Hinata

17 Eu Te Amo


Notas iniciais
Olá, me desculpem pela enorme demora. Eu estive muito ocupada nas últimas semanas. Esse é um capítulo muito importante. Nos próximos, já teremos muitos acontecimentos e personagens reaparecendo. Perdão por qualquer erro.

Ela tinha um leve sorriso nos lábios, sua atenção voltada a estrada a sua frente, conforme dirigia, o vento entrava pela janela e balançava seus fios loiro, bagunçando seu habitual rabo-de-cavalo.

Porém, o sorriso morreu quando o automóvel parou no meio da estrada.

– O que houve? — questionou o ruivo em busca de explicações. O rapaz estava sentado ao lado dela, ele fitava tranquilamente a paisagem que se transformava em borrão, conforme o movimento do automóvel.

– Eu não sei. O carro simplesmente parou de funcionar — a loira disse desentendida.

– Espere, eu irei ver — assim, o rapaz retirou o cinto de segurança e foi para fora.

Ino teve que se controlar para não rir perversamente. Externamente, aparentava Inocência. Tudo havia ocorrido como planejado. Merecia um Oscar por sua atuação divina. Foram mais três meses, tentando bolar uma forma de descobrir toda a verdade sobre o passado do Sabaku. Até que a oportunidade perfeita surgiu: uma matéria sobre uma fazenda que funcionava como hospedaria e vinícola, um ótimo lugar para um casal apaixonado. O local ficava longe de tudo, quase no fim da cidade e para chegar até lá, era preciso passar por essa estrada, praticamente deserta. Nada foi coincidência, a Yamanaka foi quem sugeriu irem na fazenda, e ela também foi responsável pelo suposto problema no carro. Como seu pai sempre disse “contatos são tudo”. Pois então, a loira pediu para que um “conhecido” desse uma “olhadinha” no carro, antes da viagem. O homem era profissional e jurou não deixar rastro. E pareceu ter dito a verdade, quando Gaara entrou no automóvel com o rosto levemente contorcido em irritação.

– Não encontrei nada — ele informou.

“Mas é claro que você não encontrou” foi o que Ino pensou divertida — Então acho melhor ligar para o reboque.

O ruivo aparentava falsa frieza, mas por dentro avaliava sua vida nos últimos cinco meses. Ele mesmo não se entendia, havia um conflito interno, existiam dois lados e ele não sabia que voz ouvir. Como visto anteriormente, Gaara era do tipo de pessoa que se menosprezava e não se achava digno de nada bom. Contudo, nos últimos meses, experimentou um tipo de alívio, uma pequena felicidade, proporcionada graças ao trabalho, que ele descobriu levar jeito para coisa. Recebeu até elogios da irmã, confirmando que o ruivo realmente estava se saindo muito bem, já que Temari dificilmente dizia algo positivo para algum funcionário. A mulher era muito profissional, e também fez questão de que o Sabaki fosse tratado como um empregado qualquer, ele próprio preferia aquilo. Também lhe surgiu uma curiosidade: qual seria a reação do Kazekage, ao saber que o filho preterido estava trabalhando em seu império? O velho deveria estar se contorcendo no túmulo, o pensamento de Gaara era debochado ao extremo, em relação a isso.

Mas o principal, aquela Yamanaka atrevida e de nariz em pé. Ela foi a maior responsável por sua vida estar mais leve, alegre e divertida. O ruivo se surpreendeu por fazer uma dupla tão boa com a loira. E nada no mundo lhe dava mais satisfação do que importuná-la, vê-la irritada e retrucando. No entanto, nos últimos tempos, Ino havia mudado de consideravelmente de comportamento. A princípio, Gaara pensou que a loira fosse bipolar. Porém, com o tempo foi entendendo a real intenção dela. Não era idiota, na verdade aparentava ser um, quando ela começava com suas provocações. E ele tinha que admitir, a jornalista tinha êxito em suas artimanhas. O Sabaku a desejava ardentemente, prova disso era seus sonhos na inocentes, além dos momentos de “alívio” que tornaram parte de sua rotina. Era claro que o rapaz tinha vontade de acabar com essa brincadeira da loira, e mostrar que não seria joguete de ninguém. Todavia, algo lhe impedia, ele não sabia o que era, mas no fundo estava gostando.

Seus devaneios foram interrompidos pela voz incomumente doce da Yamanaka:

– Pelo visto, nós teremos que esperar, no mínimo, umas duas hora — a jovem alisava a parte exposta de seu seio, pelos botões abertos da blusa social. Ela o fazia como se nada estivesse acontecendo.

