Hinata
10 Sentir
Notas iniciais
Essa semana havia sido terrível, de má sorte, irritante e cansativa.Talvez alguém estivesse lhe rogado uma praga, linda e maravilhosa como era, não duvidava que fosse alvo de inveja. Talvez precisasse ir a um Templo, ou até mesmo, procurar um padre para se benzer.
Ela estava tão abarrotada de trabalho, nem pôde fazer as unhas, ou o cabelo, muito menos ter um tempo com as amigas, bater papo, fazer compras, ficar com alguns gatinhos. Só de pensar, seus olhos azuis brilhavam, mas logo, voltaram a ficar opacos, pois ela sabia que a realidade era muito diferente.
E a grande culpada por isso, era a machona, sua chefe, aquela bruxa Sabaku. Ela tinha certeza, Temari fazia tudo de propósito.
E por falar em Temari, Ino, nesse momento, se encontrava no escritório da loira, só que pela primeira vez, no próprio lar da Sabaku. Desta vez, por nenhum motivo específico, pelo menos, a chefe não disse absolutamente nada pela preferência, a reunião de pauta, foi feita no próprio lar de Temari.
Durante toda reunião, a Yamanaka permaneceu aréa, dispersa, pouco se importava. Soltou alguns bocejo em diversos momentos, coçou a cabeça e depois passou os dedos nas extremidades dos olhos com cuidado, pois lacrimejava e não queria borrar a maquiagem. Definitivamente, estava com sono, por causa do tédio em que se encontrava.
– Você está prestando a atenção, Yamanaka? — a Sabaku dizia com seu tão conhecido mal humor.
A loira mais nova, deu até um pulinho da cadeira, pelo susto, também pôs as mãos no peito, tentando acalmar o órgão pulsante.
– B-bem — pigarreou numa falha tentativa de se recompor — Sim — tentou soar firme.
– Huunn, sei... — Temari por sua vez, soltou o murmurio descrente e carregado de ironia — Todos estão dispensados.
Ino já dava graças a Deus, colocou a bolsa no ombro, porém, antes mesmo de se levantar, ouviu a chefe se direcionar a si.
– Você não, Yamanaka — Temari não era nenhuma idiota, sabia muito bem que Ino mal estava ali no escritório.
Temari também estava cansada e muito estressada, pelo intenso trabalho, mas não negava que gostava de atormentar Ino, até mesmo obrigá-la a fazer trabalhos extra, mais que o necessário. Mas no fundo, bem no fundo, gostava de Ino e se identificava com a mesma, por ser destemida e desinibida, entretanto, jamais admitiria em voz alta.
O motivo por Temari preferir que essa reunião ocorresse em sua casa, no caso apartamento, pois depois da morte do pai e do irmão mais velho, a antiga Mansão Sabaku, havia ficado grande demais para ela, visto que, Gaara mal parava em casa. Enfim, além de estar um tanto cansada, Temari, depois de tanto "conversar", ou seja, brigar com o irmão mais novo, finalmente conseguiu convencê-lo a passar mais tempo no apartamento. Por isso, a Sabaku queria passar mais tempo no lar, assim unindo o útil ao agradável.
– E a entrevista? — a chefe foi direta, a mulher odiava enrolação.
– Eu irei hoje, na verdade, pretendo fazê-la após sair daqui — e por que, a Yamanaka ainda ficava surpresa? Era óbvio que a pauta da conversa seria " a 'bendita' entrevista".
– Eu espero que essa entrevista seja muito boa, porque você me enrolou mais de seis meses. E também espero que valha a pena entrevistar "O costureiro e seu filho", porque conseguir uma entrevista com "A mais bela da noite", isso, você não conseguiu — a Sabaku disse com desgosto.
Ino se controlou para não bufar ou rolar os olhos:
– Era só isso? — ela perguntou um tanto desanimada.
– Sim. "Só isso" — a outra loira disse irônica — pode se retirar.
