Hinata

27 Estopim


Notas iniciais
Oi, pessoal. Eu pensei que não conseguiria postar neste mês, ainda bem que estava enganada. Neste capítulo, eu tive que focar mais nos outros núcleos, a história tem que andar. Além disso, a fic está próxima de ser concluída, ela ainda tem alguns capítulos pela frente, como vocês podem ver, temos muitas coisas a serem resolvidas. Irei responder os comentários do capítulo anterior.

Se o seu “eu” de alguns anos atrás pudesse vê-lo agora, sem sombra de dúvidas, debocharia dele próprio. “Patético, tsc”, conseguia ouvir o que diria para si mesmo. A situação em que se encontrava, poderia até ser ridícula, porém, se havia algo que aprendeu com os anos, foi que era melhor fazer aquilo que tinha vontade, do que não fazê-lo por puro e simples orgulho.

Do que adiantava manter a falsa sensação de superioridade, de imune à sentimentos, quando na verdade, por dentro, se sentia vazio e melancólico? Sasuke precisou se afastar da realidade que ele vivia, desde que se entendia por gente, do sobrenome Uchiha e da facilidade que ele carregava, pois nunca precisou lutar ou se esforça por nada. A falta de motivação e falta do medo de perder suas possíveis conquistas, ajudaram e muito, a moldar a pessoa que o moreno se tornou conforme foi crescendo.

Por anos, ele tentou minimizar o efeito que a morte dos pais causou, alegava para si mesmo que era pequeno demais e que mal se lembrava de Fugaku e Mikoto. No entanto, por mais distante que fosse, sua infância fora a melhor época de sua vida, quando foi verdadeiramente feliz. Às vezes, se pegava tentando imaginar como sua vida seria, se tivesse sido criado pelos pais. Seu pai, apesar de rigoroso, era preocupado e atencioso com a família. Sua mãe era doce e sempre fazia tudo dar certo.

Ele tinha tinha certeza que tudo seria diferente, que ele seria alguém diferente e iria percorrer outro caminho. Todavia, não tinha nada a ser feito, acabou crescendo na fria mansão Uchiha, que estava longe de ser um sinônimo de lar. Tendo como companhia o avô, Madara se preocupava mais com o legado Uchiha, do que com com os membros da família em si. E também Itachi, amava e respeitava o irmão, sabia que o mais velho sempre fez tudo visando o seu bem estar, no entanto, a forma como Itachi tomava conta de todas as responsabilidades, muitas vezes causou uma sensação de inutilidade e incapacibilidade. Não queria julgar o irmão, de forma alguma, o mais velho agiu conforme pensou ser o melhor, o intuito era proteger o mais novo.

Antes, Sasuke se sentia perdido e confuso, mas não agora, pois ele sabia o que queria e estava decidido a conseguir. Era cômico pensar que ele só decifrou e descobriu o que havia dentro dele, quando parou de procurar em si mesmo e olhou a sua volta, enxergou através das pessoas.

Naquele exato momento, o moreno atravessava a rua, ficando diante de uma bela e aconchegante casa. Só então reparou que sua respiração estava um tanto desregulada e não tinha nada a ver com a caminhada que fez, mas sim com um sentimento de ansiedade que tomava conta do seu corpo. Olhou para o céu escuro e estrelado, tocou a campainha. Demorou alguns minutos para que fosse atendido.

— Sasuke! — foi recepcionado com espanto genuíno.

O moreno analisou a mulher a sua frente, ela tinha o cabelo rosado preso em um coque, usava uma calça de moletom e blusa com estampa infantil. Ele deu um sorriso, claro, nada muito aberto, mas era um sorriso.

Ele ajeitou a mochila que tinha sobre o ombro esquerdo, fazendo com que chamasse atenção da mulher para o detalhe.

— Entre — deu espaço para o homem.

Eles caminharam em silêncio pelo jardim, a rosada tinha os braços cruzados, tentando se proteger da brisa fria. Porém, o que a estava deixando incomodada, era a curiosidade sobre o que motivou a visita de Sasuke. Para quebrar o silêncio constrangedor:

— Você não deveria estar no coquetel da sua família? — comentou divertida.

— Você sabe, eu nunca gostei de ter que participar desses eventos e agora que eu não tenho mais vínculo profissional, não faço a menor questão — respondeu com tédio, por lembrar do ambiente falso.

