Hinata
15 Tudo Vai Ficar Bem
Notas iniciais
O clima na sala era frio, morto, mórbido. Cada um perdido em seus próprios mundo, pensamentos e questionamentos.
Kurenai interrompeu o silêncio sombrio que havia pairado no recinto. Antes de voltar a dizer algo, soluçou. Tentou se recompor, na medida do possível. Limpou as lágrimas com as costas das mãos. Literalmente, aquela era a segunda vez, que falava sobre o tão terrível passado. A primeira foi Tsunade, há anos atrás. Nem com a amiga, voltou a tocar nesse assunto, e a Senju lhe respeitava. E agora, tinha acabado de terminar seu relato.
Por mais difícil e doroso que fosse, ela sentiu necessidade, e também achou justo, que o jovem à sua frente soubesse, pelo menos um pouco, do que havia acontecido.
Ela enxergou a forma como o loiro estava envolvido, como se dedicava, como estava comprometido, principalmente, como ela amava sua menina. Era tão nítido, o sentimento que envolvia ambos. A Yuuhi mais velha percebeu desde a primeira vez, que pôs seus rubis nos dois. Além dos sinais claros, que a filha dava: a irritação e raiva desmedidos. Até mesmo os olhares, que sem perceber dirigia ao Namikaze.
Nada mais justo, do que tirá-lo do escuro, para que entendesse melhor tudo e até visse de outra perspectiva. Para que soubesse de totalmente tudo. Não poderia negar que no fundo, tinha certo receio, pois mesmo que o jovem amasse sua filha, muitas vezes, esse sentimento não era suficiente. Prova disso, foi seu caso de amor, que apesar do laço que a unia ao seu amado, não foi o necessário, para que desse certo. E muitas vezes, quem ama, tem atitudes falhas com o ser amado. Contudo, a professora ainda apostava suas fichas no Uzumaki. E esperava não errar, como fez até agora.
Mas, apesar desse pequeno ato de coragem e boa intenção. Nada aliviara a dor que remexer naquele assunto trazia. A mulher não desejava nem ao seu pior inimigo, que passasse por algo assim. Rogava aos céus, para que nenhuma mãe ou filha, passassem por nada parecido. Como se lembrava das noites em claro, que passou angustiada, com medo de que a filha pudesse atentar contra a própria vida. Ou chorando até não ter mais lágrimas e sentir tanta dor de cabeça. Pior, depois de ver no que sua menina havia se transformado.
Covarde. Ela sempre foi uma. Sempre optou pelo caminho mais fácil, e se arrependia. A mulher também havia sofrido muito, antes de sua filha. Um passado difícil e que sempre martelava em sua consciência. Era uma pessoa arrependida. Pensava que se tivesse tomado outras decisões, tudo poderia ter sido diferente.
Culpa. Sua amiga de tantas noites e dias. Culpa pelo que havia feito e não feito. Culpa pelo sofrimento da filha. Ela já estava tão acostumada, que não se via sem sua culpa. Apesar de que no fundo, uma vozinha bem fina, lhe dissesse que ela deveria parar. Aquele comportamento era tão comum, tão natural, se repetia como um padrão.
Mas o que ela poderia fazer? Hinata era a melhor coisa que já havia acontecido em toda sua vida. Então, deveria fazer de tudo, para que ela fosse feliz.
– Bem.... — a voz dela saiu mais trêmula do que queria. Então respirou fundo e continuou — agora você sabe de tudo, pode decidir com plena consciência que decisão tomar.
– Eu.... — só quando abriu a boca e sentiu o gosto salgado, foi que percebeu estar chorando — é claro que estarei ao lado dela. Manterei o que sempre quis, isso só serviu para que eu me empenhe mais.
Ele tentou mostrar sinceridade e calma, que estava longe de sentir. Contudo, não pioraria mais o estado em que as coisas se encontravam. Por dentro, pareciam um vulcão, prestes a entrar em atividade. Já conseguia sentir a lava queimando e as cinzas embaçando sua visão. Aquilo tinha nome: ódio. O mais puro.
