Hinata
33 Inesperado
Notas iniciais
Sasuke batia um de seus pés impacientemente, no chão. Era óbvio que seu irmão não tinha culpa por isso pela demora, pois Itachi estava em uma reunião com seus sócios e nem imaginava que ele estava ali, esperando na sala da presidência.
Desde que saiu da casa do irmão e se mudou para um flat, não se encontrou mais com ele, foram apenas algumas poucas ligações. Seria a primeira vez que o veria pessoalmente.
Ele continuou batendo seus pés, continuamente, por um tempo maior do que imaginava, até seu irmão adentrar o local.
Itachi parecia muito cansado e também distraído, porque não se deu conta de que não estava só. A reunião com os sócios durou uma eternidade e como sempre, os velhos tinham o poder irritar qualquer um, por mais que ele já tivesse provado seu valor e as Indústrias Uchiha prosperavam mais do que nunca.
Porém, aquele não era o real motivo de sua irritabilidade e apatia. Nii Yugito, essa era a verdadeira responsável pela sua falta de atenção e falta de motivação para trabalhar. Desde o dia em que ela pediu, na verdade, exigiu que o Uchiha não não se metesse em sua vida, a Nii a tratava tão fria como o gelo. A loira apenas falava o necessário e sempre mantinha uma postura rígida e profissional, criando uma barreira entre eles.
Claro que analisando tudo por fora, ele havia sido, no mínimo, um tolo. Não possuía o direito de dizer nada, sua secretária entendeu como se ele quisesse mandar nela, mas essas não sua intenção. Ele apenas se preocupava com o bem estar da mulher.
Então, por que ainda não tinha tentado esclarecer as coisas ou até mesmo, se desculpado? No fundo, era porque não estava sendo, totalmente, sincero. E também não sabia como agir com aquela nova mulher. O tão seguro Uchiha Itachi, pela primeira vez na vida, não sabia o que fazer.
— Eu estou aqui, okay? — Sasuke se manifestou, ao ver o irmão parado por longos minutos com o olhar vago — só para você saber.
— Educado como sempre — Itachi debochou, ao despertar do seu devaneio — não sabia que você viria.
— Quando eu liguei, não fui atendido. Então arrisquei vir aqui e fui informado de que você estava em reunião — respondeu.
— Se você continuasse na minha casa, não precisaria passar por isso — provocou.
— Ainda não se conformou em ficar longe do seu irmãozinho? — estalou a língua no céu da boca — já disse que quero ter minha privacidade e também não quero ser um incômodo para você e Hinata.
— Com isso, você não deveria se preocupar, Sasuke. Eu estou mais tempo aqui, do que em casa. Enquanto a Hinata está passando alguns dias na casa da mãe — informou.
— Vocês brigaram? — questionou com uma sobrancelha erguida.
— Não, nós não brigamos. Aliás, que eu me lembre, nunca sequer discutimos — confidencializou — é que…. — parou por um instante, tentando achar uma palavra que se encaixasse na situação.
— Já não é mais o suficiente — ao perceber o choque que o irmão não conseguiu esconder, entendeu que acertou no ponto exato.
— Mas o que te trouxe aqui? — mudou de assunto, depois de ter pigarreado.
Sasuke não insistiu, ele havia notado que o irmão estava diferente e pela forma como falou sem se importar realmente, por estar longe da esposa, percebeu que Hinata não era a causa de Itachi estar daquela maneira. Optou em ser direto ao seu motivo:
— Preciso de dinheiro. Muito, na verdade. Talvez um terço — ele se referia a herança que recebeu de seus pais. Itachi era o administrador.
— Como? É muito! — protestou — e para quê você quer essa quantidade?
— Você já sabe, eu te disse que tinha um projeto.
— Eu, sinceramente, não levei a sério. Pense melhor antes de tomar uma decisão como essa. Você pode se arrepender.
O Uchiha mais jovem tinha certeza que seu irmão iria se opor ao que ele pretendia, contudo, não iria desistir por nada. Aliás, estar com Sakura, só fez com que ele tivesse mais certeza da decisão que iria tomar.
— Itachi, se eu estou aqui, é porque já amadureci minha ideia e tenho certeza que quero isso.
— Tudo bem — suspirou e se deu por vencido — você é adulto e sabe o que faz, não vou tentar te impedir de nada.