— O Naruto me surpreendeu, nem se eu fosse a pessoa mais criativa do mundo, poderia imaginar que ele se tornaria sócio da sua família.Eu estou longe de ser astuta e desconfiada como Ino, mas é muito estranho tudo que aconteceu ele e a Hina estavam juntos e depois ela se casou com o seu irmão. E agora o Naruto firmou uma sociedade com o Itachi. Dá para acreditar que isso tudo é uma grande coincidência? — divagou

— Ah — o moreno suspirou — o Naruto continua o mesmo idiota, só que pensa ter se tornado esperto — seu tom era reprovatório e irritado, pelo último encontro que teve com o loiro — Mas não foi para falar sobre ele que eu estou aqui.

A Haruno sorriu acanhada, enquanto abria a porta, sentindo a temperatura agradável da casa.

— É diferente do que eu me lembro — o Uchiha fez um comentário aleatório.

A rosada se sentiu desapontada, pois imaginava que aquele seria o momento para que Sasuke diria o que o fez estar ali.

— Nós fizemos um reforma — respondeu — sente — convidou apontando para o sofá.

Aquilo fez o moreno se lembrar dos pais da Haruno, impossível não pensar no quanto eles eram inconvenientes e deixavam qualquer pessoa desconfortável.

— E os seus pais?

— Eles estão viajando, numa segunda lua de mel — ela falou com doçura ao citá-los — quer beber algo?

— Não, obrigado — recusou. O Uchiha tinha ciência de que estava procrastinando além do necessário. Era mais difícil fazer aquilo, do que ele imaginava. Respirou e retomou a palavra — eu sei que você deve estar se perguntando qual o motivo da minha visita, também sei que estou demorando a dizer, mas eu sinto que preciso te mostrar isso.

Ele retirou de dentro da mochila um notebook e pareceu procurar algo.

— Aqui — colocou o laptop no colo.

Sakura se aproximou, estava curiosa e pelo que podia ver, era uma pasta de fotos, aquilo a deixou bastante intrigada, ao ponto de levantar uma das sobrancelhas.

Observando a reação curiosa dela, Sasuke clicou na primeira imagem.

A rosada pôde observar que parecia uma espécie de povoado, muito pobre, por sinal. As casas eram feitas de barro ou de madeira velha.

Conforme o Uchiha passava as fotos, ela viu muitas crianças, mulheres e idosos. Mas algo sempre se destacava, uma menininha pequena e muito magra, provavelmente desnutrida, que sempre era o foco das fotos. Sakura sentiu como se tivesse tomado um soco, olhar aquela realidade, ainda mais tendo se tornado médica com intuito de salvar e cuidar de crianças.

— Essa é a Zahra — o moreno apontou para garotinha da foto. Sasuke pensou no momento em que a conheceu, viu a criança que tinha todos os motivos para ser infeliz, sorrindo e se divertindo com uma boneca improvisada. Enxergar a alegria que ela tinha com uma coisa tão simples e pequena, transformou algo dentro dele — Sabe, ela me ensinou o que livro ou professor nenhum poderia e me ajudou a achar o que procurava. Eu quero demonstrar minha gratidão à ela, mas quero fazer algo maior, que se estenda aos outros — se referiu aos moradores do local. Ele também omitiu o fato de ter custeado o tratamento da menina, quando ela adoeceu. Sentia que não havia necessidade de dizer — eu, simplesmente, senti vontade de te dizer, pode parecer desnecessário, já você não tem obrigação alguma comigo.

— Sasuke — as esmeraldas o fitavam com ternura — eu estou tão feliz que por você ter compartilhado seus planos comigo. Você finalmente se encontrou, isso é maravilhoso. Quero ajudá-lo, se puder.

— Encontrei… — tocou o rosto feminino, fazendo com que ela quase fechasse os olhos — dizem que só damos valor, quando perdemos e então, nos damos conta do quão importante é…

O coração de Sakura, batia frenético contra o peito, ao sentir o toque que tanto ansiou por anos. Não tinha levado à a sério o que Hinata contou no último encontro que tiveram, preferia não criar expectativas como fazia no passado. Todavia, diante daquela situação, se sentia em choque, não conseguia reagir.

