Hinata

14 Inocência Roubada


Notas iniciais
O motivo da minha demora foi a desmotivação que eu tive, pela quantidade de reviews. Foram poucos comentários em relação ao tanto de acompanhamentos. Tem gente que nunca me deu um oi e acompanha a fic desde o começo. Eu nunca exigi nada, apenas peço que vocês comentem, nem que seja de vez em quando. Eu só continuo a história, porque tenho um compromisso com os leitores que sempre me apoiam e demonstram gostar muito da fanfic. Eles merecem um final. perdão por qualquer erro.

Seu pequeno coração se agitava entre o peito. O rosto infantil tomado pela coloração avermelhada, tão habitual nela. As pequenas mãos torciam a saia da mãe. Estava tão nervosa que seu estômago revirava, e acima de tudo, se sentia insegura.

– Não fique nervosa, Hina — a voz doce da mulher preencheu seus ouvidos — Tudo vai dar certo.

Mesmo sua mãe lhe dizendo isso, e geralmente, a voz carinhosa sempre lhe acalmava, dessa vez, não surtiu o efeito desejado. Ela não tinha tanta certeza assim. Era seu primeiro ano na escola Senju. Ela tinha muito medo de fazer algo errado, de que as pessoas não gostassem dela. Pior, que a mamãe lhe abandonasse. O coraçãozinho falhou em uma batida, ao passar a ideia horrenda em sua cabeça. O que ela faria se isso acontecesse? Já não tinha pai, sem sua mãe ela teria que ficar na rua ou num daqueles abrigos para crianças, que ela viu nos filmes. Não queria de forma alguma.

A mulher percebendo que a pequena ainda se encontrava nervosa, se ajoelhou para ficar na mesma altura da menina. Os rubis que transbordavam amor, fitam as preciosas pérolas. Ela acariciou levemente os curtos fios azulados, antes de dizer:

– É normal ter medo do desconhecido. Eu sei que você tem medo não ter amigos, mas com seu jeito especial, tenho certeza que fará os melhores amigos pode querer.

A mulher esboçou um sorriso e a pequena lhe acompanhou:

– E não se esqueça, eu também trabalho aqui. Nós vamos estar mais perto ainda, uma da outra.

Todas as vezes que Kurenai olhava para sua filha, tinha certeza de que tudo valeu a pena. O passado doloroso e difícil. Todos os problemas que pareciam ser impossíveis de solucionar, os obstáculos que ultrapassou, não era nada, absolutamente nada, comparado ao amor imenso que sentia pelo serzinho que cresceu dentro do seu ventre. E que todas as vezes que mirava as pequenas e cintilantes pérolas, lhe remetia ao seu primeiro e, tinha certeza, único amor.

Mas isso não importava agora.

E sim, a primeira aula da filha.

– Vamos, querida — a Yuuhi mais velha segurou a pequena e trêmula mão.

Adentraram a escola, como Kurenai conhecia o local como a palma da mão, não foi nem um pouco difícil encontrar a sala, que a filha iria frequentar durante todos os dias do ano letivo. Rapidamente chegaram ao destino. A morena voltou a fitar sua filha e então bateu na porta.

A porta foi aberta por uma mulher com expressão sério, que logo suavizou ao avistar quem lhe interrompia:

– Então você deve ser a Hinata, filha de Kurenai. É um prazer em conhecê-la.

– I-igualmente — a pequena respondeu gaguejando.

– Me desculpe se te interrompi, Anko — Kurenai disse.

– Não tem problema, Kurenai. Eu pensei que fosse algum daqueles pais chatos — ela bufou

– Eu tenho que ir — A Yuuhi olhava seu relógio de pulso — fique bem, querida — ela desejou se dirigindo a filha, completando com o beijo suave na testa infantil.

– Não se preocupe, eu fico de olho — Anko tranquilizou.

Enquanto a mãe se afastava, a professora sinalizou para que Hinata entrasse.

Logo, a menina sentiu as bochechas quentes, pela atenção que recebia dos coleguinhas, que já estavam na sala de aula. Ela detestava chamar atenção, mais do que qualquer coisa. O coraçãozinho voltou a bater forte, ela se controlava para não bater seus dedinhos indicadores, um no outro, uma mania que tinha, quando sentia muita vergonha. A perolada fitava toda classe, nem sabia onde poderia se sentar.