Antes que eles pudessem continuar, houveram batidas na porta e assim que Itachi permitiu a entrada. A secretária dele se materializou ali.
— Com licença, preciso que o senhor assine — a Nii informou, colocando o documento na mesa de Itachi.
Então tudo fez sentido para Sasuke, ao perceber a rigidez e tensão que exalava de ambos, seu irmão e a secretária dele.
— Eu já estou indo — o Uchiha mais jovem avisou, sem olhar para trás e esperar resposta.
Assim que ele desceu até o estacionamento do prédio, onde havia deixado o carro que alugou, ouviu uma voz conhecida berrando seu nome:
— Sasuke! Espere! — ele se virou e fitou o loiro andando em sua direção.
O Uzumaki falava ao celular, antes de ir. Encerrou sua ligação, quando viu o Uchiha.
— Naruto! Eu já deveria imaginar que você estava aqui. Aproveitou a reunião com com os outros sócios? — Sasuke debochou.
Era a primeira vez que se encontravam, desde a conversa fracassada no bar.
O loiro respirou, sabia que merecia o tratamento de Sasuke. Era difícil ter que admitir, porém, Toneri tinha razão, não havia nenhuma informação importante para acabar com a Akatsuki, era uma verdadeira perda de tempo estar ali, ele mesmo cogitava a ideia de vender as ações que adquiriu. Para ser sincero, o que lhe motivou a tomar aquela decisão, foi para estar próximo de Hinata, de alguma forma.
— Foi um porre! Mas não é sobre isso que quero falar com você.
— E sobre o que seria?
— Quero me desculpar por ter sido um idiota com você. Não deveria ter agido da maneira como me portei.
— Eu sempre tenho razão — o moreno soltou um sorriso presunçoso — e não precisa pedir perdão, não levei nada que você disse a sério.
— Teme — Naruto estendeu uma mão em direção ao outro.
— Dobe — Sasuke aceitou o cumprimento.
….
Passaram quase todo o dia procurando imóveis e acabaram optando por uma cobertura, na área mais nobre da cidade. Havia tudo que eles precisavam: um escritório para que ele pudesse trabalhar, área social com vários ambientes para receber eventuais visitas e claro, quartos suficientes para que pudessem se instalar e claro, depois de sua filha mais jovem tanto exigir, um quarto especial para que sua primogênita.
Obviamente, estava muito contente com a relação que se iniciou entre sua filhas, contudo, Hanabi estava muito apegada à Hinata. Hiashi tinha receio que a mais velha pudesse se sentir, de alguma forma, sufocada e viesse a se afastar. Ele concluiu que a intenção de Hanabi ao querer um espaço para sua irmã, não era pressioná-la, mas sim ter alguma garantia de que a outra estaria inserida, definitivamente, em sua vida.
Por outro lado, Hinata aceitou de bom grado, não houve resistência. A azulada parecia entender as necessidades e personalidade de Hanabi. E também conseguia balancear e ponderar todos os aspectos, deixando as coisas equilibradas. Havia muita maturidade, que o surpreendeu, a Uchiha se comportava como uma verdadeira irmã mais velha.
Já era final de tarde, quando optaram por passar em um restaurante, para comer algo.
— Não vejo a hora de me mudar logo, não aguento mais viver num hotel — Hanabi se expressou, enquanto esperava ser servida.
— Ainda vai demorar um pouco, o imóvel precisa de mobílias e talvez pequenas reformas — Hiashi se manifestou, lembrando à filha, de que não seria tão fácil assim.
— Eu posso ajudar nisso — Hinata se prontificou, ela estava sentada de frente para os outros dois.
— Você vai decorar o meu quarto? — a mais jovem questionou esperançosa.
— Se você desejar… — a azulada concordou.
— Eu quero que seja como o seu — Hanabi sorriu feliz, por saber que passaria mais tempo com a mais velha, mas então ficou séria — você não se importa, Hina? — seu tom demonstrava receio.
— Não, sua bobinha — fora a vez da Uchiha sorrir. Estava muito claro para ela, que havia se tornado uma referência para a mais jovem. Não se incomodava com aquele fato. Na verdade, gostava de ser importante para menina.
A refeição seguiu normalmente, entre uma conversa e outra sobre amenidades, Hiashi imaginou que aquele seria o melhor momento que poderia conseguir, para falar sobre o que já havia pensado por um tempo considerável. Ele pigarreou chamando atenção das mais novas.
