Hinata
36 Insano
Notas iniciais
Havia tempos em que não sentia aquela sensação de satisfação e relaxamento espalhada por todo corpo. Sabia que estava com um sorriso adornando os lábios, antes mesmo de despertar totalmente.
Tinha receio de acordar e se dar conta de que o momento mágico, que viveu no dia anterior, não passou de um sonho. Contudo, as sensações pelo corpo, eram fortes demais, para serem ilusões criadas pela sua mente.
Quando, finalmente, teve coragem para abrir os olhos, sua primeira visão foi do seu loiro favorito sentado, com as costas apoiada na cabeceira da cama e um notebook sobre as pernas, ele parecia concentrado com o conteúdo do aparelho. Então, a perolada aproveitou para admirá-lo. Naruto estava tão lindo, que tirava o seu fôlego. Vestia apenas uma boxer e o cabelo bagunçado, como ela se lembrava.
— Bom dia, dorminhoca — o Uzumaki saudou, sem tirar os olhos da tela.
— Bom dia — ela devolveu o cumprimento com uma risada. Ele sabia que ela já estava acordada o observando — o que você está fazendo?
— Bom, pode não parecer, mas eu sou um homem muito responsável. Tenho que cuidar da minha empresa, preciso compensar por ter negligenciado a Rasengan nos últimos tempos — o loiro, por fim, escorregou suas safiras até a azulada — por culpa de um certo alguém, que tomava todos os meus pensamentos e continua sendo dona deles e de todo resto.
Hinata afundou o rosto no travesseiro escondendo um sorriso, pela declaração dele.
— Então, tenho que confessar que você não esteve sozinho nessa — ela admitiu, sua voz saiu rouca por ter acabado de acordar e abafada.
Todavia, ela soube que ele escutou, pois sentiu suas madeixas serem acariciadas com zelo.
— Me desculpe, tem tanto tempo que nós não acordamos juntos. Eu deveria ter feito uma surpresa, talvez um café da manhã. Mas, eu realmente precisei checar algumas coisas de trabalho.
Ela levantou a cabeça, antes de dizer:
— Não precisa se preocupar com essas bobagens. Tudo que importa somos nós. É difícil acreditar que estamos aqui, unidos de novo.Cheguei a pensar que isso nunca mais aconteceria.
— Eu também não. Se passaram anos, várias coisas aconteceram, nós não somos mais os mesmo. Porém, meus sentimentos nunca mudaram, por mais que eu tentasse me convencer do contrário.
A perolada se sentou na cama, deixando que o lençol escorregasse pelo corpo, revelando sua nudez. A mulher acariciou o braço masculino, o peitoral definido, guiou a mão para coxa dele.
O Uzumaki entendeu o recado e retirou o notebook do colo, o colocando no criado-mudo. Segurou o rosto da amada entre as mãos, sentindo a maciez da pele dela, antes de beijá-la com toda paixão. Ele suspeitava que jamais iria se cansar daquilo. Então, colou suas testas e aproveitou a sensação boa de tê-la ali, tão próximo. Naruto aproveitou para perscrutar cada detalhe de Hinata e comparar com suas memórias, ela não tinha mudado nada, exceto o corte de cabelo. Possuía as mesmas luas que tinham o poder de fazer seu coração parar numa batida, a pele de porcelana na qual ele gostava de percorrer com as palmas das mãos e as curvas generosas, que acabavam com qualquer vestígio de sanidade que ele poderia ter. O loiro percebeu que a azulada fazia a mesma coisa que ele e foi inevitável que ambos rissem, por terem sido flagrados.
— Senti sua falta, Hina-chan — ele confessou, arrancando um sorriso dos lábios femininos, por conta do apelido carinhoso, que usava no passado, para nomeá-la.
— Escutar você me chamar dessa maneira, me enche de nostalgia — a perolada constatou.
— Se lembrou que odiava, quando eu me referia a você dessa forma? — ele perguntou, num tom descontraído.
— Eu só fingia que não gostava, mas sempre me derretia por dentro — admitiu.
— Uau! Quem diria que você confessaria algo assim. Por mais que eu suspeitasse, tem um peso diferente ouvir da sua boca.
— Eu tinha muitas barreiras em volta de mim, porém você foi o responsável por derrubá-las, com a sua insistência e determinação inabalável — em outra época, seria muito difícil externar isso em palavras, contudo, ela aprendeu da pior forma, que não há nada pior do que se sufocar nos próprios sentimentos, sem poder desabafar com alguém.
