Hinata
8 Decisões
Notas iniciais
Havia acabado de chegar, era a primeira vez em mais ou menos, cinco anos que não pisava em solo Japonês, ele não se lembrava e também não fazia a menor diferença.
Puxava sua única bagagem, uma mala sóbria na cor preta, as rodinhas deslisavam pelo belo chão de porcelanato do Aeroporto Internacional de Tóquio. Mascava um chiclete, amava a goma de mascar, apesar de saber que não passava de uma borracha sintética cheia de açucares e corantes, gostava da sensação que a guloseima, nada saudável, provocava em si.
Gostava do doce, desde a infância e, por falar em infância, se lembrava da sua, foi marcada por brincadeiras, se lembrava de correr junto do primo pelo belo e grande jardim, tudo era maravilhoso até o peso do nome e as responsabilidades baterem à sua porta.
Enfim, chegou ao fim do aeroporto e saiu pela gigantesca porta de vidro. Ao pisar, oficialmente, em solo japonês, respirou profundamente, sentindo o oxigênio adentrar suas narinas e penetrar seus pulmões. Poderia parecer mentira, mas o ar, tinha um cheiro diferente, peculiar e lhe enchia de boas memórias.
Fez sinal e, rapidamente um taxi parou. O taxista saiu do carro para abrir o porta-malas e colocar sua bagagem, enquanto isso, cuspiu o chiclete, já sem sabor, na lata de lixo mais próxima.
Agradeceu ao homem, pois, mesmo sendo rico e ter ouvido durante toda sua vida, que deveria ser altivo, a gentileza fazia parte de sua divertida personalidade.
Enquanto entrava no carro, dizia ao motorista o endereço gravado em sua memória. Esparramou-se no banco de trás, estava deixando o jet lag se apoderar de si, também, não era para qualquer um, aguentar uma viagem de Londres à Tóquio, sem escalas.
Não havia avisado ninguém de sua volta, tinha certeza, ficariam surpreendidos, mas por hora, encostou sua cabeça na janela e fitou a cidade passar por ela. Algumas coisas haviam mudado, outras nem tanto. Mas, o melhor que ele poderia fazer, era apreciar a vista da cidade, já que o caminho até o seu destino demoraria um pouco.
....
Hoje. Estava decidido.
Falaria com Hinata, precisava pôr isso para fora.
Estava se sentindo muito mal. Até chegou mais cedo que o horário "normal", coisa que para ele era completamente "anormal", visto que, sempre chegava atrasado e, sempre dava uma de suas velhas e esfarrapadas desculpas. Tsunade nem lhe advertia mais por isso. O grisalho era um excelente professor, todos sempre elogiavam suas aulas e maneiras de explicar algo, sempre fazendo parecer fácil, sempre mantendo os alunos entretidos.
Mas, o que diriam se soubessem o que fez com uma aluna?
O homem estava sentado em sua cadeira, as pernas cruzadas em cima da mesa e claro um exemplar do Icha Icha Paradise, em suas mãos, que lhe tampavam a face. Não poderia negar, mesmo já tendo lido e relido aquelas páginas milhões de vezes, elas ainda eram a melhor forma de passar o tempo divertidamente.
Alguns alunos já começavam a chegar e logo estranharam, não o fato do professor estar lendo algo inapropriado para uma sala de aula, mas sim por ter chegado tão cedo. Alguns até cochichavam.
E não foi diferente, quando Naruto e Hinata entraram na sala. Hinata apenas arqueou uma de suas belas sobrancelhas azuladas. Já Naruto, apesar de estudar pouco tempo ali, sabia que o Hatake sempre chegava atrasado.
O loiro, curioso como uma criança, coçou uma das bochechas e formou em seus lábios um biquinho adorável. Se aproximou da Yuuhi, sua boca ficando perto do ouvido da perolada e ainda pôs uma das mãos em frente a boca, antes de falar:
– Ei, Hina-chan, você viu o Kakashi-sensei, ali? — a Yuuhi revirou os olhos com a pergunta óbvia, era claro que tinha visto o Hatake sentado completamente despojado em sua cadeira.
– Ele chegou muito cedo.... — Naruto continuou, enquanto ocupava seu lugar ao lado e Hinata.
