High Key

23 You're missing me the way i'm missing you


—Emma-

Aeroporto Internacional John F. Kennedy – New York – 12h47.

Meu avião havia acabado de pousar, e minha ansiedade de pegar a bagagem despachada e correr para o apartamento de Regina, estava me consumindo.

Depois da mensagem de Regina, meu celular acabou ficando sem bateria, assim como meu carregador portátil. Lancei pragas a todo mundo tecnológico por causa disso, e passei o resto da noite resmungando. Sequer consegui dormir, pensando na mensagem.

Será que eu tinha entendido direito?

Conclusão: eu estava destruída!

Havia acordado às quatro da manhã para a viagem e dormi muito mal no avião.

—Emma, minha filha! — Mamãe, papai e Henry me aguardavam no terminal de desembarque com seus sorrisos enormes.

—Ei vocês. — Os abracei. — O que estão fazendo aqui? E você não deveria estar na aula, mocinho?

—Mamãe me deixou faltar para vir com meus avós te buscar.

Senti meu coração ir na garganta e voltar com a menção de Regina.

—Ela... não veio?

—Não, ela disse que estava muito cansada da fisioterapia. — Mamãe explicou, dando um sorriso sem graça.

Sorri sem vontade e continuei meus passos até a saída do aeroporto. Henry abraçou-me de lado com carinho, e eu o apertei como se o fosse perder a qualquer momento.

[...]

O caminho foi silencioso dentro de mim, mas cheio de conversas entre Henry e meu pai sobre futebol. Mamãe tagarelava sobre algo que eu mal prestava atenção.

Iríamos deixar Henry em casa e seguir para meu apartamento logo depois, mas como de costume, o trânsito da bela York estava um caos.

Chegamos na entrada do prédio de Regina e meu peito não podia ser forte o suficiente para aguentar a agitação de meu coração.

—Obrigada pela carona Vovó e Vovô. – O garoto pegou sua mochila e abriu a porta do carro de meu pai. – Tem certeza de que não vai subir, Mom? Acho que a mommy ia ficar muito feliz em te ver. Ela está melhorado e pergunta a todo momento sobre você.

Aquele medo de encarar meu presente e meu futuro se enraizou novamente dentro de mim. Era medo de não ser boa o suficiente e fazê-la sofrer, ou até morrer por minha causa, novamente. Medo de que ela não lembrasse, de que a mensagem dela no anterior fosse apenas ilusão.

E se ela nunca se lembrasse novamente?

Medo.

—Eu... acho que prefiro ir para o meu apartamento descansar um pouco, garoto.

Sua expressão de alegria se desfez.

—Até mais, Emma. – Deixou o carro correndo e sumiu portaria adentro.

—Quer mesmo ir? – Papai perguntou.

Assenti positivamente.

Enquanto o carro acelerava, o prédio de Regina ia cada vez mais se afastando.

Eu estava fugindo mais uma vez. Fazendo exatamente o que eu prometi a Regina que não iria mais fazer.

[PLAY] No Way — Fifth Harmony.

Fechei os olhos e respirei profundamente. O ar parecia não entrar em meus pulmões.

Covarde.

Isso é o que eu sou.

Você se arrisca todos os dias em lugares perigosos, Emma Swan, mas no fundo é uma perfeita covarde.

Se arrisque pelo amor, uma vez na vida.

—Pare o carro, papai. – Senti o tranco da frenagem.

Mal dei tempo de pensar em desistir. Abri a porta do carro e corri até o prédio.

Passei pela portaria como uma ventania anunciando uma tempestade. E não esperei o elevador. Apenas subi os degraus não me importando com a falta de ar e o acúmulo de ácido lático em minha panturrilha.

Embolei-me em meus pés, tropeçando no último degrau do andar da morena. Isso não me parou.

Iniciei a corrida novamente e quando avistei a porta da mulher que eu amo, apenas girei a maçaneta e a abri com afobação.

