Hinata

37 Fim De Jogo


Notas iniciais
Mil perdões pela demora. Dessa vez, não demorei só por falta de tempo, mas enrolei para escrever, porque inconscientemente, não queria chegar ao fim dessa história. E também porque a ultima parte do capítulo foi difícil de escrever.

Não teve dificuldade para entrar no prédio, já que era de conhecimento geral, o seu sobrenome Uchiha, mal sabiam os seguranças, que ainda o teria por pouco tempo, se tudo ocorresse como o planejado. O local que sempre estava cheio, agora se encontrava vazio, isso agora fazia sentido, após ser informada pela mãe sobre o feriado.

Mas conhecendo seu esposo, tinha ciência de que ele estava ali, porque não existia nada que Itachi mais amava, do que o trabalho, ele se permitia ficar em casa por pouco tempo e agora que estavam morando separados, tinha certeza de que o homem passava mais tempo em seu escritório, do que no lar que construíram.

Respirou fundo, chegando ao fim da sua caminhada, estacou em frente a porta. Percebeu que não havia secretária para anunciá-la, portanto, bateu na superfície de madeira e esperou até ouvir que poderia entrar.

Sua certeza não havia lhe abandonado, porém, sentiu um leve temor se apossar de seu corpo, as mãos suadas e trêmulas, denunciavam sua ansiedade. Estava prestes a mudar sua vida para sempre, fechar um ciclo dela e criar um novo. Isso era mais assustador do que poderia imaginar, já que não era apenas sobre ela, aquilo também teria impacto direto na vida de outras pessoas.

A azulada demorou alguns segundos, além do normal, para se recompor, finalmente girando a maçaneta e colocou seus pés dentro da sala.

Ela encontrou o homem sentado em sua cadeira, ele tinha olheiras mais acentuadas do que o normal, a mulher percebeu. Quando o moreno se deu conta de sua presença ali, se levantou em sua direção. O cumprimento entre os dois foi desajeitado e estranho, ambos ficaram um tanto desconfortáveis com o abraço. Nada de beijos, pareciam apenas dois conhecidos e em nada lembravam um casal.

— Oi — a azulada iniciou o diálogo, com a simples palavra, depois que eles se afastaram.

— É bom que você tenha vindo — ele comentou, como se estivesse pensando em algo importante.

— Eu preciso falar com você — respondeu menos firme do que pretendia.

— Isso é bom, também necessito conversar contigo — ele respaldou sua fala, voltando a se sentar e indicando a cadeira para que a perolada fizesse o mesmo.

— Ah, sim! Minha mãe me informou de que você me procurou — ela imitou a ação dele, ficando frente a frente, com a mesa entre ambos.

— E então? — ele incentivou a mulher a começar, por mais que quisesse se expressar, ainda era um cavalheiro e cederia a primeira fala para ela.

Para ser sincero, foi bastante satisfatório que Hinata tivesse ido ao seu encontro, assim poderiam resolver a situação deles, de uma vez por todas. Yugito tinha razão em ter lhe dado um ultimato, foi bom para que pudesse acordar e deixar de ser um acomodado. As coisas não poderiam continuar da forma insustentável que se seguia.

Hinata colocou suas mãos em cima da mesa, as fitando como se fossem mais interessantes do que qualquer outra coisa. Por fim, levantou o olhar, percebendo que detinha toda atenção das ônix perscrutadoras.

— Antes de qualquer coisa, quero que saiba que tenho um carinho enorme por você e tudo que nós vivemos, foi muito importante na minha vida…

O moreno balançou a cabeça em concordância, ele havia entendido onde ela queria chegar, estava disposto a ajudá-la, já que parecia ter dificuldade.

Ele tocou às mãos dela com carinho.

— Digo o mesmo de você. Mas não precisa medir suas palavras por medo de me magoar ou algo do tipo. Acredito que estamos de acordo, que nossa relação já não é mais a mesma e chegou o momento de seguirmos nossas vidas em direções opostas.

A azulada sorriu para ele, era verdade que se sentia mais leve por saber que estavam em sintonia, acerca do assunto. Poderia até encerrar a conversa por ali mesmo, de maneira fácil e cômoda. Contudo, não seria justo continuar escondendo tudo, queria sair daquela sala de cabeça erguida e com a consciência limpa.

Depois que eles quebraram o contato físico, Hinata trouxe sua a mãos até o colo, para tentar dar apoio a si mesma.

— Há alguém.. — ela voltou a se pronunciar — eu o amo.

— Não posso te julgar, também tenho outra pessoa — ele assegurou.

— Isso é bom — a perolada sorriu mais uma vez, era genuíno, contudo, voltar a ficar séria, algo que não passou despercebido pelo moreno.

— O que houve? — o bom questionou, pois não compreendeu o porquê dela continuar com aquela áurea pesada, mesmo após as confissões dos dois.

— O que houve, Itachi, é que existe muito mais coisas envolvidas nisso, não é tão simples como você pensa — respondeu, fazendo o homem, abandonar o semblante leve, por um mais sério, parecido com o que a perolada sustentava — Nós nos conhecemos quando você viajou para Londres, eu o amo desde aquela época, mesmo durante nosso casamento…

— E por que você aceitou se casar comigo, então? — dessa vez, foi possível notar o tom de voz um tanto ressentido. Além de tê-lo deixado intrigado, também sentiu uma pontada no ego, não poderia negar

Esse era o momento em que precisava ser mais forte, Hinata sabia disso. Tentou imaginar qual seria a reação do moreno, diante da verdade, entretanto, em todas elas, parecia doloroso demais. Não queria decepcionar alguém que sempre fora gentil e generoso com ela. Todavia, tudo aquilo era necessário e fazia parte de um bem maior, pelo menos, era nessa ínfima partícula de esperança, que tentava se agarrar, desesperadamente.

