Hinata
38 Vida
Notas iniciais
— Eu te ajudo — Hinata sorriu, se dirigiu prestativa em direção ao mais velho.
— Faço isso todos os dias — Hiashi bufou frustrado, estava uma pilha de nervos.
— Não se preocupe, é perfeitamente normal que se sinta assim — ela deu o nó na gravata, com gentileza — além do mais, você está lindo. Minha mãe não vai resistir, pai — seu comentário fora tão espontâneo, que nem se deu conta do efeito que causou no Hyuuga.
Pai. Hiashi mal podia acreditar, aquela era a primeira vez que sua filha se dirigia daquela forma. Que palavrinha pequena, com um grande poder. Queria perguntar para ter certeza, se não ouviu errado, no entanto, não tinha o desejo de estragar aquele momento único e sincero. O mais velho abraçou a azulada.
— Obrigado, filha — agradeceu com a voz abafada, nas madeixas escuras dela.
— Agora ele está se sentindo, Hina — Hanabi debochou, a mais jovem que até o momento, estava com a cabeça enfurnada no celular e completamente largada no sofá, da sala em que o pai se arrumava.
— E como eu não iria, sendo o homem mais sortudo do mundo? — o homem se gabou divertido — venha aqui, sei que você também quer um abraço.
— Fala sério, papai. Não quero nada — mesmo assim, contrariando a própria fala, a menina se levantou e se juntou ao pai e a irmã. Todavia, a demonstração de afeto foi interrompida pelas batidas na porta. A garota se desvencilhou e correu animada, o que fez Hinata e Hiashi compartilharem um olhar desconfiado.
Assim que o jovem Saturobi foi revelado, após a porta ser aberta, não foi necessário pensar muito para ligar os pontos e entender o motivo da mais jovem não ter desgrudado de seu celular.
— Até que fim, Kono-kun — Hanabi saudou o menino com um beijo na bochecha.
Konohamaru, imediatamente, enrubesceu. Não apenas pela forma carinhosa que a garota de seus sonhos o tratou carinhosamente, mas também por ter sido na frente do pai e da irmã mais velha.
— Oi, senhor Hyuuga! Hinata! — pigarreou ao cumprimentá-los — ah, tem bastante gente lá fora — o Saturobi quis se bater, pelo comentário aleatório, só queria sair daquela situação constrangedora.
— Vamos! — puxou o garoto para fora, que pôde respirar aliviado. A Hyuuga mais jovem, queria ficar à sós, o mais rápido possível, com ele — até logo, para vocês dois! — se despediu, sem dar chances deles responderem.
— Me pergunto onde essa menina vai parar — o moreno confessou.
— É só uma fase — Hinata riu — eu na idade dela, era bem pior.
Então, em pouco tempo, a porta foi batida e aberta de novo. Dessa vez, foi a versão mais jovem de Hiashi, que adentrou ali:
— Finalmente, estão em tamanho perfeito, tio — Neji tirou a caixinha de dentro do paletó, abrindo o objeto e revelando as alianças, as mesmas que pertenceram aos pais de Hiashi e que permaneceram guardadas, pois o homem não tinha usado em seu casamento com Rin. Os anéis estavam em perfeitas condições, apenas precisaram de um reparo.
— Ótimo! — Hiashi respirou aliviado, era uma preocupação a menos.
— Prima — Neji se dirigiu à ela.
— Oi — sorriu. Eles estavam criando uma relação legal. Neji era protetor até demais, todavia, passava uma sensação de segurança muito grande, que agradava Hinata, além disso, era bastante inteligente e prestativo — bom, agora vou deixar vocês dois, nos vemos daqui a pouco — beijou os dois Hyuugas, numa breve despedida.
….
— Kurenai, meu amor, não se mexa, senão irei espetá-la — Maito Gai avisou. O homem fazia os últimos ajustes na barra do vestido.
— Perdão, Gai — se desculpou, porém era difícil permanecer totalmente parada. Estava mais nervosa do que pensou que ficaria, todavia, sua linha de raciocínio fora interrompida — Hina, querida! — abriu um sorriso após falar, assim que viu sua menina entrar no apartamento.
A azulada retribuiu o sorriso com um genuíno. Lee havia feito uma maquiagem leve, ressaltando os lábios com um batom vermelho, que destacava ainda mais os olhos da mulher. O cabelo castanho estava preso num coque elegante, com a franja comprida solta, emoldurando cada lado do rosto feminino. Pai e filho poderiam ser loucos e escandalosos, além da conta, mas eram igualmente talentosos e sabiam ser profissionais.
— Hina, você acha que não está demais? Não sei, talvez não fique bem para minha idade — a Yuuhi externou seu receio.
— Como assim? Está feio? — Lee se pronunciou choroso, era como ter recebido uma facada em seu próprio coração.
— Ai! — a mulher exclamou pela espetada que levou, sabia que Gai tinha feito de propósito.