Por fim, o moreno fez aquilo que era claro e a beijou. Se manteve imóvel, até se deixar levar pelo clima e pelo carinho que recebia na face. Acabou se entregando, abraçando o corpo dele e tocando os fios negros, que continuavam macios.

Era bom e ruim ter a certeza que apenas os lábios de Sasuke podiam fazê-la sentir tantas emoções em poucos segundos, mesmo depois de tanto tempo.

O Uchiha colocou computador no carpete, depois usou o corpo deitá-la sobre o sofá. Tinha saudade e fome da rosada, deslizou os lábios para o pescoço dela e as mãos para as coxas.

Então, uma parte da mente de Sakura gritou questionando o que eles estavam fazendo. A pessoa que ela tanto se esforçou e demorou para moldar, estava desabando com tão pouco esforço de Sasuke. Mas ela já sabia como aquele filme terminava e não estava disposta a ser machucada mais uma vez. Sasuke não tinha o direito de aparecer do nada e tentar entrar em sua vida mais uma vez. Aquilo tinha que parar.

— Pára, por favor! — espalmou o peito do moreno, o afastando. Ele a fitou confuso — vai embora — pediu.

— Sakura, você está entendendo errado…

— Por favor, vai! Eu não vou pedir de novo — o cortou.

— Não pense que vou desistir — pegou seus pertences — vou fazer você entender — olhou mais uma vez para Haruno, antes de partir.

Ela suspirou e deixou com que as lágrimas que segurava, fossem soltas.

….

E mais uma vez, a loira pensava no que Hinata havia lhe dito, era engraçado vê-la sendo conselheira, apesar disso, a Uchiha tinha servido de grande auxílio. A tarde que passou ao lado de Hinata e Sakura fora divertida e a entreteu, também pôde perceber que era amada e apoiada, possuía as melhores amigas do mundo. Além disso, se deu conta que estava sendo duplamente idiota: primeiro, afastando aqueles que queriam o seu bem e por fim, sendo uma covarde. Era difícil admitir, mas a ousada e corajosa Yamanaka Ino, estava fugindo, em vez de enfrentar seus problemas. Era mais difícil ainda, conseguir se manter lúcida e racional, naquela situação. Porém, a loira já tinha entendido que a palavra correta era “admitir”, admitir o que sentia e todas as consequências depois disso.

Por isso, Ino resolveu dar um basta em todo aquele drama, ligou para Gaara, que pareceu surpreso e excitado, quando a Yamanaka pediu que ele fosse ao seu apartamento. Obviamente, a loira se produziu da melhor forma possível, não permitiria que o ruivo a visse maltratada, seu orgulho não aprovava em hipótese alguma. Já bastava o quanto seu ego a fazia se martirizar, pelo que estava prestes executar. Mas não podia voltar atrás, tinha tomado sua decisão.

Dessa forma, ela andava de um lado para o outro, esperando que Gaara comparecesse, sentia um frio se espalhar pelo seu ventre, que não permitia que se sentasse. Não sabia o que aconteceria ali, no entanto, havia a certeza de que tudo mudaria depois do encontro.
A verdade, é que sentia falta daquele Cabeça de Fósforo, das conversas, implicância, irritações, do sexo, dele como um todo. Nunca sequer imaginou que seria tão complicado reconhecer essas coisas, se sentia desprotegida e frágil, porém, ao mesmo tempo, a fazia se sentir mais leve. A sensação era, no mínimo, confusa. Todavia, tudo aquilo serviu para que Ino se desse conta, de como usava seu orgulho como armadura e por muito tempo, deu certo e ele era um ótimo conselheiro, amigo e a deixava numa zona de conforto. Mas agora, mais precisamente, por causa do Sabaku, seu orgulho havia virado um empecilho, prejudicando sua vida.

No meio dos seus pensamentos conflituosos, ouviu o som da campainha. Com o coração agitado, o caminho até a porta, pareceu durar uma eternidade. Demorou alguns segundos, antes de tocar a maçaneta e girá-la, ao abrir a porta, se deparou com as jades inconfundíveis cravadas em sua direção.

