Hinata

9 Mal Entendido


Notas iniciais
Olá, eu estava com saudades!!! Algumas pessoas pedem para que eu não demore, gente, se vocês não perceberam, eu atualizo a fic a cada duas semanas. Capítulo dedicado à Jackehina e Kittykat, meninas muito obrigada pelas recomendações, eu fiquei imensamente feliz. Espero que vocês continuem gostando da história. Aproveitem, desse capítulo em diante, vocês terão uma overdose de naruhina, até... Perdão por qualquer erro.

Ele deu um suspiro, estava extremamente cansado. Fechou os olhos apertou as pálpebras com as pontas de seus dedos indicador e polegar da mão direita, depois massageou as têmporas. Pegou o copo extra-forte de café,que estava em cima de sua mesa, ele adorava o efeito que a cafeína causava em si, bebericava líquido negro fumegante.

Depois, voltou sua atenção para mesa abarrotada de papeis e mais papeis. Suspirou novamente, quanto mais ele lia e assinava aquelas benditas folhas, mais elas se multiplicavam.

Itachi jamais pensou que fosse tão desgastante, trabalhoso sim, mas não tão desgastante, ocupar o cargo mais alto das Indústrias Uchiha. Por mais que tenha estudado e se preparado, praticamente toda sua viva.

O Uchiha estaria louco se não tivesse a ajuda de sua fiel e competente secretária, Yugito e, seu amado irmãozinho tolo, Sasuke.

Esse último, havia sido uma agradável surpresa, mesmo não gostando de surpresas. Por mais que Itachi confiasse no irmão mais novo e na conversa sincera que tiveram, jamais imaginou que Sasuke se dedicasse tanto.

O Uchiha mais novo, chega cedo todos os dias e, muitas vezes, ia embora junto do irmão mais velho. Sasuke estava empenhado e, no fundo, estava gostando da experiência, mesmo sendo cansativa. Assim, ele conseguia preencher um pouco do vazio que sentia por dentro. Se entretia com o trabalho e quando não entendia alguma coisa, perguntava ao irmão ou a Yugito. Itachi parava tudo que fazia no momento e explicava ao irmão mais novo, com gosto. Se outras pessoas que conheciam o "playboy Uchiha Sasuke", o vissem em sua nova ocupação, definitivamente, não acreditariam, no máximo, pensariam ser uma piada, ou algo parecido.

Também havia Yugito, essa não era surpresa nenhuma, pelo contrário, Itachi apenas se encantava mais ainda com sua secretária. Ela sempre foi muito dedicada e eficiente com seu trabalho, porém, se demostrava ainda mais empenhada em ajudá-lo, fazendo até mais trabalho do que o saudável. E nem adiantava Itachi odená-la parar, o Uchiha descobriu que sua secretária era bastante turrona e quando colocava algo na cabeça, ninguém tirava. Apesar de trabalharem juntos há alguns anos, foram atravez das semanas intensas de trabalho em conjunto, que Itachi percebia algumas manias e gestos da loira, como no exato momento, fitava Yugito anotando algo em sua agenda, o movimento suave de sua mão direita enquanto escrevia, fazia um pelo par com a mão esquerda graciosamente, retirando uma mecha de cabelo, em frente os olhos. Itachi ficava fascinado com os pequenos detalhes da mulher sentada à sua frente. Ele teve que fazer um esforço sobre-humano, para não tocar naqueles cabelos loiro-acinzentados.

A Nii por sua vez, sentia um olhar cravado sobre si. Será que seu chefe a olhava? Talvez fosse só impressão sua. Porém, quando ela levantou seus olhos, deu de cara com as ônix intensas que amava, a fitando descaradamente.

Logo, um rubor tomou a face da loira. Ela realmente estava sendo observada pelo chefe. Por que ele fazia aquilo consigo?

A loira respirou fundo, reunindo um pouco de coragem:

– O-o s-senhor precisa de alguma coisa? — ela perguntava insegura.