– Com licença — Ino finalmente pôde revirar as orbes azuis, assim que ficou de costas para Sabaku e, pôs a mão direita na maçaneta da porta.
A cobertura era luxuosa, localizada em um dos melhores bairros da cidade. Mesmo sendo sendo menor que a Mansão Sabaku, o apartamento ainda era muito grande, apenas para ele e a irmã, para Gaara era um exagero, mas não poderia negar, preferia e se sentia mais confortável no apartamento, do que na antiga residência dos Sabaku. Lá, ele se sentia um intruso, além de ter associado à casa, sua péssima relação com o pai, os olhares acusatórios, a diferença brutal com a qual o pai lhe tratava, para o tratamento com os irmãos, a indiferença, a solidão, ou as noites que chorava por sentir falta da mãe que nunca conheceu.
Assim, internamente, o ruivo ficou grato pela irmã ter decidido comprar outro lugar para viverem. Mesmo que isso nem passasse pela cabeça de Temari, ou ela nem desconfiasse futuramente. Ele havia ficado satisfeito.
O grande problema de Gaara, era ser muito fechado e não demonstrar o que sente e também não muito fã de diálogo. Ele não tinha medo, mas receio de se mostrar verdadeiramente, por isso era monossilábico.Talvez, ele tivesse medo sim, medo de ser rejeitado, como foi a vida inteira pelo Kazekage, ou por achar que não merecia ser feliz.
Então, ele estava ali, no terraço da cobertura. Sentia os raios de Sol tocarem sua pele, mesmo estando na piscina, a água morna era agradável.
Depois de Temari encher o seu saco, decidiu concordar. No começo, sua intenção era apenas concordar da boca para fora, apenas para loira calar a boca e sair do seu pé, todavia, quando focou naqueles olha verde-musgo suplicantes e amorosos, tão parecidos com o de sua mãe, não conseguiu mentir, concordou verdadeiramente. Concordou que ficaria mais tempo em casa. O ruivo poderia parecer frio, com sua fachada que fazia questão de exibir, no entanto, ele era muito sensível, pois se não fosse, não teria esses sentimentos, ou se abalaria, claro internamente, pela forma como o pai lhe tratava.
Gaara sentiu a garganta seca, precisava de água. Logo, saiu da piscina, se secou com a toalha, na verdade, apenas retirou o excesso da água dos braços, pernas e abdômen.
Ele sabia que no andar de baixo, acontecia uma reunião da editora/emissora No Sabaku. Gaara, no fundo, já chegou a se interessar pela ideia de trabalhar no Império das Telecomunicações, mas, logo afastava o pensamento, pois se lembrava do Kazekage,não queria trabalhar com algo que estivesse ligado diretamente do pai, ainda mais o Império, onde durante toda sua vida, viu o pai se empenhar tanto, às vezes, quando menor, tinha ciumes do trabalho do pai. Por isso, se mantinha o mais longe possível de tudo relacionado a No Sabaku.
O ruivo descia as escadas e não pôde crer no que viu. A loirinha irritadinha que ele esbarrou, no corredor da emissora, na última semana, se encontrava na sala de estar, pronta para sair. Claro, ela trabalhava na No Sabaku, era meio óbvio que estivesse ali reunião, mesmo assim, ele não havia pensado nisso
Gaara abriu um sorriso e apressou o passo, até se aproximar da jovem:
– Loirinha, você por aqui?
Ino se virou e deu de cara com o ruivo mal educado que esbarrou nela:
– Era só o quê me faltava — ela suspirou — o quê você quer? Aliás, o quê você está fazendo aqui? — a loira questionou um tanto curiosa.
– Não se faça de inocente — o tom dele era divertido — eu que deveria fazer essa pergunta: o quê você faz por aqui? Já sei, não conseguiu me esquecer e descobriu meu endereço.
– Se toca seu palito de fósforo. E como assim você mora aqui?
– Como eu sou mal educado, nem me apresentei, eu sou Sabaku no Gaara — deu um meio sorriso.
Sabaku...