— Nosso trabalho está fabuloso como sempre, filinho. Kurenai perdeu o juízo, isso sim — respondeu num falso tom ofendido. Aquilo era nervosismo puro. O Maito tinha a plena consciência do vestido impecável e exclusivo que criou. Jamais faria uma cliente ser alvo de vexames, ainda mais alguém tão querida. O modelo era de mangas cumpridas, decote em “V”, valorizando o busto, seda pura num tom perolado, próximo ao tom dos olhos “Hyuuga”, ironicamente.
— Não, por favor, não quero desprezar o trabalho de vocês.. eu só… — ela não completou.
— Mãe, você está incrível. Não precisa se prender aos medos bobos, só aproveite o momento e seja feliz, você mais do que qualquer um merece — Hinata a abraçou, ao mesmo tempo em que pai e filho se afastaram, para dar privacidade ao momento delas.
A perolada não permitiria que nada estragasse aquele momento. Seus pais iriam se casar, se unir de vez. Pelo menos, para algo bom, serviu o maldito atentado daquele homem. Sua mãe percebeu que a vida era efêmera demais, para desperdiçar com medos e traumas do passado. Kurenai havia tido uma conversa franca com Hinata, contando como se sentiu segura nos braços de Hiashi, de como ele a apoiou e foi carinhoso, então se deu conta de que o amor que tinha pelo Hyuuga, era maior do que qualquer erro. Portanto, não foi uma surpresa quando anunciou que deu uma nova chance ao seu pai. A azulada nem mesmo ficou chocada pelas poucas semanas de namoro, que logo se tornou um noivado. Eles se amavam e permaneceram mais de duas décadas separados, era tão natural e certo que não quisessem perder mais tempo. Ela sentiu verdadeira alegria por ambos, principalmente por Kurenai, amava tanto a Yuuhi, porém sabia que a mãe possuía uma enorme dificuldade em pensar nela própria, por isso, vê-la tomar aquele passo rumo à felicidade de si mesma, fez com que Hinata tivesse orgulho.
Foram necessários três meses desde o fatídico e tenebroso dia, até estarem ali, com todos os preparativos prontos. Por mais que Kurenai desejasse uma cerimônia simples, apenas com os íntimos, organizar um casamento dava trabalho. Porém, conseguiram resolver todos os detalhes em tempo recorde, embora Hiashi reclamasse, segundo ele estava demorando demais.
— Filha, eu te amo tanto — a professora deixou lágrimas escaparem. Kurenai sentia um misto de emoções, estava feliz por poder se unir à Hiashi, com receio da nova vida que teria e também muito orgulhosa da filha que tinha. Grata e ao mesmo tempo, assustada pelo momento.
— Também te amo, mas não chore, vai acabar borrando a maquiagem — a mais jovem riu e a mãe acabou a acompanhando — já atrapalhei demais Gai e Lee — ambos mandaram beijinhos para ela, ao citá-los, Hinata retribuiu — vou descer e ver o que está acontecendo — beijou as mãos da professora, antes de sair.
….
A cerimônia aconteceria ali mesmo, no salão do prédio Sandaime. Sua mãe não viu necessidade em escolher outro lugar, além do mais, seria uma despedida para ela, já que iria morar com Hiashi e deixaria o local que a acolheu por tantos anos. Hinata entendia os motivos da mais velha.
Quando passou pelo corredor, viu Hanabi se atracando com Konohamaru, até o momento, os dois ainda estavam na fase de apenas ficar, mas conhecendo ambos, sabia que não demoraria muito para namorarem, de fato. Até pensou em assustá-los, porém não era tão má assim. O jovem casal estava tão entretido, que nem perceberam a azulada passar por eles.
Hinata desceu mais dois lances de escada, até chegar ao térreo, onde se localizava o salão de festas. A decoração era simples, mas muito bonita, havia uma espécie de altar, no outro extremo do ambiente, com uma bela cascata de flores, Predominantemente, brancas, com algumas na cor rosada. As mesas redondas ocupavam o resto do espaço e possuíam arranjos que seguiam a mesma estética do altar.
Ela perscrutou o local, que já comportava a maior parte dos convidados, até que suas luas fitaram Itachi, acompanhado de uma loira, se tratava da secretária dele. Se sua memória não estivesse falhando, se recordava de que a mulher sempre nutriu uma paixão platônica pelo Uchiha, que parecia ser o único a não perceber. Para ser sincera, sabia desde o início do relacionamento com Itachi, dos sentimentos que a loira tinha. Todavia, no começo, gostava de saber que seu homem era cobiçado pelas outras, uma atitude nada louvável e depois de ter se casado por conta das ameaças sofreu, passou a não se importar com isso.
Quando o ex marido a viu, acenou com a cabeça. Estava muito contente pelo moreno não guardar mágoas dela. Desconfiava que ele a perdoou, no momento terrível que ficaram em cárcere, sozinhos e sem ajuda, com aquele maníaco.