– Ei, Hinata! Senta aqui! — outra menina exclamou entusiasmada.

A azulava viu a garotinha ruiva com um grande laço rosa nos cabelos e de olhos verdes, acenando. Ela estava na terceira carteira da fila do meio, a outra menina apontava para o seu lado, que havia um lugar vazio, visto que, as mesas eram em dupla.

Timidamente, Hinata caminhou e se sentou ao lado da outra:

– O-oi, Sakura — ela murmurou um cumprimento.

– Olá! Mas que legal, ficamos na mesma sala — a Haruno disse alto e alegre.

As duas tinham se conhecido há algumas semanas atrás. O jardim botânico da cidade, ficava lotado nas férias. Era um ótimos destino, para os dias quentes de verão. Por coincidência ou não, a Haruno brincava com sua bola, até a mesma cair no colo da Yuuhi, que estava sentada sobre uma toalha. A ruivinha foi atrás de seu pertence, quando viu a menina. Como era alegre e comunicativa, logo puxou assunto com a outra, e a convidou para participar da brincadeira, pois percebeu que a perolada não se divertia. Desde então, as duas mantinham contato.

– Qual a sua cor favorita, Hina? — Sakura indagou curiosa. Para uma menina de sete anos, essa era uma questão muito séria.

– Lilás — Não foi preciso muito tempo para que Hinata respondesse, diga-se de passagem, levemente corada pelo apelido "Hina", que até o momento, só sua mamãe lhe chamava.

– A minha é rosa. Eu queria tanto pintar meus cabelos de rosa. A mamãe não deixa. Mas, eu ainda farei.

Depois disso, não houve mais conversa. Pois a professora Anko pediu silêncio, para que pudesse dar algumas explicações sobre as regras da escola e de como se portar na sala de aula. Nenhum aluno a questionou, ou fez bagunça. A mulher tinha cara de brava. A pequena Yuuhi constatou que Anko era exigente e séria. Também houveram as apresentações, e nesse momento, a menina voltou a se sentir constrangida, disse seu nome baixinho e foi alvo de risos. Sakura lhe defendeu e a professora teve que apartar a discussão.

Finalmente, o alarme soou, informando a todos a hora do recreio. As crianças corriam afoitas, mesmo com os berros da professora. Diferente dos outros, Hinata e Sakura caminhavam lentamente, o corredor já estava vazio.

– Espere! — Sakura parou de repente, ela conferia sua mochila — eu esqueci meu estojo. Vou buscar, me espere aqui.

A ruivinha nem deu tempo da azulada responder algo, sumiu pelo corredor.

Hinata olhava por onde Sakura havia ido, quando sentiu algo pesado bater nela. Com o impacto, foi impossível não cair no chão. A pequena colocou as mão no ombro, onde doía pela batida. Depois levantou os olhos, viu dois meninos altos que estavam rindo, sorrisos debochados e maldosos, bem diferente do sorriso dela. Um deles com a mochila aberta e um pouco suja de tinta.

– Sua idiota, não olha por onde anda?! — o menino que colidiu com ela vociferou.

–M-me desculpe — ela disse num fio de voz e se levantou com dificuldade.

Ambos os garotos, eram conhecidos por serem os "valentões" com os menores, além de aprontarem. No entanto, poucas vezes chegava ao conhecimento da direção, pois não haviam provas contra eles. Hoje, mesmo sendo o primeiro dia de aula, já pintaram um dos banheiros do segundo andar. Tudo parecia dar certo, até encontrarem a garota pequena.

– Ela é filha da professora — concluiu o menino que usava a mochila — ela pode contar para mãe.

A notícia que uma das alunas novas era filha de uma professora, se espalhou pelo colégio. Na certa, alguns dos colegas de classe, devem ter dito aos amigos de outras turmas, e pelo visto, a informação foi completa, com direito até das características físicas da menina. Então foi fácil relacionar os cabelos azulados e incomuns olhos perolados, descritos pelos colegas à menina.

– Você não vai dizer nada, não é? — o garota que havia a derrubado, usou tom de ameça — ou melhor, não viu nada

– E-eu n-não vi — ela realmente não tinha presenciado o ato em si, porém, era óbvio que eles fizeram algo.

Mesmo a resposta dela sendo o que eles queriam ouvir. O garoto que havia lhe ameaçado, não achou suficiente e lhe deu um forte empurrão.

