Hinata

19 Movimentações


Notas iniciais
Oi, esse capítulo foi um pouquinho trabalhoso, pelo fato de que eu tive que reler algumas coisa antes de escrever. Eu queria agradecer à todos que comentaram, como eu já disse, a fic continua por vocês. O número de reviews continua baixo, e agora já são 210 pessoas acompanhando. Seria muito bom se alguns se manifestassem, me faria muito feliz e me daria motivação para continuar. Perdão por qualquer erro.

Ele estava exausto, também não era para menos, depois de um voo com duração de uma hora e quarenta minutos, aproximadamente.

Havia ficado tanto tempo sentado, para alguém tão hiperativo quanto ele, era um pesadelo. A primeira coisa que fez, ao pisar no aeroporto de Konoha, foi se espreguiçar.

O loiro e seu avô tinham se separado após o desembarque, pois o escritor de contos eróticos, fora buscar o restante da bagagem, foi isso que o mais velho alegou, mesmo eles nem tendo trazido mais malas. A única coisa que o Uzumaki trazia, era sua mochila de viagem pendurada em seus ombros, ele até tentou dizer isso ao avô, no entanto acabou desistindo, visto que o grisalho sumiu pelo local.

Sendo assim, o jovem tentou se localizar em meio ao recinto, caminhando mais um pouco, avistou uma parte com cadeiras, por sorte, aquela área estava muito mais vazia e silenciosa, o local propício para o que queria fazer desde que pôs os pés dento do avião: falar com sua pérola.

Sacou o celular do bolso, antes de se sentar, e rapidamente digitou o número, bastou apenas uma chamada para ser atendido.

O que ele não sabia, era que sua amada estava tão desesperada quanto ele, para ouvirem suas vozes, a azulada tinha seu aparelho entre as mãos, por isso lhe atendeu as pressas, ao ler seu nome no visor.

— Naruto — a voz feminina soou do outro lado. Ela tentou não demonstrar estar tão afoita para ter contato.

— Ei, Hina-chan — o Uzumaki sorriu ao ouvir a voz que tanto amava.

Hinata sentiu um felicidade enorme por poder falar com o loiro, contudo, o sentimento logo substituído por raiva.

— Por que você não me ligou antes? — dessa vez, a azulada fazia questão demonstrar sua irritação — já chegou e Konoha?

— Calma, Hina-chan — mesmo não podendo vê-la, ele coçou a nuca constrangido, tentando acalmá-la. O rapaz sabia que a Yuuhi, do outro lado da linha, estava esperando uma explicação impaciente, então tratou de falar — nós não fomos direto ao aeroporto, assim que saímos de casa. O Velho Tarado disse que as passagens estavam marcadas para manhã seguinte. E assim, passamos a noite num hotel. Eu acabei de chegar em Konoha, ainda estou no aeroporto.

— Então não havia necessidade de vocês terem ido embora ontem — ela praticamente resmungou.

Os dois poderiam ter ficado mais tempo juntos. Naruto sabia que era nisso que sua pérola pensava, pois ele também chegou a essa conclusão, quando em vez de irem ao aeroporto, seu avô lhe levou para um hotel.

— Eu não tinha conhecimento disso, só soube ontem à noite — seu tom foi de desculpas — não te liguei, pois estava tarde e não queria acordá-la — se ele soubesse que Hinata revirou os olhos, porque ela mal conseguiu pregar suas pálpebras à noite por estar sem ele — o Velho Tarado é cheio de manias estranhas — o jovem disse se lembrando do ocorrido há poucos minutos atrás. Mas, você já está na faculdade? — o loiro mudou de assunto, não queria perder tempo falado das esquisitices do avô, queria aproveitar o máximo possível com ela.

— Não — era estranho conversar pelo telefone com o loiro, não conseguia fitar as safiras dele, isso lhe entristecia, daí a resposta monossilábica.

— Não? Então quer dizer que a “aluna dedicada” era apena fachada? — o rapaz descontraiu, pois sentiu que a amada estava mais introspectiva do que o normal. E pareceu surtir efeito, pela risada curta da jovem — então, o que você está fazendo?

— Eu estou deitada na minha cama, vestida com uma camisola — e estava realmente, ela decidiu provocá-lo, preferia isso do que demonstrar fragilidade pela falta dele — ela é curta e o tecido é fino e leve, molda meu corpo.