— Parece que a minha determinação não foi tão inabalável assim, já que eu desisti de você — ele comentou sem esconder a amargura.
— Não se culpe por isso. Eu demorei para me dar conta e por mais que seja difícil dizer ou se conformar, talvez não era para nós estarmos juntos, naquele momento, tudo aconteceu para que a gente ficasse separado. Mas nós temos uma oportunidade nova, não é mesmo?
— Eu vou agarrá-la e fazer tudo para dar certo. Eu prometo — o loiro segurou a mão dela entre as suas.
— Sim, por isso, hoje mesmo, irei conversar com o Itachi — a expressão feminina demonstrava seriedade. Com certeza seria uma parte difícil, entretanto, Hinata estava disposta a enfrentar, por ela e Naruto e também por Itachi — ele não merece ficar no escuro.
— Claro, quase me esqueci do seu adorável marido — o Uzumaki não escondeu o desdém — me responda: você se arrepende do que fizemos?
— Não, jamais me arrependeria de fazer amor com você. Só não vou negar que me sinto culpada pelo Itachi, ele não merece ser enganado. Ele esteve ao meu lado, no pior momento da minha vida, me apoiando, sem nunca me forçar a responder perguntas, por mais que ele tivesse direito de saber.
— Esse é o problema, foi ele quem esteve ao seu lado. Foi ele que, viveu anos junto de você, como seu marido. Isso me mata! — exclamou irritado — eu sei que é irracional e até mesmo injusto, mas é mais forte do que eu. Vocês tiveram uma história. Eu sei que é egoísta da minha parte, mas não me peça para não ficar incomodado, quando você fala dele.
Então Hinata pôde concluir a cerne da questão: Naruto se sentia inseguro. Teve vontade de rir, no entanto, se controlou e resolveu fazê-lo enxergar a situação com clareza, para que nenhuma dúvida restasse:
— Seu bobo, o que eu sinto pelo Itachi é carinho e consideração. Nem se compara com os meus sentimentos por você. Uzumaki Naruto, loiro mais idiota e sorridente que eu já conheci, é o único homem que eu já amei, o único dentro do meu coração — ela sorriu e levou a mão dele para o seu peito.
— Me desculpe por ser um imbecil — o loiro riu e depois abriu um sorriso capaz de iluminar uma noite escura. Naruto não estava se contendo de felicidade pela declaração tão explícita de Hinata. Nem nos seus momentos mais otimistas, poderia imaginar que um dia, sua amada falaria tão abertamente sobre seus sentimentos — mas é que eu te amo mais do que tudo, você é a pessoa mais importante para mim.
— E eu também não sou nenhuma idiota, duvido muito que você tenha se mantido casto, por todo esse período — apesar de no fundo, se sentir incomodada com essa observação, sua entonação foi leve e descontraída.
— Bem, eu estava mais bêbado do que tudo e só permiti acontecer, porque ela me lembrava você, de alguma forma — o homem coçou a nuca envergonhado, com a mão livre.
— Chega disso! O que importa é que nós estamos aqui e agora. Não podemos mudar o passado, todavia, podemos compensar o tempo perdido — afirmou. Ela não queria que nada atrapalhasse os dois.
— Sim! — Naruto a beijou, demonstrando que não aguentava mais um segundo sem manter o contato entre seus corpos. A língua dele brincava com a dela e buscava espaço na boca deliciosa e viciante. A mão que continuava sobre o peito feminino, apertou o seio dela e recebeu em troca, um afago em seu membro, por cima do tecido da cueca.
— Eu me pergunto, qual o motivo de você está vestido — a mulher provocou, depois do beijo ser interrompido, por causa da falta de ar.
— Eu sou um moço comportado — ele fez uma fraca imitação de timidez.
— Entendi, então, talvez eu deva te ajudar com esse problema — a perolada fingiu inocência, antes de puxar o tecido que impedia o loiro de ficar nu. Ela o envolveu com as mãos experientes, sabendo a velocidade e força que deveria empregar, para fazer seu homem delirar de prazer.