A Yamanaka juntava os pontos. Ela o olhou entendendo. O ruivo era irmão da machona. Naquele momento constatou: os Sabaku's tinham o dom de irritá-la e tirá-la do sério.
Ela o encarava e, Gaara não poderia deixar de implicar com a loira. Isso era extremamente divertido e prazeroso, ele nem mesmo se reconhecia ou sabia o motivo:
– Não precisa ser tão descarada, você falta pouco babar por mim — em poucos minutos, ele foi mais eloquente do que em toda sua vida.
Ino analisa o corpo do ruivo, apesar de ser magro, era definido, do jeito que, secretamente, atraia a Yamanaka. Porém, ela não iria dar esse gostinho ao Sabaku, jamais admitiria, em hipótese alguma, que ele era o tipo dela:
– Até você não é de se jogar fora, mas existem outros bem melhores que você, cabeça de fósforo — ela ergueu uma sobrancelha em desafio.
– Existem muitos melhores que eu? — ele entrou na brincadeira.
Andou despojadamente até a loira, acariciou a franja que cobria um dos olhos.
Ino ficou um tanto hipnotizada pelas jades.
Ele colou os lábios, selando o beijo. A mulher não ofereceu resistência. Logo as línguas brigavam, ambos queriam dominar o outro. O beijo tinha gosto de álcool, o tornando viciante. Até Ino cair em si e se afastar, logo em seguida acertando a bochecha do ruivo com um tapa:
– Quem você pensa que é, seu abusado?! — ela estava alterada.
– Que gritaria é essa? — Temari se aproximou.
Gaara massageava o local acertado.
– Nada, Temari. Eu já estou indo — Ino não esperou ninguém se manifestar e se foi.
A Sabaku mais velha, olhou o irmão como se o questionasse, mas não ouve resposta. O ruivo apenas deu as costas em direção a cozinha.
– Típico dele... — a mais velha soltou.
Ali sozinha, a mente de Temari, começava a formular um plano, para acabar com seus problemas de uma só vez.
....
Ali estava a loira, no hall de entrada do prédio, esperando a amiga e, rezando para que o menininho que a pouco tempo, ela havia pedido ajuda, desse o recado a Hinata. Mesmo com algum tempo de amizade, essa era a primeira vez que Ino pisava no prédio, onde a Yuuhi morava. Apesar de ser simples, o local era bonito e bem localizado.
Era impressionante, só pelo fato de sair daquele ambiente e dirigir, a loira estava mais calma e relaxada.
Então, a amiga desceu as escadas que davam para o hall do prédio. Ela percebeu, Hinata estava com uma expressão pensativa.
A Yuuhi se aproximou e, ambas se abraçaram:
– Eu estava com saudades, Hina. Mas infelizmente, passei esse período muito ocupada — Ino falava
– Eu também estava com saudades de você — a Yuuhi diz num mais calmo e retraído do que o habitual.
– Além disso, Hinata estava um pouco aérea. Ino não era idiota, sabia que algo havia acontecido para amiga estar tão estranha.
– Aconteceu alguma coisa, Hina? — a loira indagou.
Ino poderia ter todos os defeitos do mundo,mas se preocupa com as amigas acima de tudo. Sempre estava disposta a ser um ombro amigo, até mesmo dar conselhos e se pudesse resolver o problema em questão, não pensaria duas vezes.
– Nada. Eu estou muito bem — a perolada afirmou um tanto ríspida.
– Sei.... Bem, e tivemos alguma novidade? — a Yamanaka sabia como Hinata agia, não conseguiria nada perguntando diretamente, mas pelo tom que a amiga havia usado. Ino conseguiu identificar frustração e irritação. A melhor forma era averiguar mais afundo.
– Eu e Itachi terminamos. Parece que ele irá viajar por tempo indeterminado — Hinata contava naturalmente.
Se fosse qualquer outra pessoa, poderia associar o término do namoro ao estado da jovem, concluindo o mistério. Porém, Yamanaka Ino, não era qualquer uma, sabia muito bem que a amiga não nutria sentimentos muito fortes pelo Uchiha, logo não se abalaria pela partida do herdeiro dos Uchiha's.
