Notas iniciais
ME PERDOOOOOOOOOOOOOOOOEEEEEEEEEEEEM!!! Sério, de verdade!!! Tive uma crise fortíssima e não consegui cumprir as datas prometidas pra nada! Fora o tempo que eu demorei pra escrever o Extra que inclusive ainda não terminei, mas juro que termino porque só falta o "desmanchar" se é que me entendem ;] ahahahah
Enfim, chega de blábláblá e vamos lá? (FINALMENTE)
Não me matem e não me odeiem DDDX


Avisos:
- Classificação alterada, devido ao Extra ♥;
- KareshiMine (Aomine namorado perfeito);
- Epílogo ao final do capítulo;
- Ficou grande... MUITO grande x_x

O som surdia lhano alastrando-se e inundando todo o lugar. Pedaço por pedaço. Milímetro por milímetro. O alento que apenas aquilo conseguia lhe causar abrandava de forma mágica toda a turbulência que o corroía há tanto. A terna temperatura, a delicada maciez. Um carinho dócil que enchia seu peito do mais sincero, mavioso e profundo sentimento. Era agradável. Era único.

Lembre-se de mim...”

Esvoaçados sutilmente, seus finos fios dançaram mínimos balançados pela voz irreconhecida sussurrada pela tímida brisa que fizeram suas pálpebras se abrirem uma leve e única vez, e se fecharem logo em seguida. Gradativamente sentia a temperatura baixar e esvair de seu conforto. Pouco a pouco, seu coração se apertava e sentia o vazio se propagar. Doía. Doía demais.

...Chi...”

Seus olhos se abriram vagarosos e nada além do breu de seu quarto preenchia sua visão. A tristeza mais uma vez o acolhia e mais uma vez, o desespero ria de sua melindrosa situação. Algo estava errado. Estava muito errado. Algo estava faltando e a queria de volta. Sua mão subiu lenta espalmada para o teto e no ar ficou.

Queria aquele calor de volta.

Queria, aquela aconchegante sensação de volta.

O peito se apertou.

Silente, junto com sua mão que se fechou logo se encolhendo sobre seu tórax, seus olhos se fecharam e exprimidos pela dolorosa expressão que ostentava em seu rosto, a fina lágrima escorreu pelo canto de seu olho direito.

Queria de volta.

...Chi...”

E como inúmeras vezes em nossas vidas, este, foi mais um daqueles momentos que nossa maldita mente simplesmente liquida tudo isso de nossas memórias assim que acordamos sem deixar um mínimo resquício como prova de que esteve por ali... Por mais importante que a mensagem significasse para seu senhorio.

O dia surgiu como outro qualquer e enquanto a lua deixava seu posto, o sol fazia-se cada vez mais presente sobre a cabeça da humanidade que, por outro lado, tinha um certo Aomine que não tinha um mínimo de vontade de sair do casulo qual voltava a se prender. Mais uma noite passada em claro e por motivos óbvios sentia-se cada vez pior. Sentia-se cada vez mais sufocar. Queria de verdade bater a cabeça de Kise novamente para ver se resolvia o problema, entretanto claro que era só uma vontade de sua mente desesperada. Ainda estava lúcido o suficiente para concluir ser uma opção ridiculamente estúpida. Sentou-se na cama com os pés no chão e as mãos subiram para sua cabeça, apoiadas pelos cotovelos em seus joelhos. A manhã não estava fria... Mas as suas costas, sim. Seus dedos se fecharam e os dentes trincaram. As lembranças das manhãs que levantava antes do habitual e Kise rastejava por suas costas acomodando o queixo sobre seu ombro somente para resmungar, apenas faziam toda sua calamitosa situação, parecer ainda pior.

Aominecchi... Ainda está muito cedo...”

As mãos bagunçaram fortemente seus fios escuros e levantou-se irritado. Realmente, era muito difícil. Mas não voltaria atrás, definitivamente. Antes de seus próprios sentimentos, vinha a felicidade de Kise. Vinha aquilo, que acreditava ser “a felicidade de Kise”.

Ryouta havia retornado às suas atividades cotidianas assim que teve alta, mas mesmo assim, sua memória não dava nem sinal de que retornaria. Frustrava-se com isso e indignava-se consigo mesmo por tal fraqueza. Sim, na visão dele, aquela falha era uma fraqueza. Algo de que sua mente estúpida havia fugido. Tinha medo de se lembrar, mas TINHA que se lembrar. Seu estômago revirava a todo momento. Algo importante estava para escapar por entre seus dedos... Tão importante que lhe dizia que se não se lembrasse, seu mundo ruiria para um abismo do qual nunca mais seria capaz de sair. Contudo, não era algo que ele piscasse e puff, hey, memória!...

Todos haviam saído para seus afazeres como de praxe e a casa estava vazia... Mais ou menos, afinal, era a partida de Aomine. Ele não havia falado isso para nenhum deles, apenas para o loiro. Só o loiro sabia de sua partida, mas mesmo assim, não sabia de data e muito menos de horário algum com precisão. Daiki estava há horas sentado na cama do loiro, olhando a única foto que havia ali. Foram anos de convivência e uma era até se acertarem. Desentendimentos, desencontros e mal entendidos. Riu de lado de como a vida deles era cheia dessas coisas. Pegou-a finalmente ignorando o reflexo de seus olhos sem brilho que via no vidro e embora ainda hesitasse em partir no meio desse caos, seu lado cegamente depressivo estava aflorado. Havia sido esquecido pela pessoa que mais amava no mundo e isso a havia lhe feito bem. Não tinha nada que alguém pudesse lhe dizer para mudar este pensamento. Aomine era cabeça dura e a partir do momento que havia chegado a essa conclusão, não tinha mais volta. A única pessoa que poderia o convencer do contrário era ele mesmo.