Gaara não disse nada, apenas se adiantou e entrou no apartamento de Ino, tinha receio que ela mudasse de ideia e batesse com a porta em sua cara. Se havia algo que aprendeu ao longo dos anos de convivência, fora que jamais poderia prever o que a Yamanaka faria, ela se mostrou alguém surpreendente. Prova disso, fora a ligação que recebeu naquele dia. Tudo bem, no fundo ele tinha esperanças de que Ino fosse fazer contato, após ter pedido ajuda de Hinata. Mesmo assim, foi uma surpresa.

Tinham que acertar tantas coisas, sua intenção era fazê-la ouvir tudo que queria falar, desde o fatídico dia em que a loira, sem qualquer explicação, lhe tratou com indiferença e o afastou. Estava disposto a esclarecer qualquer dúvida que existia entre eles.

— Ei! — o ruivo exclamou, ao se voltar para a mulher, que acabou de fechar a porta.

— Oi — ela fitou o carpete.

Era estranho vê-la acanhada, ele tinha razão em pensar o quanto Ino era surpreendente, talvez devesse usar isso ao ser favor. Aproveitar que a loira, pelo menos, parecia mais receptiva e acabar com o problema.

O Sabaku percebeu que ele ainda estavam no hall de entrada do apartamento dela, das outras vezes que esteve ali, mal reparava na decoração ou nos detalhes, pois estava “ocupado demais”. Sorriu ao constatar o quão loucos os dois eram.

— Eu não sei o que aconteceu, para que você me chutasse da sua vida, de um dia para o outro... — ele começou, no entanto, foi interrompido.

— Gaara, eu sei que fui uma idiota e…

— Não me interrompa! — falou firme — dessa vez, você vai ouvir tudo que eu tenho para falar.

A loira o fitou com uma sobrancelha erguida, depois de parecer pensar, suavizou a expressão encostou o corpo na parede oposta ao ruivo.

Ele se controlou para não fazer nenhuma brincadeirinha, que a irritasse adorava quando isso acontecia. Entretanto, não era o momento de desvirtuar do assunto.

— Obrigado — agradeceu.

— Pelo quê? — ela franziu a testa.

— Por ter entrado na minha vida. Você me ajudou muito, loirinha — sorriu, ao dizer o apelido carinhoso — você, com certeza, não deve ter percebido, mas me ajudou a mudar e enxergar tantas coisas. Antes, eu me sentia sozinho e perdido dentro de mim mesmo. É claro que eu tenho a Temari, eu juro que amo a minha irmã. Porém, foi você a responsável por me fazer ver a situação de outro modo, com você eu me sinto mais leve, mais bobo e também, ao seu lado, descobri que adoro trabalhar na emissora, capturando tudo com a lente da minha câmera e te ajudando a encontrar curiosidades, que podem se tornar ótimas matérias, fatos que ninguém daria importância, mas você consegue mostrar com tanto faro e talento. Eu nunca pensei que o sexo pudesse ser tão incrível, inusitado, apaixonante. Eu gosto de seguir a rotina que nós criamos, gosto quando nós compartilhamos segredos, conversamos sobre algo sério ou alguma idiotice, quando implicamos um com o outro — o Sabaku tomou fôlego, antes de continuar — e o mais importante disso tudo, é que eu percebi que só faz sentido “eu e você”, só faz sentido “nós”.

— G-gaara — gaguejou. Demonstrou choque, estava atordoada, após o monólogo do ruivo.

Nunca ninguém lhe disse algo tão sincero e profundo, sentiu seu interior ser tocado. Entretanto, não sabia o que dizer, formular uma frase com coerência. Nada do que ela poderia falar, seria digno do que o Sabaku confessou. O que mais lhe emocionou, foi ter certeza que ele se sentia como ela, que era recíproco.

— Ei, não chore — tocou com delicadeza, a ponta dos dedos na face feminina, para secá-la.

Só então, Ino notou as lágrimas que caíam de seus olhos, sem perceber.

O ruivo a fitou profundamente, parecia ler sua mente.

— Você percebeu a mesma coisa que eu, não é mesmo?! — concluiu — já são 6 anos, Ino. É impossível dizer que é apenas algo casual e sem importância. Você tem medo de admitir, eu também tenho. Não exigir e nem cobrar que você diga nada, fale quando tiver a necessidade — ele estava surpreso consigo mesmo, por toda postura que havia adotado, sentia que era libertador dizer tudo, mas não iria forçar nada daria tempo ao tempo.