Por enquanto, a loira decidiu mudar de assunto:
– Você deve estar se perguntando o porquê, de eu estar aqui — ela tomou fôlego — eu finalmente, vim fazer a bendita entrevista com o Gai e seu filho, depois de tanto a bruxa encher meu saco — terminou divertida.
Arrancando risos de Hinata:
– Do jeito que você fala, essa Temari nem parece sua chefe e sim sua carrasca.
– Mas, ela é isso mesmo. Coitadinha de mim — a loira fazia biquinho e falava teatralmente.
– Se é tão ruim assim, porque você não sai desse emprego? — a azulada questionou.
– É verdade que no começo, eu só comecei a trabalhar na No Sabaku, apenas para irritar meu pai, mas eu acabei me apegando e gostando do trabalho. Por mais que a Bruxa seja uma peste comigo.
Elas caminhavam em direção à escada, fazendo o trajeto entre risos e conversas.
Essa era a grande chance de pai e filho, ambos se imaginava nas capas de revistas de moda e celebridades. Por isso, se preparavam para tal. Além de já treinarem seus autógrafos, eles também ensaiavam poses e os melhores ângulos para fotografar.
Como a ocasião era extremamente importante, Gai e Lee, haviam substituído até o habitual macacão verde por outros na cor branca, que eram adornados por predrinhas brilhosas.
Além de se maquiarem, Gai até borrifou um pouco de seu Chanel n.5, em si mesmo e no filho. O perfume era usado apenas em momentos especiais:
– Ai papi, estou um pouco nervosa. Porque nós temos que divar nessa entrevista — o filho pegou dois óculos de sol — e tome aqui papi, as pessoas importantes e chiques, sempre usam óculos escuros.
– Filhote, não fique nervoso. Você nasceu para brilhar e nós vamos arrasar — o homem aceita o objeto e coloca no rosto.
A campainha foi ouvida:
– Ai tá' vendo filhote, deve ser a imprensa. Relaxe, tudo vai dar certo.
– Sim, papi — Lee dizia confiante e batia palminhas de animação.
Assim que o homem abriu a porta, viu uma loira bem bonita e Hinata, sua musa inspiradora:
– Gai, essa é minha amiga Ino, a repórter que queria uma entrevista sua.
– Oi Diva — a cumprimentou com dois beijinhos, de cada lado da bochecha — eu já esperava, a senhorita Yamanaka tinha ligado avisando — ele se vira para a loira — eu só não imaginava que seria tão linda assim.
– Que querido — Ino exclamou e também cumprimentou o Maito, da mesma forma que Hinata.
– E esse corpinho — Gai pegou a mão de Ino e a rodopiou — ficaria maravilhoso em meus vestidos.
– Assim eu fico com ciúmes — Hinata fez um biquinho.
– Diva você sempre será minha Musa inspiradora, não precisa ficar com ciúmes. Bem, meninas entrem.
– Uau!!! — Ino exclamou após entrar no apartamento e visualizar um mundo de cores e decoração berrante.
– É lindo mesmo — Gai afirma com orgulho, se referindo a sua decoração — sentem-se, meninas.
– Onde estão os câmeras, os refletores, os microfones? — Lee indaga ao ver as jovens se aproximando e sentando no sofá, em frente ao que ele também estava sentado.
– Bom, será uma matéria escrita, mas eu tirarei algumas fotos de vocês — Ino responde.
– Calma, filhote. Nós ainda teremos outras oportunidades — Gai consola o filho se sentando ao lado dele.
– Que tal começar esse entrevista de uma vez por todas? — a Yuuhi tenta agilizar as coisa.
– Ótima ideia, Hina. Bom, de onde surgiu sua vontade de desenhar e costurar esses vestidos divinos? — Ino peguntou com o gravador ligado em sua mão.