Ele nunca havia se quer, provado desse sentimento, em toda sua vida. Porém, sabia que apenas ódio, poderia nomear o que se passava dentro de si mesmo.
Como odiava o maldito que havia tirado a pureza de sua pérola, chegava a queimar......mas um dia, ele iria pagar....
No momento, o Uzumaki só se preocupava com Hinata. Ele sentia raiva de si mesmo. Como pôde se cegar com seus próprios desejos? Devia ter se controlado, por mais difícil que poderia ser, mesmo que a perolada o tivesse procurado. O loiro não deveria ter cedido. Ele deveria ter sido irredutível, a afastado.
Agora ele entendia perfeitamente, a atitude desesperada de fuga, que a azulada teve. E agora, não duvidara, talvez ela acreditasse que ele apenas queria usá-la, ou ter seu corpo.
Por mais equivocado que Naruto poderia estar, ele tinha motivos para tal. Pelo que conhecia de Hinata, ela era instável e desconfiada. O loiro por várias vezes demonstrando seu afeto, a jovem, também por várias vezes, tinha duvidado dele.
E isso doía tanto, o loiro queria que sua pérola não tivesse sofrido assim. Ele também sofria pela possibilidade dela pensar desprezar seus amor, dela não acreditar.
Ele estava tão feliz pelos últimos dias, por terem estado tão próximos, como nunca antes. Terem dividido algumas coisas. E depois, pelo momento íntimo em que a amou profundamente. O Namikaze tinha certeza que foi diferente para Yuuhi como foi para ele, mas não sabia o quanto havia significado para ela.
Apesar de demonstrar firmeza à Kurenai, ele se sentia inseguro, não com seus sentimentos. Mas pelo que estava por vir. Na realidade, tinha medo de como Hinata reagiria depois do que aconteceu.
Ele diria "eu te amo", se não fosse interrompido. Estava triste com isso também, com a rejeição. Pois ele também tinha suas carências. Como visto antes, tinha seus próprios fantasmas. A morte dos pais doía, e até hoje, se sentia solitário. Pensou que nunca preencheria o vazio que sentia, até que a conheceu. E tudo mudou, estar com ela, era o certo. Cuidar dela, era o certo. Amá-la era o certo.
No momento, o loiro tinha raiva de si próprio, por ter agido daquela forma. E pela primeira vez, sentia o gosto amargo do arrependimento, por uma atitude que tomou, poderia ter posto tudo a perder. Todo progresso que havia tido, pior, que pudesse desencadear lembranças e sentimentos ruins, em Hinata. Ele tinha sido paciente até o momento. Então, por que resolveu deixar a cautela de lado, e se jogar de cabeça? O Uzumaki sabia o quão difícil, foi derrubar aqueles muros de concreto, erguidos pela Yuuhi. E ele sabia também, que ainda havia uma barreira entre ambos, contudo, não pensou que fosse tão resistente, ao ponto dela fugir.
O erro de Naruto, era tentar resolver tudo, e nem sempre sua força de vontade ou sorriso, seriam a solução para os problemas em geral. Apesar de estar bem intencionado, de querer o melhor para amada, e ter características admiráveis, era um ser humano. Tinha seus defeitos, como a impulsividade, que até o momento, permanecia quieta. No entanto, deu as caras na noite anterior e essa manhã.
Abanou a cabeça, suas inseguranças e pensamentos egoístas, eram tão pequenos perto de tudo. Ele não tinha tempo para isso, além disso, precisava ser forte e mais corajoso que o habitual, para enfrentar o que estava por vir.
Como ele havia pensado antes, o mais importante era Hinata:
– Kurenai-san, eu preciso achar a Hina-chan! — ele foi infático. O jovem se levantou da poltrona.
A forma decidida como falou, acabou despertando a mulher para realidade, e afastado de vez, qualquer dúvida que tivera:
– Eu acho que talvez saiba, onde ela pode estar — a professora informou, desejando com todas as forças, que estivesse correta.
....
