Hinata

20 Caminhos Diferentes


Notas iniciais
No último dia 9, Hinata completou 1 ano. Eu nunca imaginei que pudesse chegar tão longe com essa fanfic e principalmente, ter evoluído como autora. Gostaria de agradecer todos que comentaram, recomendaram e favoritaram essa história. Ainda bem que eu só fui olhar os reviews, depois que eu terminei o capítulo. Porque sinceramente, eu iria me desanimar e ficar chateada com o número de reviews. São em torno de 216 acompanhamentos e só 13 comentários, quando eu tinha menos leitores, eu tinha mais reviews. Não dá para entender. Perdão por qualquer erro.

Tudo estava tão confuso, ele nem sabia mais o que sentir. Passou toda a noite em claro, não conseguiu pregar os olhos, pois seus cérebro apenas repetia as mesma informações, as mesmas memória. Havia perdido qualquer noção, só percebeu que tinha se passado toda a noite, porque a luz do sol atravessara a janela. Então passou toda a madrugada sentado no chão com as costas encostadas na parede laranja, do quarto infantil, as pernas juntas e os braços em volta dos joelhos. Estava ali desde que gritara com a avô para que lhe deixasse só, o mais velho lhe lançou um olhar preocupado, que não lhe comoveu, e saiu sem tentar convencê-lo do contrário, e internamente agradeceu por isso.

Teve um ataque de fúria e descontou seu ódio e frustração nos móveis e paredes do cômodo. Jiraya não apareceu nem nada do tipo, apesar dos seu gritos e barulhos, e o loiro preferia assim, pelo menos o escritor havia respeitado esse momento.

Nunca tinha se descontrolado daquela forma, se surpreendeu consigo mesmo, porque jamais imaginou que pudesse chegar a tal ponto. Obviamente, nunca tinha passado por uma situação como essa, e agora via seus reais limites… seus limites, eles estavam sendo testados.

Ele foi excluído da própria história, tinha o direito de saber sobre seus pais. Perder o pai e a mãe era terrível, no entanto, descobrir que foram assassinados, aquilo doía muito mais e lhe fazia questionar sobre as pessoas. Ninguém tinha o direito de interromper e mudar vidas assim, por motivos tão fúteis. Dinheiro, poder. A raiva queria dominá-lo mais uma vez, contudo não se permitiu.

O gosto amargo da traição era ruim, sabia que a intenção do avô era protegê-lo, no entanto, por mais que tentasse, não conseguiria perdoá-lo, pelo menos por enquanto. Estava muito chateado e decepcionado e não se importava se estava sendo injusto, afinal de contas, era um ser humano como outro qualquer, ferido.

Se levantou e espreguiçou, as costas doíam pela posição e o estômago queimava pela fome, porém nada pior do que o estado em que se encontrava seu coração. Esfregou os olhos e foi em direção ao banheiro, por sorte se lembrava muito bem da casa e de seus cômodos.

Via através do espelho seu estado lastimável, pequenas bolsas se formando embaixo dos seu olhos, o cabelo mais bagunçado que o normal, a expressão séria. Jogou a água em abundância no rosto e depois secou com a toalha pendurada ao lado.

Enquanto descia as escadas, seu pensamento automaticamente foi para sua pérola. Agora ele a entendia mais do que nunca, a compreensão era, de fato, maior. O Uzumaki enxergou, pela primeira vez, um lado obscuro e sem esperança da vida.

No momento, só precisava de Hinata, como não poderia vê-la pessoalmente, pelo menos ouvir sua voz já seria o suficiente para lhe trazer um pouco de foco e conforto. Com passos decididos, rumou até a sala.

Olhou para mesinha onde se lembrava de ter deixado seu celular, não o encontrou. Pôs as mão nos bolsos, talvez estivesse lá, pois dada as circunstâncias, poderia estar confuso. Entretanto, o aparelho não estava lá. Como última opção, abriu sua mochila ao lado e o resultado foi o mesmo.

Enquanto isso, seu avô apareceu, veio da cozinha. O mais velho estava parado cautelosamente. O escritor queria dizer tantas coisas, começando por mais pedidos de perdão, todavia achou melhor dar espaço ao neto.

— Eu deixei o meu celular aqui, mas ele sumiu. Você o pegou? — perguntou com estranha calma, já virado para o mais velho e o fitando intensamente.

Quem estava a frente dele, não era o garoto alegre e hiperativo, havia um jovem magoado e ressentido. E o escritor sabia, o neto era uma verdadeira bomba prestes a explodir. Se fosse em outro momento, o mais velho seria duro, porém, a culpa o fazia fraquejar. Sabia que estava errado, o pior de tudo, enxergava a dor e o sofrimento estampados nas safiras do loiro.

— Moleque, eu… — abaixou os olhos, pois não queria encarar o neto.

— Você pegou meu celular — o Uzumaki concluiu.

— Naruto, você tem que entender — o escritor suplicou.

— Entender que você mentiu para mim, me escondeu uma coisa tão importante — respirou tentando manter a calma — você pode dizer que foi para me proteger, eu não duvido disso. Mas,mesmo assim, eu estou chateado com você. Eu pensei que a nossa relação fosse baseada em confiança. E para piorar, você ainda quer me afastar na minha nova vida, eu preciso falar com a Hina-chan — foi sincero.