— Porque eu não tive escolha — confessou.

— Como assim? Juro que estou tentando te entender, mas não consigo. Me explique, pois estou no escuro — o homem interviu.

— Você não achou coincidência demais, assim que pôs os pés em solo nacional, recebeu uma ligação do hospital, informando que eu estava internada? Não acha que seria mais coerente, entrarem em contato primeiro com a minha mãe? — ela levantou as hipóteses.

— Naquele momento, não pensei em nada disso. Talvez não conseguiram se comunicar com a sua mãe, mas só me preocupei com seu bem estar. Pelo que você está sugerindo, existe algum propósito nisso, quero saber o que tem a ver com você ter sido obrigada a se casar comigo — o moreno concluiu, dessa vez não havia ressentimento em sua voz, mas sim uma curiosidade latente.

— O seu avô me procurou — a azulada viu os ônix se arregalarem, pela menção ao patriarca Uchiha — na verdade, um de seus capangas me seguiu com a intenção de me levar ao encontro do velho Madara, porém me assustei e acabei me acidentando. Mas isso não o impediu de ir ao hospital e exigir que eu agisse de acordo com as suas ordens.

— Espera, isso… isso é muito grave — ele exclamou! Itachi sabia como o avô era implacável se tratando do legado do nome Uchiha, todavia, seria capaz de usar um subterfúgio tão baixo assim?

— Ele garantiu que você viria me visitar — a perolada falou como se não houvesse sido interrompida pelo moreno — e eu apenas deveria começar de onde paramos, que você, com certeza, iria reatar nosso relacionamento — parou por um momento, como se tivesse revivendo as memórias daquele dia — nada aconteceria com as pessoas que eu amo, desde que seguisse as ordens dele. “Itachi é meu herdeiro perfeito, porém não me escuta. Já você, exerce uma estranha influência sobre ele. Você será meu instrumento”, acho que foram essas as palavras dele ou algo muito perto disso.

O homem permaneceu em silêncio, tentando absorver aquilo. Agora ele tinha certeza de que Hinata falava a verdade, era típico de Madara falar daquela forma, só quem convivia com o avô, poderia saber. Então, como se sentia a respeito? Tinha raiva? Talvez, entretanto, a sensação de ter sido usado, se destacou entre todas.

— Você compreende o motivo por eu estar tão receosa? Foi difícil te dizer. Sei que não tenho direito de exigir nada, mas por favor, não me odeie e nem me despreze — ela deixou algumas lágrimas escaparem, contudo, secou todas.

Ele a fitou sem expressão, antes de dizer mais baixo do que o normal:

— Você pode me deixar sozinho?

A jovem apenas acenou em positivo, se levantou e deu as costas, mas antes de sair, se virou mais uma vez para fitá-lo, ele parecia perdido, no entanto, tratou de discorrer:

— O que nós vivemos, não foi uma mentira. Não se esqueça disso.

Quando ela fechou a porta atrás de si, pôde respirar aliviada, como se um grande peso tivesse saído de seu ombros. Era tão bom falar a verdade, colocar para fora, aquilo que estava há tanto tempo guardado, sempre remoendo sua alma.

Hirata caminhou até o elevador, porém se deteve, pois viu que ele estava sendo usado, a pessoa subiria em estantes, então, ela finalmente poderia voltar para casa e encontrar Naruto depois.

No entanto, quando as portas se abriram, revelando quem o usava, ela desejou que a caixa metálica, nunca tivesse chegado ao destino. Tentou gritar ou se mexer, porém mal conseguia piscar, estava paralisada.

— Que surpresa agradável — ouviu aquela voz jocosa, iria reconhecê-la mesmo que se passasse séculos.

….

— Confesso que estou surpreso com a sua presença aqui — Toneri proferiu.

O albino não mentiu, aquela era apenas a segunda vez em que Uzumaki Nagato colocava os pés, a primeira foi quando o próprio Otsutsuki trouxe o ruivo para conhecer o centro de operações, por outra passagem que nem mesmo seus agentes conheciam. Tudo isso para manter a identidade da fonte dentro da Akatsuki anônima, fora uma exigência de Nagato, porém Toneri também concordava, quanto menos pessoas soubessem, mais difícil seria o vazamento de informações, não que o albino não confiasse nas pessoas subordinados, todavia, todo cuidado era pouco.

E por falar em confiança, não destinava aquele sentimento ao ruivo. O homem era um terrorista e embora tivesse colaborado muitas vezes, evitando viários atentados e atrocidades cometidas pelos “nuvens vermelhas”, o Otsutsuki sabia que o Uzumaki escondia muitas outras informações. Se por um lado, ele sabia que era necessário para não levantar suspeitas, por outro, tinha a sensação que o homem tinha má vontade em acabar com a Akatsuki de vez. Possuía o conhecimento de que a organização criminosa, não havia sido criada com esse intuído, porém, o melhor amigo do Uzumaki fora assassinado e tudo mudou drasticamente.

Todavia, contrariando todas as expectativas, os dois criaram uma boa relação, dentro das possibilidades que existiam. Sempre houve um espécie de respeito mútuo, que prevalecia acima dos papéis antagônicos que eles interpretavam: o policial e o bandido. Porque no fundo, eram homens atormentados pelos mesmos problemas. Viviam em perigo constante, não poderiam constituir família, nunca poderiam confiar em alguém ou ser totalmente sincero.