— Ah, Hina! Porra! — ela era muito má por fazer isso, Naruto estava com raiva de si mesmo por ter aceitado viajar com Jiraya. Ele daria tudo para estar junto dela nesse momento, tocar toda a pele e faze amor com sua pérola — qual é a cor? — questionou curioso, queria o máximo de detalhes para imaginar em sua mente.

— Rosa, bem clarinho — ela sorria, o loiro sabia que sim.

— Hina-chan, pare! — ele estava em um local público, não poderia ter uma ereção ali — por favor — suplicou, estava se esforçando para controlar.

— Hun — ela assoprou a franja espeça, se lembrou que precisava cortá-la. Enfim, tomou novamente o rumo dos seus pensamentos, apesar da brincadeira maliciosa e da frustrante saudade que sentia, se lembrou do motivo pelo qual o namorado havia partido. Então ficou séria novamente — e seu avô, já te disse alguma coisa? — indagou com a voz macia, como uma carícia.

— Não, ele parece me evitar a qualquer custo — bufou.

— Se tem uma coisa que eu aprendi, é que pressionar em algumas situações, não funciona — ela aconselhou se espelhando na situação vivida por ela e Kurenai, por mais que sempre pôs a mãe contra parede, não serviu de nada e até hoje não sabia de nada sobre o pai — então dê um tempo ao seu avô, por mais que ele já tenha tido demais. Mas talvez seja muito difícil para ele, tocar nesse assunto, nas mortes do filho e da nora — ela realmente se surpreendeu com a sua fala, há um ano atrás, jamais diria isso, na verdade, nem perderia seu tempo tentando ajudar alguém.

— Você tem razão, amor — o Uzumaki abriu um sorriso encantador, infelizmente, a Yuuhi não poderia ver — se eu esperei tanto tempo, posso esperar mais um pouco — a persistência e obstinação, estavam instauradas mais uma vez nele.

Eles ficaram, curiosamente, em silêncio, aproveitando a presença um do outro, mesmo que não fosse fisicamente.
Até que em determinado momento, Hinata tomou a fala:

— Você sabe quanto tempo ficará aí? — perguntou ansiosa.

— Eu não sei — respondeu sem esconder o tom triste — o Velho Tarado não me disse nem isso. Mas eu prometo, sempre que puder, falarei com você, Hina-chan.

Aquilo era uma droga! Naruto odiava o fato de ficar longe da amada. Mal havia se passado um dia, e ele já se sentia assim: incompleto. Não queria nem imaginar o tempo indeterminado, que ficaria sem vê-la. Teve de lutar contra a vontade de entrar novamente para o avião e voltar para Tóquio.

— Você vai ligar mesmo? — ela indagou tentando parecer desinteressada , no momento, queria implorar para que ele mantivesse contato, todavia se importava com seu orgulho.

— É claro. Eu sinto sua falta, muito — o loiro suspirou — pode parecer impossível, mas eu já estou com saudades, mesmo tempo se passado tão pouco tempo.

— Eu também sinto… — a voz feminina apresentava falha. Após a declaração dele, acabou passando por cima de alguma fagulha que restava de orgulho e expôs seus sentimentos — eu te amo.

— Eu te amo, muito, muito mesmo — o Uzumaki afirmou em meio aos sorrisos. Seu coração estava aquecido.

— Ei, moleque! Vamos! — Jiraya estava a alguns passos do neto.

— Hina-chan, eu tenho que ir — se levantou — ligo assim que puder.

O que nenhum dos dois desconfiava, era de que aquela seria a última vez que se falariam, pelo menos por enquanto.

— Ei velho, onde você estava — o loiro questionou ao se aproximar.

— Eu estava resolvendo algumas coisas e depois te procurando, não precisava ter se afastado tanto — o escritor estava apressado — vamos logo.

Enquanto o taxi os levava para o destino esperado, Naruto fitava a a cidade que se mostrava através da janela: simpática, pacata e muito arborizada; eram características que poderiam ser destacadas. Em seu íntimo, tentava se imaginar vivendo ali atualmente, tentava também lembrar daquelas ruas, se já havia passado por ali quando mais novo.

— Apreciando a paisagem? — o mais velho provocou.

— Eu não sei explicar, mas é estranho voltar para cidade em que eu nasci e vivi minha infância, depois de tanto tempo — suspirou.