— Isso é muito difícil para mim também, moleque — o grisalho levantou os olhos e se mostraram marejados, poucas vezes Naruto viu seu avô fragilizado daquela maneira — eu sinto tanta culpa, me sinto tão impotente.

— Eu realmente não sei do porquê você quer me isolar aqui, porém esconder meu celular não vai me impedir de fazer o que eu quero, existem outros meios… — o jovem deixou no ar.

— Por favor, tente entender — dessa vez o tom de Jiraya era mais firme e decidido — se não fosse importante, eu não teria feito isso.

— Como você quer que eu entenda, se não me explica nada! — exclamou novamente irritado — quer saber, eu vou falar com a Hina-chan agora!

Já não aguentava mais essa frase “tente entender”, o loiro sempre foi muito determinado e por vezes paciente, contudo, aquela não era uma situação qualquer.

— Eu dei um tempo como você pediu, para que pudesse resolver do seu jeito — o homem desconhecido adentrou pela sala, falava calmamente — pelo vistou não deu certo, então eu assumo por aqui.

— Quem é você? — Naruto perguntou rapidamente, pois havia se surpreendido.

— Eu me chamo Õtsutsuki Toneri — se apresentou formalmente.

O homem não tinha mais que trinta anos, demonstrava muita estirpe, fruto da educação que recebe da família, combinada ao seu treinamento. Ele era alto, mas nem tanto, os cabelo platinados, quase brancos. Os olhos eram azuis, porém muito diferentes das safiras de Naruto. Enquanto o Uzumaki tinha o tom muito intenso, o do outro era bastante claro, além de transparecer tanta calma e frieza. Õtsutsuki Toneri era um homem vazio, com apenas uma meta em sua vida e ninguém iria impedí-lo de alcançar. Caminhou como um lorde e se sentou confortavelmente no sofá.

Jiraya revirou os olhos pela atitude do homem, essa personalidade dele, lhe irritava bastante. Porém, apesar de tudo, e por mais difícil que fosse, tinha que concordar o com o sujeito, a quem conhecia há muito tempo. Ele tinha fracassado, e talvez fosse melhor que o outro tomasse controle da situação, tentando domar a fera, no caso Naruto. E acima de tudo, sabia que poderia confiar no albino.

— Eu sinto muito pelos seus pais, eu sei como você se sente — foi direto, pois detestava enrolações desnecessária — e olha, eu literalmente sei o que você sente, porque eu passei pelo mesmo. Toda minha família foi destruída pelas mesmas pessoas que acabaram com a sua — Toneri confidenciou, no entanto, não demonstrava ódio e nem nada do tipo, se mantinha da mesma forma serena.

Naruto que até então se mantinha calado apenas remoendo todos o acontecimentos até o momento, demonstrou enorme interesse no que o outro falava. O jovem não disse nada, porque queria saber até onde o Õtsutsuki iria.

— Pelo que eu soube, você estuda administração, não é mesmo? Pois então, você sabe como funciona um Cartel? Várias empresas do mesmo ramo, no caso em específico de automóveis, fazem um “acordo” para dominarem o mercado — ele viu o mais jovem acenar com a cabeça, enquanto prestava atenção em cada detalhe — se você aceita, é tudo muito vantajoso; mas se recusar, as coisas podem ser perigosas.

— Perigosas do tipo terminar em mortes — o Uzumaki se pronunciou pela primeira vez.

— Exatamente, e por isso existem tantas pessoas mobilizadas para pegar “todos ele”. Há anos, nós investigamos, temos informantes. Nós nunca estivemos tão perto quanto agora.

— “Todos eles” — o loiro repetiu — eles quem?

— Você vai saber aos poucos, mas primeiro preciso saber se podemos contar com você e sua colaboração. Você quer manter contato com sua namorada, todavia, todos os movimentos, mais do que nunca, precisam ser calculados. Se qualquer coisas derem errado, mais pessoas podem morrer e todo trabalho e esforço de anos, pode ser jogado no lixo. Aceita ou não?

— Sim, eu aceito — ele tinha tantas dúvidas, principalmente, não conseguia achar nenhuma ligação ente falar com sua amada e atrapalhar essa “investigação”, entretanto, sabia que Toneri não responderia sua pergunta, por isso nem perdeu seu tempo ao questionar — mas eu quero saber de tudo que está acontecendo — o loiro deixou clara sua condição.

— Que ótimo! — o Õtsutsuki se levantou — não se preocupe, você saberá. Só peço mais uma vez a sua colaboração. Agora eu tenho que ir.

Depois que o homem saiu, Naruto fitou seu avô, que apenas assistia a tudo quieto.

— Eu sei, eu te conheço — o escritor completou — deve estar cheio de perguntas, bom, vou tentar responder algumas. O Toneri faz parte de um grupo “extra-oficial” dos governos do Japão e de outros países, o intuito é investigar e uma série de crimes que tem relação entre si. Eu o conheci, na verdade, o Toneri me procurou há alguns anos, desde então temos contato e ele me mantém informado.

Os dias eram tediosos e Naruto se mantinha mais introspectivo que o normal, falava o necessário com o avô. Toneri não apareceu novamente, contudo o Uzumaki sabia agora, que era com o Õtsutsuki que seu avô falava diariamente pelo telefone.

E assim se passaram mais de dois meses. Com certeza uma das piores épocas na vida do loiro. Ele sentia tanta saudade de sua pérola, como se necessitasse de água. E para piorar, um certo aperto angustiado no peito, lhe fazia crer que algo de ruim pudesse acontecer, todavia o jovem tratava de afastar esse tipo de pensamento, não precisava de mais sentimentos negativos.