Se lembrava daquele dias com perfeição. Após a chegada dos policiais, prenderam o maldito Obito, então ela soube o nome do demônio que atormentou e ameaçou sua vida. Enfim, tinha ciência de que primeiro, o desgraçado recebeu atendimento médico, pelo estado em que ficou, depois que se recuperou, não demorou muito para ir a julgamento e fora condenado à prisão perpétua, num presídio de segurança máxima. A Akatsuki foi desmantelada e todos seus membros, também presos. Foi amplamente divulgada na mídia a ligação entre a maior organização criminosa do país e Uchiha Madara, algo que Hinata não se surpreendeu, já foi fácil reconhecer que o assassino de seu amigo Kiba, era o mesmo capanga que o mais velho ordenou que a perseguisse.
A perolada não seria hipócrita, sentiu alívio ao saber que Uchiha Madara morreu e não poderia mais ser uma ameaça para ela, contudo, quando toda sujeira criada pelo mais velho veio à tona, acabou tendo o efeito colateral de prejudicar o sobrenome Uchiha, que sempre fora respeitado e temido, dessa forma, as Indústrias Uchiha sofreram as consequências pelos atos terríveis cometidos por Madara. Itachi, em acordo com todos os sócios, resolveram dissolver várias áreas da empresa, o que acarretou diversos problemas.
E por mais que a azulada não fosse mais a esposa de Itachi e nem tivesse qualquer vínculo com o sobrenome dele, ela optou por pedir para seu pai ajudar de alguma forma. Hiashi acatou o desejo da filha, primeiramente por saber que o neto não tinha envolvimento com os crimes cometidos pelo avô, além de ser vantajoso para os Hyuuga, porém, o motivo principal, era poder agradar a filha. Ele estava dando todo suporte ao ex genro, que só teve oportunidade de conhecer, de fato, já no rápido processo de separação amigável entre Hinata e Itachi.
— Olá! — Hinata cumprimentou ao estar a apenas alguns passos de distância do casal.
O Uchiha sorriu para ela. Era reconfortante não haver um clima pesado pairando entre eles. A princípio, o moreno tinha ficado ressentido com a ex esposa, no entanto, tudo que ambos viveram juntos, desde os momentos felizes até o terror pelo cárcere. E quando Uzumaki Naruto encontrou amarrado e perguntou desesperado por Hinata, as peças se encaixaram e o loiro era o homem que Hinata amava, claro, ela mentiu dizendo que nunca havia se relacionado com o Uzumaki, porém ao ver toda fúria misturada ao medo naquelas orbes azuis, não foi difícil enxergar o quanto aquele homem a amava desesperadamente. Além do mais, Hinata fora ameaçada a agir conforme seu avô queria e aquilo deveria ser levado em consideração. Tudo isso pesou muito mais, do que qualquer sentimento ruim que poderia ter tido por ela.
E só de pensar em seu avô, um sentimento de revolta preencheu seu peito. Como alguém poderia ser tão egocêntrico ao ponto de manipular e usar de todas as manobras sujas, para decidir sobre a vida dos outros? Que direito ele tinha de escolher quem vivia e quem morria? O pior de tudo, era que Itachi jamais poderia confrontar Madara e dizer aquelas coisas. Mas aquele tipo de sentimento só faria com que ele andasse em círculos. E a única coisa que ele precisava, era focar suas energias em reverter todo mal causado pela Akatsuki. Irônico como seu avô fez de tudo para o sobrenome Uchiha estar no topo, contudo, as ações dele só estavam destruindo qualquer legado que poderia existir.
— Confesso que cheguei a pensar que você não viria — Hinata comentou, por saber o quanto ele estava trabalhando.
— Eu também, mas consegui arranjar um tempo, não poderia deixar de vir no casamento do seu pai. Preciso mostrar minha gratidão — explicou.
— Sabe, meu pai apostou em você por ter ciência de que será vantajoso para ele, você sempre foi muito competente — a perolada expressou e sorriu em direção à Yugito.
— Me perdoe por não apresentá-las corretamente, essa é a Yugito a minha nova namorada e assistente — ele disse sem rodeios.
A Nii que já estava se sentindo desconfortável com a situação, ficou ainda mais corada. Apesar de no fundo, sentir seu coração dar cambalhotas de alegria, por Itachi assumir o relacionamento deles publicamente, ainda mais para ex esposa. Yugito mudou completamente seu posicionamento de não procurar seu chefe, até ele resolver sua situação, pois quando viu nos telejornais, que o herdeiro Uchiha foi feito de refém por um terrorista perigoso, pensou que fosse morrer de tanta preocupação e medo.
Quando Yugito conseguiu encontrá-lo sã e salvo, o abraçou apertado, tinha certeza de que o homem precisava de apoio e carinho. E no momento que soube da situação crítica da empresa, voltou a trabalhar ao lado de Itachi e Shisui incansavelmente. Durante aquele tempo, a loira foi o apoio incondicional do Uchiha. No entanto, a relação só foi consumada e firmada, depois de Itachi ter se divorciado, pois antes, Yugito permitia apenas alguns beijos roubados do homem. Não que fosse uma tarefa fácil resistir, mas ela era uma pessoa correta demais para assumir o papel de amante.