– Ei, não faça isso com ela. Não está vendo? É uma menina, seu covarde! — um terceiro menino surgiu.

Ele era um pouco mais baixo que os outros dois, contudo, mais forte. Também tinha traços um tanto selvagem.

Parece que o dia seria péssimos. Ele tinha acordado bem depois do despertador, apesar do aparelho fazer bastante barulho. Mas o que ele poderia fazer, se tinha o sono pesado? Consequentemente, se atrasou para escola. Se arrumou e pedalou o mais rápido que pôde, mesmo assim, não conseguiu chegar a tempo do portão estar aberto. Sabia que a escola era rigorosa e não permitiriam sua entrada, pois já estudava ali há um ano. No entanto, se sua mãe soubesse que não assistiu as aulas, seria um homem morto, no caso, um menino morto. Ele também não perderia a ida à toa. Tinha um plano e ele seria perfeito. Como sua mãe já havia saído para o trabalho, nem desconfiaria de nada. Ele apenas teria que pular o muro atrás da escola, mas perderia algumas a primeiro e talvez a segundo tempo de aula, pois teria que esperar um dos vigias que ficava naquele ponto, sair para comprar café, como ele sempre fazia nesse horário.

O menino conseguiu seu objetivo, entrou na escola sem ser visto. Mas se deparou com dois garotos maiores, maltratando uma menina. Ele não se metia nos problemas do outros, entretanto, jamais permitiria que fizessem mal à uma mulher.

– E quem você pensa que é? — aquele que empurrou a menina, debochou si.

– Eu sou o cara que vai te dar uma surra.

– Vai mesmo? Nós somos dois contra um — o menino de mochila reforçou apontando o dedo.

No mesmo momento, um pequeno filhote de cachorro, pulou do capuz que o menino corajoso usava. O bichinho foi certeiro, deu uma bela mordida na mão estendida.

– Ai — o garoto gemeu e sacudiu a mão para que o animal a soltasse.

Aproveitando a distração, o corajoso deu soco no olho do outro.

– Agora saiam daqui!!! — exclamou.

Os dois valentões se sentiram acuados e decidiram recuar.

– Muito bem, Akamaru — ele parabenizou o cãozinho que latia.

Os dois faziam uma ótima dupla, pareciam um só, era inseparáveis, na maioria das vezes, se esqueciam que eram um menino e um cachorro. Como o animal era bem pequeno, o moreno decidiu levá-lo junto para escola, mesmo sendo proibido. Ninguém veria, agora viram, mas tinha certeza que não falariam nada.

– Você está bem? — ele perguntou a menina, que ainda permanecia no chão.

Hinata estava assustada e atordoada. Tudo aconteceu tão rápido, seu coração batia tão forte, os olhos lacrimejando. Eles iriam machucá-la, se o outro menino não se metesse, junto do cãozinho. Ela se sentia tão burra e fraca. Mas foi tirada de seus devaneios, quando seu salvador lhe dirigiu a palavra. Ruborizada pela situação, só poderia fazer uma coisa:

– S-sim. O-obrigada — respodeu

Akamaru latia feliz e abanava o rabinho para menina, mostrando que gostava dela.

– Eu sou Inuzuka Kiba — ele se apresentou e estendeu sua mão par que Hinata se levantasse.

....

Passaram-se anos, após o episódio em que Hinata e Kiba se conheceram. Durante todo esse tempo, uma verdadeira amizade surgiu entre ambos. Mais que amizade, uma irmandade.

Kiba por ser quase dois anos mais velho, via Hinata como uma irmãzinha mais nova. Que precisava de carinho e cuidado. Ela era tão doce e frágil, não permitiria que ninguém ousasse machucá-la, por isso, agia como um cão de guarda e não deixava que nenhum idiota se aproximasse.

Hinata adorava sua relação com o Inuzuka, desde que ele a salvou, continuava preocupado e lhe protegendo. Às vezes, ela achava um pouco exagerado. Mas não externava isso. Ela era muito compreensiva e sabia que o amigo não fazia por mal.

A relação fez bem para os dois. Enquanto Kiba aprendeu a ser mais calmo e menos impulsivo. Hinata desenvolveu mais confiança. Uma verdadeira dupla: ele corajoso e destemido e ela doce e gentil.