Seus dedos deslizaram pelo contorno do rosto do modelo e o coração se apertou. Não queria deixá-lo. Entretanto... — Agora... Você pode viver em paz... E voltar a sorrir... – pensamento que martelava eternamente em sua cabeça. O olhar baixou triste e devolveu o objeto ao seu lugar esbarrando em algo. Sorriu minimamente vendo o pequeno girassol ao lado da foto e pegou-o deslizando a cordinha entre seus dedos fazendo o objeto girar. Queria entender como alguém podia ocupar tanto de seus sentimentos daquela maneira. Sempre havia evitado tal pensamento, mas induzido pela situação, por corolário, a verdade foi estampada e cravada em seu mais profundo e sagrado solo.

Mesmo que seu amor pelo modelo não fosse mais recíproco, não deixaria de sentir essa coisa qual se esquivou quase a vida toda. Era algo que realmente não tinha mais controle algum sobre e que sinceramente, não ligava mais. O amava e queria seu bem. Nada mais que isso. Nada menos que isso. Devolveu o pequeno chaveiro e olhou mais uma vez para a foto. Seus olhos se perderam por algum tempo, mas logo, se fecharam fortemente. E num carregado suspiro, levantou-se saindo do cômodo. Fechou a porta, e permaneceu com a mão na maçaneta encarando-a por encarar. “Difícil” era pouco para definir toda essa situação. Recostou a testa no firme material e suspirou. Não queria sair de lá. Fechou os olhos e juntando mais uma vez toda sua força de vontade, mentalmente, despedia-se de uma parte sua que nunca mais retornaria ao mesmo lugar. Ali... Dentro daquela casa... Dentro daquele loiro... Deixava todos seus mais puros e sinceros sentimentos para que Kise pudesse se libertar da prisão que ele o havia prendido. Esperava, de verdade, que ele pudesse enfim, voltar a ser feliz. Passos lentos o afastaram de lá e o guiaram finalmente de volta aos seus aposentos. Faltava muito pouco.

Todo estabanado, entrou correndo e voou para dentro de seu quarto. Havia esquecido o contrato que deveria levar assinado e como achou que ninguém estivesse no lugar, nem tentou ligar e pedir para que alguém fizesse isso por ele. Não que fosse de suma urgência, mas Kise queria deixar tudo direitinho. Pegou o bendito e por conta da corrida, foi tomar um copo d’água. Ah, o alívio que a água trazia era impagável. Lavou o copo rapidamente e quando estava saindo, viu Daiki ao final do corredor, perto da porta... Com uma grande mala e uma mochila nas costas.

Seu coração falhou uma batida.

- Aomine-kun! — chamou-o sendo atendido de imediato por olhos mais do que surpresos. Óbvio que Daiki não esperava que alguém estivesse na casa, ainda mais ele. Kise tinha os pés leves embora seu tamanho e com isso, o outro realmente não o notou dentro daquela casa. Aproximou-se rapidamente e atropelando as palavras, o loiro... — Aonde... — engoliu seco. — Está indo? … — estava nervoso. Visivelmente nervoso. — Vai viajar? — indagou sem pensar e se arrependeu logo em seguida quando num instante tudo se encaixou fazendo um sentido catastrófico em sua mente. Olhou firmemente os orbes azuis e a saliva desceu cortante por sua garganta. — Já... Vai?

Daiki o encarou encabulado. Parecia que estava fugindo de lá e... Bem... Cahan.

- Não gosto muito de despedidas... — sorriu amarelo.

- Mas... Mas... — Kise estava todo atrapalhado e afobado. Aquilo o havia pegado de surpresa e não era uma surpresa boa, era péssima! Como assim ele estava indo embora? Tipo, ele nem tinha recuperado a memória ainda! E... Ok, nem havia se dado conta de que já havia entrado na “outra semana” que o rapaz havia lhe falado, mas mesmo assim! Era repentino demais!

Aomine sorriu triste e soltou sua mala colocando a mochila sobre ela. Sentia o ácido correr por suas veias, mas... — Posso... Pedir um favor? — sinceramente, não queria fazer isso... Mas precisava disso... Pela última vez...

Kise o encarou confuso, mas concordou com a cabeça de qualquer maneira. Ele estava pedindo-lhe algo. Algo que talvez, só ele pudesse lhe dar.

Daiki respirou fundo e abriu os braços para o loiro. — Um adeus? — tentou soar divertido.

E foi nesse momento, que Kise sentiu um estalo. Nem teve tempo de hesitar, seu corpo se moveu por si só e o abraçou. Sentiu-se derreter por dentro. O que era aquilo? Ele ainda gostava daquele rapaz...? O que Aomine havia feito de tão ruim para se afastar assim dele? Embora não entendesse nada, não podia ignorar o fato de que se ele havia terminado, era porque queria fazer isso. Deixou-se embalar e respirou profundamente. Era quente... Sentia-se protegido... Sentia-se bem. Aconchegou-se mais e o abraçou ainda mais forte. Era tão bom...

O poucos centímetros maior apenas torcia para que o outro não percebesse o quão barulhento seu coração estava. Fazia muito, mas muito tempo que queria poder senti-lo assim. Os fios louros batiam contra seu nariz e aquele cheirinho tão agradável invadia todo seu sistema circulatório, purificando de forma mágica, aquilo que ele próprio havia sujado. Seu cenho franziu e cravava da maneira que conseguia, cada mínimo segundo daquele tão especial momento. A sensação única e agradável que aquele corpo tão bem esculpido por mãos divinas proporcionavam para si, sua estrutura de encaixe perfeito aos seus braços, seus músculos levemente definidos, seu calor... Sua ternura... Seu amor.

