Hinata
22 Reencontro
Notas iniciais
Ela não tinha notado em que momento exato havia adquirido aquele hábito, apenas se deu conta que o fazia com mais frequência do que deveria. A bela pedra verde do colar que segurava, refletia em suas pérolas, que já tinham um certo brilho de saudosismo. Foram tantas lembranças, tantos sentimentos, que aquele pequeno objeto representava e trazia à tona.
Imaginou como sua vida poderia ter sido diferente. E se estivesse com ele? E se seu bebê tivesse nascido? Ele teria dado sinal de vida, se reencontrariam e seriam uma família? Por vezes, chegava a sonhar com uma casa simples e bonita, um homem loiro à frente dela e um bebê igualmente loiro nos braços dele. Diziam que sonhos nada mais eram, do que desejos reprimidos do subconsciente. A jovem não tinha a menor intenção de ter certeza se a afirmativa era verdade ou não. Isso a assustava, não queria causar mais dor do que sua alma atormentada já possuía.
Ela deveria dar um fim aquele colar, para tentar minimizar esses momentos de reflexão, que geravam agonia. Mas a quem queria enganar? Não conseguiria se livrar dele, do seu martírio particular, estando ou não com o objeto.
Algumas vezes tinha vontade de não existir, pois se sentia como uma página em branco, vazia. Pela primeira vez olhou para o espelho da penteadeira, a qual estava sentada em frente. Tocou o próprio rosto, os traços belos e mais maduros, continuavam causando admiração e inveja. Muitos matariam para ter a posição que ela ocupava, tolos… se desconfiassem que por trás da fachada perfeita existia tanta solidadão. O pior de tudo, era a sensação de estar perdida dentro dela própria, porque já havia sido tantas pessoas durante a vida, que em alguns momentos, jurava não saber quem era e o que deveria ser ou fazer. Criou um personagem para ela própria. “Triste e deplorável”, sua mente esbravejava essas palavras sem qualquer delicadeza, enquanto suas orbes de lua marejavam.
— Não seja idiota — sussurrou para si mesmo. Não foi uma pessoa sentimental numa boa parte de sua vida e era tudo que menos precisava atualmente. Passou o dedo abaixo dos olhos, antes que saísse qualquer lágrima.
Balançou a cabeça, não poderia ser fraca. Tinha uma nova vida agora, apesar de sempre dizer isso, repetiu mais uma vez, mentalmente, como motivação. Muitas coisas estavam em jogo e ela não estava disposta a perder. Precisava ser forte acima de tudo.
Além do mais, ela tinha tudo o que sempre sonhou, não era mesmo? Poderia desfrutar de tudo que o dinheiro poderia comprar: vivia numa enorme mansão, estava sempre coberta de joias caras e roupas luxuosas, usava um sobrenome poderoso, era uma esposa e senhora respeitável, aos olhos da alta sociedade e da imprensa.
Guardou o colar num saquinho e puxou com uma cordinha que o adornava, o fechando. Por fim, o colou dentro da gaveta ao lado de uma caixa, que continha um belíssimo e caro colar, o havia ganhado pelos, recém completados, seis anos de casamento. Ela não tinha percebido, todavia, era curioso o fato de que nem se preocupava muito com o colar que tinha recebido do marido, deveria tê-lo guardado no cofre, porém se esqueceu dele, após a euforia de ter ganho mais uma joia para sua coleção, se dissipou. Em contrapartida, o outro colar muito mais simples adornado pela pedra verde, detinha o máximo de sua atenção.
Ela ouviu passos no corredor e algumas batidas ritmadas à porta da suíte, resolveu se adiantar, se levantou e alisou as vestes caras.
— Senhora Uchiha — uma contida voz feminina, se fez presente do lado de fora — perdão por incomodar, mas a senhorita Yamanaka acabou de chegar — a criada informou.
A jovem cruzou o quarto e abriu a porta:
— Obrigada, já estou descendo.
— Sirvo algo? — questionou a empregada.
— Chá — respondeu simplesmente. Já era final de tarde, então seria uma ótima escolha, não deu mais detalhes, pois a criada já conhecia suas preferências.