Se aproximou mais ainda dela:

— Você me deixa sem saída, loirinha.

Beijou a Yamanaka, como se sua vida dependesse daquele ato e ela respondeu, igualmente.

Após se separarem:

— Você também é muito importante para mim, Gaara. Eu senti a sua falta, em todos os sentidos — ela confessou. E o ruivo sorriu presunçoso — só não fique se achando mundo, Cabeça de Fósforo — antes que pudesse bater no braço dele, o Sabaku contornou os braços em volta dela e a levantou do chão, por fim, a acomodou em seu colo — seu idiota! — ela gritou.

— O seu idiota, o idiota que vai fazê-la pagar por todo tempo que me ignorou. Se prepare, não terei piedade — usou um tom, falsamente, sádico.

A Yamanaka ria, enquanto Gaara a carregava em direção ao quarto. Certas coisas nunca mudavam.

….

Não queria parecer presunçoso, todavia sempre soube que tinha algo de errado com a esposa do primo e melhor amigo. Por tantas vezes, tentou tirar aquilo da cabeça e justificar que suas suspeitas eram injustas e infundadas. Não que odiasse a atual senhora Uchiha, apenas não simpatizava com ela, pois sentia que ela escondia alguma coisa.

Ele não podia fazer nada a respeito, pois o primo estava casado há anos com a mulher e até o momento, eram um casal modelo e ela, uma esposa exemplar aos olhos de todos. Porém, tudo mudou de figura, quando viu a Uchiha mais uma vez com o tal Uzumaki Naruto. Desde a primeira vez, sentiu que havia entre eles, muito mais do os dois tinham dito.

Não pôde ouvir o que eles falavam, por conta da distância, se ele se aproximasse mais, seria visto e não queria ser descoberto. Além do mais, a música ambiente e as vozes dos convidados se misturavam umas às outras, dificultaram ainda mais a tarefa. Contudo, a forma como o loiro tocava da mulher e a proximidade de ambos, era o suficiente para mostrar que eram íntimos.

Aquilo foi o estopim, para que Shisui, finalmente, pudesse intervir na situação. E o que ele poderia fazer? Mais uma vez, não queria ser presunçoso, no entanto, tinha certeza do que iria executar. E a peça principal do seu plano era Yugito.

Poderia soar leviano de sua parte, mas sabia que Itachi não amava a esposa e ela, muito menos. Embora nunca tenha amado, conhecia pessoas apaixonadas e Itachi não era uma delas. O relacionamento com Hinata, não tinha calor, era visível. Quando Itachi falava nela, não havia nada de especial, os olhos dele permaneceram da mesma forma, sem nenhum tipo de brilho.

Por outro lado, quando se tratava de Yugito, Shisui sabia que Itachi sentia algo a mais pela secretária e a havia reciprocidade. Existia uma fagulha entre os dois, que só precisava de combustível. E esse era o problema: o primo colocou na cabeça que Hinata era a mulher perfeita para ele e se dependesse dele, continuaria junto da esposa. Shisui bufou, ao constatar que o melhor amigo era um teimoso, controlador e muitas vezes, intransigente. E para piorar, Yugito também não faria nada, se deixasse, ela continuaria no escuro.

Então, ele daria um “empurrãozinho”. Naquele momento, o moreno batia a ponta dos seus dedos na mesa do restaurante, a espera da Nii. Nem se lembrava mais, o que foi que usou como pretexto para encontrá-la, apenas ligou para secretária e por mais que ela estivesse de férias, jamais se recusaria a ajudar.

Aquele, sem dúvida, era um caso extraordinário, em pleno domingo, ter levantado da cama, antes de meio-dia. Contudo, como precisou planejar muitas coisas, fora necessário. A mulher não era de atrasos, mas como ele chegou mais cedo ao local, havia comido. Portanto, agora, ele estava empolgado, seu olhar se dividia entre seu relógio de pulso e a entrada do estabelecimento, escolheu, estrategicamente, uma mesa em que pudesse mirar o movimento do lado de fora.