O Uzumaki se inclinou para sua amada, apoiando o peso nos braços:
— Ah, Hina! — suspirou pela sensação que as mãos dela causavam no seu corpo. Aquela mulher poderia exigir qualquer coisa, que ele atenderia seus desejos com um sorriso no rosto.
O gemido que ele soltou, foi calado pelo beijo que recebeu, logo, o loiro deixou seus lábios escorregarem até os seios dela, rodeando o mamilo rosado com a língua, até fazê-lo ficar eriçado e repetiu no esquerdo, enquanto suas mãos continuavam trabalhando, pelo corpo feminino. Sua intenção era nublar os sentidos dela, deixar suas marcas no corpo da amada, queria que ela se sentisse fraca perante ele, da mesma forma que ele se sentia, por conta dela.
Todavia, Hinata o empurrou, para que se deitasse e ele obedeceu prontamente. A mulher se sentou e voltou a masturbá-lo, sem perder o contato visual, as safiras estavam escuras pela luxúria, mas não perdia a azulada de vista, estava fascinado pelos movimentos precisos de sua amante.
Os suspiros dele se transformaram em gemidos, no momento em que ela passou a usar a língua, lambendo, sugando e distribuindo beijos por toda extensão, incluindo o saco escrotal, sem nunca deixar de usar as mãos no comprimento. Ela voltou a sugar a glande e quando percebeu que o loiro estava próximo do ápice, o abandonou.
Antes que Naruto pudesse se sentir frustrado, pois Hinata se deitou de lado e levantou um pouco a perna, não foi preciso dizer qual era a motivação dela. O Uzumaki, rapidamente, se posicionou colando o corpo no dela. Passou um braço por baixo do pescoço feminino, dessa forma, pôde abraçá-la e ter acesso aos seios, colo e cabeça. Com a mão livre, guiou seu pênis ao encontro da intimidade da perolada, entretanto, antes de penetrá-la, ele pincelou a vagina até sentir que estava úmida o suficiente, porém, se manteve parado.
Logo, estava dentro dela e precisava ter muito controle, para não se comportar como um adolescente inexperiente. A mão esquerda passeava pelas curvas perfeitas de Hinata, causando arrepios na pele dela. O loiro direcionou suas carícias até o monte Vênus da mulher, desviando para a parte interna da coxa, até finalmente, tocar o pequeno local sensível, circulando os dedos no órgão de prazer feminino.
Só então, ele começou a se movimentar, era possível ouvir o som das peles se chocando, dos gemidos dela e dos seus grunhidos:
— Eu te amo tanto — sua voz rouca pelo prazer, sussurrou próximo ao ouvido dela. Ele segurou o queixo feminino e o virou, para que Hinata pudesse encará-lo. Naquele momento, ele soube que não se imaginava em outro lugar, que não fosse ao lado dela, por toda vida.
Safiras contra pérolas. Eles sorriram um para o outro, pois se sentiam como as únicas pessoas no mundo. Mais uma vez, criando uma realidade só deles. A conexão entre os dois era forte, intensa e verdadeira.
Não demorou muito para que atingissem o ápice juntos. O Uzumaki se retirou de dentro da amada. Todavia, iniciou uma carícia ritmada nas madeixas azuladas, fazendo Hinata sentir as pálpebras pesadas. Ela estava num estado de quase sono, quando ouviu um celular tocar:
— É o meu, não se preocupe. Volte a dormir — o loiro murmurou, carinhosamente, antes de atender a ligação.
Ela acabou dormindo satisfeita e quando acordou, não havia sinal do loiro pelo quarto. Portanto, decidiu tomar um banho, para acabar com qualquer vestígio de sonolência. Se sentiu bastante relaxada, por conta da água morna na pele, aproveitou para fazer sua higiene matinal e depois, preferiu usar uma camisa de Naruto, do que voltar a usar sua roupa do dia anterior. Além de mais confortável, poderia aproveitar o aroma masculino. Sentiu o estômago reclamar de fome, seu celular estava completamente descarregado, por isso, precisou recorrer ao relógio do criado-mudo. Se assustou ao constatar que já passava das onze da manhã.
Mas a surpresa veio, ao entrar na cozinha do apartamento e encontrar uma mulher loira.Conhecia bem as feições dela.
— Se você não se lembra de mim, sou a Shion — cumprimentou.
— É claro que me recordo — respondeu seca.
A loira acabou rindo, o que aumentou sua irritação.