O sol começava a despontar, o céu límpido. Não haveria vestígios de chuva, da noite anterior, se a grama não estivesse úmida. Como diz o velho ditado: "depois da tempestade, sempre vem a bonança"
O irônico era que, justamente o contrário, havia acontecido com ela. Primeiro, experimentou uma felicidade que há tempos não sentia. Além de uma gama de outros, que jamais, em toda sua existência, sentiu.
Tudo era tão novo, não tinha a mínima certeza do que fazer. É claro que ela admitia, seu coração e corpo, não a deixariam mentir, havia algo muito forte, que a ligava ao loiro. Custou tanto, assumir isso.
Então, ele quase disse "aquela frase". A azulada sabia que havia estragado tudo, qualquer mulher em seu lugar ficaria feliz, se declararia e terminaria, ou no caso, continuaria na cama. Ou no máximo, daria uma recusa. Mas, nunca correria como uma louca. Aparentemente, apenas ela.
A perolada não sabia dizer o que se passava dentro de si mesma, estava frustrada por sua atitude idiota e covarde. Também estava em choque e não sabia se estava feliz, pela "quase declaração".
Mas na certa, Naruto deveria estar com raiva dela, por ter pisado nos seus sentimentos, mesmo que essa não fosse a intenção da jovem. Ele que a ajudou e cuidou, deveria pensar que era uma ingrata. Ou maluca. Agora, nem deveria querê-la. E isso lhe deixava magoada e triste, só pela ideia. Ela deu um suspiro sofrego, ao notar que doía mais do que pensou.
Em nenhum momento, se arrependia de ter se entregado ao loiro. Tinha plena consciência de seus atos. Foi maravilhoso, seu corpo foi tratado com carinho. Ele, nitidamente, se importava e preocupava, com a jovem. Portanto, aquela foi a melhor vez de todas. Totalmente incomparável, porque pela primeira vez, se entregou de corpo e alma. E pela primeira vez, o sexo foi íntimo. Pois antes, era algo estritamente carnal e superficial, não conseguia ultrapassar o desejo. Por isso, com Naruto, foi sublime, um encaixe perfeito.
E agora, de quê adiantava, se acabou com tudo? No momento, "fugir" foi a ideia mais "sensata", na verdade, foi o mais fácil a se fazer. Estava tão confusa, como nunca esteve antes. E nem se importou, ou sequer viu, as pessoas olhando para ela, correndo de camisola e o rosto tomado por lágrimas.
– Eu acho que deveria trazer flores, ou algo assim? — foi uma tentativa frustrada de brincadeira. Porque na verdade, sua voz saiu trêmula e chorosa.
A jovem colocou a mão na pedra fria. "Aqui jaz, Inuzuka Kiba; filho, irmão e amigo, amado"
– Me desculpe.... por ter demorado tanto tempo — as lágrimas que haviam secado, voltaram com toda força. Foi difícil de falar.
Durante um período, constantemente, quando Hinata queria pensar, ou precisava de um conselho, seus pés a levavam ao lugar onde o amigo descansava. Mesmo sendo um cemitério, não era um lugar fúnebre, mas calmo e agradável. Várias vezes sumia, e sua mãe ficava preocupada, até descobrir onde estava. No entanto, com o passar do tempo, suas visitas foram diminuindo gradativamente, até pararem de vez.
– Como eu sou patética — zombava da própria situação: chorando e falando sozinha.
Ela riu por isso, pois em sua visão, era ridículo. Digno de uma boa gargalhada:
– Eu conheci alguém — fez uma pausa — ele me lembrou você, pulguento.
Pela primeira vez, ela externava esse pensamento, tão bem guardado no fundo da mente. E incrivelmente, não foi desconfortável, como ela pensou que seria. De fato, ela sentiu um pouco do peso, que carrega nas costas, diminuir.
Na verdade, desde que pôs suas luas em Naruto, instantaneamente, se lembrou do falecido amigo. As personalidades eram parecidas. Ambos brincalhões, hiperativos e também protetores consigo. Esse foi um dos motivos, pelos quais tentou afastá-lo, pelo fato de lembrar seu passado.