As duas desceram juntas, apesar de morar naquele lugar há alguns anos, a Uchiha não cansava de admirar a esplêndida visão geral que tinha ao caminhar pela longa escada. Tudo muito claro, grande e luxuoso, ao mesmo tempo aconchegante. Quando chegou ao piso inferior, a serva caminhou para cozinha, enquanto ela seguiu em direção a sala de estar.
Não teve qualquer dificuldade, ao avistar a cabeleira loira tão característica da ousada Yamanaka, que abriu um sorriso ao vê-la:
— Hina! — Ino exclamou ao abraçá-la e depois cumprimentou com dois beijos.
— Ino! — os lábios da perolada se repuxaram formando um verdadeiro sorriso, coisa que acontecia com pouca frequência. Era ótimo poder estar na companhia loira, lhe alegrava.
— Bom, eu vim aqui trazer as fotos, como o prometido — elas já estavam devidamente acomodadas no sofá confortável, quando Ino se manifestou.
As fotos das quais se referia, foram tiradas no último evento da FJ, a grife de Maito Gai. O excêntrico estilista recebeu inúmeras proposta de pessoas interessadas em investir em suas peças, após o casamento dos Uchiha, sendo assim,Gai abandonou definitivamente a carreira de professor para se dedicar integralmente à sua paixão de infância. A grife rapidamente ascendeu e não foi difícil, tendo Hinata como usuária, praticamente todas as jovens e mulheres mais maduras da alta sociedade, queriam se vestir como ela. A nova senhora Uchiha, inclusive teve participação na escolha do nome da marca, convenceu Gai a usar as siglas FJ no lugar das palavras completas Fogo da Juventude, que ele tinha a intenção de usar. A azulada ainda foi homenageada pelo estilista, num discurso inflamado no dia de inauguração. “se não fosse pela minha musa inspiradora, meus modelos não seriam tão bons” ela conseguia ouvir perfeitamente a voz exageradamente dramática de Gai…
Obviamente, Ino cobria todos os eventos e tinha acesso exclusivo e tratamento diferenciado. Hinata sempre fora muito reservada quanto a mídia e a amiga era uma das poucas, ou única em diversos momentos, a conseguir entrevistas e novas imagens. Enfim, as duas tinham combinado de escolherem quais fotos iriam ser escolhidas para estampar a matéria em questão; um trabalho que facilmente poderia ser resolvido por email, no entanto, era um excelente pretexto para que a loira e a perolada pudessem se encontrar.
Ambas estavam distraídas e nem perceberam que a empregada se aproximara com uma bandeja contendo duas xícaras.
— Com licença — a mulher anunciou sua presença, fazendo as outras duas a fitarem. Pegaram cada uma das xícaras.
— Sim? — Hinata incentivou a criada a falar, pois percebeu que a outra permanecia no mesmo lugar, então concluiu que ela queria dizer algo a mais.
— A senhora ou o senhor Uchiha têm alguma preferência para o jantar — foi só depois de “o senhor Uchiha”, que a azulada se deu conta de que o marido iria jantar em casa. Na última semana, Itachi andava muito ocupado, alguma coisa relacionada a um novo sócio, chegava em casa mais tarde do que de costume.
— Ah, não — balançou a cabeça — faça o que achar melhor — a empregada se retirou.
Após terem finalmente escolhido as fotos, uma decisão difícil para chegarem num acordo, a loiro tomou o último gole de sua bebida e soltou:
— Hina, bem que você poderia me dar uma entrevista, faz tanto tempo desde a última — Ino juntou as mãos e fez sua melhor carinha de fofa, para pedir.
— Não — a resposta foi curta e firme e antes que a amiga pudesse fazer uma réplica, ela completou — eu detesto esse tipo de coisa.
— Aí, por favor, Hina. Você sabe o quanto a Temari fica enchendo o meu saco.
— Sei e ela faz, justamente, por saber que eu abro exceções para você, por sermos amigas — a Uchiha foi irredutível.
— São apenas umas perguntinhas básicas: “você pretende ter filhos? Para quando os herdeiros virão?” — a Yamanaka revirou os olhos pela curiosidade imbecil que as pessoas tinham.