Por vezes, ele já se viu tentado a falar com sua amada, até mesmo segurar seu celular, devolvido pelo avô, por horas. Entretanto, sempre que estava prestes a efetuar a sonhada ligação, conseguia ouvir perfeitamente a voz de Toneri pedindo para que ele colaborasse e que se desse qualquer passo em falso, poderia acarretar em vidas perdidas, além do mais, atrapalhar a captura dos culpados pelas mortes dos seus pais. O maldito aparelho havia se transformado em seu inimigo, logo resolveu retirar e guardar o chip do aparelho, dessa forma evitaria a indecisão que lhe perfurava por dentro.

Naruto pensou que aquele dia seria como outro qualquer, até ler o jornal em cima da mesa, enquanto tomava seu café da manhã. Estava estampado na terceira página:

Herdeiro Uchiha foi fisgado:
Uchiha Itachi, um dos solteira mais cobiçados do país, está completamente apaixonado. Mais do que isso, o atual presidente das Indústrias Uchiha, irá se casar (todos nós fomos pego de surpresa) com a jovem Yuuhi Hinata; a bela jovem de origem humilde, conseguiu conquistá-lo completamente.
Mesmo a poderosa família tentando esconder, conseguimos descobrir que a cerimônia ocorrerá hoje, às 18h:00, no jardim da Mansão Uchiha. Apenas os amigos mais íntimos foram convidados e nossas fontes confirmam que os funcionários trabalham arduamente para que tudo seja perfeito. Desejamos felicidades ao casal.

Ao fim, havia uma foto de ambos, abraçados e aparentemente felizes.

….

— Ainda dá tempo de desistir dessa loucura — em qualquer outro momento, Shisui poderia estar sendo irônico, no entanto, fala seriamente, sem um pingo de brincadeira.

O mais velho se encontrava sentado num sofá de couro que havia no quarto do primo, o lugar que seu primo mal usava ou dormia.

Enquanto isso, Itachi que tinha acabado de tomar banho e estava em frente ao grande espelho colocando seu terno.

— Não é loucura nenhuma e nada me fará desistir — disse convicto.

— Ah, não é loucura? Você ficou um ano fora e do nada volta e já vai se casar — o primo mais velho estava inconformado, tinha que impedir esse casamento, ou pelo menos fazer o outro Uchiha cair na realidade. Shisui ainda mal podia acreditar naquilo tudo, pouco depois do mais jovem ter voltado para o Japão, tinha lhe mandado uma mensagem avisando que iria se casar, apenas isso. O resultado foi Shisui ter pego o primeiro voo para seu país natal.

— E qual o problema, eu sou adulto e sei o que faço, nem devo satisfações a ninguém — Itachi afirmou — além do mais, o tempo que eu estive fora, serviu para analisar minha vida e percebi que já era hora de formar um lar. Então essa decisão foi mais do que pensada, diferente do que você imagina.

— Mesmo assim… — ponderou — você a ama? Vale a pena tomar um passo tão sério e radical assim?

Shisui precisava ter certeza de que estava enganado, ou pelo menos de que o primo estava enganado. Por isso a pergunta, não queria que Itachi cometesse uma estupidez, ou se arrependesse no futuro. Algo lhe alertava que tinha uma coisa errada nessa história, talvez fosse paranoia. No entanto, o melhor era tentar esclarecer e montar o quebra-cabeça, se possível.

— Ela é diferente de todas as mulheres que eu já conheci — confidenciou — me faz sentir coisas diferente, eu gosto das companhia dela e de sua personalidade também.

Presidente das Industrias Uchiha, não sabia onde o melhor amigo queria chegar. Como disse anteriormente, nada e nem ninguém, iriam atrapalhar sua escolha, já estava decidido. Iria se casar com a bela mulher, sedutora e destemida, além de frágil e dócil, um outro lado que o moreno descobriu há pouco tempo. Vê-la daquele ângulo, só serviu para que ficasse mais encantado do que nunca. E uma vontade imensa de protegê-la surgiu. Prometeu a si mesmo fazer de tudo para que no lugar do olhar perdido, a determinação e ferocidade voltasse. E que nos lábios femininos, o sorriso sapeca e sedutor brincasse novamente. Se sentia no dever de cuidar e, principalmente, fazer Hinata feliz mais uma vez. E ele não mediria esforços para que isso acontecesse.

— Mas você não respondeu minha pergunta, eu perguntei se a ama — o mais velho dos primos, foi incisivo.

— Já lhe disse que ela é diferente e importante para mim — Itachi se defendeu.

— Só isso? — gesticulou com as mãos — eu nunca fui um cada romântico ou de me amarrar, você sabe o que eu penso… enfim, o foco é que para se prender desse jeito, você deveria sentir ou pelo menos demonstrar “algo a mais”.

— Eu sei muito bem o que eu sinto — já estava se irritando.

— A Hinata é uma mulher belíssima, um perigo — Shisui tinha visto a jovem num encontro bem rápido, porém pôde perceber que existia uma grande confusão dentro dela, bastante difícil de desvendar — confesso que se a conhecesse antes de você, eu investiria — Itachi revirou os olhos nesse momento — mas você acredita que seja, de fato, o suficiente?

