Hinan
11 Shikõs vs I.O.S
Notas iniciais
Na parte mais alta dos muros da Hinan do Norte, Dragon observava a movimentação dos habitantes da cidade. Velhos e moços, todos fazendo suas respectivas funções.
Ele então desceu vagarosamente até a cidade. Andando em passos lentos era observado por todos que o via.
Foi naquele momento que ele sentiu algo cutucar sua nuca.
− o que está fazendo aqui? Lembro que a última vez que nos vimos, pedi para que não retornasse até Hinan.
Uma voz feminina se pronunciou.
− não lembro de você ter comprado a cidade.
Ele respondeu ironicamente.
− nós dois sabemos o motivo de você estar aqui.
Vallery dizia com um sorriso maldoso. Se virando calmamente, Dragon abaixou a espada de Vallery que estava apontada para o seu rosto.
− não seja tão convencida. Você não é o único motivo que pode me trazer até essa Hinan.
Arqueando uma das sobrancelhas Vallery não respondeu a ironia de Dragon, apenas guardou a sua espada na bainha e se retirou.
−ei! Apenas vai se virar e ir embora?
Ela não disse uma palavra sequer, apenas continuou andando em direção a sede da I.O.S
− muito madura essa sua atitude Vallery.
Ele gritava para que a garota que já estava distante pudesse ouvir. Fazendo pouco do shikõ, Vallery apenas acenou e seguiu seu caminho.
**
Deitada em sua cama Lóris se revirava de um lado para o outro. Apertando forte seu cobertor, parecia está sendo aterrorizada por um sonho ruim. O suor escorria pelo seu rosto, como um espasmo ela se levantou.
− foi horrível!
Já na sala de reunião, Lóris explicava o ocorrido.
− o que exatamente você viu?
Kannot perguntou, a garota.
− tinha um exército, muito forte! Eram shikõs! Tão poderosos quanto nós, mas em um número estupidamente superior! Eles estão atrás de uma arma... a espada mais poderosa de todo o universo, e ela está nas mãos dos humanos! Precisamos pegá-la antes dos inimigos! Se essa espada cair nas mãos deles estaremos perdidos!
Levando a mão a cabeça, Kannot demonstrou uma preocupação jamais vista por ninguém ali.
−Butcher reúna toda a equipe disponível e as dívida nas quatro Hinans! Quero a espada aqui no fim do dia!
Após ouvir as ordens de Kannot todos se retiraram da sala.
− um exército de shikõs? Isso não parece um tanto estranho? Todos os shikõs nascem da Árvore dos Mortos. Alguns ainda se perdem, pouquíssimos, e é muito raro que um dos guardas não esteja de prontidão! Mas um exército? É demais Kannot!
Jon dizia, já sozinho com Kannot na sala.
− é muito estranho mesmo Jon, mas as visões da Lóris nunca falharam! E se isso for verdade, estamos em sérios apuros!
− isso é verdade.
− você não vai acompanha-los?
Kannot perguntava para Jon após notar que ele havia se deitado no sofá.
− não vejo necessidade, são só um bando de humanos... até o Cute é capaz de lidar com eles!
**
− o que está fazendo Val?
Lily perguntava um pouco sonolenta. Deitada no sofá, Vallery lia um livro.
− estou lendo! Eu te acordei? Me desculpe.
Esfregando os olhos ainda marejados pelo sono, Lily então olhou para o relógio!
− já são 5 da manhã! Está pior do que eu quando estou jogando RPG!
Vallery sorriu.
− nem vi a hora passar.
Foi naquele momento que ambas foram surpreendidas por um estrondo.
− ESTAMOS SENDO ATACADOS!
Gritos viam lá de fora.
− o que está acontecendo?
Lily perguntava assustada.
− “estamos sendo atacados” quer uma resposta melhor que essa?
Com essas palavras Vallery correu em direção a sua espada. Arqueando uma das sobrancelhas, Lily se sentiu um tanto ofendida com a resposta da amiga.
**
− Segura essa!
Sayo dizia enquanto lançava a sua shuriken gigante. Um, dois, cinco shikõs caíam mortos no chão. Depois de dar uma volta completa a shuriken voltou para as mãos da guerreira.
Observando atentamente, Sayo pôde notar a presença de Cute. Levando a shuriken para trás para consegui mais velocidade, Sayo a atirou.
Notando a aproximação do objeto, Cute se teletransportou.
− sumiu!
Sayo dizia enquanto arregalava os olhos na tentativa de encontrar o shikõ.
− ali.
Ela então notou que ele estava em cima do telhado, rapidamente ela sacou duas adagas que estavam presas em sua cintura e lançou contra Cute que sumiu novamente.
Os olhos rápidos da Guerreira, foram capazes de detectar o shikõ mais uma vez. Olhando para a shuriken que estava presa em uma parede, Sayo correu em alta velocidade na direção de sua arma. Saltando contra a parede, ela pegou impulso, em um movimento rápido, agarrou a shuriken e a lançou. Mais uma vez Cute se teletransportou, se livrando assim do ataque. Já em cima do telhado, Sayo tinha uma visão ampla de toda a área.