— Se olhar matasse, eu já estaria estirada no chão — ela brincou.
— Não seria de todo mal — não simpatizava com ela. Sabia que estava sendo ridícula, até porque repreendeu Naruto por sentir ciúmes de Itachi.
— Caramba, quanta sutileza — manteve o tom leve, como se as duas fossem amigas em um momento descontraído — não irei me alongar, Naruto teve que sair e me pediu para trazer algo para você comer.
Só depois disso, é que a azulada reparou nos alimentos sobre a bancada.
— Obrigada — tentou ser educada.
— Bem, então, já estou indo — anunciou.
Hinata ergueu uma sobrancelha analisando Shion, antes que ela pudesse sair, se pronunciou:
— Você já transou com o Naruto? — questionou sem rodeios.
— Sim — a loira foi direta, não havia motivos para mentir — mas faz muito tempo, nós não temos mais nada, aliás, nunca tivemos um envolvimento amoroso ou caso. Sendo sincera, por um momento, acabei confundindo meus sentimentos. Hoje, tenho certeza que gosto dele como amigo e quero vê-lo feliz. Em relação ao Naruto, não precisa se preocupar, ele jamais teve olhos para outra mulher além de você.
A perolada absorveu as informações, dava para enxergar através do olhos da outra mulher, que ela dizia a verdade.
Shion foi embora em silêncio, nada mais precisava ser dito.
A azulada despertou, tinha sua vida para mudar, ainda naquele dia. Não podia se dar ou luxo de perder tempo, com determinação, resolver ver o que a trouxe. Havia torradas, geléia e frutas, além de café. Não se demorou muito na refeição, decidiu colocar suas roupas de voltar e ir para casa de sua mãe.
O trânsito estava, extremamente, calmo. Por isso, o táxi não teve problemas para deixá-lo no destino desejado. Quando, por fim, pôs os pés em casa, se surpreendeu ao ver sua mãe.
— Boa tarde — a Yuuhi saudou.
— Olá — a mais jovem devolveu — pensei que você estivesse no trabalho.
— Querida, hoje é feriado — a professora informou.
Kurenai não podia negar, estava curiosa para saber o que houve de fato entre Hinata e Naruto. Porém, jamais pressionaria nada, deixaria que ela contasse se tivesse vontade, afinal de contas, já era uma adulta. A princípio, quando não encontrou a filha em casa, ficou preocupada, no entanto, após receber a ligação dela, contando onde estava, se acalmou, pois sabia que nada de mau aconteceria à sua filha, estando na companhia do rapaz.
A mais jovem se sentou ao lado da mãe e a abraçou:
— Você sempre teve razão — murmurou contra os cabelos castanhos da professora.
— Sobre o que, exatamente? — perguntou, afagando as costas da filha.
— Sobre o Naruto e sobre tudo — contou.
— É mesmo? — ela incentivou a filha a continuar falando, já que a própria deu abertura para isso.
Os braços de Kurenai era o local em que ela mais se sentia amparada, desde que se entendia por gente. Porém, por mais que gostasse, se afastou, para olhar nos olhos avermelhados de sua progenitora. Precisava se abrir, aquilo faria parecer real, além do mais, sabia que sempre poderia contar com o apoio de Kurenai.
— Digamos que eu e o Naruto nos acertamos, resolvemos todos os problemas e desfizemos os mal entendidos. Eu sei como quero seguir a vida, daqui para frente. E por isso, preciso falar com o Itachi.
— Eu fico muito feliz em saber disso, sempre torci para que os dois fossem felizes — sorriu sincera, todavia, ficou séria — por falar em Itachi, ele esteve aqui ontem, a sua procura. Disse que não conseguiu contatá-la através do seu celular. Ele me parecia bem frustrado, assim que eu disse que você não estava em casa.
A perolada respirou fundo pela informação:
— Meu celular está, completamente, descarregado — abanou o aparelho entre as mão e se levantou, pegando o carregador em cima da mesa de centro, para conectá-lo.
— Já comeu? — a Yuuhi questionou.
— Sim — respondeu com um sorriso, era típico de sua mãe, fazer aquilo — só vou trocar de roupa, então irei conversar com Itachi, sobre o nosso futuro — beijou o rosto da mais velha, antes de ir para o quarto.
— Boa sorte, querida — a professora desejou, pois naquele momento, sentiu um sentimento ruim se apossar dela, como um presságio. Abanou a cabeça, para afastar qualquer sensação.