— Para mim também. Acredite, foi difícil vir aqui — o ruivo sentiu a mão de Konan sobre seu ombro, numa clara tentativa de lhe dar apoio.

Ele levantou a cabeça e a viu em pé, ao lado da cadeira em que estava sentado. A mulher era a pessoa que mais o conhecia em todo mundo. Queria saber o que tinha feito para merecê-la, mesmo que a ação que iria praticar, fosse machucá-la, era possível ver que o olhar dela transmitia apenas compreensão. Como poderia entendê-lo tanto? Doar tanto de si mesma, sem receber nada para ela em troca, apenas o desejo dele de honrar a memória da irmã falecida de alguma forma? Então, por Kushina e por Konan, seria forte, pois não tinha o direito de fraquejar. O Uzumaki não se sentiu tentado a desistir por medo do que aconteceria consigo próprio, mas sim pelo sentimento tolo, que os primeiros anos de criação da Akatsuki representavam.

— Bom, então devo imaginar que você tem um ótimo incentivo para motivá-lo — Toneri constatou, ao perceber a troca de olhares entre o ruivo e a mulher de chamativos cabelos azuis.

Nagato deu um pequeno sorriso, que não chegou aos seus olhos, entendendo pelas entrelinhas, o comentário do Otsutsuki, era claro: “seja direto”. O Uzumaki também não tinha a mínima vontade de continuar procrastinando a situação. Ele retirou um pendrive do bolso e colocou em cima da mesa.

— O que significa isso? — Toneri indagou curioso.

— Nesse pendrive existe os nomes de todos os membros da Akatsuki, todas as operações feitas e planejadas, todos os locais que usamos e alguns vídeos interessantes — o ruivo relatou sem demonstrar qualquer sentimento, não se importava nenhum pouco se fosse preso ou morto, ele merecia muito mais.

Aquilo era um truque ou brincadeira? O Otsutsuki quase perguntou se estava participando de algum tipo de pegadinha, talvez tivessem câmeras escondidas filmando sua reação. Era óbvio que o pensamento que passou pela sua mente, fora estritamente irônico. Mas a sensação de perplexidade e incredulidade era bastante reais e também não era para menos, se Nagato estava falando a verdade, o pequeno objeto à sua frente, possuía tudo que almejada durante toda sua vida. Portanto, ele precisava, de imediato, checar se era verídico. Antes que pudesse avançar a tempo, o outro homem se apossou do pendrive.

— Claro! Eu deveria me lembrar que existem condições — expressou frustrado por não se atentar a algo tão básico em sua profissão.

— Sim, existem! Todavia, são apenas duas — o Uzumaki impôs e estava irredutível quanto aos seus termos, também percebeu que o outro homem se mantinha atento às suas exigências — a primeira é de que o filho de Kushina, jamais saiba da minha existência.

— Concordo — até ali, era simples, o albino pensou — e qual é a outra?

— Konan sairá ilesa — ao ver o olhar do policial se estreitar, continuou — em compensação, você poderá ter todos, inclusive a mim — ouviu o sapato da mulher bater contra o chão, se bem a conhecia, ela estava se controlando para não discordar dele. No entanto, antes que pudesse fazer algo, o Otsutsuki tomou a palavra, mais uma vez.

— Por que você está fazendo isso? — perguntou, desejando uma resposta sincera.

— Nessa madrugada, Hidan tentou matar Obito, porém ele é quem acabou morto — seu tom demonstrava o quão todo, achava o homem — Hidan só faria algo do tipo, se o próprio Madara ordenasse — explicou — Eu conheço Obito, sei que depois do ocorrido, haverá retaliação, além do mais, se o que eu ouvi, for verdade, Obito vai tentar algo grande. Quero que isso tudo tenha um basta e que os eventuais danos, sejam minimizados.

O Otsutsuki o fitou, profundamente, como se estivesse decidindo algo:

— Eu acredito em você — estendeu a mão para o ruivo, que o cumprimentou, dessa forma, firmando o acordo entre eles.

No entanto, foram interrompidos, pelo celular do albino, que tocara. Ele pediu licença e se afastou para atender.

Nesse momento, Konan se ajoelhou ao lado de Nagato.

— Você não pode fazer isso, as coisa não podem terminar assim. Se você vai pagar pelos seus pecados, eu também tenho que ser punida — ficou calada por todo aquele tempo, precisava dizer o que sentia e quem sabe assim, seu amigo de infância pudesse repensar.

— Não adianta dizer nada e nem se sinta triste ou frustrada, não irei desistir. Eu deveria ter feito há tempos — secou a lágrima de escorria do olho esquerdo dela — escute, você será muito mais útil de outra forma, do que presa. Faça nossos sonhos, meu, seu e de Yahiko, se tornar realidade. Cuide de crianças e adolescentes desprotegidos. Aqui, ou em outro país, não importa, seu nome vai estar limpo, me garanti disso. Também existe uma conta em que reuni uma quantia considerável, para custear todos os gastos do projeto.

— Você pensou em tudo, não foi? — ela sorriu num misto de tristeza e nostalgia. Porém, agora, existia uma pequena pontada de esperança crescendo nela.

— Sim, tive muito tempo para isso — ele retribuiu o sorriso.

Toneri voltou com a expressão séria, denunciando que sua ligação não fora nada boa.