– Desde que eu era uma menininha... ops... um menininho. Eu sempre amei cores e estampas. Ficava fascinado vendo as roupas das mulheres. Eu roubava as revistas de moda da minha, falecida mãe, ela nem desconfiava. Então, eu tentava desenhar os modelos e depois passei a criar os meus próprios modelos. Eu também sempre fui muito ativo e amei desde sempre. Enfim, decidi me tornar professor de educação física, mas nas horas vagas, desenho e costuro. Ainda mais, com essa Musa inspiradora como vizinha.
A Yuuhi madou um beijinho no ar para Gai.
– E você, Lee? O quê tem a dizer sobre suas maquiagens e penteados?
– Para mim, maqueadores e cabelereiros, são verdadeiros artistas. As mulheres, seus rostos e cabelos, são como telas, então, nós pintamos essas telas. Sabe, muitas pessoas podem achar futilidade, mas um um bom penteado e uma bela maquiagem, ajudam muito na autoestima de qualquer mulher.
– Ai meu filhote. Que orgulho — o pai abraça o filho.
A entrevista durou quase uma hora, o material que Ino juntou foi muito bom e, a Yamanaka ficou satisfeita. Ela editaria tudo e faria uma excelente matéria. Finalmente Temari sairia do seu pé.Tirou fotos da dupla, na verdade, se divertiu muito, junto de Hinata:
– Hina, como o Gai teve o Lee?
– Eu não faço a mínima ideia — Hinata respondeu e ambas caíram na gargalhada. As amigas tinham acabado de sair do apartamento e estavam no corredor do terceiro andar.
Mesmo sem ser convidado, Konohamaru entrou no apartamento, junto de Naruto. O loiro que tinha a intenção de dormir, provou do próprio veneno chamado persistência.
O menino tentava convencer o Uzumaki a qualquer custo, de que ele deveria descer:
– Vamos lá, Chefe. A loira bonitona, que disse, que faria uma entrevista com o Gai e o Lee, tá' lá embaixo. Assim, você poderia fazer ciúmes na Hinata, aí ela iria te beijar — o menino bolava seu plano genial.
Mesmo não se sentindo culpado, o pequeno Saturobi, queria consertar as coisas. Queria que Naruto conseguisse beijar Hinata, pois, o menino queria que o "Chefe" ficasse feliz, da mesma forma que ele, quando jantaram no Ichihaku.
– Mas, eu não quero que a Hina-chan fique com ciúmes de mim — o Uzumaki respondia.
– Vamos mesmo assim!!! Vamos!!! Vamos!!!
É, definitivamente, Uzumaki Naruto, provava do próprio veneno. E não era nem um pouco prazeroso.
– Tá' bom!!! — ele se levanta do sofá e vai em direção a porta rapidamente — Vem logo, pestinha.
– É pra já, Chefe — o menino vai ao encontro de Naruto com um sorriso enorme no rosto.
Eles desceram apenas um lance de escadas, chegando ao andar desejado.
Não precisaram de esforço, mal chegaram no local, e avistaram a morena junto de uma loira de rabo-de-cavalo. Ela não era feia, mas para Naruto, Hinata era muito mais linda.
– Olha, ali estão elas — o pequeno apontou e, praticamente, gritou, fazendo assim, os dois serem alvos das mulheres.
Essa era a primeira vez que Naruto e Hinata fitavam-se mutuamente, depois do "quase beijo". O recinto se transformou na bolha deles, ninguém mais existia, apenas as luas e o céu. O contato apenas teve fim, quando Hinata desviou sua pérolas, um tanto sem jeito. Mas, Naruto continuou a encará-la.
"Yuuhi Hinata desviando o olhar?" Esse era o pensamento de uma Yamanaka perspicaz. A loira havia reparado no clima que se formou, quando o rapaz se aproximou. As amigas riam até que os dois se fitaram por alguns segundos, que pareceram uma eternidade. Aquele tipo de olhar, que quer dizer muito mais que um simples olhar. Ali estavam contidas muitas coisas e, mesmo sendo inteligente, não foi possível a loira desvendar. E o pior, foi a forma como a azulada agiu, desviou o olhar, como se estivesse fugindo ou acuada. A Hinata que a Yamanaka conhecia, jamais tomaria uma atitude dessas, pelo contrário, iria instigá-lo, iria desafiá-lo, mas nunca recuaria, preferiria o confronto direto.