— Itachi, por que você não pega algo para bebermos? — a azulada sugeriu.
Ele concordou com um aceno de cabeça e nem mesmo o olhar de pânico de Yugito, o fez voltar atrás.
A Nii sempre se sentiu inferior em relação à Hinata, até mesmo já chegou a invejar a confiança e beleza que a morena esbanjava, não tinha orgulho disso. Acabou baixando o olhar para os próprios pés, se sentia deslocada naquela lugar e só foi por muita insistência de Itachi. No fundo, havia vergonha, pois muito provavelmente, a ex senhora Uchiha, poderia até pensar que ela e Itachi tiveram um caso enquanto o homem ainda era casado. Queria desfazer qualquer mal entendido, todavia, não tinha forças para dizer.
Sentiu as belas pérolas em sua direção, até que a outra mulher resolveu iniciar o diálogo:
— Por que está tão acuada? — a azulada questionou, por conta da postura intimidada da outra.
— Eu não deveria ter vindo — respondeu baixo e se Hinata não estivesse perto, não conseguiria ouvir. Yugito ouviu a risada da outra mulher.
— E me deixe adivinhar, você está se sentindo mal, por achar que não gosto de você ou algo do tipo? — pela primeira vez que Yugito a encarou, Hinata soube que estava certa — para ser sincera, fico muito contente que o Itachi possa ter ao lado dele alguém que o ame e apoie, da maneira que eu não pude.
Yugito arregalou os olhos, pela surpresa da revelação de Hinata, no entanto, antes que pudesse formular algum comentário, foram interrompidas!
— Hinata! — um furacão loiro exclamou — amiga, preciso falar com você — Yamanaka Ino se fez presente, ao perceber que a amiga estava conversando com outra mulher, não perdeu tempo — querida, você se importa se eu roubá-la? — sorriu simpática e não esperou resposta de Yugito. Segurou Hinata pelo pulso e a guiou para a direção contrária. A perolada sabia que não adiantava dizer nada, já estava acostumada e apenas riu.
— O que você quer falar com tanta urgência, Ino? — perguntou depois de pararem próximo ao altar.
A Yamanaka colocou as mãos sobre a cintura e piscou o olho para amiga. Ino sendo Ino.
— Você está olhando para mais nova apresentadora do pedaço e pode anotar aí, serei a maior do país ou não me chamo Yamanaka Ino — sorriu presunçosa.
Hinata arqueou as sobrancelhas tentando assimilar o que foi dito.
— Não entendi direito, você trocou de emissora? Porque pelo que me lembro, você já disse que se dependesse da sua chefe, nunca iria crescer como queria — externou sua dúvida.
— Ai, amiga! — Ino riu — é tudo verdade, deixa eu te explicar melhor. Até eu fui pega de surpresa com a notícia. A bruxa da Temari sempre me infernizou mesmo, mas ontem ela me chamou em sua sala e me parabenizou pelo trabalho que venho desempenhando — riu desdenhosa — e não foi só isso, minha querida cunhada agradeceu por eu estar fazendo bem ao seu irmãozinho. Você tem noção do quanto a Temari deve ter se esforçado para me falar tudo isso? Eu nunca cheguei a cogitar que esse dia chegaria — riu mais uma vez — se eu pudesse, teria gravado para eternizar esse momento.
— Uau! Então, acho que devo te parabenizar e desejar que tudo dê certo — abraçou a loira, verdadeiramente feliz por ela, pois sabia o quanto Ino amava e se dedicava à profissão.
— Bem, ainda está tudo muito no começo, temos que formar uma equipe, escolher cenário, pautas e o formato do programa — suspirou.
— Tenho certeza que será tudo incrivelmente bem feito — a perolada constatou.
— Você tem razão, afinal estamos falando de mim — a Yamanaka concordou petulante e Hinata riu — a propósito, por falar nisso, estava pensando que contar essa linda história de amor dos seus pais, que foi capaz de resistir ao tempo, seria uma ótima maneira de iniciar meu show, que tal? — sondou despretensiosa.
A perolada revirou os olhos, estava demorando para que a amiga colocasse as garrinhas de volta.
— Você não muda mesmo, sua oportunista — usou um tom falsamente ofendido.
— Hina, não fala assim. Eu sei que você vai me ajudar a convencer os seus pais, não é mesmo? — fez um biquinho adorável.
Hinata tinha uma resposta malcriada para dar, contudo, o namorado da loira, se juntou à elas.
— Finalmente apareceu. Pensei que não viria mais, Cabeça de Fósforo — Ino mostrou sua irritação, apesar do amor que sentiam pelo outro, sempre se provocavam e discutiam, aquela era forma particular deles demonstrarem seus sentimentos.
— Calma, Loirinha — Gaara sorriu debochado — estava testando para ver se funcionava bem — apontou para o notebook em suas mãos.
— Bom garoto — ela puxou o ruivo e o beijou.