Hinata já estava até acostumada com a presença o loiro, também, dizer para ele se afastar não iria adiantar mesmo. Mas, essa era sua intenção, desejar que Naruto a deixasse em paz?
A perolada mordia a caneta e pensava, "até que ponto, Naruto a afetava?"
Naruto fitava Hinata, estava entretido com a bela visão ao seu lado, a cada dia ela estava mais linda e, a cada dia ele tinha mais certeza de que estava apaixonado, mas antes de qualquer coisa, precisava conhecê-la profundamente. Ele amava o jeitinho bravo que ela tinha, a forma como suas sobrancelhas se arcavam, quando ela estava com raiva, amava o jeito perfeccionista que ela arrumava suas canetas e cadernos.
Naruto não era nem um pouco idiota, talvez só um pouquinho, mas, muitas vezes fazia brincadeiras e gracinhas só para vê-la sorrir, algo muito difícil, porém, quando ela sorria, mesmo que poucas vezes, parecia que tudo valia à pena, que tudo estava certo. Na grande maioria das vezes, suas brincadeiras a deixavam irritada, todavia, como explicado anteriormente, ele amava isso. Também tinha a impressão de que ela, muitas vezes, fingia estar brava, mas o brilho em seus olhos, a denunciavam.
Enfim, o Uzumaki gostava de quase tudo, só detestava uma sombra de dor, quase imperceptível, que as belas luas refletiam, ele sabia que ela sofria, porém, se mantia firme, envolta de uma muralha, que o loiro fazia questão de derrubá-la. Ele sabia que estava tendo êxito em sua missão, pois, toda vez que o afastava e tentava repelí-lo, ele sabia que estava conseguindo e isso só fazia com que o Uzumaki tivesse mais força e vontade para continuar.
Depois de seu breve momento de "reflexão profunda", escorregou seus olhos de Hinata, até Kakashi:
– O Livro do Velho Tarado!!! — Naruto finalmente havia prestado a atenção no livro do Hatake e deu um berro.
Hinata praticamente pulou da cadeira e pôs as mãos contra o peito, numa tentativa de acalmar o coração acelerado do susto que tomou, finalmente olhou para o causador de tudo, uma aura assassina se alastrou ao redor da jovem.
Toda a sala também colocou sua atenção, alguns riram outros estavam assustados, já Kakashi fitava Naruto com curiosidade:
– O quê você disse? — o professor indaga com curiosidade.
– Eu não sabia que você lia os livros do Velho Tarado — Naruto respondeu e, Kakashi fez aquela cara que todos faziam, quando ele dizia "Velho Tarado" — o meu avô — o loiro emendou.
– Namikaze Jiraya é seu avô? — o homem até se levantou e se aproximou do jovem.
– Isso mesmo, esse pervertido é meu avô — Naruto estufou o peito.
– Nossa, deve ser incrível ser neto dele. Jiraya-sama é meu ídolo, meu mestre, um grande sábio — Kakashi falava em admiração — Eu imagino que você deve ter aprendido várias "coisas" com ele — o grisalho disse em um tom malicioso.
– Sim hahaha — Naruto deu uma risada um pouco envergonhada e coçou a nuca.
Hinata fitava ambos e sentiu certo incomodo com a resposta e o gesto dados pelo Uzumaki.
"Então, quer dizer que você aprendeu "coisas?!"
– Quando o Velho Tarado voltar de viagem, eu falo para ele vir aqui te conhecer.
– Você faria isso? — o loiro balança a cabeça acenando — seria ótimo se eu conseguisse um autógrafo — o professo dizia sonhador.
Depois disso, toda aula ocorreu tranquilamente, sem mais problemas, apenas Naruto, ao ver de Hinata, enchendo seu saco, nada fora da normalidade.
Após o termino, a grande parte dos estudantes deixou a sala com pressa. Hinata guardava seu material calmamente e Naruto a esperava:
– Hinata-san, eu posso falar com você? — Kakashi indagou incerto.
A Yuuhi levantou a cabeça e olhou diretamente o professor, que estava em frente a sua carteira:
– Sim — disse simplesmente.
– Eu te espero lá fora, Hina-chan — Naruto saiu rapidamente.
– Bem... eu gostaria de falar sobre o que aconteceu.. — ele se sentia desconfortável.
