Hinata

34 Aproximação


Notas iniciais
Oi, pessoal. Eu demorei mais do que imaginava, aconteceram alguns contratempos que me impediram de escrever. Irei responder todos os reviews, como sempre. A gente está muito perto do fim da fanfic, mas ainda teremos alguns capítulos.

Não queria estar ali, mas havia prometido à Sakura que a acompanharia. Se fosse em outros tempos, sem dúvidas, não daria atenção. Porém, era um homem amadurecido, que tinha entendido que uma relação consistia em doação, em troca e equilíbrio das duas partes. Então, quando a Haruno lhe contou empolgada que Ino havia preparado uma pequena comemoração e o convite se estendia à ele, não pensou duas vezes em aceitá-lo.

Sua trajetória e separação da rosada, não foram em vão, muito menos a chance que havia pedido à ela. Iria fazer aquele relacionamento dar certo, pelos menos estava se esforçando. E faria tudo para manter o lindo sorriso nos lábios da rosada, nem que para isso, tivesse que aturar a escandalosa e inconveniente, Yamanaka, era um preço pequeno a se pagar.

O Uchiha nunca se sentiu tão feliz quanto agora, ele e Sakura partilhavam de muita cumplicidade e afeto. O trabalho dela consumia uma grande parcela de tempo, contudo, não era empecilho para os dois. Pelo contrário, só admirava a Haruno mais e mais por conta de sua dedicação à profissão. Sakura amava o que fazia, ela tinha uma verdadeira vocação.

Gostava do sorriso dela, sempre que a encontrava depois do hospital, era uma mistura de cansaço e dever cumprido. Geralmente, ele comprava comida e eles ficavam juntos no loft alugado por ele. Sasuke gostava de massagear os ombros tensos e os pés cansados da Haruno, enquanto ouvia um suspiro de alívio e a expressão agradecida pelo carinho.

Eles eram um casal mais silencioso do que o normal, se comunicavam mais por gestos e olhares do que palavras. Claro que havia diálogo, muito mais do que existia antes.

— Sasuke-kun — ela o chamou, fazendo com que ele despertasse de seus devaneios. Quando o Uchiha fitou suas esmeraldas, a médica se pronunciou — como foi sua conversa com o seu irmão? Ele se opôs?

— Não. Como eu posso dizer… Itachi foi apenas o Itachi — arrancou uma risada dela, sem nem mesmo ter a intenção — me disse para ter prudência e pensar melhor, como seu eu já não tivesse feito isso — divagou — por mais que ele não concorde, jamais tentaria me fazer parar. Itachi sabe que quando eu tenho um objetivo, nada consegue me impedir.

A rosada sorriu mais uma vez. Sim, ela mais do que ninguém, possuía a ciência de que o moreno era determinado. Via o quanto ele se esforçava para cumprir sua palavra de fazê-la feliz, o quanto ele demonstrava que era outro homem. E tinha obtido êxito, visto que a Haruno fora preenchida pela sensação de estar completa ao lado dele.

— Que bom! Eu também estou muito animada com nossos planos — admitiu.

Fora a vez do Uchiha sorrir. Algo tão difícil, uma ação que ele guardava apenas para ela, a fazendo se sentir especial. Sakura acreditava que nunca iria se acostumar com isso.

— Vamos? — ele sugeriu, assim que entrou com o carro, no estacionamento do condomínio que Ino residia, não houve problemas para entrarem, visto que a Yamanaka já havia informado a segurança. Além do mais, todos ali conheciam Sakura.

— Você não precisa ir comigo — para Haruno, não havia necessidade daquilo, ela sabia que Sasuke não gostava desse tipo de reunião e também percebeu que ele se ofereceu para acompanhá-la, só para não decepcioná-la. Só aquela atitude, provava o quanto o Uchiha estava diferente, apenas ele próprio não se deu conta disso.

— Mas eu quero ir, Sakura. Não vou mentir dizendo que estou indo, porque quero passar um tempo com os outros. Estou fazendo isso por você, porque eu quero estar com você, em qualquer lugar que seja. Essa é minha verdadeira intenção — desabafou.

Talvez Sasuke não tivesse noção do quão profundo suas palavras atingiram Sakura. Se isso fosse um sonho, não queria ser acordada nem tão cedo. Com os olhos esmeraldinos marejados, por conta da emoção, ela o beijou com doçura.