— É o que eu quero! — falava realmente irritado — satisfeito?

— Ah, Itachi! Francamente! — Shisui se exaltou pela primeira vez e acabou se levantando — eu pensava que fosse mais inteligente do que isso. Você quer mesmo, ou acha que quer, simplesmente porque colocou nessa cabeça dura que tem de ser assim? Deixa eu te explicar uma coisa: nem sempre você está certo. E ser metódico e controlador dessa forma, só vai te deixar cego sobre tudo a sua volta.Quer saber, desisto! Espero que você não se arrependa e eu esteja errado de que essa é a maior burrada da sua vida.

Antes que Shisui pudesse sair e deixar para trás, um Itachi de sobrancelha erguida, Yugito bateu na porta:

— Com licença, Itachi-sama — a Nii disse polidamente — todos os convidados já estão lá embaixo.

— Já está na hora de descer — ele olhou para o primo, que saiu do local sem se despedir. O noivo então pegou sua gravata, estava tendo certa dificuldade com o nó.

— Deixa que eu ajudo — a loira falou por força do hábito.

Itachi fitava sua secretária, ela estava bastante diferente. Mais séria e distante do normal, pensou até em perguntar se algo havia acontecido, porém resolveu não importunar a mulher, visto que ela era muito reservada, isso iria constrangê-la. Talvez isso fosse por conta de muito trabalho.

— Pronto! — a secretária exclamou.

— Obrigado, não sei o que faria sem você — descontraiu.

Em qualquer outro momento, essa frase seria o suficiente para fazê-la ficar encabulada e envergonhada, contudo apenas permaneceu séria. Somente ela sabia o qual forte estava sendo naquele dia, por fora aparentando um estátua sólida, enquanto por dentro estava completamente destruída.

— Não vai ficar? — o moreno indagou ao perceber que a loira não estava vestida à caráter, usava uma roupa comum.

— Não, eu prefiro ir agora — seria masoquista demais, até para ela — boa sorte e até mais — ela deu as costas.

Itachi chegou a abrir a boca para dizer algo, entretanto não sabia o que dizer. Uma sensação estranha, que ele não soube identificar, se apossou dele.

Aqueles dias foram os piores para Yugito, o beijo que recebeu não saía de sua memória, chorou e não dormiu por essa confusão, também por medo de que Itachi se lembrasse do que havia ocorrido. Foi um alívio ao mesmo tempo decepcionante, os descobrir que seu amado chefe não se lembrava de absolutamente nada.

Mas o pior estava por vir, ao ser informada por Itachi, que ele se casaria. Aquilo a devastou e acabou com qualquer esperança tola que pudesse existir. Ainda teve que cuidar dos preparativos da Lua De Mel do futuro casal. Depois de não ter mais lágrimas para chorar e se dar conta de que sentir pena de si mesma não mudaria nada, decidiu que exterminaria qualquer sentimento pelo Uchiha, usaria o tempo de férias que recebeu, enquanto o chefe estaria viajando, para enterrar seu passado e começar novamente.

Foi tirada de seus devaneios, ao sentir um leve puxar em seu braço, ainda se encontrava no corredor da mansão.

— Senhor Uchiha — ofegou pelo susto — quer algo? — tratou de se recompor.

— Me desculpe por isso e por tudo, Yugito — Shisui respondeu — eu realmente não sei o que houve, as coisas aconteceram tão rápidas e confusas. Eu não sei o que deu errado.

O homem se martirizava, pelos acontecimento. Tinha certeza dos sentimentos do primo, em relação a secretária. Todavia, o idiota iria se casar com outra.

— Não precisa se desculpar, nem dizer mais nada, senhor Uchiha — a Nii deu um pequeno sorriso, antes de sair do campo de visão dele.

….

A decoração estava belíssima, muito elegante e romântica, para nenhum perfeccionista colocar defeito. Os organizadores mereciam parabéns, ainda mais pelo pouco tempo que tiveram. Haviam muitos arranjos de flores brancas e algumas cor de rosa. Cadeiras enfileiradas perfeitamente, uma orquestra, o tapete que levaria os noivos até um “altar” que seria ocupado pelo juiz, tinha o ar de imperial. E ainda uma estrutura no “teto” cheia de pequenas luzes.

Ma Ino não se prendia a nada disso. A Yamanaka trajava um vestido de um ombro só na cor azul, realçando seus olhos, o tecido leve e esvoaçante brincando com sua pele, o longos cabelos estavam soltos, cobrindo suas costas como uma cortina dourada. Além de estar ali por ser amiga da noiva, representava seu pai, pois o mesmo viajara. Ela também cobria a festa com exclusividade.

Porém sua expressão destoava de todo cenário, a mente astuta tentando chegar a alguma conclusão, no entanto, por mais que pensasse e repassasse todos os fatos, nada fazia sentido. Tanto ela, quanto Sakura ficaram extremamente surpresas, ao saber desse casamento. A Haruno tentou convencer Hinata de todas as formas a desistir, até mesmo se exaltou dando sua lição de moral, típico da rosada. Já Ino agia completamente diferente, a loira tentou pegar algo no ar, tentou ler a amiga de alguma forma. Contudo a Yuuhi se afastou mais do que já estava e teve pouquíssimo contato com as duas, nas poucas semanas de preparações para cerimônia. Fazendo assim, a Yamanaka ter mais certeza de que existia muito mais nessa história.