– hahahaha — Hinata riu — eu sinto em lhe dizer, mas eu não farei "aquilo" de novo — a jovem piscou para o homem.
– Não é isso! — ele se adiantou em dizer e ficou um pouco corado — É sobre isso que eu quero falar, mas não quero que se repita. Olha, foi ótimo. Mas, eu, de algum modo, me sinto culpado, seilá, eu nunca fui um modelo de moralidade, porém, eu sinto como se eu pudesse ter evitado. — ele desabafou.
Hinata até o momento estava calada o ouvindo se manifestou:
– Você não tem que se sentir culpado, apenas fez o que tinha vontade, assim como eu. Em nenhum momento, eu me senti obrigada e coagida, pelo contrário, eu te "intimei" — a jovem disse divertida.
Kakashi se sentiu mais tranquilo e suavizou sua expressão, como se um peso saísse de suas costas.
– Eu sou uma mulher muito bem resolvida com o meu corpo e minha sexualidade, se eu fiz aquilo foi porque tive vontade — ela continuou.
Kakashi a olhou com admiração, Hinata era mais forte do que ele pensava.
– Como eu já disse, aquilo não existiu. Você pode não admitir para si mesmo, mas é mais "certinho" do que imagina — a azulada concluiu.
– O Naruto teve muita sorte por ter alguém como você. Eu sei que não é da minha conta, mas eu vejo a forma como vocês se tratam.
– Se era só isso, é melhor eu ir — Hinata o cortou e saiu do lugar. Era só o que faltava, os outros achando que ela tinha alguma coisa com aquela "coisa loira".
Agora, tudo estava resolvido, Kakashi compreendeu tudo o que aconteceu e de agora em diante, agiria normalmente.
....
Há algum tempo, não faziam suas "reuniões", pois estavam atarefadas e desde então, muitas coisas aconteceram.
Tsunade e Kurenai, eram amigas há muito tempo e desde sempre, as duas conversavam muito, sobre praticamente tudo: as lembranças do passado, os problemas presente e as promessas do futuro.
O local preferido para pôr o papo em dia, era a ampla sala da diretoria, da Escola Senju. O recinto era bastante pertinente, visto que, ficava no local de trabalho, de Kurenai, literalmente. E para Tsunade também era ótimo, pois, ficava próximo do Hospital Senju, local onde Tsunade passava a maior parte do tempo.
Hoje, ambas finalmente conseguiram conciliar seus compromissos e responsabilidades.
A loira tinha mandado que uma copeira arrumasse um lanche completo para as duas e ordenado à Shizune, que ninguém, em hipótese alguma, lhe atrapalhasse, ou seja, nada de interrupções.
A mesa era farta, composta por frutas, iogurte, torradas, geleia, bolo, pães e suco de laranja. Logo, o apetite da Senju foi despertado e ela não pôde evitar de roubar uma torradinha e tomou até um susto, como se estivesse cometendo um crime, quando ouviu duas batidas suaves e ritmadas na porta. Tinha certeza, só poderia ser a Yuuhi:
– Entre — a voz firme da mulher foi ouvida.
– Com licença, Tsunade-sama — a professora entra com sua delicadeza e se senta de frente para a loira.
– Coma, Kurenei. Esse pãozinho está divino — a Senju comia comprovando o que disse.
A Yuuhi se serviu de suco e acompanhou a Senju, comendo o pãozinho e, tinha que concordar com a mais velha, estava delicioso.
Kurenai estava em uma ótima fase, achava que finalmente sua filha estaria no caminho certo. Tudo graças ao Uzumaki que caiu de pára-quedas em suas vidas, sempre seria grata à ele, por acender novamente aquela chama, que há muito tempo foi apagada, dentro da filha.
– Agora me diga, aconteceu algo? Porque, só pelos seus rubis brilhando, eu acredito que a resposta seja positiva.
Tsunade era muito perspicaz, já havia percebido algo diferente em Kurenai.
– A senhora está certa — a morena disse com ar contente.
– Sim, eu estou vendo. E com certeza tem haver com a Hinata.