Sorriu de lado e — para variar triste, acabou por apertar o abraço também. Nunca deixaria de amar aquele ali, definitivamente e pela milésima vez. E justamente por isso, deveria libertá-lo. Sentia a alma corroer a cada movimento seu, mas seu sentimentalismo egoísta deveria ser engolido. Deveria ser ignorado. Pouco a pouco o afastou e seus olhos se encontraram. Era uma conversa muda onde Daiki tentava disfarçar o que sentia e Kise entender tudo aquilo. O loiro tentava de todas as maneiras, entender o que aquelas safiras escondiam de si. Sabia que havia algo errado. Muito errado nessa história deles dois, mas não havia ninguém que ele confiasse mais para lhe confirmar qualquer coisa que o próprio envolvido nessa história, além de si mesmo.

- Obrigado, Kise. E desculpe por tudo... — sorriu triste num carinho delicado no rosto do rapaz. — Se cuide, ok? — Aomine sentia que nunca havia passado por um pesadelo tão tenebroso e muito menos sentia, obviamente, que aquele pesadelo pudesse chegar ao fim... Fim... Ao fim, estava seu ego de que somente ele pudesse fazer aquele loiro feliz... Bem, de certa forma, era isso que ele estava fazendo. Do jeito dele, mas protegendo aquilo que acreditava ser a felicidade daquele homem que o conquistou de tantas e tantas maneiras a ponto de colocá-lo antes de tudo em sua vida.

Kise estava paralisado. Não sabia o que fazer, simplesmente. Um turbilhão de sentimentos o invadia e não sabia identificar o que tudo aquilo representava. Daiki se afastou um passo e virou-se no seguinte, sendo parado pela mão de Kise. O loiro olhava espantado sua própria mão que segurava a blusa do outro o impedindo de prosseguir. Daiki se virou levemente surpreso e mais uma vez, sorriu. Kise estava tão confuso... Tão confuso... Isso realmente partia seu coração. Pegou a mão do modelo e tocou levemente os nós dos dedos do rapaz com seus lábios, segurando-o carinhosamente com suas mãos. — Se cuide. — baixou a mão do modelo e o encarou. — Cuide daquilo que tanto me importa, ok? — num sorriso terno, sua mão direita deslizou pela face do loiro... Ah, como queria beijá-lo...

Seus olhos se fecharam e soltou a mão do outro, logo pegando suas coisas. O encarou novamente. – E não se preocupe, Kise. — sorriu. — Assim será melhor. — disse por fim, e sem reação o loiro apenas viu aquela figura tão gentil partir dali. O silêncio quase absoluto, só era quebrado pelo badalar tímido do relógio de parede que enfeitava o lugar.

Seu peito doía. Doía demais.

Não conseguia de forma alguma entender o que acontecia consigo. Só sabia, que aquela partida não havia lhe feito bem algum. Sua respiração estava acelerada e embora quisesse gritar para que não partisse, não conseguia. Qual motivo lhe daria para que não partisse? Não tinha o direito de interromper o progresso pessoal da vida daquele rapaz por uma incerteza sua. Por um egoísmo seu. Desnorteado, andou até seu quarto e jogou-se na cama fitando o teto. O que ele representava para si, afinal de contas? Por que, ele havia se esquecido de alguém tão preocupado e dócil como ele?... Nem imaginava que se comentasse isso com qualquer outro membro da Kiseki, eles ririam pelo “dócil”, mas era isso que havia conhecido do rapaz nos últimos dias. Sentia um carinho diferente vindo dele e muito especial. Tão especial que realmente tinha medo de quebrar aquele delicado sentimento. Seus olhos rolaram pelo cômodo e pararam sobre o pequeno acessório que havia ganhado do rapaz. Era simples... Era singelo... E o confortava de uma maneira desconhecida. Colocou-o dentro da carteira e voltou para a cozinha. Precisava de mais um copo d’água.

Bebericando o líquido tentando acalmar sua agitação, apoiou-se na bancada e seus dedos escorregaram sutis pelo móvel, batendo em algo. Seus olhos se atentaram ao objeto e um livro aberto estava ali. Curioso, o fechou para ver sua capa.

“O significado das flores”

Riu de lado deixando o copo sobre o mármore da bancada pressupondo que Kuroko seria seu dono.

Segurando a capa numa mão junto com um maço, deixou as laudas folhearem-se pela gravidade observando sem muito interesse as páginas que decifravam o que aqueles tão adoráveis seres vivos representavam. Pegou o copo novamente bebericando, um tanto quanto nervoso e assim, seus olhos se prenderam a uma página específica que escapou de seus dedos. Quase engasgou e afobado, colocou o copo na bancada e procurou enlouquecidamente pela página que parecia ter sumido.

“Himawari” (Girassol)

“Admiração”

“Meus olhos fitam, somente a você”

Por vezes, somos levados a crer naquilo que nossa consciência julga o melhor caminho. Ignorando assim, aquilo que borbulha em nosso peito, clamando por atenção e um mínimo de respeito. Nem sempre, o certo, é realmente certo. Assim como, nem sempre, o que nossa mente entende, nosso coração se subjuga. Embora Aomine acreditasse piamente que sua decisão havia sido a melhor, aquele que foi deixado para trás por um bem que ele não considera exatamente um “bem”, agora, entendia mais do que ninguém que, mesmo que sua mente o forçasse, seu coração não o enganaria... Jamais.

- Por que... Eu não o ouvi...? – indagou-se sobre seu próprio coração. Kise se afastou da bancada desacreditado com o livro em mãos lendo novamente aquilo. Não era possível...

“Himawari [...]”

E como num filme em câmera lenta, o livro caiu de suas mãos ao mesmo tempo que seus pés tropeçavam entre si. Corria desesperado, corria contra o tempo, corria trilhando no ar, um caminho úmido e cristalino de suas lágrimas sinceras e desesperadas. Não acreditava naquilo. Não podia acreditar... Não queria! COMO, ele pôde se esquecer assim?!