Obviamente a loira queria descobrir sobre o passado do ruivo, entretanto, havia outro motivo para aquela tramoia que se seguia. Ino não era como Hinata que tentava se enganar ou fingir suas vontades, e o que ela queria no momento era saciar desesperadamente seu desejo de provar daquele ruivo ao seu lado. Parecia que o tiro saiu pela culatra, e ela era quem não aguentava mais. E nada melhor do que uma aventura no meio de uma estrada praticamente deserta, a fazia ficar excitada demais.

Sem se importar com nada, a Yamanaka começou a abrir botão por botão, numa lentidão agoniante, na opinião de Gaara. Ele não disse nada, apenas estava embasbacado e sem reação, apenas fitava a bela jornalista como se mais nada fosse importante.

– O que aconteceu, Palito de Fósforo? O gato comeu sua língua? — ela foi o mais sínica possível. Retirou a blusa por completo, não usava soutien por baixo.

– O-o que v-você está fazendo? — O ruivo engoliu em seco, o ver pela primeira vez os seios belos e de auréola rosada, que tanto havia imaginado.

– Jura que você não suspeita? — a loira sussurrou se aproximando dele. Ela acariciava seus seios sem pudor algum — nós ficaremos aqui tanto tempo, podemos aproveitá-lo bem.

– Alguém pode nos ver — ele falou mesmo tendo dito isso, o tom rouco denunciava sua verdadeira vontade.

– Isso só torna as coisa mais emocionantes. Me toque, eu sei que você que isso — ela pegou a mão dele e direcionou ao seu seio.

O ruivo acariciou toda a curva para então torcer um bico eriçado entre seus dedos. Ele sentia a textura macia da pele feminina.

– Experimente — ela ordenou depois de um suspiro.

Gaara concordou levemente e abocanhou o mamilo direito, enquanto continuava a massagem no esquerdo. Ele abocanhou e sugou fortemente para depois prendê-lo com os dentes.

Ino gemeu e deleite e acariciava os fios ruivos, ela arqueou as costas oferecendo mais ainda.

O Sabaku passou para o outro seio e deu o mesmo tratamento, além de sugar todos o seio, deixando a pele avermelhada. Começou a beijar o pescoço dela, para finalmente juntar os lábios. O beijo era forte e sensual, um sentia a vontade do outro. Um tentando dominar o outra, uma verdadeira briga de egos, para saber quem iria se render. Após a quebra do contato, ele voltou a dar atenção aos seios que estava amando.

Ino escorregou uma mão até o meio das pernas masculinas, onde apertou ainda por cima do tecido. A mão atrevida abriu o botão e zíper da calça jeans desbotada que o outro usava. Puxou seu objeto de desejo de dentro da cueca e masturbava o pedaço quente e pulsante de carne.

Gaara rosnou entre seus seios e ela abriu um sorriso safado ao afastá-lo, apenas para se posicionar melhor. Ela se ajoelhou no banco do motorista, ficando de quatro. Abaixou a cabeça, assim poderia fazer o que almejava. Voltou a tocá-lo fazendo pressão em todo membro e assim aumentando o prazer do ruivo. A loira não demorou muito para colocá-lo a boca, sentiu o gosto da pele. Subia e descia da base até a cabecinha.

Gaara aproveitava o momento, segurou firme os fios loiro comandando a velocidade. Levou a outra mão pelas costas femininas, até chegar na saia que ela usava. Levantou o pano, expondo a pequena calcinha branca. Apertou e bateu nas nádegas dela. Não satisfeito, colocou a mão por dentro da calcinha, esfregou o pontinho protuberante por alguns segundos. Seu pau foi sugado com mais intensidade. Ele rosnou mais uma vez. Então levou seu dedo médio até a pequena gruta, logo em seguida o indicador também, assim seus dedos entravam e saíam rapidamente.

Ino por sua vez dava atenção a glande avermelhada sugando a mesma, e suas mãos acaridava as bolas que pareciam ferrugem por causa de alguns pêlos. Porém, surpreendeu a Sabaku ao parar. Ele também parou o que fazia e franziu a testa sem entender e frustrado pelo interrompimento. Ino segurou a camisa dele para que tirasse, depois de livre, ela o beijou com volúpia.

Finalmente sentou no colo dele, de forma que suas costas batiam no peito dele. Gaara não demorou muito tempo para afastar o pequeno pano e roçar a cabeça inchada de seu membro na entrada molhada.

– Eu não tenho nenhuma proteção — só então o ruivo pensou no detalhe tão importante. Seria terrível ter que parar.

– Não se preocupe — ela lhe respondeu com dificuldade pela expectativa. A Yamanaka tomara as devidas precauções.