Era óbvio que tinha haver com Hinata, para Kurenai, sua vida se resumia a perolada, apesar de Tsunade não ser mãe, sabia que as mães tinham essa tendência, mas ela achava errado Kurenai se negligênciar tanto assim. Claro, ela poderia sim, se importar com a filha, mas deveria se preocupar um pouco mais consigo. Entretanto, não seria hoje que colocaria essa pauta na conversa.
– A senhora se lembra da nossa última conversa? Quando me disse que talvez se a Hina, se apaixonasse, ela poderia mudar.
– Sim, eu me lembro — Tsunade respondeu curiosa.
– Eu também já havia pensado nessa possibilidade, mas confesso que durante um tempo eu deixei de acreditar.
Tsunade ficou calada esperando Kurenai prosseguir:
– E eis que surge um anjinho de cabelos dourados e olhos azuis. Ele é o novo vizinho do prédio. Sabe Tsunade-sama, eu vi... acontece algo entre os dois, eu me arrisco a dizer, algo muito forte. Mesmo a Hina não admitindo, ela fica muito abalada, desconcertada. Ela tenta fingir, porém é nítido. E mais importante, eu gostei muito desse rapaz, ele exala sinceridade e é muito divertido com aquele jeito hiperativo. Ele consegue tocar a Hina, de uma forma que ninguém conseguiu. Ele consegue fazê-la engolir aquele jeito altivo.
A loira absorvia as palavrar proferidas pela Yuuhi:
– Eu me esqueci de dizer, ele estuda na Universidade Senju — a mais nova concluiu.
" Cabelos dourados + olhos azuis + sinceridade + jeito hiperativo + Universidade Senju" — a mente da loira borbulhava com os fatos, até ligá-los e um estalo em sua mente:
– Você está falando de Uzumaki Naruto? — ela perguntava um tanto surpresa, embora tivesse certeza, precisava confirmar.
– Sim — a outra respondeu alegremente.
– Esse moleque, apesar de ser muito irritante, é ótimo. Ele é neto de Jiraya, meu amigo de juventude.
–:O Naruto é muito especial. Ele tem o poder de fazer as pessoas acreditarem, tem o poder de extrair o melhor dos outros. Consegue roubar sorrisos das pessoas, com aquela inocência e inteligência ao mesmo tempo.
A loira embargou um pouco a voz:
– Ele consegue tocar e cativar, eu nunca tive filhos, mas o amo como se fosse um.
– Tsunade-sama — Kurenai também estava emocionada pelo depoimento da mais velha. Uniu as suas mãos juntando com as mãos da Senju.
– Enfim — a loira secava as lágrimas que queriam escapar, odiava chorar e se senti frágil — eu tenho certeza que o Naruto pode fazer muito bem a Hinata. Seria ótimo se eles ficassem juntos.
– Sim, eu ficaria muito feliz se isso acontecesse, pois eu sei que ele cuidaria da minha filha — Kurenai falava certa.
– Agora, só nos resta torcer para que aconteça e se pudermos dar uma "forcinha", faremos — a Senju reforça.
Tsunade volta, uma das mãos que usou para secar os olhos, para a posição que estava anteriormente, unida a da outra mulher.
Ambas faziam uma presse silenciosa, para que se concretizasse, aquilo que queriam e acreditavam ser o melhor para todos.
....
Ele corria, amava a velocidade, amava correr todo prédio Sandaine, descia as escadas até sair do prédio. Sempre reclamavam que era um pestinha, um bagunceiro. Mas, ele não ligava para isso, apenas quando seu avô lhe puxava as orelhas, ou seu tio brigava consigo.
Porém, tudo que o pequeno Konohamaru queria, era brincar e se divertir, entretanto, em todo prédio, não havia nenhum morador de sua idade.
O moreninho foi criado pelo avô Hiruzen, por acaso, o dono do prédio e o tio Assuma, já que seus pais morreram há alguns anos atrás.
O menino de dez anos, era muito hiperativo e sempre usava um boné na cabeça e um lenço como "capa".
No exato momento, corria para ir ao apartamento do novo vizinho, que ele não viu até agora, poderia ser um velho careca... enfim, seu avô mandou chamá-lo para tomar um chá e conversar. Então, o menino que morava no primeiro andar com sua família ia até o último, com a rapidez de um leão.