E não poderia esquecer de Sakura, que apesar das implicâncias entre ela e o Inuzuka, eram grandes amigos. A Haruno era um tanto mimada e levemente superficial, tudo derivado da imaturidade, claro, algo compreensível pela pouca idade. Mesmo assim, ela tinha suas qualidades, era leal e carinhosa.

A Yuuhi se sentia acolhida e amada entre seus amigos. E pensar que teve medo de não tê-los. Como o habitual, no intervalo entre as aulas, estava acompanhada do moreno e da ruiva. Sentados na sombra grande e fresca de uma árvore.

– O Sasuke-kun me olhou de um jeito diferente. Acho que ele está gostando de mim — a Haruno disse animada.

Durante todos esses anos, Sakura nutria uma paixão pelo Uchiha e não escondia de ninguém. Ou seja, se você fosse amigo dela, teria de ouvir quase sempre o nome do garoto. Hinata e Kiba sabiam praticamente todos os gostos e preferência dele.

– Sasuke-kun isso, Sasuke-kun aquilo — o Inuzuka fez uma voz fina, a tentativa de imitar a voz da amiga. Uma clara provocação.

– Cala a boca, Kiba. Eu nem falo muito sobre o Sasuke-kun — ela se defendeu.

Hinata abafou uma risada e decidiu para com a discussão, mudando de assunto:

– Você irá conosco visitar o Akamaru, Sakura-chan?

– Não poderei ir, meus pais irão a um almoço na Mansão Uchiha e deve durar toda tarde. Será ótimo, o único problema é a Ino Porca, que adora inventar motivos, para ver o Sasuke-kun — bufou em chateação.

"E você também inventa", Hinata pensou. No entanto, jamais diria algo do tipo para amiga.

– Mas não se preocupe, meu pai me deixará na sua casa depois. Eu nunca perderia "a noite da garotas".

Consistia em muitos doces, filmes e fofocas. Na verdade, Sakura adorava fofocar e a Yuuhi apenas ouvia.

– E eu nunca posso ir — o Inuzuka se manifestou.

– Claro, seu idiota! O nome já diz "noite das GAROTAS".

– Ora, sua testuda... — ele retrucou, porém foi interrompido por Hinata.

– Por favor, não briguem — a voz doce se fez presente.

....

A família de Kiba, era dona de uma pequena clínica veterinária e que também servia de petshop e cuidava dos animais daquela parte da cidade.

Já era costume, Hinata acompanhar o amigo e ajudá-lo nas tarefas do loca, da mesma forma que o Inuzuka frequentava sua casa. Mas dessa vez, os amigos não se divertiam como de costume, pois ficaram o tempo todo com Akamaru. O pequeno filhote, havia crescido e se transformado em um grande e idoso cachorro. Ele recebia o tratamento necessário, para que tivesse o final da vida confortável.

O companheiro de tantos momentos importantes da vida, iria partir, como todos nós em algum momento. Kiba sofria, mesmo que se mostrasse calmo. A Yuuhi sabia disso, pois se ela sentia pelo animal, nem poderia imaginar o que o Inuzuka sentia, ele que sempre teve uma forte ligação com companheiro de quatro patas. Tudo que ela poderia fazer essa ficar do lado ele e apoiá-lo, demonstrar toda gratidão que sentia pela amizade.

O estado do garoto era péssimo, seu melhor amigo estava deitado numa das casinhas que existia para que os animais ficassem. O animal debilitado e fraco, em nada lembrava o alegre e hiperativo Akamaru. Em vez de latir forte, ele apenas gemia ou chorava baixo. Não havia nada que pudesse fazê-lo melhorar, pois era inevitável que chegasse a velhice e morresse. Estremeceu só de pensar, mas deveria se acostumar com a ideia.

Kiba acariciou os pêlos ralos do cão:

– Tchau, amigo — mal sabia ele, que aquela seria uma verdadeira despedida e não se encontrariam mais, pelo menos naquela vida.

– É melhor nós irmos, Hinata.

– Kiba-kun — ela segurou a mão dele, para demonstrar apoio.

Antes de ambos saíram do estabelecimento, se despediram de alguns funcionários que ainda estavam no local. Precisavam pegar um ônibus para chegar na casa de Hinata. Mas antes disso, havia uma caminhada até o destino.

