Hinata
26 Ressentimento
Notas iniciais
Ele podia sentir a adrenalina correr por suas vezes, sua situação se comparava a de uma criança pronta para fazer algo proibido. Embora todo o perigo que aquele cenário apresentava, a excitação era maior e a vontade de fazer justiça ou vingança, dependendo do ponto de vista, falava mais alto.
Desde que descobriu a verdade sobre a morte de seus pais, nunca esteve tão próximo de concretizar seus planos como agora. Sabia que estava andando em direção a um caminho sem volta, no entanto, não se importava, pois não havia mais o que perder. Já não tinha motivos para voltar atrás.
Tudo que ele queria se resumia a destruir os malditos que assassinaram seus pais e fazer a Kyuubi ressurgir, dessa forma, mantendo o legado que seu pai lutou tanto para construir.
Apesar de tudo, uma voz ecoava em sua mente: “tome cuidado para não atravessar a ‘linha’, pois te tornará igual à eles”. Podia ouvir, perfeitamente, o tom de voz preocupado de Jiraya tentando alertá-lo. Naruto acabou se distanciando do avô, a atitude do mais velho o irritava profundamente e mesmo assim, no fundo, entendia muito bem que o escritor tinha razão e isso era o pior, pois se ele se tornasse parecido com eles, não havia motivo para honrar a memória de seus pais. Minato e Kushina jamais aprovariam algo do tipo. No entanto, seu raciocínio, não mudava o fato de que muitas vezes era tentador cruzar as fronteiras e usar todos os métodos, por mais sujos que fossem, para acabar com seus inimigos.
O Uzumaki ajeitou a gravata ao redor do pescoço e conferiu sua aparência mais uma vez no espelho, trajava um terno caro e tinha os fios loiro penteados perfeitamente. No passado, pouco se preocupava com o visual, principalmente, o cabelo que sempre se rebelava. Entretanto, atualmente, no meio em que vivia, as aparências importavam mais do que qualquer coisa. Incrível como um belo rosto ou bela roupa, poderiam fazer as pessoas se tornarem mais suscetíveis a manipulação, facilitando seus objetivos. Toneri tinha total razão ao afirmar que o ser humano gostava de ser enganado. Sorriu quase irônico pela constatação.
Fechou a porta do quarto e se encaminhou para sala do apartamento, onde avistou a mulher loira concentrada no que fazia.
— Tem certeza que não irá me acompanhar? — ele perguntou
Shion olhou para pilha de papéis que precisavam ser preenchidos, sem dúvidas, era a pior parte de seu trabalho e por mais que fosse chato e monótono, todavia, a burocracia era uma parte necessária.
— Acredite em mim, eu não queria ter que passar a noite relatando todos os mínimos detalhes da operação neste mês. Mas eles não irão ser preenchidos sozinhos — respondeu com uma dose exagerada de drama, propositalmente.
— Uau! Que assistente incrível eu consegui, não pode acompanhar o chefe num coquetel de negócios — o loiro ironizou.
Por óbvio que o cargo de assistente era apenas uma fachada, para que a mulher sempre pudesse acompanhá-lo, sem despertar suspeitas. Porém, algumas vezes, os dois encarnavam o papel de chefe e funcionária, por diversão.
— Ah, sim! Sou incrível e confio no meu cargo, claro, você não pode me demitir — sorriu — veja pelo lado bom, pelo menos, eu não terei que receber pérolas fulminantes em minha direção.
Naruto fechou sua expressão, após a menção de Shion.
— É melhor você nem começar — o Uzumaki já sabia de cor e salteado, o discurso da loira. Havia recebido uma boa dose dele, depois da reunião informal no clube.
— Naruto, é sério — a voz da mulher demonstrava sobriedade — tente se controlar e não faça nenhuma besteira. E se tiver a oportunidade, converse com seu amigo Sasuke.
Em relação à Sasuke, o Uzumaki já pretendia se resolver com o Uchiha, tinha ciência de que fora injusto ao descontar suas frustrações nele. Sobre se “comportar”, não precisava de ninguém para lembrá-lo daquilo, porque ele próprio se cobrava disso e remoía o fato de não conseguir ser frio o suficiente quando se tratava dela. Contudo, reconhecia que Shion lhe falava aquelas coisas, por se importar com ele assim como seu avô, portanto, não tinha raiva.