Eu fiz tudo errado, Kise... Te fiz sofrer sem você merecer...

Não, não, não, não!

Te fiz sofrer tanto... Que você não aguentou...

NÃO!

Nunca em sua vida havia corrido tanto. Nunca em sua vida, sentiu como se o mundo fosse acabar em instantes. Quase não enxergava o caminho. As lágrimas não paravam de sair... Pouco a pouco as peças foram se encaixando e como num passe de mágica, tudo voltava a fazer sentido em sua vida. Principalmente, aquilo que nunca deveria ter deixado de fazer sentido para si.

O sol batia forte sobre suas cabeças e aquele barulhinho praxe das cigarras adentravam de muito bom grado os ouvidos de Daiki. Estava deitado debaixo de uma grande árvore, aproveitando sua sombra. Não era muito de ficar quieto nessa época do ano, mas por um motivo óbvio, queria apenas curtir aquele momento. Era uma viagem a dois. Uma viagem que de especial, tinha tudo.

Era a primeira viagem, juntos.

Ryouta sempre foi do tipo sociável e nada mais normal que acabar fazendo amizades. Mesmo sendo ela, uma senhorinha de idade bem avançada. Kise não era modelo apenas por sua beleza, sua simpatia e os olhares que atraía sem querer apenas pelo seu jeitinho cativante ajudavam muito em sua profissão. O rapaz estava sentado ao lado de uma senhora com um livro em seu colo. Aomine não tinha ideia do que aquilo era, mas parecia ser muito interessante para o modelo se prender daquela maneira.

O significado das flores’

A senhora apontava com um sorriso delicado nos lábios as inúmeras flores que tinham ali. Explicava ao rapaz cada uma delas e Kise se surpreendia a cada nova descoberta. Aquilo o encantou de uma forma que nunca tinha imaginado. Era algo tão simples e até então tão banal. O tempo foi passando e Aomine sentou-se, espreguiçando-se. Rapidamente foi levantado de vez e arrastado pelo pulso por seu namorado.

- O que houve?! — indagou assustado, mas Kise nada disse. Corria veloz, corria com um largo e brilhante sorriso em seus lábios. — Ki...! — foi solto e Kise passou a correr sozinho. Correu por um caminho reto de terra até uns dez metros a frente de Daiki virando-se de frente para ele com os braços abertos.

- Aominecchi! Uma plantação de mim!!

- … Ha?! — a careta foi inevitável.

- Himawari significa,”Admiração”! — berrou e voltou correndo para Daiki. Segurou o rosto do rapaz entre suas mãos e aproximou seus rostos. — Significa, “Meus olhos fitam, somente a você”.”

Não... Não podia...

Aomine deveria pegar um trem para poder chegar ao Aeroporto Internacional. Embora fizesse certo tempo, não havia feito tempo o suficiente para que o rapaz já estivesse voando. Voando, estava Kise que corria enlouquecidamente. Esbarrou em pessoas, derrubou objetos, tropeçou no nada. Seus olhos buscavam em desespero por tudo que cabia em seu campo de visão. Os lábios não se aguentavam fechados há muito tempo. O ar saía forte e faltava em seus pulmões. O coração estava a mil e suas emoções num infernal turbilhão...

Passou a catraca vendo o trem partir e junto com o trem, seus pés o acompanharam correndo até onde a plataforma o permitia... Não...

NÃO!

- AOMINECCHI!!!!!!!!!!!!!!!! – o grito foi alto. O grito foi profundo... O grito havia saído do fundo de sua alma. Não... Ele não podia...

Não era possível...

Ele... Ele...

A gravidade acolheu o corpo do modelo o fazendo cair de joelhos. Seus olhos estavam arregalados e seu corpo totalmente sem forças, apenas o faziam fitar a composição se afastar mais e mais. Não queria acreditar... A cabeça baixou e os fios louros esconderam do mundo os orbes dourados que não mais se aguentavam... Ele realmente o havia deixado...? O dorso pesou para frente e as mãos bateram firmes contra o chão áspero e frio além do habitual. O grito era mudo. E as veias saltavam de sua garganta...

O desespero...

A perda...

Não... Ele não podia...

- Aominecchi... – a mão se fechou e a carne sentia-se ser machucada pela superfície nada gentil do solo.

Poucas as pessoas que presenciaram a isso tudo, o olhavam sem olhar. Embora estivessem curiosas, nenhuma queria se meter... Mas nada importava. Nada mais importava... Encolheu-se do jeito que estava e escondeu o rosto entre seus braços, cruzados no chão. O peito doía, o ar faltava, a memória voltava. — Aominecchi... — como pôde ser tão estúpido? Seu coração dizia que algo estava errado. Por que não lhe deu ouvidos?! Por que tinha que seguir o enredo medíocre que sua mente o havia feito acreditar?!

Leves batidas de consolo de um desconhecido em suas costas foram totalmente ignoradas. Ele não estava mais ali... Ele o havia deixado... O deixado pelo basquete, assim como ele queria naquele dia... Mas nunca havia cogitado o tamanho do buraco que ficaria em seu peito por causa disso... Até então, achava-se forte. Achava-se adulto o suficiente para aguentar um pequeno afastamento... Distante por conta do físico, mas perto por suas emoções. O amava demais para ser colocado antes de seu futuro. O amava demais para deixar destruir sua vida assim. Se fosse assim, melhor eles não estarem juntos... Sentiu-se a pessoa mais ridícula do mundo. Onde ele estava com a cabeça para chegar a uma conclusão tão imbecil como essa?!

Doía. Doía...

Um pigarreio fez-se ouvir.