Hinata sentiu uma pontada seguida de suas entranhas se contorcendo por dentro dela. Apesar dos anos, aquilo ainda doía, muitas vezes tentava e enganar de que sua ferida já estivesse cicatrizada, entretanto era só ouvir alguém falar sobre maternidade, até mesmo assistir algum comercial ou passar perto de alguma loja relacionados; sentia essa mesma sensação dolorosa. Se Ino soubesse o quanto aquele assunto era delicado, um verdadeiro tabu para amiga, não falaria com tanto desdém, talvez nem se aproximasse daquela área tão sensível. Não poderia culpar a Yamanaka, visto que ela e ninguém do seu convívio sabia da perda do seu bebê. Ela se empenhou muito, fingiu muito, para que tudo voltasse a “normalidade”, para que Ino, Sakura, sua mãe e Itachi pensassem que tudo estava bem e suas atitudes estranhas tinham sido meramente uma época complicada, nada mais do que isso. Fora, talvez, o acontecimento mais marcante e íntimo de sua vida, queria mantê-lo em segredo. Definitivamente, não se sentia confortável para comentar a outra pessoa.
A perolada não soube dizer quanto tempo ficou perdida nos seus pensamentos, todavia o celular da loira tocou a salvando de ter que se pronunciar sobre aquilo. Torceu para que a jornalista não tivesse percebido seu desconforto. Respirou fundo se recompondo, fitou a Yamanaka que falava algo animada, não deu atenção ao que ela dizia, focou no sorriso malicioso e os olhos azuis num brilho diferente. Logo concluiu que se tratava do tal Gaara do outro lado da linha.
Hinata resolveu não dar brechas para que retornassem ao ponto em que pararam, portanto, assim que a amiga desligou o aparelho, tratou de indagar:
— Pelo seu sorriso, presumo que seja esse Gaara, não? — seu tom foi cheio de segundas intenções.
— Hã-ã — Ino pensou um pouco — sim — sua afirmativa foi baixa, como se estivesse fazendo algo errado. Foi a vez dela respirar e continuar de forma mais firme. Percebeu que o jeito no qual a amiga insinuava como se soubesse de algo que ela não sabia, lhe incomodava ligeiramente — você sabe, nós nos encontramos casualmente.
— “Casualmente” — a azulada repetiu como se estivesse falando com alguma criança — agora, me deixe fazer umas “perguntinhas básicas”... — foi interrompida.
— Usando minhas palavras contra mim, que feio — a loira usou um falso tom de reprovação.
Hinata apenas sorriu.
— Continuando, a quanto tempo vocês têm esses “encontros casuais”? — dessa vez, a perolada perguntava por se interessar pela vida da amiga e não apenas por tentar desviar do assunto inicial.
— Bem… — a loira se assustou por dar conta de que havia muito tempo, mais precisamente cerca de seis anos, ela abriu a boca em espanto por ter entendido o que a outra insinuava — não é isso que você está pensando, nós não temos compromisso algum, muito menos temos sentimentos um pelo outro.
— Sério? — disse descrente — e você tem esses “encontros casuais” com outros caras? Pelo que eu me lembre, você só fala no Gaara, nunca mencionou outro — ela respirou — Ino, você sempre tentar ler por trás das minhas atitudes e das atitudes da Sakura. Você também sempre diz para nós duas: não mintam para si mesmas. Eu acho que já está na hora de você aplicar essa frase na sua vida — “pelo menos você ainda pode fazer isso, enquanto eu…” — completou mentalmente.
A azulada conseguiu lhe pegar certeiramente, se sentiu incomodada novamente. De fato, sempre fora uma pessoa ousada e corajosa, em relação aos seus desejos e vontades. Porém quando se tratava de sentimentos, se acovardava, talvez por ter medo de perder o controle do rumo das coisas, ela sempre fora dona de seu nariz e muito desapegada ao amor romântico. A Yamanaka acreditava ser uma pessoa muito racional e voluntariosa, nunca se viu num relacionamento sério, onde sua vida e felicidade estariam atadas à outra pessoa. Talvez esse fosse algum “trauma” relacionado ao exemplo que tinha dos pais….
Se fosse analisar, já havia algum tempo em que vinha se relacionando apenas com Gaara, pois foi perdendo a vontade de ter outros caras como de costume, se contentava apenas com o Sabaku, foi algo tão natural.
Mas Ino não conseguiu terminar seu raciocínio…
A perolada que a fitava, mirou os olhos na direção da porta que se abria e revelava o marido. Deve ter perdido a total noção do horário, não imaginava que haviam conversado por tanto tempo. O moreno parecia cansado, as marcas de expressão maia acentuadas, mas nada que atrapalhava sua beleza. Ele também carregava uma pasta, se aproximou e a beijou.