Em outra ocasião, Hinata deixaria ambos se atracando, porém, no momento, desejava o notebook, então, sem qualquer peso na consciência, pigarreou falsamente, para que o casal se separasse.
— Eu ainda estou aqui, okay? Não quero ficar de vela, além do mais, é melhor ver se vai dar certo mesmo.
— Sim, Hina, você tem razão — a Yamanaka respondeu, após terminar de beijar o namorado — estou com muita saudade da testuda.
A ideia que tiveram, foi utilizar o Skype e por meio de uma videoconferência, poderiam falar com Sakura e a Haruno teria a oportunidade de participar do casamento, mesmo não estando presente fisicamente. A rosada fazia muita falta, de fato. Não tinha nem muito tempo que viajou com Sasuke para África do Sul, no entanto, Sakura tinha tanto trabalho a fazer, que restava muito pouco tempo para entrar em contato com as amigas. Para se ter noção, aquele plano já havia sido criado com antecedência, cerca de três semanas, para que a Haruno pudesse se programar e ficar livre de tarefas que a impedissem de “comparecer” ao evento.
Hinata mandou uma mensagem para Sakura, avisando que iriam iniciar a transmissão e recebeu uma confirmação de que estava preparada. A azulada indicou a mesa que era destinada aos amigos, diga-se de passagem, com uma vista privilegiada. Gaara colocou o objeto ali em cima e começou os preparativos, até que puderam ver Sakura na tela acenando para elas e sem que percebessem, o ruivo se afastou para dar mais privacidade ao momento das amigas.
— Testuda, você está acabada — Ino comentou, reparando nas olheiras da rosada.
— Obrigada pelo elogio, Porca — a Haruno retrucou irônica.
— Não liga para essa desmiolada, Sakura. Ino não vai admitir para você, mas está morrendo de saudades — a loira fechou a expressão, após a fala da perolada — enfim, focando no que interessa, como estão as coisas por aí?
— Foi um choque muito grande, não só a cultura totalmente diferente, porém a situação precária que a população carente está exposta. Nós estamos dando suporte ao hospital da comunidade, mas temos planos de construir uma escola — Sakura suspirou — é muito trabalhoso e eu fico bastante cansada, mas nunca me senti tão completa como agora, podendo exercer minha profissão e ajudando quem mais precisa. Já falei sobre mim — sorriu — quero saber se vocês têm novidades.
— Já contei para Hina que vou apresentar um programa novo e estou firme e forte com o Gaara, o sexo continua incrível — Ino respondeu e as amigas riram.
— E você, Hina? — Sakura perguntou.
— Minha vida não tem nada de interessante como as de vocês. Me separei do Itachi, como vocês já sabem e comecei a frequentar sessões com uma psicóloga… — deixou a frase morrer.
As amigas não iriam forçar Hinata a dizer mais nada, porque sabiam como tudo que aconteceu fora traumático. Nem mesmo perguntariam de Naruto, pois também não queriam entrar em outro assunto delicado.
— Eu queria muito estar aí com você — a rosada confessou, enquanto Ino segurava os ombros da perolada, em sinal de apoio.
— E eu jamais permitiria que você fizesse isso — Hinata se mostrou firme e Sakura riu.
— Você falou exatamente da mesma forma que o Itachi disse para Sasuke-kun, quando ele se ofereceu para permanecer no país e ajudar o irmão mais velho.
As três riram e o clima voltar a ficar mais leve.
— E por falar no Sasuke, como ele está? — foi a Yamanaka que indagou.
— Sasuke-kun vai me matar, mas vocês precisam ver com os próprios olhos — Sakura se levantou, saindo do campo de visão webcam.
Depois as imagens começaram a chacoalhar, denotando que a Haruno estava em movimento com o notebook. Saiu do quarto que estava, desceu as escadas até uma sala grande. Parou e virou o aparelho, para que as amigas pudessem visualizar a cena de um Uchiha sendo escalado por várias crianças e não parecia nenhum pouco incomodado com isso. A rosada se dirigiu para cozinha e colocou o objeto na bancada e voltou a falar com as amigas que tinham expressões espantadas nos rostos.
— Quem diria que aquele Uchiha arrogante e rabugento teria tanto jeito para crianças — a loira comentou surpresa e a perolada concordou com a cabeça.
— Sim, o Sasuke-kun amadureceu muito e faz tudo com muito amor por essas crianças — Sakura não escondeu o orgulho que sentia do amado. Estava mais feliz do que nunca em toda sua vida.
Após a conversa entre as amigas, Hinata teve que se separar delas, quando Hiashi desceu para o salão, acompanhado de Neji e Hanabi. Ela trocou algumas palavras com o pai e subiu ao encontro da mãe. A cerimônia ocorreu sem qualquer transtorno. Era palpável para todos os espectadores, o quanto Hiashi e Kurenai se amavam e foi inevitável que as pessoas não se emocionassem.
Os recém-casados receberam os cumprimentos dos convidados e Hinata preferiu ficar um pouco mais distante, quando suas pérolas fitaram Tsunade falando com seus pais, ela estava acompanhada de Jiraya, o avô de Naruto.