Hinata amava Naruto e o sentimento era recíproco, e depois que o Uzumaki viajou, tudo ficou mais nítido ainda, pois o comportamento da azulada era introspectivo e a tristeza estava nítida no olhar dela. E do nada, Itachi havia voltado e com isso, um pedido, e um casamento. Se fosse em outras circunstâncias, seria normal. Hinata estaria apenas concretizando seus planos e Ino não a julgaria e ficaria do seu lado. Todavia, tudo tinha mudado de figura, quando Uzumaki Naruto entrou na história. Nada fazia sentido, mas infelizmente, a Yamanaka não poderia fazer absolutamente nada, estava impotente. Por isso, conversou com Sakura, para que a amiga não tentasse mais nada. Tudo que elas poderiam fazer, era desejar o bem estar e felicidade de Hinata.

— Que cara é essa, Yamanaka? — Gaara se aproximou, apesar de fingir desinteresse, ele realmente se preocupava. E Ino sabia disso.

O ruivo estava gravando algumas imagens, que depois seriam editadas, a pedido de Ino. Ele segurava a pequena, mas potente câmera nas mãos. O Sabaku descobriu que era muito bom nisso, e enaltecia mais ainda seu, recém descoberto, “ego profissional”, no qual apelidara.

O irmão de Temari, tinha que admitir, a loira estava muito bonita. Ele havia acabado sua tarefa um pouco antes, mas decidiu admirá-la um pouco, antes de lhe dirigir a fala. Por estar tão compenetrada, nem percebeu.

— Não é nada, é só que isso está muito estranho — apontou para sua volta.

Gaara entendia sobre o que ela falava, a loira já tinha desabafado com ele, acerca da situação. E o ruivo gostava de ver esse lado preocupado que ela tinha com as amigas. Não sabia explicar, mas era muito agradável. Só não iria revelar isso, porém Ino tinha o poder de ajudar os outros sem saber, como fez com ele. A Yamanaka lhe distraia de uma forma, que ele nem tinha mais aqueles pensamentos auto depreciativos. E o relato de Ino, sobre sua história, teve papel fundamental, para que ele pudesse enxergar as coisas de outra forma, menos radical e dramática.

Quando voltou fitá-la, percebeu que a loira estava um pouco cabisbaixa, não sabia como consolar as pessoas, nem nada do tipo, então resolveu mudar o foco das coisas.

— E que tal a gente deixar “normal” do nosso jeito, loirinha? — provocou dando um selinho no pescoço feminino, causando arrepios.

— Uma ótima ideia, Cabeça de Fósforo — ela sorriu sapeca, enquanto a mão atrevida foi diretamente ao membro dele, no qual apertou por cima da calça.

Da forma que a Yamanaka estava disposta, não era possível ver o que ela fazia.

Desde aquela vez no carro, eles não pararam mais. Viviam num joguinho sexual. E não havia nada de mau nisso. Eles se desejavam e admitiam isso, nada melhor do que aproveitar a vida e seus prazeres. Então, num “acordo” decidiram “se divertirem juntos”, apenas sexo e nada mais.

A única coisa maior que o desejo entre os dois, eram o orgulho de cada um. Ambos tinham extrema dificuldade em confiar e se entregar a outra pessoa, isso pelo passado que tiveram. Eles eram mais parecidos do que imaginavam. Só era difícil saber até quando apenas isso, seria o suficiente e quem iria ceder primeiro.

Em meio a névoa de luxúria, Ino viu Sakura passando pelo outro lado do enorme jardim, junto de Sasuke. Trocou um olhar sério e significativo com a rosada.

….

A rosada não tinha qualquer motivo para estar comemorar, como pensou que poderia fazer, num casamento de uma amiga tão próxima e importante, quanto Hinata. E ela fez questão de demonstrar isso. Para Ino era muito fácil dizer que não deveria insistir, pois não conhecia a Yuuhi há muito tempo, não viu pelo que ela passou, não viu no que ela era antes.

Sakura tinha medo, temia que Hinata voltasse a ser aquela mulher interesseira e egoísta. Logo agora que a azulada estava tão bem, tão feliz e amando, não entendia como havia jogado tudo no lixo, tão repentinamente. Num dia sofria pela partida do amado, e no outro já estava com Itachi novamente. O Uchiha que ficou por um ano fora. Será que eles mantinham contato? Será que ela quando estava com Naruto, ainda se relacionava com o outro? Não. Não queria acreditar nessa hipótese. Poderia não ser tão perspicaz quanto Ino, todavia Hinata se mostrava muito apaixonada, mesmo tentando esconder.

Mas infelizmente, de uma coisa Ino tinha razão: seria total perda de tempo, tentar convencer a perolada do contrário, ela era muito orgulhosa e difícil de ser influenciada. Por muito tempo sentiu inveja desses defeitos ou qualidades de Hinata. Queria ser mais forte e ter personalidade para enfrentar as coisas, mas por vezes era submissa e aceitava migalhas.

Porém atualmente, tudo mudou dentro dela, sentia mais confiança, estava mais leve e muito mais decidida. Talvez os anos a fizeram amadurecer e pesar se as coisa valiam a pena, a rosada tinha feito uma profunda análise da sua vida nas últimas semanas, e por fim, chegou a uma conclusão.