As ruas estavam anormalmente vazias, então o Inuzuka concluiu que ficaram tempo demais ali. Para perder menos tempo, ele decidiu cortar caminho e ir em outra direção. Apenas fez um sinal com a cabeça, para que a menina o acompanhasse.

Como dizem, a vida é feita de escolhas e ela podem mudar os rumos de tudo. Outros dizem que tudo é obra do destino e escrito. Talvez ninguém nunca saiba quem está certo ou errado.

Tudo era tão simples, a missão tão fácil. Mas aquele idiota tinha estragado tudo, com aquela idiotice de Deus Jashin. Era por isso que o Mascarado detestava formar dupla com o platinado. Ele fez questão de executar todo o plano sozinho, a única coisa que ficou à cargo do "religioso", era conseguir um meio de transporte para irem embora. No entanto, gastou o tempo matando, porque segundo o grisalho, o Deus Jashin ordenou que matasse alguém. Não que o mascarado se importasse com isso. O único problema é que o idiota não fez o combinado, conseguiram sair do local com muita facilidade, como sempre. Mas, agora teriam que andar até encontrar algo que prestasse e os levasse ao ponto de encontro com os outros.

– Me desculpe, mas Jashin-dono não poderia ficar sem seus sacrifícios — ele levava sua "religião" muito a sério.

– Tsc, tsc — o mascarado apelas estalou a língua no céu da boca.

As ruas estavam vazias e aquilo era bom, pois dois homens come eles chamariam atenção: um com o rosto quase todo coberto e o outro com uma foice na mão.

Contudo, fez com que os olhos negros do mascado, brilhassem na noite escura. Uma menina, parecia um anjinho coberto com roupas largas, o rosto de porcelana e os olhos mais lindos que já viu em toda sua maldita vida. Lambeu os lábio por isso, algo nela o atraíra muito. Ela era pura e inocente, fazia seu corpo fervilhar. Ele também viu que a florzinha estava acompanhada.

O outro homem que lhe acompanhava, olhou para onde ele mirava e notou as intenções do mascarado.

Ambos estavam numa esquina, eles tinham chegado ali, através do beco escuro que servia para cortar caminho de um quarteirão para o outro. Não atravessaram a rua, esperariam os outros dois que não haviam visto os dois homens

Só depois de estarem bem próximos, é que Kiba percebeu os homens suspeitos.

– Onde dois jovens vão tão tarde? Pode ser perigoso — o platinado disse em falso tom de preocupação.

–Fique atrás de mim, Hinata — Kiba mandou.

Ele sabia que aqueles caras eram maia velhos e mais fortes que ele. Contudo, protegeria a amiga, independente de qualquer coisa.

A menina lhe obedeceu, estava nervosa. Não gostou da forma como aquele homem olhou para si. Sentiu tudo estremecer por dentro e corou involuntariamente.

Isso só serviu para excitá-lo mais ainda. Que tolinha.

– Então seu nome é Hinata — o homem se aproximou.

– Não chegue perto dela! — o garoto gritou.

O mascarado apenas olhou para o outro homem, que rapidamente avançou contra o Inuzuka e lhe deu um soco.

– Kiba-kun!!! — Hinata tentou socorrer o amigo, mas foi impedida pelo homem que lhe segurou pela cintura, arrastando a jovem para o beco. Ela se debatia e esperneava, tentava se soltar, mas era inútil, pois o homem tinha muito mais força que ela.

A perolada foi jogada com força no chão, suas costas doeram. Ela estava terrivelmente assustada. A boca seca e os olhos escorriam lágrimas livremente.

Ele apenas ria, estava se divertindo:

– Nem adianta tentar fugir, vai ser pior para você.

– P-por f-favor, m-me deixe ir — ela suplicava.

– Eu até poderia, mas não — ele deitou o corpo em cima do dela, puxou o casaco que a menina usava até o ombro, onde mordia o local e também o pescoço, fazia questão de macular a pele clara, deixar as marcas da violência. Ela fechou os olhos, pedindo que fosse apenas um pesadelo ou que alguém lhe salvasse, porém de nada adiantou.

Como ela tinha nojo daquele homem lhe tocando e apalpando. Marcando e machucando. Ele parou e se afastou, por um segundo, a azulada pensou que o mascarado tivesse se arrependido, mas estava enganada.

– Já que seremos tão íntimos, florzinha, você merece ver meu rosto — ele retirou o objeto que lhe cobria a face. O rosto do homem tinha o lado direito completamente queimado e só fez a menina se sentir pior.