— Pode deixar — beijou a testa dela, antes de partir.
Nada melhor do que a própria sede das Indústrias Uchiha, para servir de cenário a fim de assinar seu entrelaçamento com os responsáveis, diretos ou não, pela morte dos seus pais.
O edifício era de uma magnitude arquitetônica de se ficar estupefato. A ansiedade voltou a tomar conta de seu corpo, mal chegou ao lugar e foi bombardeado por flashes e microfones:
— Senhor Uzumaki, quais são suas considerações? — ouviu uma repórter questionar.
— Eu espero que essa parceria traga benefícios para todos, aliás foi a melhor decisão que eu já tomei — comunicou com segurança, estava se tornando um ótimo mentiroso. Escutou perguntarem mais coisas, no entanto, não deu atenção e decidiu ser o necessário.
Foi guiado por uma educada recepcionista, até um grande salão que ficava no térreo mesmo. A música ambiente e as vozes das pessoas, que lotavam o recinto, preencheram seus ouvidos. Sua entrada não passou despercebida pelos convidados presentes, se sentiu como uma atração circense. Para ser honesto, era um tanto desconfortável, ter que lidar com aquele tipo de pessoas, que mais pareciam abutres.
— Com o tempo, você se acostuma, não garanto que irá gostar.
Naruto olhou para o seu lado direito e ali estava um homem sentado em uma cadeira de rodas, as marcas de expressão em seu rosto, denunciava a idade e apesar de sua condição física demonstrar debilidade, ele era imponente e possuía estirpe. Também estava acompanhado de um homem negro, que parecia prestar serviços para ele. O homem em era Zetsu, Toneri havia explicado que ele era o braço direito e confidente do mais velho, se havia alguém que sabia de todas as tramóias do primeiro, esse alguém era seu secretário.
Pela primeira vez, viu o assassino de seus pais, pessoalmente. Por anos se questionou como se portaria e o que diria, se encontrasse o responsável, não só pela desgraça de sua família, mas pelas tragédias e sofrimento de várias pessoas. Se esse, tão esperado, encontro se realizasse anos atrás, provavelmente, colocaria tudo a perder e faria uma loucura. O rancor, a indignação e a vontade de fazê-lo pagar, continuavam no mesmo lugar. Porém, depois de anos se preparando e aprendendo como as coisas deveriam acontecer, surpreendente, agiu com muito controle e calculismo.
— É um prazer conhecê-lo, Madara-sama — o loiro cumprimentou com o máximo de educação e uma pitada de admiração, estava se tornando muito bom na arte de atuar.
— Igualmente — o Uchiha apertou sua mão — devo dizer, que é um verdadeiro regozijo, conhecer um jovem tão promissor quanto você.
— Eu fico feliz que tenha essa imagem de mim, eu o estimo muito. O senhor é como uma inspiração, não só para mim, mas para qualquer empresário que deseja ser bem sucedido.
O velho o fitou por um instante, pareceu se recordar de algo:
— Você me lembra o seu pai, não só pela aparência física, mas pela situação em que se encontra, a única diferença que consigo enxergar num primeiro momento, é você ambicionar vôos mais altos — concluiu.
Naruto que tinha as mãos nas costas, apertou uma contra a outra. Aquele maldito não tinha o direito de mencionar seu pai. Ele entendia muito bem o porquê do velho lhe dizer que era mais ambicioso que o pai, pois Minato não aceitou a proposta suja de se juntar as falcatruas de Madara e pagou com a vida. Enquanto ele, fazia o contrário e por livre vontade, procurou firmar uma sociedade com os uchiha.
— O senhor o conheceu?
— Sim, numa convenção. Ele estava numa crescente com seus modelos de automóveis. Uma pena tudo ter terminado de uma forma tão trágica.
Se o Uzumaki não soubesse do que houve, poderia até acreditar no pesar do mais velho. Porém, só conseguia enxergar o quanto ardiloso e dissimulado ele era, por debaixo daquela capa de homem respeitável e acima de suspeitas. Madara gostava de jogar com as pessoas, gostava de se sentir no controle, enquanto os outros eram suas peças. Todavia, Naruto estava um passo à frente e usaria muito bem essa vantagem.
