Hinata

32 Admiração


Notas iniciais
Olá, pessoal! Olha só quem voltou com capítulo novo!

A relação deles havia melhorado, consideravelmente. Embora Hiashi tivesse muito trabalho, ainda mais após se mudar de cidade, ele estava priorizando Hanabi. Os dois dividiam atividades e passavam mais tempo juntos, do que nunca antes. E o Hyuuga não poderia negar, se sentia muito contente.

Com a dinâmica entre pai e filha indo bem, só então, o homem se atreveu a falar sobre outro assunto delicado: Hinata. Hanabi se portou de maneira muito séria, dificultando seu empenho em decifrar os sentimentos dela. Quando sugeriu que ela conhecesse a irmã mais velha, a menina não esboçou qualquer negativa, logo, pôde concluir que tinha seu consentimento. Porque, acima de tudo, queria respeitar os limites dela e que a relação entre as duas acontecesse da forma mais natural possível e não por alguma imposição ou obrigação.

O seu maior desejo era ver suas filhas juntas e poder participar das vidas delas. E por isso, não perdeu tempo e combinou com Hinata de se encontrarem naquele dia, o encontro seria no hotel onde estavam hospedados, no final da tarde. Sua intenção era de que os três passassem o dia todo juntos, contudo, naquela mesma data, Hanabi teria início à sua primeira aula, na nova escola.

Faltavam tantas coisas para que Hiashi acertasse e pudesse dizer que enfim terminou a transição de sua mudança. No entanto, sua prioridade fora que Hanabi voltasse a estudar o mais rápido possível, jamais iria permitir que sua filha se prejudicasse de alguma forma.

Optou pela escola Senju, que possuía a melhor educação da capital, logo, se tornando a escolha mais óbvia. Poderia usar aquele fato como justificativa, porém não seria hipócrita de tentar enganar a si mesmo, seu motivo principal não era aquele.

Kurenai, provavelmente, daria aulas para sua filha. Sendo pai de uma aluna, por consequência, iria estar mais próximo dela e ele não abriria mão das oportunidades que teria. Não só isso, desejava também que Hanabi estivesse perto da Yuuhi, pois sabia que seria uma influência positiva para filha. Portanto, não se sentia culpado pela situação criada, propositadamente.

Para falar a verdade, começava a ficar ansioso, conforme seu carro se aproximava da escola. Hanabi, ao seu lado, estava muito mais nervosa, embora tentasse demonstrar que não, sua expressão corporal tensa era perceptível.

— É normal se sentir deslocada e insegura, num lugar que você nunca esteve antes e não conhece ninguém — ele comentou.

— Mas eu não estou — a menina estufou o peito orgulhosa. No fundo, estava contente por ter ciência de que seu se importava com seus sentimentos.

Sendo sincera, estava receosa, não pelo motivo que Hiashi pensava, mas sim por saber que a tal Kurenai trabalhava ali. E também por ter que conhecer a filha dela e de seu pai. Era difícil assimilar que possuía uma meia-irmã, alguém que nunca fez parte da sua vida. O pior, tinha medo de ser deixada de lado, logo agora que conseguiu se acertar com o pai. Pois ao seu ver, Hiashi poderia conviver com seu amor do passado e com a filha deles. E para Hyuuga mais jovem, restava ser esquecida.

Ninguém poderia culpá-la por pensar assim, visto que fora rejeitada ao longo da vida. Não era pessimismo, estava apenas sendo precavida. Alguém como ela, que teve a oportunidade de conhecer o pior lado do ser humano, que viu na própria mãe, não confiava em qualquer pessoa e também não esperava nada de bom vindo de Kurenai e da outra filha do seu pai.

Hiashi sorriu para Hanabi, quando estacionou em frente ao colégio. Antes que a mais jovem pudesse se despedir, o Hyuuga saiu também do carro, demonstrando que iria acompanhá-la.

“Claro! Você não iria perder a oportunidade de ver essa mulher”, Hanabi pensou com desagrado.