Os olhos se arregalaram e bruscamente levantou-se virando para o dono daquela voz. O rapaz desviou o olhar surpreso por um segundo levemente encabulado e óbvio que não podia ter recebido coisa melhor. Aomine caiu de qualquer jeito no chão e sem tempo de associar o porquê daquele soco, Kise subiu sobre ele o levantando pelo colarinho. Daiki estava perplexo pelo soco, mas mais ainda estava, pela visão que tinha. Kise gritava, chorava e o xingava com todas as suas forças. E por mais que Aomine quisesse, não conseguiu mais conter suas emoções. Os braços se abriram e prenderam o modelo naquele lugar qual nunca deveria tê-lo deixado sair. Nunca deveria, tê-lo tirado de lá... Era outro que entendia agora, o quão estúpido sua decisão havia sido. Se juntos estava ruim, separados estaria ainda pior.

Uma grande jaqueta foi jogada sobre eles, os surpreendo. — Vergonha alheia. — a voz era de Midorima.

- Como você é cruel, Shin-chan! — Takao riu. Eles estavam voltando de um encontro... Aliás, de uma caçada ao item da sorte do de óculos. Isso... E haviam acabado de descer do trem quando viram Kise correndo para o outro lado gritando por Aomine.

Kise era uma figura pública, mas mais popular entre os jovens e ainda bem que naquele horário não havia muito público para registrar aquilo e embora Takao já estivesse voando para Kise para saber o que houve, Midorima o impediu por ter visto aquele idiota sentado no banco com a cabeça para trás apoiada nas costas do banco, com um grande lenço sobre seus olhos e uma garrafa d’água sob ela, despejando todo seu conteúdo sobre o pano, ao lado do que deduziu ser suas bagagens; virando para a voz que havia berrado por ele e derrubando tudo pelo espanto.... Realmente tinha vergonha deles.

Nem pensaram em mais nada. Aomine prendeu a blusa sobre eles e seus lábios se juntaram. Nunca deveria ter feito nada daquilo. Nunca deveria ter feito de conta que o relacionamento deles havia acabado. Acabado, tinha sua inteligência! Kise correspondia com a mesma sofreguidão que Daiki o beijava. Nesse exato momento, seus sentimentos estavam profundamente conectados e realmente, se achavam os seres mais imbecis do mundo.

- Ei! — o beijo foi interrompido com o puxão repentino que trouxe Aomine para fora do esconderijo, deixando o loiro ali dentro.

- Quer parar com isso?! Você está em vias públicas’nanodayo! Ponha-se no seu lugar! — Midorima era severo e encarava bravo o outro começando os dois a discutirem.

Takao agachou-se e puxou Kise pelo ombro colocando-o de pé. — Não tire isso ainda. — a jaqueta. — Tem gente cochichando com o celular na mão só esperando... — comentou o guiando para fora de lá. Logo saíam da estação ignorando as reclamações dos outros dois por terem sido deixados ali. — Que bom que tudo deu certo, Ryou-chan! — Takao comentou num sussurro que sabia que o loiro se envergonharia, mas que sorriria de qualquer maneira.

O modelo concordou com a cabeça e sem demoras — cahan -, já estavam dentro de casa.

- SUA MEMÓRIA VOLTOU?! — o berro foi uníssono fazendo Kise se encolher no sofá qual estava sentado com Daiki ao seu lado. Nesse meio tempo que estiveram foram, todos já haviam retornado... Até porque, quase em casa, Daiki se lembrou que suas malas ficaram na estação e enfim.

Kise meneou a cabeça em confirmação e todos suspiraram aliviados. Como essas coisas eram estranhas. A mente humana realmente é de dar medo.

- Foi tudo graças ao Kurokocchi! — sorriu o rapaz para os três parados a sua frente, Akashi, Murasakibara e Kuroko. Midorima e Takao estavam no sofá ao lado.

- Ah. Kise-chin, voltou... — Atsushi comentou com seu ânimo habitual, apenas pelo “~cchi”.

Kuroko simplesmente sorriu, sinceramente feliz e aliviado e Akashi...

- Que bom que voltou, Ryouta. — jogou Daiki para o outro lado sentando-se no lugar que ele ocupava. Não que Akashi gostasse do loiro como Aomine, mas Ryouta era muito amado por eles e todos tinham ciúmes daquele ali. TODOS, principalmente o “patriarca”.

Daiki revirou os olhos, mas se conteve. Afinal, não era só dele que o loiro havia se esquecido e sabia bem como aquilo era horrível. Momentaneamente esquecido, mas de um jeito que não o incomodava desta vez, Daiki saiu da sala indo até a cozinha. Kagami estava lá se perguntando porque diabos passava mais tempo lá do que em sua própria casa, visto que Akashi sempre ordenava sua ida ao império da Kiseki. Já havia recebido convite para se mudar para lá, mas tinha seu próprio cantinho. Não precisava se mudar pra lá... Ainda mais sendo quase VIZINHOS!

- Yo. — apenas cumprimentou roubando um pouco do prato que Kagami havia acabado de fazer. Dessa vez, tinha ido apenas acompanhando Kuroko, mas feliz com a volta da memória do loiro, nada mais justo que comemorar.

- Ei! — o repreendeu. — Não toque enquanto não estiver tudo pronto!

- Ah, qual é?! Você é minha mãe por acaso?!

- Vá se foder!

Aomine riu com a delicadeza do outro que voltava a se entreter no fogão e sentou-se na bancada olhando de lado para o outro cômodo. Tinha a vista do sofá e via Kise sorrindo com os outros ao seu redor, acabando por sorrir também. Virou-se para a bancada novamente e fechou os olhos num sorriso bobo. Suas pálpebras se abriram e deparou-se com Kagami o encarando com aquela cara de quem viu a coisa mais bizarra do mundo. Daiki se levantou e mostrou o dedo do meio para ele, logo saindo do lugar.

- Que bom. — o ruivo pensou num sorriso, voltando sua atenção às guloseimas.