Após uma nova onda de agitação, no hall de entrada, Zetsu abandonou sua posição e foi em direção ao burburinho, voltou rapidamente e sussurrou algo para seu patrão. Impossibilitando de continuarem a “amistosa” conversa, internamente, o loiro agradeceu por isso.
E então, os sons pareceram se acalmar. Segundos depois, atravessaram pela entrada, dois homens morenos, que a semelhança não negava serem parentes e junto deles, provavelmente, a mulher mais linda que já vira na vida.
Os últimos dias não tinham sido nada fáceis para Hinata, além de ter todo trabalho de organizar o coquetel, ainda teve que agir como se nada tivesse acontecido, porque já tinha decidido não deixar com que seu marido desconfiasse de mais nada e parecia obter êxito.
Como já imaginava, não conseguiu ter qualquer ideia, para que acabasse com a situação que Madara criou e Naruto parecia ajudar, por ironia do destino. Tinha certeza que o Uzumaki pretendia algo, porém, acima de qualquer coisa, precisava protegê-lo; senão, tudo que havia feito, seria em vão. E não estava disposta a ver todo seu sofrimento e sacrifício, servirem para nada.
O único vislumbre de plano, se é que poderia ser chamado assim, era arriscado e um tanto tolo, entretanto, era sua única opção. Consistia em aproveitar o momento oportuno e falar com ele, simples e complicado ao mesmo tempo. Passou todo o tempo em que se produzia imaginando o que iria dizer. No fundo, sabia que era difícil convencê-lo, todavia, tentaria.
Optou por usar cachos volumosos em suas, atuais madeixas curtas, pouco acima dos ombros. A maquiagem destacava sua belas e exóticas pérolas, para completar, uma gargantilha e brincos de diamantes. E por último e mais importante, escolheu um vestido de tecido leve na cor nude, seu comprimento chegava até os joelhos, justo, moldava suas curvas e claro, o decote em “v” que valorizava seus seios e ele amava. Então, ela se deu conta de que se arrumava com tanto esmero, para que ele a admirasse. Seu ego sempre fora grande neste quesito, também tinha conhecimento do seu poder sobre Naruto, duvidava que ele não sentisse atração por ela, por mais raiva que tivesse.
E quando entrou num dos salões da empresa Uchiha, seus olhos se encontraram com os dele. Pérolas e safiras. E por um segundo, eles se conectaram, profundamente, fazendo todo resto parecer irrelevante. Contudo, a magia se foi e os olhos azuis quebraram o contato.
Por um momento, Naruto se sentiu como se estivesse voltado no tempo, quando ele ainda era um bobo, que se alegrava com as pequenas coisas; quando seu maior objeto era conquistá-la, na época em que apenas um olhar das pérolas dirigido à ele, tinham o poder de transportá-lo para um mundo onde só existiam os dois e fazer todos os seus sentidos funcionam de diferente. Acabou se deixando levar, não podia negar, ela continuava sendo linda e atraente, aquilo era perigoso.
Mas todo o encanto se esvaiu, ao analisar o quadro como um todo, ao perceber a mão de outro homem descansando possessiva na cintura feminina. Sentiu como se aquilo não estivesse certo, porém não havia nada de errado, o homem que a acompanhava era marido dela. E aquela constatação o fez ter a sensação de um golpe no estômago, suas veias queimavam de um sentimento ruim. Observou os rostos das pessoas naquele lugar, as expressões deles eram de veneração e idolatria de alguns e inveja de outros, perante o casal, uma coisa era clara: todos almejavam ser como aquele casal perfeito e lhe dava náuseas pensar nos dois juntos.
— Desculpe o atraso — Itachi encarou Shisui, deixando claro o culpado e estendeu a mão para o loiro.
Só então, Hinata se deu conta de onde estava e de que tinha o marido ao seu lado.
— Ah, Itachi! Deixa de ser chato — resmungou o primo — ninguém morreu por isso — acabou sendo ignorado por todos.
— Não se preocupe, eu cheguei há pouco tempo — o Uzumaki aceitou o cumprimento, com educação.
Não poderia descontar sua raiva em Itachi, pois, por mais tentador que pudesse ser, o moreno não tinha culpa por Hinata tê-lo abandonado. E nem culpa pelo que Madara fazia, Toneri garantiu, que depois de anos de investigação, nada provava que o neto tinha ciência do que acontecia para as Indústrias Uchiha se mantivessem como líder do mercado há décadas. E por Deus! Como Naruto desejou que Itachi estivesse envolvido em toda sujeira da Akatsuki, para poder despejar seu ódio nele, tudo seria mais fácil e no fundo, o loiro sabia o motivo se sentir dessa forma em relação ao herdeiro Uchiha, porém preferia mentir para si mesmo.