Mesmo após ter sido flagrado, Itachi continuou a encarar sua funcionária. Ele estava achando adorável vê-la corada, principalmente, por sua causa, isso lhe dava uma satisfação incrível.

– Não — a voz grave dele acariciou os ouvidos dela — apenas lhe admirava — ele disse simplesmente.

As palavras saíram com tanta facilidade da boca do Uchiha, que o próprio se surpreendeu. Não imaginava o porquê de ter dito aquela frase, sim, ele estava admirando-a. Mas, a questão era a seguinte: qual o motivo de admirá-la.

Yugito estava em choque, sem reação. Ele realmente havia dito aquilo? "Apenas lhe admirava", essa frase ecoava por sua cabeça. O pobre coração tolo e apaixonado, já dava sinais, a boca ligeiramente aberta pelo espanto, estava seca.

O Taxi havia acabado de parar em frente ao belíssimo prédio, o motorista deu até um assobio, o homem de meia idade, olhou para o banco de trás e fitou o passageiro:

– Senhor?! Nós já chegamos — o taxista tentava acordar o moreno.

– Humm.. — caramba! Ele havia até dormido durante o trajeto, também, estava cansado. Mas agora, depois do breve cochilo, suas forças estavam recarregadas.

Ambos os homens saíram do automóvel, o taxista abriu o porta-malas para retirar a bagagem, enquanto o outro bocejava e se espreguiçava.

– Aqui, senhor — o motorista entrega a mala ao dono.

– Obrigado — ele pela sua mala e enfia a mão no bolso sem se importar com a quantia — toma.

O homem recebe e fica embasbacado pela quantia muito superior ao preço da corrida.

– Senhor, mas isso é muito — ele estendeu a mão para devolver.

– Aceite como um agradecimento pela sua agradável companhia — ele sorria enquanto falava — obrigado novamente.

– De nada, e se precisar de alguma coisa — o taxista estava muito alegre, tirou a sorte grande.

O mais jovem nem se deu o trabalho de responder, se virou e começou a caminhar para o seu destino, enquanto puxava sua mala, deu apenas um aceno para o homem.

Ao adentrar o prédio, passou tranquilamente pelos seguranças e a recepcionista. Todos ali, o conheciam.

Quando se aproximou do elevador:

– Não precisa me anunciar.

Assim entrou no elevador, até para no andar desejado, o da presidência. Percebeu não haver ninguém ali, pois a mesa da secretária estava vazia, andou calmamente, assim era melhor, queria pegá-lo desprevenido.

Enfim, entrou na sala diretamente, visto que, a porta estava ligeiramente aberta:

– Com licença, eu vim trazer uma entrega para o presidente — ele disse brincalhão.

Itachi que ainda fitava Yugito, deslisou suas orbes negras de onde vinha aquela voz:

– Shisui?! — ele diz enquanto se levanta da cadeira e vai ao encontro do outro moreno.

– Sou eu mesmo, quem mais poderia ser tão lindo, quanto eu? — o mais divertido e carismático dos Uchiha's, falava.

Itachi apenas revirou os olhos e ambos, se abraçaram fortemente.

Itachi e Shisui, além de primos de segundo grau, Shisui era neto de Izuna, o falecido irmão mais novo de Madara, eram melhores amigos. Ambos dividiam o peso e as responsabilidades do sobrenome Uchiha. A cerca de cinco anos atrás, quando foi designado ao cargo de responsável pela filial em Londres, aceitou a ordem, visto que, tinha interesse em trabalhar, além de não haver nada que o prendesse à Tóquio, porque, sempre foi um solteiro convicto. Os primos sentiam falta um do outro, pois sempre foram confidentes e se divertiam como podiam, no meio das regras e responsabilidades da família Uchiha.

