota. – Ela se sentou ao lado de Sam.
— E aí, cheirosa?
Ela esticou a mão olhando um dos artigos em cima da mesa antes de se virar para Sam.
— Há quanto tempo ele está desaparecido?
— Há mais de um mês. Estamos seguindo as pistas e, você sabe...
— Matando tudo o que vemos pela frente. – Dean completou.
Quando a garçonete trouxe a comida dela, seu estômago roncou alto.
— Céus, eu estou faminta. – Gemeu.
Sam esticou uma mão para roubar uma de suas batatas, e Elle lhe deu um leve tapa.
— Hey, eu te disse mil vezes e vou dizer de novo, não mexa na minha comida.
Ele riu.
Ele havia sentindo falta dela.
(...)
— Então. – Ela se deitou na cama de Sam, abrindo os braços e os pondo atrás da cabeça. – O que temos?
Em resposta, Dean jogou alguns artigos em sua direção. Eles não estavam realmente conversando.
— Nós fomos ao necrotério. O cara perdeu os olhos. – Ele gesticulou. – Falamos com a filha dele, e adivinha só?
— Hum? – Ela ergueu as sobrancelhas.
Sam se sentou lado dela.
— Bloody Mary.
Ele franziu as sobrancelhas.
— Ele não era velho demais pra isso? – Ela se virou para o Winchester mais alto. – E agora?
— Pesquisa. – Ele ficou de pé. – Vamos à biblioteca.
Ela gemeu em frustração.
— Merda... Odeio pesquisas.
Quem não odiava?
Horas mais tarde a morena estava sentada numa cadeira enquanto Sam dormia, e a tensão entre ela e Dean era tão pesada que ela podia segurá-la nas mãos. Quando o mais jovem do cômodo começou a se contorcer enquanto dormia, ela logo se aproximou dele.
— Pesadelo. – Dean a olhou, tentando não aparentar que se importava demais.
Ela esperou e, quando Sam se virou para olhá-la, já acordado, Elle se ajoelhou ao lado lado.
— Você está bem?
— Pesadelo. – Ele bocejou. – Droga, Dean, porque me deixou dormir.
A mulher franziu as sobrancelhas, esticando a mão para acariciar o cabelo do rapaz que considerava um irmão mais novo.
— Eu sou um irmão maravilhoso. – O mais velho ironizou, tentando não se focar em o quão carinhosa ela sempre era com Sam.
Ele sentia falta dela sendo assim com ele às vezes.
— Vocês encontraram algo? – Sam se sentou.
— Não. – Ela suspirou. – Nenhuma Mary e nenhuma morte suspeita.
O telefone dele tocou e todos ficaram em silêncio.
Podia ser John.
Mas não era. Mesmo que Elle estivesse aproveitando o tempo com os dois, ela ainda precisava falar com eles sobre o desaparecimento do mais velho, embora nenhum dos dois irmãos parecesse disposto a falar sobre o assunto.
— Alô?
Ela estou em silêncio, e se pôs de pé quando Sam o fez.
— Vamos, nós temos uma pista.
O Impala tinha cheiro de lar. Ela se lembrava muito bem de dividir o banco de trás com Sam enquanto eles cresciam, e se sentar na frente ao lado de John em seus aniversários – porque Dean raramente deixava alguém tomar seu lugar.
Ela tinha pura certeza de que o porta-malas estava cheio de armas, assim como o dela e – embora não admitisse – amava a sensação que se sentar ali lhe trazia. Era como ser uma criança de novo.
Quando eles saíram do carro, Sam lhe apresentou a garota.
— Elle, esta é Charlie. Charlie, esta é a Elle. Ela é como...
Ele estava pronto para dizer que ela era como uma irmã pra eles, mas Dean o interrompeu.
— Nós trabalhamos juntos às vezes.
O que a garota – Charlie – descreveu era o esperado. “Jill” havia morrido no chão do banheiro, em frente ao espelho, e dito as palavras.
“Bloody Mary”
Aquilo era definitivamente assustador.
— Nós achamos que sabemos o que está havendo. – Elle disso, fazendo-os olhá-la. – Podemos resolver, mas precisamos da sua ajuda.
Minutos depois, os garotos estava escalando o telhado da casa da garota falecida enquanto ela esperava no carro.
Elle nunca, nunca, havia dirigido o Impala, mas sabia que precisava dar cobertura a eles se algo houvesse acontecido.
Quando o celular dela tocou, ela estava pronta para o pior.
— Ei. – Sam sussurrou. – Precisamos de uma luz negra. Está no porta malas do carro.
Quando foi procurar a luz, a mulher ficou surpresa. Eles tinham mais coisa que ela se lembrava. Após entregar o objeto a um Dean silencioso, ela foi atrás de uma caneta para o próximo pedido de Sam.
— Gary Bryman. – Elle murmurou, lendo o nome no papel. – Porque eu não tenho um bom pressentimento?
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