Então, toda sua força de vontade para afastar seus pensamentos dele, foram em vão. O Uzumaki poderia estar ali, com Velho Tarado e a Vovó, como ela lembrava que o loiro se referia aos mais velhos. Todavia, ao perscrutar o salão, não viu sinal do loiro e suas esperanças foram esmagadas.
Ele realmente preferia ignorá-la, talvez não a amasse mais e seu coração doía por isso. No entanto, era a única explicação plausível que seu cérebro conseguia formar.
De repente, se sentiu sufocada no ambiente, precisava de ar fresco. Caminhou para fora dali, deixou que seus pés a levassem para longe.
Nem mesmo a carta que escreveu para ele, teve algum retorno. Claro, a intenção não era ser “recompensada”. Sua psicóloga apenas sugeriu que colocasse no papel, seus sentimentos e angústias e poderia guardar para ela mesma ou se tivesse vontade, poderia enviar ao destinatário. Se recordava de todas as palavras, como se tivesse acabado de escrevê-las:
“Naruto,
Estou aqui olhando para esse pedaço de papel, tentando raciocinar quais palavras devo escolher, isso tem sido mais difícil do que previ. Porém, cheguei a conclusão que não devo pensar muito, apenas me abrir para você, ser sincera como nunca antes.
O seu sorriso é a coisa mais linda que já vi, desde o nosso primeiro encontro, eu o odiava, pois me perturbava de maneira assustadora. Então, depois de um tempo de convivência, me dei conta do motivo desse sentimento. Seus sorriso é capaz de iluminar qualquer ambiente e naquela época, eu vivia em um mundo cinza, no qual sua alegria, determinação e bondade, foram capazes de colorir.
Acredito que apenas seus olhos, podem competir com o seu sorriso. Sempre os comparei com safiras capazes de ler meus sentimentos e enxergar minha alma, como ninguém.
Você me salvou e eu jamais poderei agradecer o suficiente. Na verdade, eu só te atrapalho e desperto sentimentos ruins. Meu coração está se despedaçando por escrever isso, mas é a verdade. A maneira como você se transformou naquele dia, como perdeu o controle… desejo para que nunca mais aconteça e que eu não seja a responsável por macular a pessoa incrível que você é. Por isso, por mais que te ame tanto, meu amor não pode ser egoísta. Estou disposta a guardar esse amor e seguir em frente, se esse for o melhor para nós dois.
PS: estou enviando seu colar também. O guardei com muito carinho, por todos esses anos, ele me lembra você. Todavia, não posso continuar com algo que pertence à história da sua família.
Com amor, Hinata”
Quando a azulada se deu conta, seus pés a levaram para a praça, próxima ao prédio Sandaime. Acabou sentando num banco e suspirando, uma bela ironia do destino, acabou justamente no lugar onde realizou seu primeiro encontro e primeiro beijo com o loiro. Anos atrás, era de noite e chovia, agora, estava à tarde e o céu azul e sem nuvens.
— Você nunca ouviu falar, que é falta de educação devolver um presente?
Ela ouviu a voz tão conhecida e poderia pensar até que era alucinação, mas então viu o colar de pedra verde colocado à sua frente. Num rompante, virou para trás e sentiu seu coração bater freneticamente, ao enxergar o homem que amava, vestindo um belo terno e dando o sorriso capaz de retirar todo ar de seus pulmões.
Hinata se levantou, abriu a boca para falar e sentiu um gosto salgado na boca, se dando conta que estava chorando.
— V-você estava aqui há muito tempo? — gaguejou, como fazia na infância.
— Sim, acompanhei meu avô e Tsunade, mas estava tentando criar coragem para falar com você e fiquei do lado de fora do prédio, enquanto eles entraram. Para minha surpresa, te vi sair e acabei te seguindo até aqui — esquadrinhou a praça — lugar nostálgico…
Ele também se lembrava, uma pontada de expectativa aumentava a cada segundo dentro de Hinata e ela não sabia se era bom ou ruim. O pior que poderia acontecer, era ter um ponto final na história deles.
Se sentiu despida por causa do olhar indiscreto masculino.
O loiro se perguntava se algum dia, aquela mulher pararia de exercer tanto poder sobre ele e se conseguiria achar qualquer outra coisa mais bonita do que ela. Ele se aproximou e levou a mão desocupada para o rosto delicado e tocou com a ponta dos dedos, os rastros de lágrimas. Mas que droga! Odiava quando Hinata chorava. Percebeu o momento em que a perolada relaxou e fechou os olhos. Queria tanto beijá-la, no entanto, primeiro deveria resolver as coisas entre eles, de uma vez por todas.
— Você está enganada! — afirmou seguro.
— O que? — ela abriu os olhos, sem entender.