Após o fim do abraço, Shisui se adianta:

– Primeiro, eu devo parabenizá-lo pela presidência e segundo, eu devo parabenizar você a Yugito.

– Obrigado pelo primeiro "parabéns", mas eu não entendi o segundo — Itachi responde.

– Bem, eu soube que você está namorando — Shisui disse um pouco confuso.

Yugito presenciava tudo em silêncio, estava completamente vermelha.

– Sim, eu estou namorando. Mas, é óbvio que eu não namoro a Yugito — Itachi foi categórico em sua afirmação.

"Será que esse idiota ainda não percebeu que a Yugito gosta dele? Pior, ele ainda não percebeu que sente algo por ela?", Shisui se perguntava mentalmente. Durante as poucas viagens que Itachi fez na companhia de Yugito, para Londres, Shisui já havia percebido a forma como a Nii olhava para Itachi e também, a forma como o primo se portava com sua secretária.

A loira ouviu aquela afirmação como uma facada em seu peito, sua alegria foi substituída por uma tristeza profunda. O que ela estava pensando? Achava mesmo que o chefe a olhava da forma como ela queria? No máximo tinha algum carinho por si, apenas isso. Ela e seu coração que foram tolos o suficiente para acreditarem em algo tão inacreditável. Era óbvio que Uchiha Itachi jamais a veria como mulher, esse homem era proibido pra si. Ele amava a sua namorada. Porém, isso não diminuía a dor que sentia.

– Com licença, é melhor eu deixá-los à sos — ela nem esperou alguma confirmação e saiu.

– Olha o que você fez, deixou a coitada envergonhada — Itachi ralhou o primo.

– Itachi, esses papeis... — mal Yugito havia saído, Sasuke entrou para falar com o irmão, mas perde a fala ao fitar o primo.

– Não acredito no que estou vendo — Shisui diz teatralmente — o pirralho trabalhando. Será que estou com febre? — ele pôs as mãos na testa e bochecha.

– Hahaha engraçadinho — Sasuke dizia tedioso — e não me chame de pirralho de novo — agora o tom do mais jovem era irritado.

– Tudo bem, pirralho — Shisui repete divertido.

Sasuke bufa, enquanto Itachi ri, mesmo tento passado muito tempo, Shisui ainda chamava o mais novo de pirralho, Itachi era cinco anos mais velho que Sasuke e, Shisui um ano mais velho que Itachi.

– Sim, o Sasuke está trabalhando aqui. Mas até agora, você não me disse o porquê de estar aqui.

Shisui assumiu uma postura séria, pouco comum nele. O Uchiha mais velho só se comportava assim, quando algo grave acontecia, por isso Itachi ficou preocupado.

– Bem, a filial está com problemas — não era nem um pouco confortável dizer isso, pois, foi em sua administração.

Após mais de uma hora que parecia uma eternidade, Shisui contava tudo que aconteceu e era ouvido com atenção por Itachi e Sasuke, eles também tentavam chegar a alguma decisão.

....

Então, eles estavam ali.

Ambos olhando para a face do outro.

As perolas o fitavam receosa.

Os ônix a fitavam com muita seriedade.

– O quê houve? — Hinata perguntou.

Ela estaria mentindo se dissesse que não estava curiosa, queria saber o que Itachi queria consigo, entretanto, existia outro lado, um lado um pouco inseguro e receoso.

Itachi continuava a olhar para Hinata, até se manifestar novamente:

– Nós podemos ir em algum lugar mais reservado? — Ele fez uma pergunta retórica.

Definitivamente, um corredor, não era um lugar apropriado para uma conversa, no máximo uma fofoca entre vizinhos,mas como esse não era o caso...

– Sim... — Hinata respondeu — só espere um pouco — ela abriu um pouco a porta.

Assim, foi possível tanto Itachi, quanto Kurenai se verem.

Em qualquer outro momento, o Uchiha iria cumprimentar educadamente, a morena, entretanto, ele não tinha cabeça no momento.