– Mas, ele tem algo diferente. Não me leve a mal — deu uma pequena risada, mas voltou a ficar séria ao refletir.
Com o Uzumaki, seu corpo, mente e coração, funcionavam de forma diferente, do que com seu amigo. Além do desejo, pelo loiro, o sentimento era intenso. Diferentemente do fraterno, que nutria pelo Inuzuka.
E se existia algo, que no início a fez repelir o par de safiras, era que elas a despiam. Lhe deixavam nua, lhe desvendava tão facilmente. E era estúpida, a maneira como Naruto conseguia tocar dentro de si, como nenhuma outra pessoa. Tão facilmente, lhe deixam rendida e com raiva de si mesma.
E o principal, Naruto lhe entendia e as suas necessidades também. A grande verdade, era que depois da violência que sofreu, Hinata não se valorizava. Quando se mostrava atraente e deixava que tocassem no seu corpo, na verdade inconscientemente, se punia por algo que nem tinha culpa. Quando pensava em ter uma vida luxuosa e confortável, na verdade, tentava suprir suas carências afetivas com futilidades. Quando sorria ironicamente, queria chorar. Quando usava alguém, era porque tentava dar o troco na vida. Quando se mostrava ousada, queria ser tímida. Quando tratava as pessoas que lhe amavam, mal; queria colo.
O que ninguém percebeu, era que Hinata gritava pedindo ajuda, essa era a forma de pedir por socorro. Ninguém, exceto Naruto. A grande inteligência emocional que ele tinha, logo entendeu.
– Agora isso não importa. Provavelmente, aquele loiro idiota não vai mais querer saber de mais nada — ela tinha os braços em volta do próprio corpo, num autoabraço.
– Você está enganada. O que eu mais quero, é saber de você.
Hinata rapidamente virou o corpo. A princípio, tomou um susto, mas depois acabou corada, por ter sido pega falando sozinha.
– N-naruto — ela gaguejou. O que ele fazia ali? Como ela estava ali? Seria um sonho, ou estaria louca de vez?
A Yuuhi preferiu voltar a fitar a lápide de Kiba.
– É o seu amigo? — o loiro se pôs ao lado dela.
Hinata acho estranho o fato do rapaz, tê-la questionado sobre o amigo, nunca havia dito nada. Contudo, apenas afirmou com um aceno fraco de cabeça.
– Eu sinto muito por isso — e não era da boca para fora, Naruto mais do que ninguém, conhecia a dor da perda. E pelo que soube, o outro era praticamente um irmão — gostaria de tê-lo conhecido — mais uma vez, ele foi sincero.
Naruto nem questionou Kurenai, quando a mulher lhe disse o suposto paradeiro de Hinata. O Uzumaki queria chegar logo no local, ter uma conversa sincera com sua pérola, para enfim, decidir sobre coisas importante. Durante todo seu percurso, recuperou toda sua determinação e confiança. Não seria agora, depois de tudo, que desistiria. Uzumaki Naruto, nunca soube o significado da palavra desistência. Ainda mais após saber sobre o passado difícil e doloroso da jovem. Não era isso que ele queria? Conhecer cada pedacinho daquele pequeno ser ao seu lado? Pois então, quem disse que era fácil? Ele já estava acostumado com dificuldades. Desde que a fitou naquele corredor, pela primeira vez, tinha certeza de que já estava unido a dona dos olho de lua. Ele não queria errar, não iria errar.
– Vocês se dariam bem — a azulada deixou escapar, e ficou surpresa por ter dito com facilidade. Ruborizou, ao notar pela sua visão periférica, que o loiro deu um pequeno sorriso. Todavia, resolveu ir direto ao assunto — o que você quer? — ousou indagar, apesar do tom de voz estar leve como a brisa que tocava seu rosto.
– Eu quero conversar com você, Hina-chan — ela voltou a fitá-lo, depois de ouvir o apelido carinhoso. Não soube medir o tamanho do alívio que invadiu seu corpo.