— Ah, sim. Você realmente viveu aqui, mas nasceu em Tóquio mesmo — ganhou a atenção do neto e continuou — a Kushina teve uma gravidez complicada, então ela e Minato, passaram boa parte da gestação lá na capital. Eles queriam o melhor tratamento e acabar com qualquer risco. Assim, tudo foi assistido pela Tsu — sorriu ao se lembrar do amor de juventude — naquela época, ela ainda atuava como ginecologista e obstetra, era a melhor. Ela fez seu parto — sorriu novamente, dessa vez se lembrando da primeira vez em que viu o neto. Um bebê chorão e com alguns fiapos loiros na cabeça, toda felicidade que Minato e Kushina sentiram.

— A vovó fez meu parto? E por que ela nunca me contou? E por que você nunca me contou que eu não nasci aqui? — o Uzumaki fez várias perguntas.

O escritor apenas deu de ombros.

O trajeto não demorou muito, sendo assim, logo estavam em frente a um casarão bonito e bem cuidado. Jiraya havia pago o taxi e Naruto vinha um pouco atrás dele com sua bagagem. O mais velho rapidamente sacou as chaves e abriu o grande portão, deu passagem para o mais novo.

Existia ali um belo e bem cuidado jardim, andaram pelo caminho de pedras até subirem alguns degraus, por fim dando acesso à porta.

Quando Naruto colocou seus pés no local, sentiu uma dorzinha fina no peito, que ele reconheceu ser saudades. Suas safiras esquadrinharam todo local. As paredes em bom estado, chão limpíssimo e os móveis cobertos com plásticos e lençóis.

— Eu providenciei para que fizessem uma faxina, antes da nossa chegada — aquilo explicava o suave cheiro cítrico no ar.

O jovem não deu tanta atenção ao avô, sua mente recebeu uma enxurrada de lembranças: momentos felizes, divertidos, de amor, tristeza. Seus olhos ficaram marejados, se controlou para não deixar as lágrimas escorrerem.

— Ei moleque, por que você não vai lá para cima? — sugeriu o mais velho, ao notar o semblante abatido do loiro.

O Uzmaki passou a mão pelos olhos e deixou sua mochila no sofá e o celular na mesa ao lado. Subiu as escadas sem falar nada, seus pés já sabiam onde ir.

Jiraya acompanhou o loiro com os olho, até sumir de vista. Suspirou cansado, retirou o celular do bolso digitou os números, como de costume, foi atendido com rapidez:

— Nós já chegamos — o escritor informou.

— Bom. Já fez o que deveria? — a voz impessoal e profissional, que tanto irritava Jiraya, pôde ser ouvida.

— Não — respondeu curto.

— Pois então faça — o outro disse num tom entre calma e ordem, difícil distinguir — e não se esqueça do protocolo.

O Namikaze revirou os olhos, como se o desconhecido mandasse nele. Contudo, não restava outra alternativa. Pegou o celular de Naruto, não queria fazê-lo e deixar o mais jovem sem contato com a namorada e o mundo, porém eram as regras. Por outro lado, por mais que o homem com quem falava lhe irritava com sua imparcialidade e frieza, ele tinha razão, precisava logo contar ao neto. O problema era sua falta de coragem, era muito difícil ter que falar aquilo, talvez Naruto não lhe perdoasse por ter escondido. Mas tudo que ele fez, foi pensando no bem do jovem. Doía ter que dizer, e por isso estava prolongando. Desligou seu aparelho e apertou os olhos, seguiu para o segundo andar.

Uma lágrima solitária percorreu pelo rosto dele, pela primeira vez em muito tempo, não se sentia tão só. A saudade assombrou seu coração. O quarto continuava infantil com forte presença da cor laranja. Ele segurava Kurama, à princípio, quando bem pequeno, tinha uma raposa gigantesca e de pelo laranja, como amiga imaginária. Algum tempo depois, seu pai lhe deu uma mini raposa de pelúcia, a qual escolheu o mesmo nome da amiga imaginária.

Naquele quarto, houveram inúmeras brincadeiras, sorrisos e gargalhadas. Foi uma época tão feliz, e no alto da sua inocência, não poderia imaginar o quanto poderia sofrer. Limpou o rastro molhado na face e levantou a cabeça a tempo de visualizar o mais velho entrar ali, o clima rapidamente ficou tenso e com sua sensibilidade aflorada, no fundo sabia que era a hora do seu avô lhe contar o que tinha prometido.