− te achei!
Ela dizia ao perceber a nova localização do inimigo. Distraído, Cute achou estar seguro, por pouco tempo. Foi naquele instante que ele sentiu uma pancada nas costas, antes mesmo que percebesse já estava no chão, com uma garota sentada em cima dele.
− uau! Isso é bem... sexy!
Puxando a adaga que carregava em sua bota, Sayo estava pronta para dar o golpe final no inimigo, posicionando acima de sua cabeça, ela desferiu o golpe, acertando dessa forma o chão que estava abaixo dela.
− sumiu de novo.
**
A alguns metros dali, Marius socava incessantemente as portas da sede da I.OS, foi naquele momento que as portas se abriram com brutalidade, fazendo com que o shikõ voasse longe.
− então você quer entrar? Pode vim! A porta está aberta.
Vallery dizia enquanto observava o shikõ caído. Não contendo sua fúria, Marius se levantou e avançou para cima da garota.
Assim que o inimigo estava próximo, Vallery se abaixou e o socou no abdômen, sentindo se fraco Marius caiu de joelhos.
− d-de onde... vem tanta força?
Com um sorriso confiante no rosto, Vallery o socou no rosto, fazendo com que dessa forma o shikõ fosse lançado a vários metros dali. Retirando a espada da bainha, ela encarou o homem caído.
− agora o golpe de misericórdia.
Com essas palavras ela avançou em direção a Marius, que naquele momento, mal podia se movimentar. Aproximando-se do alvo, Vallery preparava-se para dar o golpe, que poria fim a vida do shikõ. Foi então que ela foi surpreendida por uma forte luz, que rebateu o golpe da espada, fazendo assim que Vallery fosse lançada contra as paredes da sede.
− que droga é essa?
Vallery dizia enquanto tentava recompor seus sentidos.
− não permitirei que machuque meu amigo!
De dentro de uma espécie de globo feito de energia, uma garota de longos cabelos castanhos, encarava firme a guerreira caída!
Olhando para sua espada, Vallery percebeu uma rachadura.
− como isso é possível! A Espada Sagrada é indestrutível!
− para trás Raque.
Um homem alto e forte, de cabelos castanhos claro, dizia com um tom de voz firme.
− Butcher!
Raque gritou animada.
− CHUVA DE RELÂMPAGOS!
Butcher gritava enquanto erguia suas mãos. Então que o céu inteiro escureceu, uma luz resplandeceu no céu e em seguida uma série de raios começaram a se chocar contra o solo. Os ataques iam em direção a Vallery, que não se movia, ela ainda estava perplexa com a situação anterior.
− Val, acorda! Estamos no meio de uma batalha!
Lily gritava enquanto formava um campo de força ao redor de ambas.
Erguendo suas mãos para o alto, Butcher concentrou todas as suas forças.
− ele está se preparando para uma técnica muito forte!
Lily dizia para Val, e continuou – preciso impedi-lo.
Abaixando se rapidamente e fazendo um círculo no chão. Com os olhos fechados, Lily pronunciava palavras em uma linguagem desconhecida.
Ao redor da maga, uma fumaça escura ia se formando. A fumaça vagarosamente, se dirigia até o shikõ, percebendo a ameaça Butcher lançou seu primeiro ataque, que foi engolido pela fumaça sinistra.
− que porcaria é essa.
Butcher dizia enquanto lançava uma série de golpes em direção a fumaça.
− o que está acontecendo? AHHHHH!
Naquele instante, Butcher havia sido engolido pela fumaça.
− BUTCHER!
Raque gritava enquanto saía de dentro de seu escudo protetor. Falando em uma língua estranha, semelhante a língua pronunciada por Lily anteriormente, Raque fez com que a fumaça se dissipasse.
Caído no chão, Butcher se contorcia de dor.
− você está bem?
Raque perguntava enquanto tentava tocar no shikõ. Um berro quase ensurdecedor fez com que Raque recuasse.
− B-b-bucher?
A garota mal reconhecia o amigo, sentindo um vento forte atrás de suas costas, Raque notou a presença de Cute:
− ele está sentindo muita dor! Precisamos leva-lo para o palácio!
Cute dizia enquanto observava o sofrimento do irmão.
De frente as portas da I.O.S, Lily os encarava com um sorriso malvado em seu rosto. A fumaça que antes cercava o shikõ, agora estava ao redor da jovem maga. Observando o brilho intenso que emanava de suas mãos, Lily mais uma vez sorriu.
− quais eram as palavras mesmo?
Ela ironizou – ahh! Me lembrei! CHUVA DE RELÂMPAGOS!
Com essas palavras, Lily fez com que tudo ficasse escuro, as nuvens que antes eram brancas, agora estavam escuras e sombrias.
− TODO MUNDO JUNTO!