Enquanto isso, Kurenai havia observado as feições do Uchiha, pela sua experiência e intuição, ele definitivamente, falaria algo muito sério com sua filha. Sim, A Yuuhi mais velha conseguiu ouvir por alto, o que seu genro disse, ou talvez futuro-ex-genro.

– Mamãe, eu vou conversar com o Itachi — daqui a pouco, eu volto — Hinata fitou a mãe enquanto proferia aquelas palavras, a morena apenas acenou positivamente.

Durante todo o trajeto, ficaram no silêncio. Desceram as escadas até saírem do prédio, atravessaram a rua e pararam em frente ao carro de luxo do Uchiha.

Eles voltaram a se encarar, como haviam feito antes. Algo estava errado, ambos pareciam um pouco constrangidos, talvez sem saber como agirem. A tensão era crescente e o frio cortante, frio que não tinha haver com a temperatura, que estava agradável e, em nada lembravam a noites quentes e tórridas protagonizada pelos dois e, com os lençóis de expectadores e testemunhas.

– Você anda distante — Itachi não sabia bem, como começar o assunto, porém, não se surpreendeu, pelo que disse, já que isso vinha o incomodando.

Seria esse o motivo dele ter ido vê-la? Hinata se perguntava, entretanto, sentia com se houvesse mais alguma coisa:

– Você estava tão ocupado, eu preferi não te atrapalhar — ela disse com calma, enquanto passava uma mecha de cabelo atrás da orelha.

– Eu entendo, mas seria bom ter você ao meu lado, se bem que eu iria me destrair mesmo — os dois riram e, assim, um pouco do clima tenso foi quebrado — Enfim, não foi por isso que eu vim aqui. Você se lembra do meu primo Shisui?

– Sim, me lembro de você contando que os dois deixavam a Mansão Uchiha de pernas para o ar — a Yuuhi respondeu em tom de riso e o moreno a acompanhou.

– Bem, hoje ele veio de Londres, para me dizer que a filial da empresa, está com problemas. Eu decidi, que a melhor forma de resolver isso, é indo tratar do assunto pessoalmente.

– E por quanto tempo, você pretende ficar lá? — a perolada perguntou.

– Talvez seis meses, um ano, ou um pouco mais — ele disse por fim.

– Eu entendi o porquê de sua visita...Sabe, seria muito egoísta da minha parte te impedir de ir — a azulada se aproximou do homem e pôs suas mãos nos ombros dele — Um relacionamento à distância também seria muito difícil, então, eu estou te libertando desse compromisso. Se for para nós ficarmos juntos, nós ficaremos juntos.

Ela havia conseguido conquistá-lo, tudo aquilo fazia parte de seu plano e, mesmo com essa nova situação, ela não perderia o controle. Sabia que ele voltaria para si, pelo menos, era isso que ela queria acreditar. Ela não proferiu aquelas palavras por nenhum outro motivo, talvez, por amizade ao moreno.

– Hinata — o Uchiha disse e abriu um meio sorriso — maravilhosa como sempre — ele pegou uma dela e deu um selinho casto nas costas da mão feminina.

O Moreno se aproximava dela, ele iria beijá-la. Ela sabia, mas, por que aquele Deus Grego, em forma de gente, não despertava mais em si, o desejo de provar os lábios finos, ou o tesão que sentia em seus braços?

Aquele seria um beijo de despedida, ele não iria embora, sem antes provar daqueles lábios mais uma vez.

Segurou a mulher pela cintura e colou os lábios, aos poucos pediu passagem e as línguas dançavam lentamente.

Mesmo cedendo, mesmo correspondendo ao beijo, Hinata sentia como se algo estivesse errado, ou fora do lugar. Não que Itachi beijasse mal, longe disso, ela só não sabia explicar. A perolada tinha a sensação de que aquilo não deveria acontecer? Talvez....