– Conversar? Depois de ter fugido de você? — a azulada não deixou de pontuar.
– Sim — o rapaz foi firme — quero conversar com você. Esclarecer as coisas de vez — ele segurou no braço feminino, fazendo com que a Yuuhi se virasse, para que ficasse de frente à ele. Para completar, deslizou a mão grande, do cotovelo feminino, até macia e sempre fria, mão. Ali, desenhara círculos imaginários, uma delicada carícia.
Por que ele fazia aquilo? Mesmo depois de tê-lo tratado mal por diversas vezes. Mesmo depois de ter ido atrás dele, para que passassem a noite juntos, e depois ter corrido como uma total inconsequente, sem nem pensar no que ele sentia. E ainda sim, era tratada com delicadeza, carinho e compreensão. Ela se sentia uma megera, uma verdadeira bruxa de contos de fadas.
– Por que você faz isso? — a jovem questionou mais uma vez.
– Fazer o quê? — o loiro respondeu com mais uma pergunta. Seu tom era inocente e manso, mas já tinha ideia do que ela falava.
– Não se faça de desentendido — a voz se elevou uma oitava — agir desse jeito, como se eu não tivesse feito nada. Eu sei que não mereço, então pare! — ela segurava as lágrimas com muito custo. Detestava chorar, mas não fazer, estava se tornando uma tarefa árdua naquele dia.
– Mas é claro que você merece, só pelo fato de reconhecer seu erros, já faz de você alguém que valha a pena — o loiro sibilou com sabedoria. Levou as mãos masculinas até os ombros delicados, e os pressionou levemente, em claro sinal de apoio.
As lágrimas já escapavam sem controle, formando uma cascada do rosto belo. Os olhos inchados e avermelhados, os fios azulados bagunçados e mesmo assim, continuava linda, na visão do loiro.
– Não chore, por favor. Será que você não sabe, que detesto vê-la assim, triste? — ele levou as mãos que estavam, até então nos ombros, e levou para o rosto arredondado, com a intenção de limpar as malditas que caíam, manchando o rosto que tanto amava. Porém, foi repelido. Ela afastou o toque dele e também seu corpo. Novamente a perolada abraçou o próprio corpo, como proteção.
– Pare! — ela deu um berro com todas as forças. Sua cabeça latejava.
Não aguentava mais, iria dizer o que tinha vontade, o que guardou durante anos e não conseguia segurar mais. Também falaria por Naruto, ele que sempre foi tão sincero, merecia sinceridade em de volta. Se ele tinha tanto apreço assim por ela, deveria saber de tudo. Não queria mais mentiras, enganos e desculpas. Apesar de ter quase certeza, de que perderia a melhor coisa que aconteceu em sua vida em anos, justamente por isso, o loiro não merecia se afundar na lama em que ela estava. Talvez aquele fosse o ato mais nobre, que já fez na vida. Mesmo os "créditos da bondade", não sendo, nem de longe, seu objetivo.
– Será que você não entende? Será que não entra nessa cabeça loira, que eu não mereço isso? Eu sou suja, você é bom demais para mim — ela tinha as mãos nos fios azulados, puxava sem dó nem piedade, o couro cabeludo ardia, aquela pequena dor não era nada comparada ao que sentia — e-eu.... — respirou fundo, seria agora, tinha que ser — eu fui tocada, marcada. Tudo de bom, dentro de mim, foi arrancado. Um homem, me.....
– Pare! — foi a vez do Uzumaki explodir. Pela primeira vez, o viu bravo, nitidamente raivoso. As pupilas dilatadas e os punhos serrados.
A paciência do Namikaze foi esgotada. Ela era tão cabeça dura que não enxergava as coisas? Mas ele mostraria que poderia ser muito mais.