— Sasuke-kun, eu te amo — a rosada confessou.

— Eu também — o moreno mostrou sua reciprocidade, sem medos ou reservas. Ele concluiu que não existia nada melhor do que poder se expressar e ser verdadeiro consigo mesmo. Voltou a beijá-la.

Ino nunca fora uma grande cozinheira, sendo sincera, ela nunca teve contato com as tarefas domésticas, sempre esteve rodeada de pessoas para cuidarem daquilo, era muito mimada pelo pai, não negava. Ela sabia que o mais velho não fazia por mal, era uma forma de compensar o abandono que sofreu pela mãe. Embora em alguns momentos a criação que recebera tivesse feito com que ela fosse, muitas vezes, intransigente; também era uma mulher de personalidade forte e determinada e agradecia seu pai por isso.

Seu primeiro contato com a cozinha, foi por conta do trabalho, a loira começou a fazer muitas reportagens sobre culinária e acabou aprendendo um pouco aqui e ali, com seus entrevistados. Por isso, estava com as mãos, literalmente, na massa. Por mais que pudesse pedir comida pronta de algum restaurante, ela estava empenhada em fazer com as próprias mãos. Optou por um menu clássico, espaguete. Torcia para que estivesse bom e que todos gostassem.

Ainda absorta em seus pensamentos, nem se deu conta de que não estava sozinha no cômodo. Fora surpreendida com braços envolvendo sua cintura e um beijo depositado em seu pescoço.

Conhecia como ninguém, aqueles braços e a sensação de ser rodeada por eles. Desde o dia em que se acertaram de vez, o Sabaku ficava mais tempo na casa de Ino, do que em qualquer outro lugar. Até que eles decidiram que poderiam dar um passo maior naquele relacionamento e resolveram morar juntos.

Ino não poderia mentir, teve medo de que as coisas mudassem para pior e acabassem dando errado. Pois, embora a história deles já durava seis anos, conviver sob o mesmo teto, era uma dinâmica completamente nova. E por mais que existisse um sentimento muito forte que os conectava, ambos eram donos de personalidades fortes, que não iriam e nem queriam se anular ou anular o outro.

Isso é claro, sem falar do sexo. Era uma parte importante na relação deles. Nenhum dos dois dispensava uma boa transa. Ambos gostavam de experimentar coisas novas, não existia pudor. A loira teve receio de que eles se tornassem um casal morno, por conta da rotina. Todavia, seus medos se tornaram irracionais e infundados, visto que a química sexual entre o ruivo e ela, continuava quente como sempre fora,

Além disso, apesar de todas as perspectivas apontassem para o fracasso, a Yamanaka e o Sabaku, estavam obtendo sucesso. Temari até a agradeceu por tudo que fez pelo irmão dela, aquilo era surreal. Quando iria imaginar que a troglodita monstra, seria gentil e reconheceria seus esforços? Claro que não durou muito, depois disso, sua chefe continuava a mesma megera de sempre.

— Sabe que você me deixa louco, quando fica distraída com alguma coisa? — Gaara sussurrou próximo do ouvido feminino e por fim, assoprou.

— É mesmo? — a loira se fez de inocente — é uma pena que eu esteja ocupada e que logo teremos companhia.

— Sim, é verdade, mas você não escapa de mim, mais tarde — o ruivo apertou mais corpo contra o dela.

— Isso é uma ameaça? — ela roçou os quadris nele.

— Talvez seja uma promessa ou ameaça, depende de você, loirinha — provocou com o apelido, que ela não gostava.

Não importava quanto tempo passasse, eles sempre iriam fazer aquele tipo de joguinho. Ambos se divertiam e se completavam, pois o que faltava em um, existia no outro.

A Yamanaka se virou, ficando frente a frente. O beijou com ardor, até que o ar faltasse nos pulmões, mas antes de terminá-lo, abocanhou os lábios dele.

Acabaram sendo interrompidos por causa da campainha, anunciando a chegada de seus convidados:

— Atenda, por favor — ela pediu — estou quase terminando.

O Sabaku acenou em concordância e se dirigiu para o hall de entrada, ele abriu a porta e cruzou seu olhar com a rosada. A conhecia, assim como Hinata, era melhor amiga de Ino. E então, seus olhos escorregam para o homem ao lado dela, ele nunca tinha visto.