– Quem é ele? — perguntou curiosa e admirada pelo feito do homem.
Hinata não gostou nada do súbito interesse da amiga:
– Naruto, meu novo vizinho — respondeu contrariada.
– Olá, Naruto — Ino se dirigiu ao loiro com um tom doce — Eu me chamo Ino.
– Prazer em conhecê-la, Ino — o loiro respondeu com um sorriso educado.
Na mente de Ino, um plano infalível e maldoso, se apossou. Ela tinha certeza, assim, saberia se o quê havia acabado de acontecer, tinha ligação com o jeito que a amiga a recebeu mais cedo.
Ela encurtou a distância entre o Uzumaki:
– Bem que dizem, que os loiros são os melhores — sem o menor pudor, passou a mão pelo peitoral de Naruto e por fim, deu uma piscadela.
O rapaz ficou sem jeito, não sabia como agir. Soltou uma risada sem graça e coçou a nuca.
Hinata por sua vez, sentiu uma pontada dentro de si, uma sensação incomoda. Parecia veneno que corria nas suas veias, no lugar do sangue. A perolada se controlou para não esbofetear a amiga, porém, foi mais forte que seu autocontrole, o olhar mortal que direcionou à Ino.
A loira teve que se controlar para não rir, ou melhor, gargalhar da reação da amiga, que no momento, deveria considerar inimiga. Quando criança, Ino queria ter o poder de ler mentes, mas nesse momento, não fazia a menor questão de tê-lo. A Yamanaka deveria estar sendo xingada de todos os nomes possíveis e impossíveis. Sentiu até um frio involuntário na espinha. Será que a azulada bateria nela? Mas no fim, tudo aconteceu como o planejado. E seu plano obteve sucesso. Sim, agora confirmava suas suspeitas. Realmente, havia acontecido algo entre sua amiga e Naruto e, a loira apostava, que o jeito um tanto desligado como Hinata à recebeu, tinha haver com o Uzumaki. Mas, ela descobriria absolutamente tudo, ou não se chamava Yamanaka Ino.
– Bom, já está na minha hora — a loira fitava seu relógio de pulso — tchau, Naruto. Tchau, Hina — ela se aproximou da amiga e deu dois beijos, que não foram correspondidos. Mas, Ino resolveria tudo com a amiga depois, por hora, ela precisava ir mesmo.
– Chefe, a loira te deu o maior mole — o pequeno Saturobi, esquecido até então, se manifesta.
Hinata dá um cascudo no menino e sai a passos duros:
– Ai, por que todo mundo me bate? — o pequeno se perguntava.
....
Ao cair da noite, o céu estava enfeitado de estrelas. E a temperatura diminuiu consideravelmente, fazia um friozinho gostoso, esse era o motivo de Naruto estar de casaco na cor laranja, que novidade... enfim, o Uzumaki se encontrava deitado despojadamente no sofá, com as mãos atrás da cabeça, dando apoio e uma das pernas para fora do sofá, por falta de espaço, visto que, ele era grande demais.
Os lábios adornados por um sorriso bobo, consequentemente, pensava em Hinata, sua pérola. A única capaz de lhe roubar um sorriso daqueles.
Praticamente todos seus pensamentos diários, eram direcionados à ela.
O dia havia sido longo, cheio de acontecimentos e uma conquista muito grande em relação à Hinata. Grande parte da muralha que a jovem ergueu sobre si, havia caído, na verdade foi derrubada pela determinação do Uzumaki. O quase beijo, foi muito importante, mesmo não tendo acontecido o ato em si. Mas, só o fato da Yuuhi ter cedido esse espaço, foi uma vitória e tanto. Nada mal, para quem começou o dia da pior maneira possível, havia tido um avanço gigantesco. Só de lembrar como seu humor mudou drasticamente, era divertido, mas só agora que tudo se encaminhava da forma que ele queria. Ele se questionava: será que todo apaixonado é bipolar?