Hanabi sorriu como uma cúmplice, a morena sabia do que se tratava. Pois o pai tinha contado quais eram suas intenções e a menina aprovou mais do que qualquer coisa, aliás, ela ansiava por aquilo.
— Eu não sei bem como dizer isso — ela mantinha suas pérolas sobre as outras tão parecidas com as suas — pode ser que eu esteja sendo precipitado, que você não queira — Hinata estava curiosa para entender onde ele queria chegar — mas apesar de todos os pontos que citei, preciso saber se você aceita ser reconhecida como minha filha, legalmente.
A azulada refletiu e foi inevitável não mergulhar nas lembranças de sua infância. Uma vez, numa atividade escolar, precisava de informações básicas sobre a mãe e o pai. Contudo, tinha ciência de que Kurenai não diria nada sobre seu progenitor. Sem que a mulher soubesse, ela acabou por encontrar sua certidão de nascimento. E, mesmo ali, não havia nenhum nome ou indício dele, apenas de sua mãe. Pior eram as apresentações de dia dos pais, em que ela era a única a não ter quem abraçar e entregar seus cartões confeccionados nas aulas.
Então, voltou ao presente, em que o homem a quem sempre quis conhecer, estava ali. Oferecendo uma oportunidade, apesar de tardia, de ter o sonhava desde menina. Estaria mentindo, se dissesse que não se sentia abalada, era uma sensação forte.
— Por que não? — respondeu, simplesmente.
— Ótimo — Hiashi sorriu feliz. Tocou na mão da mais jovem, disponível em cima da mesa — falarei com os meus advogados hoje mesmo. Em breve vamos resolver isso, definitivamente.
Pouco tempo depois, terminaram e saíram do estabelecimento. Hiashi acabou deixando seus olhos pousarem numa simpática tenda que vendia flores, do outro lado da rua.
— Tenho certeza de que ela vai amar — Hinata comentou, pois tinha percebido o que se passava pela cabeça do mais velho. Já que haviam combinado de levá-la para casa, o Hyuuga poderia unir o útil ao agradável e fazer aquele mimo para sua mãe. A azulada pensou.
O moreno a fitou e recebeu um aceno positivo em resposta.
O trajeto até o prédio Sandaime, ocorreu tranquilamente. Sem muita demora, adentraram o apartamento.
Era a primeira vez de Hanabi ali, a menina tinha curiosidade de saber mais sobre o local em que a irmã cresceu, era tão diferente da mansão Hyuuga. No entanto, o imóvel tinha o seu valor, por mais que não fosse grande e luxuoso, era aconchegante e bonito.
— Hina, me mostra o seu quarto? — perguntou como uma criança animada.
— Claro! — a mais velha sorriu. De qualquer forma, iria fazer algo para deixar o casal com mais privacidade.
Kurenai que estava absorta em seu computador, não esperava que a filha tivesse companhia na volta. Viu Hanabi puxar Hinata pela mão, em direção ao corredor. Logo, suas orbes seguiram para Hiashi, que acabara de fechar a porta.
O estado de tranquilidade e conforto, evaporaram como água. Já era de se esperar que Hiashi estaria ali, impondo sua presença mais uma vez. A Yuuhi se levantou.
— Elas estão se dando muito bem, arrisco a dizer que Hanabi é completamente apaixonada pela irmã — o homem iniciou o diálogo.
— Que bom. A Hina também está muito feliz com isso tudo — respondeu com simplicidade, não queria se alongar mais do que o necessário.
— Eu propus a Hinata, que eu a assumisse como filha oficialmente e ela aceitou — ele contou, sem esconder a satisfação.
— Se minha filha está feliz, eu estou feliz — a professora mais do que ninguém, sabia o quando sua menina almejava saber sobre o pai. E também presenciou a falta de uma figura paterna, por mais que se esforçasse como mãe.
De repente, o homem levou a mão para a parte interna do seu paletó e a surpreendeu ao tirar de lá, uma rosa e estendeu em sua direção. A mulher ficou parada tentando digerir aquela cena que se desenrolava. Não era uma flor qualquer, era uma rosa branca, como as que cresciam na mansão Hyuuga. Fora o primeiro presente que recebera de Hiashi, quando ainda era muito jovem e nem imaginaria tudo que iria acontecer.