— Boa noite, Gaara — A Haruno cumprimentou simpática — ah, esse é o Sasuke.

— Oi — ele disse, simplesmente.

— Oi — o Uchiha rebateu no mesmo tom desinteressado.

Sakura suspirou por conta da boa vontade dos dois. Ela e Ino tinham um gosto parecido para homens, constatou com ironia.

E por falar na amiga, assim que o Sabaku abriu espaço para que entrassem, ela avistou a loira ajeitando a mesa, que ficava na sala de estar.

— Se eu não visse com os meus próprios olhos, jamais iria acreditar que Yamanaka Ino está fazendo esse tipo de tarefa — a rosada brincou.

— Testuda, modéstia à parte, eu sou muito boa na cozinha — ela se aproximou e beijou a amiga no rosto.

— Realmente, a modéstia fica à parte, porque convenhamos, você é tudo, menos modesta — Gaara provocou.

— Nisso, eu tenho que concordar — Sasuke se pronunciou. Havia acabado de ganhar um pouco de simpatia pelo ruivo.

— Ah, Sasuke! Quanto tempo! Tinha me esquecido do quão doce e educado você consegue ser — a loira debochou — fiquei chocada quando soube que vocês voltaram. A Sakura já tem uma vaga no paraíso por te aturar.

Sakura riu, enquanto o moreno estalava a língua no céu da boca.

— Mas agora não é momento para isso. Sentem-se à mesa — ela ordenou.

Todos se acomodaram e se serviram:

— Está delicioso, Ino. Depois me dê a receita — a médica elogiou e todos tinham que concordar, de fato, estava saboroso.

— Eu não disse? Eu sou ótima — a loira jogou o cabelos para o lado — mas algo me deixou muito curiosa, o que vocês pretendem? Você não me deu detalhes, quando conversamos por telefone.

— Bem.. — antes de dizer, Sakura fitou Sasuke, sabia que ele não gostava de expor, aquela faceta dele — nós vamos nos mudar, muito em breve.

— Jura? Gente, como assim? — a Yamanaka indagou espantada.

— Vamos para África do Sul — foi Sasuke que se manifestou.

Ino continuou com uma expressão desentendida no rosto.

Então, Sakura tratou de explicar:

— O Sasuke-kun viajou por vários países, inclusive a África do Sul. Ele criou um projeto para ajudar essas pessoas em áreas de risco, principalmente as crianças — a rosada falava com orgulho — por enquanto, ainda está no papel.

— Uau! Isso é incrível — a Yamanaka exclamou entusiasmada.

— Não é para tanto — o moreno resmungou, era por conta dessa reação das pessoas, que ele não gostava de contar suas intenções — ainda nem sei se vai funcionar na prática.

— Mas a Ino tem razão, mesmo que não dê certo, você pelo menos, está tentando. É melhor do que não fazer nada — pela primeira vez naquele jantar, Gaara se inseriu na conversa.

Sasuke o fitou, o ruivo não parecia ser do tipo hipócrita ou bajulador. As expressões e tom de voz eram monótonos, sem a intenção de agradar ninguém. Concluiu o outro homem era quieto e só falava quando tinha vontade. A simpatia pelo Sabaku aumentou.

— Olha só, até que esse encontro de casais está sendo proveitoso — a loira comentou.

— “Encontro de casais”, que brega, loirinha — Gaara a provocou.

— Tenho que concordar — o Uchiha sorriu jocoso, até que estava começando a se divertir.

— O que é isso? Um complô contra mim? — perguntou irritada — Sakura, você não vai ficar do meu lado? — fitou a amiga, em busca de apoio.

— Eles só estão brincando, Ino. Não precisa ser tão dramática assim — a Haruno tentou apaziguar a situação.

— Está vendo? Até a sua amiga sabe que não é para ser levado a sério — o Sabaku beijou o rosto de Ino — você está muito estressada, vou dar um jeito nisso mais tarde — ele sussurrou a última frase, para que apenas ela pudesse ouvir.

— Vocês são um bando de ingratos, isso sim. Eu me esforço para fazer um jantar bom e é assim que eu sou tratada — Sasuke revirou os olhos e quando Gaara se atreveu a falar, ela o cortou antes — E não diga mais nada, senão eu jogo todas as suas coisas pela janela e você terá que voltar a morar com a sua irmã.

— Ino, eu não estou entendendo porque você está agindo dessa maneira — Sakura proferiu.