….
Naruto não queria ter de se separar de Hinata, se pudesse, continuaria deitado com ela em seus braços. Contudo, assim que recebeu a ligação esperada, precisou encontrar Nara Shikamaru.
Desde que soube da perda do bebê, do seu filho com a mulher que amava, possuía a certeza de que Madara tinha as mãos nisso, por mais que Hinata não houvesse entrado em detalhes, não iria forçá-la a nada, não agora que estavam se acertando, não queria despertar mais dor na dona dos olhos mais lindo que já viu.
A única pessoa que poderia ajudá-lo em sanar todas as dúvidas, era o Nara. Shikamaru, possivelmente, era a pessoa mais inteligente que mantinha contato, prova disso, era que trabalhava na organização, Toneri era criterioso e perfeccionista demais, para aceitar qualquer um.
Para falar a verdade, o Uzumaki conheceu o Nara na faculdade, o moreno frequentava a mesma classe que ele e Hinata. E se surpreendeu ao saber que Shikamaru fazia parte da equipe e que seu teste para ingressar, fora justamente, “tomar conta” dele por um tempo. Não sabia como o Nara conseguiu ser admitido, já que dormia mais do que prestava atenção em alguma coisa, que dirá nele. Mas, não precisava se esforçar muito para encontrar uma resposta decente: por mais preguiçoso que o moreno fosse, era eficiente e competente demais, para não ser aproveitado.
Chegou no centro de operações, que estava localizada numa linha antiga do metrô, o local era perfeito para não levantar suspeitas, já que ficava no subterrâneo da cidade e os túneis eram muito espaçosos, dando para acomodar todos.
O local tinha muitas pessoas, como de costume. Cumprimentou com um aceno de cabeça, os conhecidos que avistava. Até parar de frente a sala, onde sabia que estava sendo esperado. Bateu na porta, logo ouvir uma voz sonolenta, que conhecia muito bem, dizendo para entrar.
O local estava escuro, exceto pela fraca luz, que iluminava o cômodo precariamente, isso era por pura preferência do ocupante, já que existia lâmpadas dispostas ao redor do teto. A sala possuía um tamanho considerável, que comportava diversos monitores, uma estante abarrotada de livros e arquivos, um confortável sofá e de frente para porta, por onde passou, uma mesa com computador, notebook e mais alguns objetos, atrás dela, sentado com o rosto apoiado na mão, estava o Nara.
— Você demorou, eu poderia estar dormindo nesse momento — o Nara comentou desinteressado.
— Vim o mais rápido que pude, não custa nada ajudar um amigo. Você ainda tem o dia todo pelo frente — Naruto sorriu.
O moreno ignorou a fala dele e bocejou:
— Aqui tem o que você pediu, vou logo avisando que foi trabalhoso — Na verdade, não foi tão difícil assim, com as informações básicas de data e locais, foi possível hackear o sistema do shopping e do hospital — você deu sorte por eles ainda terem essas filmagens arquivadas, depois de tanto tempo.
— Você é o melhor, Shikamaru! Sabia que podia contar contigo — Naruto agradeceu, apesar de parecer tranquilo, estava ansioso pelo que viria a seguir.
— Problemático — murmurou a palavra tão característica — nós vamos acompanhar os passos de Hinata — ele digitou algumas teclas e a maior tela na sala, sintonizou numa gravação, no momento em que ela entrou no local,então, as imagens foram aceleradas, até que a jovem se distraiu com a vitrine de uma loja.
O coração do Uzumaki se apertou naquele instante, ao se dar conta de que era uma loja para bebês e crianças. Então, a câmera mudou, mostrando outro ângulo. Dava para ver um homem alto parada a pouca distância. E no exato momento em que Hinata olhou para trás e encontrou o homem, sua postura ficou rígida e por fim, se pôs a correr sem direção. Naruto sentiu toda angústia passar da cabeça aos pés, ao presenciá-la pisar em falso e rolar as escadas. Nunca se sentiu tão impotente em toda sua vida, não teve mais estômago para vê-la desfalecida no chão, fechou os olhos. E só voltou a abrí-los, ao ouvir a voz do outro homem se fazer presente na sala e ele se dar conta de que permanecia ali e não no maldito shopping em que Hinata se acidentou.