Os dois caminharam até o interior do complexo, após passarem pela portaria, foi possível perceber que não tinham muitos estudantes por ali.

Andaram mais um pouco, em busca de alguma informação, até que Hiashi vislumbrou Kurenai. Ela estava distraída, era a segunda vez que ele a encontrava concentrada no que lia, provavelmente, um hábito da mulher.

Se moveu em direção à professora e só quando estava perto o bastante, ela percebeu sua presença.

A Yuuhi já sabia que a filha dele iria estudar ali, pois Tsunade havia lhe dito, há dois dias. Foi chocante receber essa informação, nem no seu trabalho poderia ficar em paz. Sua intenção era se manter o mais longe possível de Hiashi, jamais iria interferir na relação de Hinata com o pai, ela tinha todo o direito de tê-lo participando de sua vida. Contudo, a professora já havia decidido que com ela, aquela regra não se aplicaria, não o aceitaria em sua vida de novo, nem que para isso precisasse criar uma barreira entre eles.

E lá estava Hiashi, mais uma vez impondo sua presença. Kurenai sabia que ele tinha feito tudo de propósito. Existiam escolas tão boas quanto a Senju, escolher logo esta, era uma coincidência que ela não acreditava. Tudo era um pretexto para importuná-la. Em pensar que há anos atrás, sonhava quase todas as noites, que um dia ele apareceria, pediria perdão e tentaria retomar a relação que tiveram. No entanto, já não era mais a mesma menina ingênua que pisou na capital pela primeira vez. Yuuhi Kurenai era uma mulher experiente, que aprendeu com seus erros e fez da dor sua maior conselheira.

— Vocês chegaram cedo — ela constatou, não o fitava diretamente.

— Eu pude perceber — comentou com um toque de humor, para tentar quebrar o ar gélido.

O Hyuuga tinha ciência de que não seria fácil tocar o coração da mulher, contudo era doloroso ver como ela o afastava. Porém, ao mesmo, também sentia esperança de que a Yuuhi não havia se esquecido dele, como ele não se esqueceu dela. Que ainda havia tempo para os dois. Portanto, não se deixava abater por causa da reação feminina.

— Bem, hoje é o primeiro dia de aulas, para Hanabi. Por mais que ela não admita, é difícil entrar numa classe, onde o ano letivo já se iniciou e, provavelmente, já existem grupos de amigos…. — tomou fôlego — Eu não sei… pensei que você pudesse dar uma atenção especial para Hanabi, pelo menos nesse começo… porque eu confio em você, claro que você não possui obrigação nenhuma de fazer isso. Eu só não quero que a minha filha passe por mais situações ruins.

A morena pôde notar sinceridade nele. O homem, de fato, se importava com o bem estar da menina. Acabou por se enxergar nele, pois era assim com a sua Hinata, no entanto, também percebeu que ele se sentia muito culpado pela relação distante que tinha com a filha e estava tentando poupá-la. Acabou se compadecendo pela situação e logo tratou de acalmá-lo:

— Não se preocupe, ela será muito bem tratada aqui. Meus alunos são muito receptivos — pela primeira vez, fitou a menina que estava, consideravelmente, distante deles e não podia ouvir o teor da conversa.

Era estranho saber que o Hyuuga era pai de outra pessoa, que não fosse Hinata. E mais estranho ainda, assimilar que a irmã de sua filha, não era sua filha também. Complicado. Mas tinha certeza de algo, trataria a garota com muito cuidado, ainda mais sabendo do histórico de rejeição que ela sofreu por parte da própria mãe. Kurenai não conseguia entender como uma mãe poderia ser capaz de tamanha crueldade. Aquele fato fez com que ela sentisse empatia pela menina.

Ainda com o seu pensamento longe, fora surpreendida no momento em que sentiu sua mão ser tocada.