— Por que você está fazendo isso? — indagou, num fiapo de voz.
Pela expressão dela, Hiashi sabia que a mulher se lembrava tão bem quanto ele e também tinha ciência do que aquela flor queria dizer.
— Porque eu quis. Senti uma vontade incontrolável de comprar e te dar. Aliás, a primeira coisa que veio a minha mente, quando eu vi essa rosa, foi você e em como seus olhos se iluminaram à primeira vez em que eu te dei uma.
A mulher permaneceu em silêncio. As palavras dela ainda ecoavam em sua mente.
Numa atitude ousada, o Hyuuga pegou uma das mãos femininas e beijou e por fim, colocou a rosa na palma da outra.
— Por favor, avise a Hanabi que estou esperando lá embaixo — o moreno agiu como se nada tivesse acontecido. Ele seria paciente.
Kurenai sentia o formigamento na pele, por conta do feito galanteador do outro. Sua atenção se voltou para a flor em sua mão, tocou as pétalas e um sorriso involuntário brincou em seus lábios. Estava se sentindo uma menina boba de novo. Sacudiu a cabeça e tratou de fazer o que foi pedido, claro, antes disso, deixou seu presente em cima da mesinha de centro.
— Como você pode ver, não tem nada de mais aqui — Hinata disse para Hanabi.
Seu quarto continuava, praticamente igual. No dia anterior, voltou para casa que dividia com Itachi e pegou algumas roupas, maquiagens e itens pessoais.
Mesmo sendo simples, não impediu a mais jovem de admirar o que havia ali. A menina estava em pé, de frente para penteadeira e tocava com as pontas dos dedos os produtos em cima da bancada.
— Você gosta de maquiagem? — a azulada perguntou, percebendo o interesse da morena.
— Acho bonito, mas eu não sei usar — respondeu, envergonhada.
— Eu posso te ensinar — ofereceu, observando as pérolas acanhadas ganhando um brilho empolgado, por conta do seu comentário. A Uchiha pegou um de seus batons e passou nos lábios da menor.
— Meu pai gosta mesmo da sua mãe, nunca vi ele demonstrar tanto interesse assim, por ninguém — a mais jovem falou em relação à rosa que Hiashi comprou e claro, não estava alheia ao fato dele e de Kurenai estarem a sós.
— Há reciprocidade, ela também nutre sentimentos por ele — declarou — eu só quero que minha mãe viva sem restrições, ela já abdicou de tanto por mim. Além do mais, não há nada pior do que ficar longe de quem se ama.
A mais jovem percebeu que Hinata dizia por experiência própria. Provavelmente, era sobre o tal Naruto. Apesar da curiosidade, não seria invasiva, depois do que ela havia confidencializado. Queria que a irmã revivesse memórias indesejadas, pois Hanabi, mais do que ninguém, sabia como recordações poderiam ser dolorosas.
Antes que pudessem continuar, foram interrompidas por batidas na porta, logo, Kurenai entrou no cômodo.
— Desculpe, mas seu pai está te esperando.
— Obrigada por avisar, sensei.
— Não precisa dessa formalidade fora da escola, pode me chamar de Kurenai — a Yuuhi sorriu.
E Hanabi anuiu em concordância.
— Eu vou com você, quero me despedir do Hiashi — Hinata se prontificou e as duas seguiram o caminho.
Mais uma vez, Naruto dedicou algumas horas do seu tempo ao jovem Saturobi. Por mais que estivesse cansado, por conta do dia marcado por compromissos, fazia questão de encontrá-lo. E daquela vez não fora diferente, comeram ramen no Ichiraku, o programa favorito de ambos. Ao cair da noite, o Uzumaki resolveu deixar o menino em casa, pois sabia como o velho Hiruzen era rígido com horários.
Contudo, antes que ele pudesse se despedir, Konohamaru estacou em sua frente e parecia num dilema, até que, finalmente, abriu a boca:
— Chefe, eu… — o menino desviou o olhar para chão, constrangido — eu tô a fim de uma garota, mas eu não sei o que fazer, ela é muito difícil — suspirou, suas bochechas estavam vermelhas.
Naruto sorriu pela situação do adolescente, esse era o motivo por ele estar diferente. O problema de Konohamaru parecia tolo, no entanto, o loiro já teve a mesma idade e sabia o quanto ao simples podia se tornar uma grande questão.