Gaara se sentiu aliviado pela informação e enfim a penetrou. Ambos gemeram por isso.

Ino encostou a cabeça e seus braços no painel do carro, enquanto o Sabaku se inclinou e a penetrava rápida e fortemente. Ele também beijava o pescoço alvo e as mãos passeavam pelos seios e barriga.

A jovem gemia sem qualquer pudor, o rapaz também demostrava seu contentamento com sons que vinham do funda da garganta.

A experiência estava sendo maravilhosa para os dois, consumar um desejo tão forte, algo há tanto tempo fantasiado e transformado em realidade, era esplêndido.

Ela chegou ao ápice primeiro, não muito depois, ele também acompanhou. A sensação avassaladora do orgasmos dominou ambos.

Ino precisou de alguns minutos para se recuperar e voltar para o banco do motorista.

– Isso foi incrível — ela disse, no momento em que vestia sua blusa.

– Sim, foi — o ruivo concordou — e pelo pouco que eu conheço de você, tudo foi de propósito, loirinha — ele concluiu.

A jovem deu um sorriso sapeca tirando qualquer dúvida dele.

– Eu tenho certeza que você não se arrependeu — o sorriso diminuiu um pouco emendou — até que você me conhece bem. Vamos lá, Cabeça de Fósforo. Que tão realmente nos conhecermos melhor? Você nunca falou sobre seus pais, me fale sobre eles — a Yamanaka resolveu ser direta, sem artimanhas ou enrolações.

O Sabuku tinha os olhos fechados quando foi questionado de surpresa, parecia que aquele dia seria para isso. Diferente do que imaginou, não ficou com raiva, como pensou que seria, se alguém lhe questionasse sobre isso. Talvez a diferença fosse justamente por ter sido aquela loira a lhe perguntar. Ele apenas assumiu uma postura séria e dura, bem diferente do relaxamento em que estava há pouco tempo, ou do ar de divertimento e deboche que Ino estava acostumada a conviver. Gaara poderia não lhe dar resposta alguma, mas por motivo desconhecido, decidiu dizer.

– O Kazekage morreu há alguns anos, um infarto. Na certa, deve ter morrido de desgosto pelo filho que ele odiava — o jovem disse com ar brincalhão, mas a loira não riu ou achou graça. Ele voltou a ficar sério, quando falou sobre a mãe — e eu matei minha mãe.

– Como assim? — ela voltou a indagar. E surpreendeu o ruivo novamente pelo fato de não ficar assustada e sair correndo. Ino era muito mais inteligente do que aparentava, esperaria mais informações para ter alguma conclusão.

– Ela foi burra o suficiente para jogar sua vida feliz e família no lixo, para continuar com uma gravidez arriscada. E então deixou os dois filhos e o marido para trás, para que eu nascesse. Ela com certeza se arrependeria se visse o que aconteceu com sua família

– Não diga besteiras — acertou um tapa no braço dele — o único burro aqui, é você que não percebeu o gesto incrível de amor que ela fez. Toda mãe, ou quase todas, fariam isso. Veja, a minha mãe por exemplo só engravidou de mim por interesse. Para tirar dinheiro do meu pai. Depois que ela descobriu estar grávida, exigiu dinheiro do meu pai. Terminou o caso que eles tinham e foi embora para outro país. Eu ainda era um bebê, por sorte, meu pai realmente tem sentimentos por mim e ficou comigo. Apesar de discutirmos e eu sempre provocá-lo, eu o amo.

Aquela Ino que falava era diferente da extrovertida e ousada. Ela delicada e um pouco frágil. A jovem limpou uma única lágrima que ameaçava escapar. Apesar de ter superado a rejeição que sofreu da mãe, na medida do possível, ainda era doloroso falar sobre o assunto.

– Ino...eu nem imaginava — ele não soube o que dizer — e ela, sua mãe?

– Ela vive em Paris ou Milão. Não sei ao certo. Está usufruindo do dinheiro que tirou do meu pai. Pelo que eu soube, depois que me entregou ao senhor Inochi, voltou a carreira de modelo. É claro que hoje não continua — a loira sempre quis saber da sua história de origem. O senhor Yamanaka, quando julgou que ela tinha maturidade o suficiente, lhe contou toda história e ainda contratou um detetive para saber onde localizar e o que a mulher fazia da vida. Ficou a cargo de Ino ir procurar ou não a mulher que lhe gerou. Ela optou por deixar as coisas como estavam, não odiava a mãe. Mas preferia manter distância.

– Então não seja idiota — ela retomou a fala — não deixe que o sacrifício que sua mãe fez, seja em vão. Faça valer a pena — aconselhou.