O Hyuuga, num ato ousado e sem se importar com o lugar em que eles estavam ou se alguém pudesse ver, pegou a mão feminina, com extrema delicadeza, depositou um beijo casto. Não iria se conter, sempre que tivesse a oportunidade, demonstraria o seu afeto para que não restasse dúvidas para Kurenai, do que ele sentia. E só pelo fato de não ser repelido por ela, já demonstrava que estavam progredindo.

— Muito obrigado — agradeceu, verdadeiramente — sabia que podia contar com você.

A garganta dela estava seca demais para responder. Ainda conseguia sentir, perfeitamente, o formigamento no local em que os lábios dele tocaram. Era uma tola mesmo, por sentir seu coração palpitar e arrepios na coluna vertebral, por causa de um simples beijo nas costas da mão.

— Não há de quê — só conseguiu dizer, após engolir sua saliva, com dificuldade.

Quando o Hyuuga, finalmente, afastou suas mãos, sentiu falta do contato, não só ele, Kurenai também se sentiu da mesma forma, abandonada.

Dava para sentir o ar constrangedor que se instalou no ambiente.

— Eu tenho que ir — informou, após fitar o relógio em seu pulso. Por fim, chamou a filha — Hanabi! — alto o suficiente, para que a menina pudesse ouvir.

A mais jovem se aproximou.

— Querida, venha conhecer sua professora.

— Olá, Hanabi — a Yuuhi cumprimentou calorosa.

— Oi — respondeu monossilábica.

— Boa sorte, filha — beijou a testa da menor. Aquele era um bom começo, imaginou esperançoso. Acenou em despedida para a mais velha e as deixou sozinhas.

Kurenai e Hanabi seguiram os movimentos dele, com suas respectivas orbes castanho-avermelhadas e peroladas, até que sumisse do campo de visão.

— Você pode me acompanhar? — recebendo um aceno positivo da menina

Elas caminharam em direção ao corredor mais próximo e por último, viraram para esquerda, a professora abriu a terceira porta, sinalizando para Hanabi entrar.

Percebendo que a Hyuuga olhava pensativa para as carteiras vazias, tratou de esclarecer:

— Pode sentar em qualquer uma, os alunos não possuem lugares marcados. Faz parte de uma de nossas dinâmicas, para que todos os dias eles possam interagir e conhecer todos os colegas.

A mais jovem acabou se sentando na primeira carteira da fileira do meio. Ela estava calada, porém seus pensamentos trabalhavam a todo vapor. A princípio, achou estranho a forma como seu pai se afastou dela, mas então, tudo fez sentido, quando ele se aproximou da mulher. Logo, ela soube de que se tratava de Kurenai. Por isso, preferiu se manter distante, todavia isso não atrapalhou sua visão e enxergou o momento em que Hiashi beijou a mão da mulher.

A Yuuhi também estava sentada em sua mesa, que ficava de frente para a Hyuuga. A professora preparava os materiais necessários para aula, contudo, sentiu o olhar da menina sobre si, no momento em que elevou suas orbes, se deparou com um par de pérolas tão parecido com os de Hinata, a analisando como se fosse uma espécie rara.

— Você quer me dizer algo? — a Yuuhi tentou encorajá-la, para que pudesse se expressar.

— É só que eu fiquei tentando imaginar como você era e agora eu, finalmente, posso vê-la — ao perceber a expressão confusa da mais velha, tratou de explicar melhor — eu tinha curiosidade de saber como a mulher que meu pai sempre amou era.

A mulher continuou em silêncio, ficou perplexa pelo comentário.

— Você deve me detestar, não é? Eu sou a “prova viva” de que você e meu pai não puderam ficar juntos. Aliás, se vocês não tivessem se separado por causa da minha mãe, eu nem existiria e meu pai e você seriam felizes.

Como aquela menina sofria, tão jovem, não merecia passar por tudo aquilo. A rejeição da mãe, havia causado uma série de problemas, dentre ele a baixa autoestima. Cortava o coração da Yuuhi vê-la tão carente de afeto.