— Seja gentil, tenha muita paciência e principalmente, mostre que está interessado. A convide para algo — aconselhou.
— Valeu, chefe — o Saturobi apertou a mão do loiro — é melhor eu ir, antes que o vovô me dê uma bronca.
O Uzumaki acenou se despedindo e pelo mesmo hall que Konohamaru havia entrado, viu Hiashi saindo.
— Naruto! — o Hyuuga cumprimentou e se aproximou — você veio encontrar a Hinata?
— Não! Eu só trouxe o Konohamaru para casa, o menino que o senhor, provavelmente, acabou de cruzar — explicou.
— Me desculpe, não quis ser indiscreto. É só que eu soube que vocês já se relacionaram.
— Ela teve contou isso? — perguntou numa atitude impulsiva
— Não necessariamente, porém confirmou. O mundo, realmente, é pequeno — o mais velho divagou — por mais que a minha filha seja casada, eu faria muito gosto de te ter como genro — confessou.
O Uzumaki não escondeu a surpresa. Abriu sua boca num perfeito “O” e arqueou as sobrancelhas. Não imaginava que recebia tanta estima do Hyuuga. E, por mais que não estivesse junto de Hinata, era deveras agradável, saber que tinha o apoio e aprovação.
Konohamaru andava, ainda pensando no que Naruto disse, o menino tinha muita consideração por ele. Aliás, sabia que havia acertado em contar o que se passava com ele, porque não tinha muita experiência com garotas, por outro lado, seu chefe sabia o que fazer e como agir, pois o Uzumaki fazia muito sucesso com as mulheres, era só prestar atenção na forma como elas o olhavam.
O Saturobi já havia convidado Hanabi para sua festa, só não sabia se ela iria, de fato. Com a mente tão concentrada, acabou trombando com outra pessoa.
— Você não olha por onde anda?! — a jovem exclamou irritada.
— Hanabi! — ele arregalou os olhos — desculpe — ficou sem graça, estava fazendo tudo errado. Mas ainda daria um jeito, colocaria seu cérebro para funcionar.
— Konohamaru? — o moreno olhou para mulher atrás de Hanabi — venha aqui! — Hinata ordenou e ele se aproximou — mais perto! — assim que estavam a poucos centímetros de distância, ela puxou a orelha dele, que o fez soltar um berro — seu pestinha, da próxima vez que eu souber que você está fazendo fofocas com o meu nome, corto sua língua — ameaçou e o soltou.
Ele massageava sua orelha avermelhada, se tratando de Hinata, não duvidava que ela cumprisse o que prometeu.
Hanabi ria descontroladamente, quando elas voltaram a seguir o caminho, deixando o garoto ali.
Assim que as duas saíram do prédio, Hinata parou ao ver que Hiashi estava conversando com Naruto.
— Aí estão vocês — o Hyuuga notou suas filhas.
— Vocês se conhecem? — a dúvida da azulada se fez presente, ao notar como os dois conversavam com um certo grau de intimidade, que dois estranhos não teriam.
— Sim, conheci Naruto num desses coquetéis de negócios — Hiashi contornou o assunto, sem dificuldade — e acabei de constatar: como o mundo é pequeno, por encontrá-lo logo aqui. Mas essa feliz coincidência, é assunto para outra hora. Agora, já está ficando tarde e é melhor eu e Hanabi partirmos — quando o mais velho se deu conta, de que o olhar que Naruto direcionava à sua filha, era parecido com o mesmo que ele dirigia à mãe dela, decidiu que eles precisavam ficar à sós e não seria ele, a pessoa que atrapalharia.
Então aquele loiro era o famoso Naruto. Pensou a Hyuuga mais jovem. Ele, com certeza, era o tipo que faria sua irmã se apaixonar. Hanabi estava curiosa para saber mais o relacionamento dos dois, dava para notar que fora intenso e terminou de forma mal resolvida, levando em consideração a tensão que exalava de ambos. Todavia, após a fala de seu pai, se despediu de Hinata com um beijo e quando começou a se afastar com o mais velho, voltou seu olhar para trás e os dois continuavam parados ali.
Estar naquela situação era tão estranho. Eles que já foram mais do que íntimos, foram um só, agora estavam em silêncio, tentando medir e omitir suas palavras.