A comemoração se estendeu noite adentro e ninguém se importou com o horário. Estavam felizes demais para se importarem com isso, mas como todo ser humano, uma hora a bateria acaba e dur. Todos já haviam se retirado, já que ainda estavam no meio da semana; e Daiki voltava de seu banho. Entrou em seu quarto com a toalha enrolada em sua cintura secando seus cabelos com uma menor. Acendeu a luz e jogou-se sentado em sua cama... Levantando-se no instante seguinte, num pulo, olhando assustado sua coberta que se remexia...

- Que demora... Aominecchi... — sonolento, Kise esfregou os olhos sentando na cama.

Daiki o encarou pasmo, afinal, não o esperava ali. Seu plano era depois de tomar banho (estar limpo e perfumado) ir ao quarto do loiro e... E... E deixa pra lá! Subiu de joelhos na cama logo alcançando seu objetivo. Os lábios eram selados docilmente e Kise sorria entre o beijo. Aomine sentou-se chegando mais perto do outro e segurou a nuca do loiro acarinhando ali. Como aquilo era bom. Perdiam-se totalmente no clima enevoado que se formava em volta deles até seus lábios se separarem naturalmente e se entreolharam tímidos. Matavam calmamente, a saudade do contato íntimo entre eles. Kise sorriu e encostou a testa na do outro. — Aominecchi... — num sorriso bobo sussurrou, mas antes do outro reagir da mesma forma ou de forma semelhante, a cabeça loira se afastou voltando rápida e intensamente contra o outro. — Seu desgraçado! Da próxima vez que tentar fugir assim, eu juro que te mato, seu filho da puta!

Com a pancada, Aomine caiu para trás e permaneceu assim, deitado e imóvel... Pouco a pouco o corpo começou a tremer e a gargalhada ecoava pelo lugar. Ele estava de volta... Estava de volta! O loiro o encarou incrédulo, entretanto, não se irritou com isso. Sentou-se na cama ficando de costas para ele e suspirou. De certo, estava aliviado por ter recuperado a memória e a tempo, aliás, mas agora tinha medo de que o pesadelo pudesse voltar. Sentiu um leve arrepio com os dedos que subiram sutis por suas costas e olhou para trás. Aomine o fitava deitado de lado... Não sorria... Mas via ali o quanto estava apaixonado. O que com toda a certeza, abrandava todo seu coração e o fazia crer que mesmo que perdesse sua memória novamente, de uma forma ou de outra, ele se lembraria de Daiki. Sempre se lembraria... Só precisava se lembrar de não ignorar seu coração da próxima vez...

-Próxima vez?! Nem fodendo! — Kise desceu o dorso e acomodou a cabeça sobre a barriga do outro ganhando um cafuné lento em seus fios dourados. Fechou os olhos e sorriu.

- Aominecchi... — chamou-o não vendo o quão bem aquela entonação o fazia... E assim como todos, Daiki nunca saberia que sentiria tanto, a falta daqueles “~cchi” da vida se tudo isso não tivesse acontecido. Kise entrelaçou os dedos com os do outro, puxando a mão do rapaz para baixo e ignorou totalmente os resmungos que recebia por apertar da forma mais dolorosa do mundo, os dedos do outro. — Da próxima vez que tentar fugir de mim, juro que não vou deixar barato. – voltou a replicar.

- É só não se esquecer de mim. — disse ríspido espontaneamente, arrependendo-se logo em seguida. — Foi mal... — sem graça. — Não foi culpa sua... — levantou-se um mínimo e beijou-lhe a testa. Kise estava pensativo e com isso, Aomine saiu debaixo dele e o puxou o acomodando sobre seu peito, deitado. Os dedos voltavam a acariciar o modelo que pouco a pouco se deixava levar... E sorrir.

- Desse jeito vou achar melhor perder a memória de novo, só pela hora de eu recuperá-la... — brincou recebendo um tapa na cabeça.

- Nem brinque com isso! — o repreendeu seriamente. — … Isso... — engoliu seco. — Isso... Foi muito traumático pra mim... — desabafou fazendo Kise se arrepiar com a confissão. O loiro se virou ficando deitado de frente para o outro, ainda sobre ele e ficando apenas a fitá-lo por longos minutos...

- Por que...? – indagou finalmente, mas hesitou. A troca de olhar era intensa e Kise se entristeceu -... Por que disse que nosso relacionamento havia acabado...?

Um frio ártico subiu-lhe a espinha com a pergunta inesperada. — V-você... Lembra-se de tudo mesmo, hein?... — indagou tentando soar divertido e desviar o foco.

- Aominecchi! — repreendeu-o severo, logo entristecendo o olhar novamente. — É sério... – Ryouta estava apenas inseguro. Embora parecesse que já estava tudo bem, não estava exatamente tudo bem. Pensando um pouco, aquilo realmente o estava incomodando. Será que...? Talvez... Aomine quisesse realmente terminar com ele...?

Daiki o encarou. Com toda a certeza, sua única fraqueza era aquele loiro... Mas mesmo assim, não queria lhe contar aquilo. Era algo que bastava ele próprio saber. Ninguém mais precisava saber daquilo... Principalmente ele... Suspirou fechando os olhos e levantou-se tirando o loiro de cima de si, sentando na borda da cama, de costas para o outro. — Não quero falar sobre isso.

Kise suspirou e espantou-se levemente com seu próprio frágil estado de espírito. Sentou-se de joelhos e fitou aquelas largas costas a sua frente. Sua mão subiu e assim parou, sem tocá-lo... Sem conseguir avançar... Estava com medo. Seus dedos se encolheram e a mão se fechou enquanto descia acomodando-se ao lado de seu corpo, na cama. A cabeça baixou e a voz tremulou...