O moreninho chegou ao se destino um pouco ofegante, após subir quatro lances de escadas. Respirou um pouco para se recuperar e bateu na porta.
Naruto chegou da faculdade bastante cansado, apesar de sempre se dedicar aos estudos, era muito diferente estudar pela internet, onde teria o conforto e comodidade para estudar a hora que quisesse e também poderia pausar a aula no momento que quisesse, além é claro, de poder estar deitado na macia cama de hotel. Agora estudando numa faculdade, sentia o cansaço na pele. Porém, jamais desistiria de concluir o curso, "desistir" era uma palavra que não existia em seu vocabulário. Seu sonho era reconstruir o o patrimônio do pai, manter o legado construído com tanto esforço e para isso não mediria esforços para tal. Quando mais dificuldades, mais o loiro se esforçava. Agora, também tinha outra motivação: Hinata. Só pensar nela e abria um sorriso gigante. Sua pérola. A faculdade era um excelente lugar para passa horas junto de Hinata.
O Uzumaki, assim que chegou da faculdade, tomou um banho e caiu na cama. Havia acabado de acordar, vestia apenas um shorts preto, o rosto estava estava amassado, os olhos avermelhados, os cabelos dourados mais bagunçados que o natural. Naruto fitava seu reflexo no espelho do banheiro, enquanto fazia sua higiene.
Depois de sair do banheiro, coçou o saco e soltou um bocejo. Seu estômago reclamava de fome, seu intuito, era ir até a cozinha, porém, fora interrompido por batidas em sua porta. A contra gosto, foi atender. Talvez fosse Hinata lhe pedindo para matar uma barata ou abrir um pote de palmito. Com esse pensamento se alegrou e foi rapidamente abrir a porta.
Será que Hinata se arrependeu e foi embora ou foi algum trote. Ele não via ninguém:
– Ei idiota, aqui em baixo!!! — Konohamaru dizia irritado por aquele gigante não tê-lo visto.
Naruto olho para baixo e fitou um menino moreno:
– Não me chame de idiota, pestinha — e deu um cascudo no menino.
– Au!!! Isso doeu — os olhos escuros lagrimejavam e o pequeno Saturobi massageou o galo que se formava em sua cabeça.
– Mas, era para doer mesmo — Naruto fazia bico.
– Meu avô é dono do prédio — o menino resmungou, como se fizesse uma ameaça.
– Isso não me interessa — o loiro disse irritado.
– E por falar no meu avô, ele quer falar com você.
– Espera um pouco — Naruto entrou e pegou uma camisa que estava em cima do sofá para vestir.
Os dois desciam as escadas até chegarem ao destinos desejado. Konohamaru se apressou em abrir a porta, dando passagem ao Uzumaki. O apartamento era tipicamente masculino, cores neutras sem qualquer enfeite. Claro, o local era limpo e arrumado.
– Vejo que está apreciando a vista — o senhor falava enquanto tinha um cachimbo na boca.
Naruto olhou para seu lado direito, de onde ouviu a voz do mais velho. Lá encontrou Hiruzen, sentado ao estilo japonês, atrás de uma mesa de pernas curtas e sobre ela continham uns biscoitinhos num pote, um bule com chá e xícaras.
– Sente-se aqui — o homem apontou para vários poofs e almofada ao redor da mesa.
Naruto decidiu se sentar em frente ao Saturobi, numa das almofadas e Konohamaru se acomodou ao seu lado.
– Pronto vô, eu trouxe esse idiota.
– Eu já te falei para não me chamar de idiota — o Uzumaki ralhou irritado e deu outro cascudo no menino.
Hiruzen soltou um riso baixo:
– Já chega, eu pedi para que você vinhesse aqui, Naruto, para lhe dar as boas vindas, já que não tivemos a oportunidade.
– Sim, vovô. Eu achei legal da sua parte.
– Você é muito parecido com o Jiraya — ele serviu o jovem de chá e lhe ofereceu biscoitos. Apesar de não gostar de chá, o tomou assim mesmo e aceitou os biscoitos, que descobriu serem amanteigados, de bom grado — Eu fui sensei do seu avô... hahaha — o senhor riu — isso soou tão estranho, eu devo ser muito velho, mesmo.
– Eu sei, vovô Hiruzen. O Velho Tarado me contou — Naruto respondia e boca cheia.