— Seu avô me fez companhia — concluiu, o Namikaze.
Itachi, automaticamente, fitou Madara. Não fazia ideia de qual motivo o mais velho estava ali, desde que passou a presidência da companhia para ele, o patriarca não fazia qualquer questão de comparecer em eventos daquele tipo. Entendia muito bem que seu avô não fazia nada por acaso.
— Tio, o senhor por aqui? — Shisui se pronunciou.
— E eu não posso mais visitar a empresa que carrega o legado da minha família? — respondeu ríspido — por falar em família, onde está Sasuke?
Itachi sorriu, quase imperceptível, é claro que Madara já sabia que seu irmão havia voltado para o país, mesmo não o tendo comunicado.
— Ele preferiu não vir — Sasuke tinha lhe confidenciado para onde pretendia ir, mas não era necessário explicar os motivos do irmão.
— Hum — o mais velho resmungou e fitou o local à sua volta, pôde ver o receio dos idiotas de se aproximarem, por causa dele, mesmo tendo vontade. Assim era melhor, não estava disposto a ouvir bajuladores — ótimo trabalho — disse se dirigindo à única mulher entre eles.
O maldito deu a entender que falava da decoração e organização do local, no entanto, sabia muito bem ao que ele se referia. Quando o viu, sabia que estava ali, apenas para conferir se tudo seguiria como ordenou e o desgraçado tinha sorte, pois tudo parecia conspirar ao seu favor, Hinata tinha certeza.
— Obrigada — agradeceu, fingindo uma educação que não queria ter.
— Sim, agora vamos, Zetsu — o velho ordenou e o homem prontamente o seguiu.
— E eu vou circular por aí, quem sabe encontrar algo interessante por aí — Shisui comunicou malicioso.
Depois disso, muitas pessoas foram ao encontro do casal Uchiha e Hinata se comportou como uma anfitriã perfeita e esposa modelo. Naruto também foi bastante assediado e acabaram se afastando, naturalmente.
….
— Ainda dá tempo de desistir — ouviu a voz feminina, que outrora fora tão agradável aos seus ouvidos, agora causava uma sensação estranha que não sabia explicar, porém, igualmente forte e intensa.
Naruto se que estava de costas e fitava os sorrisos falsos e pseudo felicidade estampada na face de muitos presentes, se virou ficando frente a frente com a mulher. Ainda sentia raiva por saber que ela recebia o sobrenome de outro, que era esposa de outro. Aquilo feria não só seu ego, mas o coração, que há instantes atrás, ele pensou que não funcionava mais, que depois de tanta dor, imaginou estar imune. Irritado pela conclusão, irritado por ela exercer tanto poder sobre ele, mesmo depois dos anos, irritado pela beleza dela que tanto o atraía. Ela parecia o seu vício: embora fosse altamente tóxica, era capaz de proporcionar um prazer incrível. Enquanto ele parecia um alcoólatra em tratamento, tentando se manter sóbrio.
— Desistir do quê? — optou por ser irônico.
— Você entendeu muito bem — Hinata respirou, parecendo cansada — qual o motivo disso tudo? É se vingar de mim? Me atingir?
A perolada precisava pará-lo de alguma forma, mesmo que fosse arriscado, no meio de uma festa, claro que não era o local apropriado, porém, era sua única chance. Se separou do marido, aproveitando da entrevista que ele concedia, como distração. Aproveitou o fato do loiro estar sozinho e não pensou duas vezes.
— Não seja tão egocêntrica assim — respondeu tentando manter a compostura.
— E por qual motivo, você quer fazer isso? — a mulher questionou.
Numa ação inesperada, o homem a segurou discretamente, pelo braço, deslizando pelo salão, até onde se encontrava uma pilastra. Dessa forma, podendo ter o mínimo de privacidade, visto que a coluna servia como uma espécie de camuflagem. Além do mais, os presentes no coquetel, estavam mais preocupados em puxar o saco um do outro, que a bajulação era um tipo de falta de atenção.