— Fui informado agora, que a Mansão Uchiha está em chamas, a polícia e os bombeiros já foram acionados — sua voz era dura, pelo que soube de Nagato, não era muito difícil imaginar quem fora o responsável pelo incêndio, até porque, era marca registrada do louco.

— Confesso que estou surpreso pela atitude de Obito — o ruivo suspirou — Madara era o único que o “segurava”, se ele foi capaz de matá-lo, se tornou um perigo maior do que já é. Se você me permite, aconselho que sua equipe vá para sede das Indústrias Uchiha. Obito se gaba de me conhecer, mas eu também o conheço. Ele sempre odiou tudo que representa o nome Uchiha e por consequência, o neto de Madara. Bom, posso estar enganado…

— Não, você tem razão, é melhor nos prevenir. Talvez hoje conseguiremos pôs as mãos nele — comentou decidido — É melhor sua amiga ir embora, daqui a pouco, alguns agentes irão buscá-lo.

Antes de sair da sala, pôde vê-los se abraçando. Mas aquilo não o importava, precisava mesmo, era de organizar sua equipe.

O Otsutsuki se posicionou no centro área comum, chamando atenção de todos os subordinados, que estavam presentes. Eles sabiam que a atitude do chefe só poderia significar alguma coisa: iriam participar de alguma ação. Todos permaneceram atentos e Toneri sentiu uma pontada de orgulho, que não iria externar. Então, viu uma cabeleira loira se aproximar afoita e ele apenas suspirou

Naruto saiu da sala de Shikamaru, disposto a se encontrar com Toneri. Ele iria direto para o escritório pessoal do albino, contudo o homem entrou em seu campo de visão, facilitando seu trabalho. Sem cerimônias, caminhou em passos rápidos, até o seu destino.

— Eu preciso falar com você! — o loiro exclamou.

— Olha, não tenho tempo agora — o outro explicou.

— Mas é importante, é sobre algo que descobri sobre o Madara, com a ajuda do Shikamaru — tentou fazer o policial entender.

— Na verdade, qualquer coisa que você descobriu, já não deve mais fazer diferença. Madara está morto — contou, pensando que seria o necessário para fazê-lo parar.

— Isso é verdade? — o Namikaze não sabia como se sentia a respeito. Tentou se convencer de que o velho, de fato, estava morto e não seria mais um perigo, o homem que destruiu sua família. Foram tenros anos imaginando como poderia derrotá-lo, então acaba assim? Sem que ele nem precisasse fazer nada?

— Sim. O velho não importa mais, porém o nosso foco agora é outro. Podemos pegar filho bastardo dele, você sabe como Obito é tão perigoso quanto o pai. É por isso que você vai me deixar comunicar a nova operação ao pessoal — ele tratou Naruto, como se estivesse falando com uma criança.

Só naquele momento, o loiro prestou atenção à sua volta e percebeu que todos olhavam para eles, esperando o chefe se pronunciar. Naruto se deu conta de que estava atrapalhando, porém tinha uma pergunta a ser feita:

— E você tem certeza mesmo, onde achar esse cara? — ele queria saber, porque tinha esse direito.

Toneri respirou fundo para manter a paciência pelo tempo perdido, é claro que entendia a necessidade do Uzumaki, porém não impedia que se sentisse irritado por ver o mesmo Naruto que conheceu há anos atrás.

— Confio no que minha fonte me disse, se tudo der certo, o maluco do Obito vai atrás do neto de Madara, mas nós estaremos um passo a frente. De acordo com os nosso psiquiatras, o bastardo é como pai, se acham mais inteligentes e subestimam os outros — ele terminou com o loiro se virou para todos seus agente e começou a explicar a missão e delegar suas funções, sem dar mais atenção para o mais jovem.

Depois de ter ouvido a fala do albino, esqueceu de onde estava, era como se o solo tivesse se partido sob seus pés e ele se encontrava em queda livre. Se o tal Obito estava atrás de Itachi, significativa que Hinata estava em perigo. Sentiu medo e também fúria. Estava com raiva de Itachi, por ser culpado indiretamente disso, sentiu raiva do louco desgraçado e principalmente, sentiu raiva de si mesmo, por não ido com ela e a protegido. Jamais se perdoaria, se algo acontecesse com sua Lua.

— A Hinata está com Itachi — disse para Toneri, segurando o homem com firmeza, pelo braço — eu irei com vocês — seu tom demonstrava que não seria contrariado.

Iria até o Inferno por Hinata e não conseguiria imaginar o que era capaz de fazer, se alguém tocasse num fio de cabelo azulado.

….

Embora tudo permanecesse na mais perfeita calma, Kurenai sentia uma inquietude dentro de si, desde que a filha saiu de casa. Deveria estar apenas aliviada e orgulhosa pela filha ter decidido seguir o próprio coração, sua menina seria feliz com o homem que amava, alguém que, como mãe, aprovara há muitos anos atrás, o rapaz respeitava, valorizava e principalmente, amava Hinata.

Contudo, a sensação ruim continuava se propagando pelo seu corpo, por mais que tentasse se convencer de que tudo estava certo, no fundo, a Yuuhi sabia que seu instinto nunca falhara, todas as vezes que pressentia algo, pouco tempo depois, se concretizava, ainda mais quando se tratava de sua filha, seu bem mais precioso e amado.