Esse estado de espírito influenciava sua aparência. Ela estava trajava um vestido cor de lavanda e creme de mangas longas e sem decote, o destaque ficava nas costas completamente nua, os cabelos rosados e curtos estava soltos e volumosos, a maquiagem realçava suas belas esmeraldas.

Aquele era tempo de mudança, e por mais doloso que fosse, era necessário se desapegar do passado e sentimentos antigos. E era isso que ela faria, na verdade estava prestes a fazer ao ser acompanhada por Sasuke por toda extensão do belo jardim, passaram por toda agitação e pelo lugar onde seria realizada a cerimônia, viu até Ino de longe, junto com o ruivo com quem trabalhava e “brincava” como a loira dizia.

Param apenas quando estavam bastante afastado das outras pessoas, mais precisamente, em frente ao grande portão dos fundos da mansão Uchiha.

Sasuke não fazia a mínima ideia do motivo de estarem ali. Sakura havia lhe dito que queria conversar e era importante, ele aceitou rapidamente, porque não queria ficar ouvindo as loucuras dos Haruno e também por não estar nem um pouco afim de estar naquele casamento. Achava uma grande perda de tempo e sabia que nada terminaria bem. Ele não julgava Hinata, detestava se meter na vida dos outros, além do mais, sabia que todos tinham seus motivos para fazerem as coisas.

Estava lindo como sempre, com um terno italiano e os cabelos muito bem penteados. E com o ar de superior e inabalável que fazia qualquer uma se derreter.

— O que houve? — o moreno sentia algo estranho, e como detestava enrolações, logo perguntou o que se passava.

A rosada sorriu pequeno por isso, impaciência, típico dele.

— Eu pensei muito em tudo que diz respeito a minha vida e a nós — respirou fundo, também seria direta — não dá mais para mim — foi um grande alívio dizer isso.

— Tsc — estalou a língua no céu da boca, Itachi tinha razão, afinal de contas — foi aquele amiguinho pintor, não é? — foi ferino.

— Nós nunca tivemos nada, se é isso que você está insinuando, eu nunca o vi dessa forma. Mas ele me ajudou indiretamente sim.

— Eu nunca pensei que você fosse me chutar — tão estranho, era ruim e ele não sabia lidar com a situação. Não sabia o que sentir, estava irritado, com raiva, talvez fosse orgulho, com certeza era orgulho, afinal era um Uchiha. Todavia, também existia outro sentimento ali.

— Eu sinto muito, mesmo que você não sinta — sorriu novamente, sabia que ele não iria pedir para reconsiderar e nem mudar de ideia. Era o Sasuke. Não doía tanto assim, não como antes — você foi muito importante para mim, eu te amo — a Haruno tinhas os olhos esmeraldas marejados, não tinha vergonha de dizer, era libertador no final — mas não é mais o suficiente, eu preciso de muito mais do que isso e sei que você não pode me dar. Portanto, estou de deixando livre e a mim também, para que possamos seguir nossas vidas.

Não foi tão difícil quando ela imaginou que seria, estava se sentindo em paz, mesmo que houvesse aquela dorzinha no fundo, de um amor que vivia nela desde a infância. A Haruno descobriu que esse amor evoluiu junto com a mesma, aquilo que começou como uma obsessão tola, havia se transformado em algo muito maior e bonito. Só que não fazia bem a ela mesma. Esse era o certo a se fazer, nem todos os casos de amor terminam perfeitos.

Se fosse em outro momento, o Uchiha não aceitaria aquilo, iria impor sua vontade. Porém, ele sabia que não tinha o menor direito. O moreno continuava sendo um Uchiha, entretanto também havia aprendido muitas coisas. E o principal, o discurso da jovem tinha lhe tocado, ainda podia ouvir a voz dela repetindo em sua mente. Apenas estava sem reação.

Ele iria se afastar da rosada, contudo ouviu não um grito, mas vários berros. A voz não desconhecida e vinha do portão dos fundos e só um surdo para não ouvir as porradas que o mesmo começou a receber. Ah! Mais problemas! Que dia terrível! Sakura ainda o fitou, ela também reconheceu, o olhar dizia para que ele tomasse uma atitude. Ele nunca a viu tão mandona e gostou disso.

Chegou mais próximo do metal e colocou a mão para abrí-lo, a rosada estava em seu encalço.

Naruto pouco se importou com instruções, com a sensatez e a culpa. Parecia que o chão tinha saído dos seus pés. Só poderia ser uma brincadeira de muito mau gosto. Aproveitou que o avô não estava em casa, assim evitaria discussões desnecessárias, pegou o necessário e se deslocou até aeroporto, chegando lá tratou de procurar o próximo voo para Tóquio. Foi informado pela recepcionista, que o único voo disponível, era para 15h:00. O loiro não se importou e por sorte, conseguiu comprar a passagem. Torcia para que não houvesse nenhum atraso, pois tudo seria em cima da hora.

A cena parecia a mesma: ele se dirigiu a área com cadeiras e sacou o celular para tentar falar com Hinata,enquanto esperava para embarcar, contudo o desfecho foi diferente, pois ela não atendeu, mesmo depois de tanto chamar. Foram várias tentativas, até desistir.

Não sabia dizer que esperou muito ou pouco, pois penas ouviu o anuncio de que já estava na hora do seu voo. Era esquisito, não parecia existir tempo, quando chegou na cidade e pegou um taxi no aeroporto rumo a mansão Uchiha. Tentou mais uma vez fazer contato, porém não obteve êxito. E por fim, chegou ao destino desejado, pediu para que o taxista parasse numa esquina antes, porque dali era possível ver toda confusão que se desenrolava, seguranças tentando conter a imprensa. Ele concluiu que não conseguiria nada ali, então assim que saiu do automóvel, logo correu aos arredores na mansão.