Por incrível que pareça, Gaara nunca havia pensado daquela maneira. Visto daquele ponto, muitas coisas poderiam ser diferentes. Ele não disse nada, entretanto, sua mente fervilhava enquanto pensava a respeito.

E quem diria que um momento de luxuria e desejo, pudesse terminar de uma forma tão íntima assim? Não no sentido do sexo, mas íntimo de verdade. Cicatrizes expostas.

….

Ela esperava que estivesse no local certo. O galpão era grande, bem localizado, no centro da cidade. Bateu na porta pequena ao lado do grande portão. Estava um tanto nervosa, alisava a alça da bolsa, até que foi atendida.

– Senhorita Haruno — o homem mais branco que o normal, pronunciou — me desculpe pela demora.

– Por favor, me chame apenas de Sakura, Sai. Não se preocupe, você estava pintando.

– Como sabe que eu estava pintando? — ele demonstrou curiosidade.

– Suas mãos estão sujas de tinta — a rosada apontou.

O moreno ficou desconcertado por não ter notado o óbvio. Mas quando pintava, vivia em outro mundo e nem percebia as coisas embaixo de seu nariz.

– Entre — o pintor deu espaço.

Eles caminharam por um corredor curto, até chegarem numa entrada sem porta. Sakura ficou fascinada. O cômodo era gigantesco, lotado de materiais: pincéis, tintas e telas. As paredes estavam em tijolos propositalmente.

– Me desculpe pela bagunça, eu deveria ter arrumado — Sai disse sem jeito.

– Eu gostei. Eu quero conhecer seu cantinho da forma que ele é — a jovem respondeu.

Finalmente, no dia anterior, Sakura recebeu a ligação do pintor. Ela não poderia negar, estava ansiosa, por isso ficou empolgada. Queria conversar e conhecer mais do trabalho de Sai. Eles não haviam falado por muito tempo, o pintor estava um tanto acanhado, mas mesmo assim lhe convidou para conhecer seu ateliê. A rosada prontamente aceitou, sempre gostou de arte, nada melhor do que conhecer e explorar o estúdio onde tudo era criado. Então anotou o endereço combinou de encontrá-lo depois de sair da faculdade, a jovem aproveitou o momento de poucos trabalhos e tarefas.

– Sakura, gostaria de tomar algo? — ele tentou chamar atenção da Haruno, que esquadrinhava todo o local com suas grandes esmeraldas.

O pintor queria se chutar por ser tão idiota, tinha receio de que a estudante de medicina o achasse um louco, como os outros. Ele levou muito tempo para contatá-la, o moreno tentou inúmeras vezes, porém todas frustradas. Até que conseguiu reunir um pouco de coragem. Sai nem sabia o que dizer, apenas queria vê-la mais uma vez. A breve conversa que teve na galeria com a moça ficou marcada em sua memória. Além do mais, a Haruno serviu como grande fonte de inspiração.

– Não beber nada, obrigada — a rosada foi educada — eu quero mesmo conhecer um pouco do seu trabalho. Se não for incomodo — ponderou.

– É claro que não. Me dê sua bolsa — estendeu a mão e a jovem lhe entregou o objeto — como você percebeu, eu estou pintando quadros novos, mas podemos começar pelas telas que já terminei há algumas semanas — indicou o lado esquerdo do galpão.

Sakura ficou fascinada com os desenhos, geométricos, abstratos, até realistas. Pelo visto, Sai era muito versátil e talentoso. O homem lhe explicava algumas coisas, e mesmo não sendo preciso, ela não disse nada, pois estava gostando. A rosada não precisava de certas explicações, porque conseguia enxergar, porque as imagens transcendiam sentimentos. Estavam todos ali: sofrimento, raiva, incompreensão, dúvida, medo, inocência, ingenuidade. E de certa forma, ela se identificou com todo aquele caos e confusão. Muitas pessoas poderiam achar tolice ou algo sem sentido, mas quando conseguia se conectar e realmente entender o que as imagens significavam e queriam dizer, aí sim era possível ver a arte. Era isso que o que Sakura mais gostava da arte. Não acontecia só com pintura, todas as outras expressões artísticas funcionavam de maneira parecida: música, poesia, dança…

O pequeno tour continuou e a rosada se surpreendeu pelo que viu. Abriu levemente os lábios, não acreditava no que estava vendo. Olhou para o moreno, para ter certeza que era realidade.

Sai se encontrava um pouco corado. Ele tinha estado tão desligado, quem nem se lembrava de guardar aquele quadro em questão, não tinha a intenção de que a jovem o visse. Por isso estava encabulado e com rubor em seu rosto.