— Isso é culpa minha por tê-la colocado num pedestal, você acha mesmo que pode me usar da forma como bem entende — comentou magoado, não deveria dizer aquilo, na verdade, não deveria nem se importar mais com o passado. Contudo, parecia impossível, agora que estava à sós com a azulada.
Hinata fechou os olhos e suspirou mais uma vez. Por que era tão difícil assim? Já não bastava todo o sofrimento, ainda tinha que se submeter aquela tortura psicológica. Se pudesse, faria tantas coisas. Contaria tudo, sem omitir nenhuma informação e se jogaria nos braços fortes e aconchegantes do loiro, pedindo perdão e carinho. Pois sabia que não poderia exigir que a amasse, depois de tudo. Não aguentava mais a situação, o que doía, não eram os insultos que Naruto possivelmente, iria distribuir, mas sim o olhar magoado e ressentido dele. Doía tanto ver o oceano que ela tanto desejou se afogar, se mostrar seco e revolto.
— Naruto, por favor — pediu mais uma vez — eu sei que você me odeia, mas deixe isso de lado…
— E quem você pensa que é, para me dar ordens? — ele esbravejou.
— Me escute! Isso pode ser perigoso — tentou alertá-lo.
Quais os motivos dela para isso? Estaria Hinata se arriscando daquele jeito, pois alguém poderia pegá-los, apenas para não tê-lo por perto? Será que de algum modo, a mulher tinha medo de que ele a desmascarasse para o marido? Por outro lado, a razão do Uzumaki, lhe alertava que talvez a azulada soubesse de algo relacionado à Madara, porque era, no mínimo, curioso lhe falar sobre a sociedade com a Uchiha, ser perigosa. Teria Hinata algum tipo de consideração em relação à ele ou apenas dizia aquilo por interesse?
Se o loiro forçasse a memória, poderia lembrar com clareza o último encontro que tiveram. Se recordou do breve momento, em que Hinata transpareceu esconder algo e logo depois, a mulher não facilitou para que ele descobrisse nada mais substancial. O Uzumaki estava dividido sobre qual atitude tomar, porém optou por tentar extrair algo da perolada.
— O que você quer dizer com “pode ser perigoso”? — inquiriu, aguardando a resposta.
Dessa vez, fora Hinata que se sentiu numa encruzilhada: precisa afastá-lo, no entanto, não poderia dizer nada que comprometesse seu “acordo” com o velho Uchiha. Ela tinha os olhos voltados para baixo, até tomar coragem e fitar as safiras impacientes.
— Bom, eu acabei me expressando mal, perigoso não é o termo mais adequado. Na verdade, “prejuízo”, é a melhor palavra descrever a situação. Entenda, quando você contou ao Itachi que nós dois já nos conhecíamos, eu tive que inventar uma história qualquer de que nós dois éramos quase desconhecidos. Mas é quase impossível manter essa versão, com a forma que você me olha. Se o Itachi desconfiar ou descobrir o que houve de fato, sem dúvidas, irá desfazer essa sociedade e isso vai te prejudicar. E, claro, não posso esquecer de que não quero que meu marido saiba de nada disso.
O loiro riu em escárnio, a perolada pôde enxergar o brilho de fúria e por fim, mal sentiu quando o homem segurou seus braços e a encostou na pilastra, ela ofegou por isso.
— Você ainda tem a audácia de tentar me manipular. Acha que eu sou um brinquedo que faz todas as suas vontades? — sussurra raivoso. O que mais doía, era ter pensado que ela se importava consigo, entretanto, mais uma vez, se mostrava uma egocêntrica — eu fui um idiota mesmo, por ter amado uma mulher interesseira e egoísta.
Ela fechou os olhos, pensou o quanto era difícil ter que ouví-lo relatar suas mágoas, expor seus sentimentos, mesmo sem a intenção. Doía nela, saber o que o loiro achava sobre ela, embora ele nem imaginasse o que houve de fato. Quando ela decidiu falar com Naruto, tudo o que queria era que ele se afastasse de tudo aquilo e se mantivesse em segurança. Todavia, era difícil escutar todas as ofensas e acusações dirigidas à ela.
Quando abriu os olhos, havia determinação em suas orbes peroladas, precisava ser forte:
— Supere o passado e siga em frente — seu tom exibia seriedade combinada a frieza — desista desse disparate.