— Tudo bem, Ino? — a voz grave de Itachi ecoou, após se separar da esposa.
A loira sorriu e acenou para ele.
— Fica para o jantar? — o moreno convidou.
— É uma proposta tentadora, mas eu já tenho um compromisso — ela recusou educadamente, enquanto se levantava.
O Uchiha deu um sorriso e se retirou, um banho quente seria uma ótima forma de relaxar os músculos e retirar toda preocupação e irritação que o trabalho causava.
— Um compromisso que tem relação com um certo ruivo, eu suponho — Hinata murmurou, enquanto se despedia da loira, que por sua vez não disse nada, apenas mandou um olhar significativo para azulada.
Eles jantavam em silêncio, apreciando a refeição. Se assemelhava muito a tipo de relação que o casal construiu, calma e pacífica.
Os pensamentos de Hinata voaram para longe, se lembrou de sua noite de núpcias, se fechasse os olhos, reviveria as cena nitidamente. Eles passariam uma noite num hotel e no outro dia viajariam. A suíte em que ficaram era a maior de todo hotel, porém ela não se importava nem um pouco com tudo aquilo, o luxo era um mero figurante, no momento, o grande protagonista era a dor que sentia, já não aguentava mais fingir, a máscara que usara durante aquele período. Se sentou na cama e suas lágrimas mancharam o belo rosto, borrando a maquiagem e escorrendo até cair nas mão postas em cima do colo. Estava ali tão entretida em seu mundo, que mal percebeu o colchão se afundar do seu lado. Sentiu a mão morna afagar as suas, não tinha coragem para encará-lo, todavia sentiu a mão livre dele erguer seu queixo, as ônix se mantinham cautelosas em sua direção “eu não sei o que houve, mas não irei cobrar nada. Apenas ficarei do seu lado”, ele falou baixinho. O homem havia demonstrado tanto carinho e compreensão, uma sensação de culpa e arrependimento invadiram seu ser, mas ela precisava continuar com tudo aquilo. Seu choro intensificou e o moreno lhe abraçou dando conforto. A partir daquele momento, ela jurou para si mesmo que faria de tudo para ser uma boa esposa.
— Hinata? — ouviu a voz do Uchiha, não aparentava ser a primeira vez que lhe chamara.
Ela balançou a cabeça levemente, antes de responder:
— Sim?
— Aconteceu algo? — ele questionou intrigado — você está a um bom tempo quieta, sem mexer no prato.
A azulada se levantou do seu assento e deslisou para o colo do homem, sorriu e passou os braços em volta do pescoço dele.
— Eu só estava pensando o quão maravilhoso, o meu marido é — ela suspirou teatralmente.
— Uau! Eu me sinto lisonjeado — o moreno contornou a cintura feminina e a beijou.
Ficaram em silêncio até Itachi quebrá-lo.
— Sasuke me disse que volta o mais breve possível.
— Que ótimo! — Hinata exclamou. O mais novo dos Uchiha saiu em viagem há anos. Ela sentia falta da personalidade sarcástica e presença marcante dele; Itachi sentia ainda mais a falta do irmão, apesar de não dizer abertamente, ela sabia o quanto e sentia. Também não poderia negar a curiosidade de saber se ele havia encontrado o que tanto procurara. Por outro lado, também se questionava qual impacto aquela notícia teria para Sakura, a amiga tinha acabado de se formar e fazia residência no Hospital Senju.
— Eu tenho mais um aviso — a perolada o fitava atentamente — não marque nada para o sábado — ele percebeu a expressão de incompreensão da esposa e tratou e explicar — se lembra quando eu te contei sobre um investidor interessado em ser sócio da empresa?
— E como eu poderia me esquecer? Se foi por causa dele que meu marido chega em casa mais tarde e mais cansado que o habitual — ela fez um biquinho.
O Uchiha sorriu:
— Você sabe que é necessário, antes de colocar alguém novo lá, é preciso descobrir suas procedências e ter intermináveis reuniões com o conselho — ele resistiu a vontade de revirar os olhos, ao se lembrar daqueles velhos chatos e incompetentes, que ele deveria dar satisfações.