Naquela tela, foi retratada, quase que fielmente, uma jovem de intensos olhos verdes e incomuns cabelos na cor rosa, neles tinham algumas flores de sakuras enfeitando, e no fundo, tinham mais sakuras espalhadas.

– Bem… me desculpe por pintá-la sem qualquer autorização, mas você é uma grande fonte de inspiração — apesar de um pouco envergonhado, continuou — e eu gostei muito de deixar meus quadros mais bonitos, pela sua beleza — o moreno foi muito sincero, como em quase toda sua vida, falava o que tinha vontade — eu espero que você não se sinta ofendida, nem nada do tipo.

Dessa vez, foi a Haruno quem ficou corada. Como assim serviu de inspiração para um artista? Não havia nada de especial nela, se achava muito sem graça ou atrativo. Mas ao se ver na tela, enxergou uma mulher encantadora e cheia de vida. Ela se sentiu emocionada por isso. Abraçou Sai inesperadamente.

Ele nem sequer imaginou que a jovem faria isso.

– É claro que eu não me ofendi. Pelo contrário, me senti lisonjeada. Foi a coisa mais bonita que já fizeram por mim — ela se separou dele.

O pintor tinha que admitir, sentiu falta do abraço. Sai, durante toda sua vida, nunca foi adepto à gestos afetivos. Na verdade, ele se acostumou a não receber carinho, nem nada do tipo. O moreno era do tipo que não sabia demonstrar, nem identificar emoções alheias e suas próprias. Por isso, sempre sofreu certo tipo de discriminação por parte das pessoas. Chamado de insensível por alguns, ou louco e esquisito pela maioria. Então, quando pintava era libertador e também lhe ajudava a pensar e a entender um pouco do mundo.

– Eu acho que isso significa algo bom — ele concluiu.

– Com certeza — a rosada confirmou e fitou seu relógio de pulso — caramba! Eu tenho que ir — a jovem se despediu e pegou sua bolsa.

Aquele ateliê era um mundo à parte, estava tão concentrada e interessada, verdadeiramente hipnotizada pelas telas, que perdeu a noção do tempo. Sakura tinha gostado muito do momento agradável que passou. Ela precisava realmente respirar novos ares, estava há tanto tempo estudando loucamente e mal tinha tempo de respirar ou ficar com seu namorado e amigas. E por pensar neles, talvez da próxima vez pudesse levar Hinata e Ino, quem sabe até mesmo Sasuke, mesmo ele não gostando muito. Ela já dava como certo voltar ao local, ou pelo menos encontrar Sai novamente, apesar de não ter combinado nada com o moreno. Seria muito bom fazer novas amizades, tê-lo como amigo, ainda mais uma pessoa que lhe aparentava ser solitário e sensível.

E com a cabeça cheia de planos para o futuro próximo e um sorriso genuíno no rosto, a rosada finalmente chegou em seu carro e deu partida.

….

Ele gostava da água, o fazia relaxar e refletir sobre tudo. Por isso, seu banhos geralmente demoravam. O Uzumaki tinha suas grandes mãos espalmadas no azulejo, enquanto o chuveiro se encarregava de molhá-lo.

Seus pensamentos vagavam pela retrospectiva dos últimos acontecimentos. Jamais pensou que sua vida e prioridades mudariam tanto, depois de voltar para seu país de origem, e seu avô levá-lo para morar no simpático prédio do senhor Hiruzen.

E por falar no Velho Tarado, fazia um bom tempo que não tinham contato, apenas uma mensagem de texto dizendo que estava bem e em breve se reencontrariam. Mas isso não diminuía em nada a saudade que tinha do avô. A pessoa que por tanto tempo foi sua única família e laço afetivo e que esteve junto dele nos piores momentos

Hoje o Uzumaki tinha mais pessoas a quem direcionar afeto. O pequeno e espevitado Konohamaru, o menino vivia lhe tirando do sério, talvez estivesse pagando seus pecados, o via como um irmão mais novo. Sasuke foi uma grande surpresa, não pensou que o Uchiha fosse ligar tão rápido, ambos mantinham contato constantemente. Kurenai sempre tão amável e maternal, ele se sentia em casa e desenvolveu enorme carinho por ela.

E por fim e mais importante: sua pérola. Aquela realidade em que Hinata lhe repelia e não deixava chegar perto de forma alguma, estava tão longe e nem parecia ter existido. Sua relação com a Yuuhi era a melhor possível. Mesmo sendo o mais otimista, não havia imaginado que pudem se dar tão bem, o encaixe era perfeito, conseguiam viver em perfeita harmonia.