Ele experimentou um sentimento horrível, de não poder ter a amada, de saber que ela pertencia a outro. Foi terrível, vê-la beijando outro que não fosse ele. Então, o loiro não esperava que a própria Hinata quisesse esclarecer as coisas e se deixar levar, junto com ele.
Depois, Ino. Ele não poderia jurar que sua pérola sentiu ciúmes, todavia, poderia afirmar que a jovem se sentiu incomodada e muito. E ele gostou disso, de saber que ela se importava se outra desse em cima dele. Claro, ele nem ligou para tal Ino, ficou sem jeito, não soube como agir, mesmo não tendo interesse, ela era uma mulher. Ele não queria ser grosso de forma alguma. O loiro levava muito a sério, os ensinamentos de seus pais, que ele deveria respeitar as mulheres.
Seus pais.
Ele queria tanto que seus pais estivessem ali, lhe dando apoio, lhe dando conselhos. Às vezes, se pegava imaginando, como a ruiva impulsiva e o loiro sereno, agiriam. O quê eles lhe falariam, quando contasse de seus sentimentos. Sem perceber, apertava o colar que ganhou dos pais, na última vez que viu Minato e Kushina. Aquele colar, já tinha uma dona, como o seu coração, mas infelizmente ou felizmente, ele não saberia dizer, aquele não era o momento.
Então, seus pensamentos foram dissolvidos pelo toque da campainha. Ele não esperava ninguém, mas prontamente se levantou para atender, quem quer que fosse. Para sua surpresa, quando abriu a porta, deu de cara com ela:
– Hina-chan... — ele disse um pouco incerto, deixou até a voz morrer.
Como ela se sentia frustada. Hinata sempre esteve no controle, sempre corajosa, sempre ousada e decidida. Porém, quando se tratava do loiro de sorriso arrebatador, ela simplesmente não sabia como agir. Ela apenas se deixava levar, apenas agia por extinto, mesmo tentando retomar o controle, mesmo repelindo o Uzumaki, algo nele a atraia como um imã.
Ela sentia medo, se sentia acuada. Pela primeira vez admitia: sentia medo de se deixar levar pelos sentimentos. De se decepcionar, de se machucar novamente. Pois, a Yuuhi demorou muito para juntar seus caquinhos e mesmo se colando, as rachaduras ainda eram visíveis. Ela temia não suportar ser destruída mais uma vez, e dessa vez, não conseguir se recuperar.
Mesmo Naruto tendo ficado afastado de si e indiferente, por menos de vinte e quatro horas, ela sentiu falta dos sorrisos abertos, sentiu falta das orbes oceânicas lhe encarando, como todo ser humano necessita de ar para sobreviver, como se tivesse passado muito tempo no deserto e precisasse de água potável e fresca.
Então, ela admitia, foi atrás dele para resolver as coisas. Para que tudo voltasse a ser como antes e aí....
Deixou se levar, quase o beijou. Se não fosse por Konohamaru ter interrompido, ela o beijaria. E, em vez de se sentir agradecida pelo beijo não ter ocorrido, muito pelo contrário, se sentia frustrada e insatisfeita, por não ter acontecido.
Ela se sentiu horrível por ter visto a forma como Ino se atirou em Naruto. Sentiu tanta raiva, estava furiosa. Teve que se controlar para não cometer uma estupidez. A jovem se questionava: será que Naruto se sentiu da mesma forma que ela, quando a viu ser beijada por Itachi? Ou foi pior, visto que, o loiro presenciou um beijo, enquanto ela, apenas viu a amiga se oferecer para ele. Por outro lado, o Uzumaki não tomou nenhuma atitude. Nem para afastar Ino, nem para dar abertura.