— E quais informações foram obtidas? — ela perguntou.
— Tudo que conseguimos foi saber é que a Rasengan teve uma ascensão meteórica no mercado e obteve êxito em todos os seu negócios. Nós teremos um primeiro encontro pessoalmente, não há nada decidido, ainda estamos em negociação.
— E qual o local e a data? — a azulada precisava saber qual tipo de evento era e como se vestir. Já era de praxe acompanhar o marido.
— Será no Clube Raikage, pela manhã — o Uchiha beijou sua têmpora.
Há tempos não frequentava o clube, teve uma pequena parte de si dizendo que algo de extraordinário aconteceria em sua vida perfeita e previsível; não deu atenção, de qualquer forma era um lugar lindo e que conhecia, seu marido talvez fechasse um negócio e nada daria errado.
….
A amou mais que tudo, se preocupou, foi paciente e compreensivo, fez dela o centro do seu Universo; e para o quê isso tudo serviu? Apenas para sentir dor… deu seu coração e ela o destruiu sem se importar.
Como ele pôde ter sido tão idiota? Se julgava uma pessoa que conhecia as outras, porém descobriu estar enganado da pior forma possível. Daqueles lábios que ele tanto desejou beijar, só saíram mentiras. Mulher dissimulada, a odiava.
Já não era mais o tolo alegre de antes, havia amadurecido e se tornado um homem sério. Sorrisos que antes eram constantes, hoje eram muito difíceis. Sempre via o lado bom das pessoas, todavia, atualmente não confiava mais em ninguém. E o pior de tudo, nunca se sentiu tão solitário em toda vida. Antes era tão puro e ingênuo e hoje tão amargurado e frustrado.
E no final, depois de tantas lágrimas e sofrimento, percebeu que tudo havia sido culpa dele mesmo, pois jamais deveria desviar do caminho. Seu caminho era fazer o legado de seu pai ressurgir mais forte do que nunca. E para isso dedicou todos os anos que se seguiram no trabalho, usou o dinheiro e alguns documentos importante deixados por Minato. Ele descobriu ter o mesmo talento que o pai para os negócios, instinto e até mesmo uma sorte absurda, fizeram Rasengan se estabelecer cada dia mais firme e forte.
E claro, outro objetivo que movia sua vida, era fazer com que os culpados pela morte dos seus pais pagassem caro por isso. E ele estava prestes a colocar em prática.
— Não se deixe levar pelos sentimentos, Naruto — foi a primeira coisa que Toneri disse, ao entrar no quarto de hotel em que o Uzumaki estava hospedado, havia chegado há pouco tempo no país.
— Você acha mesmo que eu irei estragar tudo? — o loiro retrucou, enquanto colocava o blazer.
O Õtsutsuki lhe lançou um olhar desconfiado:
— Essa é a nossa grande chance de nos infiltrarmos e se algum movimento sair fora do que foi planejado, as coisas podem se complicar e terminar muito mal — era arriscado, entretanto, eles contavam com o fator de que Madara não tinha consciência que Naruto era ciente de toda a verdade, além do mais, a ganância falaria mais alto. Portanto, por hora, o velho não tentaria nada contra o Uzumaki, ele iria querer usufruir do poder que a união entre as partes traria — até hoje, nenhuma das investigações apontaram paras Industrias Uchiha, o velho foi inteligente usando a Akatsuki para fazer o serviço sujo. Minha fonte também garante que o atual presidente, o neto dele, não tem qualquer envolvimento, se quer sabe da existência da Akatsuki.
— Será mesmo? Por que até hoje, você nunca me disse quem é essa fonte — disse aborrecido.
— Você sabe de tudo que é importante saber. Não direi quem é a fonte, que até hoje se mostrou de confiança — foi taxativo — Além do mais, será a oportunidade perfeita de você provar se Uchiha Itachi é ou não envolvido. Ah, sim. Eu tenho certeza que você irá empenhar nisso — alfinetou, porque sabia que esse interesse estava muito longe de ser apenas o que Naruto tentava justificar.