Hanabi fitou a mais velha se levantar com um sorriso no rosto, não havia sarcasmo ou maldade. Era um sorriso doce e quase maternal.

Kurenai ficou em pé, de frente para carteira dela:

— Você não tem culpa de nada. Eu e seu pai temos nossa parcela de culpa — preferiu ocultar Rin, não era o momento para tocar em seu nome — Mas você é inocente, Hanabi. Se eu e ele não estamos juntos, é porque talvez não era para ser.

— Em todos meus anos de vida, eu nunca vi Hyuuga Hiashi se comportar com ninguém, da forma como ele agiu com você — confidencializou — ele ainda te ama.

A professora deslizou o olhar, era um assunto delicado para ela, mas a menina pôde confirmar que o sentimento era recíproco.

Antes que mais alguma coisa pudesse ser dita, o sinal tocou, sinalizando que era o início das aulas. Em pouco tempo, a sala estava completamente cheia a Hyuuga era o centro das atenções.

E então, a professora tomou a palavra:

— Como vocês podem notar, temos uma aluna nova — sorriu — a Hanabi, a partir de hoje, irá se juntar a nós. Konohamaru?

— Eu não fiz nada, dessa vez — o Saturobi, que estava no fundo da sala, se pronunciou e a turma riu em coro.

— Eu sei disso, só queria pedir para que mostre as instalações da escola para Hanabi.

Pela primeira vez, ele prestou atenção na garota. Puxa, ela era uma gatinha. Ruborizou de leve e sorriu. Se levantou com pressa.

A Hyuuga já estava de pé, pronta para sair do ambiente, quando ele a alcançou.

— Eu não quero incomodar — a verdade era que ela apenas não desejava a companhia do tonto que sorria como um idiota.

— Que nada, já estou acostumado. Ela sempre me pede para fazer as coisas — já estavam fora da sala — é o ônus por ser vizinho da professora — brincou.

A menina, subitamente, se interessou.

— É sério?

— Sim, ela mora no prédio do meu avô. Eu a conheço desde que me entendo por gente e a Hinata também.

— Hinata — ela repetiu.

— Sim, é filha da Kurenai sensei.

— Como ela é? — questionou, queria saber mais sobre a meia-irmã, antes de conhecê-la, de fato.

— Caramba, ela é muito bonitona. Mas também é uma chata, sempre briga comigo.

— Dá para entender o porquê — a morena comentou baixo.

— O quê? — o menino não conseguiu compreender.

— Nada — ela respondeu inocente.

— Não entenda mal. Eu gosto da Hinata. Gostava ainda mais quando ela namorava o Chefe. O Chefe é o Naruto — riu sem graça, depois de perceber que a outra não sabia de quem ele falava — ele também morava lá no prédio, ele é como um irmão mais velho para mim — continuou tagarelando — faz tempo que eles não estão mais juntos, mas o Chefe não me engana, eu sei que ele ainda gosta da Hinata. Só que ela se casou com outro….

Eles estavam na área externa, onde ficava a piscina.

Hanabi tentava processar toda a enxurrada de informações que recebeu.

Konohamaru estava chateado pelo fato do avô não deixá-lo fazer sua festa naquela semana, segundo Hiruzen, primeiro queria saber quais notas o neto teria naquela bimestre e só então permitiria a festa. O menino sabia que, com muito custo, havia tirado notas suficientes para que não ficasse em recuperação. Era só esperar os resultados que saíram oficialmente na semana seguinte.

Mas agora, tudo isso lhe possibilitou de conhecer Hanabi e poder convidá-la para sua festa. Até que deveria agradecer ao seu velho por isso.

— Hanabi — pigarreou, antes de continuar — você quer ir na minha festa?

A garota franziu o cenho, era só o que faltava, ter aquele bobão no seu pé.

— Não sei, preciso falar com meu pai primeiro.

….