Enfim, o beijo terminou e Itachi soltou a cintura de Hinata lentamente:

– Até breve, Hinata — ele a olhou até se virar, entrar no automóvel e dar partida.

– Tchau — a Yuuhi disse para o vento, visto que, o Uchiha já havia ido.

"Eu ainda voltarei", Itachi fazia uma promessa muda em pensamento.

Aproveitando o sinal fechado, ele sacou o celular de dentro do bolso do terno de grife e discou o número conhecido de cor e salteado, como o esperado, foi atendido rapidamente:

– Yugito, arrume suas malas e providencie os passaportes, nós vamos viajar.

....

Só depois de ter anoitecido e de ter comido cinco tigelas cheias de rámem, é que Naruto se deu conta de não ter avisado Hinata e Kurenai de que não jantaria com elas. Sua dome foi tão grande que lhe fez esquecer, elas deveriam estar preocupadas, na certa Kurenai deveria estar calma, mas Hinata, completamente irritada. Ele conseguia imaginar até o rosto dela contorcido em uma carranca e o tom de voz ríspido. Sua bravinha. Sua pérola.

Enfim, se apressou para sair do Ichiraku, definitivamente, ele adorou aquele lugar, o rámem era delicioso, tão gostoso quanto o que sua mãe preparava. Há quanto tempo não comia uma rámem descente? Ele não se lembrava. Os estrangeiros não sabiam preparar seu prato favorito e nem ele mesmo conseguia preparar, pois não tinha os ingredientes necessários. Como de costume, fez amizade com o dono do estabelecimento, também o homem havia sido tão gentil em serví-los de graça, ainda o convidou para frequentar mais vezes o estabelecimento e, Naruto certamente iria, fez até uma promessa de voltar. Talvez, na próxima vez, levaria Hinata junto consigo. E novamente seus pensamentos lhe atraíram à Hinata, porém, ele nem se incomodava, pelo contrário, adorava pensar nela.

Naruto e Konohamaru, andavam lado a lado. O loiro aproveitava a brisa que acariciava seu rosto, suas mãos permaneciam dentro dos bolsos da bermuda que usava, ele apreciava o céu já escuro com algumas estrelas.

O pequeno Saturobi havia contado um pouco de si mesmo, seus gostos e desejos, também havia falado dos amigos Udon e Moegi. E Naruto ouvia tudo com calma e atenção, também dividindo experiências. Mesmo tendo dez anos de diferença entre os dois, o Uzumaki se comportava como um amigo para o menino. O loiro via muito de si, em Konohamaru, não só por serem hiperativos e bagunceiros, mas principalmente pela solidão que o moreninho sentia, a mesma que Naruto experimentou após a morte precoce de seus amados pais e, que até hoje lhe atormentava, claro, em menor escala, mas mesmo assim, lhe incomodava muito.

Assim, após uma leve caminhada, eles se aproximavam do prédio, até o loiro avistar um carro bastante luxuosos. Ele como um bom curioso ficou intrigado, pois, nunca viu aquele carro ali e naquele região, não eram comuns carros tão caros como aqueles:

– De quem será aquele carro? — Naruto perguntou para si mesmo.

O pequeno moreninho também fitou o carro por um instante até respondê-lo:

– Esse carro é do namorado da Hinata — o moreninho disse naturalmente.

Naruto ficou surpreso, não sabia como agir:

– N-namorado? — o Uzumaki balbuciou.

Antes mesmo do pequeno Saturobi responder, o loiro viu uma cena que o deixou em choque. Ali ele viu Hinata e outro homem se beijando. Então, era mesmo verdade. Ela tinha um namorado.

– Eu já vou indo, pestinha — ele disse para o menino.

E deixou o pequeno Saturobi confuso:

– Eu não entendi nada.

Rapidamente atravessou a rua e entrou no prédio, correu como um raio. Ele não queria que Hinata o visse, a única coisa que queria, era poder chegar logo em casa.