O Uzumaki pareceu voltar a si, retirou as mãos que tocavam os braços femininos, não disse, absolutamente, nada. Ele apenas a deixou sozinha, sendo assim, a azulada sentiu que poderia desfazer sua máscara. Quando voltou a circular pelo coquetel, foi parada algumas vezes, recebendo elogios pelo vestido e pelo marido, agradeceu com educação, mesmo não sendo verdadeiro.
Esquadrinhou o local e encontrou a inconfundível cabeleira loira, dizendo algo ao seu marido. O moreno pareceu acenar e ambos caminharam até a outra extremidade do salão, onde havia uma mesa, em que estavam os papéis para oficializar a maldita união. Todos pareceram perceber do que se travava, dando total atenção ao motivo pelo qual aquela comemoração foi feita.
Hinata não queria ver aquilo acontecer, precisava se recuperar e respirar, necessitava ficar só. Mas o que ela e nem Naruto se deram conta, foi de Shisui que acompanhou toda a cena protagonizada pelos dois, de longe.
….
Sua visão era privilegiada, dali, ninguém poderia imaginar que a Akatsuki, ou parte dela, estava sob a cabeça de todos, mais precisamente, nos dutos de ventilação do prédio. Era de praxe, que a organização estivesse presente nos eventos das Indústrias Uchiha e dessa vez, não seria diferente. Os membros da Akatsuki, sempre andavam em duplas, que poderiam mudar de acordo com a necessidade da ocasião.
Desde que não estivesse com Obito ou Tobi, Nagato não se importava. A relação entre eles, andava estremecida e insustentável. Nagato podia sentir de longe, que Obito iria fazer algo grande e claro, ele também sabia que o bastardo de Madara desconfiava dele.
Os últimos anos foram de reflexão e estratégias, para poder terminar com tudo aquilo de uma vez por todas.
— Algum dia, você terá coragem de falar com seu sobrinho? — Konan perguntou, com sua costumeira serenidade.
Ele agradecia por estar com ela ali, a única pessoa em que confiava, não estava com paciência para lidar com as outras pessoas.
— A única coisa que eu tenho que garantir, é a segurança dele. Não há nada para ser dito — foi categórico.
— Nagato, você não sabia o que foi planejado, Obito escondeu de nós — a mulher retrucou.
— Eu fico agradecido por você tentar me consolar, mas a organização que eu ajudei a construir, foi a responsável pela morte da minha irmã. Eu tenho o sangue dela nas mãos e a única coisa que eu posso fazer, é não deixar o mesmo se repetir com o filho dela.
Konan sentia medo pelo que Nagato faria, não queria que ele se ferisse ou algo pior acontecesse. Entretanto, o conhecia bem o bastante, para saber que o homem planejava algo. O futuro próximo era marcado por incertezas.
….
A azulada chegou ao banheiro, ligeiramente, tonta. Necessita se recompor. Abriu a carteira que carregava o que considerava indispensável e retirou um lenço, o qual mergulhou na água dentro da pia, retirou o excesso e passou com delicadeza pelo pescoço, testa e maçãs do rosto. Por mais simples que fosse, o processo parecia dar resultados, aproveitou para retocar seu batom e pelo grande espelho, que ocupava quase toda largura da parede, pôde ver uma mulher sair de um dos reservados.
— Hinata, querida — ela cumprimentou.
— Olá, Mei — beijou o rosto da outra.
Terumi Mei tinha longas madeixas ruiva e era muito bonita, apesar da idade elevada, que ela não revela nem sob tortura. Uma mulher espirituosa e por muitas vezes, foi graças à ela, que Hinata se divertia naquele tipo de evento. A Terumi era uma mulher a frente do seu tempo e que detestava os “bons modos” da sociedade em que viviam. Sociedade essa, que por diversas vezes a difamou, claro pelas costas, por ter se casado com um homem muito mais velho e rico, assumindo toda a fortuna dele, inclusive as ações na Uchiha, após seu falecimento. O que eles não sabiam, era que Mei amou seu marido e cuidou dele durante toda doença. Mas tudo isso era um pretexto, o grande problema, era que a ruiva gostava de se envolver com homens mais jovens e não fazia nenhuma questão de esconder de ninguém.
— Acho que vou me juntar a você, posso? — Mei se referia a retocar a maquiagem.