Pelo outro lado, encontrou um enorme portão, que dava aos fundos da propriedade:

— Hinata! Hinata! — gritou, foi um ato desesperado, não estava sendo racional, pois se fosse, claramente saberia que as chances dela ouvir eram mínimas — Hinata! — dessa vez esmurrou o metal, já estudava alguma forma de pular o obstáculo, mesmo sendo alto. Até que antes de poder se pendurar no objeto, ele foi aberto revelando um moreno e logo atrás uma rosada.

— Eu sempre disse que esses seguranças eram uma piada — Sasuke foi irônico em relação a falha primária da equipe de segurança, que diga-se de passagem ganhava muito bem, em deixar aquela área sem qualquer vigilância.

— Teme? Sakura-chan? Ei, que bom — o loiro se encheu de esperanças, estava eufórico — eu preciso falar com a Hina-chan, por favor, não me digam que eu cheguei atrasado — falou rapidamente atropelando as palavras.

— Não, Naruto — Sakura sorriu — você caiu do céu, veio no momento certo — a Haruno também se animou, quem sabe assim, falando com o loiro, Hinata mudaria de ideia e percebesse a besteira que estava fazendo.

A estudante de medicina fitou o namorado, agora ex-namorado, como se mandasse ajudar e ele entendeu.

— Tcs… — revirou os ônix — vem — disse ao Uzumaki.

— Obrigado, Teme — o loiro lhe acompanhou — obrigado, Sakura-chan — a jovem pisco para ele enquanto ficava para trás, ela iria garantir que ninguém pudesse atrapalhar — eu nem sei como agradecer.

— É só calar a boca, Dobe — o moreno respondeu mal humorado, nem sabia o motivo de estar fazendo aquilo, e nem queria saber.

….

— Prontinho, está linda! — um Lee extremamente eufórico exclamou — nós fizemos um ótimo trabalho, papai.

— Sim, filhote — o mais velho fungou emocionado — eu ainda nem acredito que a nossa Diva, vai usar um vestido meu, mesmo podendo usar de qualquer grife — ele havia ficado tão feliz quando a jovem bateu à sua porta anunciando seu casamento com o herdeiro Uchiha e de quebra, pediu para que ele fizesse seu vestido, se possível, já que tinham pouco tempo. Gai confidenciou que já preparava há tempos um vestido de noiva para ela, e que só faltava incluir alguns detalhes e mudar outros, conforme o gosto dela.

E o resultado estava ali: o vestido era de mangas cumpridas e sem decote, toda o tecido da parte de cima imitava cor da pele e nela, havia um belo trabalho de renda, na parte de seios, um espécie de corpete feito de renda e nas mangas alguns pontos também tinha o mesmo trabalho rendado. Separando a parte de cima da parte de baixo, tinha um delicado cinto prata costurado imitando um laço. E a saia do vestido colada o corpo era branca, e chegava até o pés da azulada. A maquiagem era simples e para completar o cabelo estava preso num rabo de cavalo, na parte do rabo, estava ondulado dando um efeito chique e sóbrio.

— Vamos, vamos, filhote — Gai disse à Lee — depois nós recolhemos nosso material, agora deixaremos a noiva ter seu momento com sua mãe.

— Sim, tem razão, papi. Tchau meninas — e dessa forma pai e filho saíram saltitantes sem esperar qualquer cumprimento de volta, vestidos com ternos na cor verde, nem um pouco chamativa.

E assim mãe e filha ficaram à sós no quarto da mansão Uchiha escolhido para que a noiva se aprontasse, elas estavam caladas e sérias durante todo o tempo, apenas Gai e Lee falavam sem parar ali, mas depois de deixarem o local, o recinto estava silencioso, que só foi quebrado pelo barulho do celular de Hinata, porém a mesma o desligou. Era a segunda vez, pois na primeira a jovem havia recusado a ligação.

Kurenai estava atenta a todos os detalhes, a mulher se encontrava sentada numa cadeira, enquanto a filha em pé em frente a penteadeira. Sua menina era a noiva mais linda que ela já tinha visto, a jovem se fitava no espelho, e a mãe a olhava.

A professora tentava entender, como no mesmo dia tudo poderia ter mudado tanto. Estavam numa fase tão legal e tranquila,sua menina emanava luz e felicidade, quando saiu de casa e depois quando voltou estava tão diferente e de quebra, tinha o Uchiha junto dela, o rapaz lhe explicou que a filha sofreu um pequeno acidente no shopping e havia torcido o braço e machucado a testa. A história foi muito confusa, pois não entendia como o Uchiha havia encontrado a filha no hospital, todavia lhe agradeceu por ter cuidado da azulada.

O pior foi ter visto como a jovem estava diferente de tudo, até mesmo daquela época tenebrosa que não gostava de se lembrar. E o pior, foi ser comunicada por Hinata de que se casaria com Itachi. A morena ficou muito decepcionada e disse o mesmo que sempre dizia a filha, quando a jovem tinha essas ideias, porém a mesma nada disse. E isso lhe preocupou tanto, Kurenai tentou de todas as formas tirar algo da perolada, mas Hinata se manteve quieta.