– Me escute você — o dedo estava em riste — já estou cansado de você duvidando dos meus sentimentos. Você acha que se o que eu sinto por você, fosse tão fútil assim, eu ainda me daria ao trabalho? — lançou a pergunta retórica. Tomou um pouco de ar e continuou um pouco mais calmo, entretanto, ainda sério e firme — você pensa que é fácil, ter que me controlar em tudo? Você acha que eu não sei dos seus defeitos? Se eu quisesse me apaixonar por alguém perfeita, eu me apaixonaria pela Barbie. Você não entende, que são justamente seus defeitos e marcas e todo resto, te fazem quem é? Pensa que eu sou idiota? A primeira coisa que eu vi em você foi a sua dor, isso me chamou tanta atenção. Então pare de tentar se culpar por algo que você não tem culpa nenhuma, pare de inventar desculpas para se esquivar da felicidade. Mas é claro que eu sei.... sua mãe me contou tudo. Como você acha que eu descobri onde estava? — ele terminou seu longo discurso sussurrando.
Foram tantas informações ao mesmo tempo, que Hinata se sentiu atordoada. Ele sabia! A jovem pensou ter ouvido sua mãe, na corrida que fez. Então era real. Suas bochechas estavam tão quentes, como nunca estiveram. Ficou tão envergonhada.
– M-mas.... — tentou formular algo, porém não obteve sucesso.
– Mas nada — ele foi brando — pare de insistir.
Enlaçou a cintura feminina. Ela estava tão cansada, havia tido um estresse emocional fortíssimo. Completamente esgotada e sem forças para relutar. Aceitou de bom grado o colo do loiro. Sem dificuldades, o Uzumaki lhe pegou nos braços. A Yuuhi apenas se segurou no pescoço dele e colou a cabeça no peito masculino, onde ouvia as batidas ritmadas do coração e isso a acalmava completamente.
....
Ao despertar, perdeu a noção de espaço e tempo. Piscou os olhos três vezes, até finalmente focalizar sua vista. Olhou para o teto e depois para sua esquerda, estava em seu quarto; pela janela, pôde ver que o Sol se despedia. Então concluiu que estava no final da tarde.
Nem se lembrava de como havia deitado na sua cama. A impressão que tinha, era que havia dormido por séculos à fio. Entretanto, não reclamara, porque a sensação de cansaço do seu corpo, foi totalmente curada.
Quando enfim decidiu se virar para o lado direito, deu de cara com um par de safiras tão conhecidos por ela:
– Oi — ele saudou.
– Oi — a azulada repetiu — você ficou todo o tempo aqui?
– Sim — o Namikaze coçou a bochecha, por estar um tanto encabulado — quando eu te deixei na cama, você pediu para que eu não te deixasse.
As maças do rosto dela, rapidamente ficaram rubras pela informação.
– Me desculpe, por te dar tanto trabalho — ela falou suavemente — e..... eu tive tanto medo que você tivesse desistido de mim — seu rosto estava tão quente, mais vermelha impossível.
Depois de tudo, um grande peso tinha saído de suas costas. Não havia motivo para omitir, se fosse antes, jamais diria nada disso. Contudo, sentia que haviam finalmente, passado dessa fase. E como a mesma decidiu mais cedo, não queria se enganar e nem enganar Naruto.
No entanto, sua linha de raciocínio, foi cortada ao ouvir a risada do loiro deitado ao seu lado:
– Não ria de mim — formou um bico adorável.
– Eu adoro quando você cora, ou quando fica contrariada e faz esse bico — ele abriu um enorme sorriso, que fez o coração dela dar saltos — Você é fofa, Hina-chan. Mas, esse não é o motivo do meu riso. Eu só achei divertido, fato de também ter tido medo, de que você pudesse desistir realmente de tudo.
O dia foi uma montanha russa de emoções, ele esteve com medo, preocupado, irritado e agora, poderia se dar ao luxo de rir. Não só ele, mas Hinata também, tinham vencido uma grande batalha. Claro, ele não era alienado, ao ponto de não saber que ainda existiam muitos obstáculos na vida. E esse era apenas o começo, mas nada abalaria sua felicidade e esperança. Obviamente, sabia que apenas palavras, não funcionariam. Mas, estava disposto à continuar mostrando com seus atos, que a amava. Ele queria muitíssimo, poder dizer isso, gritar para todos. Porém, preferia não se precipitar e por acaso, repetir a cena da manhã.