Respirou fundo tentando ocupar a mente, já que sofrer por antecipação, não resolveria muita coisa. Trouxe seu notebook para o colo e tratou de conferir a planilha que criou para o novo semestre, guardava ali todos os planejamentos das aulas, atividades especiais, trabalhos e provas programadas ao longo dos meses. Acabou não se demorando ali, estava mais perfeita ordem, constatou.

Optou por ligar a tv, em busca de algum programa ou filme que a lhe agradasse, ao trocar os canais, acabou parando no telejornal, após perceber as imagens da sede das Indústrias Uchiha, havia uma grande confusão na entrada do prédio, que mesmo isolado, não impedia curiosos e jornalistas de estarem ali. Ela aumentou o volume para poder ouvir a repórter:

— A polícia não quer nos dar detalhes do ocorrido, mas de acordo com a minha fonte, a família Uchiha é alvo de ataques. Após o incêndio na mansão centenária, que vitimou o ilustre Uchiha Madara, agora, o criminoso, conhecido com Tobi, se virou para empresa da família. Não se sabe qual sua motivação, porém, segundo a apuração das autoridades, o ato dele, nada tem ligação com o grupo terrorista Akatsuki, ao qual faz parte. Seria o neto de Madara, a próxima vítima de Tobi?

Kurenai nem deu mais atenção a fala da mulher, deixou o controle escorregar de suas mãos. Hinata estava lá, correndo perigo. Ela precisava fazer alguma coisa, tinha que saber se sua menina estava bem e segura. Pegou seu celular e discou o número de Hinata, no entanto, para sua infelicidade, ouviu o toque e se recordou que a filha havia deixado o aparelho carregando a bateria.

A professora tremeu nervosa, mas entendia que naquele estado, não seria capaz de nada. Respirou tentando manter uma linha de raciocínio. Então se lembrou de Hiashi, estava tão acostumada a ser a única responsável por sua menina, mal pensou que a filha tinha um pai, que agora poderia dividir toda aquela carga com ele. Além do mais, o Hyuuga deveria saber do que se passava.

Aproveitou o que seu celular continuava nas mãos e ligou para o homem, que atendeu ao terceiro toque:

— Kurenai? — Hiashi saudou indeciso, por mais que a mulher tivesse seu número, ela nunca havia ligado para ele, sobretudo, estava curioso — aconteceu alguma coisa?

— Sim, Hiashi… eu estou desesperada — fungou — a Hinata corre perigo, a minha filinha… — a Yuuhi sabia que deveria se controlar para explicar melhor a situação, no entanto, seu corpo não respondia.

— Espere por mim, estou chegando aí, o mais rápido possível — respondeu ao reparar no estado dela.

Hiashi abandonou todos os compromissos, inclusive interrompeu a videoconferência com o sobrinho. Por conta do feriado, as ruas estavam vazias, facilitando sua locomoção até o apartamento da Yuuhi.

Quando chegou no andar em que ela morava, a professora o esperava no batente da porta, olhando para o nada.

— Kurenai! — chamou para despertá-la. Partir seu coração, vê-la.tão indefesa, torcendo as mãos pelo nervosismo e desprotegida.

Ela entrou dando passagem para o Hyuuga, o homem segurou as mãos trêmulas e suadas, antes de dizer:

— Estou muito preocupado, me conte o que aconteceu — sua voz era baixa e suave como uma brisa, tentava demonstrar apoio e fazê-la se sentir confortável.

— Eu vi na tv, que um criminoso perigoso, um tal de Tobi, está nas Indústrias Uchiha, a polícia e a imprensa também — respirou para continuar — especularam que esse homem tem como alvo Itachi. Mas a Hinata foi para lá, deve estar com o marido e… e se acontecer algo com a minha filha? — ela desatou a chorar.

Hiashi se sentiu furioso pela notícia, manteve a calma diante da professora:

— Você não está sozinha. Nós vamos resolver isso — tocou nos ombros dela, apertando com carinho — preciso entrar em contato com um amigo, mas é melhor você se sentar e se acalmar — levou a mulher para o sofá e se afastou em direção a sacada do apartamento, de lá, fitou Kurenai cabisbaixa e entretida com os próprios pensamentos.

Aproveitando da distração dela, sacou o celular do bolso interno do paletó e ligou para Toneri, que demorou mais que o esperado, para atender.

— Hiashi — cumprimentou.

— Quando eu iria ser informado do que está acontecendo? Estou, completamente, no escuro — comentou ríspido.

— Me desculpe, as coisas aconteceram sem um planejamento prévio. Vi uma oportunidade e não pude perder — o albino estava tão satisfeito, muito fora do habitual — Nagato me procurou, entregou a Akatsuki, claro, com pequenas condições, mas você tem noção do que significa isso? E para completar, no meio da nossa reunião, recebi a informação de que Madara foi morto pelo Obito. Nagato acabou dando um palpite de que, existia a possibilidade do bastardo tentar atingir o neto de Madara. Nagato estava certo, afinal.

— Acredito que a sua euforia não está deixando você assimilar as coisas — a voz do Hyuuga era gelada — você tinha o dever de informar, não importa as consequências. Eu soube disso pela mãe da minha filha, que por sua vez, assistiu pela televisão estou na casa dela, nesse momento. Se a imprensa já está cobrindo o caso, é porque vocês já o resolveram, pelo menos, eu espero isso. Kurenai está desesperada e eu também, por mais que eu não demonstre. Quero saber da minha filha. Como ela está? Você a viu?