— Testuda, você vai se mudar para o outro lado do mundo — a loira soltou.

Era por isso, a amiga estava se sentindo abandonada. A rosada, de fato, ficou tão entretida e animada com a possibilidade de colocar em prática, as ideias de Sasuke, que nem parou para pensar que ficaria longe de tudo e todos que conhecia. Afinal, ela morou e construiu toda sua vida naquele país. Não que houvesse medo do futuro, pois ela não tinha, mas seria difícil dizer adeus. Dessa forma, ela tomou as mãos da Yamanaka, que estavam em cima da mesa.

— Porquinha, você ainda vai me ter por um bom tempo e eu prometo que serei só sua — sorriu — o Sasuke vai na frente para agilizar tudo, porém eu ainda tenho que terminar especialização em pediatria.

A loira fez um biquinho, como uma criança mimada:

— Só vou deixar essa “porquinha” passar, por causa das coisas fofas que você disse — riu.

Pronto! O momento dramático já havia passado. A Haruno pensou.

— Mas a pior de todos, é a ingrata da Hinata. Eu liguei para ela, a convidando também. Mas eu fui dispensada, sem a menor cerimônia. “estou ocupada, Ino. Não vou poder ir”.

— Já parou para pensar, que ela está ocupada mesmo — a Haruno tentou ser razoável. Viu a sobrancelha loira se erguer em descrença. Portanto, quis dar um jeito nisso — Sasuke-kun, esteve com o Itachi, hoje mais cedo. Você soube de alguma coisa?

O Uchiha, que tinha sua atenção voltada para seu celular, levantou a cabeça e observou as esmeraldas esperando uma resposta:

— Pelo que Itachi me disse, a Hinata está passando um tempo com a mãe dela.

Aquela foi a primeira vez, no jantar, que Sakura se sentiu apreensiva e até mesmo preocupada.

— Ah! Está vendo só, Sakura. Eu sabia que tinha algo de errado — a loira constatou. Ino sempre sentia o cheiro de problemas no ar.

— Ei, cara, quer assistir tv? — o ruivo convidou o Uchiha. Pois ele tinha ciência de que Ino iria começar a especular sobre Hinata.

— Com certeza — Sasuke aceitou a proposta sem pensar duas vezes. Não queria ter que responder mais nada e nem se meter no assunto.

— Eu troco de nome, se isso não tiver relação com a volta do Naruto — a Yamanaka discorreu — você sabe que eu sempre achei estranho essa separação deles e depois o casamento da Hinata com o Itachi.

— Sim, mas o que nós podemos fazer? Você conhece a Hina, se nós a pressionarmos, ela vai se afastar, como fez no passado. Só podemos esperar que um dia ela se sinta pronta para se abrir conosco.

— Você tem razão, na primeira parte e é por isso, que eu nunca mais perguntei sobre o passado. Mas duvido muito que algum dia, confesse seus segredos e motivações.

….

— Alô — ela atendeu com certa desconfiança, pois não conhecia o número na tela — quem fala?

— Oi, sou eu, o Konohamaru — o menino respondeu animado.

— Ei, como você conseguiu meu número? — Hanabi não escondeu a irritação. Já não bastava ter que aguentá-lo nas aulas, agora, nem fora da escola, estaria livre do Saturobi.

— É… bem… — a Hyuuga poderia jurar que o moreno coçava a nuca do outro lado da linha, em sinal de constrangimento — eu pedi a Shizune, secretária da diretora Tsunade — riu sem graça — disse que nós faríamos um trabalho, mas eu tinha esquecido de pegar o seu contato.

— É mesmo? E você pode fazer o favor de dizer o que quer? — ela não se importou em usar um tom debochado.

— Eu te convidei para minha festa, mas duvido que você virá — Hanabi pôde notar o pesar na voz dele, isso não iria impedí-la de confirmar que ele estava certo. No entanto, antes que pudesse se expressar, o Saturobi retomou a fala — então, eu tive a ideia de te convidar para tomar um sorvete — sugeriu esperançoso.

A Hyuuga pensou que seria mais fácil dispensar Konohamaru, contudo, por algum motivo, nada saiu de sua boca. Talvez no fundo, estivesse gostando de ser cortejada por ele, fazia bem ao ego, afinal. Não iria admitir em voz alta, mas aquele jogo estava começando a ficar interessante.