Ele levou a mão e acariciou a lateral do rosto de porcelana. Em vez de ter sido repelido, como da última e recente vez, a moça apenas fechou as orbes apreciando o contato.
Por vontade própria, ela se aproximou dele e roçou os lábios, num carinho gostoso e lentamente, o transformou num beijo profundo, um sentindo a textura do outro. A jovem colou o corpo pequeno e pecaminoso, no corpo grande e quente do Uzumaki.
Por ainda estar com a mesma camisola fina, Naruto conseguia sentir os biquinhos durinhos, que chupou gostosamente, na noite anterior. Para completar, Hinata colocou umas das mãos pequenas e habilidosas, por dentro da camisa dele. Com as pontas dos dedos, acariciava toda extensão das costas, pela mão estar fria, causava uma gostosa sensação de choque, ao longo da coluna vertebral, além dos pêlos ficarem eriçados.
O homem suspirou e apertou a cintura fina, ao sentir os lábios com gosto e cereja, passarem de sua bochecha, até o pescoço, onde ela continuava a distribuir beijos. O loiro só caiu em si, quando a mão atrevida deslizou de suas costas até apertar levemente seu membro.
– Eu acho melhor você tomar um banho — o jovem sugeriu, enquanto afastava a pequena mão dali.
– Tudo bem — a perolada aceitou ofegante. Deu um selinho carinhoso nele — obrigada — agradeceu e se retirou.
Naruto não seria hipócrita de dizer que foi fácil recusar e não queria nada. Ele teve que exercer um controle que estava desenvolvendo com o tempo. Era claro, que queria repetir o momento mágico que viveu. Mas sabia que não era a hora certa para aquilo. Mesmo assim, não abandonou o sorriso no rosto, causado pela maneira doce como foi tratado.
Após o banho que relaxou todos os músculos tensos de seu corpo. Realmente, a ideia de Naruto foi ótima, apesar de ter prefiro continuar o que faria, não o contestou, agora era melhor ir com calma. Saiu do banheiro vestida, pois já tinham roupas reservadas. Na certa, sua mãe deixou ali e só foi fazer essa ligação, que ouviu vozes e as seguiu.
Caminhou até a sala, onde visualizou Naruto sentado à mesa e Kurenai o servindo, como uma boa anfitriã. A professora, ao ver sua filha:
– Hina, se junte à nós — a Yuuhi mais velha exclamou sem conter a empolgação — eu preparei um lanche. Você precisa comer, querida — direcionou um sorriso gentil à jovem.
Kurenai sorria de orelha à orelha. A mulher estava tão feliz, desde que Naruto chegou com sua menina nos braços e dormindo tranquilamente. No final, estava certa. Teria uma dívida eterna com o jovem. Ela se divertiu até mesmo, quando ele lhe pediu desculpas, completamente corado e coçando a nuca, por ter ficado no quarto de Hinata, por tanto tempo, e ainda fez questão de explicar que não havia feito nada de errado. Ela disse que não tinha problemas, claro, depois de alguns risos.
A azulada se sentou, o loiro também lhe direcionou um sorriso mais iluminado que o Sol. Foi ótimo sua mãe ter preparado algo para comer, porque agora sua fome era grande. E então se lembrou que não havia se alimentado durante todo o dia. Ela devia desculpas à mulher, que muitas vezes foi tratada rudemente. E mesmo assim, sempre era gentil consigo.
Hinata sabia que a vida não era fácil, e que todos tinham problemas e sofriam igualmente ou até mais que ela. Por isso não poderia ficar sofrendo eternamente. Apesar de detestar se fazer de coitada, por todos esses anos, viveu como uma vítima, mesmo não percebendo. Ela queria uma vida diferente, a partir de agora. Diferente das que viveu antes disso. O principal já tinha: pessoas que a amavam, se importavam com ela e a apoiariam sempre.
Por fim, deveria se levantar. Afinal, tudo ficaria bem.
One-Shot: Proibido É Mais Gostoso
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