— Como foi seu primeiro dia? — seu pai perguntou, eles haviam acabado de chegar no “lar improvisado”, ainda estavam hospedados no mesmo hotel.

— Legal — percebeu que a expressão retorcida do pai, demonstrando que sua resposta não foi satisfatória — já entendi — sorriu como uma criança arteira — você quer saber sobre a professora Yuuhi. Até que ela é legal — “melhor que eu imaginava, para falar a verdade”, guardou aquela parte para si mesma.

— “Legal” é a nova gíria dos jovens — proferiu bem humorado. Tinha certeza de que sua filha se daria bem com Kurenai.

A menina revirou os olhos, como uma típica adolescente:

— Eu vou tomar banho — informou.

Com todos os acontecimentos daquele dia, por um momento, ela acabou se esquecendo do encontro que teria, ainda naquele dia. Por isso, precisava se arrumar e descansar um pouco, pois não queria passar a impressão errada para Hinata, ainda mais sabendo que ela possuía uma grande beleza, já que era parecida com sua avó, como seu pai já havia dito. E Konohamaru acabou por comprovar.

Pouco tempo depois dela sair do local, o telefone tocou e Hiashi atendeu ansioso, pois já imaginava do que se tratava.

— Sim, sou eu mesmo… pode mandar subir. E por favor, mande que alguém traga algo para comer.

Assim que encerrou a ligação, em que fora avisado de que sua convidada havia chegado, ele se dirigiu até a porta para esperar.

E então, ela surgiu quando as portas do elevador se abriram, revelando a linda jovem mulher.

Hinata passou todo o dia contando as horas, que pareceram durar um século, para que pudesse reencontrar Hiashi e conhecer sua meia irmã.

Não sabia o que esperar, não sabia se elas iriam se dar bem, no fundo, torcia que sim. Mas apesar de todas as incertezas, a descoberta sobre sua origem, veio em boa hora. Conseguiu lhe dar um ânimo novo, como se renovasse suas energias. Pelo menos, uma coisa boa, no meio de todos os seus problemas, culpas e arrependimentos.

Portanto, iria se agarrar ao “alívio” que a vida estava dando e daria o seu melhor, como há tempos não fazia.

— Oi — cumprimentou, um tanto tímida, ela não entendia o porquê de se sentir uma menina perto dele.

— Olá — Hiashi a abraçou e afagou suas costas, depois de se separarem, acariciou o rosto feminino, demonstrando afeto — entre — deu passagem.

Hinata esquadrinhou o ambiente.

— Por favor, não repare. Eu, sinceramente, queria te receber num local melhor, do que um quarto de hotel, mas eu não tive tempo de procurar nada.

— Eu posso ajudar, quando estava procurando minha casa, conheci praticamente todas as imobiliárias, corretores e imóveis da cidade — ela se sentou no sofá maior, após receber um convite mudo para fazê-lo.

O Hyuuga não conteve o sorriso, por notar a prestatividade de sua filha mais velha.

— Não vou me fazer de difícil, aceitarei sua oferta de primeira — expôs.

Ouviu a campainha soar pelo local, provavelmente, se tratava de algum funcionário trazendo o quê havia pedido. Hiashi atendeu a porta e comprovou seu acerto. Esperou que o serviçal depositasse o menu na mesa, para dar uma gorjeta generosa.

— Deseja algo? — ofereceu a filha, que optou por tomar suco.

— Sabe, eu nem sei se estou me precipitando, pode ser que sim — respirou — mas foi inevitável não pensar que o que te fez procurar uma casa, foi o seu casamento. Consequentemente, pensei no seu marido. Ele já sabe sobre mim ou você pretende contar?

Aquela pergunta a pegou de surpresa, não esperava ter que falar de Itachi, pois o clima estava tão tranquilo. Além do mais, a sensação era de estar cercada, porque não desejava construir uma relação de mentiras com Hiashi, no entanto, também não poderia ser totalmente honesta sobre o assunto em questão.