Assim que chegou, apenas se encostou na porta e fitou o nada, até sentir algo molhado pelo rosto e quando passou sua mão, percebeu que chorava, algo que não fazia desde a morte dos pais.

O loiro sentiu uma dor aguda atingir o coração, como era ruim aquela sensação, de saber e presenciar que a garota pelo qual estava perdida e assumidamente apaixonado, pertencia à outro, estava nos braços de outro e não nos seus. Mesmo tendo pouco tempo que se conheciam, foi suficiente para saber que Hinata era a garota que seu pai falara um dia. Era ela a única que em toda sua jovem vida, o fazia sentir coisas inexplicáveis, o fazia se sentir além. Essa era a palavra: além. Além de tudo ou qualquer sensação que já teve.

Naruto fez todos seus movimentos mecanicamente, tomar banho, escovar os dentes, vestir uma boxer apenas e decidiu deitar na cama mesmo estando cedo para dormir.

Mesmo sendo determinado e esperançoso, o que ele poderia fazer? Ela já tinha um relacionamento. Ele não se envolveria nisso e, pela primeira vez na vida, ele não iria cumprir o que havia prometido. Justamente, o que ele teve mais vontade na vida, mais até que a promessa para seus pais e, por falar em seus pais, como ele queria que Kushina e Minato estivessem ali, com certeza saberiam o que lhe dizer e como agir, porém, infelizmente, não poderia contar com nenhum dos dois.

Chorar e sofrer por amor não é exclusividade das mulheres. Naruto chorou e sofreu por Hinata e mesmo assim, isso não afetava sua masculinidade, pelo contrário, o loiro só era uma pessoa sensível e transparente com seus sentimentos.

E mais uma vez, seus pensamentos para Hinata, enquanto ele estava deitado em sua cama à noite, só que diferente das outras vezes, seus pensamentos não eram doces e sim amargos.

Dessa vez, Uzumaki Naruto, optou por deitar de costas para janela, assim não precisava olhar para Lua, que antes era sua amiga e confidente, que testemunhava os devaneios apaixonados, agora,não passava de uma traidora, que o fazia lembrar dela.

Hinata.

....

Tudo aquilo era muito estranho, desde ontem,o Uzumaki não a incomodou em nenhum momento. Ele não apareceu para o jantar, nem deu qualquer satisfação, por sua falta. Após a conversa com Itachi, Hinata pensou que o loiro fosse aparecer com seu jeito idiota de ser e com seu sorriso idiota e daria uma desculpa mais idiota ainda, porém, nem sinal "daquela coisa loira". A perolada ficou acordada mais tempo que de costume esperando que isso acontecesse, se deitou no sofá da sala e, usou até um livro como pretexto, para sua mãe e si própria, entretanto, se lhe perguntassem o conteúdo do dito cujo, ela não saberia responder, pois, mesmo lendo-o, sua atenção se direcionava para a porta de cinco em cinco minutos.

Finalmente, ela desistiu, bufou e pisou duro até seu quarto, bateu a porta com força, nem se lembrava que poderia acordar a mãe que dormia no quarto ao lado. Se deitou na cama, porém, virava de um lado para o outro. Se sentia tão irritada com o sentimento de frustração que seu peito ardia, pelo menos, frustração e irritação, eram os únicos que ela conseguia identificar, pelo menos, por enquanto. A azulada, enfim pegou no sono, todavia, ele não foi nem um pouco relaxante, pelo contrário, foi tenso e pertubador. Quando acordou de manhã, seu corpo e mente doíam, parecia que havia passado a noite em claro

No café da manhã, ainda teve que aguentar os olhares preocupados e ao mesmo tempo questionadores. Tentou fingir que nada havia acontecido. Mas, Hinata sabia, que kurenai sabia, que ela sabia. Balançou a cabeça, que confusão.