Só existia uma única coisa que impedia sua felicidade completa: não ter dito com todas as letras que a amava, e ainda existia certa insegurança de que tudo poderia terminar mal se ele o fizesse. Mas Naruto precisava arriscar, não fazia parte de sua personalidade guardar essas palavras que estavam entaladas em sua garganta há meses. Ele tinha a necessidade de dizer à todos que amava a dona dos olhos de lua. Ele tinha a necessidade oficializar aquela relação.

Então não restava dúvidas, Hinata estava muito mais “preparada” do que da última vez, pelo menos era assim que ele julgara. Precisava ser decidido e destemido como sempre foi em sua vida. Iria se declarar do jeito que queria, da maneira que acreditava ser correto.

Contudo, não pôde mais formular nada, pois sentiu braços finos rodeando seu corpo. Abriu um sorriso que só dava para dona daquela pele macia.

Hinata há pouco havia entrado no apartamento do loiro, ao ouvir o som do chuveiro, teve a ideia de acompanhá-lo. Retirou sua roupa rapidamente e entrou no box. Aproveitou que o Uzumaki estava de costas e aparentemente distraído e o abraçou. Colou seu corpo no dele seus mamilos eriçados roçando na pele masculina. Suas pequenas mãos passeavam pelo peito e abdômen, desenhando cada curva e músculo. Ela não se importou de estar se molhando, apenas distribuía beijos pelas costas largas. Escorregou as mãos até o meio das pernas dele, acariciou apenas a virilha e foi motivo para ouvir um gemido rouco, sorriu pelo feito. Avançou mais ainda e então tocou na masculinidade do loiro ouviu a respiração dele ficar desregulada. Movimentava de baixo para cima, colocando pressão, não muita, só o suficiente para causar prazer. Continuou a massagem erótica por mais um tempo, mas logo depois teve que parar, porque Naruto se virou ficando de frente para ela.

As safiras brilhavam em desejo, mas também continham carinho e afeto.

– Oi — eu saudou rouco.

– Oi — ela repetiu.

– Você sabe mesmo como fazer uma surpresa — o loiro sussurrou próximo aos lábios dela.

Hinata ainda tentava se acostumar com esse lado irônico do Namikaze. Com uma convivência intensa nos últimos meses, notou que Naruto era muito mais do homem que pensou conhecer, e ainda faltava tanto para conhecer.

O riso dela mal pôde se iniciar, pois seus lábios foram tomados, o beijo era exigente e rápido. Ela passou os braços pelo pescoço do Uzumaki e tocava os fios molhados da nuca masculina. Suspirava entre o beijo, porque sentia a ereção potente contra seu ventre.

O beijo se transformou em vários selinhos na boca e no rosto da jovem. Naruto segurava firmemente a cintura fina e a acariciava com carinho. Beijou também o pescoço delicado, ele sabia que era uma das áreas mais sensíveis do corpo da Yuuhi e por fim, tomou um seio com a boca. Ele amava os seios de Hinata, era completamente louco por eles, ele sugava com gula e mesmo ciente de que não conseguiria, tentava colocar todo o pedaço macio na boca.

Hinata apertava com força os cabelos dourados, gemia pela atenção que recebia nos seios. Gostava de ver como Naruto se perdia em suas curvas. Sentiu suas nádegas serem apalpadas e beliscadas, depois sentiu o impulso que recebeu, então se segurou ainda mais no pescoço do loiro e passou suas pernas fortemente sobre a cintura estreita de Naruto.

O Uzumaki não demorou para direcionar seu membro e penetrá-la. Estar dentro de Hinata era a melhor coisa do mundo. Seus movimentos foram aumentando gradativamente.

Mesmo depois de tantas vezes, aquilo continuava sendo incrível para ambos. Tanto a azulada, quanto o loiro se surpreendiam pelo fato de ser possível se conectar em todos os níveis, nenhum dos dois imaginou que seria possível existir esse tipo de conexão. Ambos estavam viciados naquele ato, não só pelo prazer carnal, mas por se sentirem tão completos.

As pérolas e as safiras vidradas umas nas outras. Ela nem se importava com o azulejo gelado em suas costas. Ele nem se preocupava com o chuveiro ligado sem ser usado. Por quê? Porque os dois eram teletransportados para outro lugar, um mundo só deles, onde mais nada tinha importância, apenas os beijos, as carícias, os gemidos,os sussurros e palavras sem sentido.

Naruto se movimentava tão rápido, Hinata ondulava seus quadris para causar mais prazer e assim atingiu seu ápice, jogou a cabeça para trás, gritou sem se preocupar se ouviriam. A sensação se espalhava por cada nervo do seu corpo.