Por conta do silêncio dela, Konohamaru sabia que ele deveria tomar a frente da situação. Quem sabe Hanabi era tímida, ou inexperiente com garotos. Se lembrava muito bem dos conselhos de Naruto, deveria ser gentil e paciente.

— O que você está fazendo agora? — ele surpreendeu com sua pergunta, mudando o assunto com brusquidão.

— Eu estou deitada na minha cama — ela olhou para o relógio no criado-mudo, ele marcava onze horas da manhã. É sábado — justificou — e você? — devolveu o questionamento.

— Estou em casa, mas irei para o apartamento que o Chefe morava, aqui no prédio do meu avô. Ele permitiu que eu usasse para dar minha festa, mas eu tenho que limpar — tagarelou.

Hanabi podia jurar que ouviu um “clique” produzido pelo seu cérebro. Pelo que se lembrava, “Chefe” era a maneira como o Saturobi chamava Naruto. Tinha razão, aquilo era mais do que interessante. Quem diria que aquele garoto chato iria jogar em seu colo, uma oportunidade como aquela? Desde que Hinata se abriu com ela, contanto um pouco de sua história e confidencializou o momento de terror que passou sozinha, sentiu vontade de saber mais sobre os dois e a curiosidade só aumentou, ao ver o loiro que sua irmã amou e muito provavelmente, ainda amava. Aquela era a situação perfeita para conhecer mais do passado. Logo, ela não tinha dúvidas do que fazer.

— Escute, eu tive uma ideia. Posso te ajudar na sua tarefa -a Hyuuga usou o tom mais inocente que conseguiu.

— Jura?! — o moreno abriu um sorriso empolgado. Já não existia muitas esperanças da parte dele, contudo, fora surpreendido. Hanabi não aceitou tomar um sorvete com ele, foi melhor do que isso, se oferecer para ajudá-lo. Aquilo significava muito para ele. Talvez fosse o início de algo entre eles. Animação era pouco para poder descrever seu estado de espírito naquele momento.

— Sim. Falando nisso, estou saindo daqui agora, me espere que não irei demorar — informou, exista pressa de sua parte.

— Espere! — ele falou, antes que a Hyuuga pudesse encerrar a ligação — você não vai pegar o endereço?

— Você tem amnésia? Por acaso se esqueceu de que eu estive aí com a Hinata? — Hanabi revirou os olhos.

— Ah, é verdade — Konohamaru riu por isso — eu nem sabia que você era amiga da Hinata.

— Isso é sério? — ela perguntou mais para si mesma, em voz alta — você ainda não entendeu? Não percebeu a semelhança física que eu e Hinata temos? Nós somos irmãs — explicou sem paciência, porque era algo óbvio.

— Caramba! — estava abismado — eu nem suspeitei.

— Deu para perceber — foi sarcástica e duvidava que o Saturobi, com seu intelecto, notaria — Até mais — ela desligou, sem dar chances de resposta — que garoto idiota!

Antes de sair, deixou um um bilhete para o pai, avisando que sairia, já que ele não estava em casa. Dali em diante, tudo ocorreu sem grandes dificuldades, pegou um táxi e chegou rapidamente ao seu destino, já que o trânsito havia colaborado para isso.

Assim que colocou seus pés para fora do automóvel, que tinha parado em frente ao prédio Sandaime, avistou Konohamaru.

O moreno veio ao seu encontro saltitante como uma criança travessa, por mais tonto que ele fosse, não poderia negar que era divertido. Quase esboçou um sorrisinho. Quase.

— Oi, Hanabi — ele cumprimentou, a fitando como se fosse um bobo.

— Olá — retribuiu neutra.

— Poxa, não dá para acreditar que você está aqui — comentou, a Hyuuga podia enxergar a sinceridade dele.

— Por quê? — ela indagou.

— Bom… — ele coçou a nuca — eu posso ser idiota, mas nem tanto. Você não parece muito feliz ao meu lado. Além do mais, eu não estou no seu nível. Então, estou me sentindo feliz, por ter vindo aqui.