Depois, de se despedir da mãe, suas esperanças voltaram, talvez encontrasse com Naruto e ambos fossem para a Universidade juntos e, ele a irritaria, como de costume, porém, aquilo não aconteceu. Tudo bem!!! Ela admitia, estava preocupada. Claro, poderia ter acontecido algo grave com ele. Talvez, tenha ficado doente, ou sofrido um acidente. Ela sentiu um incomodo no peito. Ele era um ser humano, ela se preocuparia com qualquer outro ser humano, apenas isso.

Agora, após ter chegado na Senju, estava sentada no seu lugar de costume, esperando a aula começar e perdida em seus devaneios.

Então, de repente, eis que surge pela porta, o dono de suas preocupações.

Os lábios sempre adornados por um sorriso, estavam em linha reta, as orbes sempre brilhantes, estavam opacas, a pele sempre bronzeada, estava abatida.

Hinata endireitou sua postura e pôs uma expressão contorcida na face, porém, ela logo se transformou em espanto, pois o Uzumaki não sentou ao seu lado, como de costume. O loiro se pôs a caminhar sem nem olhar para mesma e se sentou do outro lado da sala, ao lado de Shikamaru, o gênio preguiçoso, que naquele instante dormia e babava.

Ao entrar no recinto, Naruto teve que lutar contra a vontade de falar com Hinata, admirá-la, ouvir sua voz. Ele apenas a fitou de relance e pôde ver o belo rosto aborrecido, na certa, por sua causa.

Porém, ele deveria se manter firme, havia decidido isso na noite anterior, diga-se de passagem, péssima noite, após ter chorado, teve um sono agitado e no meio da madrugada, não conseguiu manter o sono e acabou acordando. Com a boca seca, se levantou para beber um copo de água e, foi ali na cozinha, enquanto olhava para o nada, tomou uma decisão. Essa foi a melhor decisão que poderia ter tomado, por mais que doesse e no fundo de seu coração, sentisse que estava errado, ele deveria se afastar de Hinata, deveria ignorar aquele sentimento que só crescia a cada momento dentro do peito.

Então, decidiu se concentrar nos estudos.

Tudo ocorreu tranquilamente, até Kakashi percebeu algo errado, visto que, o Uzumaki e a Yuuhi, estavam longe um do outro, além do sempre alegre e escandaloso Naruto, está quieto e concentrado e, Hinata por sua vez, com uma cara de dar medo a qualquer um. Obviamente, o Hatake não se envolveu, pois, não tinha nada haver com isso.

Na hora do intervalo, enquanto Sakura era só elogios à Sasuke e dizia tudo o que aconteceu entre o casal, no mínimos detalhes. Hinata esquadrinhava o Campus da Senju, na busca ao Uzumaki, porém, não havia o encontrado em lugar algum. Aquilo só contribuía para despertar a ira da perolada. Quem aquela "coisa loira" pensava que era para agir daquela forma consigo? Para ignorá-la?

Hinata já estava completamente irritada. A perolada estava decidida, colocaria um ponto final, naquilo que ela julgava ser uma palhaçada.

Ao fim das aulas, que ela nem havia prestado a mínima atenção, a perolada voltava para casa, mais precisamente, no exato momento, subia as benditas escadas do prédio Sandaime, enquanto Naruto caminhava a sua frente.

Enfim, chegaram ao seu andar. Hinata apertou o passo até alcançar o loiro e segurá-lo pelo braço e fazê-lo parar:

– Espere, Naruto. O quê significa isso? — ela questionou o que esteve preso em sua garganta desde ontem.

– Isso, o quê? — ele disse apático.

Ela revirou os olhos, como ele poderia ser tão sínico?

– Você ainda pergunta? É claro que eu estou falando de ontem. Ou você acha normal não ter aparecido no jantar e nem para dar uma satisfação? A mamãe ficou preocupada — "eu fique preocupada", ela queria dizer, mas se conteve. Seu tom era acusatório.