— Vai ser difícil falar com ele agora… — pausou sua frase, pensando qual era a melhor maneira de dizer — eu estou passando uns dias na casa da minha mãe e… acho que todo relacionamento passa por momentos assim — justificou, com um sorriso sem humor.

— Você o ama? — o mais velho questionou direto.

— Por que você está perguntando isso? — a azulada sentiu uma pontada em seu interior.

— Porque não há nada pior do que viver debaixo do mesmo teto com alguém que não te faz se sentir completo, talvez seja hora de terminar — ele aconselhava com propriedade, pois havia experimentado uma situação semelhante — porém, se não for esse o caso, se existe amor entre vocês, tenho certeza o sentimento vai ser maior e irá sobreviver a qualquer crise ou fase difícil.

Mais do que ninguém, Hinata sabia que tudo que o mais velho disse, era verdade. Apesar de todos esses anos, seus sentimentos estavam intactos, no entanto, o destinatário não era o seu marido, mas sim um certo loiro de olhos azuis, que era dono de todo o seu coração. A jovem acabou afastando seus pensamentos, não desejava lembrar do seu drama pessoal, não naquele momento especial.

— Assim como você ainda tem sentimentos pela minha mãe? — a perolada arriscou.

— Sim, da mesma forma que eu amo sua mãe — confirmou, não existia motivo para tentar enganar sua filha.

— Eu posso garantir que é recíproco, ela também gosta de você. Aliás, eu sempre soube que existia alguém do passado dela, que não a deixava entrar em outros relacionamentos — Hinata contou.

Não foi possível saber se ele a responderia, pois naquele momento, um barulho chamou sua atenção. Ela olhou para direção de onde o som estava vindo. Então, viu a menina abrir a porta, que provavelmente, era da sua suíte.

Hinata se levantou para recebê-la:

— Olá, Hanabi — surpreendeu a mais nova, quando a abraçou e beijou seu rosto.

— Você é tão bonita — foi a primeira frase que conseguiu formular. Depois se repreendeu mentalmente, pois iria parecer uma idiota.

— Você também é — a azulada devolveu.

— Não como você — abaixou a fronte, era óbvio que a outra só estava sendo educada. Hinata era uma mulher formada, curvilínea e exalava poder; enquanto ela era apenas uma adolescente sem graça.

— Se esqueceu que nós compartilhamos, pelo menos, metade do mesmo DNA? — levantou o queixo da menor, ela possuía alguns centímetros a mais que Hanabi. O que era raro, visto que quase sempre era mais baixa do que os outros.

As duas acabaram se sentando, uma do lado da outra e degustaram juntas, os quitutes preparados pelo chef do hotel.

Hiashi permanecia em silêncio, apreciando a interação entre suas filhas, como se fosse uma linda cena de um filme. Seu peito se encheu de alegria, por constatar que as duas estavam se dando bem e ele não queria interferir ou atrapalhar de alguma forma. Elas acabaram se esquecendo dele, contudo, o homem preferia assim.

— Sabe, quando eu soube que tinha uma meia irmã, a princípio, fiquei perplexa — a Uchiha iniciou o diálogo — Mas então eu pensei que era a oportunidade perfeita para aproveitar o lado bom de ter uma irmã mais nova. Peço para que você me desculpe se eu for chata, detesto pessoas chatas — as duas riram — porém, isso é novo para mim, assim como seu que é para você.

Hanabi sentia que podia acreditar nela, quem sabe Hinata poderia ser sua referência feminina? Alguém que ela poderia se espelhar e tirar dúvidas sobre problemas femininos. Algo que não teve com sua mãe e jamais teria com o pai, por motivos óbvios.

— Vem! — puxou a azulada pelas mãos até que entraram no quarto dela.

A Uchiha imaginou que a garota quisesse mais privacidade e intimidade, portanto, a incentivou a se abrir.

— Pode me perguntar sobre a minha vida, se quiser.