Mas, então, Hinata iniciou o diálogo:
— Ah… — pensou em como deveria dizer — obrigada pelo que você fez, eu não tive a oportunidade de fazer antes — a perolada se referia ao apoio inesperado que recebeu, após a descoberta de seu pai.
— Não me agradeça — ele respondeu, no entanto, uma parte dele estava se sentindo realizada por aquilo. Aliás, em seu íntimo, ficou pensando por dias, se ela estava bem — era o mínimo que eu poderia fazer, depois do erro que eu cometi. Enfim, é bom saber que você está se dando bem com o seu pai e sua irmã.
— É verdade, eles são ótimos, não é muito difícil gostar deles — ela sorriu, genuinamente, sem perceber que estava aquecendo todo o corpo do loiro, por conta do gesto — mas, mudando um pouco de assunto, eu nunca imaginaria que você e o Hiashi se conhecem.
— Como ele disse, o conheci por conta dos negócios — utilizou da mesma explicação — Porém, eu não esperava vê-lo aqui, enquanto acompanhava o Konohamaru para casa. Aliás, nem sabia que te encontraria também — não conseguiu conter suas palavras.
— Eu estou passando um tempo com a minha mãe — Hinata fitou o chão, sem graça, por conta da resposta que deu.
“Então você não está mais morando com o seu marido?” foi o primeiro pensamento que passou pela cabeça do Uzumaki, entretanto, ele conteve seu ímpeto, antes de dizer aquilo. Contudo, não interferia na sensação que se apossou de seu corpo, estava contente, por mais que fosse mesquinho.
— Kurenai-san deve estar feliz por isso, vocês eram muito próximas — ele relembrou.
— É verdade, não só ela, mas eu também. Parece que tudo aconteceu em outra vida — a perolada divagou.
Sim, parecia outra vida, a época em que eles estavam juntos, no tempo em que o loiro participava efetivamente da rotina de Hinata e Kurenai, dos jantares que os três preparavam, das aulas que ele e a azulada frequentavam e o melhor de tudo, era que estava à duas portas de distância. Mas agora, haviam tantas coisas separando os dois.
As palavras rasas que compuseram aquele diálogo superficial, pareciam terem sido esgotadas pelos dois, visto que permaneceram em silêncio. Entretanto, eles ainda se mantinham ali, sob o olhar um do outro, porque sabiam que haviam palavras necessárias que lutavam para serem expostas, porém, muito provavelmente, ficariam guardadas para eles próprios.
No entanto, contrariando todas as expectativas e previsões, o Uzumaki se aproximou demonstrando periculosidade.
Hinata sentiu sua respiração falhar, por conta da ação dele. Seu corpo estava quente, só por lembrar da última vez em que estiveram tão próximos assim.
— Eu já deveria ter ido embora, mas me dei conta de que não vou conseguir antes de fazer isso — tomou fôlego — por mais que minha cabeça grite que estou sendo impulsivo, não me importo nenhum pouco — sussurrou a última parte perto do ouvido feminino.
Hinata fechou seus olhos, dando um aval para que ele continuasse.A jovem sabia do que se tratava e também não se importava. Só queria aproveitar ao máximo. E para aumentar suas expectativas, sentia a respiração dele bater em sua face.
O loiro, finalmente, a beijou. Suas bocas se encaixavam numa perfeita sincronia, como se eles nunca tivessem ficado tanto tempo sem se beijarem. O sabor era o mesmo, aliás, o ato em si, era mais prazeroso pela falta que sentiam um do outro.
A jovem que tinha as mãos espalmadas no peito masculino, agarrando a camisa que ele trajava. Sua cintura era apertada e ela gostava de ter os braços masculinos a rodeando. Passeou com suas mãos até a nuca dele e acariciou os fios loiros com carinho.
O Uzumaki terminou aos poucos com selinhos, até separar seus lábios e gentilmente, abaixar para tocar suas testas. Não houve malícia, não existiam problemas, não existiam obstáculos. Eram apenas um homem e uma mulher, demonstrando em atos, seus sentimentos.
Ficaram abraçados por um tempo, aproveitando o calor mútuo. Até que se separaram e ele se despediu. Eles não sabiam o que aconteceria depois daquilo, mas aproveitaram o calor do momento. Seria o suficiente, por enquanto.
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