A Yuuhi tentou fugir, porém o homem rapidamente avançou contra ela e a pegou pelos cabelos, batendo a cabeça no chão. Ela ficou tonta por isso.

– Eu disse que seria pior, se você tentasse fugir — retirou a calça junto da peça íntima dela. A menina murmurava algo incompreensível.

Ele violou o corpo dela e como esperado, era virgem. Ela deu um grito por isso. Queria morrer, apenas isso. Queria que acabasse logo. Não esperneava, nem se debatia, não ouvia os gritos de Kiba, nem os barulhos de socos e risadas do outro homem.

– Você é tão pura, doce e inocente — a voz asquerosa sussurrava próximo ao seu ouvido. Aquela frase sim, ficou gravada em sua mente.

Por que aquele homem fazia aquilo? Ele era insano. Fazia por puro prazer e deleite de sujar, corromper e causar sofrimento para garota. Era tão divertido tirar tudo de bom que havia nela e jogá-la na escuridão. Foram os olhos que transbordaram esperança, gentileza e doçura, que lhe atraíram.

Quando se deu por satisfeito, se levantou e arrumou as vestes. A Yuuhi tinha o olhar vazio e perdido, jazia imóvel no chão fétido.

– Até mais, florzinha. Quem sabe não nos reencontramos novamente?

....

Seu coração se apertava em angustia. Tinha vontade de chorar inexplicavelmente. Precisava de sua filha, apenas isso.

Hinata já devia ter chegado em casa. Estava preocupada, sua intuição de mãe lhe alertava. Mas ela abanou a cabeça, deveria ser paranóia. Na certa, sua menina deve ter perdido a noção do tempo. Pelo que soube, Akamaru estava mal e talvez não resistisse.

– Kurenai-san, tudo bem? — a Sakura questionou ao ver a mulher olhando para o nada.

Como o combinado, a menina já estava na casa da amiga. Ela queria que a Yuuhi chegasse logo, para que contasse as novidades. Porém, enquanto isso não seria possível, estava sentada à mesa junto de Kurenai e comia um delicioso bolo de chocolate.

– Sim. Só estranhei o fato da Hina ainda não ter chegado — a mulher respondeu e bebeu um pouco de chá.

– Ela já deve estar chegando — o som da campainha soou — está vendo, deve ser ela — e deu um sorriso.

A professora nem respondeu, foi o mais rápido que pôde, atender. Mas a sensação de alívio se dissipou instantaneamente, ao abrir a porta e se deparar com um policial. Ela ficou apreensiva e temia acima de tudo.

– A senhora é Yuuhi Kurenai, mãe de Yuuhi Hinata? — o homem já questionou e nem cumprimentou como de costume. Pela expressão séria e tom ameno, quase como se estivesse confortando, ela soube, algo grave aconteceu com sua menina.

– S-sim, sou eu — imediatamente disse.

– Kurenai-san, por favor, me acompanhe.

– O que aconteceu com a minha filha? Me diga, eu imploro — os olhos dela tinham lágrimas prontas para escorrer.

– Eu acho melhor a senhora me acompanhar — o policial desviou os olhos, não conseguiu dizer e nem manter o olhar.

– Sakura, fique aqui querida. Eu terei que sair. Se eu demorar muito, ligue para seu pai — ela entrou rapidamente em casa, pegou sua bolsa.

– Aconteceu alguma coisa com a Hina? — a ruiva indagou preocupada.

– Sim e como eu queria que minha reposta fosse negativa.

Tudo passou como um borrão pela mente dela, sirenes, luzes, vozes, policiais. Lhe questionaram e ela respondeu roboticamente, o pior de tudo, foi aquele exame, aquelas pessoas lhe olhando com pena.

Agora estava estática, num estado de letargia. Os olhos vidrados no teto, ainda vestia a jaqueta de um dos policiais. Ela desconfiava que a causa disso, deve ter sido pelo calmante que lhe aplicaram, depois do escândalo que protagonizou, quando tentaram lhe tocar para fazer o exame. Uma mulher bastante gentil, também falou consigo, lembrou de sua mãe, pelas palavras de conforto. Mas ela se manteu calada. Será que não entendiam que queria ficar em silêncio e que ninguém lhe tocasse?