Raque gritava para toda a tropa shikõ
Não foram muitos, os que a ouviram, mas vendo que estava sem tempo, Raque então fez o seu escudo protetor.
Os ataques começaram, um a um, os shikõs que estavam fora do campo de força feito por Raque, caíam mortos no chão. Com lágrimas nos olhos, a menina se sentia triste por não poder ajuda-los.
Observando os últimos sobreviventes, isolados no escudo da garota shikõ, Lily usou mais de seu poder:
− MAIS FORTE!
Ela gritava enquanto erguia as mãos.
− n-não vou... aguentar por muito tempo.
Raque demonstrava está usando os últimos vestígios de sua força. Notando as rachaduras se formando no escudo, Cute percebeu que precisava tomar uma atitude.
− SEGUREM AS MÃOS.
Os shikõs fizeram como o mandado. Concentrando toda a sua força, Cute conseguiu fazer o teletransporte, salvando então seus amigos.
Caindo de joelhos, Lily suspirou aliviada.
− enfim tudo acabou.
**
Andando pelas ruas mais afastadas de Hinan, Andy não sabia de nada o que havia acontecido e ainda estava em busca da espada. Entrando em um beco levemente estreito, ele procurava por pistas, foi naquele momento que ele foi surpreendido, por flechas.
− que merda é essa? Quem é você?
Andy perguntava irritado. Ajeitando os óculos, a experiente arqueira observava o shikõ preso por 4 flechas, cada uma em um de seus membros.
− você é um shikõ não é mesmo? Não tenho dúvidas, não vejo uma gota de sangue.
Lucy conversava calmamente.
− que tipo de maluca você é? Atira primeiro e pergunta depois? Você faz o teste, se morrer é humano se viver é shikõ.
Andy dizia não escondendo sua indignação. Com a sua expressão rotineira de desinteressada, Lucy respondeu:
− na maior parte das vezes sim.
Aproximando-se um pouco mais de Andy, Lucy o observou mais atentamente.
− você até que é bonitinho.
Andy corou. Tirando uma mecha de cabelo que cobria o rosto, Lucy empunhou o seu arco.
− mas vou fazer um buraco no meio da sua cabeça.
− O QUE? QUE TIPO DE PSICOPATA É VOCÊ?
Foi naquele momento que Lucy foi golpeada na cabeça e perdeu os sentidos.
− uau! Essa foi por pouco!
− JACK!
Andy gritava extremamente feliz ao ver a amiga. Aproximando-se do shikõ, a garota retirava as flechas que o prendiam na parede.
Já em liberdade, Andy observava os buracos em seus braços que rapidamente se fechavam.
− Jack, onde estão os outros.
− mortos.
− O QUE? E VOCÊ DIZ ISSO COM TODA ESSA CALMA?
Andy gritava.
− ei! Fale um pouco mais baixo! Querem que te ouçam? Fica calmo ok? Nem todo mundo morreu, apenas uns... não deu pra contar eram muitos!
Jack dizia com um sorriso no rosto.
− meu Deus! E você não se importa com isso?
− bom... o Allk tá bem! Ele e uns quinze dos nossos, fugiram com a Raque e o Cute.
Jack continuava sorrindo.
− “o Allk tá bem”? É só isso que importa pra você?
Andy dizia indignado.
− sim.
Jack respondeu sem hesitar.
− você me assusta.
Andy dizia em um tom de voz baixo, parando por alguns instantes ele continuou.
− se esses soldados, foram capazes de derrotar um exército, nós dois seremos alvos fáceis! Precisamos de um plano de fuga!
− eu já tenho um!
Jack dizia enquanto mascava um chiclete que acabara de abrir.
− tem? E qual seria?
− bom... vai funcionar assim! Eu te empurro na frente deles, e fujo enquanto estão distraídos, destroçando o seu corpo!
Jack dizia em um tom de voz tranquilo. Levando a mão até os cabelos, Andy suspirou demonstrando já estar acostumado.
− o que está fazendo?
Jack perguntava, ao notar que o shikõ estava fazendo uma espécie de feitiço.
− é um feitiço de invisibilidade.
−ei! Faz essa macumba em mim também!
− pra que? Até onde eu sei, você pretendia fugir sozinha! Pois então, farei o mesmo!
Apontando uma pistola que havia imergido de sua pele para a cabeça de Andy, Jack sorriu.
− estou pedindo com carinho.
**
Levantando-se com dificuldades, Vallery ainda estava pensativa.
− você está bem Val?
Lily perguntava enquanto se aproximava da amiga.
− sim.
Vallery respondeu.
− o que aconteceu?
− eu não sei. Aquela garota... era como se a espada não quisesse feri-la!
Vallery dizia enquanto observava a espada rachada, que aos poucos ia se restaurando sozinha.
− que besteira Val! É só uma espada! Ela não escolhe quem vai, ou não atacar!
− você não entende Lily! Aquela garota tem alguma relação com essa espada, e eu vou descobrir qual!
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