- Sabe... Se fosse antes disso tudo, com toda a certeza, eu já estaria te xingando e estaríamos mais uma vez brigando enfurecidamente... — comentou baixando o tom e fechando os olhos conforme a frase se estendia. — Mas... — procurou pelos orbes azuis, mas Aomine ainda não o encarava. — Não quero nunca mais brigar com você. — disse com tamanha convicção que foi impossível Aomine não se surpreender e encarar o loiro. E ali, naqueles orbes dourados, via toda a sinceridade que nunca havia visto vindo daquele loiro orgulhoso. Nesse ponto, eles se pareciam bastante. O orgulho nunca os permitiam serem sinceros um com o outro, abrindo assim, o espaço que o mal entendido e a conclusão precipitada queriam para foder todo o problema ainda mais. – Aominecchi... – aproximou-se um mínimo. — Juro que vou me esforçar pra te ouvir, prometo que vou conter meu egoísmo, eu vou melhorar...! — Daiki não entendia aquilo que ele dizia. Do que diabos ele estava falando?! E acima de tudo, por que as lágrimas saíam tão intensamente daqueles olhos dourados...? Kise baixou a cabeça e seus olhos se fecharam fortemente. — Não me deixe... Aominecchi... — pediu num sussurro segurando forte a camisa do outro...

Kise Ryouta não era nem de longe uma pobre donzela indefesa e digna de dó. Muito pelo contrário, era um homem forte, determinado e orgulhoso. Assim como Daiki. E por, de certa forma, se identificar com o loiro, com toda a certeza, derrubava de vez, aquilo que Aomine ainda lutava (?) para manter de pé.

Não, não foi a insistência de Kise que serviu como a grande chave disso tudo, apenas, aquela coisa que sentimos quando nos apaixonamos e por mais estranho que possa parecer para pessoas de fora, vemos ali, a pessoa mais linda e meiga do mundo que sempre acaba por acertar em cheio o ponto mais sensível do nosso coração. Uma muralha, pode sim, ser perfurada. Pode sim, vir a ruir e revelar por detrás dela, aquele tão belo e cuidado campo florido e imensamente encantador. O grande cadeado foi quebrado e Aomine finalmente libertava aquilo que guardou por tanto tempo consigo.

Delicadamente, Kise era envolto pelos braços de Daiki. Pouco a pouco, era envolvido pela ternura, protegido pela segurança... Regado pela resposta que apenas fazia todo seu coração derreter-se e seus olhos se apertarem mais ainda. A boca se abriu chamando pelo outro que apenas apertava ainda mais o abraço conforme suas palavras continuavam a sair, fazendo um terno carinho com o rosto sobre a cabeça do modelo e uma massagem mais do que merecida naquele tão inseguro coração.

“A razão verdadeira, que eu só entendi muito tempo depois; de eu nunca ter desistido do basquete no colegial, foi você, Kise... Inconscientemente, eu não queria deixar de ser o seu objetivo. De ser o centro de todas as suas atitudes... De todas as suas decisões. E da mesma forma, eu sempre me movi guiado por você... E por você, eu estava disposto a abrir mão da minha felicidade. Achei que você seria mais feliz se não me tivesse no seu caminho... Eu realmente estava disposto, a abrir mão de você, meu bem mais precioso, para que você pudesse voltar a ser feliz...”

Ao final da frase, Kise encarou perplexo o rapaz e profundamente tocado com aquelas tão sinceras palavras. Sentiu uma vontade insana de socá-lo por chegar a uma conclusão tão estúpida sobre a sua felicidade, mas, convenhamos que, isso poderia ser deixado para depois. Embora para alguns possa parecer algo meloso demais, para Kise, aquilo tinha um valor impagável. Um valor tão grande, que mesmo que desse a vida por elas, ainda acharia pouco. Aomine riu pequeno do estado deplorável que aquele “modelo” estava e segurou ternamente o rosto do rapaz entre as suas mãos.

- Você não tem noção do quanto você significa pra mim, Kise. Do que eu seria capaz de fazer por você só pra te ver bem. Eu fui um idiota e tomei uma decisão errada... Muito errada... Desculpe-me... Perdoe-me, Kise... — pediu recostando a testa na do loiro.

Kise realmente sentia que aquilo que inundava seu peito fosse algum presságio de que morreria em alguns segundos. Era uma felicidade tão intensa que chegava a ser sobre-humana. Não fazia sentido tamanha felicidade dentro de seu peito... Não fazia sentido, existir alguém como ele em sua vida... Não fazia sentido seu amor ser tão recíproco a esse ponto...

Seus olhos estavam arregalados e sua boca aberta. Realmente não conseguia acreditar em tudo aquilo. Seus dedos alcançaram o peito de Aomine e deslizaram tremula e lentamente parando em seu abdômen. Aomine pegou a mão do loiro forçando-a a se abrir e a deslizou por seu corpo, puxando-o e o forçando a abraçá-lo e sentar-se em seu colo. Daiki acariciou delicado o rosto do modelo para que sua atenção estivesse totalmente em si e sorriu apaixonado. – Quero você ao meu lado para todo o sempre, Kise.



Epílogo

Aomine não havia desistido de ir para o outro lado do mundo, apenas havia adiado sua ida para a semana seguinte. Daiki se tornaria um jogador profissional, custe o que custasse e assim, estabilizado, voltaria para buscar Kise e enfim, ter sua tão sonhada vida à dois com o rapaz. Soava muito novela mexicana/conto de fadas isso, mas a partir deste episódio, chegaram a conclusão que não havia outra alternativa. Um não deixaria de amar o outro e assim seus dias estariam fadados. Não queriam se afastar fisicamente, mas o profissional era algo importante para ambos e sendo assim, decidiram batalhar sozinhos para tornarem-se homens melhores um para o outro. Awnt. Dentro de alguns anos, voltariam a morar juntos e isso era um grande incentivo, para se esforçarem ao máximo para que seus objetivos fossem alcançados... Logo.