Sobre Kiba, ela nem perguntou. No entanto, já tinha alguma ideia do que houve. Entretanto, não queria ter certeza de suas suspeitas, porque não aguentaria sentir mais dor. Estava esgota e muito cansada.

Ao chegar no local, finalmente disseram à Kurenai tudo que tinha acontecido, foi como se seu mundo tivesse caído. Ela sobre tanto e chorou. A pior coisa que poderia acontecer à uma mãe, era ver um filho sofrer e a sua menininha foi destruída. Se pudesse, trocaria de lugar com ela e pegaria toda dor. Ela pôde ver que todos estavam abalados, não era algo comum no país, uma violência terrível dessa. Os policias prometeram fazer de tudo para encontrar os culpados. Uma psicóloga falava com ela e nesse momento, lhe dava colo, do mesmo jeito que fazia com a filha.

Tudo que ela queria, era ver sua menina, mas foi aconselhada a não estar tão nervosa e em prantos, quando fosse vê-la. Ela entendia, deveria ser forte. Hinata quem precisava de todo amor que ela poderia dar e faria isso. Será que Deus resolveu castigá-la pelo seu passado? Pois se fosse isso, com certeza conseguiu. O coração doía pelas batidas fortes. Isso foi sua culpa, sim. E só doía mais.

A mulher aparentou calma, respirou fundo e foi levada até a filha. Ela estava sentada e olhava para cima. O olhos e expressão mortos. Kurenai sentiu a estocada que seu coração deu pela visão. Ela se aproximou e abaixou em frente a filha:

– Hina... — tentou tocas as mãos que estavam juntas ao corpo, porém, foi repelida. Teve que se controlar para não desabar em lágrimas. Contudo, não poderia se dar a esse luxo.

– Vamos para casa, querida — ela informou.

E só assim a perolada lhe deu atenção, pois só queria isso.

....

Por que isso aconteceu com ela? Sua cabeça girava tentando achar uma resposta. Sempre foi boa, educada, compreensível. Nunca esperou nada em troca dos outros. Então, por que Deus a fez passar por isso? Sofrer tanto assim? Hinata descobriu da pior maneira que a vida não era justa, que os bons sofrem....

Talvez fosse sua culpa, se ela não tivesse saído justo naquele dia, ou não perdesse a hora. Pior, se de alguma forma não tivesse atraído aquele homem desprezível. Ela se martirizava e se culpava. Vários "se" que não fariam diferença agora.

O pior, tinha nojo de si mesma. A forma como aquele monstro lhe tocou, as marcas na pele já haviam desaparecido. No entanto, as marcas da alma permaneceriam eternamente, queimando em sua memória.

"Você é tão pura, doce e inocente"

A voz não saía de sua cabeça, perfurando seu crânio. Um verdadeira tortura, um inferno pessoal, que lhe acompanhava até em seus sonhos. Não conseguia dormir direito, não conseguia pegar no sono por mais de uma hora.

Um dos hábitos que desenvolveu, foi tomar muitos banhos. A cada vez que parecia enlouquecer, entrava no banheiro e permanecia lá por muito tempo. Esfregando o corpo com uma bucha, só se dava por satisfeita quando a pele estava bem avermelhada e esfolada. Só assim ela não se sentia tão impura, conseguia sentir o mínimo de alívio.

E Kiba, perdeu as contas de quantas vezes chorou pelo amigo, quase irmão. Teve a confirmação de suas suspeitas, ao ouvir a mãe chorar e numa conversa ao telefone. Agora tudo estava perdido mesmo, sem uma das pessoas que mais amava e que lhe protegia tanto.

Por falar em sua mãe, sabia que a mulher também sofria, a pesar de no começo tentar se fazer de forte. Tentou lhe confortar, mas pela primeira vez, a perolada não aceitou. A professora também tentou lhe convencer a ter consultas com algum psicólogo, porém foi irredutível, não queria a ajuda de ninguém, não queria se expor mais ainda. A Yuuhi mais velha acabou desistindo, mesmo não sendo o certo. Como educadora e como qualquer pessoa, com o mínimo de informação, sabia que o tratamento era necessário, contudo, mais uma vez foi fraca. Não conseguiria contrariar sua filhinha.