O rapaz sentiu seu membro ser mastigado pelo interior da amada e a acompanhou logo depois, urrou ao se despejar dentro dela. Foi difícil manter o peso dos dois, após o relaxamento, mas conseguiu ficar com a perolada em seus braços.

Depois de se recuperar um pouco, foi a vez dele de surpreendê-la ao sair do box com a Yuuhi em seus braços. Ele pegou duas toalhas penduradas e ofereceu uma para Hinata.

O Namikaze pouco se importou de ainda estarem encharcados e colocou a jovem deitada na cama e ele se deitou ao seu lado, molhando instantaneamente os lençóis.

A azulada ria por isso e tentava secar seu corpo o máximo que conseguia:

– Seu bobo, agora a cama está toda molhada — ela disse divertida.

– Ah, Hina-chan! Ninguém irá morrer por isso — o jovem também brincara. Ele levantou seu tronco, ficando assim bem próximo da perolada.

Os dois se fitavam intensamente, Hinata quebrou o contato ao olhar o colar que Naruto nunca tirava. Ela jamais perguntou, porém tinha muita curiosidade. Pegou a linda pedra verde entre os dedos.

O loiro percebeu o interesse, talvez o destino conspirasse ao seu favor. Ele se lembrou imediatamente do que pensara antes da Yuuhi invadir seu banho.

– Você sempre usa esse colar — Hinata continuava segurando o objeto — ele deve ser especial — afirmou.

– Sim, você tem razão — a mente dele o guiou para um momento distante e a azulada percebeu que ele se lembrava de algo — esse colar é muito importante. Eu o ganhei deles, na última conversa que tivemos. Foi a última vez que os vi, para ser sincero — não era fácil falar sobre isso, mas não foi tão difícil de dizer, pelo fato de estar compartilhando com sua pérola.

Hinata permaneceu concentrada e interessada ouvindo o relado. E se manifestou curiosa:

– E como aconteceu? Digo, eles se foram? — ela tentou se retratar imediatamente — me desculpe pela intromissão, não tenho esse direito — ela imaginou o quão difícil deveria ser tocar numa ferida, ela mais do que ninguém.

– Não tem problema. Eu fico feliz por você querer saber — o Uzumaki era sincero como sempre — eu tinha uns doze anos na época, durante essa última conversa, meu recebeu uma ligação para resolver algum problema no trabalho. Minha mãe decidiu ir com ele. E bem, pelo que eu soube, eles morreram asfixiados, por um incêndio acidental. Eu também soube que eles estavam abraçados… eu…

– Naruto-kun — ela foi tão doce ao chamá-lo — não precisa continuar — tocou o rosto dele.

– Eu quero continuar — acariciou a mão que lhe oferecia afeto — no começo eu não aceitei muito bem, eu sofri muito. O velho tarado esteve comigo em todos os momentos. Pouco tempo depois nós fomos embora daqui — ele suspirou e dessa vez sorria, não aquele sorriso aberto que era capaz de derreter uma geleira. Era um sorriso tímido — Sabe, mesmo assim eles estão tão vivos. Eu os amo tanto, é claro que eu queria mais tempo com os dois, porém todos os momentos que eu passei com eles, todo o aprendizado e amor, fora o suficiente.

– Você foi feliz, teve uma família completa — a Yuuhi desejou conhecê-los — eu sei que pode soar mesquinho, mas é invejável. Eu por exemplo, sonhava em ter minha família completa — a jovem abanou a cabeça — isso é apenas uma fantasia infantil.

– É claro que não — Naruto apertou a mão feminina — todo mundo merece uma família e todos querem um lar — agora foi a vez dele questionar — o que houve com seu pai?

– Esse é o problema, eu não sei — explicou — eu nunca o conheci, eu não sei nada sobre ele. E apesar de pressionar minha mãe, ela nunca me disse nada. Obviamente essa história terminou muito mal. Minha mente já formulou tantas hipóteses e teorias, por mais que eu pense, no final eu não sei de absolutamente nada.

– Eu tenho certeza que você ainda vai descobrir — o Uzumaki foi convicto. Ele se vestia e Hinata também catava suas roupas no chão para fazer o mesmo.

– Assim eu espero — ela terminava de colocar um vestido leve — esses lençóis precisam ser trocados — apontou para cama. O loiro sorriu como uma criança travessa, por ter sido o autor da obra.

Após os lençóis trocados, a Yuuhi penteava seus fios azulados. Naruto estava deitado, fitava o teto, entretanto analisava a situação. Ele precisava se confessar, apesar de seus sentimentos estarem subentendidos, o Namikaze precisava pôr tudo em pratos limpos, precisava resolver todos os assuntos inacabados, ainda mais após um momento tão íntimo e vulnerável para os dois.