— Claro, fique à vontade — sorriu.
— Sabe, o novo sócio da empresa? Achei muito interessante — a mulher riu, sapeca.
— O senhor Uzumaki? — a perolada fingiu tentar se recordar e depois expressou um falso pesar, antes concluir seu comentário — uma pena que seja gay.
— Ah! — Mei soltou uma exclamação surpresa — um desperdício — ela terminou e se olhou mais uma vez para conferir — até mais, querida — se despediu com outro beijo, deixando a Uchiha só.
Hinata suspirou, pela estupidez que fez, mas não se arrependida, de forma alguma. Abriu sua carteira mais uma vez, para guardar seu batom, ouviu a porta sendo aberta e passos se aproximando.
— Mei, esqueceu algo? — perguntou imaginando ser a ruiva, porém, não obteve resposta, levantou a fronte e se surpreendeu com o reflexo do espelho — o quê…
Ela perdeu a fala, quando o homem se aproximou parando a centímetros de suas costas, nenhum dos dois disse nada, apenas se olhavam através do espelho, eles se entendiam tão bem assim, sem falas, sem brigas e acusações. Apenas se conectando com os olhares, era uma ligação forte e única. Hinata não fazia a mínima ideia, do motivo que o trouxe ali, ainda mais depois, do último contato entre eles, ter sido um completo fiasco.
— Naruto… — sussurrou de olhos fechados, ao sentir as mãos masculinas deslizarem pelos seus braços, até encontrar suas mãos e uní-las. Aquilo era um sonho? Pois se fosse, não queria despertar e cair na dura realidade.
Nem mesmo o Uzumaki sabia o que fazia ali, apenas teve uma vontade incontrolável de encontrá-la mais uma vez, precisava vê-la. Então, depois de assinar o contrato, foi atrás dela. A tarefa não fora tão difícil, pois acompanhou o momento em que a azulada saiu do salão e entrou num corredor, não demorou ao encontrar o banheiro em que ela estava, só precisou ter cuidado para que ninguém percebesse para onde ele se deslocava.
Por fim, quando entrou no cômodo, ao vê-la tão indefesa e desarmada, sentiu o desejo arrebatador de tocá-la e o fez. Apenas existiam os dois, não se lembrava de mais nada além deles. Voltou a percorrer as mãos pelos braços dela e massageou os ombros, afastou o cabelo para um lado e depositou um beijo no pescoço feminino.
Hinata sentiu todo seu corpo arrepiar, abriu os olhos e fitou o homem pelo reflexo do espelho, havia desejo ali e muitos outros sentimentos reprimidos e confusos, no fundo, ambos estavam em situações mais parecidas do que imaginavam. Ela levou a mão direita até os cabelos loiros que tanto amava, acariciando. Então, pela primeira vez, virou seu rosto e o olhou diretamente, eles estavam tão próximos, que podiam sentir a respiração do outro contra a pele.
Foi inevitável que não se beijassem, depois de tantos anos, ainda era tão familiar, tão certo fazer aquilo. Significava muito mais que um roçar de lábios, existia saudade, raiva, tristeza. Logo, o contato se aprofundou, eles precisavam de mais e o entrelaçamento de línguas era quase furioso.
A excitação tomou conta do espaço, Naruto deslizou as alças do vestido dela, até expor os seios fartos que ele tanto gostava. O beijo foi interrompido e Hinata voltou a cabeça para frente, dessa vez, encostando as costas no peitoral masculino, em busca de apoio.
Ela fechou os olhos mais uma vez, apreciando as mãos masculinas apalpando e acariciando seus seios e tocando sem pudor nos mamilos rosados, acabou gemendo. Abriu os olhos e sorriu ao vê-lo tentando segurá-los completamente, nas mãos, porém, falhando.
A perolada, discretamente, balançava seus quadris, sentindo a excitação do loiro e o provocando, em resposta, recebeu um puxão sem seu mamilo esquerdo. Sem se contentar, Hinata queria tirá-lo do controle, com dificuldade pela posição, levou as mãos para trás, tateando o corpo forte atrás dela. Sentiu o cós da calça social, desafivelou o cinto e abaixou o zíper. Não demorou para encontrá-lo e trazê-lo para suas mãos, contornando toda circunferência e dando atenção especial à glande.