Naruto fitava o escritor, como se já esperasse que ele dissesse algo, então Jiraya não se demorou em começar:

— Eu só te peço perdão, você tem todo direito de me odiar por ter te escondido, mas eu fiz para te proteger — ele respirou fundo ao tirar a carta que há tempos guardava.

O rapaz logo pegou e analisou o papel, pelo estado da folha era antigo. Mesmo curioso, exitou por alguns segundos, pois aquela carta parecia pesar uma tonelada, ao invés de poucas gramas. Olhou para o avô mais uma vez, que lhe incentivou com o um aceno. Resolveu abrir e saber o que tinha escrito.

Naruto,
Se você estiver lendo essa carta, é porque aquilo que eu temia aconteceu. Essa já é a terceira vez que tento escrevê-la, mas é muito difícil saber por onde começar...
Há certo tempo atrás, recebi uma proposta ilícita, desde o começo neguei. Tudo ocorreu tranquilamente, até que atualmente (para você, anos depois), a Kyuubi vem sofrendo de todas as formas: desde problema com fornecedores à um desfalque dentro da empresa. Além disso, os preços muito baixos dos concorrentes…
É claro que eu me sinto frustrado e com raiva, por ver tudo que eu conquistei sendo destruído dessa forma. Porém, o pior foi ter você e sua mãe envolvidos nessa história. Recebi um envelope com fotos suas e de Kushina em situações do cotidiano, uma clara ameaça. Tenho que protegê-los...
É muito estranho escrever tentado prever o futuro, mas é necessário. Eu pedi que se o pior acontecesse, meu pai entregasse esta carta à você, quando fosse o momento certo e você tivesse maturidade suficiente. Eu deixei alguns documentos e uma quantia considerável para você numa conta, na qual seu avô cuida. Ele te dará todas as informações à respeito, faça o que achar melhor com o dinheiro.
Filho, te amo muito e me perdoe pelos momentos em que não pude fazer parte da sua vida. Tenho fé que você se tornou o homem honrado que eu e sua mãe sempre desejamos.
Com amor, Minato.

— Como…. — as lágrimas transbordavam sem ele se dar conta, sua voz não passava de um sussurro. Eram tantas informações e sentimentos conflitantes, que ele mal reagia.

— O incêndio na fábrica não foi acidental, mas sim criminoso — Jiraya tinhas os olhos marejados, todavia não chorava como o mais jovem. O grisalho suspirou, estava fazendo tanto naquele dia — porém nunca pudemos comprovar, pelo menos não por enquanto. Naruto, é por isso que nós saímos o Japão, para sua proteção. Eu queria te dizer, mas existe muita coisa em jogo, isso tudo é bem maior do que eu e você. Por favor, tenha paciência, você vai saber de tudo ao poucos, é só isso que eu peço.

O loiro não disse nada, apenas tinha uma expressão assustadora na face, isso só preocupou o mais velho.

….

Aquele idiota, aquela “coisa loira”, custava fazer ao menos uma ligação? Estava tão irritada e estressada, chorava à toa, por raiva e saudades. Seus hormônios à flor da pele, e o Uzumaki não coopera. Já haviam se passado dois meses, o maldito lhe prometeu entrar em contato assim que possível, isso só fazia uma espécie de angustia tomar seu peito. Estava preocupada, porque Naruto era uma pessoa de palavra. Tudo a levara a crer que algum imprevisto tinha acontecido.

Por hora, resolveu não pensar no pior. Lavou o rosto tentado se acalmar e se livrar de qualquer sentimento ruim. Afinal de contas, agora tinha que pensar em outra pessoinha, que poderia ser prejudicada, caso se estressasse demais.

Após secar a face levemente, levantou a bata que vestia, atualmente usava apenas roupas mais largas para esconder o máximo que poderia, e acariciou o ventre que tinha uma mínima protuberância. A azulada adquiriu a mania de sempre tocar na barriga, poderia parecer idiota, mas mesmo aquele serzinho sendo tão pequeno, a jovem esperava que ele sentisse todo amor e carinho que já lhe dava.

Seu sorriso era automático ao pensar no pequenino que crescia dentro dela. E ao mesmo tempo, se sentia nervosa, era muita responsabilidade. Mal sabia por onde começar, ela precisava urgentemente iniciar o pré-natal do seu bebê. Precisa providenciar um ginecologista, o mais rápido possível.