— Hiashi, perdão por ter sido antiprofissional ou ter parecido não me importar — o tom do Otsutsuki estava sério, sem qualquer vestígio, da diversão de outrora — vi sua filha sim, ela está bem, um pouco abalada e aérea, podemos tirá-la daqui, sem que a imprensa a veja.

— Não, eu mesmo irei, claro, sigilosamente — informou — manteremos contato — desligou, era o suficiente.

Voltou para salar, onde a mulher permanecia no mesmo lugar. Se sentou ao lado dela e tomou a mão feminina, criando círculos imaginários.

— Hinata está bem — o Hyuuga comunicou.

— Você tem certeza disso? — Kurenai o fitou, em busca da verdade.

— Sim — respirou fundo, por conta do olhar avermelhado tão próximo ao seu — meu amigo policial, que, por coincidência, está trabalhando no caso, me garantiu.

A professora, imediatamente, relaxou os músculos do corpo.

— Obrigada, Hiashi! Não saberia o que fazer sem você aqui — confessou.

— Não precisa me agradecer, não fiz mais que minha obrigação como pai — limpou os rastros de lágrimas do rosto feminino. Sabia que era errado, todavia não conseguia deixar de se sentir contente, naquela situação. Não se conteve e abraçou a Yuuhi. Pelo menos, foi bem aceito.

Se fosse em outro momento, jamais permitiria aquele tipo de contato, porém, ali, algo mudou. Kurenai passou a enxergá-lo de uma maneira diferente, não como um fantasma inconveniente do seu passado, mas sim como um companheiro, como um homem maduro e responsável. Além do mais, se sentiu tão acolhida, confortável e sobretudo, protegida nos braços dele.

— Preciso ver minha filha — contou com a voz abafada contra o pescoço do Hyuuga.

— Sim, imaginei isso. Podemos ir agora — isso fez com que ela acabasse quebrando o contato físico entre eles, entretanto, ainda permaneciam próximos. Ela não se afastou, quando ele aproximou os rostos — você, provavelmente, vai se irritar comigo, mas não posso desistir… — então a beijou e foi correspondido.

Saudade. Alívio. Desejo. Amor. Sim, amor. Foram os sentimentos.compartilhado entre eles, naqueles poucos minutos, que pareceram uma eternidade.

….

Obito nunca se sentiu tão satisfeito, quanto naquele dia em especial. A adrenalina corria pelas veias, se espalhando por todo corpo. Conseguiu se livrar do velho e agora só tinha na mente o netinho amado de Madara. Não teve qualquer dificuldade ao entrar no prédio, conhecia o lugar como a palma de sua mão e conseguiria invadir o local, quantas vezes tivesse vontade e os idiotas ainda acreditavam que aquele edifício era seguro.

Estava pronto para apagar o futuro do nome Uchiha de vez, quando a porta do elevador chegou ao andar solicitado. Então, teve uma linda visão. De fato, parecia seu dia de sorte.

— Que surpresa agradável — não resistiu. Riu ao perceber como a garota estava acuada, viu o medo que causava nela, gostava do.poder que exercia.

Ela se lembrava dele, assim como Obito dela. Riu quando soube que ela se casou com o engomadinho, se o destino existia, era bastante irônico. Se recordou de que na época, até pensou em procurá-la, porém, ela era intocável, já que o velho o proibiu de tocá-la, pois era esposa do netinho miserável dele e mais uma vez, perdia algo para o maldito Itachi. Naquele momento, o velho ainda tinha controle dele e acabou perdendo o interesse na florzinha, todavia, agora, do inferno, Madara não tinha mais poder algum, além do mais, seu interesse voltou de súbito, ao estar cara a cara com a dona dos olhos de pérolas. A situação era conveniente demais para deixar passar a oportunidade.

Portanto, se decidiu que iria cuidar do idiota depois. No momento, se divertiria com a garota. Deu um passo a frente.

Hinata sentia o seu corpo mole, como se estivesse prestes a perder a consciência. Percebeu que o homem se aproximou, a azulada queria se afastar, correr o mais longe possível e fingir que aquela cena não passou de uma brincadeira de mau gosto, feita pela sua mente. No entanto, nada disso aconteceu, estava parada, pois seus músculos não obedeciam os comandos do cérebro.

— Dizem que a mulher nunca se esquece da sua primeira vez, vejo que se recorda do meu toque — viu as lágrimas transbordarem dos olhos femininos, aquele era o melhor tipo de tortura — por que está chorando, florzinha? — tocou as lágrimas dela e depois levou a boca, saboreando o gosto salgado.

Hinata sentiu nojo pelo toque, estava tentando ao máximo, bloquear as memórias em sua mente, no entanto, elas entravam sem pedir passagem. A pior parte dela, aquela que guardava no fundo da alma, estava ali. Dessa forma, a perolada percebeu que não tinha superado nada, apenas reprimiu suas dores.

Embora estivesse perdida, despertou, quanto ele iria tocá-la de novo. Dessa vez, desviou da mão dele.

— Por favor, me deixe em paz! — implorou num sussurro, alto o suficiente para ser ouvido pelo homem.

— Tão linda e tão ingênua — lamentou, falsamente — você acha que vai sair daqui ilesa? A vida não é justa, se fosse, você não me reencontraria. Sabe, florzinha, sou uma pessoa terrível que gosta de infligir dor aos outros — segurou o queixo dela, com mais força do que o necessário — você foi a melhor foda que eu já tive — sorriu macabro — nada se compara com violá-la. Ainda me lembro de como foi difícil encontrar espaço para me acomodar e o seu lindo rosto inocente sofrendo pela dor. Você conseguiu se superar e está mais linda do que antes, vou te foder de novo e dessa vez, de todas as formas — apertou o seio dela, sem se importar em machucá-la, depois disso, levou a mão dela para sua ereção.