– Velho Tarado hahah — Hiruzen ria novamente. Parece que Jiraya não havia mudado nada.
– Ei, deixa um pouco para mim — Konohamaru se referia aos biscoitos que eram tragados por Naruto, também o loiro estava com fome.
– Ele é convidado, menino. Vá pegar aquele álbum para mim — Mesmo a contragosto, o garoto obedeceu ao avô, pois, mesmo sendo arteiro, respeitava muito o homem que lhe criou.
– Sabe, seu avô foi meu aluno preferido, sempre espevitado Jiraya, junto de Tsunade a menina forte que queria se médica e Orichimaru... — ele parou ao se lembrar do último.
– A sim, da vovó eu conheci e posso dizer que é muito forte mesmo.
– Eu imagino que sim, você deve ter provado o soco dela ao chamá-la de vovó.
– Agora, Orochimaru eu nunca ouvi falar — Naruto refletia intrigado.
Hiruzen deu um suspiro:
– Ele era muito amigo de Jiraya e Tsunade, porém, a ganância, o fez se separar dos amigos. Eles se intitulavam "Os Sannins".
– Aqui vô — o Saturobi mais novo, havia voltado com um álbum de fotos antigo, Naruto pôde constatar pelo estado da capa.
Hiruzen pego o objeto nas mãos e passou algumas páginas até mostrar para Naruto:
– Uma foto da "Sannins" — o loiro pegou o álbum, ali tinha a foto de três jovens, uma garota no meio, obviamente Tsunade, ao lado esquerdo, um garoto pálido e de expressão sinistra, aquele só poderia ser o tal Orochimaru e ao lado direito, outro garoto alto e rosto brincalhão, só poderia ser Jiraya e Naruto logo gargalhou:
– Que cabelo lambido é esse do Velho Tarado??!!! — porém, fora interrompido pelo ronco de sua barriga, mesmo tendo comido aqueles biscoitinhos, não aplacaram sua fome — Eu daria tudo por um prato de rámen agora — Naruto falava enquanto passava a mão na barriga.
– Eu sei de um lugar onde vende rámen e é delicioso.
– Onde? — o Uzumaki perguntou curioso
O Ichiraku — Konohamaru olhou para o avô, como se estivesse pedindo permissão.
– Vão — o senhor disse simplesmente.
O neto puxou Naruto e ambos saíram na velocidade de um raio.
– Esses jovens... — o Saturobi proferiu.
Após saírem do prédio Sandaime, Konohamaru guiou Naruto, já que o Uzumaki não conhecia muito bem a cidade. Haviam andado duas quadras de até chegarem em frente a um trailer, o local era movimentado, começava a escurecer, apesar da barraquinha sempre ter fregueses.
– Ei, Tio!!! — O Saturobi mais novo chamou o Homem.
Konohamaru, há quanto tempo. Vejo que trouxe um amigo.
– Prazer, eu sou o Naruto — estendeu a mão e cumprimentou o homem.
Naruto estava com fome, ainda mais sentindo aquele cheiro gostoso.
Ambos se sentaram nos bancos disponíveis no estabelecimento.
– Por ser fregues novo, será por conta da casa — o homem disse animado. — Qual o sabor?
– De porco — Naruto respondeu.
– Eu também — o Saturobi acompanhou Naruto.
O preparo foi muito rápido, logo o homem serviu os dois.
O Uzumaki parecia seguir um ritual, primeiro pegou o hashi e depois inalou a fumacinha que saia do prato, sua boca encheu de água, se gostou fosse tão bom quanto o cheiro, ele comeria muito, ainda mais sendo de graça.
E o palpite de Naruto estava certo, aquilo era maravilhoso, divino. Rapidamente terminou o prato, o menino aos seu lado ainda comia.
O Tio, viu como o jovem devorou seu prato e se encheu de orgulho:
– Eu vou preparar outro — o homem recolheu o prato e começou a preparar outro.
– Nossa, é tão gostoso quanto o da minha mãe — o loiro disse nostálgico.
– E os seus pais? — Konohamaru perguntou.
– Eles morreram — Naruto respondeu.