O loiro estava extremamente irritado com as insinuações de Toneri, entendia muito bem porque seu avô se desentendia com facilidade com o Õtsutsuki. Também detestava a forma como o platinado lhe tratava como uma criança boba e omitindo fatos. Ele já havia demonstrado e dado provas que estava comprometido com aquela operação, que ele mais do que ninguém queria que tudo desse certo. Respirou fundo, de nada adiantaria entrar numa discussão, já não era mais um garoto para pensar assim. Além disso, fazer parte daquela operação, era a única forma de poder agir contra todos os malditos que acabaram com a vida, não só dos seus pais, mas de outras pessoas.
— E quando eu disse, para não se deixar levar pelos sentimentos, eu não estou falando do que aconteceu com os seus pais — o mais velho disse antes de sair — a Shion vai te acompanhar.
Naruto fitou a madeira da porta, por um tempo que não soube dizer. Sim, ele sabia a quem Toneri se referia. A encontraria e por mais que ordenasse a si mesmo seguir um roteiro, tudo seria muito imprevisível, não saberia como iria agir ficando frente a frente dela. Se uma parte dele estava apressado e querendo confrontá-la e outra parte estava com medo do que estava por vir. Pois o loiro admitia, amando ou odiando, possuía sentimentos fortes por ela. Se tornou uma pessoa muito indiferente à várias coisas, menos dela.
— Naruto? — a porta se abriu revelando uma mulher loira, a expressão dele suavizou ao avistá-la. Ela sorriu e o Uzumaki retribuiu com um pequeno repuxar de lábios.
Shion foi uma das poucas coisas boas que aconteceu nos últimos anos. A loira um pouco mais velha do que ele, fazia parte da equipe de Toneri, ela foi designada a ser a ponte entre a organização e Naruto, e como justificativa para sempre estar na companhia do Uzumaki, era tida como sua “assistente”. Shion tinha se transformado numa boa amiga, o Namikase teve medo de abalar essa amizade e de também ter dado a entender que queria outro tipo de relação com a loira, depois de uma noite de bebedeira, ter terminado na cama com ela. Era vergonhoso admitir, por isso culpava o álcool, no entanto, o motivo por se atrair pela mulher, foi o fato de ter uma leve semelhança com a outra que amou. Depois disso, se sentiu extremamente culpado e pediu perdão, contudo foi surpreendido ao vê-la dizer que nada mudaria entre eles. Desde então, haviam tido mais alguns deslises, porém nada frequente.
— Ah, sim. Vamos — e assim Naruto finalmente saiu do quarto.
Era a primeira vez que o Uzumaki frequentava o Clube Raigake, a imensidão e beleza do local eram de causar espanto. A grava verde se perdia até o horizonte, pelo que o recepcionita que lhe acompanhava dizia: o clube foi criado para servir de entreterimento e relaxamento, para alta sociedade. O homem comentava orgulhosamente que haviam spa, três restaurantes, cafés, campo de golfe, quadra de tênis, área aquática, boate, ainda completou dizendo que o clube era disputadíssimo para eventos.
Claro, nada daquilo lhe interessava, então agradeceu quando o funcionário o levou ao local combinado, era um dos restaurantes, porém ficaram numa das mesas ao ar livre. A loira ao seu lado, parecia encantada com tudo e ele também ficaria, se as engrenagens do seu cérebro não estivessem trabalhando a todo vapor, o céu azul sem nuvens e o sol aberto criaram uma combinação espetacular.
E por fim, um casal bonito e elegante entrou em seu campo de visão, eles foram interrompidos por um homem calvo e gordo que sorria e com certeza era inconveniente, dava para ler a expressão corporal do homem e da mulher.
Voltaram a caminhar e o Uzumaki respirou fundo, a ansiedade e excitação lhe atingia, porém por fora aparentava profunda tranquilidade. Se levantou e cumprimentou o outro homem com um apertar de mãos. Se voltou para mulher, ela tinha a boca levemente aberta demonstrando espanto. O Uzumaki sentiu sangue em suas veias esquentar, apertou os olhos levemente. Admirou, ela estava mais linda do que nunca, o cabelo mais curto e a franja de lado, dava um ar de maturidade. Pegou a mão feminina, deu um leve aperto sentindo a mesma maciez do passado e levou a boca, depositando um beijo nas costas da mão.
— É um prazer, senhora Uchiha — qualquer pessoa poderia jurar que seu tom fora muito educado, mas ele sabia que, pela forma como as orbes peroladas cintilaram, ela tinha percebido o despreso implícito em sua fala.
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