– Ha! Isso... — o loiro coçou a nuca em constrangimento — peça desculpas a Kurenai-san, Hinata.

Ela sentiu uma pontada com o "Hinata" e só assim se deu conta de que ainda segurava o braço dele, a Yuuhi deixou seus dedos escorregarem pela pele de Naruto, fazendo ambos sentirem aquela sensação de eletricidade, novamente.

– E por que você está agindo assim? — ela ainda ousou questionar e fez um grande esforço para isso, pois, com Naruto era tudo tão diferente, com ele, a perolada se sentia pequena, frágil e sem saber como se sentir ou agir. Tão diferente da Hinata que sabe o que quer, destemida e corajosa, de personalidade forte e bem resolvida, que se mostrava com os demais.

– Bem... — Naruto tentava procurar as palavras, era tão difícil dizer aquilo — talvez seu namorado não goste de te ver perto de outro — ele não conseguiu encará-la e escorregou seus olhos para o solo.

– Mas, eu não tenho namorado.

– Como não? Então, quem era aquele cara que eu vi te beijando ontem? — o loiro voltou a fitá-la esperando uma resposta.

– Então é isso — ela murmurava para si mesma, encaixando os pontos e compreendendo tudo — aquele foi um beijo de despedida — o loiro a encarava confuso — o Itachi foi meu namorado, mas nós terminamos ontem — ela deveria dizer que o Namikaze não tinha nada haver com aquilo, mas sentiu uma extranha vontade de esclarecer aquele mal entendido.

O loiro tentava processar aquela informação:

– Então, quer dizer... — seu peito começava a bater forte e se enchia de esperança — que você não tem mais namorado — o tom dele era afirmativo e demostrava sinais de alegria.

– Não — Hinata respondeu e percebeu naquele momento, como preferia aquelas safiras divertidas e brilhantes do que tristes e opacas.

Ele abriu um enorme sorriso, feliz como de uma criança, pela confirmação dela.

E Hinata só pode suspirar por ver aquele sorriso, que secretamente, sentiu falta.

Naruto encurtou a distância entre os dois, ambos estavam com o coração e respiração acelerados. O loiro colocou as mãos na cintura de Hinata e ela sentiu arder, foi tão diferente de Itachi....agora parecia.... certo.

Ambos semicerraram seus olhos e mesmo assim, continuavam a se fitar, presos num mundo só deles.

Naruto encostou seu nariz, no de Hinata e, o acariciou.

Os lábios quase se encostavam.

– HINATA!!! — o pequeno Saturobi interrompe o casal.

A Yuuhi, logo afasta o Namikaze, com as palmas de suas mãos no peitoral dele.

O menino se aproxima ofegante:

– Tem uma loira querendo falar com você, lá embaixo. O nome dela é.... — o pequeno tenta se lembrar — alguma coisa com porca... ha! Lembrei! Ino.

Hinata não diz nada, apenas desce rapidamente.

– Mas, que droga, Konohamaru!!! — Naruto estava com muita raiva — você me atrapalhou!!!

– Eu vim apenas trazer um recado. Que culpa eu tenho se você não sabe conquistar uma mulher, Chefe.

O loiro apenas se aproxima do pequeno Saturobi e lhe dá um cascudo na cabeça.

– Ai, Chefe — ele massageava o local atingido

– Huuu!!!- Naruto apenas soltou uma exclamação frustada e fez um biquinho.

Por que logo agora, alguém tinha que atrapalhá-lo?

One-shot: Drunk In Love

Notas finais
Quem quer matar o Konohamaru? O Naruto e a Hinata só não se beijaram, como castigo para os leitores fantasmas. Por isso, fantasminhas, pensem bem antes de não comentarem.... hahahaha (risada maléfica) No último capítulo, tivemos 27 reviews ○/ espero que esse número não caia, apenas continue crescendo. Beijos, até o próximo.