– Hina-chan! — a chamou.

– Sim — ela o fitou.

– Eu… bem… — ele se sentou e mirou as luas. Não sabia muito bem como começar, coçou a nunca constrangido — você é muito importante para mim. Sabe, o seu jeito e toda sua personalidade me encantaram e fascinaram, desde a primeira vez…

– Naruto… — a perolada murmurou corada.

– Shiii, me deixe continuar — colocou seu indicador sobre os lábios dela — eu preciso dizer isso. Não diga nada agora. Continuando — pigarreou — quando meus pais morreram, eu pensei que o vazio criado dentro de mim nunca fosse preenchido. E então, você surgiu na minha vida e tudo pareceu fazer sentido. Eu quero dizer que te amo — aquilo foi realmente libertador — eu não contei toda história desse colar: meu avô o deu para meu pai, para que ele desse a mulher que amasse; e deu, minha mãe o recebeu. Por fim, ele foi passado para mim — estava nervoso, suas mãos soavam — por favor, Hina-chan! Me tire todas as esperanças, ou me faça o cara mais feliz do Universo.

Hinata estava chocada com a enxurrada de informações. “Eu te amo”, a frase fazia eco em sua cabeça. Não restava dúvidas que Naruto dizia a verdade, não depois de tudo que ele fez. Mas e quanto a ela?

Mesmo depois de tudo o que fez, Naruto era o cara mais incrível do mundo. Suportou suas grosserias, seus traumas, suas inseguranças e seus jogos. O testou ao máximo, em todos os sentidos. E mesmo assim, ele permanecia em pé, firme e forte.

Quando era criança acreditava que encontraria seu príncipe encantado montado num cavalo branco. Anos mais tarde, não encontrou o príncipe perfeito, e sim um escandaloso, hiperativo e irritante. Mas ao mesmo tempo, o cara com o sorriso mais lindo do mundo, disposto à tudo para ajudar, determinado e fiel às suas crenças.

Esse loiro sorridente conseguiu enxergar o que mais ninguém viu, conseguiu sentir o que mais ninguém poderia imaginar. E principalmente, tocou onde ninguém nunca conseguiu chegar. Ele foi um guerreiro, derrubou muros com sua determinação e fez florescer onde não havia vida.

E o coração dela? Por que palpitava tanto, apenas por um sorriso ou gesto do rapaz? Por que os braços dele eram tão seguros e aconchegantes? Por que se perdia naqueles mares sinceros? A resposta esteve embaixo do seu nariz, mas ela não percebeu, foi tola o bastante para não ver. No entanto, era tão claro que seria impossível tentar se enganar. E ela não queria mentir. Estava apaixonada. Amava Uzumaki Naruto.

– Eu te amo — a resposta saiu baixa e tímida.

Naruto arregalou seus olhos. Ele, em momento algum, esperava que ela dissesse aquilo, aquelas três palavrinhas.

– O que disse? — o Uzumaki indagou para ver se não estava sonhando.

– Eu aceito — reafirmou.

Ele mal acreditava, sorria de tanta felicidade que mal cabia dentro dele. Retirou o colar que há anos usara, seu pai tinha razão, ele saberia a hora certa.

– Eu não posso aceitar, é uma lembrança dos seus pais — Hinata recusou.

– Mas é claro que você deve. Esse é o propósito dele, você é a verdadeira dona — explicou sério. Sem esperar, o loiro se sentou atrás dela e afastou a cascata azulada para um lado, passou o colar pelo pescoço delicado e o prendeu, por fim deu um selinho no local.

Puxou a jovem e lhe beijou, o melhor beijo até hoje. Cheio de sentimentos, sem mentiras, sentimentos revelados.

– Minha namorada! Eu te amo! — ele exclamou em alto e bom som — deitou a Yuuhi na cama — eu te amo — beijava cada parte o rosto feminino.

– Eu também te amo — ela se declarou mais uma vez, em meios aos risos. Ela se sentia leve era bom poder externar o que vivia no fundo de sua alma.

Naquela noite se amaram como nunca fizeram antes, sem se importarem com o amanhã.

Notas finais
Provavelmente será o último capítulo postado no ano. Então desde já, desejo um Feliz Natal e Próspero Ano Novo, para todos os leitores e suas respectivas famílias. Eu volto em Janeiro. Prometo não abandonar a fic! Espero que vocês também não me abandonem. Espero que vocês tenham gostado. Eu quero meu presente de Natal: reviews. Mesmo que seja um review pequeno, eu não me importo. Beijos, até o próximo.