E quando repetiu a ação de olhar para o seu pulso e voltar seus olhos para entrada, uma mulher acanhada entrava no lugar com passos incertos. Shisui suspirou, a secretária era um diamante bruto.
Ela esquadrinhou o local, até achá-lo acenando. Caminhou até a mesa e se sentou, na cadeira que o homem indicava. Sem saber como agir, sob as onix a analisava minuciosamente.

Retirou uma pasta de dentro da bolsa que carregava. Para falar a verdade, achou curioso o fato do homem preferir que ela desse os papéis em sua mão, do que por e-mail, que era muito mais prático. Entretanto, resolveu não contrariá-lo.

— Aqui estão os documentos que o senhor me pediu — estendeu o objeto.

O homem pegou sem interesse e colocou na mesa.

— Esqueça disso, Yugito. Nós temos coisas mais importantes a tratar — informou.

— O que aconteceu, senhor? — indagou um tanto confusa e preocupada.

Ele pigarreou, falsamente:

— Eu serei sua “Fada Madrinha” — anunciou.

— Me desculpe, mas eu não entendi nada — a Nii sabia que o moreno era “excêntrico”, mas não aquele ponto.

— Vou te explicar: você vai ser tornar uma nova mulher, quero dizer, você vai mostrar a mulher que você esconde, claro, com a minha ajuda — sorriu.

— Eu continuo não entendendo — aquilo era confuso.

— Sabe o que eu vejo, quando olho para você? — o moreno tinha a atenção dela — uma mulher inteligente, leal, companheira e com grande coração — viu as maçãs do rosto dela, ficarem avermelhadas, por conta dos elogios — porém, você se esconde atrás dessas roupas e desse óculos.

— E-eu, agradeço que o senhor pense isso de mim, mas eu temo que esteja enganado — respondeu, envergonhada.

— Na verdade é você que está enganada. Sempre se subestimando e inferiorizando, em vez de lutar pelo que quer, como o Itachi, Por exemplo — soltou, sabendo o que aconteceria.

A mulher ficou chocada, permaneceu calada, tentando dizer algo.

— E nem tente negar, Yugito. Eu quais são os seus sentimentos pelo meu primo — foi direto.

— E-ele sabe? É tão óbvio assim — se sentiu tão exposta, como se estivesse nua. Seus olhos fitavam suas mãos.

— Não. É óbvio, pelo menos, para mim — respondeu as perguntas dela.

— E de que adianta meus sentimentos, se ele nunca vai me enxergar, ainda mais tendo uma esposa tão linda e estonteante. E não adianta dizer que estou enganada, estou sendo apenas realista — murmurou triste.

— Ai, isso é mais difícil do que pensei que seria — o moreno suspirou — mas é claro que vocês vão ficar juntos, se as coisas continuarem dessa maneira. Escute, eu estou aqui para te ajudar e se estou me propondo a isso, é porque consigo enxergar que existe reciprocidade entre vocês dois. O problema é que o Itachi é cabeça dura demais para ver e você também não fica atrás.

— E qual seria sua solução? — indagou curiosa — que horror, eu nem deveria cogitar essa hipótese, ele é um homem casado — corrigiu arrependida.

— Primeiro, não se preocupe com a Hinata, ela nem se lembra que é casada e não tem atitudes de uma mulher que morre de amores pelo marido — disse sugestivo e completou — se tem algo que eu tenho certeza, é de que ela não ama meu primo e nem ele a ama. E por último, olhe atrás de você, lá fora — apontou.

A mulher ainda continuava estarrecida, pelas informações despejadas pelo Uchiha. Contudo, seguiu a instrução dele e girou a cabeça. A única coisa que conseguiu ver, fora o que parecia uma boutique, chique por sinal. No letreiro continha as iniciais “FDJ”.

— Eu não marquei de me encontrar com você, neste restaurante, por acaso — sorriu — já conversei com o dono e seu filho — lembrou dos dois loucos — eles estão ansiosos para te conhecer.

— Essa é a sua ideia? Me fazer vestir roupas novas e resolver tudo? — seu tom era cético.

— Não. Eu acredito que te fazer vestir roupas novas, vai te ajudar a se enxergar de verdade, se valorizar, se impor e mostrar sua personalidade. E isso não tem nada a ver com conquistar o Itachi, mas sim, fazer com que você se ame mais e quem sabe, as coisas se sucedem em consequência. O que diz? Você não tem nada a perder.