Por causa da entrevista e do episódio com Ino, Hinata se distraiu. Entretanto, quando chegou em casa, voltou a pensar no quase beijo. Azulada imaginava como seria provar dos lábios finos do loiro. Aquilo a atormentava, até que decidiu usar a "velha Hinata" para fazer o quê a "nova Hinata" tinha vontade. Confuso, não?! Mas, que ser humano é fácil de entender e de catalogar? A resposta é: nenhum.
Eles estavam frente a frente, ambos se fitando, novamente formando aquela bolha, só deles. Hinata percebeu que ele falaria algo, mas se calou. Então, ela o surpreendeu.
Agarrou o casaco do Uzumaki, o empurrando porta a dentro, encostando o homem na parede mais próxima.
Pôs uma coxa entre as pernas dele, as fastando. Logo, começou a roçar a coxa no membro dele, por cima da causa jeans mesmo. Distribuiu beijos pelo pescoço dele e sussurrou:
– Por que você faz isso comigo, hein?! Por quê? Você quer meu corpo? É isso, quer meu corpo como todos os outros.
Naruto estava em choque, jamais esperava uma reação daquelas. Depois que voltou a si, segurou os pulsos de Hinata com força, mas não o suficiente para machucá-la. E a afastou um pouco, só para que pudesse fitá-la.
Aquela era a primeira vez que alguém resistia a ela e, a jovem não entendia.
– Você é linda, a mulher mais linda que eu já vi na vida. Mas, eu não quero só o seu corpo.
Só Deus sabia o esforço sobre-humano que Naruto fazia para afastar sua amada. Sua vontade era levá-la para o quarto e possuí-la, ele a desejava muito, como nenhuma outra. Mas, ele queria muito além daquilo. Sexo se conseguia com qualquer uma, porém, o quê ele sentia ia além.
– Eu quero muito mais, eu quero tudo que você tem a me oferecer. Eu quero te conhecer verdadeiramente, quero conhecer suas dores e cicatrizes. Quero poder dividir, partilhar as coisas com você. Eu quero sua alma, pode parecer piegas, mas eu quero seu coração — ele nunca havia falado tão sério em sua vida, nunca havia falado tanto o quê sentia.
Hinata o encarava atônita, procurava resquícios de dúvidas ou mentiras. Entretanto, o tom dele foi tão firme. E aquelas safiras não tinha a menos exitação. Aqueles mares incríveis apenas refletiam sinceridade. Ele a olhava tão intensamente, tão profundamente, a perolada poderia desconfiar que ele enxergava sua alma. Ele a admirava de uma forma, que nem Itachi que se dizia apaixonado, a olhou.
Então, ela quebrou o contato, sentiu as bochechas quentes. Não era possível, depois de anos, ela corou. Suas maças dos rosto se encontravam vermelinhas, ruborizadas.
O loiro por fim, abaixou as mãos dela até ficarem rente ao corpo. Ele acariciou a bochecha quente. Ela quis fechar os olhos por isso. O Uzumaki pegou em seu queixo, fazendo com que ela voltasse a fitá-lo, então, deu um beijo terno em sua testa, talvez só sua mãe tenha a beijado tão docemente.
Ele segurou uma de suas mãos unindo-as:
– Vem, Hina-chan. Pelo horário, sua mãe deve estar preparando o jantar. Se a Kurenai-san ainda me aceitar, eu pretendo ajudá-la a cozinhar — ele dizia descontraído, como se nada houvesse acontecido. O loiro sabia, a perolada precisava de tempo.
E Hinata não disse absolutamente nada, e nem era preciso. Os dois sabiam disso. Ela só se pôs a acompanhá-lo e apreciar o contado das mãos.
A mão dele era grande e quente, contrastando com a sua pequena e fria. Ela não poderia negar, se sentiu segura e protegida como há muito tempo não sentia.
Talvez agora, tudo ficasse bem. Era o que ela pensava, enquanto fitava o rosto do loiro.
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