Não. Sua mente gritou. Não poderia terminar da mesma forma, pior, deixar que ele abusasse dela, sem lutar. Apertou o membro dele com toda força.

— Sua vadia maldita! — Obito se afastou pela dor — vai ser pior para você.

— Não encoste em mim! — Hinata berrou com todo ar dentro de seus pulmões. Estava prestes a correr, no momento em que Itachi saiu de sua sala. Ela havia esquecido completamente dele.

Após ouvir o grito da mulher, estranhou o fato dela ainda estar ali. Pior, se escutou bem, tinha alguém tentando assediá-la. Não se importou, com a conversa tensa e reveladora que tiveram, nem pensou duas vezes, em ir ao socorro dela.

Ele encontrou Hinata ofegante, tremendo e chorando, então, seus olhos se puseram sobre o homem estranho abaixado.

— O que você pensa que está fazendo com a minha esposa? Como entrou aqui? — se pôs entre Hinata e o estranho, ele pode ver o alívio estampado no rosto delicado.

— Ora ora, se não era quem faltava — o homem riu.

Itachi percebeu que as feições dele, não eram de toda desconhecida.

— Vá embora daqui, antes que eu chame os seguranças, ou melhor, a polícia.

— Como você é petulante, moleque — Obito riu — acha mesmo que vai dar tempo de contatar alguém? Você está sem celular, tenho certeza que não o trouxe, além do mais, não conseguira voltar para sua sala, antes que eu conseguisse te imobilizar.

— Hinata, vá para minha sala — ele ordenou, a mulher iria obedecer, até que foram interrompidos.

— Nada disso, ela fica — o bastardo apontou a arma na direção de ambos.

— Espere! Deixe ela ir, posso ser seu refém. Você pode pedir o dinheiro que quiser — o Uchiha tentou negociar, mantendo a calma.

— Olha só, parece que as coisas mudaram de figura. Não tente bancar o herói salvando a mocinha — debochou — você acha mesmo que eu me importo com o seu dinheiro? Você perguntou o motivo de eu estar aqui, vou responder, é muito simples: matar você.

— Como assim? Eu nem te conheço — Itachi discorreu surpreso.

— Mas eu sim. Sabe garoto, por anos, tentei imaginar o que tanto você tinha melhor do que eu, para o velho se orgulhar tanto de você e me desprezar — viu a careta de confusão e tratou de explicar — seu querido avô, Madara, que por acaso é meu pai, então, sou seu titio — gargalhou — mas você é tão patético, não tem nada de especial. Só teve sorte de ter nascido do lado certo dos lençóis, sendo filho do amado Fugaku e herdando o grande e facilitador, sobrenome Uchiha. Enquanto eu, nasci filho de uma prostituta qualquer. Se você se acha o gênio dos negócios, me deixe esclarecer, que tudo foi facilitado para você, enquanto você só tinha que ir a festas de ricos e assinar papéis, eu e a Akatsuki, fazíamos o serviço sujo. E voilá! A receita para o sucesso. Tudo ideia do grande Uchiha Madara, uma pena que você não perguntar a ele, meu querido pai já não está mais entre nós.

Itachi tentou absorver tudo aquilo, mais cedo, soube por Hinata o quão baixo o avô poderia chegar. Não precisava de muito para acreditar.

— Então vamos logo, acabe com isso de uma vez — não tinha medo de morrer, quem sabe assim, pelo menos, Hinata conseguiria escapar.

— Itachi, não! — a perolada exclamou, voltando a falar. Ele tinha que perceber a loucura que era sua proposta.

— A florzinha tem razão, não é da forma como você quer. Vai acontecer do jeito que eu achar melhor — retirou uma algema de dentro do casaco e jogou na direção de Hinata — coloque nele ali — apontou para porta do lado do escritório. Queria que o idiota estivesse longe o suficiente para não ver, mas perto o suficiente para ouvir.

Ela algemou o pulso direito do Uchiha e o outro lado, prendeu na maçaneta da porta.

— Depois eu trato de você — já estava se irritando pelo tempo perdido, desnecessariamente. Precisava relaxar e a melhor forma daquilo acontecer, já estava em sua cabeça perversa — sem graçinhas dessa vez — advertiu Hinata, quando a pegou pelo braço, arrastando em direção ao escritório. Ouviu o playboy berrar por ajuda e suplicar para que ele parasse. Agora sim estava tendo prazer. O neto não era tão diferente do avô assim, concluiu.

Hinata sentiu como se tivesse despertado da inércia, por conta da presença de Itachi. Ela andava junto aquele homem, sem aparentar qualquer risco, porém, sua mente trabalhava tentando achar uma maneira de escapar. A melhor forma, seria uma distração, mas qual? Seu tempo estava se esgotando. Ele a fez passar na frente e se virou para fechar a porta, aquela seria sua melhor chance, primeiro porque seria a distração pela qual procurava e segundo, pois suas chances de escapar seriam aniquiladas, com a porta trancada.

A perolada mirou a arma frouxa na mão dele, seu corpo virou e ela usou o máximo de velocidade que possuía, num golpe de sorte, conseguiu ter posse da pistola.

— Não se aproxime! Eu vou atirar — ela apontou o objeto e andou para trás.

— É mesmo? — riu divertido — as coisas estão mais interessantes do que eu imaginei.

