Eu fiquei procurando o dinheiro que nem uma louca, na capinha do celular, no bolso da calça, da bolsa, tudo. Jurei que tinha trazido, mas acho que estou doida.

– Segura o salgado, eu já volto! — Eu deixei o magrelo da cantina segurando o salgado com cara de tacho e fui em direção à Alice.

– Alice, meu dinheiro sumiu, me empresta dinheiro pra um salgado e amanhã eu te pago? — Ela sorriu de canto, assentindo que daria, mas ficou procurando em seus bolsos ( foi um pouco engraçado ), mas não achou nada, ela fez uma careta triste.

– Eu não tenho nada agora, desculpa. — O garoto que esbarrou em mim, Peyton, deu um risinho indecifrável e colocou a mão atrás dele pra pegar sua carteira.

– Eu tenho aqui. — Ele parecia querer me provocar, mas eu estava com fome, eu quase não dormi a noite então passei a noite com fome, porque não queria que meus pais descobrissem que estava acordada vendo animes, então fiquei na cama, sem sair do quarto. Então passri a noite norrendo de fome e quando resolvi dormir, já era 4:00, então perdi um pouco a hora e saí correndo pra pegar o ônibus, sem tempo pro café. Realmente estava com raiva do sujeito, ele ta a querendo parecer legal? Qual a nescessidade disso? Eu nem pedi nada pra ele! Fiz um olhar mortal pra ele — Calma menina.

– Calma nada, eu não pedi pra você. — Alice parecia gostar da situação, então não falou nada.

– Quer que eu pegue de volta então?

– Eu tô com fome, por isso não vou recusar, mas obrigada. — Peguei a cédula da mão do indivíduo e saí andando pra pegar o salgado da mão do cara, que ainda o segurava. — Obrigada. — Peguei rápido o salgado da mão do cara e sorri, evitando contato visual. Dei o dinheiro e ele devolveu o troco.

Quando voltei, Peyton já tinha saído.

– Sabia que você é muito fria?

– O que tem?

– O que tem é que você está rejeitando um cara muito legal que quer sair com você.

– Ele não teria coragem de me convidar pra sair...

– Não entendi.

– Esquece, ele só vai me causar problemas.

– Ele parece interessado em você.

– Ele só me emprestou grana.

– Eu já tatia bem puta com você se me tratasse assim como você trata ele...

– Eu odeio garotos, Alice, odeio.

– Você é lésbica??

– NÃÃO, respeito as lésbicas, fuck Homophobia mas não sou uma.

– Mas porque odeia garotos?

– Você não vai entender...

O sinal tocou e fomos pra sala. Quando as aulas terminaram eu fui para o curso técnico e para o meu azar, bati de cara com a última pessoa que queria encontrar, Aeron. O que você está fazendo aqui? Disse mentalmente. Eu fui a última a chegar na sala, então tive que sentar do lado dele, o que achei estranho. Estranho não por eu estar com ele, mas por ele estar sozinho, ele sempre consegue amigos fácil, seria dificil não ter uma dupla.

Não quis falar com ele e fingi que não o conhecia, mas estava ansiosa, balançando os pés, estalando os dedos, mexendo no cabelo, etc. Na verdade, eu virei a cara e a escondi com meus cabelos ruivos e sentei, fazendo o possível para ele não me reconhecer, mas não houve sucesso, porque depois de 30 minutos de aula, ele ficou curioso e foi se apresentar:

– Oi sou Aeron e você é a... — Eu levei um susto e olhei pra ele imediatamente, esquecendo do objetivo de não deixar ele me reconhecer — Valentiny?

– ... É.

– Você passou! Legal! — Dei um sorriso discreto, mas forçado.

– Uhum...

– Como é que tá a vida?

– Tá bem — Nossa eu ainda tenho rancor, poxa... Vou dar uma indireta sobre o chocolate caro — Comendo muitos chocolates do meu pai. Como é que está a sua namorada, Bethany né?

– Terminamos. — Estou vendo que o terreno baldio vai ficar livre dele por um tempo.

– Vai fazer faculdade de quê?

– Engenharia. E você?

– Moda ou arquitetura.

– Você vai continuar na igreja?

– Vou, e você?

– Não sei, a Bethany ta lá e vaj ser estranho ver ela depois do término.

– Eu sofri bullying Aeron, você presenciou isso, viu como era e eu vejo aquelas pessoas toda semana lá, comigo, além de estranho, é doloroso — Eu virei a cara para o caderno e comecei a desenhar e fazer umas medidas. Ele ficou lá me encarando.

– Você lembra disso?

– Isso vai ficaf guardado na minha memória até eu morrer, foi traumatizante, horrível, você não entende porque doeu em mim e não em você, por isso não me defendeu na época, né?

– Não te defendi porque não queria enfrentar meus amigos.

– É porque eles são muito confiáveis e boas pessoas né? — Disse, sarcástica, ainda olhando pro caderno. — Ou talvez porque você ia ser excluído junto comigo.

– Isso é uma indireta me chamando de covarde?

– Talvez.

– Quando você ficou mais fria? Da última vez que te vi na igreja você era mais boazinha.

– Desde que notei que ser "boazinha" não faz ninguém gostar de você.