— Repare bem no rosto do homem — Shikamaru instruiu e o loiro o fez, a tela tinha a imagem com zoom — ele não é um desconhecido qualquer, não é mesmo? Esse cara faz parte da Akatsuki, mas antes disso, matou muitas pessoas em um culto, por causa do seu deus, além de ser envolvido com tráfico de armas. Se não me falha a memória, seu nome é Hidan.
— Já mostrou isso a alguém? — ele questionou, seu tom era frio e cortante.
— Ainda não, porém as coisas ficam mais interessantes — a tela mudou novamente e dessa vez, era um hospital, mais precisamente, a recepção.
Os punhos de Naruto se fecharam, tamanha a fúria que se apossou do seu ser. Teve que elevar seu controle aos limites, para que não quebrasse nada. E tudo isso, por conta da figura do maldito Uchiha Madara, que parecia um rei, na recepção do Senju. O desgraçado demonstrava seu complexo de superioridade, em sua expressão corporal ao falar por alguns minutos, com uma funcionária. Ela o levou até o elevador e o deixou em frente a um quarto e dessa forma, a transmissão terminou.
— Eu não preciso dizer qual paciente o Uchiha visitou, no mesmo dia em que Hinata se machucou e foi atendida no Senju.
— Tenho que falar com a Tsunade. Isso aconteceu no hospital dela e essa mulher tem que pagar pelo que fez — rondou indignado.
— Não vai adiantar de muita coisa. Essa funcionária do hospital, morreu na mesma semana do acontecido — o Nara informou.
Aquilo não trazia nenhum alívio para o Namikaze. Obviamente, Madara a descartou. Claro, o maldito se achava invencível, já que não se deu ao trabalho de destruir a captura das câmeras de segurança.
— Quero falar com o Toneri — estava decidido.
— Isso também não será possível — Shikamaru bocejos mais uma vez — Toneri está em reunião desde cedo, ninguém aqui sabe com quem ele está falando — era claro que o Nara tinha suas suposições, entretanto, não iria dividi-las.
— Obrigado! — o Uzumaki agradeceu e deu as costas para sair, no entanto, estava determinado a não ir embora, antes de falar com o Otsutsuki.
….
Não que se sentia só, porém, começava a acreditar que aquela mansão era grande demais para apenas ele. Havia muitos cômodos sem serem habilitados e ele passava a maior parte do tempo, dividido entre o quarto e o escritório, o segundo, era o local preferido e mais utilizado para pensar e arquitetar seus planos.
Havia acabado de tragar um dos seus charutos, enquanto lia o jornal do dia, para se atualizar, desfrutando do silêncio do seu escritório. Também já tinha se informado, se as ações das Indústrias Uchiha, passaram por alguma oscilação. Afinal de contas, zelava por aquele Império, acima de tudo.
No entanto, seu momento de reflexão, fora interrompido pelo barulho da porta de seu escritório sendo aberto. Quando o patriarca da família Uchiha visualizou o intruso, não esboçou surpresa, porém, arqueou a sobrancelha.
— Bem, parece que não deu muito certo — Obito riu e jogou a cabeça aos pés do velho — Parece que o grande Madara já não possui mais controle da sua própria organização.
— Ah sim, porque você terá o controle de todos, assim como teve do Hidan — fitou o pedaço do homem com indiferença — Além do mais, Nagato jamais permitiria uma sandice dessas — o mais velho era perspicaz demais, para não entender o que aquela insinuação significava.
— Eles ficarão do meu lado, sabem que eu sou melhor que podem ter. Nagato não passa de um medíocre medroso e traidor — Óbito não era estúpido, sabia bem quais eram as intenções do Uzumaki, que mais indiferença aparentava, jamais esqueceu na morte de sua irmãzinha. Em um momento ou outro, tentaria se vingar.
— O Uzumaki é cauteloso e calculista, ao contrário de você, um imbecil que sempre coloca vinganças todas em primeiro plano, ao invés de se ater ou necessário.
— Papai, o senhor sempre me subestimando e tendo certeza que sempre está certo — desdenhou, pois sabia que aquilo irritava o velho, profundamente.
— Não me chame de pai, meu único filho morreu — o único que tinha o direito era Fugaku, porém seu amado filho já havia partido.
— Não adianta dizer isso, continuo sendo seu filho, a partir do momento em que você fodeu com a minha mãe sem se prevenir — sorriu zombeteiro.