A proposta dele era tentadora e parecia imperdível. O moreno tinha razão em dizer, que não havia nada a ser perdido. Talvez uma mudança era o que ela precisava. Não que estivesse convencida de que aquilo fosse ajudar em relação ao seu chefe. Depois de toda dor, se convenceu de que precisava aceitar e conviver com a realidade, de que o homem que amava há anos, estava com outra mulher. Hoje, se sentia dormente, era melhor do que sofrer e mais fácil de suportar. Não faria nada com intuito de tentar conquistar o chefe e se meter num casamento. No entanto, poderia sim aceitar o que fora oferecido, não por causa de outra pessoa, mas por causa dela mesma.

Sendo assim, ela se levantou e voltou a olhar para boutique. O Uchiha sorriu, havia entendido.

— Vamos! — estava animado. Acordar cedo, naquele dia, acabou valendo a pena.

Após atravessarem a rua, entraram na boutique, Yugito ficou encantada com o lugar. Era tão bonito e cheiroso. Um verdadeiro sonho.

— Você deve ser a Senhorita Nii, não é mesmo? — um homem com o cabelo em formato de cuia e trajava um terno verde.

Ela olhou para trás, onde estava Shisui, antes de confirmar:

— Sim, sou eu.

— Que linda! Eu me chamo Gai e sou dono deste pequeno paraíso aqui. Minha missão de vida, é trazer à tona o Fogo da Juventude, que arde dentro de todos nós — recitava emocionado.

A secretária fitou mais uma vez o Uchiha, parecia desesperada. O moreno prendeu o riso.

— Lee!! Lee!! — Gai berrou.

— Sim, papi — sua versão mais jovem surgiu dos fundos da loja.

— Querida, este é meu filho. Ele irá cuidar de você.

— Que diva! — abraçou a loira, que sem saber o que fazer, retribuiu. Estava aterrorizada.

— Seu tom de cabelo é maravilhoso. É natural? — perguntou, enquanto tocava no cabelo dela.

— Sim, eu nunca pintei — confirmou, tímida.

— Huuu, nem irei alterar a cor, apenas faremos um corte mais moderno e uma hidratação reforçada — falava, carregando a Nii na direção em que veio. Apesar de ser uma loja, essencialmente, de roupas. Pai e filho, fizeram questão de reservar um espaço considerável, para um salão.

— Vai demorar muito? Eu pretendo levá-la ao oftalmologista — Shisui indagou.

— Meu bem, é melhor você se sentar e pedir algo se desejar. É como uma cirurgia delicada, precisa ser executada nos mínimos detalhes — Gai explicou.

….

Dessa vez, ela não tinha o colar de pedra verde, entre as mãos. Apenas fitava o saquinho que o protegia e guardava. Aquela atitude, refletia seu estado de espírito, acerca de Naruto. Se levantou de sua penteadeira e resolveu se deitar em sua cama, em posição fetal. Encostou o máximo que pôde os joelho ao peito.

Ainda tentava entender como uma relação tão pura, pudesse chegar naquele ponto. Era triste, frustrante e revoltante. Hinata sempre jogou a culpa de toda situação nela própria e estava disposta a arcar com toda dor e sofrimento. Poderia soar como algo mórbido, porém no fundo, ela sentia certa satisfação em se culpar, trazia um certo conforto.

Não importava se tudo que tinha feito, fora por conta de uma ameaça de Madara, ela assumia a responsabilidade de ter se casado com Itachi, pois querendo ou não, era algo que fez parte de seus planos, em algum momento de sua vida. Também aceitava todas as mentiras que lhe rondavam e todas as outras que contava, aceitava a vida carente de sentimento que levava. Entendia que Naruto a repudiasse, não se importava com as ofensas que ele distribuía e se importava muito menos com a imagem errada e falsa que o loiro tinha dela. Desde que o Uzumaki permanecesse seguro, nada a abalaria em seu propósito, pelo menos, era nisso que acreditava.