A semana passou voando e era assim que Daiki estava agora. Kise sentiu que metade dele estava sendo arrancado de si, mas o pequeno girassol em seu celular e mais a aliança que havia comprado com Daiki, o fazia acreditar que tudo ficaria bem. Havia saído correndo do Estúdio para poder despedir-se do rapaz. Chegou em cima da hora, mas a tempo. E logo, estava lá, sozinho, vendo aquele pontinho branco se perdendo na imensidão azul. Em casa, jogou suas chaves no móvel da entrada e por ser dia útil, todos estavam trabalhando. Despediram-se do rapaz pelo celular. Tecnologia realmente é coisa de Deus. Suspirou levemente triste porque poxa. O amor de sua vida estava saindo de seu campo de contato físico. Era por uma boa causa sim, mas poxa. Ele tinha sentimentos... Mas sabia que o outro passava pela mesma situação, oque abrandava de certa forma, seus turbulentos sentimentos. Queria tomar um banho e voltou para o seu quarto...

A casa vazia só ajudou e até os pássaros se assustaram voando de seus confortáveis galhos pelo quintal da Kiseki no Sedai com o berro que ecoou por quarteirões. Kise não acreditava naquilo. Aomine tinha o quê na cabeça?! Vento?! Fotos, fotos e fotos estavam coladas por todas as suas paredes... Paredes? Que paredes?! Nem as enxergava! Eram milhares de fotos deles impressas, coladas e rabiscadas! Não era possível que ele tivesse gastado tanto de seu tempo com aquilo! Não mesmo! Aproximou-se devagar e riu das observações ali contidas. Ele era louco... Idiota... Mas um amor. Os dedos deslizaram pelas imagens e a testa se apoiou sobre algumas. O sorriso era leve e o coração também. Puxou uma foto sem desgrudá-la do lugar e sorriu mais ainda. Como ele tinha coragem de fazer aquilo...? Era uma em que estavam de perfil e Aomine, com um sorriso debochado nos lábios, via o loiro dormir.

“Você dormindo é... É...! Chega a ficar... bonitinho...”... O ‘bonitinho’ foi escrito minusculamente, tipo, diminuindo de tamanho e tortamente do tipo escancarado que ele não queria admitir algo assim. Riu com as outras fotos que seguiam a mesma linha e parou em uma que o fez rir ainda mais. Era uma foto de Daiki sozinho, arremessando a bola numa quadra X, tirada por algum fotógrafo qualquer, durante um jogo. Daiki sorria, aquele sorriso que só estampava seu rosto quando realmente se divertia na quadra. “Pra você nunca mais esquecer-se de quem você ama, e porquê.”. Riu. Modéstia realmente não era parte daquele ali. Seguiu mais algumas até chegar à sua cama e deitou-se de frente para o teto, logo franzindo o cenho. Um poster enorme de “Aomine Daiki” estava colado ali. Ele estava meio de costas, com um largo sorriso nos lábios e uma bola de basquete em sua mão direita, sobre o ombro...

“Volto logo.”

O sorriso era grande comprimindo assim, os olhos que deixavam suas lágrimas escaparem. Sentiria muita falta daquele ali qual dividiu boa parte de sua vida até então, mas tinha que aguentar essa separação temporária. Óbvio que não significava que nunca mais se veriam, mas por menor que seja uma separação, ainda é uma separação. Desacostumar-se a acordar todos os dias e a primeira coisa a se enxergar, ser aquela pessoa qual entregamos todas as chaves de nossos mais profundos e importantes sentimentos, era de quebrar o coração.

Mas mesmo assim, seria superado.

Com seus braços, cobriu os olhos, sorrindo bobamente e emocionado. – Aominecchi... Ganbatte...

Era apenas temporário.

“Volto logo.”


09.05.2013

(02/09/2013)

Notas finais
AMADOS, desculpem de verdade essa demora nojenta, mas realmente passei por uma crise terrível, mas enfim, trago o desfecho dessa novela... Digo, fic, isso! HAHAHAHAH xDD
Espero de verdade não ter desapontado ninguém, mas se desapontei, desculpe porque não era (óbvio) a intenção DDDX
ACHO que não mencionei em lugar nenhum que isso se tratava de uma oneshot, porque no início era, mas depois que eu terminei - definitivamente - a segunda parte, não tem como fazer parte de uma oneshot ahahah é um capítulo, mas acaso eu tenha comentado em algum lugar ser uma oneshot, favor me avisar que tenho que arrumar.
Eventuais erros, prometo voltar e corrigir. MUITO obrigada pela leitura e pelo carinho lindo de vocês, sempre! Espero que não me abandonem e se interessem pelo extra xD Mas se estiverem morrendo de raiva, não se preocupem, não vou culpá-los porque a culpa foi minha DDDDDDX
... tá. chega de drama... Ç___Ç
ahahahaha, mas sério, espero de verdade que tenham gostado, ao menos se divertido. Himawari é uma fic muito especial para mim, e embora na época que eu a tinha concluído, e estivesse feliz com o resultado, um tapa na cara foi o estopim pra minha crise e insegurança porque eu não estava bem feliz com o desfecho... @_@
Enfim, chega de desculpas e espero vê-los no extra ♥
Kisses no kokoro, obrigada mais uma vez a quem me acompanhou até aqui e até breve ♥
O extra realmente só falta um teco de nada, e o serviço me permitindo, semana que vem já deve estar on. Desculpem mais uma vez, e até a próxima, meus amores *O*
Obs.: responderei os reviews assim que possível, ia responder antes, mas pela fic, achei que já demorei demais pra postá-la Ç____Ç Mas não só li, como super amei o carinho lindo de vocês ÇOÇ Obrigada MESMO!