A jovem sentiu o suor escorrer pelo rosto, não entendia como aquilo funcionava, puxou o gatilho uma, duas, três vezes. Entretanto, nada aconteceu. O homem gargalhava e caminhava na direção dela. Aquela porcaria estava travada e não tinha ideia de como fazê-la funcionar. Jogou a arma para longe e correu, pulou a mesa de Itachi e mal sabia de onde tirou forças para fazer isso. Segurou.a cadeira pesada e lançou contra o louco, por pouco não o tinha acertado, então começou a tacar os objetos em cima da mesa nele, quando acabou, estava tão ofegante e cansada e o maldito continuava rindo, como se tudo não passasse de brincadeira para ele e aquilo a deixava mais assustada.

— Já me cansei disso — discorreu sério. Deu a volta a mesa.

Hinata correu, como se suas pernas estivessem pesando toneladas, mas então ela sentiu um aperto forte na cintura e foi derrubada no chão, mais precisamente, em cima do carpete macio. Ele forçou o peso em cima dela e por mais que tentasse ter liberdade se debatendo, o mais velho era mais forte que ela. Não, aquilo não iria acontecer de novo, preferia morrer. Pensou em sua mãe, em Itachi que estava ali perto, nas amigas e principalmente, em Naruto, o seu amor.

Fechou os olhos e chutou o maldito, esperando que ele batesse nela em retaliação, porém não recebeu nada em troca e não sentiu mais o peso dele em cima dela. O que estava acontecendo?

Naruto pouco se importou se estava desobedecendo as ordens de Toneri, de não interferir. Pouco se importou se estava colocando sua vida em risco, quando ultrapassou a primeira equipe dos agentes. Ele conhecia o local, por já ter ido diversas vezes. E seguiu para o caminho mais óbvio: a sala da presidência.

Teve certeza de que estava certo, quando chegou ao último andar e encontrou o Uchiha algemado em uma porta, o moreno arregalou os olhos quando o viu, porém, não deu oportunidade dele dizer nada:

— Onde ela está? — indagou.

— Na minha sala — o loiro agradeceu mentalmente, pelo outro entender de quem se tratava e não perder tempo com outras coisas, como pedir para soltá-lo — salve Hinata — o pedido não precisava ser feito, mesmo assim, o Uzumaki assentiu e correu para o local.

No momento em que viu o desgraçado tentando despí-la e com o corpo colado no da amada, um ódio tão grande o cegou e com pressa puxou o homem para separá-lo. Quando o filho da mãe olhou para trás, recebeu um soco no olho esquerdo.

— Olha só, Florzinha, mais um tentando bancar o herói — esfregou as mãos no olho atingido — todos querem te foder — riu jocoso.

Hinata olhou para Naruto, parecia irreal que seu sonho se realizou bem diante de seus olhos.

— Não se atreva a dirigir a palavra à ela — o loiro cuspiu, com os punhos cerrados.

— Já dirigi bem mais do que palavras — provocou — você sabe que já fui o primeiro da florzinha? Foi tão maravilhoso.

— Desgraçado — o loiro foi para cima de Obito, que dessa vez desviou.

— Sabe, moleque, você se parece com o seu pai — Obito sabia muito bem de quem se tratava, o velho Madara obrigou a Akatsuki a vigiá-lo, por um tempo — me pergunto se vai conseguir proteger a Florzinha, como seu pai protegeu sua mãe. Foi muito divertido vê-los se asfixiando e… — não conseguiu terminar, pois foi acertado mais uma vez.

Naruto só tinha na mente, a vontade bestial de arrebentar o desgraçado. Sua força tinha aumentado além do normal. Derrubou o homem e desferiu uma sequência de socos e quanto mais batia, mais ele ria e sua vontade de bater continuava.

Hinata, finalmente, se levantou e se aproximou do loiro:

— Naruto, pare, por favor! — suplicou, não que se importasse com a vida do miserável, porém temia que o Uzumaki cometesse uma loucura — você vai matá-lo, você não tem que sujar suas mãos. Por favor, amor!

Ela estava chorando mais uma vez, quando acordou naquele dia, estava tão cheia de esperanças, de que iria acertar sua vida e viver com o seu amor. No entanto, aquele ser desprezível tinha que reaparecer e estragar tudo. Já era tão pequena, a tortura que teve passar nas mãos do desgraçado, seu coração estava despedaçado, por conta da dor que o maldito causou em Naruto.

Porém, seu pensamentos foram cortados, pela quantidade enorme de homens e mulheres que adentraram o recinto. A mando de um albino, quatro homens retiraram o loiro de cima do outro homem, que já tinha o rosto desfigurado. Só assim, Naruto pareceu sair do transe que estava submetido.

— Senhorita, sou Otsutsuki Toneri — o albino se apresentou — peço para que acompanhe um dos meus agentes.

Ela não deu atenção ao tal Toneri e correu até o Uzumaki, viu as mãos machucadas e iria tocar no ombro de seu amado, todavia, ele se afastou. Foi como uma facada em seu coração. Fora salva, mas a troco de quê? Seria aquele, mais um empecilho entre os dois?

Notas finais
Obrigada pela paciência que vocês tiveram comigo. Este foi o penúltimo capítulo da fic. O próximo já é o último. Se tudo der certo, não vou demorar tanto, quero postar em Março, pois Hinata completa três anos, uma data simbólica. Essa é uma das suas últimas chances de deixar seu review e me dizer o que está achando da história e do capítulo. Beijos, até o próximo.