Com essa importante tarefa em mente, abaixou a blusa novamente e saiu do banheiro. Ao chegar na sala, avistou a mãe sentada à mesa.

— Bom dia, dorminhoca — a professora cumprimentou brincalhona, ultimamente a filha estava dormindo tanto.

— Bom dia — se aproximou da morena — o que você está fazendo?

— Vem aqui — a mulher sorriu doce — dizem que recordar é viver, pois então, senti saudades de te ver bem pequena — apontou para cadeiras ao seu lado.

Hinata se acomodou e fitou o álbum que a mãe tinha em mãos, há um bom tempo não o via. Ali continha quase toda infância dela ilustrada nas fotos, todas dispostas em ordem cronológica, como se estivesse contando sua breve trajetória.

— Eu amo essa — Kurenai apontou para fotografia, na qual a filha tinha no máximo três anos, a pequena estava com o rosto todo sujo de papinha acompanhado de um grande sorriso inocente — me lembro como se fosse ontem, eu tive que registrar esse momento — comentou orgulhosa, como se fosse um grande feito da filha.

Em outros tempos, a jovem até iria revirar suas orbes, porém acabou dando um pequeno e sonhador sorriso. Ela seria uma mãe parecida como a sua? Tinha tantas dúvidas e receios, ao mesmo tempo um sentimento bom e quente tomava conta dela.

— Como é? — questionou. A morena fitou a filha sem entender — ser mãe — completou.

— Bem, eu não vou mentir para você — sorriu ternamente ao ver o rosto da filha se contrair. Tomou a mão dela e acariciou — a maternidade não é um mar de rosas como dizem, ela é dura e muito difícil. Você vai sentir dores, dúvidas, incômodos, vai ter que abdicar de muita coisa, vai ter medo, se sentir insegura e só terá respostas na prática, pois livro nenhum vai te ensinar como agir em diversas situações — seu sorriso aumentou mais ainda — mas sabe, apesar de todas as dificuldades, posso te afirmar que foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Desde a primeira vez em que eu te vi e peguei nos meu braços, eu sabia que era a coisa certa, que você era o meu amor maior. Eu não posso responder por todas as mulheres, pelo menos para mim, minha felicidade é sua felicidade. Não tem preço, saber que você está bem.

Hinata ouvia tudo com atenção, foi tão bom e teve efeito calmante. Lhe deu muita segurança, pois sabia que poderia sempre contar com aquela mulher de cabelos castanhos e olhos avermelhados. Só agora conseguia compreender tantas coisas em relação à mãe.

— Você está diferente — a Yuuhi mais velha quebrou o silêncio que havia se instalado ali, diga-se de passagem, agradável — tem um brilho especial nos seus olhos — a mulher afirmou, não de forma acusatória, mas uma constatação carinhosa.

A perolada se sentiu tensa por um momento, será que Kurenai desconfiava de algo? E por um momento, teve vontade de contar tudo para ela, mas se conteve. Ainda mantinha esperanças de que Naruto entrasse em contato em breve, e assim ele seria o primeiro a saber. E logo depois, poderia contar à todos, principalmente à sua mãe, e tudo estaria resolvido. No entanto, o Uzumaki resolveu dificultar as coisas…. E pelo visto, a professora leu seus pensamentos, pois perguntou sobre o dito cujo.

— E o Naruto, falou com você novamente? — Kurenai resolveu mudar de assunto, não queria pressionar a filha, nem nada do tipo, além do mais também gostaria de ter notícias do rapaz.

— Não, até agora nada — a azulada não escondeu a frustração.

— Estranho — ponderou, ela poderia que ele falaria com Hinata todos os dias, entretanto decidiu não verbalizar esse pensamento — Mas você não pode desacreditar, não é mesmo?!

A mais nova deu de ombros.

— Ah, antes de tudo, você precisa comer — ela repreendeu maternalmente, antes que pudesse se levantar para prepara algo para a filha, foi surpreendida com abraço.

— Obrigada por tudo — a jovem agradeceu, tinha os olhos marejados, estava tão sensível ultimamente. Teve a súbita vontade de ser grata à mãe.

A mais velha rapidamente retribuiu, estava um pouco chocada, porque não fazia parte do feitio da filha, demonstrar tão abertamente seus sentimentos.

Hinata ficou um bom tempo junto da mãe, aproveitando que era feriado, Kurenai tentou até desmarcar seu encontro com Tsunade, todavia a mais nova não permitiu. Sendo assim, decidiu também fazer algo.