— Fico me perguntando como alguém com meu material genético, pôde ter nascido tão inútil como você. Até mesmo sua mãe, uma prostituta, era alguém mais notável — Madara se questionava, se havia perdido o juízo, na época em que pensou no bastardo como um pupilo que faria de braço direito. Entretanto, Óbito era tudo que o Uchiha detestava. Só não se sentia frustrado, de fato, pois Itachi compensava qualquer coisa, era o herdeiro perfeito.
— Quanta previsibilidade! Já sei de cór e salteado, esse discurso de que até um saco de lixo, é mais valioso para você, do que eu — simulou estar ofendido e colocou as mãos sobre o peito.
— Veio aqui para se lamúrias e interpretar o papel de pobre rejeitado? — detestava as gracinhas dele.
— Papai, o senhor mandou me matar. Se esqueceu? Não imaginava a idade estava afetando sua memória — poderia rir pelo teatro, não poderia negar, tinha talento para atuar.
— E vai fazer o que? Me matar em retaliação? Acha mesmo que eu tenho medo da morte — o mais velho provocou e não estava mentindo.
— É claro que não. A morte não faz diferença para o senhor, assim como não faz para mim. Mas eu sei o que é importante e o que fará com que me pague, por todos esses anos. Sabe, estive pensando se deveria fazer ou não, porém, papai, não me deu escolha, depois do que aconteceu — Obito esclareceu.
— Zetsu! Zetsu! — Queria que aquele inútil sumisse da sua frente.
— Não vai adiantar chamar pelo seu capacho. Ele nunca mais vai poder te servir — foi tão satisfatório matar o criado, só não foi melhor, pois não teve tempo para torturá-lo.
— Vá embora, já perdi tempo demais com você. Na verdade, deveria ter me livrado de você, antes de nascer — admitiu, se tivesse feito, teria poupado aborrecimentos.
— Sim, irei. Tenho que destruir seu legado, seu nome e seu netinho. Azar o seu, por não ter aproveitado a oportunidade e sorte a minha.
Pela primeira vez, Madara ficou, verdadeiramente, preocupado. O que não passou desapercebido pelo filho.
— Viu, como você me subestimou. Acertei em cheio no seu ponto fraco — sorriu vitorioso.
— O que você quer, maldito? — como ousava fazê-lo perder o controle daquela maneira. O Uchiha se recusava a acreditar que pudesse estar naquela posição de inferioridade perante ao bastardo.
— Já expliquei, vou apagar seu nome da história — riu — e você não vai poder fazer nada. Quem é o verdadeiro inútil agora?
Se dirigiu a porta, então ouviu um baque no chão e viu a cena mais hilária e prazerosa que poderia existir: o grande e poderoso Madara caído no carpete, se rastejando, tentando alcançá-lo. Explodiu em gargalhadas, aquilo era melhor do que poderia ter imaginado.
— Aproveite a viagem para o inferno, papai. Nós encontraremos lá, algum dia — Obito não tinha dúvidas, se existia um paraíso, eles jamais teriam acesso.
Bateu a porta do escritório, mas conseguia ouvir os berros que somavam com música aos seus ouvidos:
— Obito, volte aqui! — velho ainda achava que possuía algum controle. Saboreou o momento sublime.
Seria muito divertido deixar que Uchiha Madara pudesse ver seu nome destruído, contudo, não daria a chance do desgraçado atrapalhar seus planos, não cometeria os mesmos erros do velho. Já teve que aguentá-lo por muito tempo, agora não responderia a mais ninguém, apenas aos seus desejos.
E no momento, sua maior vontade, era ver o fogo. Por isso, assim que pôs os pés para fora da exuberante construção arquitetônica da mansão Uchiha, retirou seu isqueiro favorito do bolso, o riscou e jogou para trás. Não demorou muito para que as chamas tomassem conta de tudo, já que havia derramado gasolina em volta da casa, para que o fogo se alastrasse mais rápido e também teve o cuidado de destruir o sistema contra incêndios da casa e de se livrar de todos os empregados que trabalhavam naquele dia. Ninguém ajudaria o velho.
Se virou para contemplar sua obra de arte. As chamas eram tão belas, dançando como jovens puras e inocentes.
Insano.
Ele tinha a plena consciência de que era insano.
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