Foram quase três meses saindo do quarto apenas para o banheiro. Não queria fazer nada, nem receber ninguém. Ela sempre via a expressão de Kurenai, desolada, pois já não escondia sua dor e que só aumentava ao olhar para filha. A mais nova, criou uma barreira entre ela e a mãe. Hinata também percebia o medo que a mãe sentia, quando ela demorava muito no banheiro. Tinha certeza de que a outra pensava na possibilidade da menina tenta suicídio.

A ideia foi muito tentadora, mais ainda a gilete que encontrou em seu quarto. Chegou até admirar o objeto metálico e sentir a textura dele, quando pressionava lentamente em sua pele, mas não foi adiante.

"Você é tão pura, doce e inocente"

Mais uma vez aquela voz invadiu seu tímpanos, entretanto, dessa vez, sentiu uma queimação em seu âmago. Um sentimento ao qual nunca havia provado: ódio. Sentiu tanta revolta.

A verdade é que viveu num sonho, um conto de fadas, durante toda a vida. Agora conseguia enxergar, foi uma tola, por sempre ver o lado bom de tudo e todos, de sempre ser boa com tudo e todos, de sempre entender, se anular, ser uma fraca e deixar que fizessem o que quiser dela. Sem nem mesmo se defender.

Então, numa manhã, tinha decidido: tudo seria diferente.

Se levantou determinada, como nunca esteve na vida. Com uma ideia em sua mente. Abriu seu guarda-roupa e retirou o uniforme que há tempos não usava e se vestiu. Notou estar mais magra, então deu um nó na blusa social, deixando mais justa ao corpo, a saia de pregas foi levantada o máximo que pôde. Foi até sua cômoda e pegou uma caixa, dentro dela, tinha maquiagens das mais variadas, presente de Sakura. Não seria tão difícil assim se maquiar, tinha visto sua mãe fazer a vida inteira.

Ninguém nunca mais a machucaria, pois ela não permitiria, muito pelo contrário, ela agora estava no comando. Ela sim usaria os outros, derrubaria qualquer um que entrasse no seu caminho. Usaria da sua beleza e corpo, não foi o que aquele homem fez? Mas agora seria ao seu favor.

Ela sabia, estava morta por dentro, amargurada. Mas não se deixaria abater, não se mostraria fraca. Seria forte, implacável.

Muitas pessoas poderiam achar que a "reação natural" de Hinata, fosse se fechar mais ainda, se esconder, e permanecer mais tímida do que era. No entanto, tudo que sofreu teve o efeito contrário. Na verdade, é tolice pensar que seres humanos são iguais, têm rótulos, ajam como máquinas pré-programadas. As pessoas são únicas e complexas.

E quem poderia julgá-la? Como alguém que nunca sofreu tanto e nem chegou no fundo do poço, poderia dizer algo? Porém, no momento, ela dava a mínima para o que os outros iriam pensar dela. Ninguém sofreu por ela. Ninguém tinha o direito de dizer nada.

Ela pegou a mochila e saiu do quarto. Kurenai estava na cozinha, provavelmente preparando o café da manhã. A expressão abatida, olheiras abaixo dos olhos. Se assustou ao ver a filha arrumada e fora do quarto.

– Hina, onde você vai? — ela indagou. Deixou tudo que fazia para trás e foi ao encontro da filha.

– Vou para escola, não é óbvio? — ela retrucou firme.

A mãe ficou em choque, pela visão que tinha da filha.

Nos lábios, o sorriso não era mais tímido, foi substituído por outro irônico. As orbes peroladas sempre doces e luminosas, estavam opacas e vazias. E a postura tímida já não existia, a menina se portava confiante e altiva.

No fim, sua inocência foi roubada.

Notas finais
Tem alguém vivo depois disso? Eu sei que a maioria pensou que o problema da Hina, foi uma desilusão amorosa causada pelo Kiba. Muito antes de começar a escrever essa história, eu já havia pensado nisso. Eu conheço duas pessoas que já sofreram abuso e uma delas é extremamente próxima a mim. Minha intenção ao abordar esse assunto, foi uma forma de mostrar um pouquinho da realidade que milhares de mulheres, na maioria, sofrem. Infelizmente, o mundo não é lindo e colorido como nas fanfics. Mesmo eu tendo me esforçado, ainda assim, abordei o tema superficialmente, porque é impossível expressar em palavras o que as vítimas sentem, isso foi só para vocês terem uma ideia. E desejo que vocês reflitam e pensem sobre o assunto. Beijos até o próximo.