Precisava deixar todo estresse sair dela, queria esse momento só para si mesma, sem companhias. Desde que colocou os pés na rua, sentiu um arrepio por todo o corpo, não aquele arrepio bom causado por Naruto, por exemplo; porém era uma sensação incômoda. Parecia que estava sendo observada, olhara para todos os cantos, contudo não tinha ninguém.

Deveria estar ficando louca, no entanto ao entrar no shopping à poucas quadras de casa, ficou mais aliviada por ser um local de grande movimento.

Pensou em ir ao cinema ou comer alguma coisa, entretanto o cheiro de comida da praça de alimentação, a fez recuar e seguir pelo caminho oposto.

Fitava vitrine por vitrine, mas nada lhe chamava muita atenção, até que parou em frente a uma loja para bebês. Em meio a tantas roupinhas, suas pérolas foram atraídas por um par de sapatinhos na cor vermelha. Apesar de serem bem simples, foram os que mais se destacaram para ela. Se aproximou mais ainda e tocou o vidro seu olhos lacrimejaram, imaginou o seu bebê os usando.

Porém, todo aquele calor, foi substituído pelo frio assustador mais uma vez. A jovem percorreu o lugar com os seus olhos, quando iria se xingar mais uma vez em pensamentos por ser paranoica, o viu.

Aquele homem.

Seu coração gelou junto de todo sangue se circulava por suas veias.

Seus sentidos ficaram em alerta e a respiração descompassada, denunciando o nervosismo e perigo.

A poucos metros estava o platinado sorrindo maldosamente. Então ela não estava louca, realmente estava sendo vigiada, ou melhor, seguida. Como desejou poder acordar e descobrir que era apenas um pesadelo. Nunca imaginou que ficaria à frente do assassino do seu amigo Kiba, mais uma vez.

O homem ameaçou se aproximar, Hinata não pensou nem meio segundo, correu o mais rápido que pôde, sem se importar com as pessoas que trombavam, ela nem ao menos as escutava reclamando. Chegou ao fim do corredor, tinha duas opções: descer as escadas e ir embora, ou voltar para o shopping, só que por outro lugar. Preferiu as escadas, e dentre elas, a comum ao invés da escada rolante.

Decidiu que não tinha tempo, escolheu correr com suas próprias pernas. E esse foi seu maior erro, aterrorizada, acabou tropeçando em seu pés, gritou por pura agonia e tentou proteger o ventre por instinto.

A única coisa que se lembrou antes de perder a consciência, foi da dor pelo corpo.

Ela não tinha a mínima noção do tempo, não sabia se fitava o teto branco a minutos ou horas, e para falar a verdade, nem se importava com isso. Não se importava mais com nada desde que o médico, pouco tempo depois de ter acordado um pouco desorientada, começou sua frase com “sinto muito…” ela sabia o que viria a seguir, as lágrimas caíram silenciosamente marcando a pele de porcelana, agora mais do que nunca se sentia como uma boneca sem vida e vazia.

Tocou a barriga com sua mão direita, literalmente vazia… queria rir da sua desgraça, não tinha mais lágrimas para derramar.

O médico lhe disse também, que ela poderia ter quebrado o braço direito pela queda, mas apenas torceu, também teve um corte na testa pela pancada, porém não houve nenhum trauma, ali recebeu alguns pontos. Não prestou mais atenção em nada, apenas a frase solta “você vai ficar bem…” gritou nos seu ouvidos. Duvidava que ficaria bem depois disso.

Hinata pensou que nada pudesse ser pior do que sofrer um abuso, mas por incrível que pareça, aquilo não foi nada comparado ao que sofria agora. Por mais que tivesse passado tão pouco tempo, já amava imensamente o pequeno ser dentro dela.

Não foi justo com ela, não foi justo com Naruto e principalmente, não foi justo com aquele bebê; que teve sua vida roubada antes mesmo de nascer. Era desesperador saber que nunca conheceria seu filho, nunca saberia se era menino ou menina. Nunca conheceria seu rostinho e nem poderia segurar em seus braços.

E no momento, só restava uma profunda tristeza e culpa por não tê-lo protegido. Hinata começava a achar, que nasceu sem ter o direito de ser feliz, talvez os sentimentos bons não fossem para ela, por mais que se esforçasse.

….