– Eu sinto muito. Os meus pais também morreram — o pequeno afirmou. Em seus olhos negros, um brilho triste se apossou, Naruto reconheceu, pois, constantemente suas safiras também refletiam este brilho pelo mesmo motivo.
– Ei pirralho, não fique triste. Eu sei que é difícil, mas você tem quem te ame e se preocupa com você, o Vovô Hiruzen. Além do mais, tenho certeza que seus pais te amam onde eles estão, assim como meus pais me amam. E eu os guardo bem aqui — tocou o lado esquerdo do peito simbolizando o coração.
O brilho de tristeza foi substituído, por outro de admiração, nas orbes negras no menino.
Konohamaru se encheu de entusiasmo e terminou se prato:
– É mesmo, Chefe. Você tem razão.
"Que evolução, de idiota à chefe" — pensava Naruto divertido.
....
Onde aquele idiota estava?
Essa pergunta martelava na mente de Hinata.
Já passavam das oito da noite e, nem sinal daquela "coisa loira". Não que ela se preocupasse com aquela "coisa loira", pelo contrário, já que ele comia de favor em sua casa, deveria ter pelo menos, a decência de avisar, não só a si, como a sua mãe. Isso era para Kurenai aprender e parar de se tola e cair no "papinho" do Uzumaki, onde já se viu. Não teve nem consideração por sua mãe, que cozinhou para três e pelo visto, apenas as duas comeriam. A azulada não se importava se o loiro comia ou não, ou se havia saído ou não. Tudo que ela queria, era que o loiro avisasse que não comeria com as duas, pelo menos, era isso que a perolada queria pensar.
Não.
Definitivamente, não sentia nada por Naruto. No máximo, seu subconsciente lhe pregava uma peça, criando coisas que não existiam. Apenas isso.
E ela não estava preocupada com ele. Já havia afirmado isso, para si mesma, mais uma vez.
A forma como se sentia nua sob as orbes oceânicas, o calor e confortabilidade que os braços fortes de emitiam, a segurança, o jeito de menino misturado ao homem másculo, o lindo sorriso, o brilho nos olhos, a determinação, a sinceridade. Ela queria acreditar que eram fruto da sua imaginação. Porque se admitisse algo, suas muralhas iriam ruir e, ela não queria sofrer depois de tudo que passou, nem se senti frágil e vulnerável. Havia feito uma promessa para si mesma e se dependesse de si, cumpriria durante toda sua vida.
Kurenai arrumava a mesa, apenas dois pratos, porém, havia deixado um terceiro de reserva. Era inegável a falta que Naruto fazia, sua personalidade era muito expansiva e, mesmo estando poucas vezes jantando com elas, comparado à toda uma vida, que as duas já jantaram. O Uzumaki conseguiu seu espaço na tradição, no momento de mãe e filha e, por incrível que pareça, ele não atrapalhava, pelo contrário, só alegrava mais ainda.
A Yuuhi mais velha não poderia negar, estava se divertindo com a cara emburrada da filha e o olhar distante, na certa, pensava em Naruto, mas jamais admitiria.
Como havia conversado mais cedo com Tsunade, ajudaria no que pudesse, para ajudá-los, claro, não poderia fazer milagres, porém, faria o que estivesse ao seu alcance, pois se tratava de Hinata, sua menina, sua filha amada e sua felicidade.
– Não vai comer, querida? — a morena perguntou a filha, pois já havia acabado de pôr a mesa.
– Sim. Eu já estou indo — disse em um tom irritadiço.
Kurenai se controlou para não rir da raiva que a filha sentia.
Quando Hinata finalmente se sentou à mesa, a campainha tocou:
– Deve ser o Naruto — a Yuuhi mais velha concluiu.
– É, deve ser aquele idiota, mesmo — a mais jovem se levantou para atender a bendita porta.
Não sabia explicar, durante o trajeto, sentiu uma espécie de alívio por saber que o loiro estaria presente, porém, quando abriu a porta, seus olhos se esbugalharam um pouco. O alívio foi tomado pela surpresa. De todas as pessoas no mundo, durante esse tempo, nem havia se quer, pensado nele:
– Itachi... — ela disse um pouco incerta.
– A gente precisa conversar, Hinata — a presença imponente e a voz grave e máscula, se fizeram presente.
One-Shot: Presente De Casamento
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