— Na sua carta, você disse que despertava o pior em mim. Isso não é verdade. É culpa minha que você pense assim, já que dei margem para essa interpretação — ele respirou e viu que detinha toda atenção das pérolas, continuou — naquele dia, nunca senti tanto medo, desde a morte dos meus pais… eu não poderia suportar a ideia daquele maldito te machucando… eu… tive tanto ódio, que seria capaz de matá-lo, então, quando me afastaram e comecei a recobrar a razão, percebi que cheguei tão perto de cometer uma loucura. Só precisava de um tempo para pensar e assimilar tudo que aconteceu — desabafou.
— Naruto… — a azulada tentou falar, queria dizer que jamais iria julgá-lo por ter sentimentos tão humanos e sempre escolheria estar ao lado dele, do que se afastar. Mas foi calada com o dedo indicador do Uzumaki, sobre seus lábios.
— Me deixe continuar — pediu carinhoso e a perolada se derreteu mais ainda — esse colar é seu, meus pais me deram para entregar a mulher que amo e quero passar o resto dos meus dias. Você disse que eu te salvei, mas você também me salvou da solidão, se tornou meu lar e a pessoa mais importante da minha vida. Por isso quero que me prometa, que a partir de hoje, jamais vai pensar, escrever ou dizer que desperta sentimentos ruins em mim, pois é o contrário, eu te amo.
Ela voltou a chorar com força e sentiu os braços fortes e protetores lhe amparando.
— Eu te amo tanto — a mulher confessou.
— Hina-chan, você não faz ideia do quanto quero te beijar, mas antes preciso devolver o colar para sua dona — dito isso, o loiro passou a jóia em volta do pescoço feminino e prendeu — bem melhor.
Sorriram um para o outro e por fim, se beijaram apaixonadamente, como se suas vidas dependessem do ato para viver. O que não era de toda mentira, já que Naruto necessitava de Hinata. Hinata necessitava de Naruto.
….
Há muitos anos atrás, no início de sua história, se alguém dissesse para ela, que sua vida iria ser do jeito que era atualmente, ela provavelmente não acreditaria e pior, debocharia disso. Hinata tinha plena consciência de que foi imatura, fútil e ambiciosa além da conta. Hoje, estava longe de ser perfeita e nem queria esse título, todavia, descobriu um mundo tão diferente, com prioridades distintas, que já não conseguia assimilar que a Hinata do passado e a Hinata de hoje, se tratavam da mesma pessoa.
Pensava nisso tudo sentada sobre uma toalha e de olhos fechados, aproveitando a brisa no rosto, que o mar trazia e a areia fofa nos pés. Aquela praia era seu paraíso particular. Foi ali que se casou com seu amado. O local trouxe tantas recordações boas, que decidiram cometer a extravagância de comprá-la. Construíram uma casa grande e confortável, para recebê-los nas férias ou ocasiões especiais. Além do mais, o espaço era necessário, se antes sua família se resumia à ela e Kurenai, agora também tinha Hiashi, Neji, Hanabi e Konohamaru, Jiraya, Tsunade e obviamente seu marido, Naruto. E também havia a pessoa mais importante de todas….
Seu momento reflexivo foi interrompido, quando sentiu duas mãozinhas tapando seus olhos, sorriu e tentou fingir surpresa:
— Quem é que está aí? — perguntou — não faço a mínima ideia — ouviu o risinho infantil.
— Sou eu, mamãe — o pequeno respondeu — a senhora nunca acerta.
Hinata abriu os olhos e puxou o seu menininho, que se jogou no colo da mãe. Ela acariciou os cabelos loiros e o rostinho dele. Seu filho. Sempre sentia uma emoção forte tomar conta dela, todas as vezes que o fitava. Boruto foi um divisor de águas nas vidas dela e de Naruto. A princípio, ao receber a notícia de que estava grávida, sentiu tanto medo e insegurança, de acontecer o mesmo com o seu primeiro bebê, por isso foi difícil se conectar com o seu novo bebê, pelo assombro de ter que sofrer mais uma perda. Contudo, conforme a gravidez evoluía, se mostrando saudável e todo apoio que recebeu da família e de Naruto, fez com que ela deixasse tudo fluir e aproveitou a gestação.
A azulada considerava seu casamento com Naruto, o dia mais feliz de sua vida. Porém, estava enganada. Quando Boruto nasceu e o pegou no colo pela primeira vez, foi como se o mundo tivesse parado. Tudo pareceu fazer sentido e o significado de felicidade, fora redefinido em seu âmago. Seria capaz de reviver cada momento de dor e angústia, que já passou na vida, para poder ter seu filho nos braços.
— Meu gatinho — ela falou e o pequeno riu. Bolt era uma criança doce, alegre e com energia de sobra. E admitia que era mimado por todos, mas fazia questão de repassar os princípios de sua mãe, pois hoje ela sabia o quanto eram importantes.
— Ei, Boruto! Tome cuidado, você se lembra da conversa que eu tive contigo, sobre ser carinhoso, pelo estado em que a mamãe está? — O Uzumaki comentou e dessa forma, a perolada olhou para trás.
O menino fez um bico por ser contrariado, todavia, entendeu o que o pai quis dizer, apesar da pouca idade.