A menina abriu a boca num perfeito “O” e, imediatamente, se sentiu culpada. Vendo como ele estava se abrindo de verdade e percebendo que havia um sentimento da parte dele. Enquanto ela, só estava ali para “usá-lo”, de certa forma, e saciar sua curiosidade. Se sentiu mal, por mais que tenha sofrido na vida e criado uma casca em torno de si mesma, não era tão insensível assim. Não era parte do seu feitio brincar com os sentimentos das pessoas, jamais iria ser como sua mãe. Dessa forma, concluiu que mudaria aquilo. Por mais que seu objetivo não tivesse mudado, faria valer a pena para o Saturobi.

— “Eu não estou no seu nível” — fez uma imitação barata da voz dele — já chega de dizer besteiras, me leve ao lugar — o puxou pelo braço e arrastou para dentro do edifício. O garoto não parecia zangado pela atitude dela, pelo contrário, exibia um sorriso de orelha a orelha.

Eles formavam uma boa dupla, constatou Konohamaru. Por mais que Hanabi nasceu em berço de ouro e, sem dúvidas, nunca teve que fazer tarefas domésticas ou esforço físico, a garota não fugia do trabalho.

Os dois não trocaram muitas palavras, a Hyuuga estava visivelmente cansada, o cabelo colado na testa, por conta do suor e claro, a respiração mais ofegante que o normal. Sentiu vontade de beijá-la, não que tivesse muita experiência, já havia feito isso duas ou três vezes.

Porém, estava inseguro para praticar tal ação, tinha medo de fazer algo errado e Hanabi não gostar, dessa maneira, ela iria se afastar dele, nunca mais dando abertura para se aproximarem. Por isso, ele apenas sugeriu que eles dessem uma pausa para descansar, afinal de contas, já cumpriram quase todas as tarefas do planejamento que criaram.

No momento, ambos estavam sentado no chão, devidamente limpo, comendo sanduíches preparados por seu avô.

Hanabi nunca havia se esforçado tanto assim em toda sua vida, estava acabada, entretanto, apesar das dores pelo corpo, havia uma estranha sensação de satisfação. Para sua alegria, encontrou várias fotos de Hinata e Naruto, espalhadas por todos os cantos, os dois claramente eram mais jovens e também possuíam cortes de cabelo diferente. Mas o principal, era amor e a felicidade, que transcendiam as fotografias.

Todavia, outra coisa a surpreendeu e ocupou seus pensamentos: ter passado aquele tempo com Konohamaru e percebido que era possível rir das piadas bobas dele, o garoto também era gentil e atencioso. Talvez a idiotice dele fosse contagiosa e ela estivesse infectada.

Balançou a cabeça, para afastar aquilo e após comer, anunciou que iria ao banheiro.

Enquanto isso, Konohamaru decidiu continuar a limpeza. Havia uma estante cheia de livros e toda empoeirada à sua espera. Ele pensou que seria mais fácil retirar os livros primeiro. Acabou espirrando fazendo esse trabalho, até que entre uma pilha e outra dos objetos que transportava, um envelope grande caiu no chão. Seu instinto foi abrí-lo para ver o que tinha dentro.

O Saturobi arregalou os olhos, havia o nome de Hinata escrito ali e se não estivesse louco, aquilo se tratava de um exame de gravidez.

Ouviu os passos de Hanabi se aproximando e voltou a guardar o objeto entre os livros. Precisava manter a calma e não levantar suspeitas.

— Vejo que você continuou sem mim — a menina expressou.

— Ah… sim… é verdade — respirou — sabe o que é, Hanabi, já está ficando tarde. É melhor você voltar para casa, eu continuo sozinho, a maior parte, nós já fizemos.

— Você tem razão — a Hyuuga sabia que era verdade, seu pai com certeza não gostaria que demorasse tanto tempo fora. No entanto, foi inevitável pensar que era, no mínimo, curiosa a forma como ela a estava dispensando. Por isso, um vinco se formou em sua testa e ela perdeu até a vontade de aproveitar o momento e visitar a irmã — eu já estou indo.

— Obrigado — ele disse, quando ela abriu a porta para sair.

— Não foi nada — se virou para o moreno, uma última vez, antes de ir.

Assim que o adolescente fechou a porta, fez a única coisa que passou por sua mente. Sacou o celular do bolso, digitou o número com rapidez e pouco tempo depois, fora atendido.

— Oi, Chefe… é… eu encontrei uma coisa, que eu acho que você vai querer ver.

Notas finais
E aí, vocês estavam esperando por esse final? Amores, o próximo capítulo promete. Deixe o seu comentário, ele é muito importante. Beijos, até o próximo.