Foi a vez de Naruto cerrar os olhos e se deleitar como carinho erótico, as sedosas mãos femininas se concentrando em seu membro, levantou o vestido dela até a cintura e levou dois dedos próximo da boca pequena, que tratou de chupá-los com gosto, quando o loiro os julgou lubrificados o bastante, percorreu a lateral da calcinha pequena, até adentrá-la. Fez Hinata provar do próprio veneno, tocando o ponto sensível dela.
Se beijaram mais uma vez, com luxúria e paixão. O Uzumaki torceu o clitóris dela, fazendo a mulher gemer contra sua boca.
Hinata direcionou o membro dele entre suas coxas, movendo o corpo. O Namikaze usou sua mão livre para juntar as coxas roliças e arremeter contra elas, friccionou com mais rapidez, pequeno órgão responsável pelo prazer feminino.
Ela gemia e ele também não escondia seu prazer, soltando urros. O loiro conduziu a azulada até que ela deitasse o tronco na bancada e a pele dela se arrepiou em contato com o frio do mármore. Dessa forma, ele teria mais liberdade e facilidade no que fazia. Começou a estocar veloz, também usou seu polegar para dar atenção única ao clitóris, os dedos anelar e indicador, penetravam a vagina dela.
Ele beijava as costas da azulada e não soube dizer quanto tempo demorou, mas sentiu seus dedos serem mastigados no interior feminino e depois todos os músculos do corpo dela relaxarem. Então, o loiro começou a tocar o próprio pênis e se derramou entre as coxas macias.
Depois do prazer obtido, a nuvem que embaçava os pensamentos dele, se dissolveu e todo o seu lado racional, pareceu gritar para mostrar o que havia acontecido. Impressionante, como se tratando de Hinata, ele nunca se controlava. Ele não podia agir como um idiota que fora um dia, não depois do que Hinata lhe causara, toda dor e desilusão. As coisas não poderiam se resolver de forma simples. Estava com raiva de si mesmo, por deixar a evidente atração que sentia por ela, falar mais alto. Aquela mulher não prestava, não pensou duas vezes antes de trair o marido, que estava no mesmo lugar. E a culpa o assolou, pois ele não respeitou seus princípios, não pensou nem por um momento, que aquilo poderia custar a operação, que prometeu não atrapalhar.
Quase jogou tudo pelos ares, por causa daquela mulher, ela era seu ponto fraco, sua perdição. E a constatação, o fez ficar chocado e principalmente, preocupado.
Quando Hinata se levantou ficando de frente para ele, a perolada não sabia como proceder depois do que havia acontecido. Mas, por incrível que pareça, estava com uma sensação boa, de satisfação.
— Naruto? — o chamou receosa. Ele estava fechando a calça.
No momento em que ele a fitou, soube que tinha algo de errado, pois havia um muro entre eles, fazendo com que ficassem distantes e não pudessem se conectar, como fizeram há pouco tempo.
— É melhor se limpar, você não vai querer explicar o motivo de estar nesse estado, ao seu marido — respondeu seco.
Hinata tinha o vestido na cintura, os seios e calcinha expostos, além do sémen nas coxas. Se lembrou de todas as vezes, que e
es fizera amor, de como Naruto a tratava carinhosamente, como se fosse a pessoas mais valiosa e especial do mundo. Sorriu sem humor. Ela enviou um olhar triste e magoado para o loiro, ele a estava tratando como os outros a trataram, um mero objeto.
A azulada ajeitou seu vestido na parte superior e ficou de costas para o loiro:
— É melhor que você vá, já conseguiu o que queria — o tratou com indiferença. Ela poderia relevar muitas coisas que o Uzumaki fazia, pois sabia que as suas decisões, por mais que foram tomadas para protegê-lo, o fizeram sofrer e se ressentir. Ainda mais depois de saber por Sakura, que o loiro compareceu ao seu casamento com Itachi, algo que a deixou com insônia pelas noites, naquela semana, tendo que recorrer a remédios para dormir. Mas não iria deixar que ele pisasse nela dessa forma.
Naquele instante, o loiro se sentiu mal pelo que tinha feito. Não havia prazer em machucá-la. No entanto, decidiu sair dali. Não foi uma boa ideia ter ido atrás dela. Mas parecia impossível ter qualquer tipo de controle quando se tratava de Hinata.
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