— Filha, ainda dá tempo de terminar com isso antes de começar — a voz da mulher foi como uma carícia, ela estava tão incomodada com todo aquele luxo e pompa, não permitiu nem que lhe comprassem um vestido, ela usava um bem simples, mas que destacava toda sua beleza.

— Tudo vai acontecer como eu sempre quis — ela não deu ouvidos à mãe, falava com uma calma assustadora.

— Querida, você sabe muito bem ao que eu me refiro — se aproximou da azulada e tocou no rosto de porcelana, tentando demonstrar todo o seu amor e compreensão — o Itachi é um ótimo rapaz, mas não merece isso e nem você merece isso, um casamento sem amor.

— Mamãe, você deveria estar feliz por mim, eu consegui o que eu queria.

Os olhos avermelhados se enxeram de lágrimas, todos os pêlos do corpo da professora estavam arrepiados, o que lhe preocupava imensamente, era que à sua frente, não era a jovem de personalidade forte tentando impor sua vontade ou a moça gentil e que não sabia muito bem como demonstrar seus sentimentos. Ali à sua frente, parecia uma estátua de cal, completamente vazia e oca.

— E o Naruto, filha? — a Yuuhi mais velha resolveu apelar para o loiro, talvez surtisse efeito. Não sabia aonde o jovem loiro estava, daria tudo para que ele estivesse ali. Só esperava que o Uzumaki perdoasse sua filha — você o ama, eu sei que ama — se agarrou as últimas esperanças.

— Isso não tem a menor importância — ela foi tão fria, como se realmente não significasse nada — você tem que ficar do meu lado, você está do meu lado, mamãe?

— É claro, meu amor, sempre — abraçou a filha, por Deus! O que tinha acontecido, sua menina precisava de ajuda e ela a ajudaria.

Sasuke lhe levou para a parte superior da residência, tomando cuidado para que ninguém visse, e depois lhe indicou o cômodo certo, por fim, o Uchiha se afastou lhe dando privacidade. O Uzumaki então se aproximou, estava tão perto da amada, a posta se encontrava entreaberta. Sem fazer barulho, ele esquadrinhou o quarto e suas safiras foram atraídas imediatamente por sua pérola, ficou hipnotizado por tamanha beleza, seu coração palpitou, tinha de admitir que já havia imaginado a azulada de noiva, entretanto nada se comparava ao vê-la de verdade.

E então Kurenai começou a falar com a filha e ele ouviu todo o diálogo.

“Isso não tem a menor importância” a frase ecoava pela mente dele” então era isso? Não tinha importância? E tudo que eles vivera juntos? E todos os beijos? E todas as vezes que fizeram amor? E todas as vezes que Hinata hagia lhe dito que o amava? Era mentira? Ou ela era tão volúvel assim, que mudou de ideia pelos quase três meses que ficou longe?

Não queria admitir, mas só agora sua ficha começava a cair, até o presente momento, ele estava tratando tudo como surreal, fez as coisas no calor dos acontecimentos e se deixou levar. Seu discernimento havia se prejudicado e num momento de emoções tão fortes, não era capaz de analisar a situação e utilizar sua perspicácia.

Queria entrar e tirar satisfações ou até mesmo fazê-la mudar de ideia, porém toda sua determinação se extinguiu, como se nunca houvesse existido. Aquele foi o segundo golpe forte que levara em tão pouco tempo.

Ela iria se casar com outro e ele nem sabia como aquilo havia acontecido. Nunca se sentiu tão fraco e covarde como agora, queria bater em si mesmo. Estava destruído e sem saber o que fazer caminhou para longe e só se deu conta de que chorava ao passar a mão no rosto. Passou por Sasuke sem dizer nada, estava completamente derrotado.

Aquele foi o limite de Uzumaki Naruto.

O Uchiha quase sentiu pena dele e entendeu pelo olhar do outro que não era para dizer à ninguém que esteve ali, quanto isso, ele não diria mesmo, apenas falaria com Sakura para que não contasse à Ino e nem Hinata.

….

E com um pequeno sorriso nos lábios, a perolada andava e direção ao altar. Era admirada e invejada por rostos desconhecidos. Caminhava só, pois não tinha pai, segura um boquê de flores brancas. Tanto a decoração quanto as roupas de todos era inspiradas no estilo ocidental.

Kurenai tinha lágrimas nos olhos, quem via pensava que era de emoção, mas era por medo do que poderia acontecer com a filha, ao seu lado estavam Ino e sakura, cada uma pensando em algo diferente, Gaara fazia fotos da noiva. Na outra parte, Sasuke queria que tudo terminasse logo e ao seu lado, seu avô, Uchiha Madara, sentado como um rei. À espera da noiva, Itachi tinha um pequeno sorriso satisfeito.

O casamento ocorreu sem nenhum problema, ao fim, uma chuva de pétalas de rosas caíram sobre os convidados e o Sr Uchiha e a mais nova Sra Uchiha.

Notas finais
Esse capítulo teve ponto de vista de vários personagens, menos da Hina. Isso foi proposital hahaha. Eu acho que o sentimento que esse capítulo passa ao ser lido, é frustração haha mas eu gostei de tê-lo escrito para desconstruir essa imagem de perfeito que o Naruto adquiriu, mesmo sem eu ter a intenção. Por favor, deixe seu review. Não custa nada. Beijos, até o próximo.