— A minha irmãzinha está aqui — o pequeno que iria completar apenas quatro anos, levou a mãozinha para o ventre da mãe e Hinata cobriu com a sua própria. Ficava emocionada com o afeto que Bolt já possuía pela irmã ou irmão mais novo, que não havia nem nascido.
— Sim, meu amor — Hinata descobriu a nova gravidez, há poucos dias, apenas Naruto e Boruto sabiam. Ela iria aproveitar o aniversário de Boruto, que aconteceria naquele fim de semana, para poder contar a novidade aos familiares — mas ainda não sabemos se é um menino ou menina.
— Eu sei que é menina — fez um biquinho adorável. Seu menino era uma cópia perfeita do pai, principalmente quando sorria.
— Tenho que concordar, tenho certeza que o nosso Girassol está se preparando para nascer — Naruto se manifestou. Ele sempre dizia que se tivessem uma filha, ela se chamaria Himawari.
— Bom, se vocês estão dizendo, quem sou eu para discordar — depois disso, o menino se levantou do colo da mãe e começou a pular, era comum que naquela idade, Bolt perdesse o interesse rápido nas “conversas de adultos”.
— Bolt, você já se esqueceu o motivo de ter vindo falar com a mamãe? — Naruto lembrou o filho.
O loirinho arregalou os olhos, antes de desatar a falar:
— É mesmo, mamãe! A vovó Kurenai e o vovô Hiashi chegam amanhã. Ah… — o menino pensou mais um pouco — a bisa Tsu só pode ‘tá aqui, sóóóó no dia da minha festa do Batman — o pequeno demonstrava a excitação sobre a comemoração de aniversário. Ele amava estar cercado de toda família, recebendo mimos de todos e claro, adora escolher os temas, sempre que estava perto de completar mais um ano, falava todos os dias de sua festa.
Hinata olhou para Naruto, para poder confirmar e ele acenou em positivo.
— Sua mãe ligou para o seu celular, mas como você não estava, acabei atendendo e como se elas tivessem combinado, a Tsunade me mandou uma mensagem — então ele se fingiu de ofendido — parando para pensar, é muito injusto que o Boruto possa chamar a Tsunade de bisavó e ela falta pouco derreter, e eu não posso chamá-la de avó, senão tomo uma surra.
— Eu sou especial — Boruto estufou o peito, orgulhoso.
— É mesmo? — o mais velho disse em tom de desafio. Rapidamente, pegou o menino, o levantando bem alto — vamos saber se você vai aguentar meu ataque — começou a fazer cócegas no filho que ria histérico.
Hinata sorriu, naqueles momentos, era difícil distinguir quem era o adulto e a criança.
Naruto soltou o pequeno, que correu de volta para casa, a azulada se levantou e parou ao lado do marido, ambos fitaram o pequeno Bolt se divertindo, compartilhavam o desejo que o filho conservasse sua inocência e fariam de tudo para protegê-lo dos males do mundo.
— Sabe o que realmente é injusto? — a mulher indagou, fazendo com que o loiro olhasse para ela — eu carreguei o Boruto por nove meses, para que ele fosse exatamente igual você — ela parecia séria, porém amava o fato do filho ser uma cópia do pai.
— Não é bem assim, ele pode até ter olhos azuis e cabelo loiro, mas o formato da boca e do rosto são seus e a cor dos olhos é mais clara que a minha, uma mistura perfeita da cor dos nosso olhos — ele deixou a esposa encantada, por expor que reparava nos mínimos detalhe. Sim, Naruto tentava não deixar nada escapar, queria guardar todos os momentos com a família, nas sua memórias. Era o homem mais feliz no mundo por ter uma família de verdade, algo que ele jamais imaginou recuperar, após as mortes de seus pais. Nunca conseguiria retribuir a gratidão que sentia, pela esposa. Portanto, se esforçava todos os dias para ser um bom pai e marido e fazer a esposa e o filho felizes, como eles faziam com ele.
— Isso foi adorável — ela sorriu encantada.
— Eu sou adorável, senhora Uzumaki. Além disso, tenho certeza que a nossa garotinha vai ser parecida com você — tocou no ventre da mulher.
— Você não esconde que ama me chamar de senhora Uzumaki — a azulada implicou.
— E você ama quando eu te chamo de senhora Uzumaki — devolveu a provocação e a surpreendeu, quando a pegou no colo e a perolada gritou pelo susto. Deu um tapinha no braço dele e o beijou, sempre que se beijavam, parecia a primeira vez, quando o mundo parava e só existia os dois.
Enquanto voltavam para casa, ela refletiu mais uma vez, passou por momentos tão difíceis, dolorosos e sem esperança, mas seria capaz de reviver todo o sofrimentos, de cometer os mesmos erros, para hoje poder ser quem era e ter a família que possuía. Era feliz e completa, se aconchegou nos braços de Naruto.
Aquele não era um fim, mas sim um novo começo. Um novo ciclo iniciado da vida de Hinata.
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