Contudo, a forma como ele a tratou, depois do momento íntimo e de entrega de ambos, mudou algo nela. A azulada pôde sentir uma ruptura dentro de si. Por uma partícula de segundo, ela pensou que o seu Naruto tinha voltado que tudo iria se resolver, todavia, estava enganada e as coisas só pioraram. O loiro manchou aquele momento tão especial e sagrado entre os dois. Eles não faziam sexo, eles faziam amor, eles se amavam. Entretanto, Naruto o corrompeu, tratando como se fosse irrelevante, como se fosse nada. Com exceção de Kurenai, Naruto fora a pessoa que mais lhe tratou com amor e zelo, portanto, constatar que o Uzumaki, de fato, queria machucá-la, fez com que ela se sentisse indignada.

Agora, em seu interior, florescia um misto de mágoa e raiva, por Naruto. Não permitiria mais que fosse humilhada por ele, preferia até se manter longe, pois só ela sabia o quanto era desgastante emocionalmente, seus encontros. Havia chegado em seu limite de tolerância. Simples assim.

Se já se sentia esgotada, só de pensar no Uzumaki, estava sendo tão ruim quanto sua relação com Itachi, ela evitava o marido, após tê-lo traído. Por mais que não o amasse, o moreno era uma pessoa que ela tinha estima e se importava. Ele não a merecia, não merecia as mentiras que ela contava, não era justo que um homem como ele, estivesse casado com alguém que não pudesse amá-lo e se doar por inteiro.

Sua vida era um tormento, parece que estava pagando por todos seus pecados. Quando pensava que as coisas iriam melhorar, elas sempre pioravam. Se sentia angustiada e presa, mesmo não havendo amarras físicas.

A perolada precisava desabafar e se abrir, senão seria sufocada pelos próprios pensamentos e tormentos. E ela sabia, exatamente, a quem recorrer: a pessoa a amava incondicionalmente, que mais se preocupava com ela e jamais a julgaria ou negaria apoio. Sua mãe. Obviamente, não poderia dizer tudo, mas apenas mostrando uma pequena parte de seus problemas, a faria se sentir melhor. O que poderia ser mais reconfortante, do que estar envolvida pelos braços de sua mãe, recebendo afeto? Além do mais, há algumas semanas, não se encontrava com ela.

Com a ideia em mente, se levantou mais animada. Olhou para seu celular em cima do criado-mudo, pelo horário, a mulher estava dando aulas. Pegou sua bolsa sobre a penteadeira e conferiu sua aparência, antes de calçar seus sapatos e sair do quarto.

Fazia tempo que não pisava na escola Senju, que continuava da mesma maneira que se recordava. Não teve problemas para entrar, visto que todos ali a conheciam. O pátio estava repleto de crianças e adolescentes, dando indícios de que era o intervalo. Portanto, sua mãe deveria estar na sala dos professores ou na sala de Tsunade. Concentrou sua mente, a fim de se lembrar qual era o caminho que deveria seguir, para chegar em seu destino, deu certo, só precisava ser a sua direita, caminhar toda extensão do corredor e virar, mais uma vez, à direita.

Demorou poucos minutos até que chegasse no local desejado, para sua sorte, encontrou a Yuuhi, que parecia estar acompanhada. Conforme se aproximava, pôde notar a expressão desesperada dela. O que será que tinha acontecido ali? Seria algo grave? Fora causada pela companhia da professora? Talvez fosse algum colega de trabalho?

— Mãe, quem é esse homem? — fora a primeira frase que veio a sua mente.

Olhou para Kurenai, que arregalou os olhos, parecia petrificada. Deslizou suas orbes ao homem. Ele era branco, consideravelmente alto, aparentava ser alguns anos mais velho que sua mãe. Sua postura era austera demais e seu terno caro, para um simples funcionário. Ele tinha o cabelo solto, os fios castanhos batiam nos outros. No entanto, para sua surpresa, quando o encarou, viu que o homem possuía os olhos na mesma cor peculiar que os seus: um azul tão claro, que em contato com a claridade, pareciam pérolas.

Ele, por sua vez, a mirava admirado e maravilhado.

Realmente, a perolada não sabia o que pensar.

Notas finais
E aí, alguém arrisca dizer, quem é este homem? Rsrsrs finalmente, vou poder mostrar isso. No último dia 15, eu fiz aniversário (palmas pra mim), então vocês poderiam me dar reviews de presente, vai me deixar feliz. E por falar em presente, recebi uma fic linda, da minha amiga, SBFernanda: https://fanfiction.com.br/historia/721226/O_Sacrificio/ Beijos, até o próximo.