Ofegante e suada.

Com toda certeza iria desmaiar de falta de oxigenação, mas quem se importava?

Lá estava ela, sentada no sofá com seus óculos de leitura e sua agenda de anotações nas mãos. Lançava-me um olhar assustado e eu quase podia ver seu coração se agitando dentro do peito.

—Regina... – Pronunciei sem fôlego.

—Emma...?

—Eu amo você. E eu sei que pode parecer que eu não me importei com sua mensagem ontem, mas eu fiquei com medo. E parece que é tudo o que sei fazer. – Tentei regularizar minha respiração e me aproximei dela devagar. – Mas pela primeira vez na vida eu deixei o coração controlar meus atos e me trazer correndo até aqui. Literalmente. – Toquei seu rosto com as costas da mão, fazendo um carinho suave.

Ela fechou os olhos e puxou todo ar daquela sala.

—Eu prometi nunca mais sair do seu lado, e é isso o que vou fazer até o fim dos meus dias, mesmo que você não se lembre nunca mais quem sou.

—Eu não preciso lembrar quem você é. Aparentemente, meu coração lembra do amor que eu sinto por você. E por mais confuso que isso seja na minha cabeça... sinto que seja a coisa mais certa que eu poderia fazer.

Aproximei meus lábios dos dela e a provei. E depois de tanto tempo sem sentir aquela textura macia dos seus lábios, a sensação era a mesma. Milhares de correntes elétricas percorrendo meu corpo e se chocando dentro de mim.

Era uma bagunça tão arrumada.

—Eu te amo. – Repeti. – Eu te amo tanto.

Era como se eu fosse transbordar de tanto amor dentro de mim. E “eu te amo” não era o suficiente para aliviar meu peito.

Ela soltou uma gargalhada e voltou a me beijar.

—Amo você, Swan. Mesmo não entendendo como fui me apaixonar por uma idiota. — Ela gargalhou acanhada.

—Como senti falta da sua gargalhada. Desse sorriso sincero que você me doa. — Acariciei sua bochecha.

Ela sorriu.

Sorriu e se afastou de mim, voltando para seu lugar no sofá. Fiz o mesmo, e sentei-me ao seu lado.

Reparei que na mesa de centro haviam muitas fotos. Fotos de Henry quando bebê, de uma Regina muito mais nova.

—Estava tentando me lembrar do nascimento de Henry, ou dos seus primeiros passinhos, suas primeiras palavras... — Suspirou triste. — Mas tudo não passa de um borrão.

A abracei de lado, tentando passar conforto.

—Logo logo você vai lembrar, vai ver.

—Você realmente acredita que posso lembrar?

—Acredito. Você é a mulher mais forte que eu já conheci. — Toquei em meu bolso, tirando minha carteira de dentro.

De dentro dela, tirei um cordão artesanal feito com tira de couro e pingente de ouro velho com um símbolo em forma de "N" gravado.

—Esse é um amuleto druida que eu ganhei de um islandês no Museu Folclórico de Arbaer. Ele significa: Integração e equilíbrio de poder; sabedoria mística e proteção. — Coloquei-o em sua palma. — É teu. Quero que ele te proteja enquanto eu não estiver, e te ajude a melhorar logo.

A morena sorriu sem graça e me surpreendeu, roubando um beijo delicado e molhado. Meu coração nunca parecia acostumar com as sensações que ela me causava. Era como me apaixonar todo dia pela mesma mulher.

E agora, todos o meus medos deixaram de existir.

—Regina... — Meus olhos encontraram os castanhos curiosos dela. — Eu nunca mais vou fugir, nunca mais vou te deixar. Eu juro.

Toquei a mão da mulher em minha frente, e as senti suadas e frias.

—Meu amor, tudo bem? — Seu olhar passou a ser vago e seu corpo ficou mole. — Regina? HENRY!

O garoto entrou correndo na sala, com um olhar assustado.