Hanabi se sentou na cama e fora acompanhada pela outra. Não precisou pensar muito para escolher suas palavras:

— É verdade que você ama um tal de Naruto, mesmo sendo casada? — a morena era afiada.

— Como ouviu falar sobre o Naruto? — perguntou espantada.

— O Konohamaru me disse — a mais nova explicou.

— Aquele pestinha linguarudo! — esbravejou.

Vendo que a menina encolheu, ela tratou de se acalmar.

— Eu namorei o Naruto, o amei muito. Mas a vida não é um conto de fadas, nem sempre podemos fazer o que, realmente, queremos — disse enigmática.

A Hyuuga se sentiu decepcionada com a resposta, tinha ciência de que não possuía o direito de exigir nada, todavia, não controlava seus sentimentos.

— Que tal você me contar um segredo seu e em troca, eu conto um meu? — Hinata sugeriu, diante da expressão desapontada.

— Eu sempre fui muito infeliz — respirou para tomar coragem e continuar — a rejeição da minha mãe me afetou mais do que eu queria admitir. Então, eu tentava entender o que tinha de errado comigo, para que minha mãe não me amasse.

A Uchiha não imaginava que seria algo tão profundo, achava que a menina diria algo bobo e sem muita relevância. Logo, teria que dar algo precioso à ela.

— Nunca contei isso para ninguém — remexeu o corpo desconfortável — eu quase fui mãe, na verdade, eu fui mãe sim, por mais que tenha durado pouco. Eu amei aquele bebê, mas não tive a oportunidade de conhecê-lo, de saber se era menino ou menina… posso tê-lo perdido há muito tempo, porém, nunca esqueci dele… — ela secou a lágrima rebelde que queria desafiá-la, não iria chorar ali. Contudo, era difícil e ao mesmo tempo, sentia um certo alívio por dizer em voz alta.

Hanabi percebeu que aquilo era muito doloroso para outra, a mais velha estava fazendo muito esforço para conseguir confessar. Também entendeu que não era a única ferida ali.

— Uau! Que momento dramático, não? — Hinata comentou bem humorada e Hanabi riu.

Elas nem se deram conta do tempo passar. Continuaram conversando, conhecendo mais sobre a outra e rindo de alguma brincadeira engraçada. Hinata chegou até a escovar os cabelos castanhos e fazer um penteado, como Kurenai fazia com ela quando era pequena.

Já Hanabi se sentiu muito feliz, por receber atenção. Sequer pensou que seria tão bom assim ter uma irmã. E mal podia esperar para contar tudo para Neji.

Elas voltaram para sala e Hiashi sorriu ao notar o entrosamento entre as duas.

Quando Hinata fitou a janela vidrada, mostrando que a noite já tinha caído sobre a cidade, percebeu que já era tarde.

— Eu tenho que ir — abraçou Hiashi.

— Quer que eu te leve? — o homem ofereceu.

— Não precisa — recusou a oferta sorrindo e beijou o rosto de Hanabi.

— Você vai voltar? — a mais jovem quis saber.

— Claro. Já ofereci ajuda ao Hiashi, para encontrar uma casa para vocês. Mas agora eu tenho que ir mesmo, minha mãe já deve estar preocupada.

Ela se dirigiu a porta, no entanto, antes de ir, voltou seu olhar para menina. Hanabi possuía um bom coração, só era carente e precisava de afeto. Também pôde notar como a mais jovem a fitava com admiração e certa idolatria. Era bom saber que alguém destinava aquele tipo de sentimento à ela. Talvez, tivesse acabado de se tornar um “exemplo” para adolescente. Era uma responsabilidade grande, no entanto, sentia não só seu ego, mas também sua alma, ser acariciada.

Notas finais
Eu, particularmente, amei escreve este capítulo focado nos Hyuuga. Amei escrever sobre Hinata e Hanabi, não consigo enxergá-las de outra forma, que não seja como irmãs unidas e companheiras. Deixe o seu review. Beijos, até o próximo.