Mal podia acreditar que enfim estava fora daquele avião e estava em Tóquio depois de tanto tempo fora. Estava só, pois assim que informou a Yugito que voltariam, a secretária pediu para voltar mais cedo. Ele apenas aceitou, sem se importar com explicações, acho a Nii um tanto estranha, todavia não tinha o direito de se meter, e também não implicaria, porque a loira era uma excelente funcionária.

Não queria se demorar muito ali, então pegou sua mala e saiu do aeroporto tendo em mente, que precisava chamar um taxi. Entretanto, teve uma surpresa ao ver um homem encostado no carro de sua família.

— Zetsu, o que faz aqui? — perguntou curioso.

— Madara-sama pediu que eu lhe buscasse — disse o homem num falso tom de gentileza.

— Que seja! — entrou no carro. Obviamente sabia que o avô monitorava seus passos, mas mesmo assim, não tinha entendido o porquê dessa atitude, melhor dizendo, o que tinha por de trás daquilo. Conhecia muito bem seu sangue para saber que os Uchiha não faziam nada por acaso.

O assistente do avô entrou no automóvel e deu partida, apesar de sinistro, Itachi não sentia nenhum medo ou muito menos intimidado, apenas não confiava naquele Zetsu.

Em meio ao caminho, seu celular tocou. Atendeu rapidamente, imaginando ser Yugito ou alguém relacionado ao trabalho. Ledo engano.

— Eu falo com Uchiha Itachi? — uma mulher desconhecida logo indagou.

— Sim, sou eu mesmo — levantou a sobrancelha desconfiado — quem deseja?

— Eu sou recepcionista do Hospital Senju — o moreno apertou o aparelho entre as mãos — a senhoria Yuuhi Hinata deu entrada desacordada agora a pouco. Como estava só, nós vasculhamos os pertences dela, para localizar seus familiares. Como seu número era o primeiro da lista…. — a mulher foi interrompida.

— Obrigado por me avisar — estava muito preocupado, por mais que sua expressão aparentasse frieza — Zetsu, vá para o Hospital Senju. Rápido — ordenou.

Insolente e arrogante. O homem não gostava daquele fedelho, porém acatou sem qualquer resistência e rapidamente mudou de direção. Tudo em nome do seu patrão.

Quando Itachi chegou no local, logo foi buscar informação na recepção, e a mesma mulher que havia efetuado a ligação, lhe direcionou ao quarto certo. Ele queria falar com um médio, mas acabou se deixando ser guiado, pois queria ver Hinata.

Abriu a porta indicada, a recepcionista já havia sumido pelos corredores. Não deu importância à isso, porque seus ônix visualizaram a jovem que tanto mexeu com seu ser.

Ela olhava para o teto, o moreno se aproximou e sentou na poltrona ao lado da cama, fez uma inspeção nela. Observou a testa com pontos e o braço enfaixado. A perolada virou a cabeça e agora o fitava, contudo não disse nada.

O Uchiha não enxergava a mulher sedutora, poderosa e sensual que conheceu, estava mais para uma criança perdida e desamparada. Não sentiu pena, mas em seu âmago, um sentimento de proteção cresceu dentro dele.

Ele conversaria com o médico, queria saber tudo nos mínimos detalhes, não perguntaria nada a jovem. Sua mão foi para os cabelos azulados e acariciou ternamente, tinha se esquecido de como eram sedosos. A pele macia estava mais branca do que nunca. Viu a Yuuhi fechar os olhos pelo carinho, ele sabia que ela precisava disso, estava fragilizada.

— Não se preocupe — a voz dele era baixa — eu vou cuidar de você — Hinata voltou a abrir seus olhos e o fitou diretamente — eu avaliei muito minha vida nesse último ano, você vai pensar que eu sou louco, sei que você está fragilizada e que acabamos de nos reencontrar. Mas eu não vejo momento mais oportuno do que esse, para mostrar minhas intenções e mostrar que estarei do seu lado. Não é necessário me dizer nada agora, porém eu preciso me expressar: casa comigo?

Notas finais
Vocês devem ter percebido "pontas soltas" em algumas explicações. Não se preocupem, todas essas "falhas" são propositais, nada é por acaso. Esse foi um capítulo bastante misterioso e triste. Tenho certeza que vocês querem me matar e entenderam o que eu quis dizer no último capítulo. Agora me digam quais são suas apostas aí nos reviews. Beijos, até o próximo.