—Garoto, pega celular e as coisas da sua mãe e me encontra no carro. Rápido! — Peguei Regina no colo. — E liga para sua tia e para sua avó no caminho.

[...]

Bellevue Hospital Center, New York.

Minhas pernas balançavam de cima para baixo em um movimento nervoso. Minhas unhas a essa altura estavam no sabugo.

Quando entrei com Regina desmaiada no pronto-socorro, rapidamente chamaram o Dr. Whale que a levou para a sala de exames. Ele afirmou que com o recente estado dela, era o mais precavido a se fazer. Logo a sala de espera foi ocupada também por Zelena, Ruby, Cora, meus pais e a pequena Maya.

Até então não tivemos qualquer notícias dela, e isso estava me matando.

—Por Deus, Emma! — Ruby jogou as mãos ao ar, impaciente. — Pare de roer as unhas e balançar as pernas, está me irritando. Fique calma, aposto que ela está ótima.

As palavras de Ruby foram cortadas pela pequena mão de Maya que teimou apertar sua boca.

—Maya, minha princesa, não faça assim com a mamãe. — Soltei uma risadinha fraca. — Não ria, Swan. Estou tentando repreender minha criança e ganhar o respeito dela. Assim você me atrapalha.

—Querida... — Zelena surgiu ao seu lado com dois copos de café, entregando um a mim. — não adianta, você nunca terá a mesma moral que eu.

Ruby bufou e ganhou um selinho carinhoso de sua mulher.

—Alguma notícia? — A ruiva perguntou.

—Nada ainda. — Responde apreensiva.

—Acho que vou levar a Maya para brincar no parquinho. — Ruby se levantou. — Emma esta me deixando nervosa também, e esse ambiente hospitalar não é nada agradável para minha bonequinha.

Dei um sorrisinho brincalhão para Maya que já se despedia com um sorriso, acenando desajeitadamente.

Não demorou cinco minutos desde que Ruby saiu, para Dr. Whale entrar na sala de espera com seu tablet na mão.

—Boa noite, tenho ótimas notícias! — Um peso pareceu sair de meus ombros. — Regina já recobrou a consciência e está ótima. E Emma, ela quer falar com você primeiro.

Dr. Whale me guiou até o quarto em que a morena repousava. Ela estava com aquele avental de hospital, recostada no travesseiro, com um pote de gelatina na mão.

—Vou deixar vocês duas a sós. — O doutor se retirou e fechou a porta.

—Ei, você me deu um puta susto, sabia? — Sentei ao lado de seu leito com um sorriso aliviado no rosto.

A morena me encarava com um olhar confuso.

—Tudo bem? — Perguntei preocupada.

—Quem é você? — Meu corpo gelou.

—Não, não de novo não...

Uma gargalhada cortou o ambiente.

—Vocês precisava ver sua cara Swan! Venha aqui perto logo e me dê um beijo. — Ela abriu os braços para me receber.

Quando fui ao seu encontro, recebi um forte tapa no rosto. Paralisei no mesmo instante, chocada com o que ela havia acabado de fazer. Por alguns segundos pensei que ela poderia não estar tão bem assim.

Será que ela estava com algum transtorno de bipolaridade?

—Isso, é por ter me feito ir até aquele lugar horrível, por causa dos seus medos bobos. — Outro tapa forte. — Isso é pelos imbecis que me sequestraram naquele hotel. — Mais um tapa. — E isso é pela ruivinha abusada que estava com você na Islândia.

—Você lembrou? De tudo? — Ela sorriu e assentiu positivamente. — Você lembra de mim, MEU DEUS VOCÊ SE LEMBRA!

Comecei a pular pelo quarto comemorando. Era como uma explosão de alegria e adrenalina estivessem sido injetados na minha veia.

Regina gargalhava com vontade.

—Você é louca! — Me joguei em seu leito e a beijei com volúpia.

—Sou louca, louca por você.